Habitantes de Goiás – (Rugendas)

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    10-Jan-2017

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Habitantes de Gois (Rugendas)

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MEMRIA SOBRE AVIAGEM DO PORTO DE SANTOS

CIDADE DE CUIAB

Senador Renan CalheirosPresidente

Senador Tio Viana1 Vice-Presidente

Senador Antero Paes de Barros2 Vice-Presidente

Senador Efraim Morais1 Secretrio

Senador Joo Alberto Souza2 Secretrio

Senador Paulo Octvio3 Secretrio

Senador Eduardo Siqueira Campos4 Secretrio

Suplentes de Secretrio

Senadora Serys Slhessarenko Senador Papalo Paes

Senador lvaro Dias Senador Aelton Freitas

Conselho Editorial

Senador Jos SarneyPresidente

Joaquim Campelo MarquesVice-Presidente

Conselheiros

Carlos Henrique Cardim Carlyle Coutinho Madruga

Raimundo Pontes Cunha Neto

Mesa DiretoraBinio 2005/2006

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Edies do Senado Federal Vol. 69

MEMRIA SOBRE AVIAGEM DO PORTO DE SANTOS

CIDADE DE CUIAB

Lus dAlincourt

Braslia 2006

EDIES DO SENADO FEDERAL

Vol. 69O Conselho Editorial do Senado Federal, criado pela Mesa Diretora em31 de janeiro de 1997, buscar editar, sempre, obras de valor histrico

e cultural e de importncia relevante para a compreenso da histria poltica,econmica e social do Brasil e reflexo sobre os destinos do pas.

Projeto grfico: Achilles Milan Neto Senado Federal, 2006Congresso NacionalPraa dos Trs Poderes s/n CEP 70165-900 DFCEDIT@senado.gov.brHttp://www.senado.gov.br/web/conselho/conselho.htm

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Alincourt, Lus d.Memria sobre a viagem do porto de Santos cidade de Cuiab /

Lus d Alincourt. -- Braslia : Senado Federal, Conselho Editorial,2006.

XII+150 p. -- (Edies do Senado Federal ; v. 69)

1. Viagem, descrio, So Paulo. 2. Viagem, descrio, Gois. 3.Viagem, descrio, Mato Grosso. I. Ttulo. II. Srie.

CDD 918.161

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SumrioDuas palavras

por Afonso E. Taunaypg. IX

Dedicatriapg. XI

Introduopg. 1

Memriapg. 7

Descrio histricapg. 21

Descrio histricapg. 71

Nome dos rios em que se paga a contribuio das passagens, desde a cidade de So Paulo at de Gois

pg. 87

Memria acerca da fronteira da Provncia de Mato Grosso, organizada em Cuiab, no ano de 1826

pg. 113

Apndicepg. 137

NDICE ONOMSTICO

pg. 147

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Duas palavras

AFONSO DE E. TAUNAY

POUCO ou, antes, quase nada se sabe do distinto oficial de engenheiros que foi Lus dAlincourt.

Nascido em Oeiras, Portugal, a 17 de fevereiro de 1787, praa de artilharia em 1799, da Academia Militar, nela se gra-duou engenheiro, aps brilhantes estudos.

Teve numerosas comisses e importantes; na Bahia (1816), Pernambuco (1818), em Mato Grosso (1822-1880), no Esprito Santo (1841), onde, segundo parece, faleceu.

Publicou diversas memrias sobre a corografia do Brasil e assuntos militares, seis das quais esto impressas na Revista do Ins-tituto Histrico Brasileiro; era grande autoridade sobre coisas do Mato Grosso, e, na opinio de Leverger, colhem-se de seus escritos valiosas informaes.

Dele, diz Machado de Oliveira: era um oficial muito inteligente e bom profissional.

X Lus dAlincourt

Notas biogrficas suas s conhecemos os ligeiros Aponta-mentos de Xavier de Brito e uma efemride das Datas Mato-gros-senses, de E. de Mendona.

Morreu major de engenheiros, e na fora da idade.Das suas obras, talvez a mais interessante e valiosa a

Memria sobre a viagem do porto de Santos cidade de Cuiab, jornada que, em 1818, realizou. Imprimiu-a em 1825 num folheto hoje rarssimo.

A ele se refere Saint-Hilaire numerosas vezes e elogiosa-mente. Traz diversas informaes curiosas sobre a vida paulista, de h mais de um sculo, e de que h escassez em semelhante poca.

So Paulo, 16 de julho de 1953.

Senhor

Por largo campo indmito, e frementeCorre o Nilo espumoso,Feroz alaga a rpida correnteO Egito fabuloso;Mas se gr carreira, as ondas grato, Tributo de caudais rios aceita.Soberbo no rejeitaPobre feudo dincgnito regato.

DIIZ, ODE 1a.

No vontade de inculcar-me autor, nem vaidosos pensa-mentos me figuram esta obra digna de ser oferecida a V. M. I.; no, Senhor, o amor-prprio no me fascina a ponto de ignorar a curta esfera de minhas luzes, e a escassez de meu talento. Mas o contar com o acolhimento benvolo, que V. M. I. costuma dar aos que se abrigam sua egrgia sombra, me anima a dedicar a V. M. I. o meu imperfeito trabalho.

Da indulgente censura dos sbios obtero desculpa os er-ros de um cidado militar, que, face do mundo inteiro, protesta adeso ao Imprio, amor, e obedincia a V. M. I.; protesta adeso ingnua, verdadeiro timbre daquelas almas, que firmemente se de-dicam grande causa do Brasil.

Reverente beija as Mos Augustas de V. M. I.

LUS DALINCOURTSargento-mor engenheiro.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Introduo

DEDIQUEI o tempo, que me foi preciso empregar na jornada, que fiz, no ano de 1818, desde o porto de Santos cidade do Cuiab, em escrever o Dirio da mesma jornada, notando que nela a direo da estrada, que segui, as povoaes, que encontrei, os ribeiros, e rios que atravessei, e finalmente a qualidade do terre-no, por onde conduzida a dita estrada; fazendo ao mesmo tempo aquelas observaes, que julguei convenientes utilidade do objeto, a que dirigia o Dirio. Dei, portanto, princpio, e fim a to honrosa tarefa, suprindo os meus bons desejos a escassez de tempo, meios, e talentos prprios para o seu completo desempenho. O golpe de vista, o passo, e agulha; as pessoas mais cordatas das diferentes povoaes, a quem consultei; algumas idias adquiridas e diversos autores, e o meu fraco critrio, foram os nicos e verdadeiros guias do Dirio, e, por conseqncia, do seu objeto, que a presente Memria. Por ela far-se- juzo, se no com rigor matemtico, ao menos quanto baste para se conhecer da possvel maneira a populao, comrcio,

2 Lus dAlincourt

indstria, situao, e origem das vilas, e arraiais nascentes, e con-fluncias dos rios, direes de serras, e particularidades dos terrenos, por onde dirigi a marcha: anexas se acham as plantas das mesmas vilas, e arraiais, e quatro mapas, que mostram a direo da estrada: o primeiro pela Provncia de S. Paulo; e o segundo pelo terreno, que ultimamente passou a formar parte da Provncia de Minas Gerais; o terceiro pela Provncia de Gois; e o quarto pela Provncia do Cuiab at sua capital. Eis aqui expostos os pontos, em que versa a Memria: mas, para que o agradvel no deixasse de acompanhar o til, mesma juntei diferentes perspectivas de terrenos encantado-res, que de contnuo desafiam a ateno dos viajantes, e convidam a desenh-los, mesmo aqueles, que para o fazerem tiverem as mais fracas luzes.

Partindo da cidade de S. Paulo, e, dirigindo a marcha a os-noroeste, segui, passados alguns dias, a noroeste, chegando a to-car nor-noroeste, e norte: com pequenas alteraes, continuei sempre no quadrante de noroeste, descaindo muito mais para o norte, do que para oeste, at chegar cidade de Gois; alm da qual entrei no quadrante do sudoeste, e mareando mais para oeste, do que para sul, toquei enfim a meta da minha jornada. Do que tenho exposto se colige que a estrada se desvia sempre da direo retilnea at capital de Gois; donde ento comea a declinar para o outro ex-tremo da reta, ou cidade de Cuiab. Desta forma os trs pontos S. Paulo, Gois, e Cuiab, representam os vrtices de um tringulo proximamente retngulo, e issceles, mostrando Gois o vrtice do ngulo reto: e visvel, que se pouparia muito em tempo, despesas e fadigas, se se tentasse aproximar hipotenusa do tringulo a direo da estrada, o que se no deve supor impraticvel.

1 Do volume publicado na Tipografi a Imperial e Nacional, cujo texto se reproduz aqui, no constam os anexos e ilustraes mencionados pelo autor. N. da R.

Memria sobre a viagem do porto de Santos cidade de Cuiab 3

bem sabido que a direo da atual estrada foi empreen-dida ao acaso: foi assim, que Bartolomeu Bueno penetrou aqueles vastos sertes; e foi assim que seu filho, guiado pelas fracas idias adquiridas na companhia dele, na tenra idade de doze anos, e desa-fiado pelo espantoso rumor, que faziam as minas de Cuiab, tentou muito depois da primeira entrada volver ao lugar do gentio gois, at onde tinham penetrado. Porm a sua primeira expedio foi malograda; tal era o fraco conhecimento, que tinha daqueles in-cultos terrenos. Recobrando novo nimo, tentou segunda, e como s apalpadelas foi formando o trilho, que depois se chamou estrada, e, com mais fortuna desta vez, completou suas esperanas, descobrindo Gois. Eis aqui o mtodo imperfeito, por que se abriu a estrada de S. Paulo a Gois; que se algumas modificaes tem sofrido, so devidas unicamente ao cuidado, e particular comodidade de seus habitadores.

J a esse tempo existia descoberto o Cuiab; e seus habi-tantes vindos tambm de S. Paulo, e conduzidos ali pela navegao dos rios, ambiciosos de colher o louro metal, onde em mais abun-dncia, e com menos trabalho aparecesse, ouviram alegres a fama do descoberto em Gois, e dispondo-se em grande nmero a busc-lo, marcharam por sertes desconhecidos at o encontrarem. pois des-ta maneira, que, em 1736, se

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