HISTÓRIA CONCISA DA LITERATURA BRASILEIRA

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  • 7/28/2019 HISTRIA CONCISA DA LITERATURA BRASILEIRA

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    HISTRIA CONCISA DA LITERATURA BRASILEIRA(Alfredo Bosi)

    Alfredo Bosi o Muhamad Ali do pensamento literrio brasileiro: luta no mundo das

    palavras com classe, forte, intenso, pragmtico e certeiro. Ok, ok, aceito discutiresses parmetros. Afinal, num pas que tem Otto Maria Carpeaux, Antnio Cndido,

    Massaud Moiss, Fbio Lucas, Haroldo de Campos, Wilson Martins, e tantos e tantos

    e tantos outros que dedicam-se s letras aqui praticadas com afinco, ardor, amor, e

    muitas vezes v l, por que no rimar com serrote entredentes de vez em

    quando? com dor; de uma facilidade tangvel s vezes (e sem querer) omitir

    um nome salutar.

    Como essas linhas no tm a inteno de ser um crivo da verdade, tampouco

    aspiram polmica, reservo-me o direito de continuar sendo fiel em meu

    testemunho, obedecendo minha mente arbitrariamente vida em seu esforo deleitura e interpretao. E prossigo: Bosi Ali.

    Este Histria Concisa da Literatura Brasileira, livro que trago s mos, passou

    bem uns 25 dias andando comigo de trem, metr, nibus e lotao; pegou filas,

    sentou praa, foi folheado no quarto, em cima desse teclado que escreve essas

    linhas, e sobre mesas diversas; esse livro traz consigo as primeiras impresses

    gerais que tive sobre a histria da literatura brasileira, quando meu irmo me

    presenteou, l se vo uns bons 12 ou 15 anos. Ou mais. Pela primeira vez reunia

    informaes completas e fazia uma pequena fortuna crtica daquilo que praticava

    ricocheteando s escuras, j que na escola e nas rodinhas literrias falava-se(fala-se, ainda) e praticava-se (pratica-se) muito, mas muito pouco mesmo, de

    verdadeira leitura. At hoje conservo vrios estetas, dito colegas, que escrevem

    cem linhas para cada uma que leem. Praticam louvores a nomes emblemticos

    mas, verdade seja dita, acho que nunca leram mais que um ou dois Drummond ou

    Machado (benditas antologias escolares). Mais provvel que dediquem tempo a

    gasparettos e paulos-coelho (e bate na madeira trs vezes, que mal no h de

    fazer).

    Nessa segunda leitura que fiz, a de agora, refiz o percurso anterior: o autor,

    principiando com uma apresentao vitaminada da condio brasileira, estabeleceum cdigo de interpretao histrica da literatura na ento colnia portuguesa. A

    partir da, d "start" ao estudo de como as primeiras letras foram escritas e/ou

    praticadas nessas terras. Fala da certido de nascimento da nao, a carta de Pero

    Vaz de Caminha quando do descobrimento/achamento. Fala de outras cartas e da

    importncia do entendimento do Brasil como nao a partir do pouco testemunho

    que ficou guardado para a posteridade. Da parte para os primeiros praticantes

    literrios, detendo-se em Jos de Anchieta com peculiar interesse e profundidade.

    S ento entra nas escolas, no sem antes balizar, espacial, cronolgica e

    geograficamente o princpio que norteou cada mudana de interpretao do mundo,em suas motivaes culturais, sociais, estticas e histricas. Esmia ento o que

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    foi o Barroco, a Arcdia, Romantismo, Realismo, Parnasianismo, Simbolismo, Pr-

    Modernismo, Modernismo e aquilo que ele, numa felicidade hiperbolicamente feliz,

    citou como Tendncias Contemporneas.

    Salta de suas pginas introdues completas sobre os nomes que estamos

    afortunadamente acostumados, assim como aqueles fundamentais, que nemsempre foram reconhecidos como tais. Nesse estofo, vibram autores como

    Souzndrade, Cruz e Souza, Augusto dos Anjos e Mrio Faustino, entre muito mais.

    Recupera tambm o paradigma textual de lvares de Azevedo e acerta contas com

    Monteiro Lobato, Joaquim Nabuco, Rui Barbosa, Jorge Amado, Vincius de Morais, e

    outros. O seno que notei, foi o estudo raso sobre Lus Gama: suas atuaes

    jornalstica, potica e social mereciam uma ateno mais acurada.

    A obra toda, entretanto, traz em seu bojo o assunto literatura tanto para o iniciante

    como para o iniciado, contempla o aluno e o professor, o pesquisador e o curioso, o

    leigo e o crtico. didtica sem ser chata, e, principalmente, est simplificada semser suprflua.

    Percorrendo seu itinerrio at a dcada 1960, e ainda assim atualizando os anos 70

    nessa edio, Alfredo Bosi acertou a mo em cheio, quando trouxe a lume essa

    Histria Concisa da Literatura Brasileira.

    (Cultrix. SP: 1990, 3 ed.)Escobar FranelasEnviado por Escobar Franelas em 10/11/2008Reeditado em 13/07/2012Cdigo do texto: T1276508