Igreja Diocesana de VILA .DOCUMENTOS 2 Igreja Diocesana de Vila Real FICHA TÉCNICA Igreja Diocesana

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  • de VILA REALIgreja Diocesana

    Boletim Bimestral - Ano V, n 33, Novembro / Dezembro de 2008

    Director: P. Manuel Linda

    Cont. p. 3

    Mensagem de NatalNATAL DE ABAIXAMENTO E TRANSPLANTES

    1- A festa do Natal vai neste ano ser celebrada no clima de uma complicada crise econmica e social, pois no h festa de Deus margem da vida dos homens, e nem o mundo ter verdadeira festa sem a vinda de Deus. Das festas crists, a do Natal especialmente tecida por esse cruzamento do mistrio de Deus com as realidades humanas, entrelaando a bondade divina e as nossas aflies. Da minha parte, o Natal deste ano inclui tam-bm o facto de ser o primei-ro que passo com o corao de outra pessoa em mim transplantado. Os dois fac-tos acabam por se conjugar nesta mensagem natalcia.

    No ano transacto passei o Natal aflitivamente sus-penso do ritmo instvel de um corao cansado, longe da famlia e da diocese, vi-giado em ambiente hospi-talar e aquecido em casa de amigos comuns, tambm eles ausentes da respectiva famlia por amor do Menino de Belm. Pude assim fazer a experincia viva do Natal dos pobres, dependente dos cuidados de outros, do seu saber e ateno e, finalmen-te, do transplante de um co-rao annimo que apareceu inesperadamente em Janeiro

    seguinte e substituiu o outro corao exausto. Fiz a expe-rincia dramtica de esperar pelo socorro de algum des-conhecido e cuja morte fica envolta na nvoa dos segre-dos da Providncia.

    2- Esta experincia pode ser-vir de parbola para ajudar a viver o mistrio do Natal de Jesus e sugere a resposta crise que vivemos.

    O Natal Algum que vem de longe, como diz o profeta, o Verbo de Deus, cheio de Graa, de Vida e de Verdade, acrescenta S. Joo, e se faz Menino frgil, a fim de, mais tarde, poder ser transplantado para o in-terior de cada um e fazer surgir o homem novo. Paulo de Tarso, de quem andamos a celebrar o bimilenrio do nascimento e que conheceu de perto o calor de Jesus Ressuscitado, nunca falou de Jesus Menino nem da poesia do prespio, mas refere-se vinda de Jesus ao mundo como o primeiro despojamento de Deus, um acontecimento surpre-endente! Paulo proclamar por toda a parte a surpre-sa, a necessidade e a plena compatibilidade do corao desse Menino com todos

    Este rgo consultivo diocesano reuniu a 23 de Novembro, Solenidade de Cristo Rei e dia tradicio-nalmente ligado aos orga-nismos laicais. A reflexo cingiu-se a uma sucinta anlise da nossa Dioce-se sob o ponto de vista da evangelizao e formula-o de propostas. Presidiu o

    Conselho de Pastoral prope Snodo Diocesanosenhor D. Amndio, j que o senhor D. Joaquim teve de participar, em Lamego, nas celebraes jubilares do senhor D. Jacinto.

    Abriu a sesso o senhor Bispo Coadjutor. Insistiu em alguns pontos: neces-sidade de nos alicerarmos na Palavra de Deus para confrontar a realidade da

    nossa vida diocesana com o anuncio do Senhor Jesus Crucificado e Ressuscita-do; se a Igreja mistrio de comunho, s unidos (padres e leigos) se pode realizar a obra de Deus; evangelizar inclui transmi-tir a chama olmpica aos jovens, na compreenso da

    Cont. p. 5

    Cardeal van Thuan UM MRTIR DOS NOSSOS DIAS

    pgina 4

    S. PauloAPSTOLO DA ESPERANA pgina 5

  • D O C U M E N T O S

    2 Igreja Diocesana de Vila Real

    FICHA TCNICAIgreja Diocesana de

    VILA REALBoletim oficial da Diocese

    de Vila Real

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    Os cristos e os muul-manos adoram o mesmo Deus, como se ouve por a habitualmente?

    Para responder a esta pergunta, os Bispos Fran-ceses publicaram uma importante nota pastoral. Chamam a ateno de que so quatro as principais di-ferenas: a Trindade, a En-carnao, a Crucifixo e a Sagrada Escritura.

    O Islo no aceita a Trindade, pois lhe pare-ce politesmo. Do mesmo modo, em nome da trans-cendncia divina, no concebe que Deus possa encarnar, aceitar as limita-es da natureza humana. O Alcoro recusa tambm a morte de Jesus sobre a cruz, j que isso, para a sua mentalidade, seria uma es-pcie de falhano indigno de um Profeta. Como tal, para os muulmanos, Jesus no pode ser um me-diador de salvao porque nenhum obstculo se pode colocar entre Deus e os homens.

    Por outro lado, os mu-ulmanos afirmam que o seu livro sagrado, o Alco-ro, foi ditado directa-mente por Deus a Maom. Por isso, ser a palavra de Deus, tal e qual Ele mesmo a exprime e a pro-nuncia. Para os cristos, a Sagrada Escritura foi ins-pirada por Deus, mas os autores sagrados serviram-se sempre da mentalidade, dos conceitos e das formas literrias do tempo. Como tal, para os maometanos, ao contrrio do que suce-de com os cristos, no h possibilidade de qualquer interpretao do texto sa-grado, pois isso e isso mesmo. O que gera fre-quentes atitudes de funda-mentalismo.

    Entretanto, a nota dos bispos franceses tambm ressalta que, no obstante estas diferenas fundamen-tais, existe um mbito no qual muulmanos e cris-tos se aproximam e se en-contram: na f, recebida de Abrao, de um nico Deus criador, misericordioso e justo, que h-de julgar to-dos os homens no ltimo dia.

    De 11 a 13 de Novem-bro, decorreu em Ftima a assembleia plenria da Conferncia Episcopal Portuguesa. Publicaram-se dois documentos, um sobre a Escola e outro sobre as Crianas, e anuncia-se para Janeiro uma Nota sobre o aniversrio do Monumento a Cristo Rei.

    Os Bispos manifes-taram a sua preocupao pela lentido na regula-mentao da Concordata e pela Proposta de Lei so-bre a no concentrao, a promoo do pluralismo e a independncia na comu-nicao social:

    Se as solues legisla-tivas desta Proposta foram

    aprovadas tal como as conhecemos, a Rdio Renascena e s ela! - ficar automatica-mente ameaada por violao dos limites nas audincias, diz o comunicado oficial. Mas no ser somen-te a Igreja a atingida, pois outras disposi-es do documento afectam a comunica-o social em geral e a sociedade, empo-brecendo-a do direito de informar e de ser

    informada, conclui.No perodo das infor-

    maes, D. Anacleto de Oliveira falou do Snodo visto por dentro, a Comis-so da Educao insistiu na necessidade de prosseguir o dilogo com o Ministrio da Educao para ultrapas-sar dificuldades sobre as aulas de Religio nas esco-las e sentidas em instncias intermedirias do Minist-rio, a Comisso da Pastoral Social referiu a necessida-de de haver nas parquias algum servio pastoral que ande atento s carn-cias dos idosos e crianas e relao das populaes com o hospital da zona; a Comisso da Famlia lem-brou o Congresso da Fam-lia a realizar no Mxico em Janeiro de 2009, a Comis-so da Mobilidade Huma-na chamou a ateno para a pastoral dos ciganos, dos

    embarcadios e do turismo; a Comisso da Doutrina da F recordou a Semana da Unidade a realizar em Ja-neiro, e o Presidente dos Institutos Religiosos disse que a habitual semana de formao teolgica e pas-toral dos Religiosos decor-rer em Ftima de 21 a 24 de Fevereiro.

    Foi tambm apresen-tado o programa da Cele-brao nacional do Ano Paulino, em Ftima, no dia 25 de Janeiro, convidando as parquias e os fiis que possam deslocar-se. Alm de uma Viglia no dia 24, o acto central ser a Euca-ristia concelebrada pelos Bispos de Portugal e pelo Bispo da Sria, D. Antoine Audo, a quem ser entre-gue a colecta da celebra-o imitao daquela que S. Paulo organizou para a Igreja de Jerusalm.

    Assembleia e alerta dos Bispos

    Quando falta o padre, entram as seitas O mesmo Deus?A revista italiana Il

    Regno entrevistou, re-centemente, D. Demtrio Valentini, Bispo de Jales, no Estado de So Paulo, Brasil. A propsito do contnuo crescimento das seitas, neste que o pas do mundo onde existem mais catlicos, referia dados que nos devem fa-zer reflectir, pois o fen-meno tende a chegar at ns: A Igreja Catlica lenta em tornar-se pre-sente nas periferias das grandes cida-des onde, por cada Padre, existem 50 ou 60 pastores evanglicos. Como se pode competir com esta presena muito prxima s pessoas, cultural-mente identificada com as pessoas? No Brasil, a reli-gio das seitas hoje um meio de sobrevivncia: se uma pessoa est no desemprego, mas

    sabe ler e tem uma Bblia em casa, escreve sobre a porta Igreja da Graa ou Igreja do Perdo, comea a pregar e a rezar e encontra clientela, pois aproveita-se de um vazio eclesial e de uma recep-tividade espontnea num continente que quer ser cristo e num povo que quer ser Igreja.

    E isto porque, Igreja do Brasil, faltam muitos sacerdotes: No Santu-

    rio da Aparecida, Bento XVI afirmou que a cele-brao dominical da Eu-caristia indispensvel para a vida crist. Mas como garanti-lo quando, no Brasil, cerca de 60 a 70% das celebraes do-minicais no so Missas porque falta um padre?. Eis a explicao de um fenmeno que comea a sentir-se agudamen-te tambm entre ns por importao do Brasil.

  • DOCUMENTOS

    Igreja Diocesana de Vila Real 3

    Objectivos e Actividades da COMECEos homens e mulheres do mundo, sendo at possvel falar de um transplante nico porque, ultrapas-sando as leis da biologia, Paulo quer transpor para cada um dos baptizados os mesmos sentimentos de Cristo.

    Estar a a vitria sobre a actual crise cultural, eco-nmica e social, pois ela nasceu rigorosamente da falta de sentimentos de jus-tia e at de respeito pelos outros.

    3- Neste ano de 2008, o Na-tal tem de ser, portanto, um Natal de transplantes eco-nmicos, culturais e afec-tivos: de po e de roupa, de dinheiro e de tecto, para famlias carecidas de quase tudo; de olhos atentos aos vizinhos que aparentam segurana mas vivem em pobreza envergonhada; de afecto p