Mem³rias fotogrficas, desenh­sticas e po©ticas de sua excelncia CERRADO

  • View
    250

  • Download
    2

Embed Size (px)

DESCRIPTION

Artista plástico, professor que resolveu mostrar sua arte por uma outra óptica.

Text of Mem³rias fotogrficas, desenh­sticas e po©ticas de sua excelncia CERRADO

  • 1

  • 2Nome Popular: Cip-prata ou Crista de Galo.Nome Cientfico: Banisteriopsis bardneriana.Tipo de Vegetao: Arbusto.Habitat: Campo Seco - Cerrado.

  • 3Reminiscncias...

    Foram minutos, horas , dias ,semanas, meses e anos; instantes de incontido prazer de um sentimento de afetividade e fidelidade pelas belezas de um certo lugar. Tive tambm aflies constantes de cuidados ao defender sem poupar esforo algum, uma diversa e peculiar paisagem, a qual deveria fazer parte de nossas vidas e costumes...

    Na verdade, durante todo esse tempo que passou, eu no via o cerrado como uma paisagem de estudo, mas como um modelo indispensvel para minha Obra. Com isso, fui aprendendo a observ-lo no como um estudante disciplinado de biologia, mas aprendiz de Arte instintivo s suas belezas e recortes. At porque nunca me interessei por estudos cientficos das plantas, mas, atento e constante como autodidata, leigo e apreciador de uma diversidade repleta de belezas contrastantes e harmoniosas. Entendo que o mesmo que entrar num grande museu e olhar meticulosamente suas obras atravs de uma tica apreciadora. Observando seus mnimos detalhes, de traos e rabiscos, de pinceladas e esfumados executados sobre diversos e diferentes suportes, os quais nos transmitem sensaes de prazer alegrando almas que querem para si momentos valiosos.

    A partir desse ponto de vista entende-se que essa recproca no deveria existir s para alguns, contudo para um conjunto de pessoas, pois tudo que vem da natureza bem-vindo, at

    porque a mesma no trama contra o ser humano, mas s lhe traz benefcios em todos os sentidos...

    Hoje lendo os textos que escrevi sobre o cerrado percebi que h neles expresses repetitivas, porm justificadas, a partir do momento em que registro com uma cmera fotogrfica, uma espcie do bioma por ngulos diferentes. O mesmo acontecendo quando digo: Que belo fruto! Que fruto extraordinrio! Ou ainda olha que forma escultural!... Acreditando assim que o resultado ser bem mais proveitoso e enriquecedor.

    Ento, dessa forma que sei descrever esta paisagem peculiar, enigmtica, transparente, valiosa, consonante e que de to perfeita consegue arrancar olhares contemplativos do homem.

    Jlio C. Monteiro. Agosto/2014

  • 4 by Jlio Csar MonteiroDireitos De Cpia reservaDos

    1 eDio - outubro/2014

    Impresso no BrasIlprInted In BrazIl

    Livro eDitaDo Com imagens e textosforneCiDos peLo autor.

    Capa, Diagramao e ConCepoPblio Carsio de Paula

    R. Wenceslau Bras, 276 - ARAGUARI - MGe-mail: atendimento@minaseditora.com

    COlAbORAO

    Andrei Vieira Mundim luciano

    Doris Accioly e Silva

    Gizele Daniele Ferreira

    Glaucia Osrio Ribeiro Machado

    Graas Catarina lomazzi

    Iris Natalina S. Carrijo

    Janine Pereira Sousa Alarco

    lenora Accioly

    Marluce de Ftima Vieira

    Onsia de Ftima Santos Machado

    Orlandino Alves Rodrigues

    Patrcia Fernanda Rodrigues Manuel

    Pblio Carsio de Paula

    Rodrigo Resende

    Ronaldo Miranda Pelegrini

    Sandra Maria de Sousa Ribeiro

    Sergio Aparecido de Morais

    Silvio Jos da Silva

    DEDICATRIA

    Dedico este trabalho s pessoas que realmente so preocupadas com a Apreciao; no importando qual seja ela: de Pinacotecas, de livros, de Monumentos Histricos, de Paisagens Urbanas, principalmente das Matas, dos Cerrados e dos animais. Para isto acredito que basta uma humana conscincia e um olhar sensvel para que estas coisas to valiosas e raras possam subsistir no tempo e no espao para que possamos nos deliciar delas eternamente...

    AGRADECIMENTOS

    Aos meus pais que me deram a vida, aos meus familiares que realmente de alguma forma contriburam para o meu desempenho de professor, artista , pesquisador...A Deus, que me deu suporte, iluminando sempre o meu caminho para que eu pudesse conhecer, enxergar, apalpar, admirar, proteger e propagar vossa criao. E ainda aos fiis amigos que contriburam com seus verdadeiros olhares e souberam admirar junto comigo, sem drama ou preconceito meus registros fotogrficos, desenhsticos e poticos desse valioso pedao do universo.

    SObRE OS NOMES CIENTFICOS

    Nas pesquisas feitas sobre os nomes cientficos aqui mencionados foram identificados mais de um nome de vrias espcies, de diferentes autores. Utilizamos os que nos pareceram mais adequados.Qualquer informao do conhecimento leitor que acrescente o contedo deste livro ser muito bem vinda. Favor enviar para:contato@juliocmonteiro.com.br

    O autor.

  • 5SUMRIOMama-cadela 46Mangaba 47Mata barata 48Murici 49Pau-terra-grande 50Pau-santo 51Vitria de samotrcia museu do louvre 52Vitria de samotrcia do cerrado 53Pequi 54Pitanga vermelha 55Pimenta de macaco 56Quaresminha 57Joo Bobo 58Rapadurinha 59Santa clara 60Sucupira 61Velame vermelho 62Veludo vermelho 63Vereda-Buritizal 64Guariroba 65Maritaca Coquinho 66Momento de contemplao 67Maritaca Coquinho - Filhote 68Detalhe do tronco da Vitria... 69

    2 PARTECerrado: uma Galeria de arte ao ar livre 70Justificativa 71Borboleta 72Arara-de-barriga-amarela 73Copaba 74 Tucanou 75Ip amarelo 76Jacarand-do-cerrado 77Chapeudinha 78Cigarra 79Buqu de noiva 80Carne de Vaca 81Clarenda 82Faveiro 83

    Jacarand-de-espinho 84Flor-do-ar 85Pata de Vaca 86Jlio e os Coquinhos 87Algodozinho 88Casa de Joo de Barro 89Maria Cavaleira 90Orix 91Marimbondo Vespa 92Coleirinha 93Velame Branco 94Cavina do Cerrado 95Pra do Cerrado 96Curicaca 97Coruja Buraqueira 98Saco de Carneiro 99Paininha do Cerrado 100Sagu de Tufos pretos 101Larajeira do Cerrado 102Marolinho 103Margarido amarelo 104Gameleira 105Lixeira 106Fruto do Pau-Santo 107Ip-Caroba de Flor Verde 108Marmelada-de-cachorro 109Cachopa de abelhas arapus 110Este no o Fim 111Performances e Eventos 112Corao de nego 113Importncia da Mdia 114Ip Rosa 115Bingueiro 116Agradecimento aos rgos de Comunicao 11744 anos de arte 118Almcega 119Corda de Viola 120Mostras Individuais 121Mostras Coletivas, Participaes e Ilustraes 122Princesa do Cerrado 123Cip de So Joo 124Referncias e Acervos 125Referncias Bibliogrficas 126

    Prefcio 6O amigo Leitor 7Baru 8Memrias Fotogrficas 9Porque fotografo 10Cerrado do Capim Branco 11Peroba Pereiro 12Minhas ferramentas 13Desvendando o cerrado 14Uma das maravilhas do mundo 16

    1 PARTEAlgobeijinho 18Ang 19Anil 20Ara 21Araticum Marolo 22Araticum Corao-de-boi 23Araticunzinho 24Babau 25Barbatimo 26Bacupari 27Batecaixa ou gritadeira 28Canjerana 29Canela de ema 30Carobinha amarela 31Cerrado restrito 32Coquinho do cerrado 33Degustando araticum 34Curriola 35Dedal 36Fruta-de-ema 37Gabiroba 38Gravat 39Guapeva do cerrado 40Guapeva preta 41Jatob-do-cerrado 42Lobeira 43Macaba 44Paineira 45

  • 6PREFCIOO POlIEDRO DE JlIO MONTEIRO

    H muito tempo acompanho o trabalho de Jlio Monteiro. Sempre que possvel revisito o atelier do artista e conterrneo, laboratrio de recriao do mundo de onde emergem, dos grandes planos paisags-ticos, horizontes luminosos de memria.A religao das mltiplas dimenses da vida realiza-se no labor e lavra do artista, a reafirmar a neces-sidade e urgncia de se ouvir o dilogo da razo e da sensibilidade, da arte e natureza, da imaginao e memria, do solar e do noturno, do mito e do logos. Dilogos h muito silenciados por uma prtica fragmentadora instaurada por uma estreita concepo de conhecimento e cincia que se tornou perigosamente triunfante, ameaando a prpria sobrevivncia biolgica e cultural do planeta. A exigncia de formar as novas geraes para a complexidade natureza-cultura o belo dever que nos toca , a todos os que se comprometem com a permann-cia do que h de mais generoso em nossa espcie. A palavra complexidade indi-ca o que tecido conjuntamente, o tapete , a teia, a arte, a vida.O procedimento esttico, que permite tatear o mistrio e distanciar-se do banal.

    A pacincia e a delicadeza reveladas nas aquarelas, desenhos, fotos e telas de Jlio Monteiro constituem uma educao dos cinco sentidos, processo intermi-nvel porque pleno de novos significados a cada novo olhar, a cada reflexo.

    O espao de lembranas aqui reencontrado remete a um mundo no qual as fronteiras entre o rural e o urbano se intercambiavam. A flora autctone, ressur-gida neste livro, faz ressoar o ritmo de nomes como ing, anil, ara, araticum, babau, bacupari, barbatimo, batecaixa, curriola, gabiroba, guapeva, gravat, macaba, mangaba, murici, pequi, pitanga, sucupira, guariroba, que o vento das veredas espalhava. Tempo em que a sociabilidade era tecida na relao com o mundo natural que nos prodigalizava cheiros, sabores, cores e formas. Filigranas

    Tombas no instante,fruto ou ptala.Murmuras no amor, na morte,e no silncio abrigam-te as estrelas.Embora transeunte seja a forma,gil, reunes no alto a ponta dos mistrios.

    (Dora Ferreira da Silva)

    balanavam recortando o horizonte em rendas, sombras de dedos espalmados, finos, triangulares, redondos, helicoidais, retos, curvos, convexos e cncavos, linha despida, ramagem profusa, pontilhado esparso, circunferncias transpa-rentes bailando. E o toque ocasional de uma cintilncia de orvalho ou gota de chuva prestes a desaparecerem nalgum movimento de brisa.

    A regio circunvizinha cidade era ainda polvilhada de bosques e matas na-tivas onde moravam todos os tons do yp, anjicos, paus-darco, embabas, paus-ferro, embuias, cedros, paineiras, perobas, alm de habitantes esquivos como ga-tos-do-mato, raposas, sagis, jaguatiricas; nas baixadas dos rios, pacas, capivaras, tis, cotias; nos chapades veados, cachorros-do-mato, seriemas, tatus, perdizes, codornas, mutuns. Gavies espreita de alguma incauta presa, colibris, bem-te-vis, nhambus, papagaios, maritacas, periquitos, andorinhas, pardais, rolinhas, sa-bis, tico-ticos, canrios-da-terra, pssaros-tesoura; vagalumeav