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@ Augusto Malta Música: Odeon (1910), de Ernesto Nazareth com letra de Vinícius de Moraes By Ney Deluiz Canta: Nara Leão O Rio que queria ser Paris Avenida Central em 1906

O rio que queria ser paris

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No anexo estão alguns episódios acontecidos no Rio de Janeiro, por ocasião de sua reformulação geosocial em 1903. Sem dúvida a figura do prefeito Pereira Passos, também deve ser lembrada como ponto de conhecimento da cultura do povo carioca.

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Page 1: O rio que queria ser paris

@ Augusto Malta

Música: Odeon (1910), de Ernesto Nazareth com letra de Vinícius de Moraes By Ney

DeluizCanta: Nara Leão Ligue o Som

O Rio que queria ser Paris

Avenida Central em 1906

Page 2: O rio que queria ser paris

Que Paris seja aqui! Assim pensava o Prefeito Pereira Passos durante os 4 anos da sua gestão (1903-

1906), uma época de Belle Époque na qual parecia que ele queria fazer do Rio de Janeiro uma Paris

Tropical.

@ Augusto MaltaDamas da sociedade do Rio em 1908

Page 3: O rio que queria ser paris

Ressaca no obelisco em 1906

Ou teria sido coincidência ele ter feito a Avenida Central como um boulevard começando num obelisco? Tal

e qual a Avenue des Champs-Élysées, também um boulevard que começa no obelisco da Place de la Concorde.

Obelisco da Place de la Concorde

@ Augusto Malta

Page 4: O rio que queria ser paris

Avenida Central em 1917

@ Augusto MaltaAvenue des Champs Élysés em 1900

Avenida Central (já Av. Rio Branco) na década de 1920

A inspiração de Pereira Passos foi o prefeito de Paris, Georges-Eugène Haussmann, que pegou uma cidade suja, desorganizada e vítima de epidemias como o Rio do início do século XX e a

transformou na Cidade Luz.

Uma avenida que tentou ser o espelho da outra...

Page 5: O rio que queria ser paris

Por isto mesmo, além do lado estético era preciso resolver também os graves problemas de saúde de uma cidade pestilenta, sem nenhum saneamento e que era conhecida como a Cidade da Morte.

Avenida Central, esquina com Rua do Ouvidor em 1908

@ Augusto Malta

Page 6: O rio que queria ser paris

Theatro Municipal em 1909

@ Marc Ferrez

O Centro do Rio antigo era cheio de brejos infestados de mosquitos e a 1ª construção de porte na cidade foi o Theatro Municipal, cujas obras duraram de 1905 a 1909.

Page 7: O rio que queria ser paris

Praça Floriano (Cinelândia) em 1915

Em 1904, o prefeito alargou a Rua 13 de Maio (depois virou avenida), que antes era a estreita Rua Guarda Velha que ligava o Largo da Carioca à Cinelândia e onde existiam 2 lagoas.

Av. 13 de Maio

Antiga Rua Guarda Velha

@ Augusto Malta

Page 8: O rio que queria ser paris

Praça do Rossio, em Lisboa

Para calçar a Avenida Central vieram 200 calceteiros de Portugal trazendo as pedras portuguesas que iriam formar os desenhos, dentre os quais as ondas que já eram populares em Lisboa.

Detalhe da Praça Floriano (Cinelândia) em 1915 @ Augusto Malta

Page 9: O rio que queria ser paris

Theatro Municipal em 1910

O estilo francês estava por toda parte, com o Theatro Municipal (1909) inspirado na Ópera de Paris e a Escola Nacional de Belas Artes (1908) inspirada no Museu do Louvre.

@ Augusto Malta

Ópera de Paris Museu do Louvre

Page 10: O rio que queria ser paris

Biblioteca Nacional

Praça Floriano (Cinelândia) em 1930

A Biblioteca Nacional, em estilos art noveau e neoclássico, foi construída entre 1905 e 1910, simultaneamente à construção do Theatro Municipal e da Escola Nacional de Belas Artes (hoje um

museu).

@ Augusto Malta

Escola Nacionalde Belas Artes

Page 11: O rio que queria ser paris

Praça XV em 1907

O embelezamento do Rio começou com a reforma da Praça XV em 1903.

@ Augusto Malta

Page 12: O rio que queria ser paris

Av. Beira-Mar e Jardim da Glória em 1906

Também em 1903 foi iniciada a Av. Beira-Mar, inaugurada em 1906 e feita com aterro do Morro do Castelo.

@ Marc Ferrez

Page 13: O rio que queria ser paris

Av. Beira-Mar em Botafogo em 1906

Esta transformação urbanística deu tanto orgulho à população, que Coelho Neto cunhou em 1908 o apelido que iria para sempre eternizar o Rio de Janeiro: Cidade Maravilhosa!

@ Augusto Malta

Page 14: O rio que queria ser paris

Teatro de Marionetes

Pavilhão Mourisco em 1919

O Pavilhão Mourisco (1906) ficava no final da Avenida Beira-Mar e era um café-concerto com um rinque

de patinação e Teatro de Marionetes. Foi demolido em 1952 para dar passagem ao Túnel do Pasmado.

@ Harriet Chalmers Adams

Page 15: O rio que queria ser paris

Desmonte parcial do Morro do Castelo em 1904

O desmonte do Morro do Castelo para construir a Av. Beira-Mar foi parcial, sendo retomado em 1922 quando foi demolido para abrir espaço para a Exposição do Centenário da Independência.

@ João Martins Torres

Page 16: O rio que queria ser paris

Cortiço no Centro do Rio no início do século XXCom a abolição da escravatura e a migração para as cidades em virtude da 1ª crise do café

em 1897, proliferaram no Rio cortiços insalubres que eram verdadeiros focos de doenças.

@ Augusto Malta

Page 17: O rio que queria ser paris

A Revolta da Vacina de 1904

Mesmo assim, a ignorância era tanta que na Revolta da Vacina de 1904 o povo saiu quebrando tudo

para não ser vacinado contra a varíola. Isto só mudou pela determinação do sanitarista Oswaldo Cruz.

@ Augusto Malta

Page 18: O rio que queria ser paris

Pereira Passos trouxe de Paris a ideia das feiras livresMais uma vez copiando os franceses, para controlar a qualidade dos alimentos

Pereira Passos proibiu os ambulantes e introduziu as feiras livres no Rio em 1904.

@ Marc Ferrez

Vendedora ambulante

Page 19: O rio que queria ser paris

Favela do Morro da Providência, a 1ª favela do Rio

Com mais de 1.600 imóveis demolidos para abrir espaço para a reforma da cidade, os mais pobres ou foram para o subúrbio ou para os morros, criando as primeiras favelas.

@ Augusto Malta

O casario do Centro vindo abaixo

@ João Martins Torres

Page 20: O rio que queria ser paris

Campo de São Cristovão em 1906

Com Oswaldo Cruz cuidando da Saúde, o prefeito transformou o Rio num enorme canteiro de obras por 4 anos. Em 1906, houve o melhoramento e embelezamento do Campo de São Cristóvão.

@ Augusto Malta

Page 21: O rio que queria ser paris

Passeio Público em 1906

Em 1904, com a reforma do Passeio Público, foi construído um aquário de água salgada com 20tanques de vidro. Não fossem pelas palmeiras, esta foto até podia ser de Paris, não é mesmo?

@ Augusto Malta

Aquário do Passeio Público

@ Augusto Malta

Page 22: O rio que queria ser paris

Alargamento e prolongamento da Rua UruguaianaAlargamento da Rua da Carioca

Alargamento da Rua do Catete Abertura da Av. Maracanã

Em 1905 foi aberta a Av. Maracanã e foram alargadas a Rua Uruguaiana (antiga Rua da Vala) e a Rua da Catete. Em 1906, a Rua da Carioca também foi alargada.

@ Augusto Malta

@ Augusto Malta @ Augusto Malta

@ Augusto Malta

Page 23: O rio que queria ser paris

Na política do Bota-Abaixo, em 1906 o Hospital da Penitência se foi para ampliar o Largo da Carioca, ficando porém o Chafariz da Carioca (35 bicas de bronze) que abastecia a cidade com água

vinda dos Arcos da Lapa.

Hospital da Penitência

Rua da Carioca

Chafariz da Carioca

Rua 13 de Maio

O Largo da Carioca antes da reforma Chafariz da Carioca

@ Secretaria de Cultura do RJ

@ Secretaria de Cultura do RJ

Chafariz da Carioca

Edifício Comercial (1911)

Rua da Carioca

Hotel Avenida (1911)

O Largo da Carioca após a reforma

Page 24: O rio que queria ser paris

Alargamento da Av. Marechal Floriano

Rua do Acre após o alargamento

Ampliação da Rua Mem de Sá

Liberação do entorno dos Arcos da Lapa

Em 1904 foi alargada a Rua do Acre e em 1905 foi a vez da Av. Marechal Floriano. Nem os prédios paralelos aos Arcos da Lapa escaparam para dar passagem à Rua Mem de Sá. O prefeito estava

com a corda toda…

@ Augusto Malta

@ Augusto Malta

@ Augusto Malta

@ Augusto Malta

Page 25: O rio que queria ser paris

Em 1906 foi inaugurado o Palácio de Exposição Permanente de São Luiz no prédio que foi o Pavilhão

do Brasil na Exposição de Saint Louis em 1904 e que viria a ser o Palácio Monroe, sede do Senado.

Palácio Monroe em 1906 @ Augusto Malta

Page 26: O rio que queria ser paris

Inauguração da Fonte Adriano Ramos Pinto, na Glória, em 1906

Também em 1906 foi inaugurada a fonte do Jardim da Glória, levada em 1935 para a entradado Túnel Novo em Botafogo, onde está até hoje embora com a parte superior danificada.

@ Augusto Malta

A fonte, hojeEntrada do Túnel Novo

Page 27: O rio que queria ser paris

Estrada da Tijuca em 1907

As obras abrangiam toda a cidade e em 1905 o prefeito construiu a Estrada da Tijuca e a Vista Chinesa.

@ Augusto Malta

@ Augusto Malta

Vista Chinesa em 1906

Page 28: O rio que queria ser paris

Alargamento da rua 7 de Setembro

Abertura da Av. Rodrigues Alves

Jardim do Alto da Boa Vista em 1906

Haja folego… Em 1903 foi inaugurado o Jardim do Alto da Boa Vista e em 1906 foi alargada a Rua 7 de Setembro e foram abertas as avenidas Rodrigues Alves e Francisco Bicalho.

Abertura da Av. Francisco Bicalho

@ Augusto Malta @ Augusto Malta

@ Augusto Malta@ Augusto Malta

Page 29: O rio que queria ser paris

Avenida Atlântica em 1923

A Av. Atlântica começou a ser aberta em 1905 e no início as ondas da calçada eram perpendiculares à

praia, mas constantes ressacas foram alternando esta orientação diversas vezes até o final de 1929.

@ Augusto Malta

A orientação das ondas é longitudinal desde 1929

Page 30: O rio que queria ser paris

Canal do Mangue em 1908

Se tudo isto não bastasse, em 1906 Pereira Passos ainda conseguiu a proeza de transformar o Canal do Mangue em um cenário digno de cartão postal.

@ Augusto Malta

Page 31: O rio que queria ser paris

Após todas estas realizações, o mundo pôde ver na Exposição do Centenário da Abertura dos Portos

em 1908 que o Rio não era mais a Cidade da Morte e passou a ser a eterna Cidade Maravilhosa.

@ Augusto MaltaExposição do Centenário da Abertura dos Portos em 1908

Page 32: O rio que queria ser paris

Esta épica transformação do Rio em apenas 4 anos foi documentada pela arte de Augusto Malta, o fotógrafo oficial da prefeitura.

@ Augusto Malta

Augusto Malta

Page 33: O rio que queria ser paris

É importante não deixarmos cair no esquecimento este modelo de gestão eficiente que colocou o interesse público em 1º lugar. Portanto, ao Prefeito Francisco Pereira Passos a efusiva gratidão dos

cariocas!

FIM

Manchete em 3/Jan/1903 Caricatura em O Malho - 1905

@ Augusto Malta