Portifólio BIOPIRATARIA

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Text of Portifólio BIOPIRATARIA

SISTEMA DE ENSINO PRESENCIAL CONECTADO ESPECIALIZAO EM DIREITO AMBIENTAL RODRIGO SANTOS JUNGES

BIOPIRATARIA

BIOPIRACY

Rodrigo Santos Junges Av: TUIUIU, 699, C16 Q13, CPA IV 1 Etapa. 78058-000 Cuiab MT Brasil rodrigojunges@gmail.com 65 92072260 / 65 3023 8723 Cuiab 2011

RODRIGO SANTOS JUNGES

BIOPIRATARIABIOPIRACY

Trabalho apresentado ao Curso de Direito Ambiental da UNOPAR - Universidade Norte do Paran, para a disciplina Estrutura Poltico Ambiental Brasileira. Prof. Luis Miguel Luzio dos Santos Prof. Luiz Fernando Soares da Sivla Prof. Rita de Cssia Resquetti Tarifa Espolador; Prof. Tais E. de Oliveira Lima

Cuiab 2011

O mundo um lugar perigoso de se viver, no por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer. Albert Einstein

RESUMO DISCUSSO DOS ACONTECIMENTOS RECENTES EM RELAO OS VRIOS CASOS DE BIOPIRATARIA E TRANSFERNCIA DE CONHECIMENTO TRADICIONAL. DISCORRE SOBRE AS LEGISLAES QUE AMPARAM A DEFESA DO CONTEDO GENTICO A FAVOR DOS POVOS INDIGENAS E DE ANTIGOS QUILOMBOS OU ASSENTAMENTOS, QUANTO LESO DE SEU DIREITO DE PARTICIPAO EM LUCROS OBTIDOS COM PATENTES DE ESPCIMES VEGETAIS E ANIMAIS ASSIM COMO MICRORGANISMOS PERTENCENTES AO MATERIAL GENTICO COLETADO NA PLATAFORMA CONTINENTAL BRASILIEIRA. APRESENTA ORGOS GOVENVAMENTAIS QUE REGULAM O SETOR E A SUA PARTICIPAO PARA VIABILIZAR A PESQUISA NO TERRITRIO NACIONAL E INTERNACIONAL. PALAVRAS-CHAVE: Biopirataria, Amaznia, Biodiversidade, MP 2.186-16/2001, Material Gentico. ABSTRACT DISCUSSION OF RECENT DEVELOPMENTS REGARDING THE VARIOUS CASES OF TRANSFER BIOPIRACY AND TRADITIONAL KNOLEDGE. DISCUSSES THE LAWS THAT SUPPORT THE DEFENCE OF THE CONTENT OF THE GENE FOR INDIGENOUS PEOPLES AND SETTLEMENTS AND FORMED QUILOMBOS OR, AS TO THE INJURY OF YOUR RIGHT TO PARTICIPATE IN PROFITS OF PATENTS OBTAINED FROM PLANT AND ANIMAL SPECIMENS AS MICROORGANISMS BELONGING TO GENETIC MATERIAL COLLECTED IN BRAZILIAN CONTINENTAL SHELF. GOVERNING BODIES THAT PRESENTS THE SECTOR AND ITS CONTRIBUTION TO RESEARCH MAKERS FOR THE TERRITORY IN NATIONAL AND INTERNATIONAL MATTERS. KEY-WORDS: Biopiracy, Amazon, Biodiversity, MP 2.186-16/2001, Genetic Materials.

SUMRIO:

1.

Introduo

2.

Desenvolvimento

3.

Concluso

4.

Referncias

Bibliogrficas.

1. IntroduoA biopirataria consiste no ato da retirada ilegal de material gentico, espcies de seres vivos, plantas ou microorganismos com a explorao do conhecimento tradicional de comunidades de uma nao para a explorao comercial em outra, sem pagamento de patente ou participao no lucro. Essa atividade se caracteriza principalmente pelo envio ilegal de animais, plantas e microorganismos, para o exterior, e procuram o controle exclusivo do monoplio sobre estes recursos e conhecimentos. O termo biopirataria, ainda no tem uma definio padro, mas se baseia no relatrio final da CIPR, [AMAZONLINK]. O Brasil, por possuir uma enorme biodiversidade, alvo constante da biopirataria. Segundo a organizao no governamental, Rede Nacional de Combate ao Trfico de Animais Silvestres (RENCTAS), aproximadamente, 38 milhes de animais da Amaznia, mata Atlntica, das plancies inundadas do Pantanal e da regio semirida do Nordeste so capturados e vendidos ilegalmente, o que rende cerca de 1 bilho de dlares por ano [RENCTAS]. A exemplo de retirada ilegal de material gentico, pode-se citar duas plantas da regio amaznica, como o Aa e o cupuau, o primeiro em disputa da sua patente entre a Unio Europia e os EUA, e a segunda, alimento tradicional dos indgenas que foi registrado por uma empresa japonesa e detm os direitos mundiais sobre a fruta e seus derivados. A copaba tambm j foi patenteada por outros pases como Frana e EUA, [AMAZONLINK]. Alguns pases adotaram uma forma de proteger seu patrimnio cultural. A China coleta informaes sobre usos, tradies e costumes nas reas de medicina e agricultura e sugere s comunidades que solicitem patentes para os conhecimentos mais inovadores. A ndia, que quase perdeu a turmrica, quer compilar em uma base de dados todo o conhecimento tradicional disponvel. A Venezuela catalogou em um portal mais de 15 mil referncias. Enquanto isso, o Brasil espera encontrar uma forma de combater a biopirataria durante a COP-10 (CARVALHO, 2010)

Na era da biotecnologia e da engenharia gentica, multiplicam-se as oportunidades de registrar marcas e patentes em mbito internacional. Casos como o do nosso Cupuau, Aa, Copaba e tantos outros patenteados e comercializados no mercado mundial, causando impactos negativos tanto para as comunidades tradicionais que querem comercializar seus produtos, quanto para as propostas de polticas pblicas pautadas no desenvolvimento sustentvel da regio Amaznica. 1 A partir da verso atual da Medida Provisria que a de n 2.186-16 de 2001. regulamentada pelo Decreto n 3.945 de 2001 (modificado pelo Decreto n 4.946/03), o acesso e a remessa do patrimnio gentico bem como o acesso ao Conhecimento Tradicional Associado existente no Pas passou a depender de autorizao do Conselho de Gesto do Patrimnio Gentico, ficando sujeito repartio de benefcios, nos termos e nas condies legalmente estabelecidos; preservou-se o intercmbio e a difuso de componente do patrimnio gentico e do conhecimento tradicional associado praticado entre as comunidades indgenas e entre as comunidades locais, desde que em seu prprio benefcio e baseados na prtica costumeira. Esta legislao no se aplica ao patrimnio gentico humano. Com o credenciamento do IBAMA para emisso de autorizaes de acesso ao patrimnio gentico para pesquisa cientfica, conforme Deliberao n 40 do CGEN, o CGEN passou a deliberar sobre processos que envolvem acesso ao patrimnio gentico para fins de bioprospeco e desenvolvimento tecnolgico, acesso ao conhecimento tradicional associado para quaisquer finalidade, e credenciamento de instituio fiel depositria [CGEN].

2. DesenvolvimentoMuitos autores comentam que a historia da biopirataria, no Brasil, surgiu com a sua prpria descoberta, quando os portugueses obtiveram o segredo da extrao do pigmento vermelho do pau-brasil, subtraindo conhecimentos tradicionais dos povos

1

Biopirataria no Brasil: ataque a nossa biodiversidade - http://www.gsf.org.br/?q=node/37.

indgenas nativos. Posteriormente, noticia-se o caso do ingls Henry Wickham, que levou, em 1876, sementes da rvore da seringueira para as colnias Britnicas na Malsia, que acabou se tornando o principal exportador de ltex e dando fim economia amaznica de explorao da borracha (GOMES, 2006).

Recentemente, o IBAMA lanou uma campanha de conscientizao sobre os efeitos danosos da biopirataria. O animal adotado como smbolo da campanha a r Phyllomedusa oreades, de colorao predominantemente verde, encontrada somente no Planalto Central, que traz em sua pele um princpio ativo com potencial para o combate ao Trypanossoma cruzi, parasita causador da doena de Chagas. Ela foi escolhida como forma de denncia simblica devido ao seu patenteamento no exterior. Em diversos sites especializados, em temas ambientais, h ainda a meno a outra espcie de r, o "sapo verde", Phyllomedusa bicolor, que a maior espcie do gnero da famlia Hylidae, e ocorre na Amaznia e no no Planalto Central, mas tambm objeto de biopirataria.2 Os objetivos dos direitos de propriedade intelectual, cercado dos bens comuns, esto sendo universalizados por meio dos tratados sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual relacionados com o Comrcio, da Organizao Mundial do Comrcio (OMC), e de certas interpretaes da Conveno sobre Biodiversidade. Corporaes utilizam-se dos direitos de propriedade intelectual e pirateiam o conhecimento indgena e a biodiversidade das comunidades. A biodiversidade um capital natural para que as sociedades sejam livres.

2

O Controle e a Represso da Biopirataria no Brasil (http://www.ejef.tjmg.jus.br/home/files/publicacoes/artigos/controle_biopirataria.pdf).

Valendo-se da carncia social e econmica das comunidades pessoas que conhecem os mistrios das riquezas naturais - orientam a explorao e o trfico de matria-prima (folhas, sementes, insetos). Os estados brasileiros que mais exportam plantas medicinais so: Paran, Bahia, Maranho, Amazonas, Par e Mato Grosso. Dentre as espcies mais procuradas esto o cumaru, o guaran, a ipecacuanha, o barbatimo, o ip-roxo, a espinheira-santa, a faveira, a carqueja, o absinto selvagem, a babosa. Algumas dessas espcies encontram-se ameaadas de extino.3

O que torna mais grave esta a questo da biopirataria no Brasil o avano crescente da biotecnologia nos pases do primeiro mundo frente a um pas que realiza baixos investimentos nos setores de educao, ensino e pesquisa. Dois enfoques so complementares ao estudo da biopirataria no Brasil, primeiro aes clandestinas de retirada de recursos de nossa biodiversidade. Associando-se a esses atos uma pilhagem promovida no contato direto com comunidades locais que detm conhecimento sobre propriedades de plantas ou animais. E o segundo trata de outra face da biopirataria, repleta de ambigidades e zonas de sombras, relacionada maneira pela qual o Brasil, por meio de seus poderes pblicos, trata essa questo de regulao ao acesso biodiversidade. Embates esses ocorrem principalmente nos planos poltico e institucional, caracterizando prejuzos ao patrimnio gentico do pas, algumas vezes sob abrigo oficial ou oficioso. Um marco para o bem da humanidade e benefcio de cada nao detentora ocorreu quando a Rio 92 aprovou a Conveno sobre Diversidade Biolgica, sendo um reconhecimento de carter estratgico dos recursos de biodiversidade e da necessidade de regular o seu uso. A partir da, o Brasil deveria demonstrar um maior interesse em elaborar a legislao nacional, dada sua privilegiada biodiversidade. Uma3

http://www.anbio.org.br/bio/biodiver_not145.htm

lei adequada seria o primeiro p