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Prova substitutiva

1 AUTOR

ALUSIO TANCREDO GONALVES AZEVEDO

Nasceu em So Lus do Maranho, a 14 de abril de 1857. Realizados os estudos primrios, encaminha-se para o comrcio. Todavia, sentindo-se atrado pelas artes plsticas, ruma para o Rio de Janeiro, e junta-se ao irmo, Artur Azevedo. Com a morte repentina do pai, regressa cidade natal, onde passa a colaborar na impressa e inicia sua trajetria de ficcionista, com Uma lgrima de mulher (1880), seguido por O mulato (1881), que lhe granjeia desde logo renome nacional. Retorna ao Rio de Janeiro a atira-se a um intenso labor jornalstico e literrio, em que se reservam a tarefa profissional e a criao livre. Desgostoso, porm, de no poder optar pela Segunda alternativa, abraa a carreira diplomtica, certo de usufruir por seu intermdio dos lazeres indispensveis elaborao serena de sua obra. Serve em Vigo, Npoles, Japo e Buenos Aires, onde falece3 a 21 de janeiro de 1913.

2 OBRA

Uma lgrima de Mulher (1880)

O Mulato (1881)

A Condessa Vsper (1882, com o ttulo de Memrias de um condenado)

Girndola de Amores (1882, com o ttulo de Mistrios da Tijuca)

Filomena Borges (1884)

Casa de Penso (1884)

O Homem (1887)

O Coruja (1890)

O Esqueleto (1890, em colaborao com Olavo Bilac)

O Cortio (1890)

A mortalha de Alzira (1894)

O Livro de uma Sogra (1895)

Demnios (1893) contos

Touro Negro (1938) crnicas e cartas

CRONOLOGIA BIOGRFICA

1857 Em 14 de abril nasce Alusio de Azevedo, em S Lus MA.

1876 Embarcava para o Rio de Janeiro a fim de matricular-se na Imperial Academia de Belas-Artes. Tem o objetivo de tornar-se desenhista. Colabora na imprensa local como chargista.

1878 Com a morte do pai, retorna para So Lus MA.

1879 Lanamento de Uma lgrima de Mulher.

1880 Em companhia de alguns amigos, lana O Pensador, jornal anticlerical que abala a sociedade de So Lus.

1881 Aparecimento de O Mulato, impresso em So Lus. Novo escndalo na sociedade local. Retorna para o Rio de Janeiro em 7 de setembro.

1882/1895 Intensa colaborao na imprensa carioca. Publicao contnua de romances. Em 30 de dezembro de 1895 nomeado vice-cnsul em Vigo, Espanha, depois de Ter prestado concurso. Encerra a carreira literria e inicia a carreira diplomtica.

1899/1903 De Locoama, transferido para La Plata, Argentina, e depois para Salto Oriental, no Uruguai. Em 3 de novembro de 1903, removem-no para Cardiff, na Inglaterra.

1906 Removido a 13 de dezembro para Npoles, Itlia.

1910 Transferido para Buenos Aires.

1913 Em 21 de janeiro, falece em Buenos Aires.

1919 A 9 de setembro chegam seus restos mortais ao Rio de Janeiro. O translado fora sugerido por Coelho Neto, em 11 de maio de 1916. Em 25 de outubro desembarcam a urna em So Lus e o sepultamento definitivo deu-se em 28 do mesmo ms.

3 NATURALISMO

Origem: Em 1867, Frana, com Thrse Raquim, de mile Zola.

Romance experimental, apoiado na experimentao cientfica.

Imagina experincias que remetem a concluses, que seriam impossveis apenas pela observao.

Arte engajada, de denncia; preocupaes polticas e sociais.

Detm-se nos aspectos mais torpes e degradantes.

Centra-se nos aspectos exteriores: atos, gestos, ambientes.

Prefere a biologia, a patologia,, centra-se mais no social.

Espelha as camadas inferiores, o proletariado, os marginas.

direto na interpretao; expe concluses, cabendo ao leitor aceit-la ou discuti-la.

O estilo relegado a segundo plano; no primeiro, a denncia.

4 O CORTIO

Sem dvida alguma, o melhor romance de Alusio de Azevedo O Cortio, publicado em 1890, pouco antes de seu autor desinteressar-se inteiramente pela continuao da carreira.

Neste livro, j no mais a estria das personagens que interessa tanto. Mais que elas, salienta-se a rivalidade entre o espao de Joo Romo e o do comendador Miranda, a simbolizarem todo um processo de transformao econmica em momento de expanso urbana.

Joo Romo, um ganancioso comerciante de origem portuguesa, possui uma pedreira, uma taverna e um terreno razovel, onde constri casinholas de baixo custo para alugar. Secundando-o nas tarefas e com ele repartindo a cama, a figura da negra Bertoleza, ex-escrava forte e tambm ambiciosa, supostamente alforriada.

A poucos metros da venda, havia um sobrado que veio a ser ocupado por Miranda, Estela e Zulmira, uma famlia economicamente segura, cujo chefe vendia pano por atacado.

A proximidade do cortio incomodava Miranda que, por sua vez, incomodava Joo Romo com seu ar de fidalguia e seu ttulo de comendador.

A contratao de Jernimo, um operrio portugus, para o trabalho na pedreira altera um pouco a composio do cortio, para onde ele se muda em companhia da mulher, a Piedade. Essa alterao ganha intensidade, sobretudo a partir do momento em que nasce o interesse amoroso entre o operrio e a Rita Baiana, beleza mxima daquele agrupamento.

Rita, no entanto, tinha compromisso com Firmo, mulato garboso e gabola, capoeirista hbil, morador de um cortio vizinho, o Cabea-de-Gato. No primeiro enfrentamento, Firmo leva a melhor e atinge Jernimo com uma navalhada.

Enquanto isso, Botelho, um agregado em casa de Miranda, comea a estimular o interesse de Joo Romo por Zulmira, a filha do atacadista de panos. Nesse projeto, evidentemente, inclui-se um plano para dispensar Bertoleza.

A essa altura, Rita e Jernimo j vivem juntos e a preocupao deste vingar-se da navalhada que o atingira e, se possvel, eliminar seu rival de vez. Atravs de uma combinao prvia, dois tipos escusos atraem Firmo para uma cilada e Jernimo assassina-o a pauladas.

Em conseqncia dessa morte, os cabea-de-gato atacam os carapicus do cortio de Joo Romo e a luta s se interrompe por causa de um incndio provocado.

Na verdade, desse fogo arrasador renasce um cortio novo e mais prspero. O fogo ajudara, indiretamente, os planos de Joo Romo que, agora, j vinha mantendo boas relaes com a famlia de Miranda. S restava o empecilho de Bertoleza. Mas o providencial Botelho descobrira o dono daquela escrava, cujo dinheiro da alforria, to duramente economizado, fora embolsado por Joo Romo.

Diante da ameaa de retorno ao cativeiro, Bertoleza estripa-se.

Algumas sequncias narrativas so: I Apresentao de Joo Romo e de Bertoleza. Acumulao de Joo Romo. A famlia Miranda: sua estria. A disputa entre Joo Romo e Miranda. III Os habitantes do cortio e a chegada de Jernimo. VII Rita Baiana tentando Jernimo na dana. XI O primeiro sangramento de Pombinha. XVII A batalha entre os cabeas-de-gato e os carapicus, seguida do incndio. XXII A prosperidade do cortio.

5 PERSONAGENS

5.1 O Cortio Protagonista, a principal personagem do romance, Alusio de Azevedo dar atributos a ele de algum que nasce timidamente e, passo a passo, vai adquirindo independncia at tornar-se capaz de governar despoticamente. Esse organismo vivo, por fim, capaz de devorar todos os seus habitantes, representando uma sntese social e luz do Naturalismo, impulsionado pelas foras instintivas do pulsar sangneo.

5.2 PERSONAGENS SECUDRIOS

JOO ROMO, o vendeiro portugus, um tipo baixote, socado, de cabelos escovinha, a barba sempre por fazer, que caminhava como o seu eterno ar de cobia, apoderando-se, com os olhos, de tudo aquilo de que ele no podia apoderar-se logo com as unhas (p. 24). Sem escrpulos de qualquer espcie, a febre de ter toma conta da personagem e a conduz, pelos caminhos tortuosos da vida, de uma suja e obscura taverna nos refolhos do Botafogo a um casamento por convenincia. O dinheiro alavanca que o impulsiona, que o impede de captar a realidade concreta.

BERTOLEZA, surge no romance como uma crioula trintona, escrava de um velho cego residente em Juiz de Fora e amigada com um portugus que tinha uma carroa de mo e faz fretes na cidade. Escrava nasceu e assim continuou

MIRANDA, um homem de sangue esperto e [que] orava ento pelos seus trinta e cinco anos, o atacadista portugus que prezava, acima de tudo, a sua posio social e tremia s com a idia de ver-se novamente pobre, sem recursos e sem coragem para recomear a vida, depois de se haver habituado a umas tantas regalias e afeito hombridade de portugus rico que j no tem ptria na Europa (p. 19). Por escravizar-se a um conceito de felicidade aparente, nunca foi realmente feliz. Estruturou-se para suportar a permanecer tenso existencial e escolheu um curso de vida difcil, capaz de encher o bolso, mas tambm de empobrecer a alma.

ESTELA, parceira de Miranda, uma mulherzinha levada da breca: achava-se casada havia treze anos e durante esse tempo dera ao marido toda sorte de desgostos (p. 19). Essa senhora pretensiosa e com fumaas de nobreza, por fora de sua infidelidade, levou o marido a mudar-se do centro da cidade para a periferia. Desse modo, Miranda pretendia afast-la dos seus caixeiros que, como sombras, estavam sempre ao alcance dos arroubos sexuais da esposa. Sentia tambm uma repugnncia moral pelo marido, mas isso no a impedia de receb-lo em sua cama quando, em rompantes de lascvia, Miranda a procurava como um animal no cio.

JERNIMO, Era to metdico e to bom como trabalhador quanto o era como homem...viera da terra, com a mulher e uma filhinha ainda pequena tentar a vida no Brasil, na qualidade de colono de um fazendeiro, em cuja fazenda mourejou durante dois anos, sem nunca levantar a cabea, e donde afinal se retirou de mos vazias e com grande virra pela lavoura brasileira ... Em poucos meses se apoderava do seu novo ofcio e, de quebrador de pedra, passou logo a fazer paraleleppedos; ... tornou-se to bom como os melhores trabalhadores de pedreira e a Ter salrio igual ao deles (p. 56).

ZULMIRA, a filha de Miranda, Zulmira, no incio do romance tem doze para treze anos e o tipo acabado da fluminense; plida, magrinha, com pequeninas manchas roxas nas mucocas do nariz, das plpebras e dos lbios, faces levemente pintalgadas de sardas. Respirava o tom mido das flores noturnas, uma brancura fria de magnlia, unhas moles e curtas, como as da me, dentes pouco mais claros do que ctis do rosto, ps pequenos, quadril estreito, mas os olhos grandes, negros, vivos e maliciosos (p. 29). Como um dia ocorreu com a me, tambm Zulmira iria se transformar em moeda nas mos inescrupulosas de um homem de origem humilde, tal qual seu pai. Como a me, ela, j moa , iria ser tratada como uma brasileirinha fina e aristocrtica muito bem expressado por Botelho - um bom partido, ! Excelente menina ... tem um gnio de pomba ... uma educao de princesa: at o francs sabe! Toca piano como voc tem ouvido ... canta o seu bocado ... aprendeu desenho ... muito boa mo de agulha! ...e... Ali tudo aquilo slido! ... Prdios e aes do banco!... (p. 134).

POMBINHA, alguns metros abaixo, no cortio, trs flores ganham vigor: Pombinha que l morava - , Juju e Senhorinha, que apesar de morarem fora domnios de Joo Romo, tinham os pais residentes nas casinhas do vendeiro. A primeira a flor do cortio que, por ser tratada liricamente pelo autor, ilumina o incio do romance com sua candura e presteza. Filha de um suicida falido, ex-dono de uma casa de chapus, fora criada pela mes com sacrifcios, mas aprendera at francs. Era Bonita, posto que enfermia e nervosa ao ltimo ponto; loura, muito plida, com uns modos de menina de boa famlia.

PIEDADE DE JESUS, quando chegou ao cortio, tinha por volta de trinta anos, boa estatura, carne ampla e rija, cabelos fortes de um castanho fulvo, dentes pouco alvos, mas slidos e perfeitos, cara cheia, fisionomia aberta; um todo de bonomia toleirona, desabotoando-lhe pelos olhos e pela boca numa simptica expresso de honestidade simples e natural (p. 54). Depois de ser abandonada pelo marido, a pobre mulher, completamente vencida pelos poderes sedutores da rival, no percebeu que o faro do marido tambm se aguara, apartada do esposo to amado, tornou-se bbada, decada, completamente derrotada.

SENHORINHA, filha de Jernimo e Piedade, tambm recebia educao aprimorada. O pai a matriculara em um colgio, pois a queria com outro saber que no ele, a quem os pais no mandaram ensinar nada (p.54),. Prudente, Jernimo queria manter fora do cortio aquela criana forte e bonita que puxara para o pai o vigor fsico e da me a expresso bondosa da fisionomia. J tinha nove anos (p. 176).

RITA BAIANA, uma cadela no cio, como danarina provocante e sensual, o que faz Jernimo perder a cabea, e outros mais, mulata faceira, amigada com Firmo enamora Jernimo, gerando assim um conflito entre seus amantes at uma luta generalizada entre os cortios.

FIRMO, malandro valento e capoeirista, enciumado luta com Jernimo, corta com uma navalha o ventre de seu rival.

MACHONA, lavadeira gritalhona, cujos filhos no se pareciam uns com os outros, Leandra ... a Machona, portuguesa feroz, berradoura, pulsos cabeludos e grossos, anca de animal do campo.

ALBINO, Fechavaa fila das primeiras lavadeiras, o Albino, um sujeito afeminado, fraco, cor de aspargo cozido e com um cabelinho castanho, desalavado e pobre, que lhe caia, numa s linha, at o pescocinho mole e fino.

BOTELHO, Era um pobre-diabo caminhando para os setenta anos, antiptico, cabelo branco, curto e duro como escova, barba e bigode do mesmo teor; muito macilento, com uns culos redondos que lhe aumentavam o tamanho da pupila e davam-lhe cara uma expresso de abutre, perfeitamente de acordo com o seu nariz adunco e com a sua boca sem lbios: viam-lhe ainda todos os dentes, mas tos gastos, que pareciam limados at ao meio ...

LEONIE, prostituta de luxo morava em uma casa luxo, acolhe Pombinha e jovens bonitas com talento para prostituio, sedutora, amiga inseparvel de Pombinha agora, as duas cocotes, amigas inseparveis, terrveis naquela inquebrantvel solidariedade, que fazia delas uma s cobra de duas cabeas, dominavam o alto e o baixo Rio de Janeiro(p.201).

6 FOCO NARRATIVO Narrador onisciente, tem, pois, pleno Domnio das aes e dos pensamentos do dono da pedreira e de seus inquilinos, dos habitantes do sobrado e do tempo da narrativa. Perspicaz, vai dando a coisa em pequenas doses, paulatinamente: um pouco de enredo de vez em quando; uma ou outra situao dramtica de espao a espao, para engordar, mas sem nunca esquecer o verdadeiro ponto de partida a observao e o respeito verdade, segundo palavras do prprio Alusio de Azevedo a respeito de sua obra. O rumor crescia, condensando-se; o zunzum de todos os dias acentuava-se; j se no destacavam vozes dispersas, mas um s rudo compacto que enchia todo o cortio. Comeavam a fazer compras na venda; ensarilhavam-se discusses e resingas; ouviam-se gargalhadas e pragas; j se no falava, gritava-se ... (p.36) ...Joo Romo parecia muito preocupado; pensava em Bertoleza que, a essas horas, dormia l embaixo num vo de escada, aos fundos do armazm, perto da comua. (p.188).

7 TEMPO CRONOLGICO O narrador no nos permite situar o tempo do romance., por exemplo, o narrador informa que se lia no jornal do Comrcio que Sua Excelncia fora agraciado pelo governo portugus com o ttulo de Baro do Freixal. Esse...