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UNIDADE III - Serviços Públicos e Estrutura Da Administração

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UNIDADE III

UNIDADE III

ESTRUTURA DA ADMINISTRAO PBLICA E A PRESTAO DE SERVIOS PBLICOS

3.1 SERVIO PBLICO

3.1.1 DefinioServio pblico todo aquele desenvolvido pela Administrao ou por quem lhe faa as vezes, mediante regras de direito pblico previamente estabelecidas por ela, visando preservao do interesse pblico (SPTIZCOVSKY, Celso, Direito Administrativo, 10 ed., So Paulo: Editora Mtodo, 2008, p. 148).Para o Desembargador WELLINGTON PACHECO BARROS, do Tribunal de Justia do Estado do Rio Grande do Sul, servio pblico a atividade exercida pelo Poder Pblico, direta ou indiretamente, no desempenho de suas atividades institucionais, polticas e administrativas, visando atender s necessidades bsicas da coletividade (Manual de Direito Administrativo, Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2008, p. 257).

So exemplos de servios pblicos:

- transporte coletivo;

- telefonia;

- fornecimento de gua;

- captao e tratamento de esgoto e lixo;

- ensino bsico, mdio e superior (educao);

- polcia judiciria e polcia ostensiva;

- defesa nacional;

- fornecimento de energia eltrica;

- assistncia mdica e hospitalar (sade);

- distribuio e comercializao de medicamentos e alimentos;

- compensao bancria;

- controle de trfego areo.

Nota: Distino entre SERVIO PBLICO e SERVIO ADMINISTRATIVOSegundo CRETELLA JNIOR, Todo servio administrativo um servio pblico, se bem que a recproca no verdadeira. (...) Somente se pode falar de servio administrativo quando a atividade exigida para lev-lo a termo seja atividade administrativa

Como exemplo de servio administrativo, recordo o desempenhado pela Imprensa Oficial.

3.1.2 Formas de prestao de servios pblicos

H trs FORMAS/MODOS DE PRESTAO dos servios pblicos: 1) prestados diretamente pelo Poder Pblico, em seu prprio nome e sob sua exclusiva responsabilidade = SERVIOS CENTRALIZADOS; 2) prestados pelo Poder Pblico, por seus rgos, mantendo para si a responsabilidade na execuo = SERVIOS DESCONCENTRADOS; e 3) prestados por terceiros, para os quais o Poder Pblico transferiu a titularidade ou a possibilidade de execuo, seja por outorga (por lei a pessoas jurdicas criadas pelo Estado), seja por delegao (por contrato- concesso ou ato unilateral permisso e autorizao) = SERVIOS DESCENTRALIZADOS.

Ateno!!!

Distino entre MODO/FORMA DE PRESTAO DOS SERVIOS PBLICOS e MODO/FORMA DE EXECUO DOS SERVIOS PBLICOS

No h confundir modo de prestao dos servios com FORMA DE EXECUO DOS SERVIOS PBLICOS, esta pode ser: EXECUO DIRETA quando do Poder Pblico emprega meios prprios para a sua prestao, ainda que seja por intermdio de pessoas jurdicas de direito pblico ou de direito privado para tal fim institudas; ou EXECUO INDIRETA quando do Poder Pblico concede a pessoas jurdicas ou pessoas fsicas estranhas Entidade Estatal a possibilidade de virem a executar os servios, como ocorre com as concesses, permisses e autorizaes.

Retomando o raciocnio, a atividade administrativa vale dizer, a prestao de servios pblicos - pode ser, como acima referido, exercida de forma CENTRALIZADA ou DESCENTRALIZADA.

Todavia, - na centralizao - h sempre a possibilidade de a entidade estatal DESCONCENTRAR o exerccio da atividade.

A desconcentrao ocorre sempre que a competncia para exerccio da atividade repartida, dividida ou espalhada por diversos rgos da entidade estatal (v.g., ministrios, secretarias e outros rgos despersonalizados).

A descentralizao ocorre quando a atividade administrativa deferida a outras entidades dotadas de personalidade jurdica, seja por outorga (lei), seja por delegao (contrato).

No h confundir desconcentrao com descentralizao da atividade administrativa, a primeira est ligada ao princpio da hierarquia, ao passo que, a segunda, ao princpio da especializao.

Em resumo: Da desconcentrao resulta a criao dos rgos pblicos, proveniente da aplicao obrigatria do poder (ou princpio) da hierarquia. A funo atribuda para a entidade estatal repartida internamente, estabelecendo-se subordinao interna. Da descentralizao resulta a atribuio da funo para outras entidades ou pessoas jurdicas ou fsicas, sendo informada pelo princpio da especializao quando tange formao da Administrao Indireta.

A distino entre descentralizao e desconcentrao vem muito bem pontuada por CELSO SPITZCOVSKY no seu Direito Administrativo, 10 ed., So Paulo: Editora Mtodo, 2008, p.p. 150-153, merecendo transcrio:

... o fenmeno da descentralizao, que tem lugar sempre que a execuo de um servio pblico for retirada das mos da Administrao direta, sendo transferida para terceiros que com ela no se confundem, como dito.

Dessa forma, no se pode confundir a figura da descentralizao com desconcentrao, que significa a transferncia de competncias de um rgo para outro, mas dentro da Administrao direta mediante diversos critrios, como o territorial, o geogrfico, o hierrquico, por matria, como se verifica, a ttulo de exemplo, com a criao de administraes regionais e subprefeituras.

Com efeito, embora nas situaes mencionadas haja uma transferncia de competncias para outros rgos, situar-se-o estes dentro da estrutura da Administrao direta, no se podendo, portanto, cogitar de descentralizao, mas, sim, de desconcentrao.

De mencionar-se que essa transferncia de competncias, caracterstica da desconcentrao, pode verificar-se tambm dentro de um mesmo rgo, desde que no extrapole os limites da Administrao direta.

(...)

Por seu turno a transferncia da execuo de servios pblicos pode ocorrer para terceiros que estejam dentro ou fora da estrutura da Administrao Pblica.

Nesse sentido, quando realizada para terceiros que esto dentro da Administrao, mas no se confundem com a Administrao direta -, surgem as figuras das autarquias, fundaes, empresas pblicas e sociedades de economia mista e, mais recentemente, as agncias reguladoras e executivas.

Frisa o referido autor a existncia de duas modalidades de descentralizao, como segue: Oportuno registrar que essa descentralizao na prestao de servios pblicos pode ser feita sob duas modalidades: por outorga ou por delegao.Quando for feita por outorga implicar transferncia da titularidade e da execuo dos servios, o que s poder ocorrer para pessoas integrantes da Administrao indireta que tenham personalidade de Direito Pblico, a exemplo do que se verifica com as autarquias e fundaes pblicas, e por meio de lei.Por seu turno, quando for realizada por delegao importar transferncia to-somente da execuo dos servios para pessoas jurdicas de Direito Privado integrantes da Administrao indireta e para particulares, sendo suficiente um simples contrato para viabiliz-la.

De outra parte, quando a transferncia ocorre para terceiros que estejam fora da estrutura da Administrao, vale dizer, para particulares, surgem as figuras dos permissionrios, concessionrios e autorizatrios.

* Nota sobre outorga e delegao: imprescindvel distinguir OUTORGA de servio pblico de DELEGAO de servio pblico.

Os servios pblicos so de titularidade do Poder Pblico (por suas entidades estatais ou seja: Unio, DF, Estados-Membros e Municpios).

Na outorga h transferncia pelo ente estatal da titularidade do servio pblico e, por isto, s pode ser feito por lei -; j, na delegao o que ocorre a mera transferncia da execuo do servio pblico e, por isto, pode ser feita por contrato (concesso) ou ato negocial (permisso e autorizaco).

Memorizar as seguintes assertivas:

- H outorga quando a titularidade do servio transferida por lei pelo Estado e s por lei pode ser retirada ou modificada, e h delegao quando a execuo do servio transferida a terceiro, por ato administrativo.

- As entidades que realizam servios por delegao do Poder Pblico (ou seja, concessionrias, permissionrias ou autorizatrias) tm as mesmas obrigaes de prestao regular aos usurios, e, consequentemente, os mesmos encargos indenizatrios que teria o Estado se os prestasse diretamente, inclusive a responsabilidade objetiva por danos causados a terceiros.

- S possvel outorga a pessoas jurdicas, ao passo que a delegao pode ser feito pessoa jurdica ou pessoa fsica.

3.1.3 Competncia legiferante

A competncia legiferante sobre servios pblicos ordinariamente objeto de questionamento nas provas de concursos pblicos.No h em matria de servios pblicos competncia legislativa concorrente entre Unio, Estados e DF (vide art. 24).

Art. 24. Compete Unio, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: I - direito tributrio, financeiro, penitencirio, econmico e urbanstico; II - oramento; III - juntas comerciais; IV - custas dos servios forenses; V - produo e consumo; VI - florestas, caa, pesca, fauna, conservao da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteo do meio ambiente e controle da poluio; VII - proteo ao patrimnio histrico, cultural, artstico, turstico e paisagstico; VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artstico, esttico, histrico, turstico e paisagstico; IX - educao, cultura, ensino e desporto; X - criao, funcionamento e processo do juizado de pequenas causas; XI - procedimentos em matria processual; XII - previdncia social, proteo e defesa da sade; XIII - assistncia jurdica e Defensoria pblica; XIV - proteo e integrao social das pessoas portadoras de deficincia; XV - proteo infncia e juventude; XVI - organizao, garantias, direitos e deveres das polcias civis. 1 - No mbito da legislao concorrente, a competncia da Unio limitar-se- a estabelecer normas gerais. 2 - A competncia da Unio para legislar sobre normas gerais no exclui a competncia suplementar dos Estados. 3 - Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercero a competncia legislativa p

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