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Distribuição gratuita Ano I N° 1 Maio de 2010 Apoio: Realização: http://ffpnmcalet.blogspot.com/ http://brechodasletras.blogspot.com

Zinestesia nº1

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Este fanzine tem por objetivo mostrar o trabalho dos alunos de Letras da Universidade de Pernambuco (UPE), visando a arte literária como protagonista deste espaço. Uma obra que promove uma melhor e maior interação entre os próprios estudantes nazarenos. Quem sabe, dentro da UPE, encontremos o mais novo ícone entre os poetas renomados? Mas, enquanto não podemos julgar o que é arte, o CALET Poeta Mauro Mota apresentará a todos uma exposição de liberdade e uma dose de novidade.

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Page 1: Zinestesia nº1

Distribuição gratuitaAno IN° 1Maio de 2010

Apoio:

Realização:

http://ffpnmcalet.blogspot.com/http://brechodasletras.blogspot.com

Page 2: Zinestesia nº1

Este fanzine tem por objetivo mostrar o trabalho dos alunos de Letras da Universidadede Pernambuco, visando a arte literária como protagonista deste espaço. Uma obra que promove uma melhor e maior interação entreos próprios estudantes nazarenos. Quem sabe, dentro da UPE, encontremos o mais novo ícone entre os poetas renomados? Mas, enquantonão podemos julgar o que é arte, o CALET Poeta Mauro Mota apresentará a todos uma exposição de liberdade e uma dose de novidade.

Coord. Editorial: Stephanie SaskyaCapa e Ilustrações: Julio MeloRealização: Centro Acadêmico deLetras - Poeta Mauro MotaLicença Criative CommonsAlguns direitos reservadosAtribuição-Uso não-comercial-Compartilhamentopela mesma licença 2.5 Brasil

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José Anderson de Andrade Coutinho20 anosO que o levou a escrever?‘‘As obras regionais de grandes autores, como por exemplo, Jorge Amado.’’ Contato:Email: [email protected]

Relato de um Bóia-fria

Nas altas horas da madrugada Me preparo para trabalhar Levo na bagagem uma bóia-fria Para me alimentar

De sol a sol caminho com um único objetivo:Cortar a cana de palha verde onde vejo a esperanca De comida para minha família dar

Sou de poucas leituras com algumas letras perdidas no ar Mas sei medir quadras sei quanta cana cortar

De sol a sol corto a cana Sobrevivo, me alimento, existoE porque desse trabalho não gostar?

Sim. Desde criança me ensinaram a trabalhar.

Anderson Andrade.

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Bartô Alheiros Dias20 anosSe você não escrevesse, como seria sua relação com o mundo? “Minha poesia me salva. No dia em que a caneta escorregar da minha mão é porque eu morri (rs).”Contato:Blog: poetasemfuturo.blogspot.comEmail: [email protected]

Universo Universitário

Eu não dormiAcordo às quatroÉ trabalho na escolaÉ trabalho no trabalhoPapéis, papéis, papéisAhhhhhOlhos esbugalhados!

Me molho e vouÉ mais um dia[E quanta pressa]"O que interessa"Eu já sabiaEu "tô" -estavaObsequiando favoresProblematizando o pobremaFazendo do comum horroresCiência besta, meu Deus [MEU VEI]Meu erro é certoMas preciso irXau xau x.. !xxxxxxxxxxxxxx...

É a vida de universitárioUm universo de novidadesNuma rotina de operário

Correlá vem o busãoFalando pelos cotovelosPsicólogo às avessasNessa viagem infinitaBrega que sou, ouço pagodeE durmoPra não chorarRezo pro tempo passarPra esvaziarem a pista

Nem tudo são floresTem o trabalho de hojeE a nota não pode faltarAgonia, correriaA tinta acabou]Corre a maratona carnavalesca em ladeirasPra salvar uma vidaE um monte de letrinhas pra dar à luzSe o trabalho não nasceNão cresce - e não apareceDesarranjo de mentesFormulários em branco- Noites em claro, meu caro -Extra Terrestres!

A volta é sempre mais calmaReconforto minh'almaNaquela poltrona imbecilQue nem com apelos milUm dia se horizontaráMe contento em entortar a colunaEsta por ser uma plumaNunca se reclamou [Quem cala consente]Eu é quem sinto a dor

Em casa a cozinha é certaEngulo um pão com mais tempoMas corre, que depois do banhoDe frente ao PC me apresentoE quase me afogo na telaMeu dia sem fim começou

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Meu amigo, vou lhe contarOqi na Zona da Mata viNo terreiro de AliançaMais belo que conheciNasceu mestre SalustianoO melhor do meu Brasi

Na Carpina verde a pinhaSe enriquece de bonançaMostra que tem muita gente Que suspira de esperançaQuando vê aquela cidadeCrescendo feito criança

A taxa de analfabetos Caiu por aqueles ladosLendo o mundo ligeiroMeninos advogadosLogo sonham em se tornarEm uma nação de Letrados

Subindo um pouco pro Norte Encontro com os FerreirosQue trabalham com a madeiraDos pinhos de arvoredoFazem as rebeca mais lindaSete notas e um segredo

O mestre Mané PitungaTrabalhou naquelas terrasFez rebeca a vida todaPra Recife e Olinda belaConquistou nosso paísCom sua arte linda e singela

Ali pelaquelas bandas Tem terreiro de GoianaCaboclinho é pra mais de milAtira com a flecha e dançaMoça bela, meiga e formosaManda um beijo e dúas lembrança

Note que um pouco pra lesteDescendo os canaviaisTem a cidade do BarroTracunháem, meu rapazQue povo mais criativoArtista não falta mais

Lá pra cima de ItambéNão sei que danado que temEsse nome me lembra leiteMeu amigo, a mim tambémSe souberes me conte logoDe leite num entendo bem

Logo ali pelo começoTem terra do Pau-BrasiMeu irmão se não conhecesLhe conto que por aliPelas terras de PaudalhoTem as mata mais viri!

Logo agora me despeçoMeu amigo foi um prazerLhe contar da Mata NorteMuito ainda tem pra verDepois conversamos maisUm dia a gente se vê

E quase que me esqueciDa cidade abençoadaNazaré tem estudantesCanaviais pela estradaE o baque solto ligeiroDos pais da rima sagrada

Agora que me despeçoNão sou homem de me atrasarVoltar atrás que não façoMas tive que explicarQue a Zona da Mata NorteTem muito mesmo o que mostrar!Bartô Dias

Mata Norte

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Élida Elias Trigueiro18 anos.Que conselho você daria a quem lê suas obras?“Eu aconselharia a ler em um lugar sozinho com muita positividade.”Contato: E-mail: [email protected]

Deixa

E só existe uma coisa que me atormenta, é esta tua ausência. Isso que me faz procurar no vento os teus olhos, e na chuva o teu calor, mas não vejo,

não sinto, não ouço, não vivo, nem morro.Saudade pode parecer agradável, quando podemos matá-la.

Se o vento não te traz para mim, eu vou buscar-te na chuva e se ela também me negar o teu cheiro, eu irei e sentarei no topo daquele monte e esperarei que os meus cabelos

congelem, para que eles parem de me pedir tuas mãos. Não posso mais seguir assim. Se te vais eu choro, se aqui não estás eu sofro,

se longe não me dizes nada eu morro. Caio no chão como as folhas do outono, e deixo que o vento me leve para onde ele quiser.

Se ele também não vier, deixa. Deixa, que eu fico ali quieta, ao menos tento parar de ir atrás de ti, tento cansar-me de lutar.

Tento perder a vontade de ir ao lugar donde eu acabei de chegar. E deixa que o tempo passe, e me ensine que ele não pode trazer-te para mim.

E deixa eu ver que não vais falar comigo. Deixa que eu aprendo sozinha, deixa que eu choro sozinha, deixa que eu fico sozinha.

Deixa.Mas não deixa para sempre.

Não te cales para sempre. Eu preciso da tua voz.

Eu preciso do teu amor. Eu preciso de ti.

Eu te amo.

À tragédia do Golfo do México

O sol causticante...as matas? Sumindo. Já se sente aquele vento quente, e não mais aquelas brisas suaves que refrescavam as belas poesias. E como se não bastasse pintaram o mar de preto.Os peixes estão sufocados, está tudo escuro, é noite para eles, e se é para eles, é para nós. E se tudo saiu do controle, o homem percebeu um pouco tarde aquilo que estava óbvio, ele não é forte o suficiente para dominar os mares, ele não é grande o suficiente para medir seus desastres, ele não é sábio o suficiente para saber quando uma tragédia pode acontecer. Mas as ondas escuras agora vão banhá-lo. Ele se alimentará de peixes tingidos por suas próprias mãos, e não poderá fazê-los viver. E quem poderá resolver o problema? Será que ele o fará?Será que as águas podem tornar-se azuis? Será que os rios ficarão limpos? Sua força pobre homem, é tão pequena, é tão inútil, é nada. Agora tu vês. Agora entendes.

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Gerlane Cristina da Silva20 anosQue conselho você daria a quem lê suas obras?“Escrever é correr o risco de se passar por ridículo. É tentar exteriorizar aquilo que é subjetivo, visando causar aquele tal 'estranhamento', termo usado por Pedro Nazzu pra tentar explicar o que sentimos ao ler Literatura [ou algo que fale de sentimentos].Escrever é se expor, se contar, contar ou tentar tocar quem lê, às vezes pode não surtir efeito, às vezes pode sim causar.Escrever sempre tem causa, mas o efeito é imprevisível, e talvez desconhecido. Logo, não escrevo para agradar, mas para causar algo, e aceito se não for bem quista... Os sentimentos são subjetivos demais para serem profundamente compartilhados, aceitos e compreendidos.”Contato:http://gehcris.blogspot.com/ [email protected] http://recantodasletras.uol.com.br/autores/gehcris

Não sou mesmo!

Ele espera que eu tenha asasE que eu saiba voar.Ou que eu viva num altar[Numa redoma infundada]. Sarcasticamente sorrioDessa precipitada conclusãoQue não contradiz o que souMas que também não diz nada não. Não posso ser quem pensaSe cá dentro habita o inimaginável[...] Sou um ser em construçãoInconstante, impulsiva, indeterminadaIndiferente.Certamente não tenho definição.

Em você E foi o não saberSe é bem ou mal-me-querQue me fez querer bem A um outro alguém. Divaguei por muito tempoPor incertos sentimentos,Mas agora eu já sei,Eu me encontreiE não foi em você.

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U m c o n t o d e u m a n o i t e

Uma rápida conversa. Um convite especial que pedia uma resposta urgente. Por não esperar, hesitou por alguns segundos; mas, encontro marcado. Tinha ansiedade transparente no olhar, e expectativa em cada segundo do silêncio e do falar. Era a primeira vez que lhe faziam um c o n v i t e a s s i m .Era uma menina mulher, ou uma mulher menina... dessas difíceis de se encontrar. Dona de puros desejos, de sonhos simplórios e inimagináveis... O inusitado imprevisível sempre lhe pareceu algo ideal, mas possível. Teve sempre uma vida pacata poupou seu fôlego eu acho, parecia esperar o sufoco chegar, o que lhe perturbaria a mente, o sono, o corpo e o coração. Romântica, sonhadora... boba, talvez. Sempre viveu à espera do amor acontecer, não o 'amor' arrebatador, selvagem, fugaz, mas o amor calmo, pleno, sublime. Em sua vida sentiu mais do que viveu. A esperança era o motivo de tanta evasão. Acreditava que mais a frente estava o t e s o u r o q u e t a n t o p r o c u r a v a : o s e g r e d o d a f e l i c i d a d e .Sob o céu escuro coberto de estrelas viu o príncipe chegar, em seu cavalo branco vindo do interior dos seus mais fortes desejos. Os olhares se encontraram a certeza de que inesquecível tudo seria. E a entrega da confiança foi imediata, impulsiva e verdadeira, ela se sentia segura ao s e u l a d o .Numa velocidade luz romperam a escuridão sob o olhar atento das estrelas. E os pensamentos que não paravam de surgir, não conseguia entender o que estava acontecendo. E durante o caminho as poucas palavras proferidas serviram para manter o diálogo do que era real, enquanto ela sentia-se levitar docemente com o aroma do que parecia i m p r o v á v e l .Ela era uma menina cheia de medos, consequência talvez de sua criação numa redoma, mas o sorriso que secretamente sorria era o impulso do que estava a sentir, aspirava liberdade! Sentia-se a vontade para com ele fazer a s c o i s a s m a i s l o u c a s .E era festa, as luzes iluminavam o momento e o lugar. Ela bem que tentou disfarçar a timidez, mas qualquer um podia ver atrás dos sorrisos sem graça e dos olhares reflexivos o rubor de não saber explicar o que estava fazendo. Não se sentia mal, só não conseguia entender como chegara até ali, como tudo acontecera com a rapidez de uma estrela cadente. E estar ali, lhe trazia tudo o que queria, mas que não imaginara ter.E todas as cores, risos e diversão ao seu redor faziam-na sentir-se num sonho, num mundo literalmente infantil, onde o fascínio pela fantasia e o prazer nas coisas simples era o que o regia; era o mundo com o qual s o n h a r a , n o q u a l g o s t a r i a d e s e m p r e v i v e r .Chamo-a de menina porque sua alma ainda o é. Ela sabe que precisa crescer, mas não o quer. Não se acha capaz de lidar com a ideia de que é uma mulher, simplesmente não sabe sê-la. Não consegue largar mão da espontaneidade com a qual adora viver; longe do calculismo frio, da superficialidade e das responsabilidades morais e éticas pelas quais um adulto deve tentar zelar. Às vezes se questiona, mas gosta de ser impulsiva, dizer coisas sem pensar, rir e chorar por motivo qualquer. Decidiu viver assim, leve como uma pluma. Adultos são chatos, ela a d o r a b r i n c a r !Parecia girar no mundo novo, não sabia o que fazer, e ao se dar conta daquele que estava ao seu lado sentiu-se feliz, e perplexa diante de tal simplicidade. Subiu ao céu, não o alcançou, mas, sentiu-se dentre as estrelas,

perto da lua, envolta em pura magia... seus pés deixaram de tocar o chão. Ele a fez flutuar. S u p o n h o q u e a t é a g o r a e l a e s t e j a s u s p e n s a n o a r .Ela tinha muitas certezas das quais não abria mão. Achava a rapidez algo desnecessário, a exposição lhe causava aflição e voar, definitivamente estava fora de questão. Ele quebrou t o d a s a s s u a s r e g r a s .E no cume de todo o encantamento, ele lhe falou de sentimentos... depressão, solidão, redenção. Não eram meras palavras, era a mais pura poesia. Recitadas lá no alto ela as ouvia, e c u s t a v a a a c r e d i t a r n o m o m e n t o q u e v i v i a .De poucos amigos verdadeiros e confidentes, sempre contou a si própria todos os seus sentimentos. Desde criança fez do papel e do lápis seus inseparáveis companheiros, contava com eles para se contar, para confessar os seus segredos. Às vezes sente-se só, mas quando começa a escrever encontra-se consigo mesma, se faz companhia. A tríade – linguagem, m ú s i c a e p o e s i a – a f a z s u s p i r a r , a f a z s e e n c o n t r a r .A voz dele soava-lhe como música em seus ouvidos, queria encostar-se a seu peito, ouvi-lo e só se sentir flutuar, queria parar no tempo. Mas o tempo não parou, e a intenção ficou presa no o l h a r . Te v e m e d o d e p e n s a r q u e e l e e r a t u d o o q u e s e m p r e q u i s .Ela nunca fora aventureira, mas tem a certeza de que não quer crescer. Vive em busca do mais e do menos possível – liberdade e responsabilidade. E qualquer pensamento contíguo a esse f a z s u a p u p i l a d i l a t a r .Em terra, entre toques, olhares, palavras e sorrisos, não pode deixar de perceber o quanto ele a fazia bem. Sentia-se perplexa diante de tanta simplicidade, se surpreendia com tanta espontaneidade. Queria ficar ali pra sempre. A descontração entre eles acontecia naturalmente. Era como se já fossem amigos há anos. E tudo isso foi o bastante pra balançar seu coração. Nessa brincadeira de atirar, foi atingida por tanto carisma, que acabou por ser cativada por u m a p e s s o a í m p a r !De volta à realidade, resquícios do que parecia ter sido um sonho ainda pairavam no ar. Cada instante era registrado e eternizado dentro dela, e tudo o que era dito foi gravado. Sentia-se anestesiada, inebriada com o bem estar que aquela situação proporcionava. Com o olhar ela pensava fazer saber quanta satisfação estava sentindo por tê-lo ali. É s e m p r e a g r a d á v e l s e d e i x a r e n v o l v e r c o m o q u e é t ã o a d o r á v e l .Em seus devaneios ela sempre evoca o destino, acredita mesmo naquilo que está predestinado a acontecer. Isso explicaria o que nos parece inexplicável. Ela acredita que nada do que vivemos é vão, nada é por acaso. Uma coisa sempre nos levará a ter, conhecer o u v i v e r o u t r a c o i s a .Na hora da despedida, um beijo no rosto, um abraço apertado, felicitações de satisfação. Olhar expressivo... Ela quis se jogar em seus braços, dar vazão ao desejo, ao impulso contido, mas a incerteza da reciprocidade lhe fez hesitar. Pensou ver nos olhos dele o mesmo que transparecia no seu olhar. Um breve instante de silêncio, e um tímido até logo pôs ponto a o e n c o n t r o . O b s e r v o u e l e s e a f a s t a r r a p i d a m e n t e .Misto de menina e mulher tem seus sentimentos constantemente misturados. O impulso atiça o desejo, mas o pensamento frustra-o. Até os afetos precisam ser inusitados, imprevisíveis, impensados! E os desejos, bom... os desejos pedem pra serem consumados. A mulher ainda precisa alcançar a espontaneidade da menina...Entrou. Deitou-se. Tinha um feliz sorriso nos lábios. No silêncio pensava “Que noite...”U m a n o i t e d e N a t a l f e l i z !Gerlane Cristina

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Ígaro D'Ávila de Queiroz Cardoso.18 anosO que faz da vida? “Estagio. Penso constantemente. Tomo café. Fumo e curso letras. Saio com os amigos.”Contato:Blog: www.jeitosetrejeitos.blogspot.comE-mail: [email protected]

A Dona do Guarda-Chuva

Simplesmente ela vemcom seu guarda-chuva ensopadoensopado por um mar de SOLque se abanca entre sorrisose comentários alheios

Chuvas de névoas, ora alegres, ora tristesdespencam em seu coraçãoseja ele singelo e pobre de emoçõesou carregado de amores e paixões

Ai de mim que sonho amorese que de longe,observo essa bela senhoraque com um ar de sonhadorasuspira ao invés de respirar

Chove chuvachove teus devaneiosBanhe-nos com um pouco de sua vidaSó não molhe a belíssima senhora que está com seu guarda-chuva.

O Dia

Sonhos despertos,realidades flutuantes.Que será de nós, pobres mortais,à durmir olhando para as estrelas?

É nesse céu azul estreladoque eu te encontro,formosa constelação,a iluminar minha vida.

Mas logo vem o alvorecertrazendo consigo um ar de saudade,saudade dos que estão longe,saudades de quem nunca conheci.

Chega o Sol.Incandescente de alegria,iluminando as trevas do meu coração,mostrando sentimentos um dia adormecidos.

Entardece na longínqua cidade,dá até para sentir o cheiro de casa,aquele cheiro que, eu sei bem, está longe.Não, eu não estou no meu lar.

E mais uma vez vem a noite,e com ela,o desejo de ter você ao meu lado.

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Igor Serpa22 anosSe você não escrevesse, como seria sua relação com o mundo? “A mesma...”Contatos:[email protected] Cel.: 99820021

Solidão

---Por demais a fúria ao lado,

Vós seguis pelo extremo dos ventos contrários,

Que bradam fortemente (violento triste fado).

As cores da imensidão e dos perigos temerários.

---Vós, homens ignaros, correis contra o tempo.

Sendo a vos luta de todo em vão.

Tremeis as ásperas mãos do teu pulso lento,

Em que o vosso triste fim é o sepulcro da solidão!

---Mas a suprema virtude humana não deixais,

Da dura braçada contra o mar revolto.

A teimosia cega contra a adversidade que não queirais,

De infértil terra da inútil esperança de olmo!

---Solidão, solidão! Maior que uma tormenta.

Eis a foice afiada e rebelde da vida.

Eis inimiga pior que o homem enfrenta.

Solidão, solidão, solidão, solidão, mil vezes solidão!

Vento

Vento leve, vento desejo;Diria que alegre sempre,No passado de um único tempo.

No presente, este vento variável como nenhum outro,Há lembrado toques teus de mãoNas profundezas macias de pele.

Tal vento passageiro visitouTeus campos de menina solidão,Naqueles remotos diasDe olhar teu de amor miserável e desapego.

Agora, diria este vento confuso;Que o dia amanhã é mais morto, mais nocivo.Como que fosse, hoje, um regalo de tormento.

Sim, este vento frio e sereno,Lembrou da minha menina solidão,Como que traiçoeiro vento leve, vento desejo;Que diz, no agora de um único tempo,Hoje e o passado, um regalo de tormento.

Page 11: Zinestesia nº1

Ingrid Rodrigues19 anosO que mais gosta de fazer? “Gosto muito de ler e, mais do que leitura, eu gosto muito de tocar teclado.”Contato:[email protected]

I wanna be with you

Quando o sol se apagar eu quero estar com vocêQuando o dia acordar eu quero estar com vocêQuando nada virar tudo eu quero estar com vocêQuando acabar o mundo que quero estar com você

Quando o silêncio for quebrado eu quero estar com vocêQuando o amor for comprovado eu quero estar com vocêTodo dia, toda hora e a cada instanteMuito mais que a minha vida eu quero estar com você

I wanna be with you forever and ever.

Luxúria

O pecado foi lançadoComa a maçãDesperte a libidoIncite a luxúria Se una a serpente do pecadoBeba do néctar do fruto proibidoQueime a virtuosidade interiorNão tema o abismoSe entregue ao sétimo toque da cornetaSe entregue ao pecado ComaDesperteInciteBebaQueimeEntregue-seTorne-se... Luxúria.

Isabele TinuvélQual a sua relação com a Literatura?

“Minha relação com a literatua começou muito cedo, com 7

anos já me encantava com contos de fadas e fabulas – até hoje

me encanto – as poesias só vieram na puberdade junto vom os

romances e permaneceram até hoje, de uma forma constante .”

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Isabela Priscila do Nascimento.20 anosQue conselho você daria a quem lê suas obras?“Feche os olhos e deixe a emoção rolar.”Contato:Blog: www.smallangel10.blogspot.com

Eu vou fugir...

Fugir do teu olhar misterioso comomar bravo e profundo

que me arrastava e hoje me lança fora.fugir de teu sorriso,

que surgia de repente e irradiava minha vida,trazendo uma sensação de paz e felicidade, nunca

sentida antes.Que pena teus lábios não me sorriem mais..

Tenho que fugir da lembrança de um amor que poema nenhum seria capaz de expressar, que música nenhuma poderia transmitir e que

homem nenhum do mundo seria capaz de imaginar.Amor que foi tudo pra mim e nada pra você.

Irei pra longe das recordações não levarei fotos nem cartões, tentarei arra ncar de mim teu beijo, teu toque teu cheiro,

que me entontecem e não me deixam dormir.Quero viver e dá chance a quem realmente me ama.

Quem sabe um dia voltarei de minha fuga e não mais sentirei tua falta estando em tua presença, poderei olhar-te nos

olhos e não me atormentar,mas enquanto isso não acontecer eu vou fugir...

Eu queria

Que a saudade não fosse tanta...Que o eu te amo não entalasse na garganta...Que eu pudesse gritar...Como eu queria...Te olhar nos olhos... Sentir teu abraço...Essa dor não precisar suportar..."Ah! meu bem se o tempo voltasse", diz o poeta , mas todo amante é poeta em sua dor...Eu queria não ter dito adeus...Mas como disse...Queria te arrancar de mim mas como não é possível! Eu queria te ter...

Page 13: Zinestesia nº1

Julio Melo22 anosVocê sabe que ser poeta e ganhar dinheiro é incompatível. Mesmo assim, pretende continuar escrevendo? “Sei sim, mas continuo. Um dia essa gente vai perceber que toda artefoi feita pra ser sentida, não importa toda essa merda capitalista, euquero é ser lido, (no caso de poemas) ser visto (cinema, vídeo e foto) e ser lembrado..., porém o poeta também precisa comer e ter conforto, e sei que um dia a poesia traz isso, ela tem que ser vendida mas não precisamos se vender... o que importa é ser reconhecido.”Contato:Blog: www.juliomeloem.blogspot.com Email [email protected]

Poema Corante

Penso BaixoSubo escadaLadoOutroEsbarroTinta fresca?... os dois corados.

Aquecendo o almoço Depois de parar de usardesodorante “aerosol”,separar pet pro catador,agora até carne aquece o mundo.

o porco ta com gripe,e o boi desmata o Amazônia...

e eu pensando num filé com fritas...o negócio agora é comer galinhaporém, use camisinhaPor que nem o mar ta pra peixe.

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Martielly Paula Cavalcanti Santos21 anosQual a sua expectativa com relação aos seus textos?“Escrevo por hobby, mesmo. Não almejo muita coisa em relação a eles, não. Mas, o que tiver que ser, será.”

O dia que te percebi

O dia que te conheciFoi como um dia simplesMas a diferença é que foi um dia mais alegre

Você trouxe, mesmo sem eu perceberA força do sorriso que contagiaO encanto de um amor que começaDe uma simples e forte amizade

Demorei pra te encontrarEsse encontro foi no dia em que te percebiNesse dia, o novo mundo que me cercouFoi de início rejeitado, por medo Medo de estar te percebendo de forma erradaDe cometer mais um erroDe encontrar e perceber mais uma pessoa errada

Quando aceitei esse novo mundoTudo mudou, ficou diferenteMinha visão de mundo aumentouMinha opinião, antes muito forte, reformou

Você me deu um novo mundoUma nova vida, uma nova forma de sorrir

Desde então você me dava Cada novo dia, um dia novoCheio de alegria e surpresas

Um mundo mágico e ao mesmo tempo “duro”Mas me fez acordarE me mostrou que o meu lugar no mundoSó eu posso conquistar

Sendo assim, você se tornouMinha alegria de viverDe prosseguir, de sorrir e chorar

Você se tornou um ser fundamentalUm pedaço de mim,A pessoa que eu descobri Amar!!!

Tua ausência

Quando sinto tua faltaMinha alma clama por tiMeu coração grita teu nomeMeus olhos te procuram

Por não te encontrarMeus olhos choramMeu coração desacelera e dóiNão sinto o chão

Ao perceber o silêncioEntro em agonia por não ouvir a tua vozNão ver o teu sorrisoNão ver o brilho dos teus olhos

Quando sinto tua ausênciaMeu mundo perde o sentidoAs coisas fogem aos seus lugaresO mundo perde a sua cor natural

Só então perceboQue o que sinto por tiJá não pode mais ser chamadoDe amor, torna-se descabívelO que sinto Por tiChama-se dependência

Page 15: Zinestesia nº1

O C U C O

Ele passava as tardes todas no quintal de casa. Com os olhos fechados,duas contas negras, sentia a brisa morna e boa sobre o corpo franzino...Era o seu refúgio, seu aconchego secreto... Debaixo do cajueiro brincavade ser o criador do Tudo; desviando os destinos das formigas ruivas com seus passinhos de pequenos soldados, libertando as flores de sua reles condição de musas e fazendo-as correr livres como meninas soltas numcampo sem fim, engenhando pontes de pedra para lagartas-de-fogo cruzarem e descobrirem que há coisas muito mais interessantes do que ficar simplesmente queimando as mãos e os braços das pessoas... Passava as tardes assim, e assim as queria para sempre...Um dia, numa das quartas chuvosas em que o jardim costumava sertingido de um cinza-chumbo, e as formigas apressavam-se em recolher as suas folhas, e se aquecerem dentro daqueles labirintos que nem Dédalo tramaria com tamanha destreza, sua mãe (ele sempre achouestranha a idéia de chamar aquela mulher de mãe...Não por nada,mas porque ele não sentia nela a essência daquela coisa que ele nãosabia explicar ter em si mesmo... E ele achava que mãe deveria ser algo assim, seilá...) o chamou lá de dentro, da janela da cozinha quedava pro jardim, ô menino, vem já pra dentro, já te disse que numa dessas você pega um resfriado que nunca mais se cura, ô menino! E n t r a , q u e s e p r e c i s a c o n v e r s a r . . . . .Foi assim, como um cacto, isolado dos outros deve se sentir; cheio de espinhos, seco por fora e ainda por cima, longe dos seus... Foi mais ou menos assim que ele se sentiu só de imaginar se afastar do seu jardim.Na verdade, ele sentiu muitas outras coisas que não conseguia definir,mas lembrava claramente daquela imagem sertaneja que vira certavez num documentário (nas raras vezes a que assistia televisão).Ela não entendia, mas o porquê ele não sabia, mas por que?E tratava como se fosse um simples quintal abandonado, uma casca ínfima comparada as que existem no mundo. Ela foi clara e irredutível;iriam se mudar, a casa era pequena por demais, seu irmão(Ele também não o entendia. Criança alheia, perdida dentro dos seus e g o i s m o s i n f a n t i s . . . Ele não tinha lembrança de ter sido assim; aliás, ele tem todas as lembranças, e o seu quintal sempre estivera presente em quase todas elas...) precisava de espaço, você precisa brincar com os outros garotos! Ele não assimilava o que lhe diziam, parecia não entender... Não, parecia não querer entender. Olhos distantes, escuros e precisos. ...brincar! ...ança brinca! ...ome n... ...rme e acorda nesse quintal! ...maiso que fazer com você... Enfim, estamos conversados, se quiser volte pros e u j a r d i m . V á s e d e s p e d i n d o d e s d e j á , s e p r e f e r i r .Seguiu pro jardim; as horas não passavam lá, ele nem as percebia. Não andava com relógio, não conseguia entender aquele mecanismo,não conseguia sincronizar o Tempo natural com esse tempo austero, apático, de tonalidade cromada. Era indescritível o que aquele coração tão pequeno, dentro daquele ser tão deslocado, sentia; era como se a ânsia de se esquivar das pessoas, do seu convívio insustentável, se esgotasse naquele abraço (e)terno e verde. Sentia-se parte daquilo e de nada mais; além do que, sempre respirava sem ofegar quando se dirigia para os fundos da casa. Dormiu abraçando as raízes da mangueira nessa noite, e todas as formigas e lagartas de fogo se aproximaram solenese v e l a r a m o s e u s o n o .

Passaram-se semanas, meses. Enfim chegara o dia da mudança, e em meio aqueles passos

apressados e desmedidos, em meio aquelas tralhas indiferentes com seus tons pastéis amargos,

ele se encolhia, agarrado a uns ramos de madressilvas esquecidos, num canto. Ele não respondia;

sua mãe lhe gritava, chacoalhava, batia, não reagia. Então, num lampejo, resignou-se a achar os

olhos dela. Disse, com o semblante mais doído, mais esgotado que ela já houvera notado: Me

deixe ficar. Pertencer.Eu... Por favor... Mãe. Era difícil articular palavras, quando ele mal as usava.

Ela não conseguia, nunca o entendera, divagava sobre não ter dignidade para encarar aqueles

olhos tão puros, porém bem mais além do que jamais ela poderia conceber, e muito menos, ser.

Eu volto no fim da tarde. Eu... Volto depois. Dispensou-lhe um olhar tão desajeitado quanto rápido,

v i r o u - s e , e p a r t i u .

O dia da mudança fora todo abafado, quente, brilhante, contrastando com o interior do seu corpo

que parecia ondular entre frígido e trêmulo, em marés densas. Fora assim o dia todo, até o

momento da partida; quando todos tinham ido embora e a casa ficara parecendo pairar na tarde que

esfriava. Ele afroxou os dedos dos ramos esmigalhados, percebeu que tinha se agarrado a eles

durante todo o dia, e só agora notara pequenas meia-luas vermelhas cravadas nas palmas de suas

mãos. Tintas vermelhas misturadas as verdes da madressilva, absorvendo-se. Sua respiração era

quase que imperceptível. Pela primeira vez em muito tempo (quando bebê nunca fora de chorar

histericamente, quando acontecia eram pequenos gemidos abafados, e poucas lágrimas. A mãe

desde então o achava insólito; naquela época confirmou a sua cria trocada, um cuco no seu ninho.

Sentira-se vazia naqueles tempos. Aliás, não se recorda de não se sentir mais oca daqueles anos

até os posteriores e além) sentiu-as ardentes por baixo de suas pálpebras fechadas, as lágrimas

pintando tudo de vermelho borrado, de um negror amargo, purgando toda a sua confusão, dentro

d e s u a p e q u e n e z i n f a n t e .

Então soltou um grito, entrecortado pelas mãos sujas, que terminou em soluços gargalhados que

espantaram todos os bem-te-vis e canários das inúmeras árvores do seu jardim. E ele se deixou

pertencer novamente, para sempre. Junto com as joaninhas e as formigas ruivas que quando se

davam uma folga gostavam de aventurar-se por entre seus pés e descobrir a anatomia do seu

p e q u e n o c o r p o . . . J u n t o c o m a s á r v o r e s .

No tempo cromado da sua genitora marcavam exatas dezoito horas e trinta e seis minutos de um

domingo. Ela chamou por sua cria, e ela veio correndo com as suas perninhas rechonchudas e

moles. 'O cuco', pensou ela, cortou o pensamento com nuvens negras e densas no mesmo

momento. Não, disse a si mesma, nãonãonãonãonão... Foi ao encontro do seu filho, com seus

p a s s o s f i r m e s e c o m e d i d o s . S e u ú n i c o f i l h o e s t a v a a l i , n a q u e l a s a l a .

Antes de adormecer, ele não lembrava de algum dia ter se sentido tão livre, e pensou ainda que

demoraria ao menos mais uns oito anos para isso acontecer. Adormeceu pensando que teria todo o

tempo do mundo para viver, tudo o que ele precisava estava diante dos seus olhos, e isso lhe

bastava. Adormeceu num manto verde, com as flores exalando canções-de-ninar, e até os

v a g a l u m e s v o a r a m d e l o n g e p a r a i l u m i n a r e m o s e u s o n o d e m e n i n o .

Pâmella Pinto

Page 16: Zinestesia nº1

Pâmella Pinto20 anosAlguma mania ou ritual antes, durante e/ou após escrever?“Não, não. Após escrever, um cigarro, talvez... (rs) nenhum ritual, não. Só sentidos.”Contato:Blog: http://medusandoares.blogspot.com/ E-mail: [email protected]

Onirismo - parte I E se de inverno tornasse o mais cálido abraço...poeiras escorreriam de teus dedos ao invés do caleidoscópio líquido que percebo, transmutada... impulsos corrosivos apagariam-se, desmanchados...em fluídos dos mais amargos, densos... não mais tremores, palpitações inebriadas...Teus pulsos que sugerem à mim toda a calidez Original não mais meenfeitiçariam, num acordar sonhado percebo através dum introspecto enevoado um acenar distante eterno neles erguidos...E desse acordar apenas o sabor acre de folhas secasestalando por dentro...

Onirismo - parte II Num enlevo desatado configurei meus sonhos,os projetei para ti...Neles,retalhos coloridos foram costurandoteus braços nos meus...uma colcha inteira de sentidos aconchegavanossas essências, consubstanciada em nebulosaamortecida num manto difuso

(Abri os olhos)

Despertei numa realidade onírica...Nela,fiapos de mim te encobriam por inteiro, e eu sentiatu'alma debatendo-se oprimida num esforço vãoMeus pedaços secando, caindo ao teu redor...salpicando um vazio inerte...Te vi em alegoria,ascendendo ao longe, ao sul (azul, azul...)

(Abri os olhos)

Manchas de Bosch, e de Goya...Polvilhado de musgo, um braço translucidoRangia estalidos ao acenar...um adeus secularum olhar ausentedesvelado em vazias órbitasUm acenar eterno...Um adeus...

Abri os olhos

Page 17: Zinestesia nº1

Stephanie SaskyaRumo aos 21.O que a levou a escrever? “O desejo de mudar o mundo me levou a querer lecionar, mas escrever foi a forma que encontrei para que o mundo me encontrasse. “Contato:Blog: www.felicidadeoscilante.blogspot.comEmail: [email protected]

TV

Venho vivendo e vendo a crueldadeCom que ela tem nos tratado.Invadindo nossos lares; roubandoCulturas e direitos de uma sociedade.

E para amenizar essa dorImplanta a globalização,Inflama nossa nação,E logo depois, foge da responsabilidade.

Massificar e alienar É o seu lema.Para acabar com este problema...

Resta apenas uma solução:Basta vocêSer o dono da televisão.

Minha vida com prazo de validade

Tenho a vantagem de sorrir em dias nublados, eu desenho o meu próprio sol. Tenho manias de ser maluca e com isso alegrar as pessoas. Tenho a sorte de poder sentir o vento, pois posso voar e nos dias em que minhas asas estão quebradas, ele vem e me leva nas suas costas. Tenho dias de dizer e ninguém me compreender. A maior liberdade que possuo é a de poder pensar, meu pensamento é a prova-de-invasores (risos). Mas também tenho a liberdade para concretizá-los, nem que seja em um pedacinho de papel. Tenho meus escritos como fragmentos de mim; poder compartilhá-los me deixa muito feliz; descobrir alguém que se identificou com eles é muito importante; mas surpreender é fascinante. O meu melhor público são os meus amigos (amo)³. Tenho a audácia de ir e vir, até nos lugares mais improváveis. E também tenho o azar de ser mal interpretada. Minha vida possui alegrias e tristezas incontáveis, tantas que apenas o infinito é maior. Sua validade ainda não foi determinada, mas e quem disse que eu quero saber?! O que eu quero é aproveitar esse mundo ao máximo, porque depois daqui, só Deus sabe como vai ser o próximo! E no dia em que Ele me tirar deste e me levar para tantos outros mundos, eu irei vive-los com muito prazer. Viver é o meu melhor. Viver pra mim tem sido assim: feita por momentos que vêem e logo depois se vão, deixando espaço para outros momentos serem vividos.

Page 18: Zinestesia nº1

O baile dos calçados.

Fui ao baile como todos daquela cidade.Cometi o “pecado” de menosprezar a vaidade. Precária era a cor do meu batom. E o lápis: retirei no banheiro por conta de um cisco no olho.Minha vaidade estava nos pés... Mas ninguém olhava para o chão.Ninguém enxergava a beleza além-face-pintada.No meu desleixo, tropeço e perco um dos meus sapatos.Durante o baile, me vi invisível: um sapatinho perdido que ninguém encontrou.Fiquei deslocada; eu não era igual àquela gente.Tantos foram os que dançaram.Apenas os pés calçados tiveram o prazer de desfrutar do salão.E eu?! Rejeitada fiquei. Sem um pé e sem um par. Ninguém foi buscar meu sapatinho. Pois só queriam os pés que já estavam calçados.Fiquei do mesmo jeito que saí de casa. Só que agora, sem calço por conta do pé descalço.Durante a noite, os encantos foram todos se desfazendo aos pares.Eu não tinha encanto para ser desfeito.Princesa sem carruagem, nem maquiagem.Voltei para casa na lama da chuva.Enquanto a chuva que caía, encharcando os meus cabelos, percebi uma melodia suave trazida pelos ventos das esquinas vazias da rua.Fechei os olhos.Era uma melodia vinda da harmonia entre o vento, a chuva e os arbustos.Foi quando alguém falou próximo ao meu ouvido “com esse sapato nunca irá dançar com formosidade, mocinha.”Ele aproximou-se, gentilmente, do meu tornozelo direito e com delicadeza retirou o sapato que me restava. Somente então percebi que seus pés estavam nus também. Olhei o sorriso que havia em seus olhos e inevitavelmente esbocei o meu.No instante seguinte éramos dois pares de pés descalços que dançavam no salão de lama na praça. O ato de rodopiar na lama era de uma formosidade inexplicável.Quando a chuva passara, eu estava encharcada e descalça. Mas não sem um par, não sem ter dançado.

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Tiago Felipe de Almeida Silva19 AnosQual a sensação mais esquisita em escrever?“Me sinto como se estivesse num quarto sozinho e trancado, e começo a ver as palavras voando ao redor de minha cabeça, parece coisa de desenho animado, mas acontece comigo.”Contato:Blog: www.trashescrito.blogspot.comE-mail : [email protected]

O quÊ do quÊ

Hoje senti uma vontade louca de escreverMas escrever do quê?Estou meio assim fora mimContinuo sem perceberQue pra poder escreverNão precisa [O QuÊ]

Daí vou vagando sem noçãoCom lapis e papel na mãoNesse mar de contentação

Ai! Como é ruim você viver assimtenta, tenta, tenta sem conseguirVou tentar sair por aiPara dar uma volta sem mimou sem [eu] como você preferir

Depois que voltar do passeioVou Re-tentar sem receioInspirado por ter dado um tempo de mimEscreverei mais ou menos assim[Escrevi o quê por mim]Sem usar o Quê de mim

Percepção

As vezes não entendo minha menteEla age de uma forma meio que inpertinenteE eu tento não ser tão frioPara que niguém perceba esse meu[Vazio]

Sultilmente penso em me distanciarMas percebo que é melhor não me entregarMe entregar a este disatinoQue deixa meu coração pequenino

E vou caminhando com o mundo na mãoDividido entre o amor e a razãoTentando externar o meu interiorMas meu EGO me torna superior

Quem sabe um dia não sentirei mais dorE agirei gentilmenteMas um dia só irei me comporQuando estiver apto a compreender minha[Mente]

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Vinicius Gomes Pascoal21 (idade real) 13anos (idade mental)O que você faria se tivesse nascido antes da escrita? “Criaria um tratado lingüístico para as crianças surdas-mudas-telepáticase pediria a orientação de Umberto Eco para defendê-la. Mandaria uma cópia para Ronaldo e para nossa inesquecível professora Tany.” Contatos: twitter.com/@nicius_ban ou http://tiny.cc/contato

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Walter Cavalcanti Costa21anosQual a viajem em escrever? “Filme 'taxi driver' diz um pouco melhor do que eu posso elaborar. Quando a gente começa a fazer algo que se identifica, se torna por ser aquilo. Entãoé bem incômodo, mas é isso. Cada vez que tento negar isso, somente atraso minha vida. Escrever me faz ter a certeza que meu trabalho é minha diversão e que todo o resto que parece importante, é apenas passatempo.”Contatos:[email protected]

Minha conversa com o óbvio

-Opa, campeão, vamos entrando, sente-se, por favor, no que posso te servir?

-Bem, eu estou querendo fazer alguma coisa diferente, sabe e estou querendo

saber se você me aceita, sabe, porque poucas vezes você é contrariado...

-Está falando com a pessoa certa, qual é o produto que você tem?

-É arte, senhor...

-Arte? De que tipo?

-Bem... É literatura, um livro de ficção, sabe?

-Muito bom rapaz... E qual é o seu objetivo com esse livro?

-Eu estava querendo ser vanguardista, sabe? Quem não quer hoje em dia?

-Você acha que tem competência pra isso?

-Acho que, modestamente, sim. Brinquei com sua estática...

-Você tem plena consciência que um merdinha classe média como você não tem o

pre$tígio necessário para me peitar, né?

-Bem, eu sei, mas eu só uso o xarope dos fracos que é uma ironia e sarcasmo pobres...

-Ah, sim, está bem, sem problemas, parece que você não é grande coisa...

É um tipo de poesia de suburbano do século XXI...

-É...

-Bem, você não tem lábia, nem qualidade, nem capital de giro pra me peitar...

Então por isso quer se juntar a mim...

-É isso mesmo...

-Garoto esperto... E qual é a ajuda que você quer de mim?

-Eu quero algumas dicas para fazer sucesso...

-Bem, você tem que ter boas amizades com o meio que você aspira, tem que

adequar o seu livro e saber muito bem o que está falando, ter seus tons de rebeldia,

seus surtos de vez em quando, mas sempre ser fixo em seus ideais, tem que ter estilo

profissional e pessoal próprio, tem que melhorar esse seu carisma que está em baixa...

Coisas desse tipo, sabe?

-Sei, sim senhor...

-Mas se eu não conseguir o sucesso?

-Azar o seu. Próximo! E aê meu chapa, tudo bom com você?

A moral é o título

Depois de uma campanha eleitoral tensa, dois candidatos (ambos armados) foram para a única urna de uma cidade tão pequena, tão pequena que só havia quarenta e dois eleitores. Como o lugar era muito pobre, os candidatos não tinham dinheiro de contratar segurança. Ambos só tinham oito balas que estavam em suas armas.Quando a eleição começou, ambos se fixaram em seus respectivos lugares: Ao lado a única urna.Nos primeiros votos eles começaram a discutir: (O cargo de prefeito nessa cidade daria ao eleito um salário de um gari de uma cidade grande) Um, usando verbas públicas em seu último mandato fez uma escola com o custo da obra de 15000 (moeda local).O outro (o iniciante) disse que ele não investiu nada em saúde e saneamento básico.O prefeito disse que com o dinheiro só dava para isso.(A discussão continuou).Quando eles se deram conta que todos os eleitores já tinham votado em branco (todos), eles voltaram abraçados para suas casas. O povo decidiu governar a cidade por conta própria.Moral: Em proporções reais, não sei quando isso vai acontecer.