062 Tesouro Maia

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Text of 062 Tesouro Maia

  • Um pas fictcio da Amrica Central. Um tesouro que os

    ndios maias querem doar ao governo em troca de

    benfeitorias. O irmo do presidente raptado em troca do

    tesouro.

    1968 Lou Carrigan Publicado No Brasil Pela Editora Monterrey

    Ilustrao De Capa: Bencio JVS - 400612 400731

  • CAPTULO PRIMEIRO Prova de identidade

    Um tesouro maia

    Seqestro

    Boa inteno

    Por toda luz, a que proporcionava uma pequena lmpada

    de base flexvel, que dava diretamente sobre o carro da

    mquina de escrever, na qual via-se uma folha de papel

    escrita at a metade. O teclar era velocssimo, suave,

    ouvindo-se apenas no luxuoso escritrio o leve zumbido

    eltrico do motor da mquina quando as teclas ficavam

    momentaneamente em repouso. Sobre o teclado, duas mos

    belssimas, esguias, de um tom que parecia ncar dourado.

    As unhas no eram muito longas e pareciam recortadas em

    madreprola, magnfico remate de uns dedos afilados, geis,

    perfeitssimos. Em todo o escritrio, um perfume sutil, que

    sugeria o de uma rara flor no existente em nenhum lugar

    do mundo. Sobre uma poltrona, na penumbra, um diminuto

    cozinho de raa chihuahua, enroscado, dormitava, vez por outra movendo as agudas orelhas.

    No princpio da pgina escrita estava o titulo daquele

    rascunho, que depois se converteria num grosso volume,

    num verdadeiro tratado que forosamente seria muito

    interessante, pois que a pessoa que o escrevia tinha mais

    conhecimentos que ningum sobre o assunto, O titulo era

    Declogo do Espio. Eis o que estava escrito: Em nosso tempo, a espionagem torna-se uma

    atividade cada vez mais comum. Estende-se por

    isso a necessidade sempre crescente por parte de

    pases, empresas particulares e at mesmo

  • pessoas, ele possuir informaes a respeito de

    outras pessoas, seus projetos suas idias, suas

    tendncias. Deste modo, existe a espionagem

    poltica, militar, industrial, cientfica.

    Tendo-se em conta o progresso considervel

    verificado em todos os setores da atividade

    humana, compreende-se que a espionagem sela

    utilizada como arma poderosa, capaz de fazer

    triunfar ou fracassar aquele.s que, de um ou de

    outro modo, dependem no s de suas

    possibilidades ou talento, mas da capacidade dos

    demais em qualquer ramo do conhecimento.

    Como conseqncia dessa vigilncia mtua

    estabelecida em torno de qualquer criao ou

    ideologia, surge uma concorrncia desleal

    generalizada. Assim, por exemplo, a descoberta de

    determinada vacina num pas pode provocar um

    surto de espionagem, mais ou menos intenso

    segundo a importncia atribuda dita vacina. De

    um modo geral, o espio tem como misso bsica

    a obteno de informaes para o pas que paga

    seita servios; ou, tambm, para seu pas de

    origem, considerando-se a existncia de espies

    que ainda trabalham pelo que se chama

    idealismo.

    De qualquer forma, o espio profissional

    deveria reger-se por um declogo, por dez regras

    normalizadoras de sua atuao. Tais regras, no

    meu entender, so as que se seguem.

    Primeira: a morte no , necessariamente,

    um...

  • A discreta batida na porta do escritrio fez com que

    parasse o teclar. Por cima das mos belssimas, ouviu-se a

    voz da exmia datilgrafa, em tom levemente irritado.

    Entre, Peggy! A porta se abriu e a graciosa empregada nica da maior

    espi de todos os tempos surgiu no limiar.

    Uma visita, miss Montfort. Eu disso que no estava para ningum, Peggy. Tenho

    trabalho.

    Eu sei... Mas o cavalheiro que quer v-la assegura que o motivo de sua visita da maior importncia. Disse,

    tambm, que vem da parte de um grande amigo seu.

    Que amigo? Isso ele no disse. Ele... Est armado? O detector no acusa a presena de arma alguma. Bem... Est bem... Que entre. Mas se dentro de cinco

    minutos no tiver sado, venha avisar-me que estou sendo

    esperada com urgncia no Jornal. Entendido?

    Entendido. Peggy desapareceu. Voltou segundos depois

    acompanhada de um homem, o qual recebeu em cheio a luz

    da lmpada, quando as bonitas mos a dirigiram para a

    porta. Era um homem de trinta anos, cabelos pretos, olhos

    da mesma cor, boca bem desenhada e simptica, embora de

    expresso tristonha, queixo slido, firme. De estatura

    elevada, era delgado e tinha ombros estreitos. Parecia um

    pouco ossudo e de modo algum parecia que o esporte fosse

    sua atividade favorita. Corretamente vestido, exibia uma

  • elegncia natural, inata: um desses homens que, vistam o

    que vestirem, esto sempre bem.

    Seorita Brigitte Montfort? perguntou em castelhano.

    As es respondeu ela no mesmo idioma. Lhe agradeceria que fosse breve, seor...

    Amadeo Torrealba. Lamento t-la interrompido... Eu tambm lamentarei se o motivo de sua visita no

    for to importante quanto disse. Faa o favor de sentar-se.

    O chamado Amadeo Torrealba voltou-se um tanto

    timidamente para Peggy. Segurou a porta, olhou para ela e

    fez meno de fechar. Peggy compreendeu e, como no

    houve contra-ordem por parte de Brigitte, afastou-se.

    O visitante fechou a porta, sentou-se numa poltrona e

    ficou olhando para trs da lmpada, lugar onde devia

    encontrar-se a dona da casa.

    Hmmm... Antes de mais nada, devo dizer-lhe que no venho procura de miss Montfort, mas da agente Baby da CIA.

    No sei se o compreendo, seor Torrealba. Acredito que sim. A coisa muito simples: estou em

    grande dificuldade e um amigo comum assegurou-me que

    s uma pessoa me poderia ser de auxilio.

    Eu? Quero dizer a espi chamada Baby. Quem esse amigo comum, seor Torrealba? Chama-se Nataniel. Mas quando o conheceu, em

    Capri, seu nome era Nathan1.

    1 (ver UM EPISDIO EM CAPRI)

  • Creio que no sei o que est dizendo, seor Torrealba mentiu Brigitte.

    Nataniel advertiu-me que no seria fcil convenc-la. Entretanto, se me permite, tentarei. Quer dizer, o prprio

    Nataniel o tentar por meio de uma carta que trouxe comigo

    para entregar-lhe.

    Uma carta para mim ou para essa agente Baby? Leia a carta sorriu Amadeo Torrealba. Depois

    poderemos prosseguir com o assunto. Est de acordo,

    seorita Montfort?

    Acho que no perderei muito tempo lendo uma carta. Uma das bonitas mos apareceu na luz, apanhou a carta

    apresentada por Torrealba e desapareceu. Depois, no

    escuro, viu-se um delgado raio de luz violcea, que

    percorria lentamente as bordas do envelope, bem como o

    brilho de uma poderosa lupa de forma circular.

    A carta no foi aberta nem falsificada explicou amavelmente o visitante. Asseguro-lhe que genuna sob todos os aspectos.

    Ouviu o rasgar do envelope. Depois uma folha branca

    apareceu na luz, em cima da mquina de escrever. E ouviu-

    se a voz da espi da CIA:

    Querida Baby: Envio-lhe um amigo autntico, um homem que

    merece quanto auxlio voc lhe puder prestar. Seu

    nome Amadeo Torrealba. Incluo sua fotografia e

    impresses digitais, assim como um trecho de

    carta por ele escrita, para que voc possa fazer as

    devidas com provaes. Ele est ao corrente de

    nossa amizade e das circunstncias memorveis

  • em que esta nasceu. Poder responder a todas as

    suas perguntas. Se der alguma resposta errada,

    no se tratar de Amadeo Torrealba, por muitas

    que sejam as provas em apoio dessa pretenso.

    Uma vez dito isto, fica bem claro que minha

    confiana nele total e ilimitada. Tambm posso

    garantir que Amadeo Torrealba jamais trair a

    agente Baby. Peo-lhe, que uma vez comprovada sua identidade, confie nele como o

    faria em mim mesmo, e que o ajude desse modo...

    diablico que a distingue de qualquer outra espi.

    Compreendo que lhe acarretemos grande

    incomodo, mas voc bem sabe que eu faria o

    mesmo por Baby, se a situao fosse inversa. Naturalmente, tambm eu sou um espio

    magnfico, mas no posso ausentar-me de meu

    pais, no momento, j que se esto realizando

    reunies polticas da maior importncia, que

    exigem toda a minha ateno. S em voc me

    atrevo a confiar e peo-lhe que, se nada puder

    fazer por Amadeo, comunique-me imediatamente

    a fim de que eu possa ajeitar as coisas da melhor

    modo possvel para ajudar meu grande amigo.

    Sempre seu,

    com amor,

    NATANIEL

    Parece-lhe convincente? perguntou Torrealba. Sem dvida. Quanto fotografia, sua

    evidentemente. Tenha a bondade de escrever alguma coisa

    neste papel.

  • Amadeo Torrealba apanhou a folha, sacou uma caneta e

    escreveu qualquer coisa, rapidamente. O papel desapareceu

    na sombra atrs da limpada e novamente soou a voz de

    Brigitte:

    S falta confrontar minhas impresses digitais.

    Estou as suas ordens, Baby. Muito obrigado. Amadeo Torrealba

    So palavras muito infantis, no acha? sorriu o visitante.

    O que interessa a forma, no o contedo. Tenha a bondade de colocar os dedos sobre este vidro, apertando

    suavemente.

    Torrealba viu aparecerem agora as mos e os braos,

    aps ouvir o clssico deslizar de uma caixa. Comprimiu os

    dedos contra a lmina de vidro, depois se recostou na

    poltrona. A luz da lmpada dirigiu-se caixa com tampo de

    vidro, sobre a qual foi assestada a mesma poderosa lupa.

    Junto caixa, uma folha de papel na qual estavam

    claramente impressas dez im