1 EDIMILSON MURÍLIOHINGEL - Museu de Arte Murilo .Antenor Salzer Rodrigues, Christina Ferraz Musse,

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    DILOGOSABERTOS2J O S A L B E R T O P I N H O N E V E SC O O R D E N A O

    EDIMILSON MURLIO HINGEL

  • 2

    O projeto Dilogos Abertos do MAMM pode ser

    lido e interpretado a partir de muitas inteligibilidades e

    em funo de muitas imagens do pensamento. A que

    mais me agrada a ideia de uma porta.

    Em Verdade um de seus muitos belos poe-

    mas , Carlos Drummond de Andrade nos convida a

    pensar na metfora de uma porta ou muitas portas,

    como o caso das muitas entrevistas que j se realiza-

    ram no seio desse projeto como umbrais de passa-

    gem em direo ao conhecimento e emoo. Drum-

    mond nos provoca com a imagem de uma porta aberta

    que s permitia passar meia verdade ou meia pessoa

    de cada vez e, desse modo, acreditava-se na impossi-

    bilidade de se chegar a um plano de verdade porque a

    cada opinio apresentada tinha-se apenas o ponto de

    vista daquele olhar. Esse ciclo seguia em frente at o

    momento em que aquela porta fora derrubada e, para

    surpresa de todos, a tal verdade era dividida em me-

    tades muito distintas umas das outras, e ningum po-

    deria chegar, ao certo, a uma ideia exata daquilo que

    era verossmil ou verdico. Provocante, intenso e deses-

    tabilizador, termina o poeta dizendo-nos que:

    Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.Nenhuma das duas era totalmente bela.

    E carecia optar. Cada uma optou conformeseu capricho, sua iluso, sua miopia.

    Ao convidar pessoas que deixaram suas mar-cas na cidade de Juiz de Fora, o projeto Dilogos Abertos do MAMM nos abre muitas portas, embo-ra no nos feche nenhuma delas. Em um horrio definido, sob a aura de um espao singular e carre-gado de significados, entrevistados e entrevistado-res convidados vo ali com o objetivo de deixar

  • Dilogos Abertos

  • DILOGOS ABERTOS

    COORDENAO Jos Alberto Pinho Neves

    Juiz de ForaUFJF/MAMM

    2012

  • by Museu de Arte Murilo Mendes, 2012

    Universidade Federal de Juiz de ForaHenrique Duque de Miranda Chaves Filho Reitor Jos Luiz Rezende Pereira Vice-reitorJos Alberto Pinho Neves Pr-reitor de Cultura

    Comisso Editorial MAMM Antenor Salzer Rodrigues, Christina Ferraz Musse, Edimilson de Almeida Pereira, Jos Alberto Pinho Neves, Sonia Regina Miranda, Valria Faria de Cristofaro, William Valentine Redmond.

    Dilogos AbertosCoordenao, Jos Alberto Pinho Neves. Edio, Katia Dias. Projeto grfico, capa e diagramao, Nathlia Duque. Reviso de texto, Ronald Polito. Fotografia, Alexandre Dornelas. Ficha catalogrfica, Ailcto Mendes Novaes.

    [2012]UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA Pr-reitoria de CulturaMUSEU DE ARTE MURILO MENDES

    Rua Benjamin Constant, 790, CEP. 36015-400, Juiz de Fora, Minas Gerais www.ufjf.br/mamm

    Dilogos Abertos / Jos Alberto Pinho Neves (Coordenador). Juiz de Fora : UFJF/MAMM, 2012.

    168 p. (Dilogos abertos, 2)

    ISBN 978-85-62136-10-8

    1. Arte e literatura - Entrevistas. 2. Literatura Histria e crtica. I. Neves, Jos Alberto Pinho.

    CDU : 7:82(079.5)

  • Sumrio

    APRESENTAO 7(Alm da histria oficial)

    MURLIO HINGEL 10(Educao com dignidade e esperana)

    EDIMILSON PEREIRA 46(A obra literria como pssaro ao vento)

    CLODESMIDT RIANI 86(Um trabalhador mesa dos grandes polticos do sculo XX)

    MAMO 114(Fantasia o meu jeito de viver )

    NATLIO LUZ 142(O rdio nas mos de um arteso do teatro)

  • Dos tempos em que o poeta Murilo Mendes citava sua cidade natal, Juiz de Fora, como um trecho de terra cer-cado de pianos por todos os lados, muitas e significativas mudanas foram registradas. A frase entre aspas, extrada do livro A idade do serrote, publicado em 1968, encerra verdades que se transformaram ao longo dos anos at chegar reali-dade atual, trajetria contida em alguns dos relatos a seguir. A Universidade Federal de Juiz de Fora refaz parte desse percurso graas memria de observadores criteriosos, que nos oferecem o privilgio de contar seus feitos, comparti-lhando histrias que tm o mrito de extrapolar o individual para construir um cenrio mais amplo da vida urbana ao longo do sculo XX e da primeira dcada do novo milnio.

    Neste segundo livro da srie resultante das entrevistas gravadas desde 2007, no Museu de Arte Murilo Mendes, esto reunidas as snteses dos momentos que marcaram a trajetria de personalidades que, de diferentes formas, in-fluenciaram positivamente os nortes sociais, polticos, eco-nmicos e culturais da cidade, abraando a regio, o estado e o pas. O presente volume, que integra o projeto Dilogos Abertos, idealizado pela Pr-reitoria de Cultura, traz o peso e o valor dos grandes seres humanos que tiveram o talen-to, a coragem e a inspirao para seguir suas viagens, sem que perdessem de vista uma Juiz de Fora que, em muitas ocasies, se fez porto seguro para acalentar as ideias e as aspiraes que os motivaram e os distinguiram. Mais uma vez, a terra de Murilo Mendes regada por sonhos que se mostram reais.

    Peas fundamentais para a compreenso do quebra-cabea de nossa histria, os entrevistados desta edio so o professor Murlio de Avellar Hingel, que se distinguiu como minis-tro da Educao e do Desporto no governo Itamar Franco, deixando marcas indelveis no trato tico da questo pbli-ca; o sindicalista Clodesmidt Riani, deputado estadual por trs gestes, considerado um dos homens mais influentes do Brasil em determinado perodo do sculo XX; o escritor Edimilson de Almeida Pereira, conhecido por seu percurso

    ALM

    DA

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    como docente, artista, intelectual e cientista; o compositor Mamo, cuja potica musical surpreendeu o pas a partir da gravao do samba Tristeza p no cho por Clara Nunes; e o radialista Natlio Luz, respons-vel por memorveis momentos do radioteatro local, e cuja estreia, nos palcos do Rio de Janeiro, se deu ao lado da grande dama da dramaturgia brasileira Fernanda Montenegro.

    As entrevistas do projeto Dilogos Abertos cumprem, nesta sequncia, sua funo de clarear a sucesso de aes e pensamentos a partir dos quais se construiu Juiz de Fora. As reminiscncias de uns e as lembranas de outros ganham forma nas pginas que, muito mais do que se preten-derem suporte da memria local, podem funcionar como instrumento de pesquisa, informao e conhecimento para aqueles que acreditam no registro do passado e do presente como fonte potencial a indicar ca-minhos e direes para a construo do futuro. Vista por Plato como a relao primeira da humanidade com o universo sensvel, essa memria o instrumento de que nos valemos para captar, aqui, os muitos aspectos da verdade no oficial, a histria que ainda no havia sido contada.

    Katia Dias

  • O que a memria ama, fica eterno.Adlia Prado in Para o Z, Bagagem, 1976.

  • Nasceu em Petrpolis, Rio de Janeiro, em 5 de abril de 1933. Filho dos comercirios Joo Jos Hingel e Alda dos Santos Avellar Hingel, descende de imigrantes alemes. Chegou em Juiz de Fora antes de completar 2 anos, estabe-lecendo aqui seus principais vnculos. Formado em Geografia e Histria, foi diretor das faculdades de Filosofia e Letras (FAFILE) e de Educao, alm de fundador do Colgio de Aplicao Joo XXIII, ainda na histrica FAFILE. Atuou como ministro da Educao e do Desporto no governo do presidente Itamar Franco e tambm o acompanhou quando governador de Minas Gerais, ocupando a Secretaria de Estado da Educao. poca deste depoimento, integrava a Cmara de Educao Bsica do Conselho Nacional de Edu-cao. Tem ainda participao na criao da Comisso de Patrimnio e Preservao de Juiz de Fora, na revitalizao do Instituto de Educao, dos Grupos Centrais, do Frum da Cultura, abraando tambm a causa do Museu Mariano Pro-cpio. Como homem pblico, possibilitou a aquisio e o restauro de cones locais como o Cine-Theatro Central, o Frum da Cultura e o Museu de Arte Murilo Mendes. Sua contribuio foi relevante nas transaes junto viva de Murilo Mendes, Maria da Saudade Corteso Mendes, con-cretizando, via Universidade Federal de Juiz de Fora, o retorno do acervo e da obra do poeta sua terra natal.

    Sobre Hingel escreveram atentos observadores da edu-cao no pas, entre eles Dom Mauro Morelli, reconhecida liderana da Campanha de Combate Fome no Brasil: [...] Murlio Hingel, educador e ministro, destaca-se no Governo Itamar Franco pela adeso pronta, consciente e generosa ao

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  • desafio e proposta do Movimento pela tica na Poltica... Seu exem-plo poderia ser estmulo para os governantes e servidores pblicos em qualquer parte do mundo. Antnio Jos Barbosa, historiador e profes-sor da Universidade de Braslia (UnB), acrescenta que nas ltimas d-cadas, nenhum ministro da Educao conseguiu ombrear-se com Murlio Hingel na compreenso do significado das universidades brasileiras. Ambas as observaes esto perpetuadas no livro O professor que fez escola, de Jos Eustquio de Freitas e Geraldo Lcio de Melo, que, na quarta capa, faz meno Escola Muriliana como um conjunto de ensinamen-tos baseados na convico democrtica e, sobretudo, humanista desse professor, na magnitude de sua postura tica e moral, na altivez de sua atitude, coerente e lgica, fundada em compromissos muito claros com a educao, com a justia social e com o bem-estar dos mais humildes.

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    Jos Alberto Pinho Neves. Gostaria de saber sobre sua origem e as questes relacionadas com a famlia em Juiz de Fora.Murlio Hingel. Meu pai Joo Jos Hingel era neto de alemes que vieram para Petrpolis, em meados do sculo XIX; e minha me Alda dos Santos Avellar Hingel era de origem portuguesa. Fui o segundo filho; o primeiro morreu pouco depois de nascer. Tenho certa satisfao em dizer que nasci em Petrpolis, Rio de Janeiro, em 5 de abril d