of 68 /68
50 anos Santa Cruz Fumaça C-130 Hércules completa cinco décadas na FAB Base no RJ se prepara para as Olimpíadas Esquadrilha volta com novas aeronaves Melhor aproveitamento de recursos e mais eficiência: conheça a receita para fazer mais com menos NOVAS ROTAS DE GESTÃO DA FAB Out/Nov/Dez - 2015 Nº 246 - Ano 42

AEROVISÃO nº 246 Out/Nov/Dez 2015

Embed Size (px)

DESCRIPTION

NOVAS ROTAS DE GESTÃO DA FAB - Melhor aproveitamento de recursos e mais eficiência: conheça a receita para fazer mais com menos ( edição atualizada em 09/11/2015)

Text of AEROVISÃO nº 246 Out/Nov/Dez 2015

  • 50 anos Santa CruzFumaa

    C-130 Hrcules completa cincodcadas na FAB

    Base no RJ se prepara para as Olimpadas

    Esquadrilha volta com novas aeronaves

    Melhor aproveitamento de recursos e mais eficincia: conhea a receita para fazer mais com menosMelhor aproveitamento de recursos e mais eficincia:

    NOVAS ROTAS DE GESTO DA FAB

    Out/Nov/Dez - 2015 N 246 - Ano 42

  • SG

    T JO

    HN

    SO

    N /

    Ag

    ncia

    For

    a A

    rea

  • MDIAS SOCIAISMDIAS SOCIAIS

    Edio n 246 Ano 42Outubro/Novembro/Dezembro - 2015

    Prepare seu plano de voo

    Quer saber tudo que ro lou na sexta edio dos Jogos Mundiais

    Mil i tares? Confira o Fora Area Blog.#MundialMilitar #ForasnoEsporteAcesse: https://www.forcaaereablog.aer.mil.br

    6 jogos mundiais militares

    GESTO Mais com menosSaiba como unidades da FAB conseguiram tornar os processos administrativos mais geis.

    DEFESAInvestimento com retornoEstudo revela que operaes gata aumentam a arrecadao de impostos com o combate a crimes como o contrabando.

    OPERACIONAL - Foras areas do Brasil e de pases vizinhos treinam juntas para coibir os voos ilcitos em regies de fronteira. Em 2015, as operaes COLBRA e PERBRA exercitaram procedimentos para defesa da Amaznia e combate ao narcotrfi co.

    ENTREVISTAEntre o possvel e o necessrioChefe do Estado-Maior da Aeronu-tica explica os projetos de melhoria de gesto para tornar a Fora Area mais efi ciente.

    08

    24

    2016

    4 AerovisoOut/Nov/Dez 2015

    TEN

    EN

    ILTO

    N /

    Ag

    ncia

    For

    a A

    rea

    SG

    T JO

    HN

    SO

    N /

    Ag

    ncia

    For

    a A

    rea

  • DEFESA

    Veja a edio digital interativa

    Expedio YanomamiFora Area Brasileira apoia organizao no governamental Expedicionrios da Sade para levar atendimento mdico a milhares de ndios em tribos isoladas na Amaznia. 40AmAzNIA

    FAB EM AOAssista reportagem que mostra como a rotina

    dos soldados da Aeronutica. Voc vai conhecer as vrias etapas da carreira desse militar, desde o in-gresso, a progresso, as atividades desenvolvidas e as oportunidades de preparao para o retorno ao mercado de trabalho.

    CONEXO FABMensalmente, voc pode acompanhar os prin-cipais acontecimentos da Fora Area Brasileira. Em outubro, o Conexo FAB tira as dvidas dos candidatos sobre como realizar o teste fsico para ingresso na Fora.

    Veja na FAB TV (youtube.com/portalfab)

    DEFESA AREAA casa da caaCriada para defender reas estratgicas do Pas, a Base Area de Santa Cruz se prepara para os Jogos Olmpicos de 2016.28

    5Aeroviso Out/Nov/Dez 2015

    SD

    SE

    RG

    IO K

    RE

    ME

    R /

    Ag

    ncia

    For

    a A

    rea

    CB

    V.S

    AN

    TOS

    / A

    gnc

    ia F

    ora

    Ar

    ea

  • Fora Area avio no cu, tropa em ao, controladores frente a painis imensos e uma srie de outras atividades onde decises rpidas fazem parte do dia a dia. Mas , tambm, tornar tudo isso possvel. Falamos de um silencioso, planejado, repetitivo e criterioso trabalho realizado nos bastidores, quase sempre de forma annima.

    esperado. Certamente no se tra-tam de atividades com o mesmo nvel de emoo: com pessoas sentadas frente de computadores, at as fotos so desinteressantes. Melhor seria se uma revista como a Aeroviso apenas retratasse msseis e bombas, fizesse o leitor sentir o cheiro e o calor do com-bustvel queimado nas turbinas. Mas sem uma gesto adequada de recursos, nada disso iria ocorrer. A Fora Area poderia ficar no cho.

    Antes mesmo da crise econmica vivida pelo Brasil em 2015, a Aeronu-tica j estava focada em melhorar sua gesto. O objetivo concentrar recur-sos nas atividades-fim, tornando os setores administrativos mais enxutos, menos burocrticos e mais eficientes.

    Um desses exemplos acontece na cidade do Rio de Janeiro, onde uma s unidade absorveu os servios admi-nistrativos de outras nove. O resultado o foco na misso original, no caso, oferecer uma manuteno adequada a aeronaves como os caas A-1. Com me-nos burocracia e mais gente disponvel para o trabalho de ponta, temos mais avies no cu.

    assim que at hoje a frota de C-130 Hrcules continua em operao, da Antrtica Amaznia, aps 50 anos

    de excelentes servios. Uma gesto eficiente leva a uma manuteno efi-ciente e, por sua vez, permite termos uma Fora Area presente na vida dos brasileiros com misses de grande relevncia como transporte de ajuda humanitria e combate a incndios florestais. Essa histria voc tambm confere neste nmero da Aeroviso.

    Gerir os recursos com eficincia garante que, mesmo em perodo de cortes, a Fora Area continue em ao. Nas fronteiras, exerccios binacionais firmam laos com pases vizinhos para ajudar a combater os crimes transna-cionais. No mar, o P-95 modernizado garante a vigilncia de nossas riquezas ocenicas. No Rio de Janeiro, a Base A-rea de Santa Cruz cumpre o seu papel de defender estruturas estratgicas e se prepara para os desafios dos Jogos Olmpicos. Na Amaznia, em parceria com a sociedade civil, a FAB ajuda a levar sade para ndios.

    Por fim, amigo leitor, decidimos destacar o papel dos nossos militares da rea administrativa porque eles trabalham com um profundo respeito a voc. Quando cada centavo bem gas-to, quando a busca pelo aprimoramento constante, h um extremo respeito ao cidado brasileiro. A nossa maneira de agradecer pelos recursos a ns confia-dos saber fazer valer cada um deles. Obrigado pela confiana.

    Boa leitura!

    Brigadeiro do Ar Pedro Lus FarcicChefe do Centro de Comunicao

    Social da Aeronutica

    Gerenciar para voar

    Nossa capa: A arte, elaborada pelo Tenente Rachid Jereissati e pela Sargento Daniele Aze-vedo sobre fotografia do Cabo Vincius Santos, representa todos os militares da Fora Area Brasileira que atuam na rea de gesto. Abaixo, trs destaques sobre o objetivo final da rea administrativa: aeronaves no cu.

    7Aeroviso Out/Nov/Dez 2015

    Aos Leitores

  • ENTREVISTA

    Entre o possvel e o necessrio

    Ao mesmo tempo em que lida com os desafios do presente, de fazer mais com menos, a Aeronutica planeja seu futuro e se concentra cada vez mais na sua misso ins-titucional: Manter a soberania do espao areo nacional com vistas defesa da Ptria.

    Quem explica o Chefe do Estado-Maior da Aeronutica (EMAER), Tenente-Brigadeiro do Ar Hlio Paes de Barros Jnior. Ao longo de 45 anos de servio, o militar acumula passagens por cursos de gesto em universidades do Bra-sil, do Canad e dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que esteve frente de Organizaes Militares como o 1 Grupo de Defesa Area, a Base Area de Anpolis e o Comando-Geral de Apoio.

    Entre os assuntos abordados nesta entrevista esto o novo Plano Estratgico Militar da Aero-nutica, a otimizao dos servios administra-tivos e os projetos de Parceria Pblico-Privada. Tudo para alcanar uma lio aprendida na Escola Preparatria de Cadetes do Ar (EPCAR): a busca pela qualidade.

    GABRILLI DALA VECHIA

    8 AerovisoOut/Nov/Dez 2015

    SG

    T JO

    HN

    SO

    N /

    Ag

    ncia

    For

    a A

    rea

  • Ser preciso rever as nossas necessidades, tanto em termos de

    infraestrutura quanto de recursos humanos, para fazer frente aos novos desafios que se

    descortinam

    9Out/Nov/Dez 2015Aeroviso

  • Aeroviso - Segundo dados divul-gados pela Embraer, nos ltimos anos, cada real investido em desenvolvimen-to de produtos de defesa gerou cerca de dez vezes esse valor em divisas de exportao. Como a Aeronutica tem contribudo para a Base Industrial de Defesa (BID)?

    Ten Brig Paes de Barros - Existem dois pontos que considero de grande importncia no que tange ao desenvol-vimento da BID.

    O primeiro foi a idealizao do CTA (Centro Tcnico Aeroespacial, criado em 1946 em So Jos dos Campos e atualmente designado Departamento de Cincia e Tecnologia Aeroespacial) e a decorrente criao da Embraer, pois a partir de ento o Brasil pde adentrar em um clube de pases produtores de aeronaves, tornando-se um dos maiores do mundo neste segmento de negcios. Para alcanar esse patamar, foram de suma importncia os pro-jetos militares solicitados Embraer, que, por meio de tecnologias duais, proporcionaram Base Industrial de Defesa alar voo em seus programas de cunho civil.

    O segundo ponto, e no menos im-portante, foi que Fora Area buscou incentivar o processo de manuteno de reparveis no Brasil, ou seja, aque-les itens das aeronaves que necessitam de revises peridicas. Assim, muitas vezes aproveitando as clusulas con-tratuais de offset, as empresas nacio-nais buscaram e alcanaram nveis de excelncia nesse tipo de servio. Isso possibilitou s indstrias o domnio completo do ciclo de vida de um determinado projeto. Tais aes no s elevaram a capacidade profissio-nal brasileira, permitindo inclusive a venda desses servios ao exterior, como tambm ofereceram ao Pas uma capacidade estratgica de durar na ao, ou seja, promoveram aumento no tempo de permanncia da Aeronutica em um conflito. uma relao que considero benfica para todos.

    Aeroviso - O COMAER tem insis-tido bastante nos ganhos dos projetos estratgicos como KC-390 e Gripen NG para alm dos benefcios imedia-tos. Tem se falado muito no incentivo transferncia de tecnologia, offset, gerao de empregos, etc. Por que isso bom para o Pas?

    Ten Brig Paes de Barros - H setores industriais no mundo, espe-cialmente o aeronutico, nos quais o contedo tecnolgico vastssimo e muito complexo, por isso seu valor agregado muito alto. Sendo assim, torna-se extremamente difcil penetrar nestes mercados, seja pelas dificulda-des tcnicas intrnsecas atividade, ou mesmo pelas restries do prprio mercado a outros competidores.

    As clusulas de compensao, tambm conhecidas como offset, so importantes para permitirem o acesso

    a novas tecnologias, as quais, agrega-das criatividade do povo brasileiro, fazem nascer projetos como o Em-braer 145, sucesso em toda a aviao regional mundial, alm de aeronaves militares como o Super Tucano e, ago-ra, o KC-390. Esses projetos so fruto da genialidade nacional. Ademais, por trs dessas aeronaves, existem milhares de empregos de alto nvel, melhores salrios e, em decorrncia, melhor qualidade de vida para os bra-sileiros. Isso muito bom para o Pas.

    Aeroviso - O foco da FAB, hoje, ter menos aeronaves, porm, mais operacionais, certo? Na opinio do senhor, nossa frota est adequada s nossas necessidades?

    Ten Brig Paes de Barros - Essa per-gunta me lembrou de nossa velha Escola Preparatria de Cadetes do Ar (EPCAR),

    10 Out/Nov/Dez 2015 Aeroviso

    SG

    T JO

    HN

    SO

    N /

    Ag

    ncia

    For

    a A

    rea

  • Aeronave Braslia sobrevoa a capital federal. O projeto desse avio foi um dos casos de sucesso da Embraer, assim como o Super Tucano e o Embraer 145.

    cujo lema non multa sed multum, signifi-cando que devemos buscar a qualidade e no apenas a quantidade.

    Em primeiro plano, para dimen-sionarmos no s a nossa frota, como tambm toda a estrutura da FAB, ns de-vemos verificar onde queremos chegar, ou seja, o que queremos ser, mediante o estabelecimento de uma concepo estratgica da organizao, que apresen-te a sua viso de futuro. Em seguida, preciso verificar onde estamos, fazendo uma avaliao estratgica das condi-cionantes atuais, observando qual a realidade atual e se ela est aderente ao modelo estabelecido na concepo estra-tgica. Vencida esta etapa, poderemos estabelecer os passos de nossa jornada.

    Nesta direo, o EMAER prev, at o final do ano 2015, apresentar uma reviso do Plano Estratgico Militar da Aeronutica (PEMAER), mediante

    a metodologia citada, o que ir permi-tir ao COMAER uma reordenao de suas prioridades e, em decorrncia, de seus projetos e da aplicao de seus recursos. No tarefa fcil!

    Retornando pergunta, eu diria que estamos, nos dias atuais, em um processo de adequao. H frotas de aeronaves que podem ser reduzidas, algumas que necessitam de moder-nizao e outras que precisam ser adquiridas. O ponto certo ser aquele em que voc consegue estabelecer um equilbrio entre aquilo que possvel e o que necessrio, pois, s vezes, ter mais do que se necessita pode implicar em no se investir naquilo que essen-cial, e vice-versa.

    Aeroviso - O que a Aeronutica pode fazer para ter mais aeronaves disponveis?

    Por trs

    dessas

    aeronaves,

    existem

    milhares de

    empregos de

    alto nvel,

    melhores

    salrios e, em

    decorrncia,

    melhor

    qualidade de

    vida para os

    brasileiros. Isso

    muito bom

    para o Pas

    Out/Nov/Dez 2015 11Aeroviso

  • ...a estrutura segue a

    estratgia

    Ten Brig Paes de Barros -Essa tarefa j vem sendo feita. Aes como a busca de parcerias com a Base Industrial de Defesa, por meio de contratos baseados em clusulas de performance ou pa-gamento por horas de voo, bem como a melhoria na capacitao de nossos recursos humanos vm demonstrando que, com os mesmos recursos, temos atingido metas de disponibilidade cada vez melhores. O foco na atividade de logstica tambm se modificou, locali-zando-se menos no servio e mais no cliente. Parece uma mudana simples, todavia faz grande diferena.

    Para acelerar este processo, no basta apenas ter bons gerentes e mo de obra capacitada. Em ltima anlise, para incrementar a quantidade de ae-ronaves disponveis, preciso que haja recursos e, neste sentido, a logstica tem recebido prioridade dentro do or-amento da Aeronutica, considerando o cenrio vivenciado.

    Aeroviso - A FAB est trabalhando na conduo de uma Parceria Pblico--Privada (PPP) para a manuteno de boa parte da sua frota de aeronaves a partir de 2017. Que ganhos essa parce-ria deve trazer para a FAB? Que outras reas/setores podem vir a se tornar objetos de PPP?

    Ten Brig Paes de Barros - Dentre as vrias vantagens da PPP, esto os contratos de longo prazo (30 anos), permitindo ao ente privado maior segurana nos seus investimentos em infraestrutura e, em contrapartida, via-bilizando a possibilidade de menores custos para o ente pblico.

    A PPP permite, ainda, que receitas extras captadas pelo setor privado possam ser abatidas dos custos do contratante. Ao fim do contrato, todos os investimentos em infraestrutura realizados pela parte privada da PPP retornam FAB.

    No mesmo sentido, o Departamento de Controle do Espao Areo (DECEA) tambm props uma PPP, de maneira

    a atender aos servios de suprimento e manuteno dos equipamentos do Sistema de Controle do Espao Areo Brasileiro (SISCEAB).

    Outros modelos de PPP ainda po-dero ser analisados e implementados na FAB, tais como hospitais, projetos da rea de cincia e tecnologia e outros.

    Aeroviso - Algumas organizaes da FAB esto criando Grupamentos de Apoio (GAP) para centralizar as ativi-dades administrativas e permitir que as unidades se dediquem exclusivamente sua atividade-fim. Quais as vantagens para a Fora nessa mudana? Que uni-dades devem receber um GAP? Que atividades ele vai executar?

    Ten Brig Paes de Barros - Ao longo do tempo, vrias organizaes, por ini-ciativa prpria, iniciaram processos de centralizao de atividades, utilizando--se de suas experincias profissionais locais. A partir de agora, mediante o estabelecimento de uma Diretriz do Comandante da Aeronutica sobre o assunto, o objetivo que toda a admi-nistrao siga a mesma metodologia de implantao, fazendo com que tenhamos as mesmas regras, a mesma legislao e o mesmo modelo.

    Todas as organizaes do COMAER esto sendo apoiadas por um determi-nado GAP, fazendo com que elas pos-sam se dedicar integralmente s suas atividades-fim, enquanto o GAP tratar das atividades concernentes ao apoio.

    J foram criados o Grupamento de Apoio Logstico (GAL), o Grupamento de Apoio do Rio de Janeiro (GAP-RJ) e o Grupamento de Apoio da Sade (GAPS), com caractersticas especficas. Agora, em uma primeira fase do traba-lho, sero criadas unidades de apoio de Anpolis (GO), do Sexto Comando A-reo Regional (VI COMAR, em Braslia), de Pirassununga (SP) e dos Afonsos (na cidade do Rio de Janeiro). Aps a im-plantao dos quatro primeiros GAPs, sero elencadas novas localidades.

    Os principais benefcios sero a eco-

    nomia de meios humanos e financeiros, visto que a mudana deve reduzir sig-nificativamente a quantidade de servi-os redundantes, o preenchimento das lacunas de recursos humanos, a padro-nizao dos processos administrativos, como tambm e o mais importante, o foco na atividade operacional.

    Nessa fase inicial, sero consoli-dadas as atividades de almoxarifado, fardamento, pessoal militar e civil, transporte de superfcie, obteno (licitaes, contratos e pagamentos), protocolo e arquivo, tecnologia da informao (administrativa), subsistn-cia, prefeituras e pagamento de pessoal.

    Para a consecuo desse objetivo, necessrio que todo o efetivo tenha conscincia da importncia desse trabalho, amenizando as reaes con-trrias e buscando solues factveis para vencer os obstculos que podero

    12 Out/Nov/Dez 2015 Aeroviso

  • surgir, pois s assim poderemos ter no futuro uma gesto eficaz e uma gover-nana real das atividades do COMAER.

    Aeroviso - O corte oramentrio em 2015 para a rea de defesa foi de R$ 5,6 bilhes, passando de R$ 22 bi para R$ 17 bi, anunciado em maio. Como funciona esse repasse para as Foras? Qual foi o efetivo corte para a FAB?

    Ten Brig Paes de Barros - preciso destacar que o corte oramentrio foi aplicado somente sobre as Despesas Discricionrias (Outras Despesas Cor-rentes e de Capital - OCC), no sendo aplicvel s Despesas Obrigatrias.

    Neste sentido, o Ministrio da Defesa estabeleceu um corte linear de 21 %, com base no Projeto de Lei de Oramento Anual 2015 para cada Fora e para a Ad-ministrao Central, tendo preservado os recursos destinados ao investimento

    do Sistema de Controle do Espao Areo Brasileiro (SISCEAB). Isso significou uma reduo no oramento do COMAER no valor de R$ 585,4 milhes.

    Alm da reduo ocorrida em maio, houve um segundo corte em julho deste ano, no valor de R$ 108,6 milhes para o COMAER, equivalente a 4,94% sobre o valor remanescente do corte ante-rior. Dessa forma, a reduo total, em relao ao valor inicial do oramento do COMAER foi de aproximadamente 26%, o que equivale a um montante de R$ 694 milhes.

    J com relao aos projetos que fa-zem parte do Programa de Acelerao do Crescimento (KC-390 e F-X2), foram realizados, em maio, cortes pelo Minis-trio da Defesa, priorizando aqueles considerados essenciais.

    Como consequncia, coube ao COMAER um corte oramentrio de

    R$ 160 milhes no projeto de aquisio da aeronave KC-390, tendo sido preservados os recursos destinados ao desenvolvimento desta aeronave, bem como aqueles referentes ao programa da aeronave de combate F-X2.

    Aeroviso - Como foram definidos os cortes no mbito da FAB?

    Ten Brig Paes de Barros-Em ra-zo do cenrio oramentrio que foi estabelecido a partir de julho de 2015, o COMAER viu-se obrigado a aumen-tar as medidas de austeridade e de otimizao do emprego dos recursos pblicos, os quais atingiram todos os segmentos da Fora (administrativos, tcnicos e operacionais).

    Nesse contexto, buscou-se pre-servar ao mximo os compromissos contratuais, de forma a no prejudicar a continuidade dos projetos em anda-

    O COMAER investe em melhorias nos sistemas de gesto da Fora para otimizar o uso de recursos pblicos.

    13Out/Nov/Dez 2015Aeroviso

    SG

    T S

    IMO

    / A

    gnc

    ia F

    ora

    Ar

    ea

  • mento. Contudo, foi necessrio reduzir o esforo areo de 150.000 para 130.000 horas de voo, a fi m de se adequar aos recursos existentes, como tambm preservar o mnimo de treinamento e prontido operacional da FAB.

    Aeroviso - Em que mudanas efe-tivas o COMAER tem trabalhado para se adequar a esse momento sensvel para a administrao pblica? Quais as principais estratgias de gesto a serem adotadas em momentos de conteno de gastos sem paralisar as atividades essenciais da Aeronutica?

    Ten Brig Paes de Barros - Ao longo desta entrevista, foram aborda-das diversas iniciativas e estratgias promovidas pelo COMAER para fazer frente s difi culdades oramentrias, decorrentes da conjuntura econmica atual, de maneira a no interromper os grandes projetos da FAB, os quais tm importncia relevante para o futuro da instituio, como tambm continuar provendo os recursos ne-cessrios ao custeio das atividades

    operacionais e administrativas.Neste foco, ressalta-se o aprimo-

    ramento de processos, a centralizao administrativa, a adequao da frota de aeronaves, a implementao de Par-cerias Pblico-Privadas, dentre outros.

    Contudo, importante verifi car que toda instituio um organismo vivo que convive com infl uncias internas e externas. Isso quer dizer que, embora tenhamos percalos de curto prazo, no devemos apenas observar a instituio em termos de cenrio vigente. Desta maneira, dentro de uma viso de longo prazo, aps o estabelecimento de nossa concepo estratgica, ou seja, defi nir para onde queremos ir, devemos esta-belecer o nosso caminho: o PEMAER.

    Ao longo dos anos, o COMAER vem sofrendo diversas modifi caes na sua Estratgia, muitas delas decor-rentes da transferncia de estruturas que faziam parte do antigo Ministrio da Aeronutica para outros setores do Pas, como o antigo Departamento de Aviao Civil (DAC), a Embraer e a Infraero, o que, de alguma forma,

    sinaliza que precisamos, mais do que nunca, reorientar a nossa viso de futuro.

    Sendo assim e considerando a frase do reconhecido professor de administrao em Harvard, Alfred Chandler, quando cita que a estru-tura segue a estratgia, devemos buscar uma nova fase no COMAER, na qual ser necessrio rever as nos-sas necessidades, tanto em termos de infraestrutura quanto de recursos humanos, para fazer frente aos novos desafi os que se descortinam.

    de suma importncia considerar que os novos vetores areos, tais como o KC-390 e o FX-2, mediante as tecnologias embarcadas, novos armamentos com extrema eficcia e ainda considerando a insero de sistemas de manuteno altamente modernos, tero impacto decisivo na nova viso de futuro da Fora Area Brasileira, bem como nos decorrentes modelos de infraestrutura de apoio. Certamente iro fazer a diferena no porvir da organizao.

    14 AerovisoOut/Nov/Dez 2015

    SG

    T JO

    HN

    SO

    N /

    Ag

    ncia

    For

    a A

    rea

  • HISTRIA

    Em nome da inovaoEscola Superior de Guerra home-nageia patrono de Engenharia da Aeronutica

    Com o nome Destinos do Brasil, a turma de 2015 do Curso de Altos Estudos de Poltica e Es-tratgia (CAEPE) da Escola Superior de Guerra (ESG) escolheu como patrono o Marechal do Ar Casimiro Montenegro Filho, idealizador do Instituto Tecno-lgico de Aeronutica (ITA) e do atual Departamento de Cincia e Tecnologia Aeroespacial (DCTA).

    A contribuio do Marechal Casi-miro Cincia e Tecnologia do Brasil evidenciada pelo atual parque indus-trial brasileiro, explica o Coronel Avan-delino Santana Jnior, da Fora Area Brasileira, um dos alunos da turma. O modelo perseguido por ele se baseava na estratgia defi nida pela trilogia Ensi-no- Pesquisa Indstria, pois imaginava ser primordial o preparo de uma base slida de recursos humanos para a implantao e o desenvolvimento de uma indstria aeronutica, completa.

    Nascido em 1904, Casimiro Monte-negro ingressou no Exrcito em 1923 e foi um dos pioneiros do primeiro voo

    do Correio Areo Nacional entre o Rio de Janeiro e So Paulo, em 1931. Piloto e engenheiro, dez anos depois, com a criao da Aeronutica, entrou na nova fora. Depois de dois anos j ocupava o cargo de diretor tcnico e comeou a idealizar aquilo que um dia seria o ITA. Falecido no ano 2000, hoje patrono da Engenharia da Aeronutica Brasileira.

    Com a homenagem, Casimiro Mon-tenegro integra agora o grupo de patro-nos homenageados por turmas da ESG desde 1950. Entre eles esto nomes como Baro do Rio Branco, Marechal Rondon, Duque de Caxias, Almirante Tamanda-r, Joaquim Nabuco, Rui Barbosa, Ana Nery e Juscelino Kubitschek.

    Em dezembro de 1975, quando recebeu o ttulo de Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Casimiro Mon-tenegro discursou sobre a importncia de acreditar na coletividade. Jamais acreditei em messianismo, estrelismo, concentrao do poder e do mrito em um s indivduo. Sempre trabalhei

    em equipe. E se algum merecimento tenho, o de ter sabido despertar em meus companheiros o entusiasmo, delegar-lhes autoridade com respon-sabilidade, exort-los ao pleno uso de suas potencialidades e qualidades, em proveito do povo brasileiro.

    Formada por 32 integrantes de diver-sos setores da sociedade civil e 34 milita-res das Foras Armadas e estaduais, alm de sete estrangeiros, a turma Destinos do Brasil um desses exemplos de companheirismo visando ao interesse comum: estudar o Brasil.

    Criada em 1949, a ESG comandan-da por ofi ciais-generais dos ltimos postos da Marinha, do Exrcito e da Aeronutica, em sistema de rodzio. Desde 1951, alm de militares, os cur-sos oferecidos pela escola passaram a receber alunos civis. Aps 66 anos de histria, mais de oito mil pessoas j foram diplomadas pela ESG, incluin-do quatro Presidentes da Repblica, Ministros de Estado e personalidades do cenrio poltico brasileiro.

    15Aeroviso Out/Nov/Dez 2015

    AR

    QU

    IVO

  • GESTOGESTO

    Mais com menosReorganizao de unidades da FAB aumenta a eficincia e libera recursos para atividades-fim

    HumBERTO LEITE

    16 AerovisoOut/Nov/Dez 2015

    Responsvel pelos servios de manuteno de aeronaves como os cargueiros C-130 Hrcules e os caas A-1, o Parque de Material Aeronutico do Galeo (PAMA-GL) uma das unidades da FAB que passam por um processo de mudana de ges-to para ampliar o foco na atividade--fim. At 2013, o setor de finanas da Organizao Militar concentrava dez militares responsveis por dar apoio nas atividades de pagamento. Naque-le ano, porm, a sala foi fechada. O Comando-Geral de Apoio (COMGAP) concentrou em uma s unidade, o Gru-

    pamento de Apoio Logstico (GAL), o trabalho da rea de finanas de nove organizaes localizadas no Rio de Janeiro (RJ), incluindo o PAMA-GL.

    Hoje, uma nica seo de finan-as, com quinze membros, cuida de um efetivo total de 3.390 militares na cidade. Antes, s no PAMA-GL, eram dez responsveis pelas atividades burocrticas para um total de 958. Em termos estatsticos, a proporo entre o pessoal de finanas e o total subiu de 95,8 para 226.

    A iniciativa da criao do GAL trouxe benefcios que vo alm da

    reduo do efetivo, na medida em que a maximizao da fora de trabalho consequncia de uma melhor gesto do fluxo de processos, padronizao de procedimentos e melhor controle e acompanhamento da rotina diria, diz o Major Rodrigo Moro Loureiro. Foram concentradas no GAL as atividades de pagamento de pessoal, de licitaes, de celebrao de contratos e de execuo oramentria, financeira e patrimonial, alm da tarefa de elaborar e gerar um nico boletim interno.

    A concentrao de atividades sig-nificou ainda uma reduo de 39,48%

  • Out/Nov/Dez 2015 17Aeroviso

    no nmero de documentos contbeis gerados, como Notas de Empenho e Notas de Servio: de 58.752 baixou para 35.554. Outra comparao poss-vel est na execuo oramentria. Os quinze membros da equipe de finanas do GAL trabalharam com um total de R$ 239.581.016,96 em 2014, enquanto os dez da antiga seo do PAMA--GL trabalharam com um total de R$ 97.535.413,56. Ou seja, um efetivo 50% maior `lidou com volumes financeiros 145,63% maiores.

    O trabalho unificado tambm fa-cilitou o trmite entre o Comando da

    SG

    T WILS

    ON

    ALV

    ES

    (PAM

    A-G

    L)

  • Aeronutica e rgos externos. o caso da Consultoria Jurdica da Unio na ci-dade do Rio de Janeiro. Os 186 processos licitatrios e as 160 atas de registro de preo conduzidas pelo GAL foram en-caminhados de forma centralizada. Em vez de recebermos inmeros processos de vrias unidades, o rgo especiali-zado encaminha apenas um processo, que atender s demandas e necessi-dades de diversas unidades, afi rma a Consultora da Unio, Ana Valria de Andrade Rabelo. Para ela, o GAL uma unidade extremamente produtiva, pois otimiza a contratao ao reduzir custos operacional e de pessoal.

    Busca pela primaziaOutra iniciativa para aumentar a

    efi cincia das unidades foi a criao, em 2013, do Prmio Gesto Contbil do Comando da Aeronutica, que avalia mais de 50 Unidades Gestoras Execu-toras de acordo com o cumprimento do Roteiro de Acompanhamento Contbil, que seguem as diretrizes da Secretaria do Tesouro Nacional. Vencedor em 2015, o Instituto de Controle do Espao Areo (ICEA), rgo responsvel pelo treinamento de controladores de tr-fego areo, alcanou 99,76% de mdia no grau de performance contbil entre julho de 2014 e junho de 2015.

    Para o Secretrio de Economia e Finanas da Aeronutica, Tenente-Bri-gadeiro do Ar Antonio Franciscangelis Neto, a correo e a transparncia so fundamentais para o relacionamento da Aeronutica com o Governo Federal. Alm de motivar as pessoas que traba-lham na rea, o prmio tem tambm o objetivo de mostrar o compromisso com a transparncia dos dados para a toma-da de decises estratgicas, ressaltou o ofi cial-general durante a entrega da premiao ao ICEA, em agosto.

    Essas experincias foram compar-tilhadas em setembro durante o 1 Seminrio de Custos do Comando da Aeronutica, realizado em Braslia. Os palestrantes dos Ministrios da Fazen-

    da e da Defesa, da Marinha e do Exr-cito, alm da prpria FAB, debateram sobre os aspectos da implantao e uso do sistema de informaes de custos.

    O Major Giovanni Magliano Junior, da Secretaria de Economia e Finanas da Aeronutica (SEFA), apresentou a experincia da instituio na gesto de custos e destacou os principais benefcios da utilizao do Sistema de Informaes de Custos (SIC) do governo federal. Um dos aspectos a economia com os servios pblicos. Para controlar os gastos precisamos primeiro medi-los e depois planejar o investimento, explicou o major.

    A subsecretria de Contabilidade Pblica da Secretaria do Tesouro Na-cional, Gildenora Batista Dantas Mi-lhomem, destacou o trabalho realizado pela Fora Area Brasileira. O trabalho passou por um amadurecimento e uma das experincias de sucesso na administrao pblica, disse. Ns colocamos como benchmark da admi-nistrao pblica federal, completou.

    Base Area de SantosOutro projeto para reduo de custos

    com aumento da efi cincia acontece no litoral paulista. Em 2012, uma rea de 1.533.675,84 m da Base Area de Santos foi cedida Prefeitura do Guaruj para a construo do Aeroporto Metropolitano da Baixada Santista. Do terreno restante, um total de 938.240,63 m, o objetivo fi car com 191.017,59 m, o equivalente a 6,8% da rea original. O restante dever ser cedido, alugado ou vendido.

    O objetivo ter uma base enxuta, mas plenamente capaz de cumprir a mis-so de apoiar unidades em operao na rea, explica o Comandante do Quarto Comando Areo Regional (IV COMAR), Major-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno. Livre da obrigao de cuidar de uma grande rea patrimonial, o efeti-vo de 120 militares est agora focado na manuteno de estruturas operacionais, como o hangar, a pista de pouso e o ptio de estacionamento de aeronaves.

    18 Out/Nov/Dez 2015 Aeroviso

    TEN

    EN

    ILTO

    N /

    Ag

    ncia

    For

    a A

    rea

  • Um C-105 Amazonas opera a partir da Base Area de Santos: a aeronave passa por revises no Parque de Material Aeronutico do Galeo, uma das unidades que teve suas atividades administrativas repassadas ao Grupamento de Apoio Logstico para poder se concentrar na manuteno da frota. J a Base tambm passou por mudanas para poder apoiar melhor as operaes areas e a um custo menor.

    19Out/Nov/Dez 2015Aeroviso

    Assista a reportagem sobre o Seminrio de Gesto de Custos

  • DEFESA

    Operao na fronteira melhora contas pblicasEstudo revela que atuao das Foras Armadas e de rgos civis nas fronteiras aumenta a arrecadao de impostos no Brasil

    ALExANDRE GONzAGA

    20 AerovisoOut/Nov/Dez 2015

    CB

    SIL

    VA L

    OP

    ES

    / A

    gnc

    ia F

    ora

    Ar

    ea

  • Operao na fronteira melhora contas pblicas

    Voltadas para o combate a crimes em regio de fronteira, como o contrabando, as Operaes gata aumentam a arrecadao de tri-butos federais. o que revela um estudo realizado pelo Instituto de Desenvolvi-mento Econmico e Social de Fronteiras (IDESF), que observou uma relao direta entre a realizao de operaes nas fronteiras brasileiras e o aumento da arrecadao pblica.

    De acordo com o estudo, o custo mdio de cada edio da Operao gata de R$ 16,3 milhes, menos de 15% do retorno obtido na expanso da receita tributria. H ainda outros be-nefcios no computados, como aes complementares de sade, educao, cidadania e segurana.

    Em 2011, quando ocorreram trs

    edies da gata, a mdia de arrecada-o do Imposto de Importao foi de 7,71% sobre a receita tributria. Porm, nos meses da Operao, o ndice subiu: 9,72%, em agosto; 9,39%, em setembro; e 9,84% em novembro. O mesmo fenme-no ocorreu na arrecadao do IPI, com a mdia anual de arrecadao de 13,41% e a mdia dos meses de Operao sendo de 14,94% (agosto), 16,02% (setembro) e 14,84% (outubro).

    Quando se inibe o contrabando, consequentemente cresce a arrecadao de impostos e a indstria formal volta a ocupar seu lugar no mercado, contribuin-do com a economia e a gerao de empre-gos, diz Luciano Barros, presidente do IDESF. Segundo o Instituto, o Pas deixa de arrecadar em impostos nas regies de fronteiras cerca de R$ 25 bilhes ao ano.

    Foram analisados dados das oito edi-es da Operao gata, realizadas entre 2011 e 2014. O Instituto verifi cou as recei-tas de arrecadao relacionadas com os dois principais impostos que produzem efeitos sobre os produtos importados: o Imposto de Importao e o Imposto de Produtos Industrializados. De acordo com o IDESF, a reduo na oferta de produtos contrabandeados estimula o consumo de artigos fabricados no Brasil ou daqueles importados legalmente.

    Para o conselheiro do IDESF, Fer-nando Bomfi glio, o contrabando um problema muito grave para a socieda-de brasileira porque traz criminalida-de; para o governo traz diminuio na arrecadao fi scal e para empresas traz instabilidade fi nanceira e desem-prego, afi rmou.

    21Out/Nov/Dez 2015Aeroviso

  • OPERACIONAL

    22 AerovisoOut/Nov/Dez 2015

    SG

    T JO

    HN

    SO

    N /

    Ag

    ncia

    For

    a A

    rea

  • 23Out/Nov/Dez 2015Aeroviso

  • OPERACIONAL

    Foras Areas unidas nas fronteirasFora Area Brasileira realiza treinamentos com pases vizinhos para coibir voos ilegais nas regies de fronteira

    HumBERTO LEITELORENA mOLTER

    24 AerovisoOut/Nov/Dez 2015

    Um avio de pequeno porte detectado em voo ilegal em uma regio de fronteira. Ca-as da FAB decolam para a intercep-tao, mas a aeronave irregular logo muda de rota e invade o espao areo de outro pas. Fim da interceptao? Se depender dos acordos entre foras areas da Amrica do Sul, no.

    Em julho e agosto, a FAB realizou os exerccios COLBRA e PERBRA, respectivamente com as foras a-reas da Colmbia e do Peru. Nos dois casos, o objetivo foi aprimorar a coordenao dos chamados Trfe-gos Areos de Interesse (TAI) para combater os crimes transnacionais, como narcotrfi co e contrabando.

    Em resumo, a ideia que se o sistema de defesa area de um pas detecta uma aeronave em rota para o espao do outro sem autorizao, entrar em contato com seu rgo correlato na nao vizinha para ajudar na interceptao. Os exer-ccios serviram para treinar esse procedimento. So dois pases que tm uma fronteira bastante sensvel,

    onde ocorrem muitos ilcitos trans-fronteirios, e tm grande interesse em mitigar esse volume de ilcitos, explicou o Coronel Marcelo Alvim, diretor brasileiro da PERBRA.

    A COLBRA aconteceu entre os dias 13 e 17 de julho e teve como sede as ci-dades de Letcia, na Colmbia, e de So Gabriel da Cachoeira (AM), no Brasil. J a PERBRA ocorreu entre 24 e 28 de agosto a partir das cidades de Pucallpa, no Peru, e de Cruzeiro do Sul (AC), no Brasil.

    Durante os dois exerccios, de um lado uma aeronave proveniente do pas vizinho ingressava no espao areo brasileiro, simulando ser um voo irregular. Cabia FAB detectar a aeronave e coordenar a interceptao por caas A-29 Super Tucano e o pou-so obrigatrio da aeronave invasora. Por outro, um C-98 Caravan da FAB saa do Brasil e ingressava no espao areo estrangeiro e passava pelos mesmos procedimentos de intercep-tao e pouso obrigatrio.

    O desafio maior era garantir a atuao conjunta dos rgos de controle e defesa do espao areo.

    Cabia ao Centro de Operao Militares (COPM) do Quarto Centro Integrado de Defesa Area e Controle de Trfego Areo (CINDACTA IV) trabalhar em sintonia com os rgos dos pases vizinhos. No caso da COLBRA, era o Grupo Areo do Amazonas (GAAMA), enquanto a PERBRA teve a atuao do Comando de Controle Aeroespacial (COMCA).

    Para o Comandante do GAAMA da Fora Area da Colmbia, Coronel Jairo Hernando Orjuela Arelavo, a COLBRA teve papel fundamental no combate ao narcotrfi co. um exerccio operacio-nal bastante importante para a Fora Area Colombiana, visto que, primeiro, nos deixa muito bem treinados contra o narcotrfi co e, segundo, porque adqui-rimos uma grande experincia, como a da Fora Area Brasileira, em exerccios internacionais, afi rmou.

    Houve intensa troca de experincias entre os participantes. Esse exerccio combinado entre as foras areas do Brasil e do Peru muito importante, sobretudo na parte operacional, para que os pilotos troquem experincias e

    CB

    J

    NIO

    R /

    Ag

    ncia

    For

    a A

    rea

  • Foras Areas unidas nas fronteiras

    25Aeroviso Out/Nov/Dez 2015

  • 26 AerovisoOut/Nov/Dez 2015

    estejam preparados para combaterem ilcitos e, neste caso, para combaterem o narcotrfi co, afi rmou o Coronel Am-rico Gonzales, da Fora Area do Peru.

    Aviadores brasileiros voaram a bordo dos jatos A-37 Dragonfly das foras areas do Peru e da Colmbia, enquanto controladores de trfego areo acompanharam as operaes a partir dos centros de controle estrangeiros. Foi interessante observar pilotos militares que executam a mesma misso de defesa area, mas utilizam tcnicas diferentes,

    disse o Tenente Leonardo Teixeira, do Esquadro Escorpio (1/3 GAV), que voou a bordo de um A-37 da Colmbia.

    Os treinamentos so resultado de acordos de cooperao mtua assina-dos entre o Brasil e pases vizinhos para estabelecer procedimentos especfi cos de coordenao voltados para a defesa area na fronteira. A quarta edio da COLBRA e a sexta da PERBRA se in-serem em um planejamento maior de treinamentos que inclui a execuo de outros exerccios da mesma natureza

    com outros pases da Amrica do Sul (veja o infogrfi co na pgina ao lado).

    O Comando de Defesa Aeroespa-cial Brasileiro (COMDABRA) respon-svel pelo planejamento, coordenao e superviso desses exerccios. Para o comandante do COMDABRA, Major--Brigadeiro do Ar Antnio Carlos Egito do Amaral, os exerccios tambm serviram para mostrar a mobilidade da Fora Area Brasileira. importante para marcar a presena da FAB nesse rinco do Pas, afi rmou.

    Assista a reportagens sobre o exerccio PERBRA

    para marcar a presena da FAB nesse

    Mon

    tage

    m s

    obre

    fot

    o do

    CB

    J

    NIO

    R /

    Ag

    ncia

    For

    a A

    rea

  • Operaes de fronteira da FAB

    27Out/Nov/Dez 2015Aeroviso

  • DEFESA AREA

    Guardi do desenvolvimentoLocalizada no corao econmico do Pas, a Base Area de Santa Cruz sede de unida-des de caa e se prepara para defender o cu do Rio de Janeiro durante as Olimpadas

    DANIELE GRuPPI

    28 AerovisoOut/Nov/Dez 2015

    Quatro horas da manh. Dis-para o alarme do sistema de defesa area na Base de Santa Cruz (BASC), na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. O sinal senha de uma possvel ameaa ao espao areo brasileiro. Minutos depois, militares do Primeiro Grupo de Aviao de Caa (1 GAVCA) j esto a postos para decolar com caas F-5 e interceptar o intruso. A invaso do espao areo brasileiro, no entanto, foi s uma simu-

    lao para treinar a prontido daqueles que zelam 24 horas pela segurana do territrio brasileiro.

    Os acionamentos so imprevi-sveis e fazem parte da rotina de treinamentos dos militares. Tudo isso para manter a operacionalidade da unidade responsvel pela defesa area do polo industrial do Sudeste, regio que concentra 58% do Produ-to Interno Bruto (PIB) brasileiro. Na rea de atuao do 1 GAVCA esto

    o eixo Rio-So Paulo e infrastruturas estratgicas como usinas nucleares, indstrias de alta tecnologia e as duas cidades mais populosas do Pas.

    Para que o esquadro cumpra com efetividade a misso, imprescindvel ter a BASC como sede. Partindo da base, os caas chegam a qualquer pon-to da cidade de So Paulo em exatos 20 minutos. Se o destino for Angra dos Reis, apenas cinco minutos. J para Belo Horizonte, 35 minutos. Sobre o

    CB

    V.S

    AN

    TOS

    / A

    gnc

    ia F

    ora

    Ar

    ea

  • Guardi do desenvolvimento

    29Out/Nov/Dez 2015Aeroviso

    centro do Rio de Janeiro, so dezenas de segundos aps a decolagem.

    A posio geogrfi ca tambm jus-tifi ca a presena, na BASC, do Esqua-dro Adelphi (1/16 GAV), preparado para atacar em vrios pontos do Pas. O caa A-1M pode decolar de Santa Cruz e fazer incurses prximas ao eixo Rio-So Paulo e retornar para a base sem a necessidade de reabaste-cimento, explica o comandante do Esquadro, Tenente-Coronel Roberto

    Martire Pires. As misses de ataque tambm podem ocorrer sobre o mar, onde h campos petrolferos, ativida-des pesqueiras e trnsito intenso de navios de carga.

    Exerccios operacionaisAlm do Primeiro Grupo de Avia-

    o de Caa e do Esquadro Adelphi, a infraestrutura da BASC tambm utilizada para sediar treinamentos com a participao de outros esqua-

    dres da FAB e at de outros pases. O nmero de voos pode aumentar em 40% durante esses exerccios, se comparado com os dias normais.

    Em novembro, a Base receber o exerccio operacional USABRA, que vai envolver os caas F-5 e A-1 da Fora Area Brasileira e o porta-avies USS George Washington (CVN-73) da Ma-rinha dos Estados Unidos, com caas F-18. O objetivo verifi car a pronti-do da tripulao para o combate,

  • O esquema de segurana nos Jogos Olmpicos inclui caas, como o F-5, e Aeronaves Remotamente Pilotadas (acima). Os modelos de-vem ficar baseados em Santa Cruz, a poucos minutos das arenas.

    30 Out/Nov/Dez 2015 Aeroviso

    explica o comandante do 1 GAVCA, Tenente-Coronel Rubens Gonalves.

    O exerccio ser apenas mais um com sede na base. Em setembro, foi realizado a Orunganitas II, que contou, pela primei-ra vez, com o lanamento de bombas a partir da aeronave de patrulha martima P-3AM Orion. Para o comandante do Esquadro Orungan (1/7 GAV), Te-nente-Coronel Antnio Ferreira de Lima Junior, a BASC ideal para realizar o trei-namento. Possui todos os equipamentos para armar a aeronave e um aerdromo

    totalmente militar. No teramos como fazer em outra base, afirma

    No s a FAB, mas Marinha e Exr-cito tambm realizam misses em Santa Cruz. Quando a Marinha treina no estande de tiros de Marambaia, ela rea-bastece as aeronaves e troca a tripulao na base. J o Exrcito solicita apoio para as manobras de artilharia antiarea, conta o comandante da Base, Coronel Luiz Cludio Macedo Santos.

    De acordo com o Coronel, a BASC tem capacidade para absorver diversos

    treinamentos. Com 2.300 hectares de rea e o entorno pouco habitado, torna--se seguro utilizar aeronaves armadas. Alm disso, o trfego areo no sofre interferncias de aeronaves civis.

    A proximidade do estante de tiro localizado na restinga de Marambaia, a apenas 18 quilmetros de distncia, tambm contribui para a realizao de treinamentos a partir da BASC. Com alvos mais prximos, as aeronaves gastam menos combustvel em cada misso de treinamento.

    SG

    T E

    LOS

    IO J

    AN

    U

    RIO

    (DE

    CE

    A)

  • 31Out/Nov/Dez 2015Aeroviso

    Em agosto de 2016, os Jogos Olm-picos traro para o Rio de Janeiro mais de dez mil atletas de 206 pases, que iro disputar 306 medalhas em 17 dias de competio. Nos bastidores desse evento, muita movimentao e a montagem de uma estrutura especial para garantir que os holofotes captem somente o brilho dos competidores. Toda essa preparao tambm envolve a Base Area de Santa Cruz, que ser uma das unidades militares respons-

    veis pela segurana do espao areo durante o perodo.

    Segundo o comandante da BASC, Coronel Luiz Cludio Macedo Santos, a base receber cerca de 250 militares de cinco esquadres, que vo atuar em turnos, visando manter a soberania na-cional e a segurana dos voos durante 24 horas. Avies de caa, transporte, helicpteros e Aeronaves Remotamente Pilotadas sero diretamente emprega-dos. Os avies e os militares comeam

    Base Area pea-chave para segurana nas Olimpadas

    a chegar dois meses antes do evento e permanecem at dez dias depois. Como os Jogos Paraolmpicos ocorrem na sequncia, a estrutura operacional ser mantida. Assim, o envolvimento da base deve durar, aproximadamente, quatro meses, explica.

    A BASC tambm teve a mesma atu-ao em outros grandes eventos, como a Copa das Confederaes, a Rio+20, a Jornada Mundial da Juventude e a Copa do Mundo.

    TEN

    EN

    ILTON

    / Agncia Fora A

    rea

  • 32 AerovisoOut/Nov/Dez 2015

    Ao socialO dia a dia da base, porm, no se

    resume atuao dos caas. Santa Cruz forma por ano de 70 a 120 soldados, n-mero que varia de acordo com as vagas disponibilizadas no Batalho de Infan-taria (BINFA) e, em funes auxiliares, nos dois esquadres e nas outras duas unidades sediadas na BASC: o Primeiro Grupo de Comunicaes e Controle (1 GCC) e o Destacamento de Controle do Espao Areo de Santa Cruz (DTCEA--SC). Para muitos jovens, ingressar como soldado a oportunidade de ter uma formao para o mercado de tra-balho ou de seguir na carreira militar.

    A comunidade tambm participa de eventos promovidos pela Base. As aes

    cvico-sociais promovem atendimento mdico e odontolgico, alm de ativi-dades educativas voltadas para a pre-veno de doenas. H ainda palestras sobre cidadania para a juventude, que ocorrem vrias vezes por ano. A base tem essa preocupao de estar junto da populao. Esses eventos mostram nosso trabalho e podem atrair os jo-vens para a carreira militar, explica o comandante da BASC.

    Histria Tombado pelo Instituto do Patri-

    mnio Histrico e Artstico Nacional (IPHAN), o hangar de 274 metros de comprimento, 58 de altura e 58 de largu-

    ra localizado ao lado da pista da BASC foi inaugurado em 26 de dezembro de 1936 para receber o dirigvel Zeppelin. A operao civil durou pouco: j no ano seguinte a Alemanha encerrou os voos comerciais aps a tragdia com o Hin-denburg. Com a criao do Ministrio da Aeronutica, em 1941, Santa Cruz se tornou sede do 1 Regimento de Aviao.

    Durante a Segunda Guerra, a Base recebeu dirigveis da Marinha dos Estados Unidos utilizados em misses de patrulha martima. Aps o confl ito, em 1945, a Base recebeu o 1 Grupo de Aviao de Caa, que combateu na Itlia e at hoje est sediado na Base Area de Santa Cruz.

    Veja o P-3AM Orion lanando bombas no estande de tiro

  • Caas A-1 e F-5 em operao (acima), Ba-talho de Infantaria em treinamento (ao lado) e tcnicos da FAB prepa-rando uma bomba de treinamento para ser lanada por um avio P-3AM (abaixo).

    33Out/Nov/Dez 2015Aeroviso Out/Nov/Dez 2015

    CB

    V.SA

    NTO

    S / A

    gncia Fora Area

    CB

    V.SA

    NTO

    S / A

    gncia Fora Area

    TEN

    EN

    ILTO

    N /

    Ag

    ncia

    For

    a A

    rea

  • FLVIA COCATEjuSSARA PECCINI

    O show voltouA Esquadrilha da Fumaa est de volta. Com novas aeronaves, a apresentao conta tambm com o retorno de manobras

    SG

    T B

    ATIS

    TA /

    Ag

    ncia

    For

    a A

    rea

    Out/Nov/Dez 201534 AerovisoOut/Nov/Dez 2015

    ESQuADRILHA DA FumAA

  • O show voltou

    35Out/Nov/Dez 2015Aeroviso Out/Nov/Dez 2015

  • 36 Out/Nov/Dez 2015 Aeroviso

    As plateias do Brasil e de todo o mun-do j podem novamente admirar e aplaudir as manobras da Esquadri-lha da Fumaa. A reestreia, no dia 3 de julho, ocorreu de forma a preservar a sua misso his-trica de motivar os cadetes da Aeronutica. Foi uma demonstrao na Academia da Fora Area (AFA) para mais de duas mil pessoas, entre militares da FAB e seus familiares. Tam-bm j ocorreram apresentaes em cidades de Gois, do Paran e de So Paulo, alm de Braslia, no dia 7 de setembro.

    Mais potentes e com uma pintura nas co-res da Bandeira do Brasil, os sete A-29 Super Tucano fazem uma apresentao composta de 50 acrobacias durante 35 minutos. Para cada uma delas h uma faixa de velocidade que varia entre 160 km/h e 540 km/h.

    As manobras Chumboide e Lancevaque, que no eram executadas desde os anos 90, puderam ser retomadas com a nova aeronave. Ambas so realizadas pelo piloto da posio de nmero 7, o Isolado.

    A adaptao da Esquadrilha da Fumaa ao novo modelo levou 27 meses de implantao operacional e logstica. Foram 765 voos acro-bticos dedicados exclusivamente ao progra-ma. As manobras comearam a ser testadas a cinco mil ps de altura (1.524m) at serem executadas a 300 ps (91 m), como acontece nas demonstraes. A condio para mudar de fase foi dominar o avio em toda a sua plenitude, avalia o ofi cial de operaes da Esquadrilha, Major lvaro Escobar Verssimo.

    A substituio do T-27 Tucano envolveu 18 pilotos. O perodo de treinamento foi divi-dido em diversas etapas, como aulas tericas sobre o novo avio conhecidas como Ground School - e testes da execuo das manobras em locais pr-determinados pelo Pas, escolhidos de acordo com os diferentes nveis de altitude e temperatura.

    Alm do processo de treinamento dos pilotos, o programa contou tambm com a capacitao de mecnicos de manuteno na nova aeronave e na preparao logsti-ca. Para o comandante da Esquadrilha da Fumaa, Coronel Marcelo Gobett Cardoso, os processos desenvolvidos e a metodo-logia aplicada nos estudos e na atividade area foram fatores de extrema importncia durante todo o programa.

    SustentabilidadeUma novidade adotada com os A-29 Super Tucano que a fumaa

    lanada pelas aeronaves ecologicamente correta. Um novo leo est sendo utilizado e sua queima no agride a camada de oznio nem contribui para o aquecimento global.

    A fumaa muito importante no s pelo traado que faz durante as manobras realizadas pelas aeronaves - facilitando a visualizao por parte do pblico - como tambm serve de referncia para os pilotos que, em voo, tm a ajuda na identifi cao da posio dos outros avies durante uma demonstrao, afi rma o chefe da seo de material, Major Mrcio Aparecido Tonisso.

    O desenvolvimento do sistema de fumaa para os Super Tucanos aconteceu em parceria com os mecnicos da Esquadrilha, do Parque Material de Aeronutica de Lagoa Santa (PAMA-LS) e da Embraer, fabricante do avio. O projeto tambm inclui a criao de um softwa-re especfico para a elaborao de escrita com a fumaa, seguindo a tradio iniciada em 1953, quando, sobre a Praia de Copacabana, o sistema de escrita no cu foi iniciado com apenas trs letras: FAB.

  • 37Out/Nov/Dez 2015Aeroviso

    SG

    T JOH

    NS

    ON

    / Agncia Fora A

    rea

  • Out/Nov/Dez 201538 AerovisoOut/Nov/Dez 2015

    esquerda, a manobra chumbide. direita, a lancevaque. Ambas voltaram a fazer parte da apresentao da Esquadrilha da Fumaa, que tambm inclui manobras com sete avies simultaneamente.

    SG

    T M

    AR

    CO

    RIB

    EIR

    O (E

    DA

    )

  • 39Out/Nov/Dez 2015Aeroviso

    Como agendar a Fumaa? A conhecida Esquadrilha da Fumaa chamada ofi cialmente de Esquadro de Demonstrao Area (EDA) e uma unidade da Fora Area Brasileira. As demonstraes do EDA so coordenadas pelo Centro de Comunicao Social da Aeronutica (CECOMSAER) de acordo com critrios como importncia do evento no cenrio nacional/internacional, pblico estimado durante a apresentao e possibilidades logsticas.

    Para solicitar uma demonstrao, necessrio enviar um ofcio assinado ao CECOMSAER (Esplanada dos Ministrios, Bloco M, 7 Andar CEP: 70045-900 - Braslia - DF) com antecedncia mnima de quatro meses, mencionando nome, endereo, data do evento, telefone para contato e pblico estimado. Recomenda-se sugerir mais de uma data para a possvel demonstrao.

    Vale lembrar que as exibies da Esquadrilha da Fumaa so demonstraes pblicas, gratuitas e de carter institucional, no cabendo, portanto, veiculaes com propsito comercial ou de propaganda poltico-partidria.

    Tecnologia Uma das novas possibilidades tecno-

    lgicas recebidas com os A-29 Super Tu-cano foi o registro de dados de voo pelo computador de bordo, cujos arquivos podem ser interpretados pelo Sistema de Planejamento de Misses Areas (PMA). O PMA permite visualizar os dados em 2D e 3D, onde possvel ver a rota com as referncias no solo. O piloto consegue refazer o voo virtualmente, o que lhe permite lembrar os aconte-cimentos com mais detalhes para tirar lies. A ferramenta ajuda a reavivar a memria do piloto, afi rma o Capito Nilson Rafael Oliveira Gasparelo, piloto da posio N 5 - Ala Es-querda Externa da Fumaa.

    Responsvel por planejar os deslo-camentos do grupo para as apresenta-es, o Capito Gasparelo explica que o software gera economia de tempo e recursos humanos. O trabalho que levava um dia para fazer manualmente, o programa nos ajuda a executar em aproximadamente uma hora, alm de oferecer mais con-fiabilidade dos dados, explica.

    Veja uma apresentao pelas lentes da Esqua-drilha da Fumaa

    SG

    T BATIS

    TA / A

    gncia Fora Area

    SG

    T BATIS

    TA / A

    gncia Fora Area

  • 40 AerovisoOut/Nov/Dez 2015

    IRIS VASCONCELLOS (TExTO)CB V. SANTOS (FOTOS)

    A ajuda do buruburuComo militares e civis unem foras para levar auxlio a ndios em tribos isoladas na regio de fronteira

    AmAzNIA

  • Onde normalmente s possvel ouvir sons da natureza e das tribos indgenas, a presena de um helicptero H-60 Black Hawk da Fora Area Brasileira no poderia deixar de ser um marco. E durante a ltima se-mana de agosto, um buruburu, como os yanomamis chamam os helicpteros, pousou em aldeias para tornar possvel um trabalho que envolveu civis e milita-res com o objetivo de levar qualidade de vida para os indgenas.

    O trabalho, sem fins lucrativos, atingiu as marcas de 237 cirurgias e 1.273 consultas mdicas realizadas em Maturac, comunidade na fronteira do Brasil com a Venezuela, a mais de 850 km de Manaus. Os mdicos voluntrios da organizao no governamental Ex-pedicionrios da Sade contaram com o apoio das Foras Armadas. Somente um helicptero H-60 transportou mais

    de 150 ndios de aldeias mais distantes at o local de atendimento.

    Ns levamos cidadania para esse indivduo. Alm de o ndio ser um yanomami, ele vai ter orgulho de ser um brasileiro, explica o presidente da Expedicionrios da Sade, Ricardo Affonso Ferreira.

    Chiquinho Yanomami foi um dos pacientes. Aos 20 anos, ele sofria com uma hrnia epigstrica e seus movi-mentos estavam limitados, alm de ter dor intensa. De buruburu foi levado para o hospital montado em Maturac e operado com sucesso.

    Um dos mdicos voluntrios, Gui-lherme Carvalho, explica que naquelas comunidades a importncia da cirurgia vai alm da sade. Quem tem hrnia no consegue fazer fora. E na populao indgena quem no faz fora, quem no trabalha, excludo da tribo, explica.

    41Aeroviso Out/Nov/Dez 2015

    A ajuda do buruburu

    Voluntrios, os profissionais da ONG Expedicionrios da Sade j realizaram 33 expedies e contam com o apoio da Mari-nha, do Exrcito e da Fora Area Brasileira.

  • equipamentos e outras sete de gneros alimentcios, alm de combustvel para os geradores.

    De Campinas, de onde partiram os voluntrios, foram mais de trs mil qui-lmetros de viagem. Primeiro, um jato C-99 da FAB, semelhante a modelos co-merciais Embraer 145, fez o traslado at a cidade de So Gabriel da Cachoeira. De l, a viagem seguiu em um cargueiro militar C-105 Amazonas.

    O isolamento um desafi o at para a aviao. Diferentemente do que acontece em outras regies do Pas, se o pouso no for possvel, no h alternativas para chegar s localidades rapidamente. Muitas vezes tem que tomar essa deciso em rota, explica o Tenente Kayo Coelho, piloto do he-licptero H-60 Black Hawk.

    Apesar de a rea estar sob a co-bertura de radares do Quarto Centro Integrado de Defesa Area e Controle de Trfego Areo (CINDACTA IV), que auxilia o voo de aeronaves comer-ciais a grandes altitudes, a regio no conta com equipamentos de auxlio navegao. Tambm no h como realizar pouso por instrumentos.

    Nas aldeias, os tripulantes de he-licpteros sequer tm locais defi nidos de pouso: eles buscam qualquer rea descampada onde possvel tocar o solo com segurana. Muitas vezes, ns encontramos a regio de areal, que exige tcnicas de pouso direto.

    A cirurgia mais executada foi a de catarata: foram 116 procedimentos oft almolgicos ao todo. Como a po-pulao indgena fi ca muito tempo exposta ao sol e fumaa, o apareci-mento dessa doena comum.

    A paciente Adelaide Yanomami j quase no conseguia mais enxergar, o que atrapalhava no trabalho. Agora consigo fazer quase tudo. Antes estava difcil por-

    que eu tropeava, comemora.Ns devolvemos dignidade

    a essas pessoas. Isso mui-to especial, afirma uma

    das coordenadoras da ONG, Mrcia Abdalah. Alm dos mdicos, o

    agradecimento dos indgenas tambm vai para os militares. Ter as Foras Arma-

    das aqui uma honra, garante um dos lderes da

    comunidade de Maturac, Jlio Ges Yanomami.

    Operao militarPara que os 45 profi ssio-

    nais de sade voluntrios pudessem trabalhar

    em Maturac, uma verdadeira opera-

    o de guerra foi montada. Ao todo, a

    Fora Area Brasileira le-vou para l quinze toneladas de

    42 AerovisoOut/Nov/Dez 2015

  • Isso porque, no momento do pouso, o helicptero eleva muita areia, mui-tos detritos. Temos que ter cuidado porque o sopro do helicptero pode desmontar as malocas de palha, res-salta o Tenente Coelho.

    O esforo se justifi ca pela capacidade do Black Hawk. O helicptero consegue levar uma quantidade de pacientes que um avio de pequeno porte no conse-gue transportar, explica Dea Tereza Torres, uma das mdicas voluntrias.

    Voar em misses desse tipo tam-bm exige planejamento no uso de combustvel. Para tornar a Expedio Yanomami possvel, a FAB levou para Maturac um reservatrio de combus-tvel com 10 mil litros. O reabasteci-mento remoto muito usado na regio amaznica para dar mais autonomia s aeronaves.

    misso estratgica para a fronteira De acordo com o Tenente-Coronel

    Rodrigo Fontes, especializado em aes

    de Cooperao Civil-Militar, esse tipo de parceria entre as Foras Armadas e organizaes civis importante em todo o mundo. Est presente em todos os lugares. Vemos jornais desde o apoio nos desastres naturais at o drama dos refugiados de guerras, como na Sria, diz. Segundo ele, nos confl itos atuais necessrio atuar em parceria com organizaes presentes em lugares de conflito, e o trabalho realizado com a ONG Expedicionrios da Sade uma mostra da capacidade da FAB de realizar esse tipo de cooperao e com benefcios reais. Para ns, brasileiros, relativamente distantes dos confl itos ar-mados, a duradoura parceria na regio amaznica entre as Foras Armadas e ONGs proporcionam um alento s comunidades isoladas e re-fora a presena do Estado, conclui.

    O comandante do Peloto Especial de Fronteira (PEF) do Exrcito Brasileiro em Ma-

    turac, Tenente Jlio Csar, concorda. Para ele, a parceria com os indgenas fundamental para proteger a Amaznia. Eles nos auxiliam com conhecimentos. So brasileiros que merecem todo nosso apoio e que tambm nos apoiam, diz. Durante a ao dos Expedicionrios da Sade, o hospital de campanha da ONG foi montado ao lado do PEF.

    J para os voluntrios, levar o aten-dimento mdico ao lugar onde os ndios moram fundamental para preservar a Amaznia. Uma das fi losofi as do grupo que enquanto os ndios estiverem na fl oresta, a fl oresta estar em p. Por isso que ns no simplesmente levamos os pacientes para So Paulo. Os ndios so os melhores zeladores da fl oresta, explica Fbio Atu, mdico cirurgio.

    Essa foi a 33 expedio da organi-zao, criada em 2003. At hoje, com o apoio das Foras Armadas, os voluntrios j realizaram 5.221 cirurgias e 32.229 atendimentos em localidades isoladas.

    43Out/Nov/Dez 2015Aeroviso Out/Nov/Dez 2015

    Acompanhe o apoio da FAB a essa misso

    j realizaram 5.221 cirurgias e 32.229

  • OPERACIONAL

    44 AerovisoOut/Nov/Dez 2015

  • Maiores aeronaves em operao na FAB, os C-130 Hrcules completam 50 anos de misses que vo da selva neve, da paz guerra

    SG

    T BATIS

    TA / A

    gncia Fora Area

    50 anos de peso pesado

    HumBERTO LEITE

    45Aeroviso Out/Nov/Dez 2015

  • 46 AerovisoOut/Nov/Dez 2015

    Se a pintura diferente e a qualida-de das fotos deixam transparecer, a escrita de Fora Area ainda como Fra confi rma a idade da frota de C-130 Hrcules da FAB. So 50 anos como a espinha dorsal da aviao de transporte militar do Brasil. E sua im-portncia pode ser ilustrada com uma curiosidade histrica: antes mesmo do primeiro C-130 da FAB pousar no Brasil, uma misso real j havia sido realizada.

    Era 14 de novembro de 1965. Dali a trs dias, o primeiro C-130 iria decolar dos Estados Unidos para fi nalmente vir ao Brasil. Como os tripulantes ha-viam concludo o curso de formao realizado na cidade norte-americana de Mariett a menos de 24 horas antes, no custava nada dar um pulinho em Washington para carregar material solicitado pela FAB. Foi assim que, h 50 anos, quando o primeiro C-130 foi recebido em uma base area brasileira, o voo no foi um simples traslado: o seu compartimento de carga j estava

    devidamente ocupado por material logstico.

    Essa histria mostra bem o papel da frota de C-130 Hrcules ao longo de cinco dcadas de operao. Da Amaz-nia Antrtica, no Brasil e no exterior, o quadrimotor capaz de levar 20 tone-ladas de carga um pau para toda obra. Suas misses vo muito alm do chamado transporte aerologstico. Tambm esto no rol de atividades o lanamento de paraquedistas, busca e salvamento, combate a incndios florestais, reabastecimento em voo, lanamento de cargas em voo, evacu-ao aeromdica e o suporte misso brasileira na Antrtica.

    Recebido na Base Area do Galeo (BAGL) no dia 19 de novembro de 1965, aps uma escala na Base Area de Natal (BANT), o primeiro C-130 foi seguido de um total de 29, entregues FAB entre 1965 e 2002. Foram onze entre 1965 e 1969, mais cinco em 1975 e 1976 e trs em 1987. O ltimo lote, de

    dez unidades, foi composto por aero-naves usadas da Fora Area Italiana, recebidas a partir de 2001.

    Hoje, a frota menor. As unidades mais antigas foram retiradas de voo e j h at um C-130 no Museu Aeroespa-cial (MUSAL), no Rio de Janeiro. Os 17 remanescentes foram concentrados na Base Area do Galeo, que hoje a casa das unidades operadores do Hrcules: o 1 Grupo de Transporte (1 GT) e o 1 Grupo de Transporte de Tropa (1 GTT). Este ltimo at 2013 estava na Base Area dos Afonsos (BAAF). J o Esquadro Carcar (1/6 GAV), com sede na Base Area do Recife (BARF), operou o C-130 entre 1969 e 1987 na misso de busca e salvamento.

    Essa atividade, por sinal, tem o C-130 como uma aeronave de capaci-dade nica na FAB. Devido a acordos internacionais, o Brasil responsvel por misses de busca e salvamento at o paralelo 10. Ou seja, o limite da rea de responsabilidade brasileira vai at

    AR

    QU

    IVO

  • Abaixo, trs momentos histricos do C-130. Nos anos 60, ainda com a primeira pintura metalizada (1). Nos anos 70, o primeiro KC-130, pintado de branco, inaugurou as operaes de reabastecimento em voo no Brasil, na poca realizado exclusivamente pelo 1 Grupo de Transporte de Tropa (2). E entre 1969 e 1987, a partir do Recife, o Esquadro Carcar reali-zava misses de reconhecimento e de busca e salvamento com seus trs C-130 (3).

    47Out/Nov/Dez 2015Aeroviso

    aproximadamente 3.400 quilmetros em linha reta, saindo do Rio de Janeiro, mar adentro. Para se ter uma ideia, a mesma distncia de voar do Rio at Boa Vista (RR). Sem carga e mais leve, o C-130 faz esse trabalho com uma au-tonomia maior: seu recorde a perma-nncia no ar por 16 horas e 51 minutos, durante a busca a um navio de bandeira cipriota. A rea total de busca e salva-mento sob responsabilidade brasileira totaliza mais de 22 milhes de km2.

    A aeronave que realizou essa mis-so foi um dos dois KC-130. O K vem da palavra inglesa tanker e designa as aeronaves com capacidade de reabas-tecer outras em pleno ar. Nesse caso, o compartimento de carga est ocupado por dois tanques extras de combustvel e cada asa leva um casulo de onde so estendidas as mangueiras de 25 metros de comprimento. O total de combust-vel embarcado em um voo deste tipo

    pode chegar aos 50 mil litros, a serem gastos pelo KC e pelas aeronaves rea-bastecidas. Hoje, no Brasil, podem ser reabastecidos em voo os caas F-5 e A-1 da FAB, os AF-1 da Marinha, alm dos futuros Gripen NG, que esto sendo adquiridos pela Aeronutica.

    Uma curiosidade sobre esse sistema a taxa de transferncia de combustvel. So 2.250 litros por minuto. como se em 60 segundos fosse possvel reabas-tecer uma frota de 46 carros Fiat Uno.

    Apesar de a misso dos Hrcules ser o apoio aos caas em situaes de combate, foi um desses quadrimotores que acabou no meio do fogo. Era o ano de 1979. A guerra civil na Nicargua havia se ex-pandido ao ponto de o governo brasileiro determinar o resgate do seu Embaixador na capital Mangua. O pouso, o resgate e a decolagem aconteceram com sucesso, mas no sem o C-130 voltar para o Brasil com marcas de tiro de fuzil na fuselagem.

    1

    2

    3

    Assista ao FAB em Ao sobre a operao do C-130 na Antrtica

    AR

    QU

    IVO

    AR

    QU

    IVO

    AR

    QU

    IVO

  • 48 AerovisoOut/Nov/Dez 2015

    No foi a nica situao tensa no exterior. Em 1992, em Caputo, na An-gola, a misso de resgate de brasileiros em meio a outra guerra civil foi amea-ada. No solo, o avio foi cercado por guerrilheiros e liberado somente aps muita diplomacia dos militares da FAB.

    Com alcance mximo de 5.325 km, o C-130 foi, desde o incio da sua car-

    reira, um dos principais vetores da pre-sena do Brasil no exterior. J em 1966, antes do seu aniversrio de um ano na FAB, j apoiava as misses de paz no Suez e na Repblica Dominicana. Vieram depois Lbano, Moambique, Congo e Haiti. Naquele mesmo ano foi realizada a primeira volta ao mundo, em 103 horas de voo, com escalas.

    No Haiti, em 2010, quando um terremoto devastou Porto Prncipe e matou mais de 100 mil haitianos, os C-130 foram utilizados em uma verda-deira ponte area montada pela FAB. Na ida, os avies levavam bombeiros, material de apoio, comida, remdios e at gua potvel. A bordo dos C-130, foram enviados para l a equipe de 114 militares e todo o material neces-srio para atuar durante 131 dias e atender 24.184 pessoas. Foram 36.028 procedimentos mdicos, incluindo 1.145 cirurgias e 200 partos.

    Com a aposentadoria dos KC-137, em 2013, os C-130 so hoje nicos em inmeros sentidos. So os nicos a realizarem reabastecimento em voo, nicos a poderem cumprir misses de transporte logstico e de ajuda humani-tria para outros continentes, os nicos capazes de voar misses de busca e salvamento com mais de dez horas de durao, os nicos a chegarem Antr-tica e os nicos a realizarem misses de combate a incndio fl orestal.

    Mas, nos prximos anos isso vai mudar. J est em testes o novo avio de transporte da FAB, o KC-390.

    SG

    T JO

    HN

    SO

    N /

    Ag

    ncia

    For

    a A

    rea

    SG

    T JO

    HN

    SO

    N /

    Ag

    ncia

    For

    a A

    rea

  • Aeroviso 49Out/Nov/Dez 2015

    Os C-130 Hrcules so os nicos avies da FAB a pousarem na Antrtica (foto acima), mas essa a apenas uma das tarefas realizadas. A aero-nave tem capacidade de levar at 20 toneladas de carga (1). Tambm pode fazer o lanamento de paraquedistas ou de carga em voo (2). Na verso KC-130, o interior ocupado por dois tanques de combustvel (3) para operaes reabastecimento em voo. Em ambientes hostis, os C-130 da FAB podem lanar iscas para enganar msseis (4). A grande autonomia tambm aproveitada para misses de busca e salvamento (5). Mais recentemente, os Hercules receberam o equipamento necessrio para atuarem no combate a incndios orestais (6).

    3 4

    1 2

    5 6

    SG

    T JO

    HN

    SO

    N /

    Ag

    ncia

    For

    a A

    rea

    SG

    T JO

    HN

    SO

    N /

    Ag

    ncia

    For

    a A

    rea

    SG

    T JO

    HN

    SO

    N /

    Ag

    ncia

    For

    a A

    rea

    SG

    T JO

    HN

    SO

    N /

    Ag

    ncia

    For

    a A

    rea

    SG

    T JO

    HN

    SO

    N /

    Ag

    ncia

    For

    a A

    rea

    SG

    T B

    ATIS

    TA /

    Ag

    ncia

    For

    a A

    rea

    SG

    T B

    ATIS

    TA /

    Ag

    ncia

    For

    a A

    rea

  • Veja imagens do primeiro voo do jato KC-390

    KC -390 inicia testes

    50 AerovisoOut/Nov/Dez 2015

    Criado pela Embraer para cumprir todas as misses realizadas pelos C-130 Hrcules da Fora Area Brasileira, o jato KC-390 comea em outubro a passar pela chamada fase de certifi cao. A aeronave ter que cumprir todos os pr--requisitos estabelecidos, e para isso passar por uma srie de testes, explica o gerente executivo do projeto na FAB, Coronel Cludio Evangelista Cardoso. O primeiro voo foi realizado em fevereiro, mas agora o KC-390 enfrentar testes que validaro todos os aspectos do projeto. A expectativa de que a nova aero-nave, desenvolvida em parceria com Argentina, Portugal e Repblica Tcheca, consiga realizar todas as tarefas, porm, com a vantagem de poder voar mais rpido e com maior capacidade de carga. A FAB j assinou o contrato para a aquisio de 28 aeronaves.E

    MB

    RA

    ER

  • 52

    2

    1

    3

    4

    4

    35

    1

    Detalhes do KC-390: motores turbofan (1), sistema para ser reabastecido em voo (2), com-partimento de carga sufi ciente para o embarque de blinda-dos (3), duas sondas para reabastecer outras aeronaves em voo (4) e cabine com alta tecnologia (5).

    Propulso: 2 x turbofan Pratt & Whitney Propulso: 4 x turbolice Allison T 56-A-15

    Velocidade mxima: 870 Km/h Velocidade mxima: 592 Km/h

    Teto mximo: 11 000 m Teto mximo: 10 600 m

    Carga ti l: 23 000 Kg Carga ti l: 20 000 Kg

    Tripulao: 3 Tripulao: 5

    51Aeroviso Out/Nov/Dez 2015

  • CB

    V.S

    AN

    TOS

    / A

    gnc

    ia F

    ora

    Ar

    ea

  • HISTRIA

    Unidos pela HistriaSociedade civil e militares se articulam para criar um museu de aeronutica na maior cidade do Hemisfrio Sul

    So mais de onze mil pousos e deco-lagens por ms. E aps 95 anos de funcionamento, o Campo de Marte se prepara para adotar uma rota indita: a preservao da sua histria. Um grupo de civis e militares est atualmente engajado no projeto de criao do Museu de Aero-nutica de So Paulo, que ser erguido na regio central da capital paulista.

    Precisamos cuidar melhor da memria da aviao no Brasil. Nem parece o Pas de Santos Dumont!. O desabafo de quem desde 1966 trabalha no Campo de Marte e sente a necessidade de um espao para preservar a histria. Francisco Souto Emlio, presidente do Aeroclube de So Paulo, acompanhou aeronaves antigas darem lugar a modelos moder-nos sem que existisse uma preservao do patrimnio histrico do local.

    A ideia ambiciosa. Os primeiros esboos traam uma rea construda de

    40 mil metros quadrados, mais 10 mil metros quadrados para um ptio de es-tacionamento de aeronaves e uma rota de acesso pista de pouso do Campo de Marte. Os acervos sero provenientes da Fundao Santos Dumont, da For-a Area Brasileira e do Museu TAM, localizado no municpio de So Carlos, a 250 quilmetros da capital.

    A localizao uma das maiores apostas para o sucesso do novo mu-seu. Vizinho ao parque Anhembi, local que recebe mais de 30% das prin-cipais feiras e eventos de negcios do Brasil, o novo equipamento cultural estar a dois quilmetros de uma esta-o de metr e do terminal rodovirio do Tiet. Com estacionamento para 560 veculos, o Museu ficar prximo Marginal Tiet e Avenida Santos Dumont, vias que ligam as zonas Leste e Oeste, e Norte e Sul da capital paulista. So 24 quilmetros at o Ae-

    roporto Internacional de Guarulhos e 16 at o de Congonhas.

    De acordo com a Empresa de Turismo e Eventos da Cidade de So Paulo, SPTuris, h uma grande von-tade em ter tal museu em So Paulo, informou, via nota. No por acaso: o museu tem potencial de se tornar uma atrao turstica da cidade.

    Para se ter uma ideia, em Paris, o Museu de Le Bourget recebe mais de 260 mil visitantes por ms. Em Washington, o National Air and Space Museum superou a marca de 8,2 milhes em 2012. No Brasil, o Museu Aeroespacial (Musal), no Rio de Janeiro, tem uma mdia anual de 60 mil visitantes, contudo, por estar localizado na Zona Norte da capital carioca, longe dos principais pontos tursticos, a prpria diretoria do Musal pensa em descentralizar seu acervo. J o Museu de Aeronutica

    HumBERTO LEITE

    54 AerovisoOut/Nov/Dez 2015

    TEN

    EN

    ILTO

    N /

    Ag

    ncia

    For

    a A

    rea

  • Unidos pela Histria

    de So Paulo no ter esse problema. De acordo com o Comandante do

    Quarto Comando Areo Regional (IV COMAR), Major-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno, o museu ir ocupar uma rea vizinha ao Hospital de Fora Area de So Paulo. H que se ter uma melhor utilizao dessa rea e o negcio do Campo de Marte a aviao, afi rma. Segundo o militar, o museu ter exposio de aeronaves e tambm de uma grande quantidade de itens ligados histria da aviao. Ns temos um acervo fabuloso, afi rma.

    O prximo passo a Aeronutica defi nir como seria a cesso da rea. H a possibilidade de ser transferida de forma no onerosa, desde que seja para uma Organizao Social ou uma Fundao. Tambm h a ideia de ven-da para alguma empresa que tenha interesse em explorar economicamente o futuro museu. Por enquanto, as

    articulaes acontecem em reunies no IV COMAR, com a participao de profi ssionais da rea de aviao e de instituies como Infraero, TAM, Aeroclube de So Paulo, Associao

    Brasileira de Aviao Geral e Helibras, dentre outras. Nessa hora estamos todos juntos, fi naliza Francisco Souto Emlio, presidente do Aeroclube (foto abaixo).

    Os 40 mil metros quadrados planejados para o prdio principal do museu podero abrigar aeronaves e peas histricas que ajudem a contar a histria da aviao em So Paulo, como o primeiro voo do Correio Areo Nacional, que partiu do Rio de Janeiro e chegou capital paulista em 1931. O equipamento cultural ir ocupar uma rea da Aeronutica ao lado da pista de pouso do Campo de Marte.

    55Out/Nov/Dez 2015Aeroviso Out/Nov/Dez 2015

    SG

    T B

    ATIS

    TA /

    Ag

    ncia

    For

    a A

    rea

  • A cidade de So Paulo no tem nenhuma Base Area nem esquadres da Fora Area, mas estratgica para a defesa do Pas. A explicao est no lado norte da pista do Campo de Marte. Ali est localizado o Parque de Material Aeronutico de So Paulo, unidade da FAB responsvel pela manuteno avanada dos caas supersnicos F-5.

    A defesa area do Brasil depende do PAMA-SP, afirma o Tenente-Coro-nel Fbio Leite, do efetivo da unidade. Segundo ele, a cada 1.200 horas, os jatos F-5 vo para l, onde so com-pletamente desmontados, revisados e remontados. Sai semi-novo, pronto para mais 1.200 horas, explica.

    Nas oficinas do Campo de Marte so realizados testes como raio-X nas fuse-

    Campo de Marte tem presena militar desde os anos 20

    lagens dos caas e utilizao de lquido penetrante para descobrir qualquer falha estrutural. Aps mais de 40 anos de operao na FAB, a manuteno da frota de 57 aeronaves de origem norte--americana totalmente dominada pelos militares brasileiros, que tambm realizam testes dos motores.

    O PAMA-SP recebe ainda os helicp-teros H-50 Esquilo e os motores dos H-60 Black Hawk e H-36 Caracal. A unidade responsvel tambm pela conduo dos projetos de manuteno dos Veculos Areos No Tripulados utilizados pela FAB, os Hermes 450 e Hermes 900.

    O futuro caa da FAB, o Gripen NG, tambm deve contar com o traba-lho realizado no Campo de Marte pelo PAMA-SP. O Parque ter capacidade de fazer revises das 36 aeronaves

    e de alguns itens, em parcerias com empresas envolvidas no projeto.

    E, para o Tenente-Coronel Fbio Leite, essa exatamente uma das principais vantagens da localizao do PAMA-SP no Campo de Marte. Estar na capital paulista significa fcil acesso ao parque industrial da regio. No caso do Gripen NG, por exemplo, haver participao de empresas brasileiras localizadas na sua maioria no Estado de So Paulo.

    Logstica O mesmo discurso adotado pelo

    Coronel Marco Antnio Monteiro. Se voc olhar nossos fornecedores, 80% es-to na regio, afirma o militar do Cen-tro Logstico da Aeronutica (CELOG), unidade responsvel pelo suprimento para toda a Fora Area Brasileira.

    AR

    QU

    IVO

    56 Out/Nov/Dez 2015 Aeroviso

  • Tambm localizado na rea do Campo de Marte, s que na parte do Sul, mais prximo do futuro museu de aeronutica, o CELOG adquire itens como combustvel de aviao, alm de trabalhar com projetos de naciona-lizao de itens. Ao seu lado funciona ainda a Subdiretoria de Abastecimento, que cuida de suprimentos das reas de sade, fardamento e alimentao.

    A presena da Fora Area no Cam-po de Marte completada ainda pelo Quarto Servio Regional de Preveno e Investigao de Acidentes Aeronu-ticos (SERIPA IV), com atuao nos estados de So Paulo e de Mato Grosso do Sul, alm de unidades de apoio do Comando da Aeronutica.

    Hoje responsvel pela manuteno avanada dos caas F-5 da FAB, o PAMA-SP tem suas origens nos anos 20, ainda como parte da Aviao do Exrcito, quando era praticamente a nica construo na rea do Campo de Marte.

    Aeroviso 57Out/Nov/Dez 2015

    do Sul, alm de unidades de apoio do

    SG

    T BATIS

    TA / A

    gncia Fora Area

    SG

    T BATIS

    TA / A

    gncia Fora Area

  • VALORES DA FAB

    Sobreviver queda de um avio no algo que ocorre corriqueiramen-te. Se a queda acontecer em plena selva amaznica, j muito mais difcil. Mas, e sobreviver por duas vezes nessas condies? Com certeza, algo muito raro.

    Agora, imagine sobreviver a duas quedas e ser resgatado pelo mesmo pilo-to, em um intervalo de apenas cinco anos. Pois foi exatamente isso o que aconteceu com o piloto civil Ruy Anselmo Garcia Cndido e com o atual Subcomandante da Base Area de Boa Vista, Tenente--Coronel Jorge Lus de Oliveira Sampaio.

    Em 28 junho de 1999, s 7h, Ruy decolou com uma aeronave Cessna da cidade de Altamira (PA) com destino a Gurupi (TO), para fazer uma entrega de sementes de pupunha. Aos 45 minutos de voo, ele notou que o avio apresenta-va um vazamento de leo, o que no lhe deu outra alternativa alm de fazer um pouso forado. As condies do local, em plena fl oresta Amaznica, exigiam tcnica e um pouco de sorte para que o piloto sobrevivesse. O Cabo Jos Ivaldo Pinho da Silva, um dos participantes do resgate, observou que foi a experincia que salvou Ruy da morte.

    Olhei l de cima e vi uma brecha, mas teria de passar entre vrias rvores. O avio poderia explodir, mas no pen-sei nisso, s em escapar, explica Ruy. A manobra deu certo. O avio bateu no cho, deslizando entre galhos de

    SAuLO VARGAS

    Salvo duas vezespelo mesmo heriEle sofreu dois acidentes aeronuticos na Amaznia e sobreviveu, sendo resgatado pelo mesmo militar da FAB

    Out/Nov/Dez 201558 Aeroviso

    SO

    RO

    G

    RIO

    PR

    AD

    A /

    Ag

    ncia

    For

    a A

    rea

  • Salvo duas vezespelo mesmo heri

    rvores, mas no pegou fogo.O Esquadro Falco (1/8 GAV),

    foi acionado assim que Ruy pediu socorro pelo rdio. Eram 12h20min quando o helicptero decolou da Base Area de Belm (BABE) com destino a Altamira, onde chegou s 14h, rea-basteceu e prosseguiu na busca. Por volta das 16h, o helicptero H-1H, com o ento Tenente Sampaio como um dos pilotos, estava sobre o local da queda, desembarcando a equipe de Busca e Salvamento (SAR).

    Em vez do piloto, os resgateiros, militares que descem de rapel at o local do acidente para realizar o resgate das vtimas, encontraram um bilhete e um abrigo improvisado. O militar, quando chegou ao solo, informou via rdio que havia encontrado uma carta do piloto, na qual ele dizia que havia deixado o local para buscar gua. Nesse momento, ns tivemos a certeza de que ele estava vivo, afi rma o Tenente-Coronel Sampaio.

    As buscas permaneceram durante toda a noite, com os homens de resgate no solo. E no dia seguinte, pela manh, o piloto foi encontrado, ileso.

    Cinco anos aps o episdio, em 24 de agosto de 2004, um novo acidente

    areo levou o agora Capito Sampaio a reencontrar Ruy. Por volta das 7h30min, a Fora Area Brasileira foi acionada devido queda de uma aeronave com quatro pessoas a bordo nas imediaes de Altamira (PA). Mais uma vez, o Es-quadro Falco realizou as buscas, ao lado de aeronaves P-95 do Esquadro Netuno (3/7 GAV) e SC-95 do Esqua-dro Pelicano (2/10 GAV).

    Trinta horas aps o acidente, a tripulao do H-1H avistou um sinal de fumaa no meio da fl oresta ama-znica, porm, dali, no foi possvel encontrar sobreviventes. J em solo, a equipe de resgate localizou Julia da Silva Garcia e Neide Zanquet, fa-miliares de Ruy. Em seguida, foram resgatados tambm o prprio Ruy, que estava com as duas pernas e um brao fraturados, e o seu sobrinho, Gleidson Silva Garcia, com um tor-nozelo quebrado. Os quatro fi caram um dia e meio sem comida e gua no meio da fl oresta amaznica.

    Esses dois salvamentos foram muito importantes, especialmente para mim, pois em 1999 eu tinha aca-bado de me formar na parte operacio-nal no Esquadro Falco e foi muito

    gratifi cante cumprir essa misso. Em 2004, eu j tinha mais experincia. Ento, nesse perodo, eu tive a grata satisfao de realizar esses dois res-gates, salvando o mesmo piloto, o comandante Ruy Anselmo, conta o Tenente-Coronel Sampaio.

    Valores da FABEssa histria voc confere em de-

    talhes na srie Valores da FAB, que mostra, em reportagens de vdeo, a vida e o trabalho de militares que so exemplo de superao e dedicao ao prximo. Assim como ocorreu em 2013 e 2014, a srie ser divulgada no ms de dezembro nos canais de comunicao da FAB.

    Alm desses resgates, outro caso que ser apresentado o de cinco pes-soas, entre elas um beb com apenas doze horas de vida e uma mulher gr-vida de oito meses, que sobreviveram por seis dias na mata at a chegada do Esquadro Harpia. Leia na prxima pgina a reportagem completa sobre essa histria emocionante.

    AR

    QU

    IVO P

    ES

    SO

    AL

    59Out/Nov/Dez 2015Aeroviso Out/Nov/Dez 2015

    Assista a esta e outras histrias emocionantes

  • mRCIA SILVA RAQuEL SIGAuD

    Beb comemora aniversrio de um ano depois de resgate histrico da FAB em Roraima. A caminho do hospital, o monomotor do SAMU caiu na selva com cinco pessoas a bordo

    Um ano de vidaBuSCA E SALVAmENTO

    AR

    QU

    IVO

    PE

    SS

    OA

    L

    Out/Nov/Dez 201560 AerovisoOut/Nov/Dez 2015

  • Um ano de vida

    Talvez no sobre dinheiro para improvisar um bolo no aniver-srio do caula quando outubro terminar. Tinha que fazer, n?, diz meio sem jeito a me, Marinez, que cui-da de cinco fi lhos em dois cmodos de madeira, enquanto Raimundo, o pai, lida com a pesca no rio Branco, em Roraima. Certeza mesmo que o primeiro ano de Ian Vitrio ser o assunto do dia na pe-quena Cachoeirinha, vila de 46 casinhas em meio fl oresta Amaznica.

    Tambm pudera. Mal nasceu na-quele 25 de outubro de 2014 e a vida foi mostrando que o mundo exige coragem, perseverana e resistncia at dos recm--chegados. O primeiro problema foi com a me. A parteira no conseguiu retirar a placenta presa ao tero. A bordo do bar-quinho de alumnio com motor de popa, Marinez e o beb enfrentaram duas horas de viagem durante a madrugada at o posto de sade na comunidade vizinha. Para sair de Cachoeirinha s assim, de voadeira ou avio, explica a dona de casa. E telefone, tem? S um orelho e vive quebrado, lamenta.

    De Santa Maria do Boiau, me e fi lho embarcaram em um Cessna do governo do Estado rumo capital Boa Vista. O caso dela era cirrgico. Enquanto Ma-rinez tomava soro deitada no avio, Ian foi acomodado nos braos de Franoisa, gestante de oito meses que pegava carona para fazer exames na cidade. Piloto, tc-nico de enfermagem do SAMU e os trs passageiros voavam h uma hora e vinte minutos at que o motor simplesmente parou. O nico jeito foi jogar o avio na primeira clareira vista l de cima.

    Mal nasceu (...) e a vida

    foi mostrando que o mundo

    exige coragem, perseverana e

    resistncia

    61Out/Nov/Dez 2015Aeroviso Out/Nov/Dez 2015

  • AR

    QU

    IVO

    PE

    SS

    OA

    L

    Por sorte, ningum se machucou gravemente com o forte impacto. Depois de esperar no meio do nada por trs dias, o grupo decidiu sair em busca de ajuda em direo ao rio.

    Um bilhete deixado no avio indicava a rota dos sobreviventes. Informamos mata perigosa com ona em volta, escreveram em um pedao de papel. A fralda de tecido transparente que protegia o rosto de Ian no foi capaz de evitar quei-maduras na pele do recm-nascido. Com o cansao e o estresse, o leite da me secou. A medicao no conteve mais a hemorragia. A trilha de sangue chegou a atrair animais.

    Ao longo da jornada, o grupo cavou para sorver um pouco da gua mistura-da ao barro. Os homens beberam urina. Apesar de quase ter perdido os rins por causa da desidratao severa, coube ao enfermeiro Anderson Teixeira gerenciar a situao de riscos, vulnerabilidade e de-sespero. Quando Ian comeou a chorar de fome, perguntei grvida Franoisa se ela aceitava amament-lo, para ele no morrer, disse. Mas expliquei que o est-mulo da amamentao poderia provocar um parto precoce ali mesmo na mata. Ela decidiu ser solidria. No quinto dia de caminhada, Marins chega ao pice da fraqueza por causa do sangramento e no consegue mais andar.

    Os prprios sobreviventes fi zeram fotos no local do acampamento com seus aparelhos celulares.

    Out/Nov/Dez 201562 AerovisoOut/Nov/Dez 2015

    AR

    QU

    IVO P

    ES

    SO

    AL

  • TEN

    EN

    ILTO

    N /

    Ag

    ncia

    For

    a A

    rea

    motivos para comemorar Enquanto o grupo lutava para so-

    breviver, equipes de resgate da Fora Area Brasileira vasculhavam a rea com aeronaves SC-105 Amazonas e um helicptero H-60 Black Hawk. Quando o monomotor foi localizado a 200 km de Boa Vista, nova rota de busca foi traada por causa do bilhete deixado pelos sobre-viventes. Alm da mensagem, o Sargento Douglas Gregrio Peixoto guardou no uniforme um gorro de beb deixado ao lado do Cessna. Resgateiro experiente, ele pressentia que, dessa vez, encontraria os ocupantes da aeronave com vida. Liguei para minha me, naquela noite, e prometi que devolveria o gorro ao dono, contou.

    A promessa foi cumprida na ma-nh seguinte, 31 de outubro. O grupo

    respirou aliviado ao ver o Black Hawk pairar sobre eles. Na mesma hora, mais de cinco toneladas de metal se transfor-maram em puro sentimento. A sensao de ver o helicptero foi a mesma de uma criana ao ver o pai voltar depois de t-la abandonado na casa de um estranho, compara o enfermeiro. Enquanto o piloto mantinha o helicptero pairado, as vtimas eram iadas uma a uma abra-adas a Gregrio. Subir a bordo com Ian protegido no peito foi especial. Foi a misso da minha vida, defi ne. Depois da saga, o beb que seria chamado de Ian foi registrado como Ian Vitrio. Um ano depois, pode at faltar dinheiro para comemorar o aniversrio, mas no faltam motivos.

    Abaixo, Sargento Gregrio em dois momentos: em Manaus, na sede do Esquadro Harpia, e du-rante o salvame