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Antonio Jose Fialho

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A Venda em Processo Executivo

Text of Antonio Jose Fialho

  • VENDA EM

    PROCESSO

    EXECUTIVO

    1.1.1.1.as as as as JORNADAS DE ESTUDO JORNADAS DE ESTUDO JORNADAS DE ESTUDO JORNADAS DE ESTUDO DOS AGENTES DE EXECUDOS AGENTES DE EXECUDOS AGENTES DE EXECUDOS AGENTES DE EXECUOOOO

    CENTRO MULTIMEIOS DECENTRO MULTIMEIOS DECENTRO MULTIMEIOS DECENTRO MULTIMEIOS DE EEEESPINHOSPINHOSPINHOSPINHO

    10 de Abril de 201010 de Abril de 201010 de Abril de 201010 de Abril de 2010

    Antnio Jos Fialho

    Juiz de Direito

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    I INTRODUO

    Com a entrada em vigor em 15 de Setembro de 2003 do Decreto-Lei n. 38/2003, de 8 de Maro (rectificado pela Declarao de Rectificao n. 5-C/2003 publicada no 3. Suplemento ao Dirio da Repblica I. srie-A de 30/04/2003 e alterado pelo Decreto-Lei n.os 199/2003, de 10 de Setembro, rectificado pela Declarao de Rectificao 16-B/2003, publicada no Suplemento ao Dirio da Repblica I. srie-A n. 253 de 31/10/2003), o Cdigo de Processo Civil foi objecto de profundas alteraes no mbito do regime jurdico da aco executiva.

    Em consequncia desta Reforma da Aco Executiva, o agente de execuo foi incumbido de todas as diligncias de pendor propriamente executivo, com destaque para a generalidade dos actos de venda e pagamento e todos quantos relativamente a estes desempenham uma funo instrumental, tais como as citaes, as notificaes ou as publicaes.

    Com as alteraes introduzidas pelo Decreto-Lei n. 226/2008, de 20 de Novembro, o regime jurdico da aco executiva sofreu um conjunto de transformaes, consubstanciadas na redefinio das competncias do juiz de execuo e do agente de execuo e na tramitao processual emergente daquela redefinio.

    Com este diploma, o legislador assumiu como objectivos a simplificao e eficcia da aco executiva, conferindo maiores competncias ao agente de execuo, eliminando formalidades processuais consideradas desnecessrias, promovendo a eficcia do processo executivo e evitando ainda as aces judiciais desnecessrias.

    Assim, a interveno do juiz passa a ter um carcter excepcional, s ocorrendo para situaes expressamente previstas na lei, sem prejuzo de um poder geral de controlo do processo (artigo 265. do Cdigo de Processo Civil), a iniciativa passa a caber ao agente de execuo, a quem compete efectuar todas as diligncias do processo de execuo e ainda providenciar pelo normal andamento do processo, determinando e realizando oficiosamente todas as diligncias necessrias realizao coerciva do direito do exequente (regra da oficiosidade dos actos processuais).

    Dessa transferncia foram naturalmente excludos certos actos que apresentam natureza jurisdicional e outros para os quais os preceitos ou princpios constitucionais impem a interveno do juiz (princpio de reserva de jurisdio), nomeadamente aqueles que dizem respeito ao exerccio de direitos fundamentais ou aquelas intervenes reclamadas pela natureza dos actos e das questes suscitadas (artigo 809. do Cdigo de Processo Civil).

    A interveno do juiz impe-se sempre que, na aco executiva, estejam em causa interesses que, face ao texto constitucional, estejam sob reserva do juiz.

    Com efeito, sendo a execuo destinada satisfao efectiva do direito do credor, esta deve ser realizada custa do patrimnio do devedor, protegido pelas garantias constitucionais conferidas propriedade privada no obstante o regime da execuo ser estruturado sobre o princpio favor creditoris (Miguel Teixeira de Sousa, A Aco Executiva Singular, Lex, 1998, 3.II.1).

    Entre a satisfao efectiva do direito do credor e o direito do devedor integridade do seu patrimnio deve resultar um princpio geral: - o sacrifcio do patrimnio do devedor s admissvel desde que absolutamente necessrio satisfao do direito do credor.

    A Constituio da Repblica Portuguesa assenta na dignidade da pessoa humana pelo que desta posio de princpio decorre a tutela reflexa de mltiplos valores que podero ser afectados pelo executado na aco executiva.

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    Com a transferncia de poderes de um magistrado judicial para o agente de execuo, bem como da supresso de algumas intervenes liminares do tribunal, quer em sede de citao do executado, quer ainda e com consequncias potencialmente mais graves, em matria de penhora ou alienao, o sistema formal de garantias do executado pode ser posto em crise pelas garantias que rodeiam genericamente a prtica de actos executivos.

    A alienao dos bens penhorados constitui, objectivamente, uma violao do direito de propriedade do executado. Todavia, essa leso legalmente justificada em favor de um interesse considerado predominante: - a satisfao do direito do credor lesado e dentro de uma clusula geral de proporcionalidade ou adequao (artigos 821., n. 3 e 834., n.os 1 e 2, ambos do Cdigo de Processo Civil).

    Assim, o princpio orientador da actuao do agente de execuo o de que esta se encontra estritamente subordinada prossecuo daquele objectivo, com observncia das regras legais que delimitam a apreenso e posterior alienao dos bens.

    Consequentemente, a actuao do agente de execuo que extravase tal propsito, traduzindo-se na violao culposa de direitos do executado ou de normas que protejam interesses desse sujeito, na medida em que seja causadora de danos, permitir ao executado exigir o ressarcimento dos prejuzos sofridos, podendo tambm verificar-se a eventual existncia de responsabilidade criminal do agente de execuo.

    Deste modo, e em particular na fase da venda dos bens penhorados, o agente de execuo decide sobre a modalidade da venda, determina o valor base de cada bem, organiza a venda quando ela se efectuar em depsito pblico e, tambm, nos casos de negociao particular, havendo acordo de todos os intervenientes.

    Por seu turno, a interveno do juiz de execuo continua a ser obrigatria: -

    a) - na venda antecipada em que seja necessria uma deciso imediata devido urgncia da venda (artigo 886.-C, n. 3 do Cdigo de Processo Civil);

    b) - quando se deva proceder venda por negociao particular e haja urgncia na realizao da venda (artigo 904., alnea c), do mesmo Cdigo);

    c) - na abertura de propostas em carta fechada de imveis (artigos 893., n. 1 e 901.-A, n. 2, ambos do Cdigo de Processo Civil);

    d) - quando haja reclamao sobre a deciso da modalidade da venda e do valor dos bens (artigo 886.-A, n. 7 do citado Cdigo);

    e) - quando no haja acordo sobre a pessoa incumbida de realizar a venda por negociao particular (artigo 905., n. 2 do referido Cdigo);

    f) - quando haja irregularidades na venda em estabelecimento de leilo (artigo 907., n. 1 do Cdigo de Processo Civil);

    g) - na deciso sobre a invalidade da venda (artigos 908. a 911., todos do Cdigo de Processo Civil).

    A dinmica do processo executivo exige uma tramitao sequencial e eficiente do processo por parte do agente de execuo com vista a obter a satisfao dos interesses do exequente, acautelando os interesses do executado ou de terceiros, e, se necessrio, sob o controlo do juiz de execuo, no tanto na perspectiva de conduzir o processo mas sim

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    para ultrapassar as dificuldades que o agente de execuo encontre ou para dirimir os conflitos que se suscitem no mbito do processo executivo1.

    justamente nas ltimas fase deste processo que a interveno do juiz de execuo se deve colocar apenas no mbito do poder geral de controlo ou circunscritas a intervenes especificamente estabelecidas, assumindo o agente de execuo a funo primordial de direco dos actos executivos que devem ser realizados.

    Visando a execuo o pagamento das despesas nela ocorridas e os crditos do exequente e dos credores com garantia real sobre os bens penhorados, aquela no deve prosseguir logo que o produto de alguns dos bens vendidos seja suficiente para assegurar esses pagamentos. Servindo a execuo de instrumento a esse fim, uma vez ele alcanado, justifica-se a sustao da venda sobre os demais bens penhorados uma vez que esta instrumental aos fins da execuo (artigo 886.-B, n. 1 do Cdigo de Processo Civil).

    Na execuo para pagamento de quantia certa, o pagamento aos credores pode ser feito (artigos 872. e 882. a 885., todos do Cdigo de Processo Civil): -

    a) - pela entrega de dinheiro;

    b) - pela adjudicao dos bens penhorados;

    c) - pela consignao judicial dos seus rendimentos;

    d) - pelo pagamento em prestaes;

    e) - pelo produto da venda dos bens penhorados.

    No mbito desta interveno, iro apenas ser analisadas algumas questes relativas ao pagamento realizado atravs da adjudicao ou pelo produto da venda dos bens penhorados, assim como algumas vicissitudes que podem surgir nesta fase processual, decorrentes da redefinio de competncias estabelecidas pelo Decreto-Lei n. 226/2008, de 20 de Novembro.

    II ADJUDICAO DOS BENS PENHORADOS

    A finalidade de qualquer execuo para pagamento de quantia certa obter uma determinada soma com a venda dos bens penhorados de forma a satisfazer o crdito do exequente e dos credores reclamantes.

    Contudo, pode acontecer que o exequente ou o credor reclamante tenham interesse em adjudicar os bens penhorados, de forma a satisfazer, total ou parcialmente, o respectivo crdito.

    A adjudicao consiste em atribuir ao credor a propriedade dos bens penhorados suficientes para o seu pagamento e, de forma diferente relativamente venda executiva, no visa obter dinheiro para com ele pagar ao credor mas satisfaz-lo directamente mediante a entrega de determinados bens do executado, anteriormente penhorados.

    A adjudicao pode ser requerida pelo exequente mas tambm por qualquer credor reclamante em relao aos bens sobre os quais haja invocado garantia. Havendo j sentena de graduao de crditos, a pretenso do requerente apenas atendida se o seu

    1 Como se afirma no prembulo do Decreto-Lei n. 226/2008, de 20 de Novembro, o si

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