Canal t£­pico trapezoidal Canal t£­pico 2016-04-18¢  Canal t£­pico trapezoidal Canal t£­pico retangular

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    RIOS E CIDADES: RUPTURA E RECONCILIAÇÃO

    Figura 69: Alternativas de tratamento do canal em função das áreas disponíveis e respectivas características hidrológicas - capacidade e velocidade do canal

    FONTE: LARRMP (2005, p. 39).

    Canal típico trapezoidal Canal típico retangular

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    RIOS E CIDADES: RUPTURA E RECONCILIAÇÃO

    3.2.7 Implementação

    O Plano de Revitalização do Rio Los Angeles encontra-se em fase de implementação, sendo

    que são estabelecidos mecanismos de revisão e readequação com o acompanhamento cons-

    tante dos resultados obtidos.

    Um dos destaques do plano é a preocupação de mitigar o processo de gentrifi cação. Trata-se

    de um processo controverso que afeta a população de baixa-renda e a disponibilidade de

    empregos. Ocorre quando há renovação e, conseqüentemente, aumento do valor da pro-

    priedade, expulsando a população original. Em Los Angeles, de acordo com o plano, a mu-

    dança do uso industrial para residencial ou misto pode gerar um aumento de 200 a 300%

    do valor da terra.

    Em caso de remoção da população para outros bairros, o plano prevê mecanismos para

    atenuar o impacto social incentivando a participação da comunidade e sua interação com

    o plano durante o processo de desenvolvimento. Estabelece ainda uma porcentagem das

    unidades residenciais, controladas por agências e sistemas de fi nanciamento e suporte para

    desenvolvimento de programas de assistência às famílias e incentivo aos negócios (comér-

    cios e serviços).

    Os principais benefícios esperados com a revitalização compreendem a assimilação da im-

    portância do rio pelas atuais e futuras gerações, entendendo-o como a espinha dorsal verde

    que conecta a natureza às comunidades, e como a alma da cidade.

    Figura 70: Propostas de recuperação dos trechos canalizados à curto e longo prazo

    FONTE: LARRMP (2005, p. 62 e 63).

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    3.3 O Plano de Recuperação da Orla do Rio Anacostia11

    Com o intenso processo de urbanização, o rio Anacostia tornou-se uma barreira que difi cul-

    tava a integração do quadrante sudoeste do Washington D.C., em relação aos demais qua-

    drantes da capital nacional dos EUA. O plano de revitalização foi elaborado para revitalizar

    o tecido urbano adjacente à orla do rio Anacostia.

    Elaborado por agências locais, órgãos públicos, iniciativa privada, organizações não go-

    vernamentais e a sociedade civil, o Plano aborda questões sobre: recuperação ambiental,

    adequação do sistema de drenagem e tratamentos das águas pluviais, melhoria do sistema

    de circulação e transporte, revitalização dos bairros, aumento da economia e do orgulho

    cívico.

    Há, porém, uma meta mais ambiciosa: a de fortalecer a competitividade da capital no cená-

    rio nacional e internacional.

    O Plano, que está em andamento, com as propostas iniciais previstas para terminar em 2010,

    vem sendo sistematicamente publicado em revistas especializadas, como referência de pla-

    nejamento urbano e ambiental, sendo citado em outros estudos sobre recuperação de rios

    urbanos como, por exemplo, o ERD (Ecological Riverfront Design).

    3.3.1 Contextualização

    Caracterização do sítio

    O rio Anacostia tem aproximadamente 58 km de extensão. Nasce em Maryland, percorrendo

    Washington D.C.12, capital dos EUA, e deságua no rio Potomac, na baía Chesapeake.

    A bacia hidrográfi ca do rio Anacostia abrange uma área de 440 km² (Figuras 71 e 72), com

    ecossistemas variados e habitats exuberantes. No período pré-colonial foi habitada pelos

    indígenas americanos, da tribo Nacotchtank, que deram ao rio o nome de origem indígena

    “Anacostia”.

    A área dentro do distrito de Columbia corresponde a 98,4 km²; porém, a área de intervenção

    estabelecida pelo plano é de apenas 11,4 km². Em relação ao comprimento linear total do rio

    (58 km), o mesmo percorre o Distrito de Columbia por 10,9 km, sendo que, deste total, cerca

    de 3 km são confi nados no canal de Washington (Figuras 73 e 74).

    11 A análise deste estudo de caso tem como principais referências: 1. O plano intitulado: “Anacostia Waterfront Fra- mework Plan” (Plano de recuperação da Orla do Rio Anacostia) - Washington, EUA (2003); 2. O artigo From divider to uniter: the nation’s capital shifts its 21st-century growth to a forgotten river, de autoria de George Hazelrig publicado em Landscape Architecture, v. 98, n. 3, mar. 2008, e revista Landscape Architecture, v. 95, n. 6, mai. 2005.

    12 Washington, DC é a capital dos Estados Unidos da América e DC é a abreviação de District of Columbia.

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    RIOS E CIDADES: RUPTURA E RECONCILIAÇÃO

    Figura 71: A bacia hidrográfi ca do rio Anacostia e o Washington D.C.

    FONTE: Disponível em: . Acesso em 03 mar. 2008

    Figura 72: Washington é dividido em quatro quadrantes: noroeste, nordeste, sudeste e sudoeste, delimitados por eixos que determinam a posição do edifício do Capitólio

    FONTE: Disponível em: . Acesso em 03 mar. 2008

    Figura 73: Bacia Hidrográfi ca do rio Anacostia

    Fonte: “The Anacostia Waterfront Framework Plan - District of Columbia, Offi ce of Planning” (2003, p.26)

    Figura 74: Localização da área do plano de intervenção

    Fonte: “The Anacostia Waterfront Framework Plan - District of Columbia, Offi ce of Planning” (2003, p.4)

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    RIOS E CIDADES: RUPTURA E RECONCILIAÇÃO

    A evolução da apropriação do rio e impactos decorrentes

    No século XVII, o rio Anacostia era a principal artéria de transporte da cidade de Washington

    e, também, suporte para pesca e agricultura extensiva ao longo da bacia. Navios desfruta-

    vam de um canal navegável até o porto de Bladensburg, Maryland, agricultores encontra-

    vam terras férteis e o rio Anacostia era repleto de peixes.

    Em 1799, Washington se tornou a capital do país. A cidade passou a ser a principal porta

    de recepção de materiais para a construção dos novos edifícios monumentais da cidade,

    incluindo o Capitólio. A prática de limpeza e corte de fl orestas, a agricultura do tabaco e

    as atividades industriais poluíram o Anacostia. Além disso, o assoreamento foi alterando a

    profundidade do rio, reduzida de 12,2 m para apenas 2,4 m, impedindo a navegação.

    Com a construção do sistema de coleta de esgoto de Washington na década de 1880, o rio

    Anacostia passou a receber todo o esgoto da capital em desenvolvimento. As zonas alaga-

    das ao longo da costa se tornaram criadouros de mosquitos e focos de malária. Em 1901,

    o Senado deu início ao Plano McMillan (Figura 75), permitindo construções na orla do rio

    para substituir as zonas úmidas, como meio de combater doenças, melhorar as condições de

    saúde pública e estabelecer áreas de parque para o crescimento da cidade.

    Figura 75: Projeto para o “Mall”, Plano McMillan, 1901

    Fonte: “The Anacostia Waterfront Framework Plan - District of Columbia, Offi ce of Planning” (2003, p.13)