Como Falar Corretamente e Sem Inibições

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    04-Oct-2015

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Bom Manual

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<ul><li><p>HISTRIA DA ARTE ORATRIA Embora este livro tenha como objetivo bsico a apresentao de elementos prticos para o aprendizado da oratria, julgamos importante discorrer algumas linhas sobre a histria desta arte, por causa da influncia que recebemos dos estudiosos pertencentes s diferentes pocas e porque desejamos atender freqente curiosidade das pessoas sobre as origens e o desenvolvimento das tcnicas utilizadas para falar. E impossvel precisar quando e como nasceu a oratria. Alguns historiadores exercitaram sua imaginao e levantaram diferentes hipteses, entre as quais a de que ela nasceu quando o homem primitivo desenvolveu a fala para a preservao da vida grupal. No nos cabe, entretanto, aqui, polemizar esse assunto; interessa-nos mais abordar a origem e o desenvolvimento da teorizao da arte de falar. </p><p>O PRIMEIRO PASSO A arte oratria, fundamentada em princpios disciplinados de conduta, teve origem na Siclia, no sculo V a.C., atravs do siracusano Corax e seu discpulo Tsias. Existe uma anedota sobre o aprendizado de Tsias. Quando Corax lhe cobrou as aulas ministradas, Tsias recusou-se a pagar, alegando que, se fora bem instrudo pelo mestre, estava apto a convenc-lo de no cobrar, e, se este no ficasse convencido, era porque o discpulo ainda no estava devidamente preparado, fato que o desobrigava de qualquer pagamento. Eles publicaram um tratado, ou techn, que no chegou aos nossos dias, mas sobre o qual vrios autores se referiram. O prprio Aristteles atribuiu-lhes o mrito de iniciar a retrica. Corax escreveu esta obra para orientar os advogados que se propunham a defender as causas das pessoas que desejavam reaver seus bens e propriedades tomados pelos tiranos. Era um tratado prtico, cujos ensinamentos se restringiam aplicao nos tribunais. Segundo Corax, o discurso deveria ser dividido em cinco partes: o exrdio, a narrao, a argumentao, a digresso e o eplogo. OS GREGOS Foi em Atenas, entretanto, que a arte oratria encontrou campo frtil para o seu desenvolvimento. Os sofistas foram os primeiros a dominar com facilidade a palavra; entre os objetivos que possuam visando a uma completa formao, trs eram procurados com maior intensidade: adestrarem-se para julgar, falar e agir. Os sofistas desenvolviam seu aprendizado na arte de falar, praticando leituras em pblico, fazendo comentrios sobre os poetas, treinando improvisaes e promovendo debates. Grgias, importante retor grego, transmitiu seus conhecimentos a muitos oradores, e um de seus discpulos, Iscrates, que viveu de 436 a 338 a.C., implantou a disciplina da retrica no currculo escolar dos estudantes atenienses. Iscrates ampliou o campo de estudo da oratria, no se limitando apenas retrica, pois associou a ela boa parte da filosofia socrtica, assimilada na poca em que foi discpulo de Scrates. Com todo esse mrito que a Histria lhe creditou, Iscrates apresenta uma interessante singularidade: nunca proferiu um s discurso, apenas estudou sua tcnica e os escreveu. Isto porque sua voz era deficiente para a oratria e alimentava pavor incontrolado pela tribuna. </p></li><li><p>Nesta mesma poca, sculo IV a.C., encontramos outro estudioso da retrica, Anaxmenes de Lmpsaco, que apresentou grandes contribuies para a compreenso desta arte, principalmente quanto a sua diviso. Suas observaes levaram-no a classificar a retrica em trs gneros: deliberativo, demonstrativo e judicirio. Esta classificao foi aproveitada e estruturada objetivamente por Aristteles. Aristteles, discpulo de Plato, dele recebeu ensinamentos por largo perodo, cerca de vinte anos. Plato guardava grande admirao pelo discpulo, tanto que, quando este no compareceu a uma das reunies que se faziam na Academia, o mestre afirmou: "A inteligncia est ausente". Nascido em 384 a.C., em Estagira, antiga colnia jnica da Calcdica de Trcia, Aristteles foi para Atenas com dezessete anos, a fim de completar seus estudos. Considerado o mais importante filsofo da Antiguidade, abraou praticamente todas as matrias, destacando-se como poltico, moralista, metafsico, alm de ter penetrado com profundidade nos estudos das Cincias Naturais, da Psicologia e da histria da Filosofia. Os Tpicos, um dos tratados reunidos com os trabalhos lgicos na sua obra Organon, serviu-lhe de alicerce para escrever a Arte Retrica, composta de trs livros, a mais antiga que chegou aos nossos dias. O livro primeiro contm quinze captulos e destinado compreenso daquele que fala. Refere-se linha de argumentao utilizada pelo orador de acordo com a receptividade do ouvinte. O livro segundo contm vinte e seis captulos e destinado compreenso daquele que ouve. Refere-se aos aspectos emocionais, e aborda a linha de argumentao sob a tica do ouvinte. O livro terceiro contm dezenove captulos e destinado compreenso da mensagem. Refere-se ao estilo e disposio das partes do discurso. A retrica de Aristteles uma obra do verossmil, aplicando no aquilo que , mas aquilo que o pblico supe possvel. Segundo seu pensamento, a retrica a faculdade de ver teoricamente o que, em cada caso, pode ser capaz de gerar a persuaso. Tambm Aristteles no foi orador, dedicando-se apenas ao estudo e ao ensino da oratria, sem proferir discursos. Outro grego que no possua o dom da palavra foi Demstenes, mas ele no se conformou com as barreiras impostas pela natureza e custa de muita dedicao eliminou suas deficincias e se transformou no maior orador que a Grcia conheceu (leia ainda sobre Demstenes quando abordarmos uma importante qualidade do orador, a determinao). Assim tivemos em Demstenes um aplicador das regras estabelecidas para a arte de falar, iniciada pela praticidade de Corax, ampliada pela engenhosidade artstica de Iscrates, e aprimorada pela inteligncia de Aristteles, que soube associar a prtica do primeiro com a elevao do pensamento deste ltimo, transformando as duas disciplinas, oratria e retrica, numa arte admirvel. OS ROMANOS Os romanos sofreram extraordinria influncia cultural dos gregos no sculo II a.C., inclusive na arte oratria. Houve resistncia em diferentes perodos a que isto ocorresse, chegando ao ponto de um censor, Crasso, decretar o fechamento de todas as escolas que ensinavam a arte de falar. Essa </p></li><li><p>atitude drstica no arrefeceu o interesse daquele povo, que passara a gostar muito do estudo e da prtica da oratria; assim que Crasso partiu, as escolas foram reabertas e freqentadas com entusiasmo. Ccero foi o maior orador romano. Nascido no ano 106 a.C., preparou-se desde muito cedo para a arte da palavra. Com apenas dez anos de idade, seu pai o deixou aos cuidados de dois mestres da arte oratria. Aos quatorze anos iniciou seu aprendizado retrico na escola do retor Plcio e j aos dezesseis anos abraou a prtica da arte de falar, observando os grandes oradores da sua poca, que se defrontavam nas assemblias do frum. Sua produo literria sobre a oratria foi abundante, destacando-se: De Oratore, obra em trs livros em forma de dilogo, onde define o orador e faz uma reviso da retrica tradicional; Orator, pginas destinadas a determinar uma espcie de perfil do orador ideal; Brutus, um dilogo sobre a histria da arte oratria e dos oradores de Roma; Oratoriae Partitiones, uma obra didtica que cuida da diviso sistemtica e da classificao da retrica e aborda a inveno, que a ao de achar argumentos e razes para convencer e persuadir; Tpicos, escrito sem consultas, de memria, no prazo de oito dias, durante uma viagem que fez Grcia. Trata-se de uma compilao dos Tpicos de Aristteles. Embora considerado um orador perfeito, escritor admirvel, e dotado de inteligncia invejvel, Ccero foi um homem sem carter, arrogante, vaidoso e prepotente. Na poltica no se valia de escrpulos para estar ao lado do partido mais forte e mudava de ideal sempre que vislumbrava maior glria e poder. O mais destacado orador latino da Histria teve morte horrvel. Perseguido pelos homens de Marco Antonio, foi morto e depois degolado. A mo direita e a cabea ficaram expostas no frum romano e sua lngua foi espetada e exibida ao povo. Depois de Ccero, merece ateno especial na histria da Arte Oratria romana Quintiliano. Nascido na metade do primeiro sculo da nossa era, na Espanha, foi para Roma logo nos primeiros anos de vida para estudar oratria. Seu pai e seu av foram retores e o pai lhe ministrou as primeiras aulas de retrica. Quintiliano teve o grande mrito de reunir em sua obra, Instituies Oratrias, todo o conhecimento desenvolvido pelos autores que viveram at sua poca. Composta de doze livros, esta grande fonte da oratria desenvolve a educao do orador desde a sua infncia, dentro de um programa detalhado para a formao pedaggica. O livro I trata da educao inicial a cargo do gramtico e, em seguida, do retor. O livro II cuida da definio da retrica e expe sua utilidade. Os livros de III a VII abordam os itens da inveno ou descoberta, e da disposio ou composio. Os livros de VIII a X, da elocuo ou enunciao. O livro XI trata da realizao do discurso e focaliza os elementos referentes memria. Finalmente o livro XII orienta o orador na aquisio de cultura geral e apresenta as qualidades morais exigidas daquele que se prope a falar. A partir de Quintiliano poucas obras de importncia relevante foram apresentadas. Os autores procuraram quase sempre orientar-se nas observaes estabelecidas nos doze livros das Instituies Oratrias e nos estudos anteriores. Os que procuraram ingressar em caminhos diferentes daqueles percorridos pelos grandes mestres praticamente nada acrescentaram. A ORATRIA NOS DIAS ATUAIS </p></li><li><p>Enganam-se aqueles que imaginam a extino do estudo da oratria nos dias atuais. O que houve, na verdade, foi uma grande transformao nas exigncias dos ouvintes e conseqentemente na orientao do ensino da arte de falar. O auditrio de hoje solicita uma fala mais natural e objetiva, sem os adornos de linguagem e a rigidez da tcnica empregada at o princpio do sculo. O uso da palavra falada deixou de ser um privilgio dos religiosos, polticos e advogados, e alastrou-se para todos os setores de atividades. Os empresrios, executivos, tcnicos, profissionais liberais necessitam cada vez mais da boa comunicao. Todos precisam falar bem para enfrentar as mais diferentes situaes: comandar subordinados, dirigir ou participar de reunies, apresentar relatrios, presidir solenidades, vender ou apresentar produtos e servios, negociar com grevistas e lderes sindicais, dar entrevistas para emissoras de rdio e televiso, fazer palestras, ministrar cursos, fazer e agradecer homenagens, desenvolver contatos sociais, representar a empresa, o clube ou entidade a que pertence, nos mais diversos acontecimentos. O aprendizado dessa antiga arte conta hoje com extraordinrios recursos que facilitam a assimilao e a prtica das tcnicas. Os modernos microfones dispensam o excesso de intensidade da voz dos oradores, permitindo que se apresentem de maneira espontnea, sem exageros. Os aparelhos de videoteipe permitem a visualizao instantnea dos treinamentos, possibilitando a rpida correo das distores da fala e da imperfeio da postura e da gesticulao. Muito mais do que em formar oradores profissionais, os cursos atuais se aplicam em formar profissionais oradores, isto , pessoas que possam expressar pela palavra seu conhecimento, de maneira correta e segura. Esta linha de ensino, mais liberada, no exclui a contribuio dos antigos retores, apenas promove uma adaptao ao gosto da platia moderna, que deseja um orador que converse com o ouvinte em vez de um orador que fale para ele. Este tem sido, modestamente, o nosso trabalho, e esperamos cumpri-lo bem para melhorar o entendimento entre as pessoas e torn-las mais aptas e felizes. </p></li><li><p>COMO CONTROLAR O MEDODE FALAR EM PBLICO</p><p>COMO SURGE O MEDO DEFALAR EM PBLICO</p><p>Muitas pessoas procuram desenvolver sua expresso verbal com o objetivo de eliminar o medo de falar em pblico. O medo, apontado como o maior inimigo do homem por Emlio Mira Y Lpez, um dos mais destacados estudiosos do comportamento humano, constitui o gigante negro* cujos tentculos escravizam a vontade, limitam a criatividade, interrompem o desenvolvimento e o despertar das potencialidades Nasce com o homem e abraa-o por toda a vida. Todos ns estamos sujeitos s investidas desse fantasma que quase sempre apenas resultado da fabulao do nosso esprito.</p><p>Pesquisamos o comportamento de milhares de homens e mulheres, que mesmo possuindo elevado nvel cultural, pressionados pelo medo, no acreditavam nas suas qualidades de comunicadores, evitando todas as oportunidades para falar diante de grupos de pessoas. A partir desse estudo nasceu nossa filosofia de trabalho, responsvel pelo sucesso dos nossos programas de treinamento: "A valorizao das qualidades de cada um, sem considerar falhas ou aspectos negativos das suas apresentaes".</p><p>O homem possui na constituio da sua Expresso Verbal, mais ou menos desenvolvidos, dois oradores normalmente diferenciados, coexistindo dentro da mesma pessoa: um orador real e outro imaginado.</p><p>Orador real a verdadeira imagem do comunicador, composta dos defeitos naturais do ser humano, mas tambm das qualidades visveis ou potencialmente prontas para serem aproveitadas. o orador que aparece aos olhos da platia, que, mesmo no se empolgando, s vezes, com sua forma de se expressar, capaz de ouvi-lo sempre at com relativo interesse.,</p><p>Orador imaginado a imagem que o comunicador pensa que transmite aos ouvintes. Durante a formao do homem, ele recebe toda sorte de presses e acumula nas suas complexas entranhas os fracassos e dissabores que a vida oferece. Esses fatores, isolados ou inter-relacionados, constroem uma imagem distorcida, imaginada dentro de um perfil psicolgico to concreto que parece verdadeira. Nasce a a falta de confiana nas suas possibilidades de sucesso para se apresentar diante de auditrios.?</p><p>De nada adiantar a algum aprender todas as tcnicas da boa Expresso Verbal: voz, vocabulrio, postura, retrica etc.., se continuar pensando que ainda se expressa mal, baseado na convico de que o orador imaginado existe realmente. No se iluda com a criao de qualidades inexistentes, pois isto o levaria a acreditar num comportamento enganoso e irreal, mas, ao analisar suas condies, descubra quais so os aspectos positivos da sua Expresso Verbal. Adquira confiana atravs desta avaliao e crie um retrato interior imaginado mais prximo daquele demonstrado pelo seu orador real. Consciente das suas qualidades j existentes e daquelas prestes a aflorar, voc encontrar novo nimo, encher o esprito de esperana e tornar esta nova fora interior a grande arma que o ajudar a combater o medo de falar em pblico.</p><p>No se trata de um milagre, apenas a chance que cada ser humano precisa dar-se para romper a linha que o impede de acreditar em si prprio. No estamos propondo uma soluo mgica para </p></li><li><p>resolver este drama que ataca o homem desde o seu aparecimento na Terra. Tudo depender do seu esforo, da sua vontade e da sua determinao para encontrar a liberdade to sonhada: falar com desembarao e sem inibies</p><p>Quando a confiana comear a aparecer, pelo conhecimento e conscincia dos aspectos po...</p></li></ul>