Escala de Treino

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A ESCALA DE TREINOsua influncia na Biomecnica do Cavalo de DesportoCURSO DE MESTRE DE EQUITAO

=TESE= Maro/Outubro 2007 CMEFD - Mafra Lus Lupi

A ESCALA DE TREINOsua influncia na Biomecnica do Cavalo de Desporto

DEDICATRIA Ao meu padrinho Tit (Antnio de Freitas Pereira) Ao meu tio Joaquim Miguel (General Duarte Silva) S no tem sido mais difcil viver sem eles porque afinal esto sempre presentes em cada passo desta minha caminhada.

AGRADECIMENTOS ENE na pessoa do Sr. Coronel Joo Sequeira o Infatigvel Aos Mestres e aos Colegas do Curso com quem aprendi a ensinar melhor Aos meus cavalos com quem aprendi a aprender melhor minha me por tudo!! Ao Dr. Costa Ferreira o meu director que me apoiou desde o princpio Professora Doutora Sophie Biau grande cientista de esprito aberto dupla Thierry Touzaint / JeanPierre Blanco pelo estgio em Saumur s annimas e aos annimos que, por amizade e at mesmo sem saberem, tero contribudo para este trabalho.

NDICE Introduo ........................................................................................................................... 4 I Parte A Escala de Treino................................................................................................. 6 1.- A Escala de Treino do Cavaleiro.......................................................................... 6 2.- A Escala de Treino do Cavalo ............................................................................. 7 - Origem ....................................................................................................... 7 - A Escala Propriamente Dita ....................................................................... 8 I.- Ritmo ........................................................................................... 9 II.- Souplesse .................................................................................... 11 III.- Contacto .................................................................................... 13 - (Contraponto) ................................................................................. 15 IV.- Impulso .................................................................................... 16 V.- Rectitude ..................................................................................... 18 VI.- Concentrao ............................................................................. 19 - Capacidade de Resposta s Ajudas .................................................. 20 - (Contraponto) ................................................................................. 21 - Novas Propostas I e II ..................................................................... 22 II Parte Biomecnica do Cavalo de Desporto .................................................................... 24 - Consideraes Gerais ............................................................................................ 24 - Escala de Treino, Biomecnica e Ginstica ............................................................ 27 - Biomecnica e Rdeas Auxiliares .......................................................................... 29 - A Escala de Treino e as Caractersticas do Trote .................................................... 30 - A Escala de Treino e as Transies ........................................................................ 31 - Biomecnica e Diagnstico Precoce do Potencial dos Cavalos ............................... 32 - A Escala de Treino e a Locomoo ........................................................................ 33 - Caractersticas dos Andamentos de Cavalos de Nvel Avanado ................ 34 III Parte Concluses ......................................................................................................... 36 - Higiene e Maneio .................................................................................................. 36 - O Panorama Nacional ............................................................................................ 37 - tica ...................................................................................................................... 38 Bibliografia ......................................................................................................................... 39

INTRODUO

Tendo nascido numa poca, numa famlia e num ambiente em que o cavalo fazia parte do quotidiano, o montar a cavalo surgiu na minha vida como o andar a p, como o falar, como o sorrir, naturalmente! Esta relao natural e emprica, com o que vim mais tarde a saber chamar-se Equitao, evoluiu na minha vida em vrias vertentes, desde a Tauromaquia, os Raids, as Corridas de Galope, a Equitao de Trabalho e de Picadeiro, a Atrelagem, a Criao, a Caa e o Lazer, at s trs Disciplinas Olmpicas. E como praticante, treinador e seleccionador, juiz, etc. E por esta ordem ou por outra ordem qualquer. Este contacto alargado, baralhado e algo desordenado com o mundo equestre deu-me a conhecer, por um lado, um vasto leque de utilizaes do cavalo, dos seus utilizadores e dos seus ambientes, enfim, da fileira do cavalo. No entanto e por outro lado, retardou em mim a procura de um conhecimento organizado e mais cientfico e tecnicista da Equitao. Retardou mas no anulou. Com o passar do tempo e com o esbranquiar do j pouco cabelo, tenho-me aproximado de um patamar mais elevado da Equitao em que comecei a juntar as peas que usei de uma maneira dispersa e desordenada durante a minha vida volta dos cavalos. As coisas complicadas foram perdendo razo de ser e os mtodos simples vo revelando toda a sua importncia e dimenso. Mas foi a criao da actual Escola Nacional de Equitao (ENE) e o meu envolvimento com ela na carreira de Formador, que me obrigaram definitivamente a tentar clarificar algumas questes. Questes simples! Como, por exemplo, um conceito para Equitao; ou o inesgotvel Calmo, Pra Diante e Direito; ou os actuais princpios da Colocao em Sela; ou as Caractersticas do Cavalo Bem Trabalhado; ou a Ligeireza, o Equilbrio, etc., etc. De repente recebo um convite para frequentar um estgio para Mestre de Equitao. O Mximo! O chegar ao topo! A oportunidade para a realizao de um sonho! E como o Programa Oficial de Formao de Formadores de Equitao (POFFE) preconiza a elaborao da uma Tese, sobre um tema que tem que ser proposto e aceite, c estamos ns! Com um tema simples! Foi proposto e foi aceite! A ESCALA DE TREINO!! Porqu? Porque ela me tem dado, e cada vez mais, os caminhos para o trabalho dos meus cavalos e para a orientao dos meus alunos. Porque s seguindo-a criteriosamente e interiorizando a sua filosofia que um cavaleiro (com uma correcta colocao em sela e com a sua prpria escala de treino bem consolidada) pode chegar a ter um cavalo Calmo, pra Diante e Direito.

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Assim, proponho o seguinte esquema para marcar os princpios e as incontornveis fases evolutivas da Equitao em geral numa perspectiva actual:

ESCALA DE TREINO CavaleiroInfluente Ritmo Souplesse Contacto Impulso Rectitude Concentrao

Cavalo:Calmo Pra Diante Direito

No quero ainda entrar realmente no nosso tema sem antes fazer alguns reparos ao que fundamental. A pedra de toque: a COLOCAO EM SELA. Porque da que tudo sai. Sem querer repetir o que se repete todos os dias, o que se l em cada livro, o que j devia estar esgotado mas que tem que continuar a repetir-se at exausto, no volteio com ou sem sela, na posio clssica ou de estribos curtos, na posio em suspenso ou sentado, etc., fao questo de realar trs aspectos que algumas vezes so esquecidos mas que so fundamentais para a desejada quietude do cavaleiro: Os cotovelos juntos s costelas a permitirem que A linha das rdeas comece nos cotovelos e v a direito at embocadura e A posio e a atitude das mos frente e uma de cada lado do garrote, firmes e resistentes s resistncias e suaves e ligeiras cedncia.

A ideia sempre presente da ligao ao movimento como caracterstica e consequncia de uma boa colocao em sela deve estar ligada ideia de quietude. A ligao destas ideias deve ter uma forma consistente nas directrizes dos professores e na mente dos praticantes. Na realidade, se a flexibilidade, o equilbrio, a solidez e o vontade do cavaleiro no forem ligados a uma ideia de quietude (still), pode haver uma grande eficcia tcnica mas fica a faltar a esttica, a beleza, a arte. E, sem estas, a Equitao fica incompleta porque disso que se trata: Tcnica e Arte.

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I Parte A Escala de Treino 1.- A Escala de Treino do Cavaleiro Na verdade no nos parece que faa qualquer sentido abordar um mtodo de treino para um cavalo, sem estabelecer algumas regras para quem o vai desenvolver. O cumprimento dessas regras por parte do cavaleiro determinante para o sucesso do treino do cavalo. Essas regras so aquilo a que vamos chamar de Escala de Treino do Cavaleiro e que podem ser apresentadas esquematicamente da seguinte maneira:

Colocao em Sela - Ajudas - Sentimento - InflunciaEsta Escala deve desenvolver-se no cavaleiro principiante, primeiro sobre um cavalo j bem trabalhado (Cavaleiro novo cavalo experiente) em que, atravs de uma boa colocao em sela, o cavaleiro desenvolve: o Conhecimento da ligao ao movimento e o Sentimento da ligao ao movimento. Seguidamente deve adquirir: o Conhecimento das Ajudas e da Tcnica e o Sentimento para o uso das Ajudas e da Tcnica.Sem colocao em sela no h influncia

Como resultado disto o cavaleiro desenvolve uma Influncia sobre o cavalo.

Mais tarde e j influente, sobre um cavalo novo, deve o cavaleiro adquirir o conhecimento da fisiologia e da psicologia do cavalo e desenvolver o sentimento da sua condio fsica e potncia (cavalo novo cavaleiro experiente).

Com a boa relao cavaleiro/cavalo (empatia) que se criou, com talento e determinao (inspirao e transpirao) e com um bom treinador, esto reunidas as condies para o sucesso.

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2.- A Escala de Treino do Cavalo

Origem A revol