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1 Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da 1ª Vara de Fazenda Pública da Comarca de Londrina, Estado do Paraná. Distribuição por prevenção dos autos 0045693- 61.2011.8.16.0014, de medida cautelar de busca e apreensão, em trâmite na 1ª Vara de Fazenda Pública de Londrina. O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ, por seu Promotor de Justiça que ao final subscreve, em exercício na Promotoria Especializada de Proteção ao Patrimônio Público, no uso de suas atribuições legais, com fundamento nas disposições contidas nos artigos 129, inciso III, da Constituição da República, art. 120, inciso III, da Constituição do Estado do Paraná, art. 25, inciso IV, da Lei n.º 8.625/93, art. 1º, inciso IV, da Lei n.º 7.347/85, e na Lei n.º 8.429/92, vem, respeitosamente, perante Vossa Excelência, propor a presente AÇÃO CIVIL PÚBLICA PARA A RESPONSABILIZAÇÃO POR ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA, em face de 1. ROBERTO DIAS SIENA, brasileiro, casado, portador da cédula de identidade RG nº 4.427.651, inscrito no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF sob o nº 623.960.999-49, filho de Edison Siena e Dirce Moura Siena, nascido no dia 16/06/1969, residente e domiciliado na Rua Evaristo Camargo, nº. 1101, Tamarana-PR; 2. CLEUDEMIR JOSÉ CATAI, brasileiro, casado, secretário de finanças do Município de Tamarana-Pr, portador da cédula de identidade RG nº.

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da 1ª Vara de ... · em trâmite na 1ª Vara de Fazenda Pública de Londrina. ... Deferido o pedido cautelar pelo Juízo da 1ª Vara

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    Excelentssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da 1 Vara de Fazenda Pblica da

    Comarca de Londrina, Estado do Paran.

    Distribuio por preveno dos autos n 0045693-

    61.2011.8.16.0014, de medida cautelar de busca e apreenso,

    em trmite na 1 Vara de Fazenda Pblica de Londrina.

    O MINISTRIO PBLICO DO ESTADO DO PARAN, por seu

    Promotor de Justia que ao final subscreve, em exerccio na Promotoria Especializada de

    Proteo ao Patrimnio Pblico, no uso de suas atribuies legais, com fundamento nas

    disposies contidas nos artigos 129, inciso III, da Constituio da Repblica, art. 120,

    inciso III, da Constituio do Estado do Paran, art. 25, inciso IV, da Lei n. 8.625/93, art.

    1, inciso IV, da Lei n. 7.347/85, e na Lei n. 8.429/92, vem, respeitosamente, perante

    Vossa Excelncia, propor a presente AO CIVIL PBLICA PARA A

    RESPONSABILIZAO POR ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA, em face de

    1. ROBERTO DIAS SIENA, brasileiro, casado, portador da

    cdula de identidade RG n 4.427.651, inscrito no Cadastro de Pessoas Fsicas CPF sob

    o n 623.960.999-49, filho de Edison Siena e Dirce Moura Siena, nascido no dia

    16/06/1969, residente e domiciliado na Rua Evaristo Camargo, n. 1101, Tamarana-PR;

    2. CLEUDEMIR JOS CATAI, brasileiro, casado, secretrio de

    finanas do Municpio de Tamarana-Pr, portador da cdula de identidade RG n.

  • 2

    3614988-4/Pr e inscrito no CPF sob o n 522.617.009-20, filho de Sebastio Catai e

    Laura Mariuson Catai, nascido no dia 05/08/1964, residente e domiciliado na Rua Rio

    Branco, n 72, Tamarana/PR;

    3. ORGANIZAO BEIJA FLOR, pessoa jurdica de direito

    privado, Organizao da Sociedade Civil de Interesse Pblico, nome fantasia OBEF,

    constituda em 28/09/2001, inscrita no CNPJ sob o n 05.328.233/0001-31, sito Rua

    Bahia, n 275, CEP 86.730-000, Astorga-PR;

    4. MARCILENE RICIERI BORGES LEO, brasileira,

    divorciada, advogada, servidora pblica municipal do Municpio de Camb, portadora do

    RG n. 16277770/Pr e CPF n. 365.941.809-91, filha de Oswaldo Ricieri e Mafalda Lydia

    Ruzzon Ricieri, nascida no dia 11/07/1959, natural de Camb-Pr, residente e

    domiciliada na Rua das Palmeiras, 159, Camb-Pr;

    5. LAIDE MARIA FADEL DE CAMARGO, brasileira,

    portadora do Ttulo de Eleitor n 00.212.799.706-71, inscrita no CPF n 960.349.719-34,

    residente e domiciliada na Rua Espanha, n 542, Centro, CEP 86181-050, Camb-PR;

    6. JOS LUCAS REIS, brasileiro, portador da RG n

    1.040.248, inscrito no CPF sob o n 191.255.009-10, filho de Tereza Guerra dos Reis,

    residente e domiciliado na Rua Presidente Epitcio n 169, tambm podendo ser

    encontrado no n 681, CEP 86730-000, Astorga-PR;

    7. JOO VITOR RUTHES DIAS, brasileiro, servidor pblico,

    diretor do departamento de licitaes e pregoeiro designado do Municpio de Tamarana-

    Pr, portador do Ttulo de Eleitor n 00.890.467.106-47, inscrito no CPF n 054.439.939-

    09, filho de Eliane Aparecida Ruthes Dias, nascido no dia 23/06/1986, residente e

    domiciliado na Rua Prof. Ivonete Cintra Alcntara, 55, Centro, CEP 86.125-000,

    Tamarana-Pr;

    8. MARIA ROSE SOARES, brasileira, servidora pblica,

    auditora de controle interno do departamento de licitaes do Municpio de Tamarana,

    portadora do Ttulo de eleitor n 00.441.655.206-80, inscrita no CPF n 535.503.079-34,

    filha de Maria de Lima Soares, nascida no dia 14/08/1969, residente e domiciliada na

    Av. Guilherme de Almeida, 1615, Parque Ouro branco, CEP 86042-000, Londrina-PR;

  • 3

    9. ALDO BOARETTO NETTO, brasileiro, Secretrio de

    administrao e servios pblicos do Municpio de Tamarana, inscrito no CPF de n

    714.051.279-53 e no Ttulo de Eleitor sob o n 00.138.963.106-80, residente e

    domiciliado na Rua Demtrio C. Siqueira, 756, CEP 86125-000, Tamarana-PR;

    10. SAULO RIBEIRO RODRIGUES, brasileiro, casado,

    servidor pblico, contador do Municpio de Tamarana, portador do RG n. 4486263-8,

    filho de Miguel Pinto Ribeiro e de Salvadilha Rodrigues Ribeiro, residente e domiciliado

    na Rua Joo Ribeiro, n. 315, Jd. Coliseu, Londrina-Pr;

    11. DIONE CORDEIRO DA SILVA, brasileiro, servidor

    pblico, portador do RG 1.298.303/MS, inscrita no CPF 007.279.281-71, podendo ser

    encontrado na Sede da Prefeitura Municipal de Tamarana, Rua Izaltino Jos Silvestre, n

    643, CEP 86.125-000, Tamarana-PR;

    12. ARMANDO DA SILVA SOUZA, brasileiro, membro da

    comisso de licitaes do Municpio de Tamarana, portador do ttulo de eleitor

    00.135.081.006-55, inscrito no CPF 515.245.629-04, nascido em 02/03/1965, filho de

    Marlene da Silva Souza, residente e domiciliado na Rua Alcides Gomes de Siqueira, n 6,

    Conjunto Seb Moura Tresse, CEP 86.125-000, Tamarana-PR;

    13. . VALDECIR AMADOR ALMERON, brasileiro, membro

    da comisso de licitaes e da equipe de apoio aos preges do Municpio de Tamarana,

    portador do ttulo de eleitor 00.722.923.106-80, inscrito no CPF n 028.850.099-77,

    filho de Margaria Amador Almeron, residente e domiciliado na Rua Erenilda Maria de

    Jesus, n 308, Jd. Piazentin, CEP 86043-220, Londrina-PR;

    14. LEONILDO LOPES, brasileiro, portador do RG

    5.237.099-0/PR, inscrito no CPF 014.530.469-84, residente e domiciliado na Avenida

    Eloi Nogueira Silva, 126, Distrito de Lerroville, CEP 86.123-000, Londrina-PR;

    Pelos fatos e fundamentos jurdicos a seguir aduzidos:

  • 4

    I. DA PREVENO

    Antes de adentrar o mrito da ao, insta evidenciar que j

    tramita nesse douto Juzo a ao cautelar de busca e apreenso n 0045693-

    61.2011.8.16.0014, proposta por este rgo do Ministrio Pblico, distribuda 1 Vara

    da Fazenda Pblica de Londrina1, e que apresenta objeto coincidente ao contido na

    presente demanda esquema de corrupo em curso no mbito da administrao direta

    do Municpio de Tamarana que estaria beneficiando um grupo de empresas e seus

    representantes legais.

    Consoante se infere dos autos da ao cautelar, proposta em

    desfavor dos ora Requeridos acima nominados, entre outros, a finalidade era obter

    suporte probatrio que embasasse a propositura da presente ao civil pblica de

    improbidade (art. 17, 6, LIA), o que de fato ocorreu, j que os documentos apreendidos

    comprovaram as denncias de corrupo e desvios de recursos pblicos ento

    noticiadas pela vereadora Luzia Suzukawa2.

    Resta claro, portanto, que h identidade de objeto entre a

    Ao Cautelar n. 0045693-61.2011.8.16.0014 e a presente Ao Civil Pblica.

    Consoante o art. 2, pargrafo nico, da Lei 7.347/85 e do

    art. 17, 5, da Lei 8.429/92, a propositura da ao cautelar prevenir a jurisdio do

    juzo para todas as aes posteriormente intentadas que possuam a mesma causa de pedir

    ou o mesmo objeto.

    Nesses termos, o Ministrio Pblico pugna pela distribuio

    do feito por preveno ao Juzo da 1 Vara da Fazenda Pblica de Londrina, na forma

    prescrita no art. 17 da Lei 8.429/92.

    II. FATOS

    1 DOC. 1 Cpia da Cautelar de Busca e apreenso, autos n 0045693-61.2011.8.16.0014, em trmite na 1 Vara de Fazenda Pblica de Londrina. 2 DOC. 2 Termo de declaraes de vereadora Luzia Harue Suzukawa.

  • 5

    II. 1. ASPECTOS INTRODUTRIOS

    Aps as investigaes realizadas por esta Promotoria de

    Justia, no mbito do Inqurito Civil n MPPR-0078.11.000998-83, apurou-se a

    existncia de um grande esquema ilcito (corrupo, fraudes em licitaes; aditivos

    indevidos, etc.) arquitetado e executado por agentes pblicos lotados na Prefeitura de

    Tamarana que, em concurso com terceiros, tinham por objetivo desviar recursos

    pblicos e beneficiar indevidamente determinadas empresas e os prprios agentes.

    Parte desse esquema ilcito envolveu a ORGANIZAO BEIJA

    FLOR OBEF, entidade sem fins lucrativos, qualificada como OSCIP Organizao da

    Sociedade Civil de Interesse Pblico, utilizada pelos Requeridos como importante

    instrumento destinado a frustrar a licitude de procedimentos licitatrios, possibilitar o

    desvio de recursos dos cofres pblicos municipais e permitir o enriquecimento ilcito de

    agentes pblicos e particulares.

    A ao mproba dos Requeridos resultou em leso ao errio,

    no valor de R$ 4.486.593,30 (quatro milhes, quatrocentos e oitenta e seis mil,

    quinhentos e noventa e trs reais e trinta centavos), ensejando o enriquecimento

    ilcito dos agentes pblicos no valor de R$ 1.696.427,12 (um milho, seiscentos e

    noventa e seis mil, quatrocentos e vinte sete reais e doze centavos)4,

    consubstanciando, assim, atos de improbidade administrativa previstos nos artigos 9,

    caput, incisos I, XI; 10 caput, incisos I, VIII e XII, e art. 11, caput e inciso I, todos da

    Lei 8.429/92, devendo ser condenados s sanes previstas no artigo 12, incisos I, II e

    III, todos da Lei 8.429/92.

    Assim, prope-se a presente Ao Civil Pblica com o

    propsito de:

    3 DOC. 3 Cpia do Inqurito Civil n MPPR-0078.11.000998-8. 4 R$ 1.696.427,12 (um milho, seiscentos e noventa e seis mil, quatrocentos e vinte sete reais e doze centavos), foram incorporados, indevidamente, ao patrimnio dos requeridos, assim, como os valores de R$ 224.329,67 (duzentos e vinta e quatro mil, trezentos e vinte e novo reais e sessenta e sete centavos), referente indevida cobrana da taxa de administrao e R$ 92.589,00 (noventa e dois mil, quinhentos e oitenta e nove reais), pagos diretamente ao requerido CLEUDEMIR CATAI. Valores atualizados at 21/12/2012, conforme Informao n 074/2012 da Auditoria do Ministrio Pblico (DOC.4)

  • 6

    - Assegurar o resultado til do processo, por intermdio da

    indisponibilidade dos bens dos Requeridos, no montante necessrio para garantir o

    ressarcimento integral dos danos materiais ao errio Municipal, o pagamento de multa

    civil e o pagamento dos danos morais difusos, at o trnsito em julgado da sentena

    condenatria;

    - Impor as sanes decorrentes da prtica dos Atos de

    Improbidade Administrativa, encartadas no art. 12, I, II e III da Lei 8429/92, decorrentes

    da prtica previstos nos artigos 9, caput, incisos I, XI; art. 10, caput, incisos I, VIII e XII,

    e art. 11, caput e inciso I, todos da Lei 8.429/92.

    II. 2. DO ESQUEMA DE CORRUPO

    Luzia Suzukawa, ento vereadora do Municpio de

    Tamarana5, prestou declaraes Promotoria de Defesa do Patrimnio Pblico, ocasio

    em que descreveu, detalhadamente, a existncia de um esquema de corrupo

    orquestrado e dirigido pelo Prefeito BETO SIENA e seus asseclas.

    No curso das investigaes, o Setor de Auditoria do

    Ministrio Pblico constatou uma organizao de empresas conectadas por seus

    representantes legais a agentes pblicos municipais, que se organizavam para fraudar

    procedimentos licitatrios, alm de outros delitos contra a Administrao Pblica.

    vista dos fortes indcios de fraude e de enriquecimento

    ilcito desses agentes pblicos lotados na Prefeitura de Tamarana, esta Promotoria de

    Justia formulou pedido de busca e apreenso6, requerendo a apreenso de todos os

    procedimentos administrativos (licitaes e/ou quaisquer contrataes diretas) em

    tramitao ou arquivados na Prefeitura Municipal de Tamarana, em que figurassem

    como participantes quaisquer dos investigados (scios das empresas ou agentes

    pblicos), assim como a apreenso de equipamentos eletrnicos relacionados aos fatos

    5 DOC. 2 Termo de declaraes de vereadora Luzia Harue Suzukawa 6 DOC. 1 Cpia da Cautelar de Busca e apreenso, autos n 0045693-61.2011.8.16.0014, em trmite na 1 Vara de Fazenda Pblica de Londrina.

  • 7

    investigados7.

    Deferido o pedido cautelar pelo Juzo da 1 Vara da Fazenda

    Pblica, inmeros documentos, fsicos e eletrnicos, foram apreendidos, quer na

    Prefeitura do Municpio de Tamarana, quer na residncia de alguns dos Requeridos8.

    O setor de Auditoria, aps minuciosa anlise dos

    documentos apreendidos, apontou inmeras ilicitudes que, analisadas

    sistematicamente, desvendou a existncia de uma organizao criminosa, tendo o ento

    prefeito BETO SIENA, como operacionalizador de fraudes em inmeros procedimentos

    licitatrios, valendo-se, para cumprir tal mister, de agentes pblicos e de terceiros,

    pessoas fsicas e jurdicas.

    O esquema de corrupo orquestrado pela referida

    organizao criminosa, pode ser dividido em quatro frentes de atuao, segundo o

    respectivo objeto da prestao de servio, a saber:

    TRANSPORTE DE PASSAGEIROS, envolvendo as

    empresas Gustavo Sebastio, Chaar, JWC, MCM, MCA, D. R de

    Carmargo, Silmara ME e L. da Silva;

    ALIMENTOS, envolvendo as empresas Tajima e

    Walmar;

    ROADA E LIMPEZA DE BUEIROS, envolvendo as

    empresas M.M. Servios de Terraplanagem Ltda, e L.R.;

    SADE, envolvendo a OSCIP Organizao Beija Flor;

    Para visualizar melhor o esquema de corrupo e as

    empresas que atuavam em cada modalidade de prestao de servios, tem-se o

    seguinte fluxograma:

    7 Discos, pen drive, computadores, notebooks, netbooks, ou quaisquer dispositivos que servem para acessar dados eletrnicos, agendas e documentos. 8 DOC. 5 Documentos apreendidos no cumprimento do Mandado de Busca e Apreenso.

  • 8

    Com o propsito de, a um s tempo, facilitar a compreenso

    TRANSPORTE PASSAGEIROS

    GRUPO 1

    CHAAR & SOUZAJWC

    GUSTAVO SEBASTIO

    GRUPO 2

    MCMMCA

    GRUPO 3

    SILMARAD.R. DE CAMARGO

    CHAAR & SOUZAJWC

    GUSTAVO SEBASTIOMCMMCA

    SILMARAD.R. DE CAMARGO

    L DA SILVA

    ROADA E LIMPEZA DE BUEIROS

    M.M. Servios de Terraplanagem Ltda.

    LR Prestadora de Servios SS Ltda.

    ALIMENTOS

    Tajima Walmar

    SADE

    OSCIP BEIJA FLOR

  • 9

    dos fatos investigados por esta Promotoria de Justia, assim como otimizar a respectiva

    apreciao por esse respeitvel juzo, sero propostas 4 (quatro) aes civis pblicas,

    destinadas responsabilizao dos Requeridos, agentes pblicos e terceiros, pela

    prtica de Atos de Improbidade Administrativa encartados na Lei n. 8.429/92.

    Desta forma, a presente ao civil pblica visa

    responsabilizar os requeridos pela prtica de Atos de Improbidade

    Administrativa, tendo por objeto a frustrao da licitude de procedimentos

    licitatrios destinados a prestao de servios mdicos, para atendimento em

    postos de sade e no Hospital Municipal de Tamarana, vencidos pela OSCIP

    ORGANIZAO BEIJA FLOR OBEF.

    de conhecimento pblico que, nos atos ilcitos (crimes

    contra a administrao pblica e atos de improbidade administrativa) praticados em

    detrimento de bens e interesses das pessoas jurdicas de Direito Pblico Interno (Unio,

    Estados, Municpio), verdadeiras organizaes criminosas so engendradas por agentes

    pblicos e terceiros, pessoas fsicas e jurdicas, que unem seus esforos e distribuem

    tarefas para frustrarem a licitude de procedimentos licitatrios, desviarem recursos

    pblicos e possibilitarem o enriquecimento ilcito dos agentes pblicos e terceiros.

    Em alguns casos, pessoas jurdicas so constitudas,

    simplesmente, para servirem aos fins ilcitos idealizados por seus scios e agentes

    pblicos que, no exerccio de suas funes, exercem fundamental contribuio para o

    aperfeioamento dos ilcitos penais e mprobos almejados pela organizao.

    Na espcie, os delitos e atos de improbidade administrativa

    praticados no Municpio de Tamarana tiveram como mentor e idealizador o chefe do

    Poder Executivo Municipal, o ento Prefeito ROBERTO SIENA, a quem incumbiu a tarefa

    de distribuir e determinar aos agentes pblicos por ele cooptados que praticassem os

    atos ilcitos em favor do grupo, em vrios setores da administrao pblica municipal

    (Financeiro, Secretaria de Obras, Licitaes, etc.).

    O sucesso desta empreitada criminosa e mproba, jamais

    teria sido possvel sem a necessria e fundamental interveno do ento Prefeito

    Roberto Siena e outros agentes pblicos Municipais, pessoas de sua confiana que

    exerceram papel de destaque no esquema ilcito:

  • 10

    - ROBERTO DIAS SIENA, ento prefeito de Tamarana,

    comandou o esquema de favorecimento da organizao Beija-Flor, alocando os agentes

    pblicos em posies-chave possibilitando-lhes administrar a ORGANIZAO BEIJA

    FLOR no interior da prefeitura, bem como direcionar e gerir os convnios/parcerias

    forjados pelo grupo;

    - CLEUDEMIR JOS CATAI, era o homem de confiana do

    prefeito e requerido ROBERTO DIAS SIENA, verdadeiro operador da organizao

    criminosa coordenada e operacionalizada dos bastidores da prefeitura pelo ento chefe

    do Executivo, tambm agindo como administrador de fato dos programas que deveriam

    ser executados pela Beija-Flor;

    - JOO VITOR RUTHES DIAS, diretor do departamento de

    licitaes e pregoeiro designado, solicitava indicao de dotao oramentria,

    elaborava as minutas dos editais, conduzia os preges e assinava os termos de

    adjudicao; MARIA ROSE SOARES, auditora de controle interno do departamento de

    licitaes, responsvel por atestar a licitude e a falsa veracidade do procedimento

    licitatrio; SAULO RIBEIRO RODRIGUES, contador, fazia a indicao dos recursos,

    auxiliava nos preges e assinava como testemunha dos contratos; e, por fim, DIONE

    CORDEIRO DA SILVA9, ARMANDO DA SILVA SOUZA10, VALDECIR AMADOR

    ALMERON11 e LEONILDO LOPES12, membros da comisso permanente de licitaes;

    eram todos integrantes do departamento de licitaes do Municpio, incumbindo-lhes

    fiscalizar a lisura dos procedimentos licitatrios; todavia, ao revs, permitiam e eram

    coniventes com os atos ilcitos engendrados pelo grupo, colaborando com o

    direcionamento do certame Organizao Beija Flor, mesmo diante da flagrante

    ilegalidade da clusula restritiva do edital, da ilicitude das propostas que no atendiam

    aos requisitos legais e continham previso de lucros;

    9 Membro da comisso permanente de licitaes (Portaria n. 02/2009 e 04/2010); Atuou nas licitaes modalidade PREGO n. 46/09 e 24/10. (DOC 14 Portarias de nomeao). 10 Membro da comisso permanente de licitaes (Portaria n. 03/2005 e 01/2006); Atuou na licitao modalidade TOMADA DE PREOS 01/2005. (DOC 14 Portarias de nomeao). 11 Membro da comisso permanente de licitaes (Portaria n. 03/2005 e 01/2006); Atuou na licitao modalidade PREGO 04/2006. (DOC 14 Portarias de nomeao). 12 Membro da comisso permanente de licitaes e pregoeiro designado do Municpio de Tamarana-Pr (Portaria n. 77/2007, 78/2007 e 01/2008). Atuou como PREGOEIRO nas licitaes n 53/07 E 43/07. (DOC 14 Portarias de nomeao).

  • 11

    - ALDO BOARETTO NETTO, era secretrio de

    administrao, tendo atuado decisivamente nos fatos ilcitos realizados pela organizao

    criminosa comandada pelo ento prefeito BETO SIENA, autorizando a abertura de todos

    os procedimentos licitatrios ora impugnados, ciente do favorecimento da Beija Flor,

    por intermdio desses procedimentos e a subsequente apropriao indevida dos

    repasses pelos integrantes do grupo.

    Identificou-se que os requeridos, em diviso de tarefas e

    identidade de propsitos, sempre coordenados e orientados pelo ento Prefeito BETO

    SIENA, praticaram inmeros atos ilcitos para favorecer indevidamente a OSCIP Beija

    Flor na consecuo de programas na rea de sade pblica, permitindo a apropriao de

    recursos pblicos e o enriquecimento ilcito dos agentes pblicos, por meio de:

    a) Frustrao da Licitude dos procedimentos licitatrios-

    Favorecimento da OSCIP BEIJA-FLOR nas licitaes

    promovidas pelo Municpio de Tamarana;

    b) Desvirtuamento do objetivo da parceria- OSCIP que

    funcionava como mera intermediria para contratao de

    mo de obra na rea de sade; Administrao dos

    programas pelos prprios servidores pblicos e pelo

    requerido CLEUDEMIR CATAI;

    c) Falta de prestao de contas- documentao inidnea para

    a demonstrao de despesas relacionadas com a execuo

    dos Programas; Indevida taxa de administrao-Leso ao

    errio;

    d) Apropriao de recursos destinados execuo do

    Programa; enriquecimento ilcito dos agentes pblicos e da

    OSCIP.

    II. 3. DA FRUSTRAO DA LICITUDE DOS PROCESSOS

    LICITATRIOS EVIDENTE FAVORECIMENTO DA OSCIP

    BEIJA-FLOR.

  • 12

    Por meio do aludido Inqurito Civil Pblico n MPPR-

    0078.11.000998-813, instaurado com base nas declaraes da vereadora Luzia Harue

    Suzukawa, apurou-se que, ao longo dos anos de 2005 a 2011, os requeridos ROBERTO

    DIAS SIENA, Prefeito de Tamarana; JOO VITOR RUTHES DIAS, pregoeiro e Diretor do

    Departamento de Licitaes do Municpio de Tamarana; MARIA ROSE SOARES,

    Auditora de Controle Interno do dpto. de licitaes do Municpio de Tamarana; ALDO

    BOARETTO NETTO, Secretrio de administrao e servios pblicos do Municpio de

    Tamarana; CLEUDEMIR JOS CATAI, Secretrio de finanas e DIONE CORDEIRO,

    ARMANDO DA SILVA SOUZA, VALDECIR AMADOR ALMERON e LEONILDO LOPES

    integrantes da comisso permanente de licitaes do Municpio de Tamarana; bem

    como, MARCILENE RICIERI BORGES LEO, ex-presidente da Organizao Beija Flor,

    tendo dirigido a instituio de 03/2003 a 06/2010; LAIDE MARIA FADEL DE

    CAMARGO, ex-presidente da Organizao Beija Flor, tendo dirigido a instituio de

    06/2010 a 10/2010; e, JOS LUCAS REIS14, atual presidente da Beija-flor, tendo

    assumido a funo a partir de 10/2010; todos agindo com identidade de propsitos e

    diviso de tarefas, engendraram grandioso esquema de corrupo e dilapidao de

    recursos pblicos, envolvendo a OSCIP Beija Flor, que ensejou o enriquecimento ilcito

    dos requeridos, todos agentes pblicos em razo da funo ou por equiparao (art.

    2, segunda parte, da Lei 8.429/92), causou leso ao errio no valor de R$ 4.486.593,30

    (quatro milhes, quatrocentos e oitenta e seis mil, quinhentos e noventa e trs

    reais e trinta centavos)15.

    A prtica dos atos de improbidade ocorreu, em sntese,

    mediante o desvio e apropriao indevida de recursos pblicos destinados sade no

    Municpio de Tamarana justificada, artificiosamente, por intermdio de

    convnios/parcerias celebradas com a OSCIP Beija Flor.

    De efeito, apurou-se que a OSCIP no executava os

    programas da rea de sade, sendo mera intermediria na contratao da mo de obra

    especializada; que aps o pagamento dos mdicos contratados, ao invs de devolver o

    restante do dinheiro para os cofres pblicos, os membros da OSCIP retinham a sobra ou

    13 DOC. 3 Cpia do Inqurito Civil n MPPR-0078.11.000998-8. 14 DOC. 15 Ata de eleio de presidncia de Jos Lucas Reis 15 Valores atualizados at 21/12/2012, conforme Informao n 074/2012 da Auditoria do Ministrio Pblico (DOC.4).

  • 13

    excedente dos recursos repassados pelo municpio e no utilizados na execuo dos

    contratos, quantificado em R$ 1.696.427,12 (um milho, seiscentos e noventa e seis mil,

    quatrocentos e vinte sete reais e doze centavos)16 ou 37,81% do total de repasses,

    valores que foram apropriados e incorporados ao patrimnio particular dos requeridos;

    que reteve, indevidamente, o percentual de 5%, a ttulo de taxa de administrao; que a

    OSCIP no apresentou qualquer documento apto a comprovar as despesas destinadas

    consecuo dos objetivos da parceria, deixando evidente o enriquecimento ilcito tanto

    dos gestores dos recursos, responsveis pela Organizao Beija Flor (considerados

    agentes pblicos, nos termos do art. 2, segunda parte, da Lei 8.429/92) como dos

    agentes pblicos vinculados ao Municpio de Tamarana, os quais, prevaleceram-se de

    seus cargos para intermediar ou facilitar a operao do esquema de desvio de recursos

    pblicos.

    A partir das declaraes da vereadora Luzia Harue

    Suzukawa17, em confronto com documentos apreendidos18, o Setor de Auditoria apontou

    que, aps a assuno do prefeito, ora requerido ROBERTO DIAS SIENA, frente da

    Prefeitura do Municpio de Tamarana, no ano de 2005, curiosamente o municpio passou

    a terceirizar os servios pblicos de sade para a Org. Beija Flor, que era controlada e

    administrada pelos requeridos MARCILENE RICIERI BORGES LEO; LAIDE MARIA

    FADEL DE CAMARGO e JOS LUCAS REIS (todas pessoas vinculadas ao deputado

    Durval Amaral, presidente do partido do ex-prefeito), a fim de possibilitar que a Org.

    Beija Flor passasse a executar programas na rea de sade.

    A Organizao Beija Flor, tambm chamada de OBEF, tem

    sede registrada junto a Receita Federal do Brasil na Rua Brasil n 449, Sala 2, na cidade

    de Cambe/PR19, foi constituda em 28/09/2001 e est registrada com CNPJ nmero

    05.328.233/0001-3120.

    Formalmente seria uma associao, sem fins lucrativos,

    qualificada pelo Ministrio da Justia como Organizao da Sociedade Civil de Interesse

    16 Valores atualizados at 21/12/2012, conforme Informao n 074/2012 da Auditoria do Ministrio Pblico (DOC.4). 17 DOC. 2 Termo de declaraes de vereadora Luzia Harue Suzukawa. 18 DOC. 5 Documentos apreendidos no cumprimento do Mandado de Busca e Apreenso 19 Atualmente, de maneira no oficial, transferiu seu domiclio para o Municpio de Astorga, a fim de tentar se esquivar dos mandados judiciais de busca e apreenso. 20 DOC. 6 - Relatrio n 64/2012 da Auditoria do Ministrio Pblico.

  • 14

    Pblico (OSCIP) desde 14/09/2005, sendo declarada, posteriormente, como entidade de

    Utilidade Pblica atravs da Lei Estadual do Paran n. 15.033/200621 e pela Lei n.

    2.056/2006, editada pelo Municpio de Camb.

    Durante o perodo investigado (2005 a 2011), a requerida

    BEIJA FLOR, foi assim dirigida: Sra. Marcilene Ricieri Borges Leo presidiu de

    21 Note-se que os membros e administradores da ONG Organizao Beija Flor, ora requeridos MARCILENE RICIERI BORGES LEO, LAIDE MARIA FADEL DE CAMARGO, SALETE MARIA DE CAMARGO GASTALDI, e MARCO PAULO GASTALDI, esto diretamente ligados ao Deputado Estadual Durval Amaral, recm-eleito para o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Paran, o qual ex-presidente do diretrio regional do Partido Democratas DEM, cujo Prefeito do Municpio de Tamarana, ora requerido Sr. ROBERTO DIAS SIENA, tambm integra o mesmo partido. Ver relatrio n 064/12 do Setor de Auditoria do Ministrio Pblico.

    Tais circunstncias indicam que a Organizao Beija Flor, recebeu forte influncia do ento Deputado Durval Amaral e seu grupo poltico, na medida em que, desde a fundao, as funes administrativas da Beija Flor sempre foram exercidas com exclusividade por parentes prximos ou pessoas de sua extrema confiana.

    Observa-se que, logo aps a criao da Organizao Beija Flor, a requerida MARCILENE RICIERI BORGES LEO, servidora pblica concursada no municpio de Camb, presidiu a OSCIP no perodo de 03/2003 a 06/2010, e aps deixar a administrao da ONG, em abril de 2011, passou a ocupar diversos cargos em comisso durante a administrao do Deputado Estadual Durval Amaral como Chefe da Casa Civil no Estado do Paran, o que demonstra a vinculao de Marcilene com Durval Amaral:

    Chefe de Seo de Unidade Hospitalar de Porte II Smbolo 1-C, da Secretaria de Estado da Sade;

    Assistente 5-c, da Casa Civil; Assessor Smbolo DAS-4, da Casa Civil, a partir de 1 de janeiro de 2012 do Estado

    durante a gesto de Durval Amaral como chefe da Casa Civil. Aps a sada formal de Marcilene Ricieri Borges Leo da presidncia (j que continuou

    interferindo decisivamente na ONG), a sogra do deputado, Laide Maria Fadel de Camargo, passou a ocupar o cargo de presidente da Organizao Beija Flor (em 06/2010) at 10/2010, sempre auxiliada pela cunhada do deputado, Salete Maria de Camargo Gastaldi (filha de Laide, irm de Seila Aparecida de Carvalho Amaral) e seu marido Marco Paulo Gastaldi, tudo sob a superviso de Marcilene, pessoa da mais alta confiana do deputado.

    Segundo o depoimento do contador da Instituio, Sr. David Garcia de Assis (fls. 10 a 12), Marco Paulo Gastaldi um dos responsveis pela OSCIP: ...Que o declarante fez a folha de pagamentos da entidade Beija Flor durante esse mesmo perodo (oito anos), tendo deixado de prestar servios para tal OSCIP no ms de junho do corrente ano de 2011; que durante todo o perodo que o declarante prestou servios para a endidade BEIJA FLOR, o declarante era procurado pelas pessoas de MARCILENE RICIERI e MARCO PAULO GASTALDI, os quais representavam a OSCIP chamada Beija Flor...

    E conforme depoimento de Marcilene Ricieri, Marco Paulo era fiscal na prestao de servios ao Municpio de Tamarana (fls. 19 a 22). ...que o Instituto Beija Flor mantinha um funcionrio de nome Marco Paulo Gastaldi incumbido de fiscalizar a execuo da parceria com o Municpio de Tamarana; que Marcos Paulo ia semanalmente a Tamarana conferir se os pronturios, a frequncia dos mdicos, qualidade em servio era compatvel com o objeto da parceria estabelecida com o Municpio de Tamarana...

    Registre-se que foi o ento Deputado Durval Amaral, no exerccio de sua atividade legislativa, props o projeto de lei estadual n 658/2005, que mais tarde se converteria na Lei n. 15.033/06, tornando a Org. Beija Flor de Utilidade Pblica, e, com isso obtendo uma srie de benefcios legais para facilitar a ao do grupo.

  • 15

    03/2003 a 06/2010; a Sra. Laide Fadel de Camargo, presidiu a instituio de 06/2010

    a 10/2010 e por fim o Sr. Jos Lucas dos Reis que assumiu a presidncia desde ento22.

    MARCILENE LEO, na qualidade de presidente da OBEF, foi

    responsvel e instrumentalizou o favorecimento da OSCIP Beija Flor nas licitaes

    Tomara de Preos 01/2005 e respectivo aditivo; Prego 04/2006 e respectivo aditivo;

    Prego 53/2007 e respectivo aditivo; Prego 43/2008; Prego 46/2009 e Prego

    24/2010.

    LAIDE CAMARGO, na qualidade de presidente da OBEF, foi

    responsvel pela continuao dos desvios iniciados por MARCILENE na execuo do

    contrato referente ao Prego 24/2010;

    JOS LUCAS REIS, na qualidade de atual presidente da

    OBEF, compactuou com as ilicitudes anteriormente praticadas pela OSCIP mediante a

    prorrogao do contrato 36/2010, tendo, inclusive, sido o responsvel pela celebrao

    do 1 e 2 aditivos contratuais, bem como simulou o furto das provas e documentos

    comprobatrios das ilicitudes pertencentes a Beija-flor, fazendo comunicao falsa do

    furto constante do B.O. 2011/48774623, emitido pela Polcia Civil de Astorga (PR).

    A partir de sua qualificao como OSCIP, deferida pelo

    Ministrio da Justia em 14/09/2005, a Organizao Beija Flor abriu caminho para

    firmar parcerias com o poder pblico para promoo gratuita da sade, nos termos do

    art. 3 da Lei Federal n 9.790 de 1.999, regulamentada pelo Decreto n 3.100/1999,

    desde que previamente obedecido o procedimento licitatrio exigido pelo art. 116 da Lei

    8.666/93.

    Consoante se depreende do Relatrio de Auditoria n

    64/201224 e do quadro demonstrativo abaixo25, no perodo de 01/06/05 a 30/12/2011,

    a Organizao Beija Flor sagrou-se vencedora de todas as licitaes destinadas

    contratao de servios mdicos pelo Municpio de Tamarana, inclusive, tendo sido a

    22 DOC. 6 - Relatrio n 64/2012 da Auditoria do Ministrio Pblico. 23 DOC. 11 Boletim de Ocorrncia 2011/487746 24 DOC. 6 - Relatrio n 64/2012 da Auditoria do Ministrio Pblico. 25 Quadro extrado do Relatrio n 64/2012 da Auditoria do Ministrio Pblico (DOC. 6).

  • 16

    nica concorrente interessada em contratar com o poder pblico em cada um dos seis

    procedimentos licitatrios, e seus respectivos aditivos, realizados no perodo:

    Quadro 01:

    Licitaes Vencidas pela Organizao Beija Flor no Municpio de Tamarana.

    Licitao

    Mod./ N

    Incio do

    Contrato Objeto do Contrato

    Valor

    Contratual

    Tomada de

    Preos

    1/2005

    01/06/05

    Contratao de pessoa jurdica para

    prestao de servios, atravs de

    convnio ou termo de parceria com

    Organizao no Governamental

    (ONG), no desenvolvimento do

    Programa Combate Dengue e do

    Programa Sade da Famlia

    480.087,09

    Aditivo 30/06/06

    Prestao de servio de forma

    satisfatria e continuao dos

    servios at que seja realizado

    concurso pblico para provimento

    dos cargos de emprego pblico

    vinculado ao Programa, conforme

    TERMO DE AJUSTE DE CONDUTA

    firmado entre Ministrio Pblico

    Federal e Municpio.

    Prego

    04/2006

    02/01/2007

    31/12/2007

    Contratao de pessoa jurdica para

    prestao de servios mdicos, para

    atendimento ao Posto de Sade no

    desenvolvimento do PSF - Programa

    Sade da Famlia e prestao de

    servios no Hospital Municipal de

    Tamarana, com uma equipe mdica

    349.500,00

  • 17

    de plantonistas.

    Aditivo 31/10/2007

    De acordo com a Lei 8666/93 e suas

    alteraes. (Total atualizado do

    contrato: R$ 699.000,00)

    349.500,00

    Prego

    53/2007

    12/11/2007

    11/04/2008

    Constitui objeto desta licitao a

    Contratao de pessoa jurdica para

    prestao de servios mdicos,

    atravs de Convnio ou Termo de

    Parceria, para atendimento ao Posto

    de Sade no desenvolvimento do

    349.500,00

    Aditivo 31/10/2008

    Conforme Lei 8666/93 e suas

    alteraes realizado concurso

    no houve inscrio de mdico.

    522.900,00

    Prego

    43/2008

    29/10/2008

    30/04/2009

    Constitui objeto desta licitao a

    Contratao de pessoa jurdica para

    prestao de servios mdicos, para

    atendimento ao Posto de Sade no

    desenvolvimento do PSF - Programa

    Sade da Famlia e presta

    448.200,00

    Prego

    46/2009

    19/05/2009

    19/01/2010

    Contratao de pessoa jurdica para

    prestao de servios mdicos,

    atravs de Convnio ou Termo de

    Parceria, para atendimento ao Posto

    de Sade no desenvolvimento do PSF

    - Programa Sade da Famlia e

    670.500,00

    Prego

    24/2010

    29/04/2010

    30/12/2011

    Constitui objeto desta licitao a

    Contratao de pessoa jurdica para

    prestao de Servios Mdicos, para

    atendimento ao Posto de Sade no

    1.707.400,00

  • 18

    desenvolvimento do ESF - Estratgia

    Sade da Famlia e prest

    1 Aditivo 29/02/12

    CLUSULA PRIMEIRA O presente

    Termo Aditivo tem por objetivo

    aditar ao Contrato Original n

    036/2010 de 29/04/2010,

    alteraes na clausula quarta,

    passando a vigorar com a seguinte

    redao: CLUSULA QUARTA - DO

    PRAZO DE DURAO E

    PRORROGAO Fica aditado ao

    Contrato Original, prorrogao do

    prazo de prestao de servios de

    Janeiro/2012 Fevereiro/2012.

    CLUSULA SEGUNDA - DAS DEMAIS

    CLUSULAS Permanecem em seu

    inteiro teor, as demais clusulas do

    Contrato Originrio.

    170.740,00

    2 Aditivo 31/03/2012

    CLUSULA PRIMEIRA O presente

    Termo Aditivo tem por objetivo

    aditar ao Contrato Original n

    036/2010 de 29/04/2010,

    alteraes na clausula quarta,

    passando a vigorar com a seguinte

    redao: CLUSULA QUARTA - DO

    PRAZO DE DURAO E

    PRORROGAO Fica aditado ao

    Contrato Original, prorrogao do

    prazo de prestao de servios para

    o ms de Maro/2012. CLUSULA

    SEGUNDA - DAS DEMAIS

    CLUSULAS Permanecem em seu

    85.370,00

  • 19

    inteiro teor, as demais clusulas do

    Contrato Originrio.

    Total dos Contratos 4.653.610,00

    Fonte: Tribunal de Contas do Estado do Paran

    As contrataes entre a Beija Flor e o Municpio de

    TAMARANA, desvirtuaram a finalidade da parceria (ou convnio, Ver Relatrio 64/12 do

    Setor de Auditoria) entre a referida OSCIP e o Poder Pblico, j que no se prestaram ao

    fomento/promoo gratuita da sade do municpio.

    De efeito, a OSCIP no atuava paralelamente ao Estado em

    seu prprio mbito de atividade; ao contrrio, substitua-se prpria Administrao

    Pblica, como verdadeira empresa terceirizada para fornecimento de mo-de obra na

    rea de sade pblica, verificando-se que at mesmo parcela de lucro percebia do

    municpio. 26

    No curso das investigaes, apurou-se que as parcerias

    firmadas com a Organizao Beija-Flor serviram para os propsitos ilcitos dos

    requeridos, possibilitando a apropriao de recursos pblicos destinados execuo dos

    programas na rea da sade e enriquecimento ilcito dos agentes pblicos, em

    decorrncia dos contratos firmados com a Organizao Beija Flor, resultantes dos

    procedimentos licitatrios: Tomada de Preos 1/2005, Prego 04/2006, Prego

    53/2007, Prego 43/2008, Prego 46/2009 e Prego 24/2010.

    Os atos de improbidade administrativa envolvendo os

    requeridos nesta ao se operacionalizavam da seguinte maneira:

    O municpio, por intermdio do requerido ALDO

    BOARETTO NETTO, secretrio de administrao, que de tudo sabia, autorizava a

    abertura do processo licitatrio.

    26 Vide item 3.2 do Relatrio n 64/2012 da Auditoria do Ministrio Pblico (DOC.6)

  • 20

    Em seguida, por meio da atuao do secretrio de finanas,

    o ento requerido CLEUDEMIR JOS CATAI, que tambm agia como representante dos

    interesses da OSCIP dentro da prefeitura, determinava a publicao dos editais

    convocando os interessados a participar do certame.

    Por outro lado, a requerida Organizao Beija Flor, sob o

    comando dos requeridos MARCILENE RICIERI BORGES LEO; LAIDE MARIA FADEL

    DE CAMARGO sogra do ento Deputado Durval Amaral presidente do mesmo partido

    do prefeito ROBERTO DIAS SIENA e de JOS LUCAS REIS, atual presidente da OSCIP,

    com vistas a encobrir ou ocultar a posterior subtrao dos recursos pblicos, ou seja,

    tornar impossvel aferir onde e como seria aplicado cada centavo repassado pelo

    municpio, apresentava proposta simplria e genrica27 contendo at mesmo previso

    de parcela de lucro (no obstante a ONG no possuir fins lucrativos) e, ardilosa e

    propositalmente, deixava de descriminar dados importantes como os custos,

    percentuais referentes administrao, tributos ou qualquer outro tipo de despesa

    necessria para execuo do contrato, como pode ser visto nas observaes das

    propostas assinadas pela presidente da OSCIP, a requerida Marcilene Ricieri Borges

    Leo, enviadas em cada uma das licitaes.

    Nesse especial aspecto, so oportunas as consideraes

    externadas pelo Auditor do Ministrio Pblico (v. tem 3.4 do Relatrio 64/1228):

    Chama a ateno a simplicidade das propostas exigidas pelos editais dos

    preges, limitando-se a solicitar o Valor da Proposta Mensal e Valor da

    Proposta no Perodo, no solicitando descrio de custos, taxa de

    administrao do servio, tributos e demais despesas, impossibilitando, assim,

    uma anlise pela comisso de licitao da viabilidade da proposta apresentada,

    dando margem a superfaturamento no valor da prestao de servios, visto que

    no possvel determinar a margem real de taxa de administrao utilizada

    pela OSCIP.

    27 DOC. 7 Propostas de preos da BEIJA FLOR 28 DOC. 6 - Relatrio n 64/2012 da Auditoria do Ministrio Pblico

  • 21

    Pudemos demonstrar, ainda, indcios de que as licitaes eram direcionadas,

    j que nunca houve concorrente interessado em participar de qualquer dos

    processos licitatrios os quais a OBEF tenha participado e vencido.

    Embora manifestamente contrria s exigncias

    estabelecidas pela legislao especial, art. 38 e art. 116, 1, da Lei 8.666/93, a proposta

    da Organizao Beija Flor (inacreditavelmente, nica participante do certame) era aceita

    pelos integrantes da comisso de licitao, os requeridos JOO VITOR RUTHES DIAS,

    SAULO RIBEIRO RODRIGUES, DIONE CORDEIRO DA SILVA, ARMANDO DA SILVA

    SOUZA, VALDECIR AMADOR ALMERON e LEONILDO LOPES, bem como pela auditora

    de controle interno MARIA ROSE SOARES e pelo ex-secretrio de finanas CLEUDEMIR

    JOS CATAI, que eram justamente os agentes pblicos que, por dever de ofcio,

    deveriam se atentar para a ilicitude, desclassificar a proponente ou anular o

    procedimento eivado de invalidades.

    Entretanto, mesmo diante da singeleza da proposta, alm da

    incrvel e recorrente ausncia de concorrentes em todas as licitaes, o procedimento

    era homologado e assinado pelo prefeito ROBERTO DIAS SIENA que, tambm por dever

    de ofcio, era a autoridade mxima que deveria fiscalizar a lisura de todo o processo

    licitatrio. Ao contrrio, grande operador do esquema ilcito (possua, portanto, o

    domnio do fato e do desenrolar dos comportamentos de seus subordinados),

    sacramentava a fraude e determinava que se seguisse assinatura dos contratos por ele

    prprio e o representante legal da Beija Flor.

    II. 4. DESVIRTUAMENTO DO OBJETIVO DA PARCERIA

    OSCIP QUE FUNCIONAVA COMO MERA INTERMEDIRIA

    PARA CONTRATAO DE MO DE OBRA NA REA DE

    SADE INDEVIDA TAXA DE ADMINISTRAO

    ADMINISTRAO DOS PROGRAMAS PELOS PRPRIOS

    SERVIDORES PBLICOS E PELO REQUERIDO CLEUDEMIR

    CATAI.

  • 22

    Conforme as declaraes da prpria requerida MARCILENE

    RICIERI29, ultimada a contratao com o Municpio, o papel da OSCIP BEIJA FLOR na

    prestao de servios de sade Administrao Municipal de Tamarana era nfimo ou

    praticamente inexistente, servindo apenas como instrumento de enriquecimento ilcito

    de agentes pblicos e terceiros.

    Com efeito, a OSCIP BEIJA FLOR foi idealizada como simples

    instrumento para, a um s tempo, repassar valores do Municpio de Tamarana

    destinados sade municipal e, como consequncia, dificultar a fiscalizao e

    proporcionar, aos agentes pblicos (coordenados e comandados por BETO SIENA) E

    terceiros (representantes legais da BEIJA FLOR), enriquecerem, ilicitamente.

    Frise-se que todo o trabalho para o qual a OSCIP BEIJA FLOR

    foi contratada, na realidade era executado pela prpria Administrao Pblica, atravs

    da Secretaria de Sade do Municpio de Tamarana em conjunto com o Escritrio de

    Contabilidade Aliana (que elaborava a folha de pagamento da Beija Flor) e o Secretrio

    de Finanas do Municpio, o requerido CLEUDEMIR JOS CATAI, cabendo OSCIP e

    seus administradores nica e exclusivamente a funo de assinar as crtulas de cheques

    e entreg-las a CATAI, que era quem retirava todo o dinheiro diretamente na boca do

    caixa para destin-los a fins diversos daqueles estabelecidos na Parceria.

    Deste modo, constatou-se o total desvio de finalidade dos

    objetivos estabelecidos pela Lei 9.790/99 e das Parcerias/Convnios firmados com a

    OSCIP BEIJA FLOR, que revelou ter por objetivo exclusivo o aperfeioamento do

    esquema ilcito de dilapidao dos cofres pblicos engendrado pelo prefeito ROBERTO

    DIAS SIENA e pelo Secretrio de Finanas CLEUDEMIR JOS CATAI, em conluio e o

    auxlio dos agentes municipais ALDO BOARETTO NETTO, JOO VITOR RUTHES DIAS,

    MARIA ROSE SOARES, SAULO RIBEIRO RODRIGUES, DIONE CORDEIRO DA SILVA,

    ARMANDO DA SILVA SOUZA, VALDECIR AMADOR ALMERON e LEONILDO LOPES,

    bem como os representantes da Beija Flor, requeridos MARCILENE RICIERI BORGES

    LEO; LAIDE MARIA FADEL DE CAMARGO e JOS LUCAS REIS.

    Reforando a assertiva de que a atuao da OSCIP nos

    Termos de Parceria com o Municpio de Tamarana era de mera intermediadora na

    29 DOC. 8 Termos de declaraes de Marcilene Ricieri.

  • 23

    contratao de mo de obra e que as Parcerias foram utilizadas como instrumento para

    dilapidao dos cofres pblicos, a requerida MARCILE LEO30 declarou que embora a

    organizao da escala dos mdicos contratados e controle de suas frequncias

    constitussem obrigao contratual da BEIJA FLOR, era a prpria Secretaria de Sade

    que promovia tais atividades e, em seguida, repassava os controles de frequncia para o

    Escritrio de CONTABILIDADE ALIANA para a emisso das folhas de pagamento.

    Corroboram estes fatos as declaraes da requerida

    MARCILENE31:

    ...que a parceria atual com o Municpio de Tamarana tem por objetivo o

    fornecimento de mo de obra mdica para atender os plantes mdicos no

    municpio de Tamarana; que normalmente a indicao dos profissionais a

    serem contratados pelo Instituto Beija Flor feita pela prpria Secretaria de

    Sade do Municpio de Tamarana, pelos prprios mdicos, por indicao de

    terceiros, mas que ao final, passava pela Secretaria de Sade do Municpio de

    Tamarana; que a secretaria tambm responsvel por organizar a escala de

    plantes dos mdicos; que a Secretaria de Sade tambm fazia a fiscalizao

    dos cumprimentos do plantes prestados pelos mdicos...

    (...)

    ...que pelo que a declarante tem conhecimento, os pagamentos efetuados aos

    mdicos eram feitos pelo prprio Municpio de Tamarana, acompanhado pela

    pessoa de Marcos Paulo; que a Secretaria de Sade apresentava o controle de

    freqncia dos mdicos que servia de base para a emisso dos cheques de

    pagamentos; que o Instituto Beija Flor emitia os cheques e os encaminhava

    para o Cleudemir Catai, que se incumbia de fazer os repasses dos valores aos

    mdicos...

    (...)

    ...que a declarante nunca teve qualquer contato com os mdicos que prestam

    servios o Municpio de Tamarana; que a prpria Secretaria de Sade do

    30 DOC. 8 Termos de declaraes de Marcilene Ricieri 31 DOC. 8 Termos de declaraes de Marcilene Ricieri

  • 24

    Municpio quem combinou os valores das remuneraes dos mdicos e que

    repassa esses valores para o Instituto; que questionada qual exatamente a

    parte que incumbe ao Instituto Beija Flor na realizao dos servios constantes

    da parceria, j que a contratao dos mdicos , fiscalizao dos plantes,

    pagamentos dos profissionais, so realizados pelo prprio municpio de

    Tamarana, a declarante afirmou que esses servios so realizados com parceria

    do Instituto...

    De acordo com esses depoimentos e o relatrio de

    auditoria32, o requerido CLEUDEMIR JOS CATAI agia ativamente na administrao da

    Parceria estabelecida com a OSCIP BEIJA FLOR, j que recebia cheques que eram sacados

    na boca do caixa das agncias bancrias, efetivava pagamentos aos mdicos

    contratados em nome da OSCIP colhendo assinaturas dos mesmos em RPAs,

    representava a OSCIP resolvendo as situaes relacionadas prestao de servios,

    atuando como verdadeiro operador financeiro da OSCIP dentro da Prefeitura.

    Analisando a documentao apreendida33, o Setor de

    Auditoria do Ministrio Pblico34 constatou que os pagamentos aos mdicos dos

    programas se davam da seguinte forma:

    (...) Parte atravs de cheques emitidos pela Organizao Beija-Flor e entregues

    pelo Secretrio de Finanas do Municpio, Sr. Cleudemir Jos Catai;

    Parte em dinheiro efetivado pelo ento Secretrio de Finanas do Municpio Sr.

    Cleudemir Jos Catai, aps o saque dos valores na boca do caixa junto s

    instituies bancrias em que a Organizao Beija-Flor possua conta corrente;

    Parte atravs de depsitos em dinheiro efetivado pelo Sr. Cleudemir Jos Catai

    na conta corrente dos mdicos prestadores de servios.

    Parte do pagamento atravs de transferncias bancrias da conta corrente da

    OBEF conta corrente particular dos mdicos prestadores de servios.

    32 DOC. 6 - Relatrio n 64/2012 da Auditoria do Ministrio Pblico 33 DOC. 5 Documentos apreendidos no cumprimento do Mandado de Busca e Apreenso 34 DOC. 6 - Relatrio n 64/2012 da Auditoria do Ministrio Pblico

  • 25

    CLEUDEMIR CATAI, mais uma vez, aparece como homem de

    confiana do Prefeito e requerido BETO SIENA, na consecuo de fundamental tarefa do

    grupo criminoso, ou seja, realizar saques na boca do caixa, e transferir parte dos valores

    sacados aos mdicos, apenas formalmente pagos pela OSCIP BEIJA FLOR.

    claro que o expediente de sacar cheques na boca do caixa

    trata-se de modus operandi h muito conhecido dos rgos de investigao Estatais, com

    o ntido propsito de escamotear o destino de parte do dinheiro desviado.

    Note-se que CLEUDEMIR CATAI, tinha vrias tarefas na

    organizao criminosa dirigida por BETO SIENA, sendo a pessoa responsvel por

    administrar, de fato, a empresa MM SERVIOS DE TERRAPLANAGEM LTDA (FATO

    DESCRITO EM AO CIVIL PBLICA PRPRIA), alm de administrar, tambm de fato, os

    servios mdicos que deveriam ser realizados por funcionrios da BEIJA FLOR.

    Ressalte-se que, durante a execuo dos mandados de busca

    e apreenso cumpridos na sede administrativa do Municpio de Tamarana, ao perceber

    que as ilegalidades perpetradas pelo grupo de mprobos tinham sido descobertas,

    CLEUDEMIR JOS CATAI, Secretrio de Finanas do Municpio, foi flagrado tentando

    ocultar, no interior de sua sala, diversos comprovantes de pagamentos efetivados por

    ele com recursos pblicos destinados OSCIP BEIJA FLOR35.

    Na mesma ocasio, a agente pblica EDVANDA CAMARGO

    DE PAULA, servidora pblica municipal de Tamarana, tambm foi flagrada rasgando e

    amassando papis36 que continham relao de nomes e valores pagos aos mdicos

    contratados pela OSCIP BEIJA FLOR, para a execuo dos Termos de Parceria.

    Outrossim, reforando o carter meramente instrumental

    dos Termos de Parceria para permitir a consecuo de propsitos ilcitos pelos

    REQUERIDOS, o requerido CLEUDEMIR CATAI, Secretrio de Finanas do Municpio de

    Tamarana, em suas declaraes prestadas a esta Promotoria de Justia37, informou que

    nunca houve qualquer tipo de prestao de contas da OSCIP BEIJA FLOR Prefeitura de 35 Vide Item III do Relatrio n 64/2012 da Auditoria do Ministrio Pblico (DOC.6) 36 Vide Item III do Relatrio n 64/2012 da Auditoria do Ministrio Pblico (DOC.6) 37 DOC. 9 Termo de declaraes de Claudemir Jos Catai

  • 26

    Tamarana, e que era ele quem, na verdade, prestava contas OSCIP BEIJA FLOR dos

    mdicos que havia pago seguindo os valores contidos nas folhas de pagamento

    confeccionadas pela CONTABILIDADE ALIANA:

    ...que as RPAs apreendidas na Prefeitura referem-se a pagamentos feitos aos

    mdicos; que de posse dessas RPAs o Municpio pretendia encaminhar para a

    ONG os valores pagos aos mdicos para posteriormente a ONG apresentar a

    prestao de contas; que a a Organizao Beija Flor nunca prestou contas ao

    Municpio de Tamarana dos valores recebidos para prestar servios na rea de

    sade... (grifo nosso)

    Tambm corroboram estes fatos as declaraes prestadas,

    nesta Promotoria de Justia, por EDVANDA CAMARGO DE PAULA38, Diretora

    Administrativa do Hospital So Francisco em Tamarana:

    ...que a declarante quem faz o controle de freqncia desses mdicos; que de

    posse desse controles manda para a secretaria de finanas do Municpio para o

    Secretrio Cleudemir... (grifo nosso)

    ...que a declarante no sabe onde fica a Beija-Flor; que no sabe o telefone da

    Beija-Flor porque so sempre eles que ligam; que entretanto, quase todos os

    problemas relacionados com a prestao de servios da ONG so tratados como

    prprio Cleudemir Catai... (grifo nosso)

    ...que a declarante no sabe dizer exatamente qual o objeto da prestao de

    servios da Beija-Flor com o Municpio de Tamarana, j que a declarante

    quem faz o controle de freqncia dos mdicos e o pagamento feito por

    intermdio da prefeitura...

    Ainda, tomando como base a declarao do ento secretrio

    de finanas do municpio, conclui-se que ao invs de a ORGANIZAO BEIJA FLOR

    prestar contas ao Municpio de Tamarana, era na verdade o Municpio de Tamarana, por

    38 DOC. 10 Termo de declaraes de Edvanda Camargo de Paula.

  • 27

    meio da pessoa de seu Secretrio de Finanas, CLEUDEMIR CATAI, quem prestava

    contas OSCIP.

    II. 5. FALTA DE PRESTAO DE CONTAS

    DOCUMENTAO INIDNEA PARA A DEMONSTRAO

    DE DESPESAS RELACIONADAS COM A EXECUO DOS

    PROGRAMAS INDEVIDA TAXA DE ADMINISTRAO

    LESO AO ERRIO.

    A Auditoria apurou que, entre fevereiro de 2006 e julho de

    2011, a Beija-Flor recebeu R$ 4.486.593,30 (quatro milhes, quatrocentos e oitenta e

    seis mil, quinhentos e noventa e trs reais e trinta centavos)39.

    Para demonstrar detalhadamente a vultosa quantia desviada

    dos cofres pblicos municipais de Tamarana, a Auditoria do Ministrio Pblico elaborou

    quadro sinptico, contendo levantamento dos repasses de recursos pblicos do

    Municpio para a OSCIP BEIJA FLOR e dos gastos comprovados pela OSCIP para a

    administrao dos Termos de Parceria, cujas informaes foram obtidas a partir de

    documentos apreendidos na sede da OSCIP e na Prefeitura Municipal de Tamarana,

    conforme Relatrio n 64/2012.

    Segue, o Quadro Sinptico40, elaborado pelo Setor de

    Auditoria do Ministrio Pblico, contendo resumo de todos os Termos de Parceria

    firmados com o Municpio de Tamarana:

    Quadro 6:

    Contrato/ano

    Valor do repasse corrigido

    (a)

    Valor gasto com

    pagamento a

    Valor gasto com

    pagamento a

    Taxa de administra

    o 5% - corrigida

    Total de despesas corrigida

    (b+c)

    Excedente

    corrigido a (b+c)

    39 Valores atualizados at 21/12/2012, conforme Informao n 074/2012 da Auditoria do Ministrio Pblico (DOC.4) 40 Quadro extrado da Informao n 074/2012 da Auditoria do Ministrio Pblico (DOC. 4)

  • 28

    mdicos mdicos corrigido

    (b)

    (c)

    143/2006 974.038,50 151.365,00 208.656,03 48.701,93 257.357,95 716.680,55

    118/2007 612.697,45 268.935,22 341.305,19 30.634,87 371.940,07 240.757,38

    049/2008 553.961,55 334.340,00 413.286,03 27.698,08 440.984,11 112.977,45

    046/2009 996.597,73 494.643,33 600.372,68 49.829,89 650.202,57 346.395,16

    036/2010 1.349.298,

    07 885.733,38

    1.002.216,58

    67.464,90 1.069.681,

    48 279.616,59

    TOTAL GERAL:

    4.486.593,30

    2.135.016,93

    2.565.836,51

    224.329,67 2.790.166,18

    1.696.427,12

    Data da atualizao dos valores: 12/2012

    Indexador utilizado: INPC - IBGE

    Ressalta-se que, para realizar o clculo dos gastos realizados

    pela OSCIP BEIJA FLOR, na administrao dos Termos de Parceria, e para os recursos

    pblicos excedentes, o Setor de Auditoria do Ministrio Pblico destacou que levou em

    conta documentos financeiros (recibos, RPAs, cheques, comprovantes de depsitos

    bancrios) apreendidos na sede da OSCIP e na Prefeitura de Tamarana, no se atendo,

    todavia, licitude ou idoneidade comprobatria de tais documentos, tomando todos

    como supostamente vlidos e reais.

    Vale dizer, o Setor de Auditoria considerou os documentos

    inidneos para comprovar a efetiva execuo das finalidades das parcerias estabelecidas

    entre a Organizao Beija Flor e o Municpio de Tamarana.

    Constatou-se que nunca houve prestao de contas por parte

    da Beija Flor ao Municpio de TAMARANA, quanto aos recursos destinados rea de

    sade, destacando-se que os requeridos fizeram vrias tentativas de escamotear a

    fiscalizao da aplicao dos recursos repassados entidade.

    Alm da tentativa de esconder documentos durante a

    execuo dos mandados de busca e apreenso cumpridos na sede da Prefeitura de

  • 29

    Tamarana, conforme j mencionado, durante o cumprimento dos mandados de busca na

    sede BEIJA FLOR, de posse do Sr. JOS LUCAS DOS REIS, ento presidente da ONG, havia

    um Boletim de Ocorrncia sob n 2011/48774641, referente comunicao de furto

    simples de documentos pertencentes OSCIP relacionados execuo dos Termos de

    Parceria com o Municpio de Tamarana, tais como: tales de nota, balanos contbeis,

    recibos, contratos de prestao de servios, cpia do estatuto, notas fiscais de produtos,

    acertos trabalhistas. No entanto, pasmem, na mesma caixa onde estava o B.O.,

    tambm estavam os documentos noticiados como furtados! (v. Relatrio n

    64/1242).

    A falta de prestao de contas e a completa inidoneidade da

    documentao mantida pela ORGANIZAO BEIJA FLOR, relacionada s despesas com a

    execuo dos termos de parceria firmados com o Municpio de Tamarana, levaram o

    Setor de Auditoria que no h documentao vlida que comprove as despesas com a

    execuo das parcerias, devendo ser considerado como prejuzo aos cofres pblicos o

    valor total de R$ 4.486.593,30 (quatro milhes, quatrocentos e oitenta e seis mil,

    quinhentos e noventa e trs reais e trinta centavos)43.

    Observa-se, outrossim, que no clculo dos gastos efetuados

    pela OSCIP BEIJA FLOR na execuo dos Termos de Parceria, considerou-se a Taxa de

    Administrao de 5% sobre o valor total repassado mensalmente pelo Municpio de

    Tamarana, pois de acordo com declaraes prestadas pela requerida MARCILENE LEO

    nesta Promotoria de Justia44, a referida porcentagem integrava as propostas de preo45

    apresentadas pela BEIJA FLOR nos procedimentos licitatrios realizados pela Prefeitura

    de Tamarana de que participou e sagrou-se vencedora, para a contratao de pessoa

    jurdica para a prestao de servios no mbito da sade de Tamarana.

    Todavia, verificou-se a completa ilegalidade na incluso da

    referida Taxa de Administrao de 5% pela OSCIP na execuo dos Termos de

    Parceria, pois a referida Taxa no foi prevista nos editais licitatrios ou contratos

    41 DOC. 11 Boletim de Ocorrncia 2011/487746 42 DOC. 6 43 Valores atualizados at 21/12/2012, conforme Informao n 074/2012 da Auditoria do Ministrio Pblico (DOC.4) 44 DOC. 8 Termos de declaraes de Marcilene Ricieri 45 DOC. 7 Propostas de preos da BEIJA FLOR

  • 30

    administrativos do Municpio de Tamarana, referente contratao de pessoa jurdica

    para a prestao de servios mdicos, que resultaram nas parcerias estabelecidas entre

    a OSCIP BEIJA FLOR e o Poder Pblico.

    Apurou-se, ainda, que eram os servidores da Secretaria de

    Sade do Municpio de Tamarana e o Secretrio de Finanas, CLEUDEMIR CATAI, que

    administravam, de fato, os programas da rea de sade constantes dos Termos de

    Parceria firmados com a ORGANIZAO BEIJA FLOR, no tendo a OSCIP se incumbido de

    suas obrigaes como parceira do Municpio na execuo dos Programas (v. Relatrio

    n 64/12 do Setor de Auditoria46).

    Assim, a Taxa de Administrao sobre o Termo de

    Parceria, no valor de R$ 224.329,67 (duzentos e vinte e quatro mil, trezentos e vinte

    reais e sessenta e sete centavos)47 correspondente a 5% do montante total dos

    recursos pblicos repassados mensalmente pela Prefeitura de Tamarana incluso pela

    OSCIP BEIJA FLOR, Organizao sem fins lucrativos, foi indevidamente incorporado ao

    patrimnio dos gestores de recursos pblicos, causando a correspondente leso ao

    errio.

    II. 6. APROPRIAO DE RECURSOS DESTINADOS

    EXECUO DO PROGRAMA ENRIQUECIMENTO ILCITO

    DOS AGENTES PBLICOS E DA OSCIP.

    Ademais, documentos apreendidos na referida busca,

    revelaram que no perodo de 07/2010 a 04/2011, o requerido CLEUDEMIR CATAI

    enriqueceu-se ilicitamente da quantia de R$ 92.589,00 reais, referentes a recursos

    pblicos transferidos por meio de 12 cheques emitidos pela OSCIP BEIJA FLOR,

    subscritos por sua ento presidente MARCILENE LEO, correspondente a recursos

    pblicos repassados pelo Municpio de Tamarana ONG para a execuo dos Termos de

    Parceria, cujo valor era dissolvido pelos dirigentes da OSCIP no montante total dos

    46 DOC. 6 47 Valores atualizados at 21/12/2012, conforme Informao n 074/2012 da Auditoria do Ministrio Pblico (DOC.4)

  • 31

    demais gastos para a administrao e desenvolvimento das atividades contratadas (v.

    item 8 do Relatrio 64/201248).

    Com efeito, a partir da anlise dos documentos apreendidos,

    em especial dos canhotos de cheques emitidos pela BEIJA FLOR49, subscritos pela

    requerida MARCILENE LEO, constatou-se que 12 cheques foram repassados

    diretamente ao Secretrio de Finanas CLEUDEMIR CATAI, conforme demonstra a

    anotao nos canhotos das respectivas crtulas50.

    Esses recursos pblicos repassados pela OSCIP BEIJA FLOR

    ao Secretrio de Finanas CLEUDEMIR CATAI, por meio de cheques da OSCIP subscritos

    por MARCILENE LEO, referiam-se ao seu pagamento pela participao no esquema

    ilcito travado na Administrao Pblica Municipal de Tamarana, que deu desvirtuada

    finalidade aos falsos Termos de Parceria para prestao de servios de Sade, cuja

    execuo servia como instrumento para aperfeioamento do esquema ilcito de

    dilapidao dos cofres pblicos.

    O quadro51 elaborado pela Auditoria do Ministrio Pblico

    discrimina os cheques repassados ao requerido CLEUDEMIR CATAI e seus respectivos

    valores, a partir da Busca e Apreenso dos canhotos dos cheques junto OSCIP BEIJA

    FLOR (canhotos e anotaes nas figuras 15 a 23 do Relatrio de Auditoria):

    Quadro 8

    Valores registrados com a anotao

    Cleudemir

    Data N da folha de

    cheques Valor

    05/07/2010 AA-001552 R$ 2.500,00

    02/08/2010 AA-001567 R$ 5.000,00

    48 DOC. 6 - Relatrio n 64/2012 da Auditoria do Ministrio Pblico 49 DOC. 12 Relao de cheques apreendidos 50 DOC. 13 Cheques repassados a Cleudemir Catai 51 Quadro extrado do Relatrio n 64/2012 da Auditoria do Ministrio Pblico (DOC. 6)

  • 32

    02/09/2010 AA-001577 R$ 5.000,00

    29/09/2010 AA-001585 R$ 5.000,00

    04/11/2010 AA-001603 R$ 5.000,00

    02/12/2010 AA-001614 R$ 19.262,00

    02/12/2010 AA-001615 R$ 5.000,00

    22/12/2010 AA-001640 R$ 13.062,00

    22/12/2010 AA-001641 R$ 5.000,00

    03/03/2011 AA- 001691 R$ 15.265,00

    07/02/2011 AA-001669 R$ 6.250,00

    04/04/2011 AA-001709 R$ 6.250,00

    Total R$ 92.589,00

    O bloco de anotaes e o canhoto dos cheques em anexo52,

    emitidos por MARCILENE RICIERI (que reconheceu ser sua letra manuscrita nos

    documentos apreendidos) comprovam que o agente pblico CLEUDEMIR JOS CATAI, na

    qualidade de secretrio municipal de finanas, recebeu pessoalmente parte do dinheiro

    destinado execuo dos termos de Parceria, atravs de cheques da OBEF com valores

    variveis em seu nome, demonstrando cabalmente o enriquecimento ilcito deste agente

    pblico e seu grupo formado pelos requeridos ROBERTO DIAS SIENA, ALDO

    BOARETTO NETTO, JOO VITOR RUTHES DIAS, MARIA ROSE SOARES, SAULO

    RIBEIRO RODRIGUES, DIONE CORDEIRO DA SILVA, ARMANDO DA SILVA SOUZA,

    VALDECIR AMADOR ALMERON e LEONILDO LOPES, consubstanciando a prtica de

    ato de improbidade administrativa prevista no art. 9 da Lei de Improbidade.

    Outrossim, o Setor de Auditoria apurou que, entre fevereiro

    de 2006 e julho de 2011, a Organizao Beija-Flor recebeu R$ 4.486.593,30 (quatro

    52 DOC. 13 Cheques repassados a Cleudemir Catai

  • 33

    milhes, quatrocentos e oitenta e seis mil, quinhentos e noventa e trs reais e trinta

    centavos) em recursos destinados a projetos na rea da sade do municpio de

    Tamarana. Apurou-se, ainda, que do total do valor repassado, o montante de R$

    1.696.427,12 (um milho, seiscentos e noventa e seis mil, quatrocentos e vinte sete reais

    e doze centavos) ou 37,81% do total de repasses, no tiveram a destinao apropriada,

    passando a integrar o patrimnio particular dos requeridos ROBERTO DIAS SIENA,

    CLEUDEMIR JOS CATAI, ALDO BOARETTO NETTO, JOO VITOR RUTHES DIAS,

    MARIA ROSE SOARES, SAULO RIBEIRO RODRIGUES, DIONE CORDEIRO DA SILVA,

    ARMANDO DA SILVA SOUZA, VALDECIR AMADOR ALMERON, LEONILDO LOPES,

    MARCILENE RICIERI BORGES LEO, LAIDE MARIA FADEL DE CAMARGO e JOO

    LUCAS REIS.

    Para demonstrar detalhadamente a vultosa quantia desviada

    dos cofres pblicos municipais de Tamarana, a Auditoria do Ministrio Pblico elaborou

    quadro sinptico, contendo levantamento dos repasses de recursos pblicos do

    Municpio para a OSCIP BEIJA FLOR e dos gastos comprovados pela OSCIP para a

    administrao dos Termos de Parceria, cujas informaes foram obtidas a partir de

    documentos apreendidos na sede da OSCIP e na Prefeitura Municipal de Tamarana,

    conforme Relatrio n 64/2012.

    Destaca-se, no Quadro Sinptico53, elaborado pelo Setor de

    Auditoria do Ministrio Pblico, contendo resumo de todos os Termos de Parceria

    firmados com o Municpio de Tamarana, a demonstrao do excedente de R$

    1.696.427,12 (um milho, seiscentos e noventa e seis mil, quatrocentos e vinte

    sete reais e doze centavos), relativos a recursos pblicos repassados pelo Municpio

    para a OSCIP BEIJA FLOR, para a administrao dos Termos de Parceria para Prestao

    de servios e desenvolvimento de programas na rea de sade da Cidade de Tamarana,

    que foram apropriados pelos requeridos.

    Quadro 6:

    Contrato/ano

    Valor do repasse

    Valor gasto

    Valor gasto

    Taxa de administra

    Total de despesas

    Excedente

    53 Quadro extrado da Informao n 074/2012 da Auditoria do Ministrio Pblico (DOC. 4)

  • 34

    corrigido (a)

    com pagamen

    to a mdicos

    com pagamen

    to a mdicos corrigido

    (b)

    o 5% - corrigida

    (c)

    corrigida (b+c)

    corrigido a (b+c)

    143/2006 974.038,50 151.365,00 208.656,03 48.701,93 257.357,95 716.680,55

    118/2007 612.697,45 268.935,22 341.305,19 30.634,87 371.940,07 240.757,38

    049/2008 553.961,55 334.340,00 413.286,03 27.698,08 440.984,11 112.977,45

    046/2009 996.597,73 494.643,33 600.372,68 49.829,89 650.202,57 346.395,16

    036/2010 1.349.298,

    07 885.733,38

    1.002.216,58

    67.464,90 1.069.681,

    48 279.616,59

    TOTAL GERAL:

    4.486.593,30

    2.135.016,93

    2.565.836,51

    224.329,67 2.790.166,18

    1.696.427,12

    Data da atualizao dos valores: 12/2012

    Indexador utilizado: INPC - IBGE

    A apropriao dos recursos repassados Oscip seguiu

    sempre o mesmo modus operandi e pode ser observada claramente, de forma

    sistemtica, em todos os procedimentos referidos acima, por meio do cotejo dos dados

    contidos no caderno de anotaes de MARCILENE e os canhotos dos cheques54.

    Com essa prtica criminosa e mproba, os requeridos

    ROBERTO DIAS SIENA, CLEUDEMIR JOS CATAI, ALDO BOARETTO NETTO, JOO

    VITOR RUTHES DIAS, MARIA ROSE SOARES, SAULO RIBEIRO RODRIGUES, DIONE

    CORDEIRO DA SILVA, ARMANDO DA SILVA SOUZA, VALDECIR AMADOR ALMERON,

    LEONILDO LOPES, MARCILENE RICIERI BORGES LEO, LAIDE MARIA FADEL DE

    CAMARGO e JOS LUCAS DOS REIS, alm de contriburem para que a Organizao Beija

    Flor monopolizasse as licitaes do Municpio de Tamarana, mediante a frustrao da

    licitude (direcionamento de fornecedor e aceitao de propostas invlidas) para

    contempl-la com o valor de R$ 4.486.593,30 dos cofres pblicos em adjudicaes dos

    seus respectivos objetos, ainda concorreram para o enriquecimento ilcito de todos os 54 DOC. 12 Relao de cheques

  • 35

    requeridos, que incorporaram aos seus patrimnios a sobra ou excedente de valores

    repassados OBEF e no utilizados nos projetos, no valor total de R$ 1.696.427,12 (um

    milho, seiscentos e noventa e seis mil, quatrocentos e vinte sete reais e doze centavos),

    consubstanciando a prtica de ato de improbidade administrativa previsto no art. 9 da

    Lei 8.429/92.

    Assim agindo, durante os anos de 2005 a 2011, na cidade de

    Tamarana/PR, os agentes pblicos municipais ROBERTO DIAS SIENA, CLEUDEMIR

    JOS CATAI, ALDO BOARETTO NETTO, JOO VITOR RUTHES DIAS, MARIA ROSE

    SOARES, SAULO RIBEIRO RODRIGUES, DIONE CORDEIRO DA SILVA, ARMANDO DA

    SILVA SOUZA, VALDECIR AMADOR ALMERON e LEONILDO LOPES, juntamente com

    os agentes e gestores da OSCIP ORGANIZAO BEIJA FLOR, formada por MARCILENE

    RICIERI BORGES LEO; LAIDE MARIA FADEL DE CAMARGO e JOS LUCAS DOS REIS,

    em comunho de esforos e vontades, dolosamente, frustraram a licitude dos

    procedimentos licitatrios: Tomada de Preos 1/2005, Prego 04/2006, Prego

    53/2007, Prego 43/2008, Prego 46/2009 e Prego 24/2010, com o fim de desviar e se

    apropriarem de recursos destinados execuo dos programas na rea da sade.

    Com tais comportamentos, os requeridos causaram leso ao

    errio no valor de R$ 4.486.593,30 (quatro milhes, quatrocentos e oitenta e seis

    mil, quinhentos e noventa e trs reais e trinta centavos), destacando-se que, desse

    valor, R$ 1.696.427,12 (um milho, seiscentos e noventa e seis mil, quatrocentos e

    vinte sete reais e doze centavos) foram incorporados, indevidamente, ao

    patrimnio dos requeridos, assim, como os valores R$ 224.329,67 (duzentos e

    vinte e quatro mil, trezentos e vinte reais e sessenta e sete centavos), referente

    indevida cobrana da taxa de administrao55 e R$ 92.589,00 (noventa e dois mil,

    quinhentos e oitenta e nove reais), pagos diretamente ao requerido CLEUDEMIR

    CATAI, consubstanciando atos de improbidade administrativa previstos nos artigos 9,

    caput, incisos I, XI; 10 caput, incisos I, VIII e XII, e art. 11, caput e inciso I, todos da

    Lei 8.429/92, devendo ser condenados s sanes previstas no artigo 12, incisos I, II e

    III, todos da Lei 8.429/92.

    55 Valores atualizados at 21/12/2012, conforme Informao n 074/2012 da Auditoria do Ministrio Pblico (DOC.4)

  • 36

    III DO DIREITO

    Maria Sylvia Zanella Di Pietro56 pontifica que organizaes

    da sociedade civil de interesse pblico so entidades que prestam atividade de

    interesse pblico, por iniciativa privada, sem fins lucrativos; precisamente pelo

    interesse pblico da atividade, recebe proteo e, em muitos casos, ajuda por parte do

    Estado, dentro da atividade de fomento; para receber essa ajuda, tem que atender a

    determinados requisitos impostos por lei que variam de um caso para outro; uma vez

    preenchidos os requisitos, a entidade recebe um ttulo, como o de utilidade pblica, o

    certificado de fins filantrpicos, a qualificao de organizao social. Esse tipo de

    entidade existe desde longa data, mas agora est adquirindo feio nova, especialmente

    com a promulgao da Lei n 9.790, de 22-3-99, que dispe sobre as organizaes da

    sociedade civil de interesse pblico.57.

    A Lei 9.790/99 que dispe sobre a qualificao de pessoa

    jurdica de direito privado, sem fins lucrativos, como Organizao da Sociedade Civil de

    Interesse Pblico e institui e disciplina o Termo de Parceria, estabelece normas que visam

    garantir a probidade na gesto dos recursos pblicos.

    Um dos requisitos exigidos por lei (art. 1, 1, da lei

    9.970/99) para a obteno da qualificao de OSCIP o de que a pessoa jurdica no

    possua fins lucrativos, ou seja, que no distribua entre seus scios ou associados,

    conselheiros, diretores, empregados ou doadores, eventuais excedentes operacionais,

    brutos ou lquidos; dividendos, bonificaes, participaes ou parcelas de seu

    patrimnio, auferidos mediante o exerccio de suas atividades, devendo aplic-los

    integralmente na consecuo do respectivo objeto social.

    Ademais, ao se qualificar como OSCIP e ser contemplada

    com repasse de recursos pblicos a entidade, embora constituda sob as regras do

    direito privado, submete-se s normas de direito pblico, sobretudo no que tange

    observncia dos princpios da Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade,

    Eficincia e Economicidade, conforme expressamente prev o artigo 4, inciso I da Lei

    9.970/99. 56 Maria Sylvia Zanella Di Pietro. p. 501. 57 op. cit. p. 502.

  • 37

    J o artigo 4, inciso II da mesma Lei, exige o emprego de

    prticas de gesto que cobam a obteno de forma individual ou coletiva, de benefcios

    ou vantagens pessoais, em decorrncia da participao no respectivo processo decisrio.

    Esta disposio legal regulamentada pelo art. 7 do

    Decreto Federal 3.100/99 que explicita que, benefcios pessoais so aqueles obtidos por

    meio da OSCIP, pelos dirigentes da entidade, seus cnjuges, companheiros e parentes

    colaterais ou afins, bem como os obtidos por pessoas jurdicas das quais essas pessoas

    sejam controladores ou detenham mais de dez por cento da participao societria.

    A lei ainda dispe sobre formas e mecanismos de controle e

    fiscalizao da gesto dos recursos repassados s Oscips, e submete os gestores de

    recursos responsabilizao por improbidade administrativa (artigo 13 da Lei

    9.790/99), reconhecendo sua condio de agentes pblicos.

    Todas essas disposies legais so plenamente aplicveis

    Organizao Beija Flor, cujos colaboradores, membros e dirigentes, para os fins da Lei de

    Improbidade, se reputam agentes pblicos por equiparao, conforme o disposto

    no art, 2, segunda parte, da Lei 8.429/9258.

    Por fim, a Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/92),

    ao tempo em que estabelece, fundada nas disposies constitucionais, o dever de

    probidade ao agente pblico, delineia os parmetros da devida atuao do agente, ao

    tipificar os atos de improbidade administrativa em trs categorias distintas: atos que

    ensejam o enriquecimento ilcito (art 9); atos que causam leso ao errio (art. 10) e

    atos que atentam contra os princpios regentes da administrao pblica (art. 11),

    estabelecendo sanes ao agente cujo comportamento se amolde a qualquer das

    hipteses previstas na Lei.

    58 Art. 1 Os atos de improbidade praticados por qualquer agente pblico, servidor ou no, contra a administrao direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da Unio, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municpios, de Territrio, de empresa incorporada ao patrimnio pblico ou de entidade para cuja criao ou custeio o errio haja concorrido ou concorra com mais de cinqenta por cento do patrimnio ou da receita anual, sero punidos na forma desta lei. Art. 2 Reputa-se agente pblico, para os efeitos desta lei, todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remunerao, por eleio, nomeao, designao, contratao ou qualquer outra forma de investidura ou vnculo, mandato, cargo, emprego ou funo nas entidades mencionadas no artigo anterior.

  • 38

    Os fatos retratados nesta petio inicial evidenciam que no

    perodo compreendido entre os meses de novembro e dezembro de 2010 at maio de

    2011, os requeridos ROBERTO DIAS SIENA, CLEUDEMIR JOS CATAI, ALDO

    BOARETTO NETTO, JOO VITOR RUTHES DIAS, MARIA ROSE SOARES, SAULO

    RIBEIRO RODRIGUES, DIONE CORDEIRO DA SILVA, ARMANDO DA SILVA SOUZA,

    VALDECIR AMADOR ALMERON e LEONILDO LOPES, juntamente com os dirigentes da

    Organizao Beija Flor, os requeridos MARCILENE RICIERI BORGES LEO, LAIDE

    MARIA FADEL DE CAMARGO e JOS LUCAS REIS, agindo com identidade de propsitos

    e em diviso de tarefas, praticaram atos de improbidade administrativa que ensejaram o

    enriquecimento ilcito de agentes pblicos, causaram leso ao errio e violaram os

    princpios que regem a administrao pblica.

    Para a consecuo dos propsitos mprobos, os requeridos

    MARCILENE RICIERI BORGES LEO, LAIDE MARIA FADEL DE CAMARGO e JOS

    LUCAS DOS REIS, utilizaram-se da ORGANIZAO BEIJA FLOR, nitidamente idealizada

    pelos requeridos para servir aos seus propsitos mprobos, sobretudo para possibilitar a

    obteno de vantagens pessoais por parte dos seus integrantes.

    Observa-se, portanto, que a OSCIP BEIJA FLOR,

    supostamente sem fins lucrativos, no passava de uma sociedade empresria familiar,

    criada para atender aos interesses pessoais de seus integrantes e foi efetivamente

    utilizada para possibilitar a obteno de vantagens patrimoniais indevidas dos seus

    dirigentes e colaboradores.

    Conforme j exposto, as contrataes da Organizao Beija

    Flor no se prestaram ao fomento/promoo gratuita da sade do municpio, j que a

    entidade no atuava paralelamente ao Estado em seu prprio mbito de atividade, muito

    pelo contrrio, substitua-se prpria Administrao Pblica, como verdadeira empresa

    terceirizada fornecedora de mo de obra (mdicos), sendo que at mesmo parcela de

    lucro percebia do municpio (v. item 3.2 do Relatrio 64/201259). Alm disso, verificou-

    se que a execuo da suposta parceria no passou de uma fraude, j que os programas

    foram administrados por funcionrio pblicos dentro da prpria Prefeitura do

    Municpio de Tamarana.

    59 DOC. 6 - Relatrio n 64/2012 da Auditoria do Ministrio Pblico

  • 39

    Utilizando-se, destarte, da ORGANIZAO BEIJA FLOR e dos

    contratos fraudulentos firmados com o Municpio de Tamarana, destinada execuo

    dos Programas Combate Dengue e do Programa Sade da Famlia, Sade da Famlia

    e prestao de servios no Hospital Municipal de Tamarana e, ainda, prestao de

    servios mdicos, atravs de Convnio ou Termo de Parceria, para atendimento ao Posto

    de Sade, os Requeridos MARCILENE RICIERI BORGES LEO, LAIDE MARIA FADEL

    DE CAMARGO e JOS LUCAS DOS REIS, valendo-se da condio de gestores dos

    recursos pblicos, agindo em concurso com os demais requeridos, causaram leso ao

    errio e obtiveram vantagem patrimonial indevida, mediante a apropriao de parte dos

    valores repassados OSCIP Beija Flor.

    Da anlise dos procedimentos licitatrios referidos nesta

    ao, verificou-se que estes serviram apenas para conferir aparente legitimidade

    formalizao das parcerias, de forma a dar concretude ao escopo mprobo dos

    requeridos.

    Tais comportamentos afrontaram as disposies da Lei

    9.790/99, regulamentada pelo Decreto Federal 3.100/99 e tipificaram as hipteses de

    improbidade administrativa previstas nos artigos 9, 10 e 11 da Lei n. 8.429/92.

    III. 1. DOS ATOS DE IMPROBIDADE QUE ENSEJARAM

    ENRIQUECIMENTO ILCITO DE AGENTES PBLICOS (ART.

    9 DA LEI 8.429/92).

    Os agentes pblicos municipais ROBERTO DIAS SIENA,

    CLEUDEMIR JOS CATAI, ALDO BOARETTO NETTO, JOO VITOR RUTHES DIAS,

    MARIA ROSE SOARES, SAULO RIBEIRO RODRIGUES, DIONE CORDEIRO DA SILVA,

    ARMANDO DA SILVA SOUZA, VALDECIR AMADOR ALMERON e LEONILDO LOPES,

    agindo em diviso de tarefas e identidade de propsitos com os dirigentes da

    Organizao Beija Flor, MARCILENE RICIERI BORGES LEO, LAIDE MARIA FADEL DE

    CAMARGO e JOS LUCAS DOS REIS, por intermdio da OSCIP BEIJA FLOR,

    incorporaram, ilicitamente, aos seus patrimnios pessoais a importncia de R$

    1.754.225,07 (um milho, setecentos e cinquenta e quatro mil, duzentos e vinte e

  • 40

    dois reais e set centavos); R$ 205.439,00 (duzentos e cinco mil, quatrocentos e

    trinta e nove reais), referente indevida cobrana da taxa de administrao e R$

    92.589,00 (noventa e dois mil, quinhentos e oitenta e nove reais), pagos

    diretamente ao requerido CLEUDEMIR CATAI, subsumindo seus comportamentos

    s disposies legais encartadas no art. 9, caput, incisos I, XI da Lei 8.429/92:

    Art. 9. Constitui ato de improbidade administrativa importando

    enriquecimento ilcito auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida

    em razo do exerccio de cargo, mandato, funo, emprego ou atividade nas

    entidades mencionadas no art. 1 desta Lei, e notadamente:

    I - Receber, para si ou pra outrem, dinheiro, bem mvel ou imvel ou qualquer

    outra vantagem econmica, direta ou indireta, a ttulo de comisso

    percentagem, gratificao ou presente de quem tenha interesse, direto ou

    indireto, que possa ser atingido ou amparado por ao ou omisso decorrente

    das atribuies do agente pblico.

    (...)

    XI- incorporar, por qualquer forma, ao seu patrimnio de bens, rendas, verbas

    ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no

    art 1 desta lei;

    Emerson Garcia60, ao comentar esta disposio legal,

    esclarece que:

    A anlise desse preceito legal permite concluir que, afora o elemento volitivo

    do agente, o qual deve necessariamente se consubstanciar no dolo, so quatro

    os elementos formadores do enriquecimento ilcito sob a tica da improbidade

    administrativa: a) o enriquecimento do agente; b) que se trate de agente que

    ocupe cargo, mandato, funo, emprego ou atividade nas entidades elencadas

    no art. 1, ou mesmo o extraneus que concorra para a prtica do ato ou dele se

    beneficie (arts. 3 e 6); c) a ausncia de justa causa, devendo se tratar de

    60 Garcia, Emerson e Alves, Rogrio Pacheco. Improbidade Administrativa, p. 251, 3 ed. Livraria e Editora Lumen Juris LTDA. 2005.

  • 41

    vantagem indevida, sem qualquer correspondncia com os subsdios ou

    vencimentos recebidos pelo agente pblico; d) relao de vantagem de

    causalidade entre a vantagem indevida e o exerccio do cargo, pois a lei no

    deixa margem a dvidas ao falar em vantagem patrimonial indevida em razo

    do exerccio de cargo....

    Prossegue o autor61:

    Em um primeiro plano, observa-se que, aqui, o enriquecimento ser sempre

    fruto de uma ilicitude, j que ao agente pblico, no exerccio de suas funes,

    somente permitido auferir as vantagens previstas em lei. Inexistindo previso

    legal, ilcito ser o enriquecimento. No mais, diferentemente do que ocorre no

    mbito privado, em raras ocasies o enriquecimento do agente pblico

    importar no correlato empobrecimento patrimonial do sujeito passivo, o qual

    prescindvel configurao da tipologia legal prevista no caput do art. 9.

    A idia de empobrecimento substituda pela noo de vantagem patrimonial

    indevida, sendo considerado ilcito todo enriquecimento relacionado ao

    exerccio da atividade pblica e que no seja resultado da contraprestao

    paga ao agente, o que demonstra de forma insofismvel a infringncia dos

    princpios da legalidade e da moralidade, verdadeiros alicerces da atividade

    estatal..

    Mais adiante, complementa o autor62:

    Violado o dever jurdico de no enriquecer ilicitamente, ter-se- configurado o

    dolo, o que exige que a anlise do elemento volitivo do agente no se mantenha

    adstrita unicamente sua conduta, mas, primordialmente, ao fato de ter

    auferido vantagem no autorizada em lei.

    61 ob. cit., p.252. 62 ob. cit., p. 251.

  • 42

    Apurou-se que o requerido BETO SIENA, no exerccio do

    cargo de prefeito do Municpio de Tamarana, teve importante papel na estrutura ilcita e

    hierarquizada, por ele montada na Administrao Pblica Municipal. ROBERTO DIAS

    SIENA, ento prefeito de Tamarana, recebia apoio e apoiava a Organizao Beija Flor,

    possuindo pleno conhecimento do desenrolar dos comportamentos de seus inferiores

    hierrquicos (CLEUDEMIR CATAI e outros);

    Para cumprir tal mister, BETO SIENA distribuiu as tarefas de

    cada integrante da organizao criminosa, relembre-se:

    - CLEUDEMIR CATAI, ento Secretrio de Finanas, administrava a execuo

    dos termos de parceria firmados com a OSCIP BEIJA FLOR. Tambm

    gerenciava uma pessoa jurdica de direito privado na sala contnua sala do

    Prefeito BETO SIENA, fazendo a contabilidade da empresa, guardando os

    documentos pessoais dos scios e da empresa, fazendo a contabilidade dos

    RPAS pagos aos funcionrios da empresa MM., o que possibilitava

    organizao desviar, ainda mais, parte do dinheiro recebido pela empresa

    MM como contraprestao dos servios prestados ao Municpio. Conforme j

    frisado, estes fatos foram descritos em ao prpria, sendo que sua meno

    nesta ao apenas destina-se a minudenciar o modus de operao do grupo;

    - JOO VITOR RUTHES DIAS, MARIA ROSE SOARES, SAULO RIBEIRO

    RODRIGUES, DIONE CORDEIRO DA SILVA, ARMANDO DA SILVA SOUZA,

    VALDECIR AMADOR ALMERON e LEONILDO LOPES, eram servidores do

    departamento de licitao e integrantes da prpria comisso de licitao,

    incumbindo-lhes fiscalizar a lisura do procedimento licitatrio; todavia, ao

    revs, permitiam e eram coniventes com o direcionamento do certame

    Organizao Beija Flor, mesmo cientes das propostas que no atendiam aos

    requisitos legais e continham previso de lucros.

    - ALDO BOARETTO NETTO, era secretrio de administrao, tendo atuado

    decisivamente na empreitada mproba, autorizando a abertura de todos os

    procedimentos licitatrios ora impugnados, mesmo ciente do

  • 43

    direcionamento ilcito que seria dado ao procedimento de contratao e a

    subsequente apropriao indevida dos repasses pelos integrantes do grupo;

    Por outro lado, os dirigentes da BEIJA FLOR, MARCILENE

    RICIERI BORGES LEO, LAIDE MARIA FADEL DE CAMARGO e JOS LUCAS DOS REIS,

    utilizavam-se dessa OSCIP para recepcionar os valores repassados pelo Municpio e

    desviar parte desse montante em benefcio dos requeridos.

    Portanto, os agentes pblicos ROBERTO DIAS SIENA,

    CLEUDEMIR JOS CATAI, ALDO BOARETTO NETTO, JOO VITOR RUTHES DIAS,

    MARIA ROSE SOARES, SAULO RIBEIRO RODRIGUES, DIONE CORDEIRO DA SILVA,

    ARMANDO DA SILVA SOUZA, VALDECIR AMADOR ALMERON e LEONILDO LOPES,

    MARCILENE RICIERI BORGES LEO, LAIDE MARIA FADEL DE CAMARGO, JOS

    LUCAS DOS REIS, e a ORGANIZAO BEIJA-FLOR, agindo em concurso entre si,

    enriqueceram-se ilicitamente, em razo do exerccio de cargo e atividades de interesse

    pblico, auferindo vantagens patrimoniais indevidas, na importncia R$ 1.696.427,12

    (um milho, seiscentos e noventa e seis mil, quatrocentos e vinte sete reais e doze

    centav