Laurinda Baptista “Onde há violência não há desenvolvimento” ?· ENTREVISTA. ACTUALIDADE. MAIS…

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Onde h violncia no h desenvolvimento

FIGURA DO CAZENGAMIGUEL VITRA, UM SAPATEIRO

CONTRA A VD

NOSSA CAMPANHAPALESTRA S MAMS DA IGREJA CHEIA DA PALAVRA DE DEUS

ENTREVISTA

ACTUALIDADEMAIS DE 200 MIL CRIANAS VACINADAS CONTRA A POLIOMIELITE

Jornal Quinzenal - Edio n. 03 Ano 1 - Distribuio Gratuta

Laurinda Baptista

2

Cazenguinha2

EditorialCaras leitoras e

caros leitores,A violncia do-

mstica um grave problema ao redor do mundo e afecta tambm a nossa co-

munidade. Apesar dos seus impactos serem sentidos por todos da famlia, existe evidncia de que as mulheres so as maiores vtimas desse tipo de violncia.

Os relatos sobre situaes de vio-lncia domstica envolvendo, prin-cipalmente, crianas e mulheres, so arrepiantes, situao que no podemos ignorar. Por isso, nesta edi-o, o Cazenguinha vai comear a abordar alguns assuntos relaciona-dos a Violncia Domstica, seus tipos e formas de manifestao. Queremos promover uma reflexo que nos aju-de a analisar os prejuzos da violncia domstica quer para as pessoas de forma individual, como para as fam-lias e para a sociedade.

Entendemos que muitos aspectos enraizados na nossa educao, e at nas nossas tradies, abrem espao para prticas violentas, mas est com-provado: Violncia gera violncia. Se queremos uma sociedade diferente, este o momento de construi-la. Contamos consigo!

Fala Ento!

Propriedade:Projecto Respond / EH.

Redaco:Analtina A. Guimares

Aoan dAlva

Reviso:Daniel Lima; Delma

Monteiro; Fbio Verani

Paginao:Andr Suamino

Tiragem:6000 Exemplares

Impresso:EAL

Edies de Angola Lda.

UKANI PAULO: Violncia domstica aquela praticada dentro de casa ou no mbito familiar entre indivduos unidos por laos de parentesco. um problema que envolve ambos os sexos, resultando em agresso ao compa-nheiro ou companheira.

MPOVA SUZANA: A violncia domstica toda aco ou omisso que causa leso fsica ou dano psicolgico, a um indivduo quer seja cri-ana ou adulto. Essa mesma violncia ocorre no seio familiar e pode ser de pais para filhos ou mesmo entre os cnjuges, que o mais comum.

JOS TITO: Para mim violncia domstica toda aco feita contra uma pessoa seja ela criana, jovem ou adulto que causa algum dano, dentro de casa, por familiares. Devemos mu-dar o conceito de que violncia domstica s quando as mulheres so agredidas.

ELISA ANTNIO: Na minha opinio a vio-lncia domstica toda aco que causa danos psicolgicos, fsico ou verbal, praticada por qual-quer indivduo, seja ela permanente ou tempo-ral e que atente contra a pessoa humana no m-bito das relaes familiares.

FRANCISCO MONTEIRO: A violncia do-mstica na minha opinio, toda aco ou com-portamento ilcito de um indivduo contra outro, ou seja, toda atitude negativa que fere a sensi-bilidade e a estrutura fsica de uma pessoa, isto entre os casais, entre os filhos, entre os pais e filho etc., dentro de uma famlia ou um lar.

RITA DALAS: Eu considero violncia do-mstica todo o acto fsico, psicolgico ou verbal que causa danos temporrios ou permanentes ao outro, abrangendo diferentes nveis sociais, pessoais e no s, sendo a mulher a mais afecta-da devido aos aspectos culturais e sociais.

Elisa

Francisco

Rita Suzana

UkaniTito

Cazenguinha 07

A Campanha Juntos pelo Fim da Violncia Domstica fez, no dia 09 de Maio as 10h30, uma palestra na Igreja Cheia da palavra de Deus, no Bairro 11 de Novembro. O tema da palestra foi A Igualdade de gnero na Bblia e contou com a partici-pao das responsveis dos gru-pos de mulheres e algumas fiis.

Vrios suportes bblicos, mencionados pela Pastora De-olinda Teca, Secretria Geral

dos Conselhos de Igrejas Crist, foram utilizados de forma a evi-denciar que a Bblia no um livro que descrimina a mulher mas que pe o homem e a mu-lher em igualdade perante Deus.

As participantes da pales-tra se mostraram satisfeitas e solicitaram outros encontros de forma a envolver as mulheres de outros centros. A directora de projectos sociais da Igreja, Isabel da Costa, disse ainda que

espera que no seja uma visita isolada, mas que a mesma possa se repetir para que a mensagem penetre e transforme o compor-tamento das pessoas.

A actividade Pessoas e Coisas foi utilizada para descontrao e encerramento da pa-lestra e as participantes foram unnimes em afirmar que na nossa sociedade as mulheres ainda desempenham, na maioria das vezes, o papel de coisas.

Nossa Campanha

Avenida Ngola Kiluange: Salo de Beleza Elisandra, Cantina Good Market, Casa de Peas.Rua 208: Salo Firmins, Janela Aberta, Salo do Staff Heiwken. Rua da Antena: Colgio Bal, Padaria Alves, Barbearia Malewa. Rua da Discoteca TOZA: Restaurante da Tia Fefa, Cantina do Musta, Creche Comunitria o Carinho da Jorgina. Rua da IEBA: Farmcia Rogazeni, IEBA; Farmcia Mumongo, Cantina Somonic, Creche Ninho de Amor.Rua do Colgio Madovijalay: Colgio Madovijalay, Salo de Beleza Didi.Rua do BIC: Salo de Beleza Mana Joia, Posto Mdico Ngaliema, Salo de Beleza Meradi, Creche da UCF, Igreja Apostlica, Colgio Joana Antidi.Rua da Movicel: Cantina, Cantina, Hotel Sodofil, Texa Pascoal n 877.Rua da Lagoa: Salo de Beleza, UCF, Barraca da D. Silvia, Colegio JM-Nsifikia. Rua dos telefones: Farmcia Lando, Ciber Caf After Much, Salo de Beleza Observatrio da Mulemba: Knica dos Chineses, Colgio Oseias.Rua E- 40 (Fabrica de Caf): Cantina Lucas & filhos, Lanchonete Kemba TradiRua do Mercado do Kwanzas: Igreja Pentecostal da Vitria, Agncia da UNITEL, Bar Neto Ferreira, Bar-bearia Tubaro Branco

Pontos de distribuio

Cazenguinha

Actualidade06

Partos caseiros preocupam autoridadesO nmero de mulheres grvidas que fazem os par-

tos em casa, comea a preocupar os responsveis das uni-dades sanitrias, do municpio do Cazenga. A preocupao maior com o facto de as pacientes s procurarem os ser-vios de sade quando j se encontram em estado grave.

Segundo a chefe da sala de partos do Hospital Geral dos Cajueiros, Ana Maria Andr, muitas destas mulheres chegam em estado grave ao hospital, com grandes hemor-ragias e altos nveis de anemia. Ns estamos disponveis para receber as parturientes nas nossas salas de parto, gostaramos que houvesse muito mais partos institucio-nais do que partos domicilirios, declarou a responsvel.

Requalificao do CazengaDuas mil e setecentas residncias e novecentos es-

tabelecimentos comerciais, vo ser transferidos durante o processo de requalificao do Cazenga. Lus Kay, director de infra-estruturas do Ministrio da Construo, disse que o re-alojamento da populao a maior dificuldade no momento.

Alguns populares tm sido muito receptivos, mas outros fazem propostas fora daquilo que o nor-mal e criam muitos constrangimentos. Estamos a falar da zona do Ngola Kiluanje, 5 e 7 Avenidas, alguns colectores, a zona da lagoa de so Pedro, bem como, a zona das antenas onde se encontram as antenas da rdio, informou o engenheiro.

Mais de 200 mil Crianas imunes a poliomielite200 mil Crianas imunidas contra a poliomielite era

a meta era das autoridades sanitrias do municpio do Ca-zenga, englobando menores dos zero aos cinco anos de idade. O anncio foi feito aquando do incio da campanha de vacinao. Segundo informaes da repartio munici-pal de sade, os vacinadores estiveram na rua a partir das 7 horas da manh por todo o municpio e alm dos postos de vacina, bateram de porta em porta nos dias 10, 11 e 12.

A estratgia desta campanha para ter melhor resul-tado, foi o recrutamento dos moradores para vacinadores, porque conhecem melhor as residncias onde existem cri-anas com idade para serem vacinadas.

Sensibilizao da populao para censo piloto O bairro do Matupa, na comuna do Cazenga e o bair-

ro do Catambor, na Maianga so os dois bairros a nvel de Luanda que participaro do censo piloto com incio pre-visto para o dia 16 de Maio. Os agentes de recenseamento tm como misso ajudar na explicao de qualquer dvida sobre os objectivos e incio do censo piloto.

O censo piloto da populao tem como objectivo ca-dastrar as pessoas para se saber quantos somos, onde estamos, como vivemos e ter-se uma noo do nmero de habitantes existentes a nvel dos bairros, comunas, mu-nicpios, provncias e do pas.

Figuras do CazengaMIGUEL VITRA

Miguel Nanzandi Nsilulu, tambm conhecido como Vitra, tem 27 anos e sapateiro h 13 anos. Nasceu e cresceu no Cazenga e considera muito importante a contribuio da sapataria no desenvolvimento do municpio, porque ajuda as pessoas a pouparem mais, j que no precisam de gastar tanto dinheiro com sapatos novos, alm de que conse-gue gerar uma renda para si prprio.

Os calados que actualmente so vendidos, no tm durao quase nenhuma, eu prolongo o tempo de uso deles, esclarece o sapateiro. Alm de arranjar, Miguel tambm faz calados, usando vrios materiais, como pele, napa, e ganga, alm de borracha de pneu de camio, para fazer a sola. Como no possui mquina de costura, os seus calados so feitos manualmente, o que s lhe permite fazer cerca de 15 pares por ms.

Na opinio do jovem sapateiro, quando existe a cultura do dilogo e do amor ao prximo, dificilmente h espao para a violncia. preciso cultivar isso. Miguel j presenciou situaes de violncia domstica e ficou muito abalado com isso. Fez o que pde para apartar e aconselhar as pessoas envolvidas.

Cazenguinha

Contos da Minha Banda03

Maria Lusa chegou a casa mais cedo naquela quinta-feira. Vinha animada da baixa da ci-dade, onde trabalhava como su-pervisora de um supermercado. Naquela manh o gerente tinha-lhe chamado para conversar. Ela pensou que fosse ser demitida, j que alguns colegas tinham sido dispensados. Mas a notcia era boa, a jovem tinha sido pro-movida a s