Património e desenvolvimento rural - Minha .colectiva devido à exaustiva difusão, por diferentes

  • View
    221

  • Download
    0

Embed Size (px)

Text of Património e desenvolvimento rural - Minha .colectiva devido à exaustiva difusão, por diferentes

Directora: Cristina Cavaco www.leader.pt II Srie | N 45 - 2007

P 12 Um fim-de-semana nas Terras Altas do Homem, Cvado e Ave

Bruf

e (T

erra

s de

Bou

ro) /

Pau

la M

atos

dos

San

tos

P 6 e 7 Patrimnio rural em Portugal

P 4 e 5 Entrevista a Cludio Torres

ATAHCA

Alto Cvado

P 15 inSITU

Em Destaque

Patrimnio e desenvolvimento rural

pessoas e lugares |N45-007

aabrir

O Pessoas e Lugares - Jornal de Animao da Rede Portuguesa LEADER+ tem por objectivos divulgar e promover o LEADER+, assim como reforar uma imagem positiva do mundo rural.

O Pessoas e Lugares tem uma periodicidade mensal e a sua distribuio gratuita.

Se pretender receber o jornal Pessoas e Lugares preencha, por favor, o formulrio anexo (recorte ou fotocopie) e envie para:

DGADR - Direco-Geral de Agricultura e Desenvolvimento RuralRede Portuguesa LEADER+Tapada da Ajuda - Edifcio 11349-018 Lisboa

Telf.: 21 361 32 57 Fax: 21 361 32 77

Ou aceda ao site da Rede Portuguesa LEADER+ www.leader.pt e preencha, por favor, on line o formulrio disponvel no link Pessoas e Lugares.

No caso de desejar receber mais do que um exemplar de determi-nado nmero do jornal Pessoas e Lugares, para distribuir num evento, por exemplo, pedimos o favor de fazer chegar essa infor-mao DGADR com a devida antecedncia. Obrigado.

Pedido de envio do Jornal Pessoas e Lugares

Nome:

Organizao:

Funo:

Morada:

Cdigopostal:

Telefone: Fax:

E-mail:

Comentrios:

Recorte ou fotocopie, e envie para: DGADR, Rede Portuguesa LEADER+, Tapada da Ajuda - Edifcio 1 1349-018 Lisboa

A valorizao e preservao do patrimnio rural tem sido um dos aspectos centrais do programa LEADER. Sendo o patrimnio smbolo das identidades, saberes e particularidades, a sua enorme riqueza e diversidade fonte inesgotvel de possibilidades e iniciativas para o desenvolvimento local em meio rural.O patrimnio de um territrio, seja natural, cultural ou histrico, hoje reconhecido como um produto local de forte valor e, por essa razo, a

Patrimnio e desenvolvimento rural

sua proteco, que no pode restringir-se aos poderes pblicos, exige o envolvimento activo da sociedade civil, proporcionando o seu uso socialmente adequado e equilibrado.Os projectos que, neste mbito, foram apoiados pelo programa LEADER, incluem o apoio a rotas temticas, a recursos e parques naturais ou ainda gesto do patrimnio cultural e tm contribudo para o fortalecimento de uma imagem de qualidade desse mesmo territrio. Com efeito, o reconhecimento do valor patrimonial das zonas rurais tem originado um maior dinamismo das comunidades locais onde este patrimnio se insere.A gesto e avaliao da riqueza patrimonial de um dado territrio um aspecto ao qual se deve dar ateno especial, na medida em que, a interveno dos Grupos de Aco Local (GAL), sendo local, integrada e em parceria, exige uma aco concertada entre as diferentes entidades, em conformidade com os objectivos, necessidades e expectativas locais em torno das riquezas patrimoniais e culturais.Assim, no esquecendo a importncia da dimenso humana e social na gesto, conservao e promoo do patrimnio rural, enquanto recursos endgenos de um dado territrio, importa sublinhar as mltiplas possibi-lidades e oportunidades que o patrimnio pode ter para a diversificao de actividades e dinamizao do desenvolvimento local.Esta edio do jornal Pessoas e Lugares, sob o tema do Patrimnio e desenvolvimento rural, d especial destaque ao GAL da ATAHCA - Asso-ciao de Desenvolvimento das Terras Altas do Homem, Cvado e Ave. Este tema foi sugerido por esta associao atendendo ao elevado potencial turstico e patrimonial do seu territrio, bem como estratgia de de-senvolvimento rural preconizada, que assenta na valorizao dos recursos naturais e culturais, reinventando um futuro para o mundo rural.

Rui BatistaChefe de Projecto LEADER+

Joo

Lim

o

N45-007|pessoas e lugares

Os espaos rurais esto vinculados a imagens e modos de vida peculiares, confundem-se com sociedades marcadas por arcasmos, indissociveis de economias vulnerveis, merc do xodo e do despovoamento, dependentes de prestaes sociais, de solidariedades e de recursos provenientes de politicas pblicas que os discriminem positivamente. Este retrato, embora cada vez mais desfocado, ainda perdura na memria colectiva devido exaustiva difuso, por diferentes meios, de mensagens que resumiam uma realidade to complexa ao tipicismo de quotidianos deslocados no tempo, a paisagens e produtos de qualidade cuja noto-riedade dependia do seu exotismo. Contribuiu-se, desta forma, para vincar o sentimento de perda e marcar negativamente a auto-estima de pessoas e territrios que, assim, se descobriam estigmatizados e ainda mais prisioneiros das suas prprias fragilidades. A evoluo dos valores e das referncias que serviam de base a tais leituras veio abalar os alicerces daquelas interpretaes, lineares e estereotipadas, ajudou a evidenciar a dissonncia, cada vez mais no-tria, entre tais descries e o fcies econmico e social emergente. Na construo doutros modos de olhar o rural no foi indiferente tais mudanas conceptuais e analticas, inscrevendo-se nesta tendncia a valorao positiva que o patrimnio e a cultura passaram a ter quando aplicados a este universo. O rural adquire, com a viso renovada que comea a projectar, significados menos depreciativos, assume funes e papis que o vo retirando das periferias, geogrficas e mentais, para onde progressivamente foi sendo remetido.A diversidade de contextos (naturais, econmicos e sociais), de recursos disponveis e mobilizveis e a aparente homogeneidade normalmente associada ao mundo rural servem de pano de fundo a processos de desenvolvimento cuja traduo espacial sobrepe novas configuraes territoriais s rgidas interpretaes dicotmicas do pas em litoral-in-terior, norte-sul ou rural-urbano. Acentuando a fragmentao do nosso territrio, as recentes dinmicas verificadas nos padres de povoamento, de especializao produtiva e de ocupao e uso do solo proporcionaram um novo atlas do rural portugus, colocando perante novos desafios e fronteiras um espao que se concebe submerso num arquiplago cada vez mais vasto e profundo.

Reverter o estado depressivo e enfrentar os problemas reais e simblicos que afectam estes territrios impe que se potenciem os respectivos recursos materiais e intangveis. As aldeias e a arquitectura popular, as paisagens e o patrimnio natural, os produtos e os saberes locais so algumas das referncias que, fazendo uma perene ligao com as telricas razes, moldam as identidades das pessoas e dos lugares. Pelo que representam e pelo relevante papel que podem desempenhar para vencer o isolamento e promover o seu desencravamento fsico e psico-lgico, so activos que importa mobilizar nos respectivos processos de desenvolvimento. Contudo, sem a aposta em iniciativas e actividades complementares gerando algum emprego, tais recursos, por si s, se-ro sempre insuficientes para a plena dinamizao econmica e social destes espaos.

Rui JacintoCCDRC - Comisso de Coordenao e Desenvolvimento Regional do Centro

Patrimnio rural: importncia e limites de um recurso

Mar

ialv

a / R

ui Ja

cint

o

4 pessoas e lugares |N45-007

eMDEsTaquE

Prevalece hoje uma viso abrangente do conceito de patrimnio em que, hipoteticamente, todo o objecto susceptvel de patrimonializao. Concorda?

O patrimnio sempre fez parte daquilo que o patrimnio familiar. Um ba onde se guardam as riquezas da famlia e se passa aos filhos. Este o velho conceito que se mantm. Nos ltimos tempos, realmente, surgiu um novo conceito de patrimnio que faz parte necessariamente do patrimnio familiar mas ao qual se comeou a dar mais uma conotao que lhe d outra carga. E esse peso, cultural, que est cada vez mais a apropriar-se do termo patrimnio, de tal forma que hoje j nem necessrio falar de patrimnio cultural, porque falar de patri-mnio j suficiente. A partir da, podemos falar de patrimnio arquitectnico, gentico, ecolgico, paisagstico e de outros que se vo acrescentando ao termo inicial. Tudo se constitui num bolo cada vez mais consistente que o patrimnio identitrio. Isto , dando um exemplo, no h duas igrejas iguais, mesmo quando so da mesma poca e do mesmo arquitecto. Porque ao longo dos sculos essas igrejas vo sofrendo alteraes, vo-se adaptando... Uma parte ruiu, outra foi acrescentada... E so essas diferenas que do riqueza ao patrimnio. E h ain-da, com muita importncia, o conceito de patrimnio enquanto materializao do simblico. Quando colocamos em cima de uns restos informes um enorme vesturio de histrias e lendas... O mito cresce e apropriado pela comunidade como qualquer coisa de sagrado e simblico que a representa.

At porque, actualmente, a salvaguarda do patrimnio tem quase sempre subjacente o conceito de interveno, que no se reduz apenas interveno fsica de recuperao ou restauro de um imvel?

Cada vez mais ligamos a ideia de patrimnio a monumento, a uma coisa fsica, com estrutura. Por isso, estamos cada vez mais, do ponto de vista acadmico, a defender a paisagem entendida como paisagem cultural. A paisagem , por natureza, cultural, porque j foi tocada pelo homem. Pelo menos em Portugal; na Gronelndia talvez no. Por isso, estamos a incluir na paisagem todos os seus elementos, a pequena montanha, a colina, as terras de cultivo... No podemos separar uma casa, igreja ou um castelo da sua envolvente. J passmos a fase do que o monumento e o que no . Estamos agora numa fase em que tudo rentabilizvel. E numa coisa parece que estamos todos de acordo: a forma como podemos salvaguardar o prprio monumento e a sua envolvente tambm d