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Caderno nº 32 Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica MOSAICOS DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO NO CORREDOR DA SERRA DO MAR Organização: Clayton Ferreira Lino e João Lucílio Albuquerque Coordenação: Heloisa Dias SÉRIE SÉRIE SÉRIE SÉRIE SÉRIE C C C C C ONSERV ONSERV ONSERV ONSERV ONSERV AÇÃO E ÁREA AÇÃO E ÁREA AÇÃO E ÁREA AÇÃO E ÁREA AÇÃO E ÁREA S PROTEGID S PROTEGID S PROTEGID S PROTEGID S PROTEGID A A A S S S

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MOSAICOS DE UNIDADES DE CONSERVAO NOCORREROR DA SERRA DO MAR

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Caderno n 32

Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlntica

MOSAICOS DE UNIDADES DECONSERVAO NO CORREDOR DA

SERRA DO MAR

Organizao:Clayton Ferreira Lino e Joo Luclio Albuquerque

Coordenao:Heloisa Dias

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CADERNO N. 32 - SRIE CONSERVAO E REAS PROTEGIDAS

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SRIE 1 - CONSERVAO E REAS PROTEGIDASCad. 01 - A Questo Fundiria, 1 ed./1994, 2 ed./1997Cad. 18 - SNUC - Sistema Nacional de Unidades de Conservao, 1 ed./2000, 2 ed./2004Cad. 28 - RPPN - Reservas Particulares do Patrimnio Natural da Mata Atlntica, 2004Cad. 32 - Mosaicos de Unidades de Conservao no Corredor da Serra do Mar, 2007

SRIE 2 - GESTO DA RBMACad. 02 - A Reserva da Biosfera da Mata Atlntica, 1 ed./1995, 2 ed./1996Cad. 05 - A Reserva da Biosfera da Mata Atlntica no Estado de So Paulo, 1 ed./1997, 2 ed./2000Cad. 06 - Avaliao da Reserva da Biosfera da Mata Atlntica, 1 ed./1997, 2 ed./2000Cad. 09 - Comits Estaduais da Reserva da Biosfera da Mata Atlntica, 1 ed./1998, 2 ed./2000Cad. 24 - Construo do Sistema de Gesto da RBMA, 2004Cad. 25 - Planejamento Estratgico da Reserva da Biosfera da Mata Atlntica, 2003

SRIE 3 - RECUPERAOCad. 03 - Recuperao de reas Degradadas da Mata Atlntica, 1 ed./1996, 2 ed./2000Cad. 14 - Recuperao de reas Florestais Degradadas Utilizando a Sucesso e as Interaes plan-

ta-animal, 1 ed./1999, 2 ed./2000Cad. 16 - Barra de Mamanguape, 1 ed./1999, 2 ed./2000

SRIE 4 - POLTICAS PBLICASCad. 04 - Plano de Ao para a Mata Atlntica, 1 ed./1996, 2 ed./2000Cad. 13 - Diretrizes para a Polltica de Conservao e Desenvolvimento Sustentvel da Mata Atlnti-

ca, 1999Cad. 15 - Mata Atlntica: cinica, conservao e polticas, 1999Cad. 21 - Estratgias e Instrumentos para a Conservao, Recuperao e Desenvolvimento Sustentvel da

Mata Atlntica, 1 ed./2002, 2 ed./2004Cad. 23 - Certificao Florestal, 2003Cad. 26 - Certificao de Unidades de Conservao, 2003Cad. 27 - guas e Florestas da Mata Atlntica: por uma gesto integrada, 2004Cad. 30 - Certificao em Turismo Sustentvel - Norma Nacional para Meios de Hospedagem - re-

quisitos para a sustentabilidade - NIH-54 de 2004, 2005

SRIE 5 - SRIE ESTADOS E REGIES DA RBMACad. 08 - A Mata Atlntica do Sul da Bahia, 1998Cad. 11 - A Reserva da Biosfera da Mata Atlntica no Rio Grande do Sul, 1998Cad. 12 - A Reserva da Biosfera da Mata Atlntica em Pernambuco, 1998Cad. 22 - A Reserva da Biosfera da Mata Atlntica no Estado do Rio de Janeiro, 2002Cad. 29 - A Reserva da Biosfera da Mata Atlntica no Estado de Alagoas, 2004

SRIE 6 - DOCUMENTOS HISTRICOSCad. 07 - Carta de So Vicente - 1560, 1 ed./1997, 2 ed./2000Cad. 10 - Viagem Terra Brasil, 1998Cad. 31 - Balduno Rambo S. J. - A Fisionomia do Rio Grande do Sul, 2005

SRIE 7 - CINCIA E PESQUISACad. 17 - Bioprospeco, 2000Cad. 20 - rvores Gigantescas da Terra e as Maiores Assinaladas no Brasil, 2002

SRIE 8 - MaB-UNESCOCad. 19 - Reservas da Biosfera na Amrica Latina, 2000

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Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlntica

Caderno n. 32

Mosaicos de Unidades de Conservao noCorredor da Serra do Mar

Organizao:Clayton Ferreira Lino e Joo Luclio Albuquerque

Coordenao:Heloisa Dias

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Cadernos da Reserva da Biosfera da Mata Atlntica

Srie: CONSERVAO E REAS PROTEGIDAS

Editor: Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlntica

Conselho Editorial: Jos Pedro de Oliveira Costa, Clayton Ferreira Lino e Joo L.R. Albuquerque

Reviso: Joo L. R. Albuquerque, Clayton F. Lino

Projeto Grfico: Elaine Regina dos Santos

Diagramao: Marcia Barana

Ficha Catalogrfica: Margot Terada

Ficha Catalogrfica:

Endereo do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera:Rua do Horto, 931 - Casa das Reservas da Biosfera 02377-000 So Paulo - SP - BRFone/Fax: 0xx11 62318555 r. 2044 e 2065 Fax: 0xx11 62325728

Publicao doConselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlntica,com o apoio do Ministrio do Meio Ambiente atravs da Secretaria deBioiversidades e Florestas, UNESCO - MaB, Secretaria de Estado do Meio Ambientedo Estado de So Paulo - SMA e da CETESB - Companhia de Tecnologia de Sanea-mento Ambiental

Impresso: RR Donnelley Moore Ltda.

Autoriza-se a reproduo total ou parcial deste documento desde que citada a fonte

Tiragem: 5.000 exemplaresSo PauloMaio 2007

Mosaicos de unidades de conservao no corredor da Serra do Mar;organizao Clayton F. Lino, Joo Luclio de Albuquerque; coordenao HelosaDias. - - So Paulo: Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlntica,2007.96 p. : il., mapas color. ; 21 cm. - - (Cadernos da Reserva da Biosfera da Mata

Atlntica. Srie 1 Conservao e reas Protegidas; 32) Integra o Programa Mosaicos da Mata Atlntica RBMA Projeto de Apoio ao

Reconhecimento de Mosaicos de Unidades de Conservao do Corredor da Serra doMar.

1. reas protegidas regio sudeste - Brasil 2. Biodiversidade conservao 3.Conservao unidades Brasil 4. Florestas aspectos scio-econmicos 5.Mantiqueira regio sudeste - Brasil 6. Mata Atlntica regio sudeste - Brasil 7.Serra do Mar regio sudeste - Brasil I. Lino, Clayton F., org. II. Albuquerque, JooLuclio de., org. III. Dias, Helosa. coord. IV. Srie.CDD (21.ed. Esp.) 333.751 681CDU (ed. 99 port.) 502.34 (253:815)

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Caderno n 32

Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlntica

MOSAICOS DE UNIDADES DECONSERVAO NO CORREDOR DA

SERRA DO MAR

Organizao:Clayton Ferreira Lino e Joo Luclio Albuquerque

Coordenao:Heloisa Dias

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O principal objetivo desse Caderno e dos demais produtos doProjeto Apoio ao Reconhecimento de Mosaicos de Unidades deConservao no Corredor da Serra do Mar, estimular oreconhecimento de novos Mosaicos, de novos processos eestratgias voltadas para a preservao e conservao dosrecursos naturais, para o desenvolvimento sustentvel,promovendo a gesto integrada de unidades de conservao ereas protegidas e o fortalecimento e implementao doscorredores ecolgicos, no s no Bioma da Mata Atlntica, masem todos os biomas brasileiros.

Neste ano em que completa20 anos de ativa participa-o no Brasil, dedicamoseste Caderno CI-Conserva-o Internacional, pelo gran-de trabalho que vem reali-zando em mais de 30 pasesem prol da conservao dabiodiversidade global e emespecial, aos trabalhos querealiza na Mata Atlntica.

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NDICE

MOSAICOS DE UNIDADES DE CONSERVAO NO CORREDOR DASERRA DO MAR

APRESENTAO 11

1 INTRODUO 15Mosaico 15Mosaico na Ecologia da Paisagem 15Mosaico de Unidades de Conservao e reas Protegidas 16Mosaico e SISNAMA 17Mosaicos, Corredores Ecolgicos e Reservas da Biosfera 19Mosaicos no Brasil 20Referncias Bibliogrficas 21

2 - O PROGRAMA MOSAICOS DA MATA ATLNTICA 23

3 - O PROJETO MOSAICOS DE UNIDADES DE CONSERVA-O NO CORREDOR DA SERRA DO MAR 25

4 - OS MOSAICOS DO CORREDOR DA SERRA DO MAR 334.1- O MOSAICO DA SERRA DA BOCAINA 334.1.1 - Mapa de Localizao 334.1.2 - Fotos 344.1.3 - Justificativa 354.1.4 - Unidades de Conservao que compem o Mosaico 444.1.5 - Portaria n 349, de 11 de dezembro de 2006 47

4.2 - O MOSAICO DA MATA ATLNTICA CENTRAL FLUMI-NENSE 514.2.1 - Mapa de Localizao 514.2.2 - Fotos 524.2.3 - Justificativa 534.2.4 - Unidades de Conservao que compem o Mosaico 614.2.5 - Portaria n 350, de 11 de dezembro de 2006 65

4.3 - O MOSAICO DA SERRA DA MANTIQUEIRA 714.3.1 - Mapa de Localizao 714.3.2 - Fotos 724.3.3 - Justificativa 734.3.4 - Unidades de Conservao que compem o Mosaico 76

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4.3.5 - Portaria n 351, de 11 de dezembro de 2006 825 - FICHA TCNICA DO PROJETO E LISTA DOS PARTICI-PANTES 85

5.1 - FICHA TCNICA DO PROJETO 855.2 - LISTA DE PARTICIPANTES 87

OBS. As informaes e textos aqui constantes foram extrados eformulados partir dos documentos disponiblizados e gerados nasoficinas de trabalho do projeto.As justificativas de reconhecimento dos Mosaicos da Bocaina, daMata Atlntica Central Fluminense, e da Mantiqueira, foram elabo-radas com a constribuio especial de Adriana Mattoso e GrazielaMoraes; Leonardo Freitas e Paulo Pegas, respectivamente.

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APRESENTAO

Este Caderno rene os principais produtos da primeira fase doProjeto de Apoio ao Reconhecimento dos Mosaicos deUnidades de Conservao do Corredor da Serra do Mar,coordenado pelo Conselho Nacional da Reserva da Biosfera daMata Atlntica, atravs do Instituto Amigos da RBMA, que emdezembro de 2005 firmou contrato com o Fundo de Parceriapara Ecossistemas Crticos CEPF (iniciativa conjunta da Conser-vao Internacional, GEF, Governo do Japo, Fundao McArthure Banco Mundial) para sua realizao.

O fortalecimento de Corredores Ecolgicos e a criao Mosaicosde UCs e reas protegidas foram definidos, no PlanejamentoEstratgico da Reserva da Biosfera da Mata Atlntica, como linhaprioritria de conservao, o que pressupe a consolidao, ofortalecimento e a criao de UCs e de seus instrumentos degesto, numa viso de articulao entre elas e seus entornos.

O Bioma Mata Atlntica caracterizado, por diversos estudos,como prioritrio para a conservao no mundo. constitudopor um complexo de formaes florestais e por um conjunto deecossistemas altamente alterados e ameaados pela aohumana, resultando em um mosaico de paisagens com frag-mentos vegetais de diferentes tamanhos, formas, condiesecolgicas, nveis de conservao e presso distintos.

Entre essas paisagens se destacam as regies selecionadas poreste Projeto, e agora reconhecidas pelo MMA como Mosaicos deUnidades de Conservao no Corredor da Serra do Mar e daMantiqueira. Em seus limites esto representados a grandemaioria dos ecossistemas que contm a Mata Atlntica incluindoecossistemas associados como os campos de altitudes e insulares.

A estratgia adotada pelo referido Projeto foi de contribuir cominiciativas de organismos gestores de UCs, j em andamento,para proposio, articulao, reconhecimento e implementao

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de Mosaicos em diferentes regies do Corredor da Serra doMar. Para tanto, foram selecionadas trs reas prioritrias paratrabalho, sendo: Bocaina - SP e RJ; Mantiqueira - MG, SP e RJe Central Fluminense - RJ.

A constituio de Mosaicos de Unidades de Conservao e reasProtegidas foi oficialmente prevista a partir do Sistema Nacionalde Unidades de Conservao - SNUC, atravs Lei Federal N.9.985-00, que diz em seu artigo 26: Quando existir um conjuntode unidades de conservao de categorias diferentes ou no,prximas, justapostas ou sobrepostas, e outras reas protegidaspblicas ou privadas, constituindo um mosaico, a gesto doconjunto dever ser feita de forma integrada e participativa,considerando-se os seus distintos objetivos de conservao, deforma a compatibilizar a presena da biodiversidade, avalorizao da sociodiversidade e o desenvolvimento sustentvelno contexto regional.

Este conceito est plenamente de acordo com os princpios dasReservas da Biosfera que consideram ser esta uma das melhoresformas para gerir e integrar as diferentes unidades de conser-vao e suas zonas de amortecimento, fortalecendo uma identi-dade regional e a implementao de corredores ecolgicos.

Para que este trabalho pudesse ser realizado foi necessria aparticipao de um grande nmero de instituies das trsinstncias de governo, federal, estaduais, e municipais; deproprietrios de Reservas Particulares de Patrimnio Natural;de organizaes no-governamentais e da sociedade civil, listadasespecialmente: MMA- Ministrio do Meio Ambiente; SBF -Secretaria Nacional de Biodiversidade e Florestas; IBAMA-DF/SP/RJ/MG; Instituto Estadual de Florestas, IEF/SDS MG;Instituto Estadual de Florestas - IEF/FEEMA/SDA- RJ; InstitutoFlorestal - IF/CPLEA/SMA SP; Prefeituras Municipais gestorasdas UCs inseridas nos Mosaicos, sendo elas: PrefeituraMunicipal de Resende, Duque de Caxias, So Jos do Vale doPio Preto, Guapimirim, Parati e Petrpolis no estado do Rio deJaneiro, e Campos do Jordo em So Paulo. Proprietrios dasRPPNs CEC - Tingu, El Nagual, Querncia e Graziela Maciel

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Barroso (RJ); Proprietrios das RPPNs Ave Lavrinha, Mitra doBispo e Alto Gamarra (MG); Fundao Matutu MG; ValorNatural - MG; Estruturar Meio Ambiente RJ; AssociaoCairuu RJ; Instituto Bio Atlntica- RJ; TEREVIVA RJ;Associao de Proprietrios de RPPNs - MG; Associao deProprietrios de RPPNs RJ; CE-RBMA - Comits Estaduaisda RBMA - SP/MG/RJ.

Esta grande mobilizao e colaborao de todos os parceirospara formulao e disponibilizao da documentao, legal-mente solicitada, permitiu que os trs Mosaicos, fossemreconhecidos pelo Ministrio do Meio Ambiente, atravs dasPortarias do MMA no 349, 350 e 351, no dia 11 de dezembrode 2006, em tempo recorde, sendo eles:

Mosaico de Unidades de Conservao da Regio daSerra da Bocaina, Mosaico Bocaina, que abrange umarea de 221.754 hectares, 9 municpios, localizados noVale do Paraba do Sul, litoral sul do Estado do Rio deJaneiro e litoral norte do Estado de So Paulo, e 10unidades de conservao e suas zonas de amortecimento.

Mosaico da Mata Atlntica Central Fluminense, noEstado do Rio de Janeiro, que abrange uma rea comcerca de 233.710 hectares, 13 municpios e 22 Unidadesde Conservao e suas zonas de amortecimento.

Mosaico de Unidades de Conservao da Regio daSerra da Mantiqueira, Mosaico Mantiqueira, queabrange uma rea com cerca de 445.615 hectares, 37municpios e 19 Unidades de Conservao e suas zonasde amortecimento, nos Estados de MG, SP e RJ.

A agilidade na anlise e assinatura das Portarias pelo Ministriodo Meio Ambiente - MMA, possibilitou que o Projeto fosse almde suas metas iniciais e que fosse dada a posse aos membros doConselho Consultivo de cada um dos mosaicos, assegurando emparte a continuidade das aes para implementaes.

As informaes e documentos aqui reproduzidos, de granderiqueza tcnica, cientfica e poltica, so resultantes de um

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grande esforo e de um desejo coletivo, de se avanar na conser-vao e restaurao da Mata Atlntica e no fortalecimento eimplementao das Unidades de Conservao na regio. Noatual momento, onde a degradao deste planeta se faz tovisvel, a sociedade requer respostas rpidas e a sinalizao dealternativas com aes que colaborem para retroceder esteviolento processo.

A proposta de editar este caderno e produzir um CD-ROMcontendo a memria do processo de reconhecimento dos trsMosaicos do Corredor da Serra do Mar e os principais resultadose produtos do presente Projeto visa, principalmente, documentareste rico processo e subsidiar os trabalhos dos ConselhosGestores dos Mosaicos institudos pelas Portarias Federais doMinistrio do Meio Ambiente e empossados na primeiraquinzena de fevereiro de 2007.

Compem o presente Caderno uma introduo sobre o processode reconhecimento de mosaicos no Brasil; uma sntese do Pro-grama e do Projeto, descrevendo suas principais etapas e produ-tos finais; uma descrio dos trs mosaicos, contendo as respec-tivas justificativas; Portarias; informaes sobre as UCs que osconstituem, sua base cartogrfica e uma listagem final da equipetcnica do referido Projeto e de todas as pessoas e instituiesque participaram das atividades em suas diversas etapas

Agradecemos a todos que contriburam e apoiaram este exitosoprojeto e esperamos que a partir de agora, com os Mosaicoscriados e seus conselhos empossados, a implementao dosmesmos ocorra com a mesma eficincia e o mesmo sentido decolaborao que houve at aqui, consolidando esse novo meca-nismo de integrao territorial e articulao institucional, queso fundamentais para a conservao e o desenvolvimentosustentvel da Mata Atlntica.

Heloisa DiasCoordenadora Geral do ProjetoMosaicos no Corredor da Serra do Mar

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1 - INTRODUO

O Sistema Nacional de Unidades de Conservao SNUC - lein 9.985/2000 traz a figura organizacional Mosaico, no cap.IV art. 26 e no decreto n 4.340/2002 que vem tomando forma,a partir da integrao informal das gestes de algumas unidadesde conservao e hoje reconhecido atravs de portarias peloMinistrio do Meio Ambiente.

MOSAICO

Mosaico: Embutido de pequenas pedras, ou de outras peas decores e tamanhos diferentes, que pela sua disposio aparentamum desenho. Esta uma definio do dicionrio que explica oreal e literrio sentido da palavra mosaico. Esta palavra usadaquando se quer expressar algo formado por partes menoresinterdependentes, que possuem suas funes e caractersticasquando esto isoladas, porm juntas, e somente unidas destamaneira conseguem expressar a imagem desejada, atingir o maiorobjetivo de sua funo naquele espao a que pertencem. Unidas,as peas se fortalecem, tm sentido maior.

MOSAICO NA ECOLOGIA DA PAISAGEM

Ecologia da Paisagem uma das primeiras cincias a tratar apaisagem como um mosaico, levando em considerao duasprincipais abordagens: uma geogrfica, que privilegia o estudoda influncia do homem sobre a paisagem e a gesto do territrio;e outra ecolgica, que enfatiza a importncia do contexto espacialsobre os processos ecolgicos e a importncia dessas relaes emtermos de conservao biolgica. Com isso, a definio integradorada paisagem, que leva em considerao as abordagens geogrficase ecolgicas seria um mosaico heterogneo formado por unidadesinterativas, sendo esta heterogeneidade existente para pelo menosum fator, segundo um observador e numa determinada escala deobservao. (METZGER, 2001)

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MOSAICO DE UNIDADES DE CONSERVAO E REASPROTEGIDAS

No Sistema Nacional de Unidades de Conservao - SNUC, lein 9.985/2000, cap. IV art. 26, quando existir um conjuntode unidades de conservao de categorias diferentes ou no,prximas, justapostas ou sobrepostas, e outras reas protegidaspblicas ou privadas, constituindo um mosaico, a gesto doconjunto dever ser feita de forma integrada e participativa,considerando-se os seus distintos objetivos de conservao, deforma a compatibilizar a presena da biodiversidade, avalorizao da sociodiversidade e o desenvolvimento sustentvelno contexto regional, o termo mosaico usado para representarum modelo de gesto integrada das Unidades de Conservaoe reas protegidas. Esta definio foi originalmente apresentadana proposta de criao da Reserva Ecolgica Integrada da Serrade Paranapiacaba (LINO, 1992), integrando o mosaico gestode Unidades de Conservao do Vale do Ribeira, em So Paulo.

O significado da palavra mosaico, adotado pelo SNUC, vai almda forma fsica da paisagem que composta por fragmentosnaturais ou no, de diferentes formas, contedos e funes.Este conjunto de unidades de conservao e reas protegidas considerado um mosaico, quando sua gesto feita de maneiraintegrada, pois assim como os ecossistemas ali presentes sointerdependentes, suas administraes tambm devem ser.

Com base no Decreto n 4.340/2002 (SNUC), este modelo degesto integrada, mosaico, tem como objetivo compatibilizar,integrar e aperfeioar as atividades desenvolvidas em cadaunidade de conservao, tendo em vista, especialmente os usosna fronteira entre unidades, o acesso s unidades, a fiscalizao,o monitoramento e avaliao dos Planos de Manejo, a pesquisacientfica e a alocao de recursos advindos da compensaoreferente ao licenciamento ambiental de empreendimentos comsignificativo impacto ambiental, assim como estreitar a relaocom a populao residente na regio do mosaico.

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MOSAICO E SISNAMA

O Mosaico de Unidades de Conservao e reas Protegidas reforao Sistema Nacional de Meio Ambiente - SISNAMA, pois para queeste acontea, diferentes rgos governamentais (federais,estaduais e municipais), planejam juntos e compartilham suasatividades, ultrapassando seus limites polticos geogrficos paraatingirem os objetivos do mosaico. Podem participar do conselhode um mosaico, rgos e instituies, como IBAMA, FundaoNacional dos ndios - FUNAI, Secretarias Municipais de MeioAmbiente, Organizaes No-Governamentais ONGs, associaesde pescadores, de moradores e de indstrias, representantes deReserva Particular do Patrimnio Natural - RPPN, representantesquilombolas, sindicatos, etc.

Para que a gesto integrada entre os rgos e a sociedade civilacontea so necessrias algumas premissas e estratgias:

O Mosaico deve ser entendido como um organismo vivo,no qual suas partes dependem uma das outras para viver.

preciso mudar a viso das unidades de conservao ereas protegidas como Ilhas Isoladas, ou seja, espaosauto-suficientes tanto administrativos quanto ecologi-camentente, sem gesto territorial integrada. As unidadesde conservao e reas protegidas so compostas deecossistemas, que possuem uma biodiversidade relevante,a qual, para sobreviver, depende da interao saudvelcom a regio onde esto localizadas. Com isso, se faznecessrio uma cooperao administrativa entre osdiferentes atores presentes na regio, para que possamgarantir os processos ecolgicos essenciais e assegurar ouso sustentvel dos recursos naturais.

Criar comunicao e dilogo efetivo, de maneira fcil eclara entre os representantes dos componentes doMosaico, que podem ser redes, agenda de reunies pre-viamente marcada, etc.

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Ter uma secretaria executiva enxuta para garantir que asdecises tomadas em conjunto sejam transmitidas eexecutadas.

Divulgar o Mosaico para as comunidades, instituies,rgo e todos que fazem parte dos seus limites, com afinalidade de criar uma identidade coletiva construda emtorno de um conjunto de valores comuns.

Fortalecer a noo de comunidade onde todos os membrossabem que sero amparados em seus esforos para atingiros seus prprios objetivos.

Segundo Capra (2005), a idia bsica de gesto a de dirigira organizao, conduzindo-a numa direo compa-tvel comas suas metas e objetivos. Numa gesto integrada estaconduo deve ser feita de maneira compartilhada, ondesuas metas e objetivos levam a uma viso de futuro comum.

A integrao das partes do Mosaico exige novas posturasadministrativas, a fim de aperfeioar as atividadesbuscando um ajuste na escala dos programas de conser-vao. Os atrasos e conflitos desnecessrios podem serresolvidos mais facilmente caso sejam antecipados osprincipais desafios enfrentados pelos planejadores dapaisagem e executores dos planos.

preciso ultrapassar os limites de suas unidades e planejara gesto em conjunto pensando em uma escala que englobetodo o ecossistema a ser preservado e manejado de formasustentvel. Para isso a comunicao dinmica, constantee clara, necessria para que no se repitam projetosfragmentados em rgo diferentes ou at mesmo dentro doprprio rgo, para o territrio do Mosaico. Os projetosdevem ser compartilhados para se tornarem mais fortes econseguirem atingir seus objetivos de maneira integralalcanando toda a rea do Mosaico.

Instituies privadas, comunidades, prefeituras, entre

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outros atores, que fazem parte da paisagem do Mosaico,devem ser convidados a participar do planejamento desteterritrio. Com isso conhecero a realidade na qual vivem,entendendo que suas aes refletem em toda a dinmicado Mosaico, podendo assim adequar suas atividadeseconmicas e outras, dinmica do ecossistema localvisando um desenvolvimento sustentvel regional.

MOSAICOS, CORREDORES ECOLGICOS E RESERVAS DABIOSFERA

Os Mosaicos podero fortalecer os corredores ecolgicos, namedida em que as regies, nas quais esto inseridas as reasbiologicamente prioritrias passem a ser geridas de formaintegrada. Com isso, ampliar a escala de planejamentoterritorial e despertar uma conscientizao para a importnciada preservao da biodiversidade local, incentivando prticasde manejo mais apropriadas, minimizando os impactos nega-tivos das atividades antrpicas sobre os corredores ecolgicos,podendo assim diminuir os efeitos de borda e ampliar seuslimites. Desta maneira, aumentam as chances de reconectaras reas naturais interrompidas entre as unidades de conser-vao e tambm entre os Mosaicos.

O mosaico um instrumento de gesto que abrange os trstipos de zonas territoriais das Reservas da Biosfera: ZonasNcleo (unidades de conservao e reas protegidas), Zonas eAmortecimento (entorno das zonas ncleo, ou entre elas,comunidades tradicionais) e Zonas de Transio (envolvem aszonas de amortecimento e ncleo, reas urbanas, agrcolas eindustriais). Compartilha, com as Reservas da Biosfera, osobjetivos de conservao da biodiversidade e promoo dodesenvolvimento sustentvel, entre outros. Os Mosaicosreforam as Reservas da Biosfera, e vice versa, pois incorporamprocessos sociais, econmicos e polticos ao bioma, de modo aplanejar paisagens mais sadias (Primack e Rodrigues, 2001).

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MOSAICOS NO BRASIL

O primeiro Mosaico de Unidades de Conservao do Brasil,segundo a normatizao do SNUC, foi criado em maro de 2005no Piau. Ao mesmo tempo foi criado um Corredor Ecolgicointegrando as duas unidades que o compe. Em maio de 2006,o segundo Mosaico foi criado abrangendo o litoral sul de SoPaulo e litoral do Paran. Os mais recentes mosaicos brasileirosde mbito federal so: Mosaico Mantiqueira, Mosaico Bocainae Mosaico da Mata Atlntica Central Fluminense, abrangendomunicpios dos estados do Rio de Janeiro, So Paulo e MinasGerais, todos fazendo parte do Corredor da Biodiversidade daSerra do Mar, foco central desta publicao.

No mbito estadual a figura dos Mosaicos tambm vem ganhan-do fora. No Estado de So Paulo, foi criado o Mosaico da Juriaincluindo nove unidades de conservao e est em fase final aformalizao do Mosaico Jacupiranga incluindo treze unidadesde conservao.

Percebe-se, que este novo modelo de gesto integrada cruzafronteiras, ultrapassa limites polticos municipais e estaduais,levando, segundo CI, ao mximo de resultados positivos conservao, com o mnimo de custo sociedade (CABS, 2000).

Da mesma forma, ao integrar territrios e articular instituies,os mosaicos vm se transformando em um dos principaisinstrumentos de implementao da Reservas da Biosfera noBrasil, especialmente da Reserva da Biosfera da Mata Atlnticaque coordena o projeto de criao dos trs Mosaicos de Unidadesde Conservao da Serra do Mar apresentados a seguir.

Manuela TambelliniMestranda em Cincia Ambiental do curso de Ps-graduaoem Cincia Ambiental PGCA da Universidade FederalFluminense - UFF.

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REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

CAPRA, Fritjof. As conexes ocultas: cincia para uma vidasustentvel. So Paulo: Cultrix, 2005.

CABS Center for Applied Biodiversity Science 200.Planejando Paisagens Sustentveis A Mata Atlntica Brasileira

LINO, C.F. Reserva Ecolgica Integrada da Serra do Parana-piacaba, Vale do Ribeira, SP. Proposta tcnica do InstitutoFlorestal de So Paulo; 1992.

METZGER, J.P. O que ecologia da paisagem? Biota Neotropica.V.1, n.12, 2001.

PRIMACK, Richard B.; RODRIGUES, Efraim. Biologia daConservao. Londrina: Planta, 2001.

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2 - PROGRAMA MOSAICOS DA MATA ATLNTICA- CN-RBMA

O Programa Mosaicos da Mata Atlntica, coordenado pelaRBMA, foi criado em 2004 e tem por objetivos bsicos:

Promover a gesto integrada de unidades de conservaovizinhas, otimizando recursos materiais, tcnicos e humanos,bem como a integrao de Polticas entre seus rgos gestorese a sociedade local;

Utilizar a figura do Mosaico como mecanismo de adequaode limites de categorias de UCs para um melhor ordenamentoterritorial e harmonizao das necessidades de Conservao eDesenvolvimento Sustentvel na Mata Atlntica.

Alm do Projeto de Apoio ao Reconhecimento dos Mosaicos deUnidades de Conservao no Corredor da Serra do Mar,desenvolvido atravs do Contrato IA-RBMA/CEPF, de dezem-bro de 2005 a fevereiro de 2007, que subsidiou a criao dosMOSAICOS DA BOCAINA; MOSAICO MATA ATLNTICACENTRAL FLUMINENSE e MOSAICO DA MANTIQUEIRA,apresentados neste Caderno, o Programa Mosaicos da MataAtlntica, est apoiando a elaborao e implementao deprojetos para reconhecimento de vrios outros mosaicos de UCse reas protegidas na Mata Atlntica, destacando-se :

Mosaicos de Florestas Urbanas de Recife - PE, Mosaico de Jacupiranga - SP, Mosaicos dos Manguezais da Grande Vitria - ES, Mosaicos dos Minicorredores do Corredor Central da Mata

Atlntica - ES.

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3 - PROJETO DE APOIO AO RECONHECIMENTO DOSMOSAICOS NO CORREDOR DA SERRA DO MARContrato IA-RBMA e CEPF - dez. 2005-fev. 2007

O fortalecimento de Corredores Ecolgicos e a criao de Mosaicosde UCs e reas protegidas foram definidos, no PlanejamentoEstratgico da Reserva da Biosfera da Mata Atlntica, como linhaprioritria de conservao, o que pressupe a consolidao, ofortalecimento e a criao de UCs e de seus instrumentos degesto, numa viso de articulao entre elas e seus entornos.

Neste sentido, o Conselho Nacional da Reserva da Biosfera daMata Atlntica, atravs do Instituto Amigos da RBMA, emdezembro de 2005, firmou contrato com o Fundo de Parceriapara Ecossistemas Crticos CEPF (iniciativa conjunta daConservao Internacional, GEF, Governo do Japo, FundaoMcArthur e Banco Mundial) para realizao do Projeto deApoio ao Reconhecimento dos Mosaicos no Corredor daSerra do Mar.

O Bioma Mata Atlntica caracterizado, por diversos estudos,como prioritrio para a conservao no mundo. constitudopor um complexo de formaes florestais e por um conjunto deecossistemas altamente alterados e ameaados pela aohumana, resultando em um mosaico de paisagens com frag-mentos vegetais de diferentes tamanhos, formas, condiesecolgicas, nveis de conservao e presso distintos.

Entre essas paisagens se destacam as regies propostas por esteProjeto, e agora reconhecidas pelo MMA, como Mosaicos deUnidades de Conservao no Corredor da Serra do Mar e daMantiqueira, em cujos limites esto representados grande partedos ecossistemas que compem a Mata Atlntica incluindoecossistemas associados como os campos de altitudes e insulares.

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MAPA DOS MOSAICOS DE UNIDADES DE CONSERVAO DASERRA DO MAR

A estratgia adotada pelo referido Projeto foi de contribuir comas iniciativas de organismos gestores de UCs, em andamento,para proposio e articulao dos Mosaicos em diferentesregies da Serra do Mar. Para tanto, foram selecionadas trsreas prioritrias para trabalho, sendo: Bocaina - SP e RJ;Mantiqueira - MG, SP e RJ e Central Fluminense - RJ.

O Projeto, coordenado pelo IA-RBMA, foi realizado em parceriacom diversas instituies governamentais, gestoras das UCsque compem os Mosaicos, e de Organizaes no-Governa-mentais que atuaram como articuladoras regionais.

A criao dos Mosaicos tem como objetivo principal estimulara gesto integrada entre as diversas unidades de conservao,contribuindo para a preservao e conservao dos recursos

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naturais, bem como para o desenvolvimento sustentvel doterritrio onde se situam nos Estados de Minas Gerais, Rio deJaneiro e So Paulo.

A implementao dos Mosaicos exige que aes sejam planejadase executadas de forma integrada, objetivando o desenvolvimentosustentvel da regio, priorizando a preservao da paisagem,da biodiversidade, e o desenvolvimento de atividades produtivasligadas cultura local, mata e aos ambientes marinhos.

Neste sentido os objetivos especficos definidos pelo Projeto parareconhecimento dos Mosaicos no Corredor da Serra do Mar, foram:

Institucionalizar e implementar a gesto integrada dasUCs e outras reas protegidas;

Fortalecer a identidade regional e a gesto do territrioconsiderando as diversas categorias de manejo das UCs;

Fortalecer a gesto de cada UC integrante do mosaico; Sistematizar e disseminar informaes sobre prticas de

gesto e oportunidades (capacitao, captao de recursos,etc.);

Fomentar e consolidar fruns regionais de dilogo deprticas sustentveis, de gesto e desenvolvimento;

Gerar subsdios e conhecimento para a tomada de decisesconjuntas;

Otimizar e fortalecer relaes das instituies gestoras deUCs com a sociedade;

Identificar e fomentar arranjos produtivos locais paradesenvolvimento sustentvel;

Promover a formao de redes e o fortalecimento das exis-tentes.

O Projeto de Apoio ao reconhecimento dos Mosaicos no Corredorda Serra do Mar seguiu as seguintes etapas metodolgicas:

a- Reunies de Planejamento: visaram o detalhamentodo plano operacional e a preparao das oficinas regionaiscom os representantes dos rgos gestores de UCs, articu-ladores Regionais e parceiros estratgicos.

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b- Mobilizao: permanente em todo o projeto, esta etapavisou articular e mobilizar rgos gestores e dirigentes deUCs, federais, estaduais, municipais e particulares; repre-sentantes no governamentais e a formao dos Grupos deTrabalhos (provisrios) de cada Mosaico.

c- Oficinas Regionais I (uma em cada Mosaico): tiveram porobjetivos principais informar sobre o projeto e as aes jdesenvolvidas nas regies para reconhecimento do Mosaico;discutir o papel dos mosaicos; articular e definir as unidades einstituies participantes; apresentar informaes, projetos eprodutos em desenvolvimento ou previstos para regio; discutire referendar a rea de interesse para criao e implementaodo mosaico; propor arranjos institucionais; buscar a definiode parceiros; validar ou formar Grupo de Trabalho; definirresponsabilidades e agenda integrada de trabalho.

d- Reunies dos GTs de cada Mosaico:Visavam, a partirdas discusses e subsdios gerados pela Oficina RegionalI, elaborar a minuta da Portaria, com o Conselho Gestor doMosaico, e diretrizes para o Plano Estratgico de Ao.

e- Reunies Tcnicas Regionais e Setoriais: contaram coma colaborao direta dos diversos representantes e gestoresdas UCs propostas para os mosaicos e tiveram por objetivomaior encaminhar as minutas dos documentos e instrumentostcnicos e jurdicos, elaborados pelos GTs, para discusso eanlise dos setores competentes nas diversas instnciasgestoras das UCs; propor a criao de novas UCs e articular oenvio ao MMA da Carta de Adeso de cada rgo responsvelpela gesto das UCs propostas para compor o Mosaico.

f- Oficinas Regionais II (uma em cada Mosaico): tiverampor objetivos principais na primeira parte - Consolidar e validaras minutas de Portarias para reconhecimento dos Mosaicos eproposta de suas Instncias Gestoras. Na segunda parte -Elaborar Plano Estratgico de Ao e Agenda de Trabalho.

g- Encaminhamento de documentao para o MMA: nesta

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etapa foram encaminhadas as minutas de Portarias,justificativas e Cartas de Adeso dos rgos gestores de cadaUC dos Mosaicos, para anlise dos setores competentes doMMA, e acompanhado todo o processo at a sua aprovaoe envio das Portarias, assinadas pela Ministra do MeioAmbiente, para publicao no Dirio Oficial da Unio.

h- Reunies de Posse dos Conselhos Consultivos dos trsMosaicos: esta etapa, que no estava prevista inicialmente,e foi viabilizada pela agilidade com que foi conduzido oprocesso por todos os parceiros e no MMA, consistiu naarticulao da indicao dos representantes governamentaise da sociedade civil para serem empossados no ConselhoConsultivo de cada Mosaico pelo Ministrio do MeioAmbiente, conforme estabelecido nas Portarias. Nas reuniesde posse realizadas foram tambm eleitos, o Presidente e aSecretaria Executiva a Coordenao e Secretaria Executivade cada Mosaico e, elaboradas a agenda de trabalho paradiscusso e aprovao dos seus regimentos internos evalidao e implementao dos Planos Estratgico de Aopelos membros dos conselhos Gestores empossados.

i- Material de Divulgao e Mobilizao: Foram elabora-dos e lanados os Psteres de cada Mosaico; o Caderno daSrie da RBMA: Mosaicos de UCs no Corredor da Serra doMar; e um CD-ROM do Projeto com toda a documentaodo processo de reconhecimento dos trs mosaicos e Power-point de cada Mosaico

No dia 11 de dezembro de 2006, a Ministra do MeioAmbiente, Marina Silva, subsidiada pela documentaoapresentada pelo Projeto, reconheceu atravs das Portariasdo MMA no 349, 350 e 351, os trs novos Mosaicos deUnidades de Conservao da Mata Atlntica na regio doCorredor das Serras do Mar e Mantiqueira:

Mosaico de Unidades de Conservao da Regio daSerra da Bocaina, Mosaico Bocaina, que abrange umarea de 221.754 hectares, 9 municpios, localizados

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no Vale do Paraba do Sul, litoral sul do Estado doRio de Janeiro e litoral norte do Estado de So Paulo, e10 Unidades de Conservao e suas zonas de amor-tecimento, a saber: Parque Nacional da Serra da Bocaina,Estao Ecolgica de Tamoios, rea de Proteo Ambientalde Cairuu, rea de Proteo Ambiental de Tamoios,Reserva Biolgica Estadual da Praia do Sul, ParqueEstadual Marinho do Aventureiro, Parque Estadual da Serrado Mar (Ncleos Picingaba, Cunha e Santa Virgnia),Parque Estadual Ilha Anchieta, Estao Ecolgica deBananal, rea de Proteo Ambiental Municipal da Baiade Parati, Parati-Mirim e Saco do Mamangu.

Mosaico da Mata Atlntica Central Fluminense, noEstado do Rio de Janeiro, que abrange uma rea comcerca de 233.710 hectares, 13 municpios e 22 Unidadesde Conservao e suas zonas de amortecimento, a saber:rea de Proteo Ambiental Federal de Guapimirim, reade Proteo Ambiental Federal de Petrpolis, EstaoEcolgica Federal Guanabara, Parque Nacional da Serrados rgos, Reserva Biolgica Federal de Tingu, rea deProteo Ambiental Estadual da Bacia do Rio dos Frades,rea de Proteo Ambiental Estadual da Floresta doJacarand, rea de Proteo Ambiental Estadual da Baciado Rio Macacu, rea de Proteo Ambiental Estadual deMaca de Cima, Estao Ecolgica Estadual do Paraso,Parque Estadual dos Trs Picos, Reserva Biolgica Estadualde Araras, rea de Proteo Ambiental Estadual Maravilha,Parque Natural Municipal da Araponga, MonumentoNatural Municipal Pedra das Flores, Estao EcolgicaMunicipal Monte das Flores, rea de Proteo AmbientalMunicipal Guapi-guapiau, Parque Natural Municipal daTaquara, RPPN CEC - Tingu, RPPN El Nagual, RPPNQuerncia e RPPN Graziela Maciel Barroso.

Mosaico de Unidades de Conservao da Regio daSerra da Mantiqueira, Mosaico Mantiqueira, queabrange uma rea com cerca de 445.615 hectares, 37municpios e 19 Unidades de Conservao e suas zonas

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de amortecimento, nos Estados de MG, SP e RJ, asaber: rea de Proteo Ambiental Federal da Serra daMantiqueira, Parque Nacional do Itatiaia, rea de ProteoAmbiental Federal dos Mananciais do Rio Paraba do Sul,Floresta Nacional de Lorena, Floresta Nacional de PassaQuatro, Parque Estadual de Campos do Jordo, ParqueEstadual dos Mananciais de Campos do Jordo, ParqueEstadual Serra do Papagaio, rea de Proteo AmbientalEstadual Ferno Dias, rea de Proteo AmbientalEstadual de Campos do Jordo, rea de ProteoAmbiental Estadual de Sapuca Mirim, rea de ProteoAmbiental Estadual So Francisco Xavier, ParqueMunicipal da Serrinha do Alambari, Parque Municipal daCachoeira da Fumaa, rea de Proteo AmbientalMunicipal da Serrinha do Alambari, rea de ProteoAmbiental Municipal de Campos do Jordo, RPPN AveLavrinha, RPPN Mitra do Bispo, RPPN Alto Gamarra.

Os Conselhos Gestores dos Trs Mosaicos foram empossadosnas seguintes Reunies realizadas no decorrer do ms defevereiro de 2007:

Mosaico Mantiqueira: Reunio de Posse: dia 8 defevereiro de 2007- APA Serra da Mantiqueira, Itamonte MG.

Mosaico Bocaina: Reunio de Posse: dia 12 de fevereirode 2007- PESM - Ncleo Picinguaba, Ubatuba SP.

Mosaico Mata Atlntica Central Fluminense: Reuniode Posse: dia 14 de fevereiro de 2007 - Auditrio doIBAMA, Rio de Janeiro - RJ.

Os principais produtos gerados pelo Projeto de Apoio aoReconhecimento dos Mosaicos no Corredor da Serra do Mar, foram:

Produto 1 - Minuta da Portarias, assinadas pelo MMA,reconhecendo os trs novos Mosaicos no Corredor daSerra do Mar.

Produto 2 - Cd-ROM: Informaes e produtos do Projetoe Dossis de informaes dos Mosaicos.

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Produto 3 - Plano de Gesto Estratgica dos trsMosaicos (Minutas).

Produto 4 - Rede de Parceria articulando agentes am-bientais, moradores e instituies atuantes no Corredorda Serra do Mar (grupos eletrnicos).

Produto 5 - Caderno da Srie RBMA sobre os TrsMosaicos.

Produto 6 - Psteres dos trs Mosaicos na Serra do Mar.

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4 - OS MOSAICOS DE UNIDADES DE CONSER-VAO DO CORREDOR DA SERRA DO MAR

4.1 - O MOSAICO DE UNIDADES DE CONSERVAO DAREGIO DA SERRA DA BOCAINA MOSAICO BOCAINA

4.1.1 - MAPA DE LOCALIZAO

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4.1.2 - FOTOS

Foto: Arquivo ESEC Tamoios. Foto: Adriana Mattoso.

Foto: Arq. Ncleo Santa Virgnia. Foto: Adriana Mattoso.

Foto: Adriana Mattoso Foto: Adriana Mattoso.

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4.1.3 - JUSTIFICATIVA

O Mosaico de Unidades de Conservao da Regio da Serra daBOCAINA, denominado Mosaico Bocaina, abrange uma reade 221.754 ha, nove municpios nos estados de Rio de Janeiroe So Paulo, e 10 Unidades de Conservao e suas zonas deamortecimento, localizadas no Vale do Paraba do Sul, LitoralSul do Estado do Rio de Janeiro e Litoral Norte do Estado deSo Paulo, a saber:

I - Estado de Rio de Janeiro, englobando os municpios deAngra dos Reis e Paraty.

II Estado de So Paulo, englobando os municpios deUbatuba, Cunha, So Luiz do Paraitinga, Natividade daSerra, So Jos do Barreiro, Areias e Bananal.

O Mosaico da Bocaina composto por 10 Unidades deConservao localizadas na regio da Serra do Mar, Serra daBocaina, Litoral Norte de So Paulo, Alto Vale do Paraba eBaia da Ilha Grande, no Litoral Sul Fluminense.

A sua criao tem como objetivo estimular a gesto integradaentre as diversas Unidades de Conservao, contribuindo paraa preservao e conservao dos recursos naturais e pesqueiros,bem como para o desenvolvimento sustentado deste territriosituado na divisa entre dos Estados do Rio de Janeiro e de SoPaulo.

O total de fragmentos florestais da regio de 254.433,42 ha,sem incluir as unidades da FEEMA. Abrangendo nove muni-cpios Angra dos Reis e Paraty (RJ); Ubatuba, Cunha, SoLuiz do Paraitinga, Natividade da Serra, So Jos do Barreiro,Areias e Bananal (SP); dentro de seus limites esto repre-sentados praticamente todos os ecossistemas associados MataAtlntica, desde campos de altitudes aos insulares.

A rea compreendida pelo Mosaico proposto representa umimportante fragmento do Domnio da Mata Atlntica, agrupando

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ampla diversidade de tipos vegetacionais, grandes extensescontnuas de reas florestadas, sob diversos domnios geo-morfolgicos.

Inclui desde reas costeiras at vertentes ngremes no alto doplanalto dissecado da Bocaina, do nvel do mar a 2.088 metrosde altitude. considerado um dos principais redutos de FlorestaAtlntica, coberto pela Floresta Ombrfila Densa (Submontana,Montana e Alto Montana), Floresta Ombrfila Mista Alto Montana,apresentando pores de ecossistemas marinhos, costeiros,insulares e Campos de Altitude, ainda em bom estado de conser-vao, apesar dos inmeros pontos de interferncia humana.

Devem-se destacar a alta diversidade e complexidade naturalda rea, resultantes das inmeras combinaes entre tipos derelevo, altitudes, caractersticas topogrficas, rede de drenagem,substrato rochoso, solos e cobertura vegetal natural. umterritrio repleto de endemismos, refgios ecolgicos e espciesameaadas de extino.

A Regio da Serra do Mar includa no Hotspot Mata Atlntica,uma das poucas reas que ainda possui comunidades com-pletas de espcies nas quais os processos ecolgicos e evolutivoscontinuam intactos. O Corredor da Serra do Mar uma dasreas mais ricas em biodiversidade em toda a Mata Atlntica.

CONTEXTO

A regio de divisa entre Rio e So Paulo, situa-se na principalrea de expanso das redes de interiorizao territorial docentro-sul brasileiro, na qual ocorreram todos os ciclos dedesenvolvimento econmico da explorao indiscriminadados recursos naturais atual explorao turstica.

O inicio foi a partir de Paraty, com a abertura do Caminho doOuro, no sculo XVII, que era a melhor opo de acesso entre acidade do Rio de Janeiro e as Minas Gerais. Na verdade existiamvrios acessos, (os Descaminhos) que deixaram importante

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testemunho, materializado nos vestgios e trechos das caladasde pedra que ainda se encontram ligando So Luiz do Paraitingaa Ubatuba, Cunha a Paraty e Mambucaba, Mambucaba a SoJose do Barreiro e Angra dos Reis a Bananal.

At o sculo XIX, a regio foi palco importante de eventoseconmicos, com o apogeu das cidades de Areias, Bananal,So Jose do Barreiro, Ubatuba, Paraty e So Luiz do Paraitinga.Desta poca, a arquitetura e a cultura tropeira foram o melhorlegado. Aps intensa explorao da floresta, a interiorizaodo caf em direo bacia do rio Tiet desencadeou o perodode decadncia. O relevo acentuado dificultou a abertura devias amplas para o fluxo de mercadorias, fazendo com que seusportos Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba perdessem impor-tncia como escoadouros da produo. As tropas cederam lugar ferrovia, que veio ligar So Paulo ao Rio de Janeiro no finaldo sculo XIX.

Aps a fase cafeeira, a regio do planalto So Luiz do Parai-tinga, Cunha, Areias, So Jos do Barreiro e Bananal passarampor vrios ciclos econmicos. Atualmente, so produtores dearroz, batata, mandioca, milho, feijo, tomate, frutas, verdurase at mesmo flores, mas o predomnio a pecuria leiteira eagropecuria, que vm cedendo rapidamente lugar silvi-cultura, por meio do reflorestamento de pinus e eucalipto.

J a regio litornea Ubatuba, Paraty e Angra dos Reis tmna pesca e no turismo sua principal atividade econmica, comdeclnio acentuado da primeira e desenvolvimento desenfreadoda segunda.

A atividade industrial representada pelo estaleiro Verolme,Usinas Nucleares e o Terminal da Petrobrs, concentrados emAngra dos Reis.

A abertura da BR-101 - rodovia Rio-Santos na dcada de 1970,a instalao do terminal porturio da Petrobrs e das UsinasNucleares em Angra dos Reis, foram obras monumentais queprovocaram grandes modificaes sociais e econmicas na regio.

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Todas foram construdas sem qualquer preocupao com osimpactos paisagsticos, ambientais e sociais que causariam.Como conseqncia a regio tornou-se foco de tenso socialentre empreendedores e caiaras, causada pela especulaoimobiliria devido brutal valorizao das terras beira mar.

Nas encostas e plancies, nos ambientes costeiros e insulares,a presso ambiental vem sendo causada pela expanso urbanae turstica, desordenada e descontrolada, alm da caa, trficode animais silvestres e a extrao ilegal de madeira, palmitonativo e plantas ornamentais.

Nos ambientes marinhos, o desenvolvimento tecnolgico e aexpanso da atividade pesqueira, vm causando a queda daproduo com perda da sustentabilidade.

A urbanizao da faixa litornea decorrente da construo da BR101, representada nos mais diversos tipos e padres econmicosde ocupao habitacional fixa ou de turismo, marinas e outrosempreendimentos, vem degradando a faixa litornea comedificaes em reas de preservao permanente, principalmentenas ilhas e costes, maculando a paisagem das encostas comqueimadas e desmatamentos; com a alterao dos regimeshdricos; com o aumento de despejos de esgotos in natura; coma ineficiente coleta, destinao final e tratamento do lixo, que seacentua significativamente nos perodos de frias e feriados.

A regio abrangida pelo Mosaico da Serra da Bocaina encontra-se inserida numa das reas mais adensadas do pas, o eixo Rio- So Paulo. O relevo fortemente ondulado imprprio para cultivosagrcolas, e a ausncia de malha viria adequada at a dcadade 70 permitiu que o macio florestal sofresse pouca degradao.

BIODIVERSIDADE

No Mosaico da Bocaina possvel identificar oito ecossistemasassociados ao bioma Mata Atlntica, so eles: florestas ombr-filas em diversos estgios de sucesso, manguezais, restingas,

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ambientes marinhos e insulares, costes rochosos, maciosrochosos e campos de altitude.

A Serra do Mar proporciona grande heterogeneidade ambiental,com encostas ora voltadas para o mar, ora para o continente,fazendo com que os regimes de ventos, salinidade e precipitaosejam diferentes. Alm disso, variaes topogrficas, solos comdiferentes fertilidades, profundidades, idades pedogenticaspropiciam condies diferenciadas para o estabelecimento dasespcies (Sanchez, 1994). A grande heterogeneidade ambientalimplica numa grande diversidade de plantas e animais.

O litoral do Mosaico caracterizado por apresentar uma linhade costa bastante recortada, formando baas, enseadas e sacos.A presena imponente da Serra do Mar, que acompanha quaseparalela linha da costa, com rios normalmente de pequenoporte que desguam diretamente no litoral determina a formaode manguezais nas reas mais abrigadas. Estes manguezaisencontram-se normalmente associados com reas de intensoacmulo de sedimentos finos, siltes e argilas, formando osbaixios. Grosso modo, os ambientes marinhos deste litoral secomportam como reas de transio entre a terra e o mar. Docontinente recebem toda a matria orgnica proveniente daSerra do Mar, atravs do desge dos rios, e da produo dosmanguezais. Do mar, recebem os nutrientes vindos das guasprofundas do oceano durante o vero (ACAS), durante o inverno(frente fria) que afloram prximo a costa e penetram na Baapelo canal entre a Ponta da Juatinga e a Ilha Grande, causandoo fenmeno da ressurgncia.

O elevado ndice pluviomtrico anual somado fisiografia daregio, com inmeras baas, enseadas e sacos, onde a circulaode gua restrita, fazem desta regio uma dos ambientes aqu-ticos mais ricos em micro-nutrientes do Brasil.

exceo da regio compreendida entre a Ponta da Trindade,Ponta da Juatinga e as Praias do Ncleo de Picinguaba, o litoraldo Mosaico situa-se no interior da Baa da Ilha Grande. Estaregio um ecossistema costeiro de grande importncia eco-

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lgica, caracterizado pela presena da prpria Ilha Grande, com180 km de superfcie, que protege a regio das freqentestempestades de sul e sudoeste que durante o outono e invernopromovem fortes ressacas nas regies de mar aberto.

Verifica-se que os maiores problemas ligados aos ambientesmarinhos do Mosaico Bocaina consistem na falta de ordena-mento e controle das atividades humanas de uso do espaomarinho. Tanto as atividades tursticas como os de pesca tmenorme potencial para se desenvolverem de maneira integradae complementar.

Levantamentos da histria natural, escritos de botnicos edepoimentos locais demonstram que o quadro de degradaovem se acentuando, h muitas dcadas, nos domnios da MataAtlntica da Serra do Mar, entre Norte de So Paulo e Sul doRio de Janeiro. A maior parte de sua vegetao constitudade formaes florestais secundrias. No entanto, este fato nodesmerece a qualidade da cobertura vegetal. Sua flora particularmente diversificada no planalto e escarpas, possuindoum nmero alto de espcies endmicas, e com freqncia,encontram-se espcies indicadoras de qualidade ambiental. Asflorestas abrangidas pelo Mosaico Bocaina constituem uma dasreas mais bem protegidas, tanto no Estado de So Paulo quan-to no do Rio de Janeiro, onde o nvel de desmatamento baixo,compondo um dos seus ltimos redutos florestais com rema-nescentes de floresta ntegra.

As diversas unidades de conservao, criadas nas dcadas de70, 80 e 90 em seus domnios, contriburam para que os impac-tos ambientais fossem contidos.

SOCIOECONOMIA

Os municpios componentes do Mosaico Bocaina abrigam253.000 habitantes. Destes 39.000 so da zona rural e 114.00so da zona urbana. (IBGE, 2000).

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Populao em 2000

020000400006000080000

100000120000140000

Areia

s

Bana

nal

Cunh

a

S.J. B

arreir

o

Ubatu

ba

Angra

dos R

eis

Parat

y

Populao rural

Populao urbana

Populao Total

Conforme censo IBGE de 1980 a populao total da regio doMosaico Bocaina era de 141.488 habitantes. Destes, 46%habitam a zona rural e 54 ocupam a zona urbana. A taxa decrescimento total foi de 81 %, contudo a zona urbana cresceu183% e a zona rural teve crescimento negativo em 40%. Abaixoesto expostas as taxas de crescimento municipais:

Taxa de Crescimento Populacional

-150,0-100,0

-50,00,0

50,0100,0150,0200,0250,0300,0350,0

Ubatuba Angra dosReis

Paraty

Tx.Crescimento TotalTx. Crescimento ruralTx. Crescimento urbana

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Taxa de Crescimento Populacional

-60,0-40,0-20,0

0,020,040,060,080,0

Areias Bananal Cunha So Josdo

Barreiro

Tx.Crescimento Total

Tx. Crescimento rural

Tx. Crescimento urbana

Diviso do Trabalho na regio do Mosaico, 1980.

agropecuriaconstruo civilindustriaservios/comrcio

Estes dados indicam que a presso direta da populao, dosmoradores, sobre os recursos naturais dentro da zona deinfluncia destas unidades, devido ao xodo rural e o boom doturismo, tem-se deslocado para a faixa urbana, com nfase nafaixa litornea. Se por um lado facilitado o trabalho derecuperao e manuteno do territrio interior da mata, traza necessidade de uma ateno diferenciada para os ncleosurbanos e as construes, particularmente de classe alta, nas

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ilhas, manguezais, no Saco do Mamangu e praias do litoral.

A regio do Mosaico Bocaina representa bem o conceito de pai-sagem cultural, onde as feies da natureza determinaram ocurso da sua histria e o desenvolvimento da sua gente, desdeos povos indgenas, os caiaras, os tropeiros, os caipiras, ateos migrantes, e por fim, os turistas.

Sua riqueza socioambiental exige que as aes sejam orientadasa partir de uma viso holstica das situaes e que as atividadessejam planejadas e executas de forma integrada, objetivando odesenvolvimento sustentvel da regio, priorizando a preser-vao da paisagem, da biodiversidade, e o desenvolvimento deatividades produtivas ligadas cultura local, mata e aosambientes marinhos.

imperativo que as atividades conjuntas na rea de EducaoAmbiental sejam integradas capacitao profissional voltada conservao e ao turismo, para a sensibilizao e formaode jovens que representam a massa crtica do amanh; divulgao dos Planos de Manejo das diversas Unidades deConservao envolvidas e na criao e dinamizao dosConselhos Consultivos, para que a sociedade local participeda implementao das reas protegidas e delas seja beneficiaria,tornando-se aliada na conquista dos seus objetivos.

Alm da fiscalizao e controle, fundamental o desenvol-vimento de projetos de recuperao e enriquecimento de reasdegradadas e corredores ecolgicos, bem como dos ambientesmarinhos e insulares, para que sejam melhoradas as condiesde fluxo gnico dentro do Mosaico.

Alm das reas legalmente protegidas, existe um conjunto dedocumentos legais que incide de maneira geral sobre reas depreservao permanente e sobre recursos naturais. Em que sepese toda a proteo legal, a degradao dos recursos naturaisdesta regio vem se agravando progressivamente.

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Os recursos materiais e humanos disponibilizados para aconservao ainda so mnimos, as limitaes culturais einstitucionais para viabilizar a integrao da gesto ambientalainda prevalecem, mas devem ser superadas, e a instituiodo Mosaico sem duvida o caminho mais adequado.

preciso superar os entraves de jurisdies e outras insufi-cincias, e desenvolver meios efetivos de cooperao nasatividades acima propostas para que a legislao e os objetivosdas UCs sejam cumpridos em toda essa rea.

4.1.4 - UNIDADES DE CONSERVAO QUE COMPEM OMOSAICO BOCAINA

UCs Federais de Proteo Integral - RJ

PARQUE NACIONAL DA SERRA DA BOCAINADecreto Federal 70694/72rea: aprox. 97.953,00 haMunicpios: RJ - Angra dos Reis e Paraty eSP - Areias, Cunha, So Jos do Barreiro e Ubatuba.rgo Responsvel: IBAMA/RJ.Ecossistemas predominantes: floresta tropical pluvial atlnticaperenifolia e florestas de latitude.

ESTAO ECOLGICA TAMOIOSDecreto Federal 98864/90rea: aprox. 8.700,00 haMunicpios: RJ - Angra dos Reis e Paraty.rgo Responsvel: IBAMA/RJ.Ecossistemas predominantes: floresta ombrfila densa e costesrochosos.

UC Federal de Uso Sustentvel RJ

REA DE PROTEO AMBIENTAL CAIRUUDecreto Federal 89242/83rea: aprox. 33.800,00 ha

MOSAICOS DE UNIDADES DE CONSERVAO NOCORREROR DA SERRA DO MAR

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Municpio: RJ - Paraty.rgo Responsvel: IBAMA/RJ.Ecossistemas predominantes: mata atlntica de encosta,floresta montana e sub-montana.

UCs Estaduais de Proteo Integral RJ

PARQUE ESTADUAL MARINHO DO AVENTUREIRODecreto Estadual 15983/90rea: aprox. 1.300,00 haMunicpio: RJ - Angra dos Reis.rgos Responsveis: IEF/FEEMA/SEA.Ecossistemas predominantes: costo rochoso e marinho.

RESERVA BIOLGICA DA PRAIA DO SULDecreto Estadual 4972/81rea: aprox. 3.600,00 haMunicpios: RJ - Ilha Grande e Angra dos Reis.rgos Responsveis: IEF/FEEMA/SEA.Ecossistemas predominantes: mata atlntica, restinga, lagunar,manguezal, campos inundveis (brejo) e costo rochoso.

UC Estadual de Uso Sustentvel RJ

REA DE PROTEO AMBIENTAL DE TAMOIOSDecreto Estadual 9452/86rea: aprox. 90.000,00 haMunicpio: RJ - Angra dos Reis.rgos Responsveis: IEF/FEEMA/SEA.Ecossistemas predominantes: mata atlntica, restinga, mangue-zal e costo rochoso.

UC Municipal de Uso Sustentvel RJ

REA DE PROTEO AMBIENTAL BAA DE PARATY, PARATYMIRIM E SACO DO MAMANGULei Municipal 685/84rea: aprox. 3.070,00 haMunicpios: RJ - Paraty.

CADERNO N. 32 - SRIE CONSERVAO E REAS PROTEGIDAS

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rgo Responsvel: Secretaria Municipal de Meio Ambiente,Pesca e Agricultura de Paraty.Ecossistemas predominantes: marinho e costeiro, manguezal,restinga e floresta ombrfila densa.

UCs Estaduais de Proteo Integral - SP

PARQUE ESTADUAL ILHA ANCHIETADecreto Estadual 9629/77rea: aprox. 830,00 haMunicpio: SP - Ubatubargo Responsvel: IF-SMA/SP.Ecossistemas predominantes: mata atlntica (floresta tropicalpluvial e restinga), campo antrpico, gleichenial e vegetao saxcola.

ESTAO ECOLGICA DO BANANALDecreto Estadual 26890/87rea: aprox. 884,00 haMunicpio: SP - Bananal.rgo Responsvel: IF-SMA/SP.Ecossistemas predominantes: floresta ombrfila densa altomontana.

PARQUE ESTADUAL DA SERRA DO MAR - NCLEO PICINGABADecreto Estadual 10.251/77rea: aprox. 47.500,00 haMunicpio: SP - Ubatuba.rgo Responsvel: IF-SMA/SP.Ecossistemas predominantes: floresta ombrfila densa, restingae manguezal.

PARQUE ESTADUAL DA SERRA DO MAR - NCLEO CUNHADecreto Estadual 10.251/77rea: aprox. 14.000,00 haMunicpios: SP - Cunha e Ubatuba.rgo Responsvel: IF-SMA/SP.Ecossistema predominante: floresta ombrfila densa.

PARQUE ESTADUAL DA SERRA DO MAR - NCLEO SANTA

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VIRGNIADecreto Estadual 10.251/77rea: aprox. 17.000,00 haMunicpios: SP - So Luis do Paraitinga, Natividade da Serra eCunha.rgo Responsvel: IF-SMA/SP.Ecossistema predominante: floresta ombrfila densa alto-montana.

4.1.5 - PORTARIA N 349, DE 11 DE DEZEMBRO DE 2006MOSAICO DE UNIDADES DE CONSERVAO DA SERRA DABOCAINA

A MINISTRA DE ESTADO DO MEIO AMBIENTE, no uso de suasatribuies, e tendo em vista o disposto na Lei no 9.986, de 18de julho de 2000 e nos arts. 8, 9, 17 a 20 do Decreto no4.340 de 22 de agosto de 2002, e o que consta do Processo N02000.004418/2006-15, resolve:

Art. 1 Reconhecer como mosaico de unidades de conservaoda regio da Serra da Bocaina, o Mosaico Bocaina, abrangendoas seguintes unidades de conservao e suas zonas de amor-tecimento, localizadas no Vale do Paraba do Sul, litoral do Estadodo Rio de Janeiro e litoral norte do Estado de So Paulo:

I - do Estado do Rio de Janeiro:a) sob a gesto do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dosRecursos Naturais Renovveis - IBAMA:

1. Parque Nacional da Serra da Bocaina;2. Estao Ecolgica Tamoios;3. rea de Proteo Ambiental Cairuu.

b) sob a gesto da Fundao Estadual de Engenharia do MeioAmbiente da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Desen-volvimento Urbano do Estado do Rio de Janeiro-FEEMA/SEMADUR:

1. rea de Proteo Ambiental de Tamoios;2. Reserva Biolgica da Praia do Sul;

CADERNO N. 32 - SRIE CONSERVAO E REAS PROTEGIDAS

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3. Parque Estadual Marinho do Aventureiro.

c) sob a gesto da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Pescae Agricultura da Prefeitura Municipal de Parati:

1. rea de Proteo Ambiental Baa de Parati, Parati-Mirim.e Saco do Mamangu.

II - do Estado de So Paulo:a) sob a gesto do Instituto Florestal da Secretaria do MeioAmbiente do Estado de So Paulo- IF/SMA:

1. Parque Estadual da Serra do Mar (Ncleos Picingaba,Cunha e Santa Virgnia);2. Parque Estadual Ilha Anchieta;3. Estao Ecolgica do Bananal.

Art. 2 O Mosaico Bocaina contar com apoio de um ConselhoConsultivo, que atuar como instncia de gesto integrada dasunidades de conservao constantes do art. 1 desta Portaria.

Art. 3 O Conselho Consultivo ter a seguinte composio:

I - representao governamental:a) os chefes, administradores ou gestores das unidades deconservao abrangidos pelo Mosaico Bocaina;

b) um representante da Superintendncia do IBAMA no Estadodo Rio de Janeiro;

c) um representante da Superintendncia do IBAMA no Estadode So Paulo;

d) um representante do IF/SMA do Estado de So Paulo;

e) um representante da FEEMA/SEMADUR do Estado do Riode Janeiro;

f) um representante do Comit da Bacia Hidrogrfica do Estadode So Paulo, de municpios inseridos no Mosaico Bocaina; eg) um representante de uma estatal que atue na regio do Mo-

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saico Bocaina, indicado pela maioria do Conselho.

II - representao da sociedade civil:a) um para cada unidade de conservao, indicado pelo seuConselho Consultivo ou pelo gestor da unidade, quando nohouver conselho;

b) trs representantes de entidades do setor turstico/cultural,preferencialmente um por regio, indicado no caput do art. 1desta Portaria;

c) um representante das comunidades tradicionais, pescadoresartesanais, quilombos, povos indgenas;

d) um representante do setor empresarial;

e) um representante do setor agrossilvopastoril;

Art. 4 Ao Conselho Consultivo compete:I - elaborar seu regimento interno, no prazo de noventadias, contados da sua instituio;

II - propor diretrizes e aes para compatibilizar, integrare otimizar:a) as atividades desenvolvidas em cada unidade de conservao,tendo em vista, especialmente:

1. os usos na fronteira entre unidades;2. o acesso s unidades;3. a fiscalizao;4. o monitoramento e avaliao dos Planos de Manejo;5. a pesquisa cientfica;6. a alocao de recursos advindos da compensao referenteao licenciamento ambiental de empreendimentos com signi-ficativo impacto ambiental.

b) a relao com a populao residente na rea do mosaico.

III - manifestar-se sobre propostas de soluo para a sobre-posio de unidades; e

CADERNO N. 32 - SRIE CONSERVAO E REAS PROTEGIDAS

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IV - manifestar-se, quando provocado por rgos executor,por conselho de unidade de conservao ou por outro rgodo Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA, sobreassunto de interesse para gesto do mosaico.

Art. 5 O Conselho Consultivo ser presidido por um dos chefesdas unidades de conservao abrangidos pelo Mosaico Bocaina,escolhido pela maioria simples de seus membros.

Art. 6 O mandato de conselheiro ser de dois anos, renovvelpor igual perodo, no remunerado e considerado atividade derelevante interesse pblico.

Art. 7 O presidente do Conselho Consultivo poder convidarrepresentantes de outros rgos governamentais, no-governa-mentais e pessoas de notrio saber, para contribuir na execuodos seus trabalhos.

Art. 8 Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicao.

MARINA SILVAMinistra de Estado do Meio Ambiente

MOSAICOS DE UNIDADES DE CONSERVAO NOCORREROR DA SERRA DO MAR

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4.2 - O MOSAICO DE UNIDADES DE CONSERVAO DAMATA ATLNTICA CENTRAL FLUMINENSE

4.2.1 - MAPA DE LOCALIZAO

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4.2.2 - FOTOS

Fotos: Arq. Projeto Gestores da Mata Atlntica.

MOSAICOS DE UNIDADES DE CONSERVAO NOCORREROR DA SERRA DO MAR

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4.2.3 - JUSTIFICATIVA

O Mosaico da Mata Atlntica Central Fluminense, no Estadodo Rio de Janeiro, que abrange uma rea com cerca de 233.710ha, 13 municpios e 22 Unidades de Conservao e suas zonasde amortecimento, a saber:

I Estado do Rio de Janeiro, abrangendo os municpios dePetrpolis, Guapimirim, Mag, Terespolis, So Geraldo,Japeri, Miguel Pereira, Nova Iguau, Duque de Caxias,Itabora, Nova Friburgo, Cachoeira do Macacu e Silva Jardim.

A relevncia da proteo e utilizao sustentvel dos fragmentosremanescentes de Mata Atlntica como estratgia de conser-vao da biodiversidade e da sociodiversidade j est definidanacional e internacionalmente. Muitos estudos caracterizameste bioma como prioritrio para a conservao em nvel global.Dentre dezoito pontos crticos identificados no planeta porWilson (1992), a costa do Brasil caracterizada como uma dasprincipais reas remanescentes de alta biodiversidade. Myerset al. (2000) e a Conservation International (2005), a partir deparmetros relacionados biodiversidade e ao nvel dedegradao ambiental, identificam a Mata Atlntica do Brasilcomo um dos biomas que devem receber prioridade no contextoda conservao biolgica. Grande parte da Mata Atlntica considerada Reserva da Biosfera pela UNESCO, indicando aprioridade para a conservao e o desenvolvimento sustentvel.

No conjunto de ecossistemas que compe a Mata Atlntica,determinadas regies so consideradas prioritrias para conser-vao, como o Corredor de Biodiversidade da Serra do Mar,que abrange grande parte do Rio de Janeiro, alm do litoral deSo Paulo, o sul de Minas Gerais e o extremo norte do Paran.Este fato est associado s boas condies de conservao dediversas reas dessa regio, que se reflete em um alto grau dediversidade biolgica, na existncia de endemismos e na ocor-rncia de espcies raras e ameaadas de extino nos ecossiste-mas regionais. Est associado tambm interao intensadesses recursos com a ao humana, j que o Corredor da

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Serra do Mar engloba algumas das reas mais densamentepopulosas do Brasil. Neste Corredor concentram-se importantesfragmentos florestais, alm de uma vasta diversidade sciocultural em interao com estes fragmentos. A conservaodestes fragmentos fundamental para a conservao da biodi-versidade da Mata Atlntica.

Em especial, determinadas pores do Corredor de Biodiversi-dade da Serra do Mar tm sido consideradas como de prioridadeextrema para conservao. Entre essas reas, a regio propostapara o Mosaico de Unidades de Conservao da Mata AtlnticaCentral Fluminense, que abrange a Serra dos rgos e seestende do Macio do Tingu at Maca de Cima, incluindo aparte leste da Baa de Guanabara, merecem destaque.

As caractersticas excepcionais da Serra dos rgos e suaimportncia ecolgica levaram o Ministrio do Meio Ambientea reconhec-la como rea prioritria para conservao (MMA,2002). O workshop Avaliao e aes prioritrias para a conser-vao do Bioma Floresta Atlntica e Campos Sulinos, quesubsidiou a publicao do MMA, identificou a regio da Serrados rgos como de extrema importncia biolgica para todosos grupos temticos analisados (Vegetao e Flora, Inverte-brados, Peixes, Rpteis e Anfbios, Aves, Mamferos e FatoresAbiticos). Segundo o PROBIO, a regio tambm prioritriapara conservao com expressiva riqueza de invertebrados,endemismo e espcies ameaadas de mamferos, rpteis eanfbios (Relatrio 1996-2002). Outro documento do MMA, quesubsidiou a elaborao do Mapa de reas Prioritrias paraConservao no Brasil, intitulado Avaliao e identificao dereas e aes prioritrias para conservao, utilizaosustentvel e repartio de benefcios da biodiversidade brasi-leira considera esta regio como de Prioridade de Conservaoe Uso Sustentvel Extremamente Alta, e nesta categoria estoincludas tanto as reas florestadas das encostas da Serra doMar que se estendem do Tingu at Maca de Cima, como aregio dos mangues da Baa de Guanabara. Estes manguesainda so protegidos pelo Cdigo Florestal, pois so conside-rados reas de Preservao Permanente. A situao prioritria

MOSAICOS DE UNIDADES DE CONSERVAO NOCORREROR DA SERRA DO MAR

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para conservao dos mangues da Baa de Guanabara levouao estabelecimento de aes importantes de um grande progra-ma de conservao dos mangues, o GEF Mangue, cujo objetivo promover a conservao e uso sustentvel de ecossistemasmanguezais no Brasil.

CARACTERSTICAS GEOBIOFSICAS DO MOSAICO

Grande parte desta prioridade de conservao relaciona-se scaractersticas geobiofsicas dessa regio. Na parte montanhosado Mosaico predominam os ecossistemas florestais, formadospor fragmentos de Mata Atlntica, enquanto na parte inferiorpredominam os ecossistemas de mangue, especialmente naregio de Guapimirim, onde se tem importante remanescentede um desses ecossistemas, representado pelos manguezaisde Guapimirim, inseridos na APA de mesmo nome.

A regio serrana que compe o mosaico est na faixa dedobramento remobilizado formado por escarpas e reversos daSerra do Mar, que formam uma srie de contrafortes isoladosdesta serra. Destaca-se a Serra do Tingu, no extremo oeste, aSerra das Araras e Serra da Maria Comprida, na rea dePetrpolis, a Serra dos rgos, com seus grandes Picos e a Serrade Trs Picos, ponto culminante do Mosaico. A poro centralda APA Petrpolis e os reversos do Parque Nacional da Serra dosrgos (PARNASO) e Parque Estadual dos Trs Picos (PETP),correspondente ao conjunto de vales que drenam para o rioPiabanha, so compostos por morretes ou formaes montahosasde menor porte. O relevo bastante caracterstico, indo de reasprximas cota 200 e chegando a cota de 1600 metros de alti-tude na REBIO Tingu (Pico do Tingu), quase 1980 metros naAPA Petrpolis (Pico da Maria Comprida), 2.263 metros noPARNASO (Pedra do Sino) e 2316 metros nos trs Picos que donome ao PETP. As encostas apresentam grande declividade e osrios que drenam os macios apresentam-se encaixados no relevo,formando canais estreitos, porm profundos e encostas queseguem de grandes altitudes base dos macios montanhosos,freqentemente cobertas por florestas e paredes rochosos.

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No caso das regies de baixada, estas so formadas porsedimentos flvio-marinhos, derivados de deposies em grandeparte vindas das regies serranas. Representam as sadas dasbacias hidrogrficas. Neste contexto se insere a APA Guapimirime a Estao Ecolgica Guanabara, no centro da APA. EstasUnidades de Conservao localizam-se na regio da foz dediversos rios, que nessa poro do Mosaico apresentam aspectomeandrico, com baixo nvel de energia. H deposio de sedi-mentos finos que possibilitam a tomada das margens por vegeta-o de manguezal. A partir desses rios, os manguezais socortados por canais que se entrecruzam, formando uma redede irrigao. Esses rios so oriundos do alto das serras quecompe a bacia da Baa de Guanabara, sendo os principaiselos de ligao das regies de baixada com as demais reas domosaico. A gesto da APA Guapimirim e da ESEC Guanabara,portanto, depende diretamente da gesto das demais UCs domosaico, que tm parte de suas reas drenando para ela. Nestecontexto, a APA de Macacu e de Guapi-Guapiau apresentamuma situao ambiental ambgua, com grande parte de condi-es semelhantes s encontradas nas UCs serranas, mas coma parte baixa formada por manguezais e apresentando caracte-rsticas semelhantes as da APA Guapimirim, onde desembocame se sobrepem. Alm disso, estas UCs apresentam ambientesde mar de morros, ou morros em meia laranja, que definem osresqucios arrasados da Serra do Mar. Esse ambiente apresentauma dinmica distinta, com a ocorrncia freqente de alaga-mentos e uma ocupao relacionada agricultura e pecuria,que praticamente eliminou os ecossistemas de florestaspaludosas que dominavam esses ambientes.

Devido a sua extenso relativamente grande e a sua variaoaltitudinal expressiva, a rea de abrangncia do Mosaico apre-senta variaes climticas importantes. As reas de baixadase enquadram no domnio morfoclimtico Tropical Quente, semnenhum ms seco no ano e mdia anual de precipitao emtorno de 1200 mm. O Tropical Atlntico o domnio a que per-tencem as reas no p das serras e o Tropical de Altitude, comuma curta estao seca (quanto mais alto, menos a estaoseca significativa), nas pores superiores.

MOSAICOS DE UNIDADES DE CONSERVAO NOCORREROR DA SERRA DO MAR

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A vegetao predominante no Mosaico varia desde manguezais,passando por florestas de baixada (quase extintas) e florestasde encostas. As florestas podem ser classificadas como FlorestaOmbrfila Densa (IBGE 1993), mas apresentando grande dife-renciao altitudinal. Na caracterizao fisionmico-florsticadesta cobertura vegetal, utilizando a terminologia empregadapor Veloso et al. (1991), foram reconhecidas as seguintes forma-es: Floresta Submontana, Floresta Montana, Floresta AltoMontana e Campos de Altitude, cuja variao est relacionada variao de faixas de altitude e correspondentes alteraesna temperatura e pluviometria das reas.

A formao florestal caracteriza-se por pereniflia, j que essasflorestas esto em ambientes sem perodos de seca ou comperodos curtos, menores que dois meses.

H ainda importantes reas de vegetao rupestre ou rupcula,que colonizam os afloramentos rochosos e apresentam impor-tantes graus de diversidade biolgica e endemismos.

A grande diversidade vegetal est associada a uma importantediversidade animal. Desse modo, a regio serrana do Mosaicoapresenta fauna abundante e diversa, sendo refgio de vriasespcies animais, muitas ameaadas de extino.

CARACTERSTICAS SOCIO-AMBIENTAIS DO MOSAICO

Alm de uma variao geobiofsica relevante, o Mosaico apresen-ta realidades sociais diversificadas e um complexo urbano-industrial e de servios, entrecortado por reas especficas deagricultura e pecuria.

H uma grande parte da populao da rea do Mosaico e seuentorno que vive em condies de pobreza e misria, muitas vezesem locais em pssimas condies ambientais.

Uma caracterstica marcante do Mosaico so os vrios aglomeradospopulacionais existentes na regio, com destaque para os

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municpios de Nova Iguau, Duque de Caxias, Petrpolis, Teres-polis, Nova Friburgo e So Gonalo. Alm disso, so importantesem muitas reas do Mosaico as pequenas propriedades rurais(sobretudo no cinturo verde - em Terespolis, Nova Friburgo eCachoeiras de Macacu) com atividades agropecurias, geralmentede grande potencial para a degradao ambiental por utilizaremtcnicas de produo nocivas conservao. Por fim, em muitasreas h problemas derivados da ocupao do solo por indstrias,devido ao potencial poluidor de muitas destas e do risco deacidentes, comuns na regio.

O mosaico proposto abrange rea de 13 municpios de 4 dife-rentes regies de governo, que juntos possuem mais de 3,7milhes de habitantes. Trata-se de uma rea com populao97% urbana e de alta densidade demogrfica, (tabela 1). Pormexistem grandes reas de populao rarefeita, com importantesrepresentaes locais de atividades agropecurias.

Regio de Municpios rea Populao Populao Populao DensidadeGoverno (Km2) Total urbana rural Demogrfica

(hab/Km2)Duque deCaxias 468,3 775.456 772.327 3.129 1.656Guapimirim 361,9 37.952 25.593 12.359 105Itabora 429,3 187.479 177.260 10.219 437Japeri 81,4 83.278 83.278 - 1.023Mag 386,8 205.830 193.851 11.979 532Nova Iguau 520,5 920.599 920.599 - 1.769So Gonalo 248,7 891.119 891.119 - 3.583Nova Friburgo 938,5 173.418 151.851 21.567 185Petrpolis 797,1 286.537 270.671 15.866 359Terespolis 772,9 138.081 115.198 22.883 179

Regio Miguel Pereira 287,9 23.902 20.081 3821 83Centro So Jos doSul Vale do Rio Preto 220,9 19.278 9.007 10.271 87

Regio das Cachoeiras de 956,8 48.543 41.117 7.426 47,5Baixadas MacacuLitorneasTotais 6.471 3.791,472 3.671,952 119,520 586

Tabela 1: Dados dos municpios do Mosaico da Mata AtlnticaCentral Fluminense.

MOSAICOS DE UNIDADES DE CONSERVAO NOCORREROR DA SERRA DO MAR

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Deve ser ressaltado que isto no significa que o Mosaico estsob presso direta de 3,7 milhes de pessoas, pois grande partedos centros urbanos dos municpios da baixada esto fora darea do mosaico. Entretanto, esse nmero de habitantes permiteavaliar a posio das UCs do ponto de vista dos desafios deconservao em uma rea ocupada por grandes cidades e inten-sa atividade econmica. Da mesma forma a rea do mosaicono corresponde rea dos municpios, mas estas so apresen-tadas para se entender o contexto scio econmico que envolvea regio do Mosaico.

LOCALIZAO E COMPOSIO DO MOSAICO

Em funo deste aglomerado urbano-industrial e das vastasreas voltadas agropecuria, a presso sobre os remanes-centes florestais bastante intensa. Desta forma, o padro dapaisagem em forma de mosaico, com a vegetao formandofragmentos.

Como conseqncia desta combinao de reas de granderelevncia para conservao com uma paisagem fragmentadae grande presso sobre os recursos naturais por parte dasatividades humanas, a regio proposta para o Mosaico apresen-ta uma grande concentrao de unidades de conservao.Predominam as UCs de proteo integral nas reas com grandesfragmentos de mata e ncleos conservados desses fragmentose as UCs de uso sustentvel em reas do entorno desses frag-mentos e em reas onde ainda existem importantes conjun-tosde pequenos fragmentos de vegetao.

Portanto, h UCs de diversas categorias, geridas por diferentesesferas do poder pblico e mesmo por proprietrios particulares,incluindo desde Reservas Biolgicas at APAs. Estas UCsapresentam grande proximidade fsica, havendo diversos casosde sobreposio. Alm disso, comum que as UCs apresentemsimilaridades e complementaridades nos objetivos de conser-vao, de modo que a integrao na gesto dessas UCs umimperativo regional, possibilitando uma maior efetividade na

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implantao de polticas de fiscalizao, disponibilizao deinformao, fomento a implantao de corredores ecolgicos,fomento a pesquisa, etc. Portanto, atravs do presente documentoas UCs dessa regio se comprometem com a criao do Mosaico deUnidades de Conservao da Mata Atlntica Central Fluminense.

Este Mosaico est localizado no Estado do Rio de Janeiro, Brasil;entre as coordenadas geogrficas: 22o1157 S/ 42o3101 W(canto superior direito) e 22o5325 S/ 43o4136 W.

Deste modo, a rea total do Mosaico e reas de influncia de524.162 ha.

So seis categorias de unidades j integradas presenteproposta de mosaico, seis reas de Proteo Ambiental, trsParques, duas Reservas Biolgicas, duas Estaes Ecolgicas,um Monumento Natural e seis Reservas Particulares do Patri-mnio Natural.

Deve ser ressaltado, que outras UCs podem integrar o Mosaicoem um momento futuro, pois nem todas as RPPNs e UCsmunicipais existentes na regio foram includas. Essas podemser estimuladas pelo movimento concreto de discusses e aesenvolvidos no Mosaico e virem a participar. Vrios so os motivospara a no incluso destas UCs, mas geralmente associados inexistncia de um grupo que respondesse pela gesto da UC.

H grande conectividade fsica entre a maior parte das UCs doMosaico. Estas apresentam uma continuidade nas reasserranas do estado do Rio de Janeiro e uma conectividade ecos-sistmica com a baixada atravs das APAs de Guapi-Guapiaue do Macacu, que se unem a APA Guapimirim e a ESECGuanabara. A integrao no Mosaico ir permitir que as APAse a ESEC Guanabara partilhem diversos instrumentos de gestocom as demais UCs, o que possibilitar uma ao mais efetivana conservao dos ecossistemas de mangue, brejos e florestaspaludosas. O caso das UCs municipais de So Jos do Vale doRio Preto nico, pois apesar de no possuir uma conectividadedireta com as demais UCs do ponto de vista fsico, h proximi-

MOSAICOS DE UNIDADES DE CONSERVAO NOCORREROR DA SERRA DO MAR

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dade e interao de gesto que vem sendo bastante ampliadana discusso do Mosaico da Mata Atlntica Central Fluminense.

4.2.4 - UNIDADES DE CONSERVAO QUE COMPEM OMOSAICO DA MATA ATLNTICA CENTRAL FLUMINENSE

UCs Federais de Proteo Integral

PARQUE NACIONAL DA SERRA DOS RGOSDecreto Federal 1.822/39rea: aprox. 10.000,00 haMunicpios: Petrpolis, Guapimirim, Mag, Terespolis e SoGonalo.rgo Responsvel: IBAMA.Ecossistema predominante: floresta tropical pluvial atlntica.

ESTAO ECOLGICA GUANABARADecreto Federal s/n de 2006rea: aprox. 2.000,00 haMunicpios: Guapimirim e So Gonalo.rgo Responsvel: IBAMA.Ecossistema predominante: manguezal.

RESERVA BIOLGICA TINGUDecreto Federal 97.780/89rea: aprox. 26.136,00 haMunicpios: Japeri, Miguel Pereira, Petrpolis, Nova Iguau eDuque de Caxias.rgo Responsvel: IBAMA.Ecossistema predominante: floresta ombrfila densa.

UCs Federais de Uso Sustentvel

REA DE PROTEO AMBIENTAL DE GUAPIMIRIMDecreto Federal 90.225/84rea: aprox. 59.872,00 haMunicpios: Guapimirim, Itabora, Mag e So Gonalo.rgo Responsvel: IBAMA.

CADERNO N. 32 - SRIE CONSERVAO E REAS PROTEGIDAS

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Ecossistema predominante: manguezal (ecossistema associado floresta ombrfila densa e mista).

REA DE PROTEO AMBIENTAL DE PETRPOLISDecreto Federal 1.654/82rea: aprox. 13.825,00 haMunicpios: Petrpolis, Mag, Duque de Caxias e Guapimirim.rgo Responsvel: IBAMA.Ecossistema predominante: mata fluvial atlntica.

UCs Estaduais de Proteo Integral

PARQUE ESTADUAL DOS TRS PICOSInstrumento de Criao: Decreto Estadual 31.343/02rea: aprox. 46.350,00 haMunicpios: Terespolis, Nova Friburgo, Guapimirim, Cachoei-ras de Macacu e Silva Jardim.rgos Responsveis: IEF/FEEMA/SEA.Ecossistema predominante: floresta ombrfila densa.

ESTAO ECOLGICA DO PARASODecreto Estadual 9.803/87rea: aprox. 4.920,00 haMunicpios: Guapimirim e Cachoeiras do Macacu.rgos Responsvis: IEF/FEEMA/SEA.Ecossistema predominante: floresta tropical pluvial atlntica.

RESERVA BIOLGICA DE ARARASResoluo da Secretaria Estadual de Agricultura e Abasteci-mento/77rea: aprox. 2.068,00 haMunicpio: Petrpolis.rgos Responsveis: IEF/FEEMA/SEA.Ecossistema predominante: floresta ombrfila densa.

UCs Estaduais de Uso Sustentvel

REA DE PROTEO AMBIENTAL DA BACIA DO RIO DOSFRADES

MOSAICOS DE UNIDADES DE CONSERVAO NOCORREROR DA SERRA DO MAR

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Lei Estadual 1.755/90rea: aprox. 7.500,00 haMunicpio: Terespolis.rgos Responsveis: IEF/FEEMA/SEA.Ecossistema predominante: floresta ombrfila densa.

REA DE PROTEO AMBIENTAL DA FLORESTA DOJACARANDDecreto Estadual 8.280/85rea: aprox. 2.700,00 haMunicpio: Terespolis.rgos Responsveis: IEF/FEEMA/SEA.Ecossistema predominante: floresta ombrfila densa.

REA DE PROTEO AMBIENTAL DA BACIA DO RIO MACACULei Estadual 4.018/02rea: aprox. 82.436,00 haMunicpios: Cachoeiras de Macacu, Guapimirim, Itabora eMag.rgos Responsveis: IEF/FEEMA/SEA.Ecossistemas predominantes: floresta ombrfila densa ealagadios.

REA DE PROTEO AMBIENTAL DE MACA DE CIMADecreto Estadual 29.213/01rea: aprox. 35.037,00 haMunicpios: Nova Friburgo e Silva Jardim.rgos Responsveis: IEF/FEEMA/SEA.Ecossistema predominante: floresta ombrfila densa.

UCs Municipais de Proteo Integral

PARQUE NATURAL MUNICIPAL DA ARAPONGADecreto Municipal 1.653/06rea: aprox. 14.000,00 haMunicpio: So Jos do Vale do Rio Preto.rgo Responsvel: Sec. Mun. de Meio Ambiente de So Josdo Vale do Rio Preto.Ecossistema predominante: floresta ombrfila densa.

CADERNO N. 32 - SRIE CONSERVAO E REAS PROTEGIDAS

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ESTAO ECOLGICA MONTE DAS FLORESDecreto Municipal 1.654/06rea: aprox. 211,00 haMunicpio: So Jos do Vale do Rio Preto.rgo Responsvel: Sec. Mun. de Meio Ambiente de So Josdo Vale do Rio Preto.Ecossistema predominante: floresta ombrfila densa.

PARQUE NATURAL MUNICIPAL DA TAQUARALei Municipal 1.157/92rea: aprox. 20.795,00 haMunicpio: Duque de Caxias.rgo Responsvel: Sec. Mun. de Meio Ambiente de Duque deCaxias.Ecossistema predominante: floresta ombrfila densa.

MONUMENTO NATURAL DA PEDRA DAS FLORESDecreto Municipal 1.651/06rea: aprox. 346,00 haMunicpio: So Jos do Vale do Rio Preto.rgo Responsvel: Sec. Mun. de Meio Ambiente de So Josdo Vale do Rio Preto.Ecossistema predominante: vegetao rupestre.

UCs Municipais de Uso Sustentvel

REA DE PROTEO AMBIENTAL MARAVILHADecreto Municipal 1.652/06rea: aprox. 1.700,00 haMunicpio: So Jos do Vale do Rio Preto.rgo Responsvel: Sec. Mun. de Meio Ambiente de So Josdo Vale do Rio Preto.Ecossistema predominante: floresta ombrfila densa.

REA DE PROTEO AMBIENTAL GUAPI-GUAPIAUDecreto Municipal 620/04rea: aprox. 15.5382,32 haMunicpio: Guapimirim.rgo Responsvel: Sec. Mun. de Meio Ambiente de Guapimirim.

MOSAICOS DE UNIDADES DE CONSERVAO NOCORREROR DA SERRA DO MAR

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Ecossistemas predominantes: floresta das terras baixas, florestamontana e submontana.

Reservas Particulares do Patrimnio Natueral

RPPN EL NAGUALInstrumento de Criao: Portaria Federal 88/99rea: aprox. 17,00 haMunicpio: Mag.Gestor da UC: proprietrio.Ecossistema predominante: floresta pluvial submontana.

RPPN CEC-TINGUInstrumento de Criao: Portaria Federal 176/02rea: aprox. 16,50 haMunicpio: Tingu.Gestor da UC: proprietrio.Ecossistema predominante: floresta ombrfila densa

RPPN GRAZIELA MACIEL BARROSOInstrumento de Criao: Portaria Federal 20/05rea: aprox. 184,00 haMunicpio: Petrpolis.Gestor da UC: proprietrio.Ecossistema predominante: campo de altitude.

RPPN QUERNCIAInstrumento de Criao: Portaria Federal 05/99rea: aprox. 50,02 haMunicpios: Mag.Gestor da UC: proprietrio.Ecossistema predominante: floresta submontana.

4.2.5 - PORTARIA N 350, DE 11 DE DEZEMBRO DE 2006MOSAICO UNIDADES DE CONSERVAO DA MATAATLNTICA CENTRAL FLUMINENSE

A MINISTRA DE ESTADO DO MEIO AMBIENTE, no uso de suas

CADERNO N. 32 - SRIE CONSERVAO E REAS PROTEGIDAS

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atribuies, e tendo em vista o disposto na Lei N 9.986, de 18de julho de 2000 e nos arts. 8, 9, 17 a 20 do Decreto N4.340 de 22 de agosto de 2002, e o que consta do Processo N02000.004419/2006-60, resolve:

Art. 1 Reconhecer como mosaico de unidades de conservaoda Mata Atlntica Central Fluminense, no Estado do Rio deJaneiro, o Mosaico Mata Atlntica Central Fluminense, abrangendoas seguintes unidades de conservao e zonas de amortecimento:

I - do Estado do Rio de Janeiro:a) sob a gesto do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dosRecursos Naturais Renovveis - IBAMA:

1. Parque Nacional da Serra dos rgos;2. Reserva Biolgica do Tingu;3. Estao Ecolgica da Guanabara;4. rea de Proteo Ambiental de Guapimirim;5. rea de Proteo Ambiental de Petrpolis.

b) sob a gesto da Fundao Estadual de Engenharia do MeioAmbiente da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Desen-volvimento Urbano do Estado do Rio de Janeiro-FEEMA/SEMADUR:

1. Estao Ecolgica do Paraso;2. rea de Proteo Ambiental da Bacia do Rio dos Fr