SETOR DE GÁS NATURAL NO BRASIL - nuca.ie.ufrj.br ?· A produção abrange a elevação do gás natural…

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  • SETOR DE GS NATURAL

    NO BRASIL

    Maria Paula Martins

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  • SETOR DE GS NATURAL NO BRASIL

    Maria Paula Mart ins

    Rio de Janeiro Agosto de 2006

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  • Sumrio 1. Informaes Tcnicas 4 2. Cadeia Produtiva 5 2.1 Produo 5 2.2 Principais empresas Participaes cruzadas 7 2.3 Gasodutos em operao 9 2.4 Gasodutos em construo/contratao 9 2.5 Gasodutos em fase de estudo 9 3. Reservas e Produo Nacional 10 3.1 Reservas 10 3.2 Produo 13 4. Importao 17 4.1 At maio de 2006 17 4.2 Decreto Boliviano n28701/2006 18 4.3 Reflexos do Decreto Boliviano 19 4.4 Estratgia Brasileira de Abastecimento 20 5. Principais Usos 21 6. Legislao 21 6.1 O vcuo regulatrio 22 6.2 Projeto de Lei do Senado n 226/2005 23 6.3 Projeto de Lei da Cmara dos Deputados n 6.666/2006 24 6.4 Projeto de Lei Executivo n 6.673/2006 24 7. Preos 25 8. Desafios para a expanso 26 9. Referncias Bi lbiogrficas 27

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  • SETOR DE GS NATURAL NO BRASIL

    Maria Paula Mart ins Resumo O trabalho aborda as condies necessrias para a expanso do setor de gs natural no Brasil, considerando a produo, reservas, principais usos, segmentos da cadeia produtiva, fontes de matria-prima, produo e importao, crise da Bolvia, principais agentes, a legislao em vigor, os aspectos regulatrios, formao de preos, mercado, monoplio e livre concorrncia.

    1 . Informaes Tcnicas O gs natural uma mistura de hidrocarbonetos leves, em estado gasoso temperatura ambiente e presso atmosfrica normais, sendo encontrado em acumulaes rochosas porosas martimas ou terrestres, associado ou no ao petrleo. O gs associado encontrado nos reservatrios de petrleo, dissolvido no leo ou sob a forma de capa de gs do reservatrio. Sua produo se d conjuntamente com leo, sendo separado durante o processo de produo e configurando-se em co-produto do petrleo. J o gs no-associado encontra-se em reservatrios de hidrocarbonetos isoladamente ou com pequenas quantidades de leo, sendo a produo comercial apenas do gs natural.

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  • A composio fsico-qumica do gs natural varia de campo para campo, em funo da matria orgnica da qual originrio, bem como dos processos naturais a que foi submetido. Predominantemente, o gs natural composto por metano e quantidades menores de etano, propano e outros hidrocarbonetos de maior peso molecular, apresentando ainda impurezas contaminantes, tais como nitrognio, dixido de carbono, gua e compostos de enxofre. A tabela a seguir mostra as composies fsico-qumicas de alguns campos de gs natural.

    Tabela I Composio Fsico-Qumica

    Fonte: Petrobras

    Golfinho Componente (% vol) Pero

    Maastrichtiano Campaniano

    Bacia de Campos Recncavo Bolvia

    Metano 94,74 92,00 80,64 89,44 88,85 89,09

    Etano 1,76 4,19 8,94 6,70 8,99 5,93

    Propano e maiores 1,22 1,74 7,56 2,72 0,51 2,89

    Sulfetos de hidrognio traos traos traos traos traos traos

    CO 0,91 0,43 0,63 0,34 0,86 0,65

    N 1,38 1,62 2,24 0,80 0,79 1,20

    Densidade relativa do ar (ar=1)

    0,592 0,607 0,706 0,623 0,612 0,631

    Poder calorfero Inferior MJ/Nm

    36,27 35,41 40,20 40,26 39,25 39,89

    As especificaes do gs natural, de origem nacional ou importado, a ser comercializado em todo o territrio nacional, so definidas pela Agncia Nacional do Petrleo, Gs Natural e Bicombustveis ANP, atravs da Portaria ANP n 104/2002. Em virtude do gs natural ser inodoro, incolor, inflamvel e asfixiante, so adicionados compostos base de enxofre em concentrao suficiente para lhe dar cheiro marcante, mas sem atribuir caractersticas corrosivas. O gs natural produz uma combusto limpa, com reduzida emisso de poluentes e melhor rendimento trmico que outros energticos.

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  • 2 . Cadeia Produtiva 2.1 Descrio A cadeia produtiva do gs natural pode ser dividida em duas partes. A primeira refere-se s atividades relacionadas obteno do produto propriamente dito, chamada up-stream e a segunda refere-se s atividades que utilizam o produto como insumo, chamada down-stream. As atividades de up-stream so explorao, explotao, produo e processamento do gs natural. A explorao compreende um conjunto de atividades que avalia a probabilidade de ocorrncia do gs natural em uma determinada formao geolgica, estudando o potencial gasefero de uma regio geogrfica, geologia, perfurao de poos exploratrios e viabilidade comercial da formao geolgica ou campo. As atividades de explotao so aquelas desenvolvidas para permitir a operao comercial dos poos, compreendendo perfurao, completao e recompletao de poos, colocao das cabeas de vedao, vlvulas, comandos remotos, unidades de bombeio, injeo e reinjeo e demais acessrios que permitiro a produo dentro dos padres de segurana. A produo abrange a elevao do gs natural do reservatrio, o processamento primrio no campo, a separao gua-gs-condensado-leo e o transporte at a base de armazenamento ou estao de tratamento. O processamento envolve todas as atividades realizadas com o gs natural aps sua produo. No processamento primrio realizado no campo so retiradas as fraes pesadas do gs natural associado, de modo a permitir sua compresso para a estao de tratamento mais prxima, onde sero recuperados os hidrocarbonetos lquidos e separado o gs residual que ser transportado ou armazenado. O transporte pode ocorrer por gasodutos ou sob as formas de gs comprimido ou liquefeito. O armazenamento se d em formaes desativadas ou especialmente construdas para esse fim. Essa atividade no vem sendo desenvolvida no Brasil, no havendo ainda legislao especfica. As atividades de down-stream a partir da distribuio do gs natural esto relacionadas ao fornecimento do produto aos usurios finais.

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  • Todas as atividades de up-stream fazem parte da concesso dos campos petrolferos/gaseferos outorgadas pela Agncia Nacional do petrleo, Gs Natural e Biocombustveis ANP. O transporte objeto de autorizao outorgada pela ANP, assim como as atividades de compresso e liquefao. No Brasil, a distribuio de gs canalizado de atribuio dos Estados e do Distrito Federal, que podero, em seus territrios, explorar diretamente ou atravs de concesso, nos termos definidos pelo Art. 25 da Constituio Federal.

    PRODUO IMPORTAO

    Up-

    stre

    am

    ANP TRANSPORTE

    CITY GATE

    Dow

    n-st

    ream

    Agncias Reguladoras

    Estaduais

    DISTRIBUIO

    CONSUMIDORES

    2.2 Principais Empresas Participaes Cruzadas

    2.1.1 Explorao, Produo e Processamento Desde a quebra do monoplio do petrleo e edio da Lei n 9.478/97, muitas empresas estrangeiras tm participado dos leiles de blocos realizados pela ANP. At outubro de 2005 foram realizados sete leiles. Todas as reas que j estavam sendo objeto de estudos, explorao e explotao pela Petrobrs no momento de promulgao da Lei do petrleo, foram consideradas concedidas como Round Zero. A nica empresa que est produzindo gs natural no Brasil a Petrobras, apesar de outras empresas se encontrarem em processo de explorao de petrleo e gs. Tal fato se deve ao longo perodo dispendido entre estudos ssmicos, perfurao exploratria e desenvolvimento dos campos para produo comercial. Com relao atividade de processamento, encontram-se em funcionamento no Brasil 28 Unidades de Processamento de Gs Natural UPGNs, das quais 27 so de propriedade

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  • integral da Petrobras, que tambm participa acionariamente da unidade restante, detendo 20% do capital da UPGN-UEG Araucria Desta forma, na cadeia produtiva que abrange as atividades de explorao, produo e processamento do gs natural no Brasil, h um monoplio de fato exercido pela Petrobras. 2.1.2 Transporte As empresas autorizadas pela ANP para realizao de transporte atravs de gasodutos so:

    Transpetro subsidiria integral da Petrobras, que atua no transporte martimo, dutovirio e na operao de terminais de petrleo e derivados.

    TSB Transportadora Sulbrasileira de Gs um consrcio responsvel pela construo e administrao do gasoduto Uruguaiana-Porto Alegre. A GASPETRO, subsidiria da Petrobras, participa em 25% do capital da TSB.

    TBG Transportadora Brasileira Gasoduto Bolvia Brasil S/A responsvel pela administrao nacional do gasoduto Bolvia-Brasil, com 2.593 Km de extenso em territrio brasileiro. O controle acionrio, de 51% das aes exercido pela GASPETRO.

    Outras empresas de transporte de gasodutos, cujos gasodutos encontram-se em fase de construo, so:

    GTB Gs Transboliviano S.A empresa estabelecida na Bolvia e operadora do Gasoduto Bolvia Brasil naquele pas. A GASPETRO, detm 11% do capital da GTB.

    TNG Participaes Ltda uma sociedade de propsito especfico, que tem por finalidade a construo e operao do gasoduto Urucu Porto Velho. A GASPETRO detm 50% das cotas do capital.

    TCC Transportadora Campinas-Cubato uma SPE, que tem a GASPETRO como detentora de 99,99% do capital social.

    TSM Transportadora So Paulo-Minas - uma SPE, que tem a GASPETRO, como detentora de 99,99% do capital social.

    TNS Transportadora do Nordeste e Sudeste - uma SPE, que tem a GASPETRO, como detentora de 99,99% do capital social.

    Como pode ser observado, o Sistema Petrobras, atravs de participaes cruzadas, tem o domnio do mercado de transporte do gs natural no Brasil, destacando que a Transpetro, subsidiria integral da Petrobras, isoladamente detm 45,9% da malha de transportes brasileira e que a TBG, 51% da Gaspetro, detm 47,6% da malha total.

    2.1.3 Distribuio No mercado de Distribuio, encontram-se constitudas 24 concessionrias de distribuio estadual de gs canalizado, sendo que a Petrobras participa acionariamente de 19 companhias, atravs de sua subsidiria Gaspetro, alm de deter 100% da concesso do

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  • Estado do Esprito Santo atra