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  • Captulo 1

    sucesso Hereditria

    SUMRIO: 1. Conceito de sucesso. Direito das sucesses. Herana. 2. Sucesso inter vivos e causa mortis. Sucesso legtima, testamentria e anmala. Sucesso a ttulo universal e a ttulo singular. 3. Abertura da su-cesso e transmisso da herana. 4. Direito do nascituro. 5. Comorincia. 6. Dos que no podem suceder. Indignidade. Deserdao. 7. Aceitao e renncia da herana. 8. Cesso de herana. Renncia translativa. Formalizao. Renncia meao. Registro da cesso de herana.

    1. COnCEITO DE SUCESSO. DIREITO DAS SUCESSES. HERAnA

    Sucesso o ato ou efeito de suceder. Tem o sentido de subs tituio de pessoas ou de coisas, transmisso de direitos, encargos ou bens, numa relao jurdica de continuidade. Implica a existncia de um adquirente que sucede ao antigo titular de determinados valores.

    Assim que o comprador sucede ao vendedor na propriedade do bem negociado, o donatrio sucede ao doador, adquirindo, conforme a disposio contratual, todos os direitos e obrigaes inerentes trans-misso de determinado bem.

    O mesmo ocorre quando uma pessoa falece deixando bens: opera-se a sucesso, pela transmisso da herana ao herdeiro, que, assim, sucede ao de cujus nos direitos e obrigaes relacionados ao seu patrimnio.

    Direito das sucesses

    O Direito das Sucesses regula a forma de suceder em caso de mor-te, seja pela sucesso legtima, seja pela sucesso testamentria. Seu ob-jeto a transmisso de bens causa mortis.

    Na lio de Silvio Rodrigues, o Direito das Sucesses se apresen-ta como o conjunto de princpios jurdicos que disciplinam a transmis-so do patrimnio de uma pessoa que morreu, a seus sucessores.1 Para Clvis Bevilqua, o direito hereditrio, ou das sucesses, o complexo

    1 Direito Civil, vol. 7 Saraiva, 25 ed., p. 3.

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    dos princpios segundo os quais se realiza a transmisso do patrimnio de algum que deixa de existir.2 A transmisso de patrimnio envolve no apenas bens e valores, mas a totalidade das obrigaes, incluindo tanto o ativo quanto o passivo do falecido. Da a definio de Carlos Maxi miliano: Direito das Sucesses, em sentido objetivo, o conjunto das normas re-guladoras da transmisso dos bens e obrigaes de um indivduo em con-sequncia de sua morte. No sentido subjetivo, mais propriamente se diria direito de suceder, isto , de receber o acervo hereditrio de um defunto.3

    A matria disciplinada no Livro V do Cdigo Civil, em quatro ttulos:

    Ttulo I Da Sucesso em geral (arts. 1.784 a 1.828),

    Ttulo II Da Sucesso Legtima (arts. 1.829 a 1.856),

    Ttulo III Da Sucesso Testamentria (arts. 1.857 a 1.990),

    Ttulo IV Do Inventrio e da Partilha (arts. 1.991 a 2.027).

    Formaliza-se a transmisso sucessria pelo processo judicial de in-ventrio e partilha, conforme dispe o Cdigo de Processo Civil, em ca-ptulos prprios que tratam do inventrio, da partilha e do arrolamento (arts. 982 a 1.045), bem como dos testamentos e codicilos (arts. 1.125 a 1.141); pode efetuar-se, tambm, o inventrio e partilha extrajudicial, por escritura pblica em tabelionato de notas, quando as partes sejam maiores e capazes e o falecido no tenha deixado testamento, de confor-midade com o disposto na Lei n. 11.441, de 4 de janeiro de 2007 (v. cap. 14 Inventrio e Partilha Extrajudicial).

    Tambm ocorre sucesso na hiptese de desaparecimento de uma pes-soa, acarretando a declarao de sua ausncia e a arrecadao dos seus bens para fins de sucesso provisria. A matria tratada na Parte Geral do Cdigo Civil (e no no livro de Direito de Famlia, como constava do Cdigo revogado), nos artigos 6o, 7o, 22 e seguintes, e no Cdigo de Processo Civil, artigos 1.159 a 1.169 (v. cap. 5 Ausncia e Morte Presumida).

    Herana

    Aos bens que se transferem ao sucessor em virtude da morte de al-gum d-se o nome de herana, isto , patrimnio que se herda, acervo

    2 Cdigo Civil dos Estados Unidos do Brasil, Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1956, 5a ed., vol. 1. 3 Direito das Sucesses, 4 ed., Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1948, no 1.

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    hereditrio ou, no aspecto formal e de representao, esplio. A trans-misso da herana preserva a continuidade do prprio ente familiar, sen-do elencada entre os direitos e garantias individuais, conforme o artigo 5o, inciso XXX, da Constituio Federal de 1988.

    Trata-se de uma universalidade de bens, o patrimnio do de cujus, o conjunto de direitos e obrigaes que se transmitem ao herdeiro.4 Como salienta Humberto Theodoro Jnior, essa universalidade jurdica do patrimnio passa em bloco para todos os herdeiros indistintamente, de sorte que, aberta a sucesso, os bens da herana so comuns a to-dos os herdeiros, at que se ultime a diviso da propriedade atravs da partilha. Somente ento cada sucessor concretizar seu direito de pro-priedade sobre uma poro certa ou delimitada do monte e dela poder livremente dispor, sem as peias da universalidade e indivisibilidade antes vigentes.5

    Todavia, cumpre distinguir da herana a cota cabente ao cnjuge sobrevivo, denominada meao. No que essa cota se extreme ab initio. Ao invs, deve ser abrangida na declarao dos bens a inventariar, com submisso aos encargos e s dvidas do esplio, at que se efetue a parti-lha. Nesse aspecto, diz-se que a meao integra o monte-mor, ou seja, a totalidade do acervo patrimonial em causa. Mas no se confunde com a efetiva herana, que se constitui na somatria dos quinhes atribuveis aos herdeiros. A distino relevante para fins de incidncia fiscal, j que o imposto de transmisso recai apenas sobre a parte transmitida aos herdeiros, excluda, pois, a meao (v. cap. 9, item 2).

    No plano jurdico-formal, a massa patrimonial deixada pelo autor da herana denomina-se esplio.

    O esplio no tem personalidade jurdica.6 No se enquadra no rol de pessoas jurdicas do Cdigo Civil (art. 44).

    No passa de uma universalidade de bens, como j salientado. Sem embargo da aparncia de personalidade, que se percebe no esplio, ca-paz de demandar e ser demandado, no se pode considerar pessoa jur-dica, pois de existncia transitria, tem proprietrios conhecidos e no dispe de patrimnio prprio, uma vez que seus bens, provisoriamente

    4 ITABAIANA DE OLIVEIRA, Tratado de Direito das Sucesses 1952, v. I/53, n. 22.5 Revista de Processo, Revista dos Tribunais, vol. 45/218.6 CELSO AGRCOLA BARBI, Comentrios ao Cdigo de Processo Civil, v. 1/146, no 127.

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    reunidos e subordinados a um conjunto, continuam a pertencer indivi-dualmente aos herdeiros.7

    Ainda assim, cumpre reconhecer que o esplio tem legitimidade ad causam, representando-se ativa e passivamente pelo administrador pro-visrio ou, aps instaurado o inventrio, pela pessoa do inventariante (arts. 12, V, 986 e 990, do CPC). apenas uma parte formal, como a massa falida, ou a herana jacente.8

    Mas nem por isso se h de negar a possibilidade de transmisso de bens em nome do esplio, como no caso de alienao autorizada pelo juiz (art. 992, I, do CPC), ou de outros atos de administrao que importem no aumento da massa patrimonial, como no caso de ativida-des imobilirias em curso (loteamentos, edificaes, etc.). Note-se que ocorrer a transmisso de bens a favor de esplio quando sobreve-nha a morte de algum herdeiro na pendncia do inventrio em que foi admitido, possuindo ele outros bens alm do seu quinho na heran-a. Impossvel, no caso, a partilha conjunta, reservada hiptese de inexistirem outros bens, conforme a regra do artigo 1.044 do Cdigo de Processo Civil. Nessa situao, o esplio do herdeiro falecido ser o adjudicatrio do correspondente quinho, para oportuna atribuio aos respectivos sucessores, mediante instaurao de outro processo de inventrio.

    Com efeito, sendo uma universalidade de direitos, oriunda de um complexo de relaes jurdicas, a herana suscetvel, abstratamente, de aumento ou diminuio.9

    Nesse sentido o posicionamento do Conselho Superior da Magis-tratura de So Paulo, ao admitir registro imobilirio em nome do es-plio, embora lhe no reconhea personalidade jurdica (ap. cvel no 13.222-0/3, em reformulao tese adversa, oriunda da ap. cvel no 10.097-0/0).

    Da mesma forma, questiona-se a respeito do exerccio de posse pelo esplio, com pretenso ad usucapionem. A tese favorvel legitimida-de ativa do esplio em demanda de usucapio sufragada por Pontes

    7 GALBA MENEGALE, Repertrio Enciclopdico do Direito Brasileiro, Borsi, vol. 21/4.8 HAMILTON DE MORAES E BARROS, Comentrios ao Cdigo de Processo Civil, Forense, Rio, 1975,

    v. 9/178.9 ORLANDO GOMES, Sucesses, Forense, 11 ed., p. 7 (citando Vitali).

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    de Miranda e parte da jurisprudncia (RT 79/114, 64/185, 548/187; RJTJSP 14/229 e 16/277). Em sentido contrrio, argumenta-se que, sendo o esplio entidade correspondente massa patrimonial do de cujus, correto afirmar-se que no pode exercer posse, eis que esta rela-o entre a coisa e a pessoa, que traz sempre a ideia de situao de fato onde uma pessoa fsica ou jurdica, independente de ser ou no proprie-tria, exerce sobre a coisa poderes ostensivos, conservando-a ou defen-dendo-a, de modo que, em tal situao, devem integrar o polo ativo da demanda a viva e os herdeiros do extinto possuidor (RT 641/134).

    Estamos com o primeiro entendimento, embora ressalvando a pos-sibilidade de posse exclusiva por um dos herdeiros, sem a participao dos demais. Em alentado estudo, leciona Be nedito Silvrio Ribeiro que o esplio, representado pelo inventariante, desde que pratique este ato em benefcio da comunho hereditria, sem afastar herdeiro, pode-r figurar na rel