UMA AVENTURA POLÍTICA

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Movimento estudantil brasileiro nos anos 1970 - Mestrado em História Social/Unicamp

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UMA AVENTURA POLTICA : AS MOVIMENTAES ESTUDANTIS DOS ANOS 70

Mirza Maria Baffi Pellicciotta Dissertao apresentada para a obteno do Grau de Mestre em Histria Social pelo IFCH da Universidade Estadual de Campinas sob orientao da Prof Dr Eliane Moura da Silva

Campinas, 1997

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UMA AVENTURA POLTICA : AS MOVIMENTAES ESTUDANTIS DOS ANOS 70APRESENTAO.......................................................................................................05 INTRODUO...............................................................................................................................................................................12 O Movimento Estudantil em Tempo e Espao de Transformao............................................................................................................ 09 A Historicidade das Anlises e o Desafio Historiogrfico ...................................................................................................................... 20 Os Anos 70 .................................................................................................................................................................................................. 26

TEMPO DE MUDANACAPTULO 1A TRANSFORMAO DA UNIVERSIDADE E DO MOVIMENTO ESTUDANTIL: O DESAFIO DE SER ESTUDANTE .....................................................................................................................................................

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47 O desafio de ser Estudante: As consequncias polticas de uma transformao estrutural ............................................................... 54 A questo poltica da qualidade do ensino ............................................................................................................................................. 57 A reao perda da condio de "estudante" como elemento rearticulador de uma identidade poltica ....................................... 61 A "Reconstruo" do Movimento Estudantil ............................................................................................................................................ 68 A primeira fase da dcada: 70/75 ............................................................................................................................................................ 72 Os Encontros de rea............................................................................................................................................................................... 85 A "Reconstruo" organizada do movimento na segunda fase dos anos 70 ....................................................................................... 90Uma Nova "Natureza" de Ensino ............................................................................................................................................................

OS DESEJOS DE REALIDADECAPTULO 2NO PLANO DAS MILITNCIAS: A TRANSFORMAO DOS PARADIGMAS POLTICOS.........................................

108 110 118 122

No universo das prticas organizadas ................................................................................................................................................. Isolamento e Desarticulao ............................................................................................................................................................... A afirmao das semelhanas e a farsa da repetio ........................................................................................................................

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CAPTULO 3A ENERGNCIA DAS DIFERENAS OU O LUGAR DA CULTURA ENTRE AS AES POLTICAS.............................143

151 A criao de um territrio "marginal" cultura oficial ..................................................................................................................... 157 O significado das "prticas culturais" no repensar poltico das manifestaes estudantis ............................................................. 162 Calouradas e Programaes Culturais ................................................................................................................................................. 170 Teatro Estdantil e Ao Poltica ........................................................................................................................................................... 174 Imprensa Estudantil ................................................................................................................................................................................ 182 Entre confluncias e conflitos: as prticas culturais e as prticas organizadas ............................................................................... 189Elementos Enrangs e Contraculturais..................................................................................................................................................

Consideraes Finais ............................................................................................................................................................ 197 BIBLIOGRAFIA E FONTESBibliografia.........................................................................................................................................................................................

201 Revistas estudantis.................................................................................................................................................................................. 215 Jornais e Boletins.................................................................................................................................................................................... 218 Folhetos................................................................................................................................................................................................... 231 Registros Orais......................................................................................................................................................................................... 234 CRONOLOGIA (1970/1979)

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"uma coisa dizer que a histria no tm sentido e que devemos abandonar qualquer pretenso de encontr-lo. Outra coisa dizer que a histria no tm sentido mas que preciso procur-lo coletivamente, que sem um projeto e uma ao comum, o futuro est bloqueado" (Fernando Gabeira. Folha de So Paulo, 22/03/88)

"onde foi parar a cuca dos caras que aguentaram a barra de lutar por nossas ruas mover ou mais simplesmente ser a poeira da estrela ser agora e saber" (Nau sem rumo - L, Mrcio e Telo Borges 1979)

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APRESENTAO

Desde o final da graduao em Histria na Unicamp venho me ocupando em estudar o movimento estudantil brasileiro; de forma particular, a "crise" contempornea de participao poltica e o afastamento voluntrio dos estudantes dos instrumentos institucionais de organizao coletiva. Neste sentido, desde meados dos anos 80 procurei acompanhar o processo latente de perda de concepes militantes e identidade poltica muito caras s articulaes e organizao do movimento no passado; envolvendo-me com um percurso de pesquisas que acabou por eleger a dcada de 70 como objeto central de estudos. De forma paulatina, os anos 70 emergiram como um tempo de transformaes e de experincias de "reconstruo" poltica que na medida em que procurava responder s alteraes estruturais do ensino, da economia e da sociedade, revelava tambm aspectos de uma profunda ruptura de consensos e paradigmas polticos; uma trajetria de rompimentos e reafirmaes que tendia a se tornar cada vez mais "inteligvel" ao presente. A dcada de 70, neste caso, esconderia explicaes importantes do fenmeno de "reconstruo" e "crise" contempornea do movimento ancorado sobre rupturas sociais, culturais e polticas que desde o golpe de 64 passavam a se colocar para o movimento. Como um aspecto primordial destas pesquisas, iniciamos em meados dos anos 80 um trabalho de recuperao documental (entre outros perodos, da dcada de 70) no interior do AEL sob orientao do Prof. Marco Aurlio Garcia: o Projeto "Fontes para a Histria do Movimento Estudantil Brasileiro"(1984) no qual trabalhei por 5 anos como coordenadora de atividades de recuperao e organizao documental. Em 1985, em um esforo paralelo, participei do Projeto "Contribuio ao Estudo do Movimento Estudantil Brasileiro: Histria Institucional X Histria Invisvel" sob responsabilidade do Prof. Kazumi Munakata e colaborao de Virgnia Camilotti, que possuia o propsito de investigar o perodo 1960/1979 a partir dos registros documentais (e orais) recolhidos no AEL; este projeto contou com financiamento da Ford Foundation. Ainda no perodo 88/90, as atividades relacionadas documentao e pesquisa ganharam novos contornos com o estabelecimento de convnios entre o AEL, a UNE, os DCEs da Unicamp e PUCCamp, ou ainda, atravs de um maior contato e articulao com os Projetos SIDOCAH (Sistema de Informao, Documentao e Arquivo do CA de Histria da UnB), PROMEMEU (Projeto de Memria do Movimento Estudantil na UnB) e CHPD-ME (Centro de Histria, Pesquisa e Documentao do Movimento

6 Estudantil) da UFPb. Esta associao de esforos coletivos com o objetivo comum de investigar as razes e desdobramentos da "crise" do movimento estudantil gerou no perodo, a organizao de dois Seminrios Nacionais de Histria do Movimento Estudantil (o primeiro em Joo Pessoa, em 1988 e o segundo em Campinas, em 1989) que em seu conjunto, mobilizou mais de 40 pesquisadores preocupados com a temtica. O nosso trabalho, neste sentido, possui marcas coletivas. Foram diversos os professores e monitores que dedicaram tempo e reflexes esta temtica; dedicao, por sua vez, que no apenas interferiu no curso das minhaspesquisas como sedimentou um esforo maior de anlise, resgate documental e zelo preservacio