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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS Departamento de Ciência dos Alimentos Bacharelado em Química de Alimentos Disciplina de Seminários Alimentos Probióticos Gabriela Wickboldt Pereira

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS

Departamento de Cincia dos Alimentos

Bacharelado em Qumica de Alimentos

Disciplina de Seminrios

Alimentos Probiticos

Gabriela Wickboldt Pereira

Pelotas, maio de 2008

Gabriela Wickboldt Pereira

Alimentos Probiticos

Trabalho acadmico apresentado ao Curso de Bacharelado em Qumica de Alimentos da Universidade Federal de Pelotas como requisito parcial da Disciplina de Seminrios.

Orientadora: Josiane Chim

Pelotas, 2008.

"Que teu alimento seja o teu medicamento e que o teu medicamento seja o teu alimento" Hipcrates (260-377 a.C.)

PEREIRA, Gabriela Wickboldt. Alimentos Probiticos. 2008. 37f. Trabalho acadmico Graduao em Qumica de Alimentos. Universidade Federal de Pelotas, Pelotas.

Resumo

A microbiota intestinal humana exerce um papel importante, pois esta deve estar em equilbrio para manter o intestino em bom estado de funcionamento. A m alimentao, estresse, uso prolongado de remdios ajudam desequilibrar o intestino, e isto pode desencadear uma srie de doenas, desde uma diarria at doenas mais graves. A suplementao da dieta com probiticos pode assegurar o equilbrio dessa microbiota. Probiticos so definidos como microrganismos vivos que exibem um efeito benfico no hospedeiro quando ingeridos em quantidades adequadas. Eles vm sendo estudados h vrias dcadas e, devido a sua capacidade de atuar contra os microrganismos patgenos, so propostos como uma alternativa no tratamento ou preveno de desordens gastrintestinais. Para ingeri-los basta optar por derivados lcteos como iogurtes e leites fermentados ou medicamentos que podem ser encontrados na forma de cpsulas ou em sachs. Os probiticos esto relacionados com a busca da qualidade de vida e preveno e/ou tratamentos de algumas doenas infecciosas, so pertencentes ao grupo das bactrias cido lticas, uma vez que estas fermentam acares. Esto includos neste grupo os lactobacilos (gnero Lactobacillus) e bifdobactrias (gnero Bifdobacterium). O mercado est cada vez mais investindo em pesquisas e tecnologias, pois sabe da importncia destes na alimentao humana e animal, por isso j existe uma boa variedade de produtos disponveis para o consumo.

Palavras-chave: Microbiota intestinal. Equilbrio da microbiota. Probiticos. Qualidade de vida.

Lista de Figuras

Figura 1- Fatores que regulam a colonizao e a estabilidade da microflora intestinal................................................................................................................13

Figura 2- Estrutura de uma bactria...................................................................17

Figura 3- Leite fermentado YAKULT...................................................................25

Figura 4- Iogurte ACTIVIA....................................................................................26

Figura 5- Produto de laticnios funcionais: valor de vendas em alguns pases no perodo de 1995 a 1999...................................................................................32

Lista de tabelas

Tabela 1 - Principais funes atribudas microflora intestinal....................15

Tabela 2 - Cepas mais utilizadas como probiticos.........................................20

Tabela 3 - Produtos lcteos funcionais lanados recentemente...................27

Tabela 4 - Causas e mecanismos dos efeitos benficos atribudos aos probiticos............................................................................................................30

Sumrio

1. Introduo...........................................................................................................8

2. Reviso de literatura........................................................................................10

2.1 Histrico..........................................................................................................10

2.2 O trato gastrintestinal....................................................................................12

2.2.1. Processo de instalao da microflora intestinal....................................12

2.2.2. Os microrganismos do nosso intestino..................................................13

2.2.3 Importncia do equilbrio da microflora intestinal.................................14

2.2.4. Aes da microflora sobre o hospedeiro................................................15

2.3 Mecanismo de ao dos probiticos............................................................16

2.3.1. Competio por stios de ligao (excluso competitiva).....................16

2.3.2. Produo de substncias antibacterianas e enzimas............................17

2.3.3. Competio por nutrientes.......................................................................18

3.3.4. Estmulo ao sistema imune.......................................................................18

2.4 Caracterizao................................................................................................19

2.4.1. Principais bactrias utilizadas em alimentos..........................................20

2.4.1.1.Generalidades sobre Lactobacillus e Bifidobacterium.........................21

2.4.2. Propriedades desejveis de um probitico..............................................22

2.4.3. Mtodo de avaliao de um probitico....................................................23

2.4.4. Freqncia de ingesto.............................................................................23

2.5 Aplicao dos probiticos em alimentos.....................................................24

2.5.1. Produtos mais encontrados.....................................................................25

2.6 Benefcios clnicos.........................................................................................28

2.7 Mercado...........................................................................................................31

2.8 Legislao.......................................................................................................33

3. Concluso.........................................................................................................35

4. Referncias bibliogrficas...............................................................................36

1. Introduo

A crescente busca por uma vida mais confortvel faz com que as pessoas estudem e trabalhem mais, no entanto, com a falta de tempo, muitas delas fazem suas refeies nas ruas e acabam por comprometer sua sade. Pensando no somente nisto, foram desenvolvidos os alimentos funcionais, que ajudam o homem a manter o equilbrio em seu organismo, suprindo todas carncias que a m alimentao causa. O termo alimento funcional foi introduzido no Japo por volta dos anos de 1980 e, at esta data, foi o nico pas que havia formulado um processo de regulao especfico para os alimentos funcionais, conhecidos como Alimentos para Uso Especfico de Sade - FOSHU (Foods for Specified Health Use) (CASTILHO, 2007).

Os alimentos probiticos esto includos nesse gnero por ajudar a manter a flora intestinal em bom estado de funcionamento. Os primeiros estudos cientficos sobre este assunto datam do comeo deste sculo com o trabalho de Metchnikoff, do Instituto Pasteur. Este estudioso postulou que os probiticos produziam efeitos benficos no hospedeiro, uma vez que atuam contra as bactrias prejudiciais ao intestino. A idia inicial sobre os probiticos era que as cepas bacterianas que aderissem superfcie da mucosa intestinal de forma mais eficiente, seriam mais benficas para os seus portadores.

Os probiticos podem ser componentes de alimentos industrializados e tm-se utilizado muito na preparao de leites fermentados, iogurtes e outros produtos alimentcios, ou encontrados em produtos farmacuticos, na forma de p ou cpsulas.

Algumas caractersticas que os probiticos devem ter de serem habitantes normais do intestino; reproduzirem-se rapidamente; produzirem substncias antimicrobianas; resistirem ao tempo entre a fabricao, comercializao e ingesto do produto, devendo atingir o intestino ainda vivos. Bifidobacterium e Lactobacillus so exemplos de gneros bacterianos que esto dentro do grupo dos probiticos.

O objetivo deste trabalho foi estudar alguns aspectos sobre os alimentos probiticos, destacando os benefcios sade do homem, bem como dar uma viso geral de mercado e produtos expostos venda.

2. Reviso de literatura

2.1 Histrico

Metchnikoff, investigador cientifico do Instituto Pasteur, estudou e postulou, no incio do sculo, que os probiticos produziam efeitos benficos no hospedeiro, uma vez que atuavam contra as bactrias prejudiciais ao intestino. A hiptese inicial sobre os probiticos dizia que as cepas bacterianas que se aderissem superfcie da mucosa intestinal de forma mais eficiente, seriam mais benficas para os seus hospedeiros (CASTILHO, 2007).

A primeira definio dada ao termo probitico foi: organismos vivos que quando ingeridos exercem efeito benfico no balano da flora bacteriana intestinal do hospedeiro. Mais adiante foi reformulado e ampliado para: organismos vivos que quando ingeridos em determinado nmero exercem efeitos benficos para a sade .

Atualmente, a verso que define probiticos : "suplemento alimentar microbiano vivo, que afeta de forma benfica seu receptor, atravs da melhoria do balano microbiano intestinal".

Segundo Castilho (2007) apud Hutcheson (1987), os probiticos devem apresentar algumas caractersticas especficas, tais como: serem habitantes normais do intestino; reproduzirem-se rapidamente; produzirem substncias antimicrobianas; resistirem ao tempo entre a fabricao, comercializao e ingesto do produto devendo atingir o intestino ainda vivos.

Os probiticos so classificados como alimentos funcionais, a definio para este termo dada pelo Institute of Medicine of the U.S National Academy of Sciences, onde prope que alimento funcional qualquer alimento ou ingrediente alimentar que possa exercer efeito benfico no organismo. No Japo, em meados dos anos 80, este termo foi introduzido, referindo-se aos alimentos processados, contendo ingredientes que auxiliam as funes especficas do organismo, alm de serem nutritivos (CASTILHO, 2007 apud HASLER, 1998).

Roberfroid ampliou o conceito de alimentos funcionais para componentes bioativos, nutrientes ou no nutrientes, contidos dentro dos alimentos que exercem um efeito benfico para a sade, e esse efeito ele classificou como efeito funcional (CASTILHO, 2007).

Posteriormente, Lajolo definiu os alimentos funcionais como alimento semelhante em aparncia ao alimento convencional, consumido como parte da dieta usual, capaz de produzir demonstrados efeitos metablicos e fisiolgicos teis na manuteno de uma boa sade fsica e mental, podendo auxiliar na reduo do risco de doenas crnico-degenerativas, alm das suas funes nutricionais bsicas (CASTILHO, 2007).

2.2 O trato gastrintestinal

2.2.1.Processo de instalao da microflora intestinal

Ao nascimento os recm-nascidos so estreis, no possuindo flora microbiana. Aps o nascimento as bactrias da me e do meio ambiente os colonizam (BRANDT, SAMPAIO, MIUKI, 2006).

Com a influncia de fatores externos, como alimentao, uso de medicamentos, ambiente em que vive, bem como fatores relacionados ao hospedeiro e s bactrias, a criana recm nascida comea a ter no trato gastrintestinal, uma microbiota bem variada.

H uma seleo da flora com persistncia de algumas populaes bacterianas e eliminao de outras. Em torno de 2 anos de idade, a composio da microflora se torna estvel, sendo alcanada a comunidade clmax ou flora tipo adulto (BRANDT, SAMPAIO, MIUKI, 2006 apud TANNOCK, 1999).

Mesmo com as interaes freqentes dos microrganismos do ambiente, a microbiota intestinal permanece estvel, a no ser que esta entre em contato com microrganismos patgenos, ou com o uso prolongado de medicaes, como antibiticos que possam alterar a composio intestinal.

A seguir, a figura 1 mostra os fatores que regulam a colonizao e estabilidade da microbiota. A colonizao inicial do intestino, l no nascimento, pode ter resultados positivos ou negativos por toda a vida.

Figura 1. Fatores que regulam a colonizao e a estabilidade da microflora intestinal.

Fonte: Brandt, Sampaio, Miuki, 2006.

2.2.2 Os microorganismos do nosso intestino

O trato gastrintestinal e a microflora intestinal esto envolvidos em uma srie de doenas no ser humano. O intestino grosso, por exemplo, o local de maior concentrao de bactrias, multiplicao de vrus e parasitas nocivos, os quais podem trazer doenas para o nosso organismo. Os principais microrganismos patgenos do alimento incluem Campylobacter, Salmonella, Listria e algumas linhagens de Escherichia coli (SALGADO, 2008). Como conseqncia, o crescimento anormal destas bactrias pode resultar em uma diarria aguda. Alm desta, outras formas mais crnicas e graves de doenas intestinais podem ocorrer, tais como doena inflamatria do intestino (exemplo, colite ulcerativa e doena de Crohn), cncer de clon e colite pseudomembranosa. Cada tipo de bactria, responsvel por um tipo distinto de doena.

Estudos apontam que existem cerca de 400 tipos de bactrias que colonizam o trato gastrintestinal, e estas so divididas em dois grupos distintos, sendo estes, bactrias benficas ao homem, como as bifidobactrias e os lactobacilos (bactrias probiticas), e as bactrias prejudiciais como as Enterobacteriaceae e Clostridium spp.

Quando o intestino e a microflora intestinal esto intactos, funcionam como uma barreira, impedindo o movimento de bactrias patognicas, antgenos e outras substncias nocivas ao intestino. Esta barreira estvel em pessoas saudveis, o que ajuda a proteger e facilitar as funes intestinais normais. Porm, se a microflora ou as clulas epiteliais forem perturbadas por antgenos alimentares, patgenos, substncias qumicas ou radiao, a barreira de proteo pode se quebrar, o que facilita a migrao de patgenos ao intestino, desregulando a microflora intestinal saudvel.

Ento, uma vez alterada a microflora intestinal, podem ocorrer diarrias, inflamaes na mucosa, desordens de permeabilidade ou ativao de carcingenos (substncias que provocam o cncer) no contedo intestinal.

2.2.3.Importncia do equilbrio da microflora intestinal

O equilbrio da microflora intestinal baseia-se em conseguir uma relao mais ou menos estvel de dominncia dos microrganismos no patgenos sob os microrganismos potencialmente patgenos capazes de induzir uma resposta imunitria vigorosa, conhecida como estresse imunolgico, que daria lugar a alteraes metablicas destinados a maximizar a resposta imune em detrimento dos parmetros produtivos do animal (ROURA, 200? apud KLASING et al, 1987). Este equilbrio fundamental para o funcionamento normal e saudvel da funo digestiva e geral do hospedeiro.

A seguir destacam-se 5 fatores que podem alterar o equilbrio da microflora intestinal:

1- A composio nutrientes / ingredientes da dieta.2- As caractersticas fsicas da dieta.3- As situaes de estresse, como o estresse imunolgico mesmo.4- A sanidade ambiental.5- A carga microbiana da dieta.

2.2.4. Aes da microflora sobre o hospedeiro

Quando se fala em bactrias, geralmente pensa-se em doenas, infeces e intoxicaes, porm algumas delas, as bactrias benficas, se instalam no hospedeiro para ajudar a proteger organismo de outras bactrias, as bactrias patognicas. Experincias e estudos tm mostrado que a interao microrganismo-hospedeiro influencia favoravelmente sade humana.

A seguir, a tabela 1 cita as trs funes positivas das bactrias que colonizam o trato gastrintestinal.

Tabela 1. Principais funes atribudas microflora intestinal

Funo

Mecanismo

Antibacteriana

Competio por stios de adeso;

Competio por nutrientes;

Produo de um ambiente fisiologicamente restritivo;

Produo de substncias antimicrobianas

Imunomoduladora

Estmulo ao sistema imune;

Desenvolvimento de tolerncia imunolgica;

Salvamento energtico;

Nutricional/ metablica

Nutrio do coloncito;

Converso do colesterol em coprastanol;

Converso de bilirrubina em urobilina;

Inativao da tripsina;

Sntese de vitamina K.

Fonte: Brandt, Sampaio, Miuki, 2006.

2.3 Mecanismo de ao dos probiticos

Os mecanismos de ao dos probiticos ainda no esto inteiramente esclarecidos. Acredita-se que alguns processos, associados ou no, alteram a atividade e a composio bacteriana intestinal.

Os principais modos de ao descritos para os probiticos so: competio por stios de ligao, produo de substncias antibacterianas e enzimas, competio por nutrientes e estmulo ao sistema imune.

2.3.1. Competio por stios de ligao (Excluso competitiva)

As bactrias probiticas ocupam sitos de ligao (receptores ou pontos de ligao) na mucosa intestinal formando uma barreira fsica s bactrias patognicas.

A excluso competitiva d-se quando ocorre um bloqueio nos stios de ligao na mucosa entrica pelas bactrias intestinais. Com isso a rea de interao fica reduzida e as bactrias patognicas no conseguem se ligar a estes stios (LODDI, 2008).

As fmbrias so elementos de adeso bacteriana, ou seja, o local onde as bactrias conseguem se aderir. So estruturas compostas por fosfoglicoprotenas que se projetam no corpo bacteriano. Tem receptores especficos e diferem entre as espcies e os diferentes locais ao longo do trato gastrintestinal. Algumas bactrias se aderem somente superfcie superior dos entercitos (glicocalix), enquanto que outras residem somente nas criptas onde so produzidas as novas clulas epiteliais que migram at as vilosidades (LODDI, 2008).

Algumas fmbrias podem ser bloqueadas pela manose. Assim, o uso de mananoligossacardeos (MOS) pode bloquear a aderncia das bactrias patognicas com este tipo de fmbria (LODDI, 2008).

A seguir apresentada uma estrutura de uma bactria, onde possvel localizar a fmbria ou pili, que o local de adeso da bactria ao sitio de ligao.

Figura 2. Estrutura de uma bactria.

Fonte: Google imagens. Fmbrias, 2008.

2.3.2. Produo de substncias antibacterianas e enzimas

As bactrias patognicas tambm podem sofrer a ao de componentes probiticos e/ou bactrias da microflora intestinal, que produzem e liberam compostos como bacteriocinas, cidos orgnicos e perxidos de hidrognio.

As bacteriocinas so substncias antibiticas que tm ao local, inibindo assim o crescimento de patgenos. As bactrias cido lticas produzem substncias com ao inibitria tanto para bactrias gram-negativas como para gram-positivas, como Salmonella spp., E. coli e Staphylococcus spp (LODDI, 2008).

As bactrias intestinais utilizam ingredientes alimentares no absorvidos pelo hospedeiro (prebiticos) para produzirem alguns cidos orgnicos, como propinico, actico, butrico, lctico e tambm perxido de hidrognio. Estes ajudam na inibio do crescimento de bactrias patognicas (LODDI, 2008).

Existe uma idia que estas substncias podem atuar em associao, no s entre si, como fatores desencadeantes e processantes, mas tambm como bloqueio fsico (LODDI, 2008).

Existem enzimas que so secretadas por bactrias, estas tem ao inibitria sobre bactrias patognicas.

2.3.3.Competio por nutrientes

Ocorre entre as bactrias intestinais e bactrias patognicas. Elas competem por nutrientes disponveis na luz intestinal. Se as bactrias patognicas degradarem essas substncias, elas tero uma maior manuteno neste ambiente, por isso que as bactrias intestinais competem por estas.

2.3.4.Estmulo ao sistema imune

As bactrias probiticas tm a capacidade de modulao de respostas imunes sistmicas aumentando o nmero e a atividade de clulas fagocticas do hospedeiro. Experimentos realizados com animais desprovidos e criados em condies de esterilidade (chamados de animais exnicos ou genotobiticos), mostraram que estes no conseguem sobreviver se no desenvolver uma microbiota intestinal normal

Alguns gneros de bactrias intestinais, como o Lactobacillus e o Bifidobacterium esto diretamente relacionados com o estmulo da resposta imune por aumento da produo de anticorpos, ativao de macrfagos, proliferao de clulas T e produo de interferom (LODDI, 2008 apud FULLER & GIBSON, 1997).

2.4 Caracterizao de probiticos

Os probiticos podem conter bactrias totalmente conhecidas e quantificadas e, portanto definidas, ou ainda, culturas bacterianas no definidas. Enterococcus, Bacterides, Eubacterium, especialmente Lactobacillus e Bifidobacterium esto presentes em todas as misturas de culturas definidas. Quando as bactrias com capacidade probitica so isoladas do seu habitat convencional e subcultivadas e/ou liofilizadas, algumas das suas propriedades so perdidas. Por outro lado, no se conhece, ainda, nem a composio total, nem a perfeita combinao entre as que melhor estimulam as propriedades probiticas in vivo. Estas so as razes pelas quais os produtos com culturas no definidas, tm uma melhor ao probitica do que as culturas definidas.

H probiticos com diferentes composies de microrganismos e, mesmo aqueles pertencentes mesma espcie podem ter diferentes cepas. A eficcia do produto estritamente dependente das quantidades e caractersticas das cepas dos microrganismos utilizados na elaborao do produto a ser utilizado como aditivo alimentar. Portanto, importante que se analise os probiticos como produtos separados, da mesma maneira como feito com os antibiticos.

2.4.1. Principais bactrias utilizadas nos alimentos

Nos alimentos probiticos, as bactrias mais comumente utilizadas so as do gnero Lactobacillus e Bifidobacterium, no entanto, outros gneros bacterianos tambm so utilizados.

Lactobacillus e bifidobacterium so microrganismos produtores de cido ltico, os quais so adicionados em produtos lcteos fermentados, ou comercializados na forma liofilizada (PEREIRA; GMZ, 2007 apud ZIEMER; GIBSON, 1998). Estes gneros so mais utilizados devido ao fato de serem mais facilmente isolados do trato intestinal de um humano saudvel. Os Lactobacillus tem preferncia de colonizao intestinal no leo terminal e as Bifidobacterium, no clon (SAAD, 2006 apud CHARTERIS,1998, BIELECKA, 2002).

Os efeitos benficos dessas bactrias so especficos de cada cepa, no dependendo somente da espcie. Por isso, no se deve utilizar exageros de uma nica espcie na composio de um alimento probitico, pois o efeito ser provocado pela cepa.

A seguir a tabela 2 apresenta as cepas bacterianas mais utilizadas como probitico.

Tabela 2. Cepas mais utilizadas como probiticas

Lactobacillus

Bifidobacterium

Outros

L. acidphilus

B. bifidum

Streptococcus thermophilus

L.rhamnosus

B. longum

Escherichia coli

L.gasseri

B. breve

Clostridium butyricum

L.reuteri

B. infantis

Enterococcus faecalis

L.bulgaricus

B. lactis

E. faecium

L. plantarum

B. adolescentis

Fungos

L. johnsonii

Saccharomyces boulardii

L. casei

L. lactis

Fonte: Oba, Cukier, Magnoni, 2007 apud Heyman & Mnard, 2002.

2.4.1.1. Generalidades sobre Lactobacillus e Bifidobacterium

Os lactobacilos constituem um grupo de microrganismos produtores de cido ltico e esto amplamente difundidos na natureza. Muitos deles tm aplicaes em alimentos, principalmente em leite, queijos e iogurte, tendo o papel de iniciar a fermentao destes.

O gnero Lactobacillus capaz de produzir substncias antimicrobianas conhecidas por inibir microrganismos patgenos e com isso ajuda na manuteno da qualidade do produto, proporcionando maior segurana e durabilidade deste. Os cidos produzidos, principalmente o ltico e actico, so utilizados como conservantes de alimentos, pois proporcionam a queda do pH, e inibem o crescimento de patgenos e contaminantes (PEREIRA; GMEZ, 2007 apud MOSSEL, VELD; 1997, SILVA, 1999; CASTILLO, 2001).

O gnero Lactobacillus muito diverso e compreende um grupo heterogneo de bastonetes regulares, Gran-positivos e no-esporulados, so divididos de acordo com suas caractersticas heterofermentativas, j que uns produzem cido ltico atravs da fermentao da glicose (classificados como obrigatoriamente homofermentativos), como por exemplo, o Lactobacillus acidophilus. Este microrganismo ajuda no equilbrio do colesterol e tem ao na imunidade. Outros produzem o acido ltico atravs da fermentao de hexoses (classificados como obrigatoriamente heterofermentativos), como por exemplo Lactobacillus reuteri; a outra designao dada pela obteno de cido ltico a partir da fermentao de hexoses e pela produo de gs a partir de gliconato e no de glicose (so chamados de facultativamente heterofermentativos), como por exemplo Lactobacillus casei. Este apresenta atividade microbiana antagnica aos microrganismos patgenos, como por exemplo E.coli, Salmonela, Shigella flexneri, Clostridium dificile; contaminantes e deteriorantes de alimentos. A cepa deste encontrada no intestino humano e usualmente utilizada em alimentos por proporcionar benefcios sade, esses microrganismos ainda podem ser utilizados para conferir aroma, sabor e textura aos produtos alimentcios, alm de auxiliarem na conservao dos mesmos.

O gnero Bifidobacterium conhecido como adjunto diettico, tem caractersticas de ser anaerbio estrito, imvel, Gran-positivo, no-esporulado e tem forma de bastonetes curvos. A temperatura tima para seu crescimento em torno de 37-41C e o pH timo em torno de 6-7. Este produz o cido ltico e actico a partir da fermentao de acares, principalmente hexoses, e no produzem gs (BARBOSA et al., 2005 apud SNEATH, 1986; LAROIA & MARTIN, 1990). Os microrganismos deste gnero utilizam galactose, lactose e frutose como fonte de carbono; So freqentemente encontrados no intestino humano e tm a funo de prevenir a proliferao de microrganismos patgenos. Alm do intestino, podem estar presentes em cries humanas e vagina.

Com o uso de antibiticos, a concentrao de bifidobactrias presente no organismo pode diminuir. Porm, estudos recentes mostraram que o uso de antibiticos juntamente com a ingesto diria de produtos probiticos faz com que essa concentrao aumente, ou seja, os probiticos ajudam a manter a concentrao de bifidobactrias e lactobacilos em equilbrio, diminuindo o risco de diarrias e outros distrbios que os antibiticos possam vir a causar.

2.4.2. Propriedades desejveis de um probitico

Segundo Gibson e Roberfroid (1995) um bom probitico deve:

(Sobreviver s condies adversas do trato gastrintestinal (ao da bile e dos sucos gstrico, pancretico e entrico) e assim ter condies de permanecer no ecossistema intestinal.

(No ser txico nem patognico para o homem e para animais.

(Ser estvel durante a estocagem e permanecer vivel por longos perodos, nas condies normais de estocagem.

( Ter capacidade antagnica s bactrias intestinais indesejveis.

( Promover efeitos comprovadamente benficos ao hospedeiro.

2.4.3. Mtodo de avaliao de um probitico

De acordo com Tournut (1994) algumas normas foram adotadas pela Expert Commission on Animal Foods para a avaliao da eficcia de um produto probitico.

Primeiramente, o probitico avaliado por checagem de suas caractersticas genticas e, em seguida, so feitos ensaios onde o probitico em questo deve permanecer estvel sob diversas condies, por no mnimo um ano em condies de estoque para apresentao comercial, por dois meses no alimento comercializado sob a forma peletizada e por trs meses quando submetido temperatura de 80C.

Com a finalidade de garantir a eficincia do produto em questo, tambm recomendada a dose mnima de 106 organismos viveis por grama de alimento.

2.4.4.Freqncia de ingesto

Os probiticos devem resultar em efeitos benficos sobre a sade. Para a comprovao de sua eficcia so feitos estudos conduzidos no hospedeiro, ou seja, fazendo ensaios em humanos (SAAD, 2006, apud SANDERS, 2003).

Um critrio definitivo para a seleo de cepas probiticas depende da indicao clnica, alm de consideraes biolgicas, como a capacidade de sobreviver ao trnsito gastrintestinal e a tolerncia acidez e bile.

Ressalta-se que uma cepa probitica pode no exercer o mesmo efeito no organismo de diferentes indivduos, visto que o organismo de cada pessoa diferente (SAAD, 2006, apud SHANAHAN, 2002).

Para garantir um bom efeito, os probiticos devem ser ingeridos diariamente e se possvel no mesmo horrio, ou seja, pela manh, tarde ou noite, salientando que o melhor perodo para a ingesto pela manh.

Estudos mostram que foram observadas alteraes favorveis na microbiota intestinal, com doses de 100g de produto, contendo 109 unidades formadoras de colnia.

2.5 Aplicao dos probiticos em alimentos

Com os estudos feitos sobre microrganismos probiticos, a indstria resolveu investir em formulaes de alimentos contendo culturas probiticas.

Dentre as indstrias de alimentos, a lctea a que mais investe em tecnologia para a produo de produtos com adio de microrganismos probiticos. Estatsticas mostram que cerca de 70% dos produtos lcteos produzidos em pases desenvolvidos tm propriedades funcionais, o que mostra a freqente preocupao com a sade.

Os principais produtos comercializados no mundo contendo essas culturas so leites fermentados e iogurtes. Outros incluem sobremesas a base de leite, leite em p destinado a recm-nascidos, sorvetes de iogurte e alguns tipos de queijo (SAAD, 2006).

Tambm so encontrados na forma de cpsulas ou produtos em p para serem dissolvidos, porm, a indstria responsvel por estes produtos a farmacutica.

Dentre os critrios para a seleo de microrganismos para a adio em alimentos, os mais importantes so que eles devem ser de origem humana, no podendo ser patognicos, devem ter estabilidade ao trato gastrintestinal, devem sobreviver a processos tecnolgicos, e permanecerem viveis durante a vida de prateleira (SAAD, 2006 apud SHORT 1999).

Segundo Saad (2006) apud Sanders (2003), uma preparao de microrganismos com composio desconhecida cientificamente inaceitvel. Portanto, importante que um produto probitico deva ter cepas bem definidas, j que os efeitos so especficos para cada tipo de cepa probitica.

2.5.1 Principais produtos encontrados no mercado

Dentre todos os produtos que se encontram no mercado, dois tm tido maior destaque nos meios de comunicao, so eles: YAKULT e ACTIVIA.

O leite fermentado Yakult o produto mais conhecido da empresa Yakult, um dos mais antigos no mercado, e amplamente conhecido por seu efeito benfico para a soluo de problemas intestinais, tanto para adultos quanto para crianas.

O Leite Fermentado Yakult um alimento base de leite desnatado, fermentado por lactobacilos selecionados, contm os exclusivos probiticos Lactobacillus casei Shirota, que resistem acidez do estmago e chegam vivos em maior quantidade ao intestino, para auxiliar na regularizao das funes intestinais e na proteo do sistema digestrio. A ingesto regular desse lactobacilo, juntamente com uma alimentao correta, contribui para uma vida muito mais saudvel (YAKULT, 2008).

Figura 3. Leite fermentado YAKULT

Fonte: Google imagens. Yakult, 2008.

O outro produto de grande destaque no mercado o novo produto da Danone, o ACTIVIA, um produto lcteo, com propriedades funcionais, a base de probiticos. Este iogurte contm a bifidobactria Bfidobacterium animalis que proporciona o efeito probitico em Activia. Ele capaz de resistir ao trato intestinal e alcanar o intestino em grandes quantidades e de forma ativa, desenvolvendo um papel benfico no ecossistema intestinal.

Figura 4. Iogurte ACTIVIA

Fonte: Danone/ Activia, 2008.

A seguir encontra-se na tabela 3, a lista de alguns produtos lcteos funcionais lanados nos ltimos anos em todo o mundo.

Tabela 3. Produtos lcteos funcionais lanados recentemente

Produto

Empresa

Descrio

Beneficio

Iogurte com probitico

Nestl

Iogurte com Lactobacillus johnsonii, que sobrevive ao trato intestinal.

Melhora a sade imunolgica e reduz desordens intestinais como diarrias, gastrite

e lceras ppticas.

ACTIMEL

Danone

Bebida probitica com Lactobacillius casei

Auxilia e fortifica as defesas naturais do corpo e ajuda a mant-lo em melhor forma.

Leite Imune

Basic plus

Lifeway Foods inc.

Produto do colostro bovino hiper-imunizado

Combate problemas gastrintestinais; tem ao contra vrus e fungos.

YoSelf

Stonyfield Farm (EUA)

Iogurte semi-desnatado contendo 5 culturas probioticas (L. bulgaricus, S. thermophilus, Bifidobacterium, L. casei, e L. reuteri) e 1 prebitica ( triulina)

Ajuda a aumentar a absoro de clcio, principalmente em mulheres.

YoBaby

Stonyfield Farm (EUA)

Mesmo produto que o YoSelf, porm integral

Direcionado s crianas.

Milk-E

Parmalat

Leite com vitamia E e biotina

Contribui para uma pele mais saudvel e reduz o processo de envelhecimento.

Evolus

Lanado pelo mercado Finlands

A base de Lactobacillus helveticus LBK-16H

Ajuda a reduzir a presso sangnea

Fonte: BRANDO, 2002.

2.6 Benefcios clnicos

Tendo por base os estudos realizados com microrganismos probiticos, chegou-se a concluso que estes desempenham papel fundamental sade humana e animal, uma vez que as diferentes cepas, se aderem mucosa intestinal e antagonizam microrganismos patognicos.

O consumo regular de alimentos funcionais gera benefcios para sade, destacando-se a reduo do risco de vrias doenas intestinais, cardiovasculares, cncer, obesidade, diabetes do tipo 2 (CASTILHO, 2007).

Alm desses benefcios citados, experimentos in vitro e investigaes em animais e humanos tm demonstrado que os produtos base de microrganismos probiticos esto envolvidos em um grande nmero de funes biolgicas, tais como, modulao do sistema imunolgico, proteo contra hipertenso, proteo contra osteoporose, proteo contra artrite, proteo contra cries, reduo do nvel de colesterol, controle de gordura nas clulas adiposas, atividade antioxidante, inibio de bactrias indesejveis e toxinas (BRANDO, 2002).

Ressalta-se que com o avano da idade, o nmero de bactrias benficas ao nosso intestino vai diminuindo, o que aumenta a preocupao da ingesto de alimentos funcionais, principalmente os probiticos, para ajudar a equilibrar a microflora do intestino. Segundo Salgado, o nmero de bifidobactrias fecais (bactrias benficas ao organismo) diminui nos mais velhos, de forma marcante do que nos mais jovens, o que aumenta as chances de infeces. Por isso, o uso freqente de alimentos funcionais, ajuda a elevar os nmeros dessas bactrias e equilibrar a flora intestinal, o que resulta em uma melhor sade.

Num recm-nascido, cerca de 90% das bactrias presentes no intestino so benficas, e com o passar do tempo, o nmero vai baixando, e reduz-se a cerca de 10 a 15 por cento no adulto (MASSADA, 2006).

O fato de o recm-nascido ter maior nmero de bactrias benficas ao intestino, deve-se ao aleitamento materno. Este leite fonte potencial de bifidobactrias, e isto faz com que predominem no organismo bactrias benficas e diminua as patognicas.

O leite materno uma fonte de proteo contra infeces, uma vez que ajuda a manter o equilbrio da flora, e isto se deve influncia que o leite tem sobre a composio da microbiota do recm-nascido. Os lactentes alimentados exclusivamente com leite materno tm altas concentraes de bifidobactrias e lactobacilos, enquanto que os alimentados com formulaes e leites que no o materno tem mais chances de desenvolverem infeces, uma vez que no tem uma fonte de proteo (CASTILHO, 2007 apud ROLFE, 2002).

O leite materno faz desenvolver um ambiente favorvel para o crescimento das espcies de bifidobacterium (B. bifidum, B. longum infantis, B. breve ) tpicas dos lactentes e raramente encontradas em adultos. Nos recm-nascidos amamentados com leite artificial encontra-se um ecossistema complexo distribudos em bactrias anaerbias, anaerbias facultativas, mas sem o predomnio de bifidobactrias (OBA, CUKIER, MAGNONI, 2007).

A seguir, a tabela 4 mostra alguns efeitos benficos atribudos ao uso de probiticos.

Tabela 4 . Causas e mecanismos dos efeitos benficos atribudos aos probiticos

Efeito Benfico

Possveis causas e mecanismos

Melhor digestibilidade

Degradao parcial das protenas, lipdeos e carboidratos.

Melhor valor nutritivo

Nveis elevados das vitaminas do complexo B e de alguns aminocidos essenciais como metionina e triptofano.

Melhor utilizao de lactose

Nveis reduzidos de lactoseno produto e maior disponibilidade de lactase

Ao antagnica contra agentes patognicos entricos

Distrbios tais como diarria, colites mucosa e ulcerosa, diverticulite e colite antibitica so controladas pela acidez;

Inibidores microbianos e inibio da adeso e ativao de patgenos.

Colonizao do intestino

Sobrevivncia ao cido gstrico, resistncia a lisozima e tenso superficial do intestino, adeso ao epitlio intestinal, multiplicao no trato gastrintestinal, modulao imunitria.

Ao anticarcinognica

Converso de protenas pr-carcinognicos em compostos menos perniciosos;

Estimulao do sistema imunitrio.

Ao hipercolesterolmica

Produo de inibidores da sntese do colesterol;

Utilizao do colesterol por assimilao e precipitao de sais biliares desconjugados

Modulao imunitria

Melhor produo de macrfagos, estimulao da produo de clulas supressoras.

Fonte: Moraes & Colla, 2006 apud Kaur et al. 2002; Holzapfel & Schillinger 2002; Kalantzopoulos,1997.

2.7Mercado

O mercado de alimentos funcionais, incluindo os alimentos probiticos, um mercado de grande interesse a indstria alimentcia e farmacutica, movimenta bilhes de dlares em todo o mundo, aplica investimentos no campo publicitrio, e tambm no campo da pesquisa, j que uma rea que necessita estar sempre se atualizando devido s mudanas que ocorrem na cincia.

O mercado alimentcio e farmacutico tem buscado explorar a relao entre o consumo de determinados ingredientes com a reduo de fatores de risco para doenas especficas, principalmente as crnico degenerativas, ou a melhora da performance fsica e/ou mental (CASTRO, 200?, apud GRIZARD et al., 2001; IZZO & NINESS, 2001).

Estudos apontam que cerca de 85% das pessoas esto optando por uma dieta mais saudvel para prevenir doenas, e com isso, o mercado dos remdios convencionais est decaindo (CASTRO, 200?).

Os consumidores esto optando por produtos que lhes ofeream maior segurana no quesito sade, procurando alimentos naturais e saudveis, e tambm buscam alimentos funcionais, incluindo os probiticos. Os consumidores acreditam que estes alimentos podem ajudar a prevenir e/ou curar algumas patologias, no to graves.

Houve uma maior conscientizao das pessoas com relao dieta, onde estas a ligam diretamente com qualidade de vida.

No Brasil, grandes empresas se empenharam em pesquisas, e hoje comercializam alimentos probiticos, destacando-se Yakult, Danone (lanando o produto, Activia), Nestl, Parmalat, Batavo.

A seguir nas figura 5 apresentada as vendas de produtos probiticos em um determinado perodo.

Figura 5. Produto de laticnios funcionais: valor de vendas em alguns pases no perodo de 1995 a 1999.

Fonte: Brando, 2002 apud Euromonitor International..

2.8Legislao

A Resoluo RDC n2, de 07 de janeiro de 2002, da Agncia Nacional de vigilncia Sanitria (ANVISA), aprova o Regulamento Tcnico de Substncias Bioativas e Probiticos Isolados com Alegao de Propriedades Funcional e ou de Sade.

Este tem o objetivo de padronizar os procedimentos a serem adotados para a avaliao de segurana, registro e comercializao de substncias bioativas e probiticos isolados com alegao de propriedades funcional e ou de sade.

A descrio dada por este regulamento para os probiticos de microrganismos vivos capazes de melhorar o equilbrio microbiano produzindo efeitos benficos sade do indivduo. Estes produtos devem ser seguros para o consumo humano, sem necessidade de orientao e ou acompanhamento mdico, a no ser que seja dirigido a grupos populacionais especficos.

O fabricante responsvel pelo produto, pela sua qualidade e eficcia, portanto, ele deve atender o disposto no Regulamento Tcnico que estabelece as diretrizes bsicas para a anlise e comprovao de propriedades funcionais e ou de sade alegadas em rotulagem de alimentos; tambm deve estar de acordo com as Polticas de Sade defendidas pelo ministrio da sade.

A avaliao de risco e segurana deste produto deveatender o disposto no Regulamento Tcnico que estabelece as diretrizes bsicas para avaliao de risco e segurana dos alimentos, tem que demonstrar que o produto seguro para o consumo nas condies de uso recomendadas. A ANVISA deve avaliar cada caso do produto.

A rotulagem deve atender o Regulamento Tcnico especfico de Rotulagem de alimentos embalados e de Rotulagem nutricional obrigatria de alimentos e bebidas embalados.

Se tiver a informao nutricional complementar, esta deve atender norma especfica. Deve conter alegao de propriedades funcional e ou de sade, em carter obrigatrio, devendo apresentar-se nos moldes e dizeres aprovados pela ANVISA. Deve conter as expresses: "Consumir somente a quantidade indicada na embalagem", e "Gestantes, nutrizes e crianas somente devem consumir este produto sob orientao de nutricionista ou mdico".

Deve constar a quantidade dos microrganismos viveis, que garanta a ao alegada dentro do prazo de validade do produto. Esta informao deve estar localizada prxima alegao de propriedade funcional e ou de sade do produto e no deve estar na tabela de informao nutricional. O produto deve ser registrado conforme os procedimentos administrativos exigidos para o registro de alimentos em geral.

3. Concluso

A partir de todos os dados expostos nesta reviso de literatura, pode-se concluir que os alimentos probiticos esto cada vez mais difundidos no mercado em funo de sua comprovada eficincia e ao benfica ao organismo.

Est cada vez mais se investindo em pesquisas para buscar encontrar mais benefcios dados pelas diferentes cepas de culturas microbianas. A tecnologia uma grande aliada a essas pesquisas, uma vez que ajuda e facilita o trabalho dos pesquisadores.

Ao longo da histria, diferentes pesquisadores propuseram vrias verses de definies aos probiticos, o que leva a concluso que desde muito tempo j se realizavam pesquisas sobre este assunto.

Culturas probiticas devem ser de origem humana, no oferecer riscos sade e principalmente no ter histrico de patogenicidade. Sabe-se que e eficcia do produto se deve s diferentes cepas de culturas empregadas nos alimentos e no ao microrganismo. Estes proporcionam equilbrio flora intestinal e melhora sade e tambm esto associados a cura de algumas doenas.

4. REFERNCIAS

BARBOSA, F.H.F.; SILVA, A.M.; MARTINS, F.S.; NICOLI, J.R. Perfil de hidrofobicidade da superfcie celular de Bifidobacterium lactis Bb12 e Bifidobacterium longum Bb46 em funo do meio de cultura. Revista de biologia e cincias da terra. Campina Grande, v.5, n.2, 11p. 2005.

BRANDO, S.C.C. Novas geraes de produtos lcteos funcionais. Indstria de laticnios, p.64-66, 2002.

BRANDT, K.G.; SAMPAIO, M.M.S.C.; MIUKI, C.J. Importncia da microflora intestinal. Revises e ensaios, So Paulo, v.28, n.2, p.117-127, 2006.

BRASIL, Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria. Resoluo RDC n 2, de 07 de janeiro de 2002. Aprova o regulamento tcnico de substncias bioativas e probiticos isolados com alegao de propriedades funcional ou de sade. Dirio Oficial da Unio; Poder executivo, 2002.

CASTILHO, A. C. Probiticos Histrico, 2007. Disponvel em Acesso em: fevereiro de 2008.

CASTRO, I.A. Desenvolvimento de alimentos funcionais. 200? 84 p.

COPPOLA, M. M.; TURNES, C.G. Probiticos e resposta imune. Cincia rural, Santa Maria, v.34, n.4, p.1297.

Danone. Disponvel em: www.danone.com.br. Acesso em: maio de 2008.

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MASSADA, J.; SOARES, R.; OUTEIRO, T.F. Alimentos probiticos aconselhados aos mais velhos. Cincia Hoje, 2006.

MORAES, F.P.; COLLA, L.M. Alimentos funcionais e nutracuticos: Definies, legislao e benefcios sade. Revista eletrnica de farmcia, v.3, n.2, p.109-122, 2006.

OBA, J.; CUKIER, C; MAGNONI, D. Probiticos em pediatria. 2007. Disponvel em: Acesso em: fevereiro de 2008.

PEREIRA, V.G.; GMEZ, R.J.H.C. Atividade microbiana de Lactobacillus acidophilus, contra microrganismos patognicos veiculados por alimentos. Semina: Cincias Agrrias, Londrina, v.28, n.2, p.299-240, 2007.

ROURA, E. Alternativas aos promotores de crescimentos em produo porcina (I), 200?. Disponvel em: . Acesso em: fevereiro de 2008.

SAAD, S.M.I. Probiticos e Prebiticos: o estado da arte. Revista Brasileira de Cincias Farmacuticas. V.24, n.1, 16p. 2006.

SALGADO, J. Iogurtes e leites fermentados: uma alternativa no tratamento das desordens intestinais, 2008. Disponvel em: Acesso em: fevereiro de 2008.

Yakult. Disponvel em: www.yakult.com.br. Acesso em: maio de 2008.