V WORKSHOP EMPRESA, EMPRESÁRIOS E .governos administrados por partidos de direita ... longo de sua

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    V WORKSHOP EMPRESA, EMPRESRIOS E SOCIEDADE O mundo empresarial e a questo social

    Porto Alegre, 2 a 5 de maio de 2006 PUCRS

    Grupo de Trabalho 02 Organizaes empresariais, representao de interesses e ao

    poltica

    A Ao Poltica do Empresariado Industrial Catarinense: O Caso da FIESC - Federao das Indstrias do Estado de Santa Catarina

    Marisa Larsen Gths

    Doutorado/UFSC

    Resumo

    O objetivo principal deste artigo analisar a ao poltica do empresariado industrial presente na Federao das Indstrias do Estado de Santa Catarina - FIESC, principal entidade de representao dos interesses industriais no Estado que faz parte da estrutura corporativa. O perodo analisado inicia-se com sua fundao em 1950, mas com nfase no contexto das mudanas acarretadas pelo retorno da democracia ao pas em 1985, passando pelas reformas econmicas e poltico- institucionais dos anos 90 et recentemente. Inicialmente, recuperamos a trajetria das relaes historicamente estabelecidas entre o empresariado industrial e o setor pblico no Brasil, focalizando o modelo corporativo que presidiu a institucionalizao das relaes entre Estado e sociedade civil e suas consequncias sobre a organizao e representao dos interesses do empresariado industrial. Em seguida, idenficamos as mudanas que ocorreram nessa relao numa fase mais recente, com o desmantelamento da estrutura institucional do modelo de desenvolvimento presidido pelo Estado e orientado pelas relaes corporativas e sua substituio por relaes mais pluralistas na tentativa de incorpor o empresariado brasileiro ao processo de globalizao atravs de reformas orientadas para o mercado. Paralelamente, analisamos a evoluo do formato de representao e mediao dos interesses do empresariado industrial, que evoluiu ao longo do tempo para um sistema hbrido e complementar entre entidades corporativas e extra-corporativas. Num segundo momento, analisando as principais estratgias polticas desenvolvidas pela FIESC junto ao poder pblico de Santa Catarina, conclumos que os vnculos estabelecidos com o executivo estadual desde sua fundao, garantiram a entidade uma participao importante na implementao de projetos de desenvolvimento de interesse para o setor industrial no Estado. partir do retorno da democracia h um aprofundamento das relaes dos dirigentes da FIESC com os partidos polticos, utilizando essa via pluralista para a representao dos seus interesses junto ao Legislativo. Tal esforo no substitui, contudo, a tradicional nfase nos contatos diretos da Federao com o Poder Executivo Estadual. O intercmbio torna-se mais efetivo junto aos governos administrados por partidos de direita principalmente partir da dcada de 90, garantindo a participao da entidade na formulao e implantao de polticas para o setor. Essa participao poderia ser entendida como uma relao neocorporativa positiva, onde o Estado admite na mesa de negociao representantes da sociedade civil para discutir polticas especficas de interesse dos diferentes setores antes de implementa-las efetivamente. Porm essa prtica no chega a se estender a outros setores da sociedade civil, como a participao do trabalhador nas negociaes por exemplo. Essas relaes pblico/privado em SC do continuidade ao velho estilo corporativista de insero direta do empresariado na mquina estatal, perpetuando as mesmas relaes desiguais e antidemocrticas do modelo corporativista bisetorial mantido entre o Estado

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    autoritrio e populista e o empresariado ao longo das diversas fases do desenvolvimento capitalista no Brasil, de onde o trabalhador excludo. As articulaes construdas entre os poderes pblicos, os partidos polticos e a Federao mostram claramente que o empresariado continua a fazer uso de mtodos no democrticos para se fazer representar e ser atendido nas suas demandas, e que continuam a aprofundar uma assimetria na capacidade de organizao dos interesses entre as classes.

    O presente trabalho se prope a dar uma contribuio no estudo do comportamento poltico

    de um ator importante do processo de desenvolvimento econmico do Estado de Santa Catarina, o

    empresariado industrial. Nos dedicamos aqui a estudar somente uma frao particular desse setor,

    aquele presente na Federao das Indstrias do Estado de Santa Catarina - FIESC, entidade mxima

    que congrega a grande maioria dos sindicatos patronais existentes no Estado e que faz parte da

    estrutura corporativa de representao de interesses do empresariado industrial nacional implantada

    nos anos 30. O objetivo principal identificar as principais estratgias de representao da entidade

    junto ao poder pblico ao longo de sua existncia que comea em 1950 e vai at a gesto 2003-

    2005.

    O perodo 1950-1985 marca a implantao da estrutura corporativa de representao de

    interesses do empresariado industrial no Estado de Santa Catarina. uma fase de grande afinidade

    entre os interesses industriais e os projetos implementados pelos governos estaduais em favor do

    desenvolvimento econmico do Estado. Os contatos entre a FIESC e os governos estaduais teriam

    sido bastante prximas j desde a sua fundao, chegando a certos momentos a um processo de

    osmose entre as duas esferas, dificultando a percepo dos menos avisados quanto a linha divisria

    entre o que pblico e o que privado.

    Esse perodo desenvolvimentista tambm ficou marcado por uma participao importante de

    certos setores industriais na mquina administrativa federal. Porm, desde o fim do perodo

    autoritrio em 1985, o cenrio poltico e econmico brasileiro foi marcado por mudanas profundas

    na forma de governo, na representao poltica dos diferentes setores da sociedade civil e no

    modelo de desenvolvimento do pas. Os anos 90 marcam o incio das reformas neoliberais no

    Brasil, com a abertura da economia ao mercado externo, a opo pelos governos de polticas

    econmicas ortodoxas e mudanas importantes no campo poltico-institucional, alm da definio

    de um novo marco regulatrio e de uma nova relao poltica entre o setor pblico e a sociedade

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    civil com o desmonte da estrutura institucional pautada pelo modelo de desenvolvimento presidido

    pelo Estado e orientado pelas relaes corporativas.

    Este cenrio tem trazido tona e ao centro do debate acadmico, a questo da organizao

    dos diferentes setores da sociedade civil e a representao de seus interesses junto aos poderes

    Executivo e Legislativo. Nesse sentido, alguns estudos tem enfatizado esse perodo como uma

    grande incertitude para o empresariado industrial brasileiro, justamente quanto as estratgias que

    suas organizaes de representao de interesses, tanto as corporativas quanto as extra-corporativas

    deveriam desenvolver frente a organizao crescente da sociedade civil, seja com os diferentes

    movimentos sociais de defesa de interesses diversos e a organizao de entidades independentes,

    seja quanto a incerteza da forma e das modalidades de articulao que iriam determinar a

    representao de seus interesses junto ao setor pblico face a reestruturao do aparato institucional

    do Estado.

    O setor industrial e suas diferentes fraes tem sido afetados de maneira especial justamente

    pela mudana radical no modelo de desenvolvimento at ento calcado na interveno estatal e no

    protecionismo, para um modelo neoliberal marcado pela independncia das decises do mercado e

    pela concorrncia internacional. A implementao dessas reformas orientadas para o mercado

    exigiu dos empresrios uma reorganizao profunda de suas estratgias de sobrevincia numa

    economia globalizada.

    Essas transformaes provocaram mudanas no s na estrutura de representao do

    empresariado industrial que se organiza a nvel nacional, como tambm nas entidades que atuam a

    nvel estadual e regional. O nosso interesse ento detectar no que essas transformaes afetaram a

    dinmica de renovao dos dirigentes da FIESC, seu papel enquanto principal entidade de

    representao e mediao de interesses do empresariado industrial em Santa Catarina, e a definio

    das estratgias de ao a serem implementadas pela entidade dal em diante. A ao poltica da

    entidade ser analisada atravs de seus vnculos com o poder pblico de Santa Catarina desde sua

    fundao em 1950, mas com nfase na fase mais recente, partir do retorno da democracia, atravs

    dos processos eleitorais que definiram a composio das novas diretorias da entidade, de suas

    ligaes com os partidos polticos e dos contatos com o Poder Executivo Estadual.

    Nosso estudo se situa assim em torno dessa questo principal : como o empresrio industrial

    catarinense representado na Federao das Indstrias do Estado de Santa Catarina orientou suas

    estratgias e aes no momento de sua fundao em relao ao setor pblico, e mais tarde, dentro

    do contexto da redemocratizao e de reformas poltico/institucionais e econmicas dos anos 1990,

    qual o entendimento desse empresariado quanto as principais estratgias polticas a serem

    desenvolvidas pela entidade para representar eficazmente suas demandas junto ao Executivo e

    Legislativo federal e estadual e garantir assim, o atendimento dos seus interesses.

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    Enfim, pretendemos assim apreender a evoluo desse formato corporativo de representao

    no Estado, no sentido de identificar no que essas modalidades de articulaes entre o

    pblico/privado no caso da FIESC com o governo catarinense contribuem para a sobrevivncia

    dessa estrutura, para o aperfeioamento e o fortalecimento das instituies democrticas atualmente

    e, portanto, para a representao mais democrtica dos diferentes setores junto ao setor pblico,

    haja vista que a volta da democracia tem permitido