VI - urv.· A densidade populacional média da área metropolitana de ... % Pop. % Pop. % Pop. % Pop

  • View
    216

  • Download
    0

Embed Size (px)

Text of VI - urv.· A densidade populacional média da área metropolitana de ... % Pop. % Pop. % Pop. % Pop

  • PO

    PU

    LA

    O

    VI

    As ltimas quatro dcadas do sculo XX foram tempos de profundas

    transformaes polticas, econmicas e sociais na sociedade por-

    tuguesa; alteraes essas, sem precedentes, que tiveram efeitos

    tremendos na populao portuguesa, no tanto no aspecto quan-

    titativo, uma vez que o total da populao portuguesa no tem co-

    nhecido acrscimos muito significativos, mas essencialmente nos

    aspectos da distribuio e de estrutura. Neste quadro de mudana,

    o heterogneo territrio da rea metropolitana de Lisboa surge como

    a unidade espacial onde, para alm de um fortssimo crescimento

    demogrfico, se verificaram no s todos os fenmenos demogr-

    fico-espaciais observveis na generalidade do Pas por exemplo,

    o envelhecimento da populao e, nas reas de cariz rural, a perda

    de populao, a terciarizao da estrutura activa, a melhoria dos

    nveis de instruo, etc. como, em funo do seu cariz urbano-

    -metropolitano, se regista(ra)m com inequvoca definio os fen-

    menos demogrfico-espaciais prprios de uma grande urbe (ainda)

    em crescimento.

    , sem dvida, neste plano que reside a especificidade da rea

    metropolitana de Lisboa: no seu interior, aos primeiros j referidos,

    sobrepem-se, entre outros, fenmenos como a suburbanizao

    e a peri-urbanizao; os fortssimos, sucessivos e diversificados

    fluxos de imigrantes; a gentrification e a reabilitao dos bairros

    histricos; a desindustrializao e relocalizao industrial; a des-

    concentrao das actividades econmicas e uma litoralizao ligada

    ao turismo e lazer por via das notrias melhorias nas acessibilidades.

  • A rea metropolitana de Lisboa regista, inequivocamente,

    a maior concentrao populacional do Pas. Nos seus dezanove

    concelhos, que constituem cerca de 3,3% da superfcie do territrio

    nacional, residem em 2001, 2 662 949 pessoas, um pouco mais

    de 1/4 da populao portuguesa, relao que era somente de 1/6

    em 1960.

    Porm, o seu ritmo de crescimento no tem sido uniforme:

    aps o fortssimo crescimento populacional das dcadas de 60 e

    70 (69,6% em vinte e um anos) devido, respectivamente, a um xodo

    rural que privilegiou igualmente outros grandes centros urbano-in-

    dustriais do litoral e ao regresso dos portugueses das ex-colnias,

    o ritmo de crescimento abrandou significativamente nas duas l-

    timas dcadas (apenas 6,4% em vinte anos), acompanhando desta

    forma uma estabilizao de crescimento demogrfico tpica das

    grandes reas metropolitanas europeias.

    A densidade populacional mdia da rea metropolitana de

    Lisboa era, em 1991, de 818hab/km2 (859 em 2001); contudo, em

    funo da enorme diversidade de formas de ocupao do solo no

    seu interior, os valores da densidade populacional apresentam

    extremos bastante contrastantes (Mapa VI.1), correspondendo

    as maiores densidades mais de 10 000hab/km2 , naturalmente,

    s maiores concentraes (Mapa VI.2) nas reas residenciais mais

    antigas da cidade de Lisboa e, na margem Norte, s reas residen-

    ciais situadas ao longo dos grandes eixos virios que de Lisboa

    irradiam. Na margem Sul, as maiores densidades surgem de forma

    dispersa, correspondendo aos ncleos habitacionais mais antigos

    sem que, contrariamente margem Norte, se identifique um

    alinhamento ao longo de qualquer eixo, excepo feita visvel

    concentrao na frente fluvial do Tejo.

    A dimenso dos lugares , naturalmente, tambm ela

    bastante dispar e revela a extrema importncia dos eixos virios,

    CONSOLIDAO E MATURIDADE demogrficade uma rea metropolitana

    Nuno Pires SOARESGegrafo

    Faculdade de Cincias Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa

    Alexandre Carlos Grilo DOMINGUESGegrafo

    Direco Regional do Ambiente e Ordenamento do Territrio Algarve

    sobretudo na margem Norte (Mapa VI.3), uma vez que raros so

    os lugares, fora dos seus corredores, que tm mais de 5 000

    habitantes. A cidade de Lisboa destaca-se claramente como o maior

    aglomerado populacional da rea metropolitana de Lisboa (663 000

    habitantes) surgindo, com valores muito inferiores, uma srie de

    aglomerados localizados ao longo do eixo Lisboa/Sintra Amado-

    ra, Queluz, Cacm, Algueiro-Mem Martins. Os demais eixos que

    irradiam de Lisboa na margem Norte, embora caracterizados por

    um contnuo urbano, no apresentam lugares de dimenses

    populacionais representativas: o eixo da Costa do Sol caracteri-

    za-se por uma sucesso de lugares, muito prximos, cujo efectivo

    demogrfico raramente ultrapassa as duas dezenas de milhares

    de habitantes; o eixo de Vila Franca de Xira surge igualmente bem

    definido por uma sucesso de lugares, mais espaados do que na

    Costa do Sol, cuja dimenso, em regra, tambm no excede os

    20 000 habitantes.

    Na margem Sul, os lugares com mais de 5 000 habitantes

    localizam-se, esmagadoramente, na frente ribeirinha do Tejo, ou

    imediatamente no seu prolongamento para o interior, constituindo

    as raras excepes: Setbal (a outra capital de distrito na rea

    metropolitana de Lisboa), Sesimbra, e trs lugares no interior da

    pennsula Pinhal Novo, Palmela e Quinta do Conde.

    1. AS DUAS MARGENS

    Aps um crescimento populacional fortssimo, essencial-

    mente na dcada de 70 (Mapas VI.4 e VI.5), seguiu-se um abran-

    damento do crescimento nas duas ltimas dcadas, visvel no fac-

    to de nenhuma freguesia se ter situado na classe de maior cres-

    cimento demogrfico e, simultaneamente, de muitas freguesias te-

    rem registado decrscimos populacionais (Mapas VI.6 e VI.7). Po-

    rm, esta desacelerao de crescimento no corresponde neces-

    sariamente a uma ausncia de dinmicas internas na rea metro-

    politana de Lisboa a par de um global crescimento demogrfico na

    esmagadora maioria das freguesias (Mapa VI.8); importantes mo-

    vimentaes ocorreram durante os ltimos quarenta anos no in-

    terior da rea metropolitana. O avano da suburbanizao em am-

    bas as margens, a que somente as freguesias mais perifricas da

    rea metropolitana de Lisboa tero resistido, ter sido o aspecto

    mais notrio, a par da crescente terciarizao de vastas reas re-

    sidenciais antigas da cidade de Lisboa. Este fenmeno, tambm

    j detectado em datas mais recentes em freguesias de concelhos

    contguos a Lisboa, provocou um envelhecimento e consequente

    perda de populao da cidade, quer em termos absolutos, quer

    no que respeita sua quota no total da populao da rea me-

    tropolitana de Lisboa Lisboa detinha 52,6% da populao da rea

    121

    Quadro VI.1

    Populao residente por concelho e percentagem no total da rea metropolitana de Lisboa.1960/2001

    1960 1970 1981 1991 2001

    Pop. % Pop. % Pop. % Pop. % Pop. %

    Azambuja 18 218 1,2 17 585 1,0 19 768 0,8 19 568 0,8 20 854 0,8

    Mafra 35 739 2,3 34 112 1,9 43 899 1,8 43 731 1,7 54 285 2,0

    Amadora 163 878 6,5 181 774 7,2 174 788 6,6

    Cascais 59 617 3,9 92 907 5,1 141 498 5,7 153 294 6,0 168 827 6,3

    Lisboa 802 230 52,6 769 044 41,8 807 937 32,3 663 394 26,1 556 797 20,9

    Loures 102 124 6,7 166 167 9,0 276 467 11,0 322 158 12,7 198 685 7,5

    Odivelas 132 971 5,0

    Oeiras 94 255 6,2 180 194 9,8 149 328 6,0 151 342 6,0 160 147 6,0

    Sintra 79 964 5,2 124 893 6,8 226 428 9,0 260 951 10,3 363 556 13,7

    Vila Franca de Xira 40 594 2,7 53 963 2,9 88 193 3,5 103 571 4,1 122 235 4,6

    Alcochete 9 270 0,6 10 408 0,6 11 246 0,4 10 169 0,4 12 831 0,5

    Almada 70 968 4,7 107 581 5,8 147 690 5,9 151 783 6,0 159 550 6,0

    Barreiro 35 088 2,3 58 728 3,2 88 052 3,5 85 768 3,4 78 146 2,9

    Moita 29 110 1,9 38 547 2,1 53 240 2,1 65 086 2,6 67 064 2,5

    Montijo 30 217 2,0 41 565 2,3 36 849 1,5 36 038 1,4 38 541 1,4

    Palmela 23 155 1,5 24 866 1,4 36 933 1,5 43 857 1,7 53 258 2,0

    Seixal 20 470 1,3 36 280 2,0 89 169 3,6 116 912 4,6 150 095 5,6

    Sesimbra 16 837 1,1 16 656 0,9 23 103 0,9 27 246 1,1 36 839 1,4

    Setbal 56 344 3,7 66 243 3,6 98 366 3,9 103 634 4,1 113 480 4,3

    Figura VI.1 Percentagens da populao residente na rea metropolitana de Lisboa(A.M.L.) no total nacional. 1960 e 2001

    VI

    PO

    PU

    LA

    O

    Figura VI.2 Distribuio percentual da populao residente na rea metropolitanade Lisboa (A.M.L.). 1960 e 2001

  • Mapa VI.1 Densidade populacional. 1991

  • VI

    PO

    PU

    LA

    O

    Mapa VI.2 Distribuio da populao por local de residncia. 1991

  • Mapa VI.3 Rede de lugares com mais de 5 000 habitantes. 1991

  • VI

    PO

    PU

    LA

    O

    Mapa VI.4 Evoluo da populao residente. 1960/1970 Mapa VI.5 Evoluo da populao residente. 1970/1981

    Mapa VI.6 Evoluo da populao residente. 1981/1991 Mapa VI.7 Evoluo da populao residente. 1991/2001

  • 126

    metropolitana de Lisboa em 1960, contra apenas 20,9% em 2001

    (Quadro VI.1).

    Por outro lado, concelhos com acentuado cariz no-urba-

    no, ainda em 1960, viram o seu efectivo populacional aumentar a

    ritmos sem precedentes: Seixal quadruplica e Sintra e Vila Franca

    de Xira duplicam, respectivamente, as suas percentagens de po-

    pulao na rea metropolitana de Lisboa. Todavia, e embora a de-

    sigualdade do peso populacional das duas margens seja ainda no-

    tria, indesmentvel uma crescente tendncia para um maior equi-

    lbrio populacional das mesmas: a um progressivo aumento do pe-

    so populacional da margem Sul (de 19,1% em 1960 para 26,6%

    em 2001) corresponde uma diminuio da supremacia da margem

    Norte (80,9% em 1960 para 73,4% em 2001), tendncia que po-

    der vir a