Apostila de Artes Visuais (revisada e ampliada 2014)

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Autor: Prof. Garcia Junior Ao longo de alguns anos de experiência como arte-educador e como autor e instrutor de mini-cursos, oficinas, palestras e formação continuada sobre Arte tanto para estudantes quanto para professores, fui elaborando um material textual próprio que fosse didático e se utilizasse de bastante imagens para auxiliar na compreensão dos conceitos. Não tenho a pretensão de me considerar um especialista no assunto, por que a cada vez que revejo o material sinto a necessidade de modificá-lo tanto textualmente quanto visualmente. Até o momento tive como respostas ao material as opiniões dos meus alunos, colegas arte-educadores e demais profissionais de educação e centenas de usuários do Blogarte que comentam nesse post além das minhas próprias experiências testando-o. Meu objetivo em compartilhar este estudo é obter críticas fundamentadas para que possa melhorá-lo cada vez mais. Atualmente esta apostila está sendo utilizada em sala de aula com alunos do Ensino Médio da Rede Pública de Educação do Estado do Maranhão no Centro de Ensino Liceu Maranhense no turno matutino turmas de 1ª e 3ª série. Junto com a apostila são usados slides baseados no conteúdo do texto além de alguns vídeos e documentários relacionados. Mais do que a Apostila ou os recursos tecnológicos está a criatividade do professor em tornar as aulas interessantes e dinâmicas para que a Arte não se torne uma disciplina monótona e estimule os estudantes à descoberta da sua sensibilidade estética e das possibilidades imaginativas do mundo da Arte. A versão que está disponível a partir de hoje, 22 de janeiro de 2014 foi revisada e atualizada para este novo ano letivo e possivelmente ainda terá modificações até o final do semestre.

Text of Apostila de Artes Visuais (revisada e ampliada 2014)

  • 1. APOSTILA DE ARTE ARTES VISUAIS Garcia Junior SUMRIO APRESENTAOp. 02UNIDADE 01 Entendendo a Arte Parte 01: Conceitos, importncia e funes da Arte Parte 02: Arte nas imagens do cotidiano Parte 03: A beleza, o feio e o gosto Parte 04: Arte erudita, arte popular e arte de massa Parte 05: Tcnicas e materiais artsticos e expressivos nas artes visuaisp. 03 p. 03 p. 12 p. 14 p. 17 p. 22UNIDADE 02 A Linguagem Visual Parte 06: Comunicao e linguagem Parte 07: Elementos bsicos da linguagem visual Parte 08: Fundamentos compositivos da imagemp. 28 p. 28 p. 32 p. 49PROPOSTA DE PLANO DIDTICOp. 53REFERNCIAS BIBLIOGRFICASp. 62APRESENTAO Esta apostila parte de uma pesquisa pessoal do autor com alunos do Ensino Mdio sobre o Ensino de Arte, visando uma melhor metodologia de construo dos conhecimentos da Arte, enfocando seus aspectos filosficos, sociolgicos, histricos, estticos e tcnicos. A abordagem dos contedos de maneira crtica e questionadora, orientando o leitor a traar paralelos com sua realidade para uma aprendizagem significativa e contextualizada. O texto organiza e explora os elementos conceituais didaticamente fazendo relao com as mais de 120 imagens que ilustram a apostila. Longe de ser uma referncia nica, propomos que essa apostila seja um dos pontos de partida para o despertar do interesse artstico em suas principais dimenses: o saber, a apreciao e a produo. Quaisquer crticas, comentrios ou sugestes sero muito bem-vindo e podero ser encaminhados para os contatos abaixo. GARCIA JUNIOR. Professor de Arte graduado pela Universidade Federal do Maranho (UFMA). Especialista em Educao Profissional de Jovens e Adultos pelo Instituto Federal de Educao, Cincia e Tecnologia do Maranho (IFMA). Especialista em Design Grfico pela Universidade Federal do Maranho (UFMA). Designer Grfico e empresrio scio proprietrio da Imagtica Consultoria & Design. CONTATOS: Site- www.imagetica.net Blog www.imagetica.net/blog E-mail garcia@imagetica.netFacebook Garcia Junior Twitter imagtica Linkedin Garcia (Imagtica) Junior2

2. APOSTILA DE ARTES VISUAIS Prof. Garcia Junior www.imagetica.net/blogUNIDADE 1 ENTENDENDO A ARTE PARTE 01: CONCEITOS, IMPORTNCIA E FUNES DA ARTE O mundo da arte concreto e vivo podendo ser observado, compreendido e apreciado. Atravs da experincia artstica o ser humano desenvolve sua imaginao e criao aprendendo a conviver com seus semelhantes, respeitando as diferenas e sabendo modificar sua realidade. A arte d e encontra forma e significado como instrumento de vida na busca do entendimento de quem somos, onde estamos e o que fazemos no mundo. Pensando sobre o tema - Observe estas imagens: Voc j viu alguma imagem e ficou na dvida se ela era ou no uma obra de arte? Quais foram as imagens? Como voc faria para distinguir a imagem de um cartaz de filme de cinema de uma tela pintada como sendo arte? Voc sabe o que arte e para qu ela serve?Cadeira Kasese. Hella Jongerius. 2000. Piet. Michelangelo. Igreja de So Pedro, Vaticano, Itlia. C. de 1500Mont Ste. Vitoire. Paul Czanne. Frana. 1885 - 1887. Poster do filme Batman O Cavaleiro das Trevas. Warner. 2012. 3. APOSTILA DE ARTES VISUAIS Prof. Garcia Junior www.imagetica.net/blogConhecendo mais sobre o tema 1. O Artista cria, transmitindo e expressando idias e sentimentos...Artista Philippe Farraut esculpindo em pedra.Para podermos responder a essas perguntas devemos, antes de tudo, saber que a arte 2. Na forma de um conhecimento. A arte uma das Objeto Artstico a primeiras manifestaes da obra de arte que... humanidade como forma do ser 3. O Observador v, humano marcar sua presena analisa, compreende e aprecia. criando objetos e formas (pintura nas cavernas, templos religiosos, roupas, quadros, filmes etc) que representam sua vivncia no mundo, comunicando e expressando suas ideias, sentimentos e sensaes para os outros. Desta maneira, quando o ser humano faz arte, ele cria um objeto artstico que no precisa nos mostrar exatamente como as coisas so no mundo natural ou vivido e sim, como as coisas podem ser, de acordo com a sua viso. A funo da arte e o seu valor, portanto, no esto no retrato fiel da realidade, mas sim, na representao simblica do mundo humano.Para existir a arte so precisos trs elementos: o artista, o observador e a obra de arte. O primeiro elemento o artista, aquele que cria a obra, partindo do seu conhecimento concreto, abstrato e individual transmitindo e expressando suas ideias, sentimentos, Pinacoteca de Arte em So Paulo, Brasil, 2013. emoes em um objeto artstico (pintura, escultura, desenho etc) que simbolize esses conceitos. Para criar a obra o artista necessita conhecer e experimentar os materiais com que trabalha, quais as tcnicas que melhor se encaixam sua proposta de arte e como expor seu conhecimento de maneira formal no objeto artstico. O outro elemento o observador, que faz parte do pblico que tem o contato com a obra, partindo num caminho inverso ao do artista observa a obra para chegar ao conhecimento de mundo que ela contm. Para isso o observador precisa de sensibilidade, disponibilidade para entend-la e algum conhecimento de histria e histria da arte, assim poder entender o contexto em que a obra foi produzida e fazer relao com o seu prprio contexto. Por fim, a obra de arte ou o objeto artstico, faz parte de todo o processo, indo da criao do artista at o entendimento e apreciao do observador. A obra de arte guarda um fim em si mesma, sem precisar de um complemento ou traduo, desde que isso no faa parte da proposta do artista. 4. APOSTILA DE ARTES VISUAIS Prof. Garcia Junior www.imagetica.net/blogPensando sobre o tema Observe e analise as imagens de acordo com os questionamentos: Quais dessas imagens voc consideraria como sendo obra de arte? Quais so as caractersticas das imagens que levam voc a considerar isso? Elas so parecidas entre si e so da mesma poca?Colar-apito. Etnia indgena Urubu Kaapor. Maranho, Brasil.A Anunciao. Iluminura de evangelho manuscrito. C. de 1150.Pea de propaganda de indstria de papel.Bicho. Ligia Clark. Brasil. 1960.Cratera (vaso) grego. Imagem de espetculo teatral. Grcia. C. de 500 A.C.Conhecendo mais sobre o tema Dentre os possveis e variados conceitos que a arte pode ter podemos sintetiz-los do seguinte modo a arte uma experincia humana de conhecimento esttico que transmite e expressa idias e emoes na forma de um objeto artstico (desenho, pintura, escultura, arquitetura etc) e que possui em si o seu prprio valor. Portanto, para apreciarmos a arte necessrio aprender sobre ela. Aprender a observar, a analisar, a refletir, a criticar e a emitir opinies fundamentadas sobre gostos, estilos, materiais e modos diferentes de fazer arte. Uma tela pintada na Europa no sc. XIX pode no ter o mesmo valor artstico para uma comunidade indgena ou para uma sociedade africana que conservem seus valores e tradies originais. Por que isso pode acontecer se a arte universal? Para esses grupos tnicos os significados da arte como a entendemos podem no ser os mesmos por no pertencerem ao contexto em que eles vivem. 5. APOSTILA DE ARTES VISUAIS Prof. Garcia Junior www.imagetica.net/blogCada sociedade possui seus prprios valores morais, religiosos, artsticos entre outros. Isso forma o que chamamos de cultura de um povo. Mas uma cultura no fica isolada e sofre influncias de outras, portanto, nenhuma cultura esttica e sim dinmica e mutvel. A arte, ao longo dos tempos, tem se manifestado de modos e finalidades diversas. Na Antiguidade, em diferentes lugares a arte era vislumbrada em manifestaes e formas variadas na Grcia, no Egito, na ndia, na Mesopotmia... Desde os primrdios o ser humano busca transmitir e expressar suas idias e sentimentos.Pinturas rupestres de animais. Cavernas de Lascaux. Frana. C. de 15-13000 A.C.O ser humano representa simbolicamente sua vivncia, valores e crenas atravs da arte.Pintura na tumba de Nefertari. Oferenda deusa sis. Bahri, Egito. C. 1279-1212 A.C (dinastia 19).Os grupos sociais veem a arte de um modo diferente, cada qual segundo a sua funo. Nas sociedades indgenas e africanas originais, por exemplo, a arte no era separada do convvio do diaa-dia, mas presente nas vestimentas, nas pinturas, nos artefatos, na relao com o natural e o sobrenatural, onde cada membro da comunidade podia exercer uma funo artstica. Somente no sc. XX a arte foi reconhecida e valorizada por si, como objeto que possibilita uma experincia de conhecimento esttico.Nesta pintura leo o artista no presenciou a cena entre Cristo e os seus apstolos, mas representou a cena como ela poderia ter ocorrido de maneira extremamente realista. A arte, ento, no precisa nos mostrar a realidade como ela , mas como percebida, interpretada e mostrada pelo ser humano. Tom, o incrdulo. Caravaggio. Espanha. C. de 1602-1603. 6. APOSTILA DE ARTES VISUAIS Prof. Garcia Junior www.imagetica.net/blogPensando sobre o tema Quando voc observa imagens de um modo geral procura entend-la? Para qu serve a imagem e com que finalidade ela foi criada?A redeno de Cam. Modesto Broccos Y Gomes. Rio de Janeiro, Brasil. 1895.So Joo Nepomuceno. Aleijadinho. Minas Gerais, Brasil. 1895.Abstrato. Antnio Bandeira. Brasil. 1967.Conhecendo mais sobre o tema Se acompanharmos as transformaes sofridas pelas artes, passando da funo religiosa autonomia da obra de arte como criao e expresso, notaremos que as mudanas foram de dois tipos. De um lado, mudanas quanto ao fazer artstico, diferenciando-se em escolas de arte ou estilos artsticos clssico, gtico, renascentista, barroco, rococ, romntico, impressionista, realista, surrealista, etc. Essas mudanas concernem concepo do objeto artstico, s relaes entre matria e forma, s tcnicas de elaborao dos materiais, relao com o pblico, ao lugar ocupado por uma arte no interior das demais e servindo de padro a elas, s descobertas de procedimentos e materiais novos, etc. De outro modo, porm, concernem determinao social da atividade artstica. A arte socialmente determinada: 1. Pela final