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Operação Turbulência: MPF recorre ao STJ para reabrir ação

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  • MINISTRIO PBLICO FEDERALPROCURADORIA REGIONAL DA REPBLICA - 5 REGIO

    EGRGIO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIA

    Processo n : 0001724-04.2016.4.05.0000 (HC 6243 PE)Referncia : Habeas CorpusImpetrantes : Ademar Rigueira Neto e outrosImpetrado : Juzo da 4 Vara Federal de PernambucoPaciente : Apolo Santana VieiraRecorrente : Ministrio Pblico FederalRecorrido : Apolo Santana VieiraRelator : Desembargador Federal Ivan Lira de Carvalho Segunda Turma

    RAZES DE RECURSO ESPECIAL N 20.647 / 2016

    nclitos Ministros,

    O MINISTRIO PBLICO FEDERAL, por seu representante infine firmado, vem, tempestivamente, com fundamento no art. 105, III, a, da ConstituioFederal, e art. 1029 e ss. do Cdigo de Processo Civil vigente, interpor RECURSOESPECIAL, objetivando a reforma do Acrdo de fl. 178, proferido pela Segunda Turma doEgrgio Tribunal Regional Federal da 5 Regio, nos autos do Habeas Corpus 0001724-04.2016.4.05.0000 (HC 6243 PE), pelas razes adiante aduzidas.

    I - DOS FATOS

    Os Impetrantes ingressaram com Habeas Corpus em favor de APOLOSANTANA VIEIRA objetivando trancar a Ao Penal n. 0004073-09.2016.4.05.8300, em

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    curso perante o Juzo da 4 Vara Federal de Pernambuco, apontado como Autoridade Coatora,que determinou o desmembramento desta Ao Penal dando origem a outra Ao Penal, a den. 0010752-25.2016.4.05.8300, aduzindo a) inpcia material da Denncia por ausncia dejusta causa para a persecuo penal (art. 395, III, do Cdigo de Processo Penal); b) inpciaformal e material da Denncia (art. 41, do Cdigo de Processo Penal); e c) da impossibilidadede ciso da Denncia ante a conexo entre os fatos.

    Os Impetrantes narram que o Paciente foi denunciado nos autos daAo Penal n 0004073-09.2016.4.05.8300 pela prtica do crime de organizao criminosa(art. 2, 3, da Lei n 12.850/2013) como decorrncia dos desdobramentos da chamadaOperao Turbulncia. Sustentam a inpcia da Denncia e ausncia de justa causa para aao penal por ausncia de indcios do crime de organizao criminosa, por existirem apenasindcios de lavagem de dinheiro, pois os fatos apontados para a caracterizao da organizaocriminosa so os mesmos utilizados para os crimes de branqueamento de capitais, de forma aevidenciar que a anlise das provas de materialidade e autoria do delito de ORCRIM guardamnecessria conexo instrumental e probatria com a configurao daquele crime financeiro.

    A Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 5 Regio, pormaioria, concedeu a ordem de Habeas Corpus para trancar a Ao Penal em questo,conforme se extrai da ementa do Acrdo de fl. 178.

    Inconformado com o Acrdo supra, vem este representante doMinistrio Pblico Federal, tempestivamente, perante Vossas Excelncias, interporRECURSO ESPECIAL, pelas razes que passa a expor.

    II - DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL

    A Constituio Federal, em seu art. 105, inciso III, estabeleceu ashipteses de cabimento do Recurso Especial, quais sejam:

    Art. 105 Compete ao Superior Tribunal de Justia:()III julgar em recurso especial, as causas decididas, em nica ou ltimainstncia, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dosEstados, do Distrito Federal e Territrios, quando a deciso recorrida:a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigncia;b) julgar vlido ato de governo local contestado em face de lei federal;c) der a lei federal interpretao divergente da que lhe haja atribudo outrotribunal. (grifo nosso)

    O primeiro permissivo constitucional refere-se deciso quecontrariar tratado ou lei federal, como o caso sob anlise.

    Segundo o entendimento do Prof. Rodolfo de Camargo Mancuso, inRecurso Extraordinrio e Recurso Especial, 3 ed., Ed. Revista dos Tribunais, 1993, pg. 112:

    Contrariamos a Lei quando nos distanciamos da mens legislatoris, ou dafinalidade que lhe inspirou o advento; e bem assim quando a interpretamos

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    mal e assim lhe desvirtuamos o contedo. Negamo-lhe vigncia, porm,quando declinamos de aplic-la, ou aplicamos outra, aberrante nafattispecie; [...]

    Portanto, com fulcro no art. 105, III, a, da Constituio Federal,por violao aos arts. 41 e 395, ambos do Cdigo de Processo Penal, e ao art. 2, 3, da Lein. 12.850/2013, que o Ministrio Pblico Federal interpe este Recurso Especial, contra oAcrdo do Tribunal Regional Federal da 5 Regio.

    III DA NO INCIDNCIA DA SMULA N. 07 DO SUPERIOR TRIBUNAL DEJUSTIA

    O Superior Tribunal de Justia editou, seguindo posio limitativa doSupremo Tribunal Federal quanto possibilidade de interposio do Recurso Especial, aSmula n 07, criando mais um requisito de admissibilidade do recurso constitucional.

    Assim est redigida a citada Smula n. 07:

    A pretenso de simples reexame de prova no enseja recurso especial.

    Nos moldes estabelecidos pelo enunciado acima, o Recurso Especialno pode ser interposto para se rediscutir a matria probatria. Este regramento limita asquestes a serem levadas ao Superior Tribunal de Justia, que deve se ater s hiptesesprevistas no art. 105, da Constituio Federal. A matria ftica apreciada nos primeiro esegundo graus de jurisdio, Corte Superior de Justia compete, prima facie, auniformizao do entendimento da lei federal no Pas.

    Roberto Rosas fez as seguintes reflexes acerca da questo de fato e aquesto de direito, verbis:

    Chiovenda nos d os limites da distino entre questo de fato e questode direito. A questo de fato consiste em verificar se existem ascircunstncias com base nas quais deve o juiz, de acordo com a lei,considerar existentes determinados fatos concretos. A questo de direitoconsiste na focalizao, primeiro, se a norma, a que o autor se refere,existe, como norma abstrata (Instituies de Direito Processual, 2. Ed., v.I/175)1

    E continua, o eminente jurista Roberto Rosas, tecendo os comentriossobre a Smula n. 07, reproduzidos abaixo:

    O exame do recurso especial deve limitar-se matria jurdica. A razodessa diretriz deriva da natureza excepcional dessa postulao, deixando-se s instncias inferiores o amplo exame da prova. Objetiva-se, assim,impedir que as Cortes Superiores entrem em limites destinados a outrosgraus. Em verdade, as postulaes so apreciadas amplamente emprimeiro grau, e vo, paulatinamente, sendo restringidas para evitar aabertura em outros graus. Acertadamente, a doutrina e a jurisprudncia do

    1 Rosas, Roberto. Direito Sumular, 13 Edio, So Paulo: Malheiros Editores, 2006, p. 121

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    Supremo Tribunal abominaram a abertura da prova ao reexame pela CorteMaior.2

    V-se, pois, que o Recurso Especial no se presta para simplesreapreciao probatria, diante do bice imposto pela Smula n. 7. Entretanto, este no ocaso dos presentes autos.

    Merece ser ressaltado, tambm, que no h que se confundir reexamede prova e valorao de prova. A primeira impede o conhecimento do Recurso Especial,enquanto a segunda no. No reexame de prova se examina o conjunto probatrio, analisa-se amatria ftica; enquanto na valorao da prova se est diante do valor jurdico do meioprobatrio, ou seja, se aquele valor est de acordo com as normas e os princpios do Direito,analisa-se matria eminentemente de direito.

    Colho da oportunidade para trazer os elucidativos comentrios deLourival Gonalves de Oliveira a respeito da indigitada Smula:

    Ao rigorismo de seu enunciado segue-se verdadeira amenizaojurisprudencial, passando-se distino entre simples apreciao daprova e sua valorao. A esta reconhecido o ensejo do recurso. Omesmo se diga quanto ao recurso especial.A respeito, de voto do Ministro Nilson Naves:Distingue-se entre a apreciao da prova e valorao da prova. Aprimeira diz respeito pura operao mental de conta, peso e medida;na segunda, apura-se se houve ou no a infrao de algum princpioprobatrio (RESP 982-RJ)Igualmente esclarecedor o entendimento do Ministro RodriguesAlckmin exposto em voto do qual anotamos:No tocante ao direito probatrio, portanto, somente podem ser objeto deapreciao questes de direito.O chamado erro na valorao das provas, invocado para permitir oconhecimento do recurso extraordinrio, somente pode ser o erro dedireito, quanto ao valor da prova abstratamente considerado. Assim, sea lei federal exige determinado meio de prova no tocante a certo ato ounegcio jurdico, deciso judicial que tenha como provado o ato ounegcio por outro meio de prova ofende ao direito federal. Se a leifederal exclui baste certo meio de prova quanto a determinados atosjurdicos, acrdo que admita esse meio de prova excludo ofende leifederal...(RE 84.699-SE, RTJ, 86:558)3

    Com tais consideraes iniciais ser demonstrado, ao longo desta pearecursal, que a Smula n. 07, da Corte Superior de Justia, no incide no Recurso orainterposto, pois no visa a reapreciao de matria probatria, mas sim a correta aplicao dosdispositivos legais tidos por violados.

    Diante do exposto, satisfeito este requisito recursal, requer este

    2 Idem 344/345

    3 OLIVEIRA, Lourival Gonalves de. in Comentrios s Smulas do Superior Tribunal de Justia. So Paulo: Saraiva, 1993, pp. 26/27.

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    Ministrio Pblico Federal a admissibilidade do presente Recurso Especial.

    IV - DOS PRESSUPOSTOS RECURSAIS

    Como outros recursos, o Recurso Especial subordina-se aoatendimento dos pressupostos processuais genricos, subjetivos e objetivos, previstos na leip