ANÁLISE DO DISCURSO - TED TALK

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Práticas Discursivas

Text of ANÁLISE DO DISCURSO - TED TALK

  • 1. 0 Mestrado em Comunicao, Cultura e Tecnologias de Informao 2012/2013 ESCOLA DE SOCIOLOGIA E POLTICA PBLICAS Prticas Discursivas Jos Rebelo Anlise do Discurso TEDTalk: Sherry Turkle: Connected, but alone? Diana Isabel Pereira Mendes N59769 21 de Janeiro de 2013, Lamego
  • 2. 1 RESUMO: Este artigo pretende abordar um discurso realizado na palestra TED, cuja oradora Sherry Turkle, Directora do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Em termos tericos, a sociloga americana explora o tema das relao homem- mquina, sendo estas pouco doseadas, ultrapassando as relao humanas. Apologista de que a hiperconexo pode conduzir a um isolamento, a oradora pretende, com isto, agitar as mentes do seu auditrio. Contudo, este paper no se dedica aos fundamentos tericos da Sherry Turkle, mas prope uma anlise exaustiva do discurso em si, considerando os pareceres de Jos Rebelo, Dominique Maingueneau, Austin, Roman Jakobson, Bakhtine, Maria Augusta Babo, Maurice Mouillard e G. Genette. Os parmetros examinados so as seguintes estratgias enunciativas: Citao, Modalizao, Dictizao, o tringulo dctico, Retrica e Argumentao considerando o argumento polifnico e o argumento de autoridade, Pressuposio, Exortao e, finalmente, a Denegao. PALAVRAS-CHAVE: Sherry Turkel; Palestra TED; Alone Together; tecnologias; hiperconexo; Citao; Modalizao, Dictizao; Retrica; Pressuposio, Exortao e Denegao.
  • 3. 2 CONTEXTO Sherry Turckel professora de Estudos Sociais da Cincia e da Tecnologia do instituto de Tecnologia de Massachusetts, doutorada em Sociologia e Psicologia da personalidade na Universidade de Harvard. Directora do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Os seus estudos vo de encontro com a psicanlise e a interaco homem- mquina. Em Fevereiro de 2012, foi oradora na palestra TED, onde exps o tema Alone together, resultante de estudos exaustivos sobre os efeitos das tecnologias nas relaes humanas, tendo como base o seu livro intitulado de Alone Together. Em relao TED1 trata-se de uma fundao privada sem fins lucrativos dos EUA, conhecida pelas suas conferncias, cujo objectivo divulgar livremente ideias. As palestras duram 18 minutos, e so filmadas e posteriormente publicadas no site oficial TEDTALK2 e, ainda, no Youtube. Os oradores fazem-se acompanhar pela sua apresentao estilo Power Point, controlando-a durante a palestra. Segundo as ideias defendidas por Sherry, a tecnologia muda o que fazemos, mas tambm quem somos. Refora ainda que esperamos mais da tecnologia e menos do outro. Ela acredita que as nossas expectativas quanto s tecnologias so to elevadas, que pensamos obter como retorno um real companheirismo. A sociloga acrescenta que o grande problema da sociedade actual o vazio, o receio da solido, pelo que h a urgncia de estarmos constantemente hiperconectados, mas por outro lado, acabamos inevitavelmente por nos isolar. Estamos hipnotizados e confundimos o real com o virtual. Ao contrrio do que se pense, Turkel no est contra as tecnologias digitais, apenas chama a ateno para da nossa parte, existir um comportamento mais doseado e consciente na utilizao das mesmas. 1 Technology, Entertainment, Design 2 http://www.ted.com/talks2 http://www.ted.com/talks
  • 4. 3 ANLISE DO DISCURSO [...]disciplina que, em vez de proceder a uma anlise lingustica do texto em si mesmo ou a uma anlise sociolgica ou psicolgica do seu contexto, visa articular a sua enunciao com um determinado lugar social. (Maingueneau, 1996)3 Comecemos por verificar no discurso de Sherry Turkle, as funes da linguagem propostas por Roman Jakobson em Essais de Linguistique Gnrale.4 De entre as 6 esto presentes no discurso em questo as seguintes: - expressiva ou emotiva indica a atitude do destinador a respeito do objecto do seu discurso5 . Ora, a oradora da palestra, sendo formada em psicologia, d a conhecer o seu caso pessoal referente a uma mensagem que a filha lhe mandara, para alm de episdios que lhe acontecera em relao a pessoas (fontes no discurso) que lhe fizeram um comentrio, e realidades que ela pessoalmente assistiu, como a mulher cativada por um rob. Deste modo, a abordagem de Sherry intimista, dando a conhecer a sua faceta de me, o que eficazmente far com que o pblico se sinta identificado, integrado e ainda, cativado. A mensagem dizia, "Me, vais arrasar". Eu adoro isto. Receber aquela mensagem foi como receber um abrao. E ento, esta a situao. Eu personifico o paradoxo central. Sou uma mulher que adora receber mensagens, que vos vai dizer, que demasiadas, podem ser um problema. - apelativa visando a obteno de determinados efeitos junto ao destinatrio6 . Agora avancemos rapidamente para 2012. Estou de volta ao palco do TED novamente. Vejo alguns primeiros passos. Comecem a pensar na solido como uma coisa boa. Dem-lhe espao. Encontrem maneiras de demonstar isto enquanto um valor para os vossos filhos. Criem espaos sagrados em casa -- a cozinha, a sala de jantar -- e recuperem-nas para conversar. Faam a mesma coisa no trabalho. No trabalho, estamos to ocupados a comunicar que muitas das vezes no temos tempo para pensar, no temos tempo para falar, sobre as coisas que realmente importam. Mudem isso. 3 Maingueneau, Dominique (1996): Les Termes cls de l analyse du discours. ditions du Seuil 4 Rebelo, Jos (2000): O discurso do jornal: o como e o porqu, Lisboa, Notcias Editorial 5 Rebelo, Jos (2000): O discurso do jornal: o como e o porqu, Lisboa, Notcias Editorial 6 Rebelo, Jos (2000): O discurso do jornal: o como e o porqu, Lisboa, Notcias Editorial
  • 5. 4 - potica procura, pela modulao da linguagem, conferir mensagem a melhor configurao possvel.7 eu partilho, logo existo Vamos falar sobre como podemos usar a tecnologia digital, a tecnologia dos nossos sonhos, para fazer desta vida a vida que podemos amar. - ftica mantm ou refora o elo de comunicao, o contacto entre destinador e destinatrio.8 Receber aquela mensagem foi como receber um abrao. E ento, esta a situao. As pessoas dizem, "Eu digo-lhe o que est errado com ter uma conversa. Passa-se em tempo real e no pode controlar o que vai dizer". Ento, esse o ponto principal. Ns usamos a tecnologia para nos definirmos a ns prprios atravs da partilha dos nossos pensamentos e sentimentos mesmo enquanto os estamos a ter. Ento, antes era: Eu tenho um sentimento, eu quero fazer uma chamada. Agora : Eu quero ter um sentimento, eu preciso de enviar uma mensagem - metalingustica fixa as regras, o cdigo, em que a mensagem deveria ser produzida9 . Quando falei no TED em 1996, relatando os meus estudos das primeiras comunidades virtuais, Eu disse, "Aqueles que tiram o maior partido das suas vidas no ecr chegam a ela num esprito de auto-reflexo". E isso que estou a pedir aqui, agora: reflexo e, mais do que isso, uma conversa sobre onde que o uso atual da tecnologia estar a levar-nos, o que nos poder estar a custar. CITAO Citar , talvez, o nico roubo consentido ou com sentido: uma repetio comentada, um confronto entre sujeitos. (Mouro, 1986)10 Apesar dos intensos estudos dedicados distino entre citao e intertextualidade, h ainda tendncia para os confundir, uma vez que a sua natureza semelhante. 7 Rebelo, Jos (2000): O discurso do jornal: o como e o porqu, Lisboa, Notcias Editorial 8 Rebelo, Jos (2000): O discurso do jornal: o como e o porqu, Lisboa, Notcias Editorial 9 Rebelo, Jos (2000): O discurso do jornal: o como e o porqu, Lisboa, Notcias Editorial 10 Revista Comunicao e Linguagens Textualidades Junho, 1986 (pg.118)
  • 6. 5 Deste modo, coube a Maurice Mouillaud clarificar ambos os conceitos, sendo que, o primeiro relaciona-se com o dito por vozes preenchidas dos campos poltico, social, econmico, cultural ou desportivo que conservam o seu estatuto11 . Enquanto, que o ltimo se destina ao desaparecimento das marcas de enunciao e absorve o respectivo contedo12 . De acordo com Jos Rebelo, conclui-se que a citao assemelha-se a um pacto simblico com o enunciador.13 Onde se tem o conhecimento de quem disse o qu. E porqu. A exposio das citaes presentes no discurso ser acompanhada pela anlise das mesmas quanto tipologia da citao proposta por Maurice Mouillaud. A mensagem dizia, "Me, vais arrasar". Enunciado assertivo , pois significa que a autenticidade no discurso existe no discurso em si. Basta Sherry turkle ter dito para ser verdade. E ele diz que no quer interromper os seus colegas porque, diz ele, "Esto demasiado ocupados com os seus emails", mas depois ele interrompe-se a si mesmo e diz, "Quer saber, no lhe estou a dizer a verdade. Sou eu que no quer ser interrompido. Eu acho que deveria querer, mas na realidade, preferiria simplesmente fazer coisas no meu Blackberry". Os fragmentos do discurso do ele so dependentes do discurso principal da oradora. Utilizao de verbos declarativos (dizer). Um rapaz de 18 anos que usa mensagens para quase tudo diz-me melancolicamente: "Algum dia, algum di