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LEAL DE SOUZA RIO DE JANEIRO 1933 O ESPIRITISMO, A MAGIA E AS SETE LINHAS DE UMBANDA

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  • 1. LEALDESOUZAOESPIRITISMO,AMAGIAEAS SETELINHASDEUMBANDA RIODEJANEIRO 1933
  • 2. LEAL DE SOUZA O ESPIRITISMO, A MAGIA E AS SETE LINHAS DE UMBANDA
  • 3. RIO DE JANEIRO 1933 SUMRIOI EXPLICAO INICIAL________________________________________________ 7II OS PERIGOS DO ESPIRITISMO _______________________________________ 9III AS SUBIDIVISES DO ESPIRITISMO __________________________________ 11IV A TRANSFUSO DO PENSAMENTO___________________________________ 12V OS MDIUNS CURADORES _________________________________________ 14VI MATERIALIZAO _________________________________________________ 17VII O COPO, A PRANCHETA, A MESA ____________________________________ 21VIII FENMENOS DE MATERIALIZAO E EFEITOS FSICOS ESPONTNEOS __ 24IX A CURA DA OBSESSO_____________________________________________ 26X O FALSO ESPIRITISMO _____________________________________________ 28XI O BAIXO ESPIRITISMO _____________________________________________ 30XII A FEITIARIA _____________________________________________________ 33XIII A MACUMBA ______________________________________________________ 35XIV A MAGIA NEGRA __________________________________________________ 37XV A LINHA BRANCA DE UMBANDA E DEMANDA __________________________ 41XVI OS ATRIBUTOS E PECULIARIDADES DA LINHA BRANCA _________________ 45XVII O DESPACHO _____________________________________________________ 49XVIII AS SETE LINHAS BRANCAS _________________________________________ 52XIX A LINHA DE SANTO ________________________________________________ 56XX OS PROTETORES DA LINHA BRANCA DE UMBANDA ____________________ 58XXI OS ORIXS _______________________________________________________ 61
  • 4. XXII OS GUIAS SUPERIORES DA LINHA BRANCA ___________________________ 64XXIII O CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS _____________________________ 66XXIV AS TENDAS DO CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS _________________ 69XXV A TENDA NOSSA SENHORA DA PIEDADE _____________________________ 72XXVI A TENDA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIO _______________________ 74XXVII A TENDA NOSSA SENHORA DA GUIA _________________________________ 77XXVIII AS FESTAS DA LINHA BRANCA ______________________________________ 79XXIX OS QUE DESENCARNARAM NA LINHA BRANCA ________________________ 82XXX O AUXLIO DOS ESPRITOS NA VIDA MATERIAL ________________________ 84XXXI O KARDECISMO E A LINHA BRANCA DE UMBANDA _____________________ 86XXXII A LINHA BRANCA, O CATOLICISMO E AS OUTRAS RELIGIES ____________ 92XXXIII OS BATIZADOS E CASAMENTOS ESPRITAS ___________________________ 95XXXIV A INSTITUIO DE UMBANDA _______________________________________ 98XXXV O FUTURO DA LINHA BRANCA DE UMBANDA _________________________ 100
  • 5. Em sua edio matutina de 8 de novembro de 1932, o Dirio de Notcias, da Capital Federal, anunciou:A larga difuso do espiritismo no Brasil um dos fenmenos maisinteressantes do reflorescimento da f. O homem sente, cada vez mais,a necessidade de amparo divino, e vai para onde o arrastam os seusimpulsos, conforme a sua cultura e a sua educao, ou para onde oconduzem as sugestes, do seu meio. E o que se observa em nossopas assinala-se, igualmente, nos Estados Unidos e na Europa, atacada,nestes tempos, de uma curiosidade delirante pela magia.Mas em nenhuma regio o espiritismo alcana a ascendncia que ocaracteriza em nossa capital. preciso, pois, encar-lo com a seriedadeque a sua difuso exige.No intuito de esclarecer o povo as prprias autoridades sobre culto epraticas amplamente realizados nesta cidade, o Dirio de Notciasconvidou um especialista nesses estudos, o Sr. Leal de Souza paraexplan-los, no sentido explicativo, em suas colunas.Esses mistrios, se assim podemos cham-los, s podem seraprofundados por quem os conhece, e s os espritas os conhecem.Convidamos o Sr. Leal de Souza por ser ele um esprito to sereno eimparcial que, exercendo at setembro do ano prximo findo o cargo deredator-chefe de A Noite, nunca se valeu daquele vespertino parapropagar a sua doutrina e sempre apoiou com entusiasmo as iniciativascatlicas. -5-
  • 6. O Sr. Leal de Souza, j era conhecido pelos seus livros, quando realizouo seu famoso inqurito sobre o espiritismo. No mundo dos Espritos,alcanando grande xito pela imparcialidade, e indiscrio com quedescrevia as cerimnias e fenmenos ento quase desconhecidos dequem no freqentava os centros.Depois de convertido ao espiritismo, o Sr. Leal de Souza fez duranteseis anos, com auxilio de cinco mdicos, experincias de cartercientifico sobre essas prticas, e principalmente sobre os trabalhos doschamados caboclos e pretos.O Sr. Leal de Souza, nos seus artigos sobre O Espiritismo e as SeteLinhas de Umbanda, no vai fazer propaganda, porm, elucidaes,mostrando-nos, as diferenciaes do espiritismo no Rio de Janeiro, ascausas e os efeitos que atribui as suas prticas, dizendo-nos o que como se pratica a feitiaria, tratando no s dos aspectos cientficoscomo ainda da Linha de Santo, dos Pais de Mesas, do uso dodefumados, da gua, da cachaa, dos pontos, em suma, da magianegra e da branca.Esperamos que as autoridades incumbidas da fiscalizao doespiritismo e muitas vezes desaparelhadas de recursos para diferenciaso joio e o trigo, e o povo, sempre vido de sensaes e conhecimentos,compreendam, em sua elevao, os intuitos do Dirio de Notcias.Na prxima quinta-feira, iniciaremos a publicao dos artigos do Sr. Lealde Souza, sobre o Espiritismo, a Magias e as Sete Linhas deUmbanda. a primeira srie desses artigos, escritos diariamente ao correr dapena, que constitui esse livro. -6-
  • 7. I EXPLICAO INICIALO Espiritismo no clava para demolir, uma torre em construo, equanto mais se levanta tanto mais alarga os horizontes e a viso deseus operrios, inclinando-os tolerncia, pela melhor compreensodos fenmenos da vida.Como nos ensina o seu codificador, o espiritismo no veio destruir areligio, porm consolid-las e revigorar a f, trazendo-lhes novas emais positivas demonstraes da imortalidade da alma e da existnciade Deus.As religies, sabem-nos todos, so caminhos diversos e s vezesdivergentes, conduzindo ao mesmo destino terminal. O indivduo queabraa com sinceridade uma crena e cumpre, de conscincia reta, osseus preceitos, est sob a assistncia de Deus, pois mesmo as regrasque aos seus contrrios parecem absurdas ou degradantes, como aconfisso, no catolicismo, ou a beno solicitada aos pais de terreiro, noespiritismo de linha, revelam um grau de humildade significativo deradiosa elevao espiritual.Seria negar a Deus os atributos humanos da inteligncia e da justia ofato de admitirmos que o Criador fosse capaz de desprezar ou punir assuas criaturas porque no o amam do mesmo modo, orando com asmesmas palavras, segundo os mesmos ritos.Deus no tem partido e atende a todos os seus filhos de onde quer queo chamem, com amor e f; parta a prece do corao de um cardeal,ajoelhado na glria suntuosa de um altar, ou saia da orao do peito deum sertanejo, cado no silencio pesado da selva. Os homens so quemescolhem, pela sua cultura ou pelas tendncias de cada alma, em seus -7-
  • 8. ncleos de evoluo, a maneira mais propcia de cultuar e servir aDivindade.Com estas idias, claro que no venho provocar polmicas, e seriadesconhecer os intuitos do Dirio de Notcias, ou aventurar-me apropaganda agressiva dos meus princpios. Pretendo, nestes artigos,esclarecer, quanto permitam os meus conhecimentos, prticasamplamente celebradas nesta capital, estabelecendo diferenciaes,para orientao popular, e mostrando a importncia de coisas que,parecendo burlescas, so, com freqncias, srias e at graves.E, pois que tratarei tambm, e, principalmente, do espiritismo de linha,na formula da Linha Branca de Umbanda: - salve a quem tem f; salve aquem no tem f. -8-
  • 9. II OS PERIGOS DO ESPIRITISMOOs perigos atribudos ao espiritismo so mais aparentes do que reais.A perturbao ou desequilbrio nervoso causado pelo receio de verfantasmas desaparece com a freqncia s sesses, onde o trato comos desencarnados habitua as manifestaes de sobrevivncia da alma,repondo-as na ordem das coisas naturais. Mas as sesses nem sempredespertam aquele receio, e conforme a natureza da reunio, algumas,empolgando pela beleza ou surpreendendo pelo exotismo dascerimnias, no inspiram mesmo a quem as assiste pela primeira vez,idia de morte, ou cemitrio, pensamento em duende ou defunto.Em relao loucura, no conheo um s caso determinado pelafrequncia de centros espritas. Conheo, exato e numeroso, os deloucos que, tendo sido levados as sesses, no ficaram curados e foraminternados nos hospcios com sendo vitimas do espiritismo.Desprezaram-se, para isso, todos os antecedentes para dar realce, comnimo combativo, ao efmero contato desses doentes com os mdiuns.No se deve confundir a loucura com a obsesso. A loucura consequncia de uma leso, ou a resultante do desequilbrio de funesorgnicas. A obsesso , atravs de diversas fases, a ao de umaentidade espiritual sobre um individuo encarnado, visando prejudic-lo.Essa influncia comea por uma simples aproximao, que se tornalesiva pela qualidade dos fluidos lanados pelo agente sobre o paciente;passa, depois, a atuao, e a inteligncia deste se ressente dassugestes daquele; atinge, com freqncia, a posse, em que oobsedado se submete a um domnio estranho, e no raro a suapersonalidade se afunda e desaparece, substitudo, em seu corpo, sem -9-
  • 10. ruptura dos elos essenciais a existncia material, o seu esprito por outroesprito.A obsesso que se confunde com a loucura no determinada peloespiritismo, e s o espiritismo pode cur-la. fora dos recintos espritas,no ambiente livre ao de todas as entidades, que as pessoaspossuidoras de predicados medinicos, e tambm as que no ospossuem, so dominadas pelos obsessores que as levam para oshospcios, se no as socorre a caridade dos espiritistas.Certas pessoas fazem leituras espritas no isolamento, e, sofrendoabalos que lhes despertam foras psquicas, adormecidas, sentemangustias, anseios, perturbaes aflitivas. Para esse estado h recursosde eficcia quase imediata.Em algumas sesses, quando se intensifica o trabalho de naturezafludica, os indivduos que se iniciaram nelas experimentam, segundo asua constituio, uma sensao esquisita de mal-estar, porm, ostrabalhadores do espao, e mesmo os da Terra, facilmente os acalmam,harmonizando-lhes os fluidos com os do ambiente.Alarmam-se as famlias, observando a agitao dos doentes espirituaisnos dias em que devem comparecer as sesses, mesmo quandoignoram que vo assisti-las. Isso representa e exprime a reao dasentidades que o molestam, empenhando-se em impedir-lhes o acesso aum lugar onde elas sero reprimidas e afastadas.Tambm depois do tratamento, j liberto dos obsessores, o reintegradoem si mesmo, cai em mole prostrao e necessita, muitas vezes,revigorar-se com tnicos, porque o seu organismo se ressente daausncia de fluidos alheios do mesmo modo que se perturba, com asupresso do lcool, o organismo de um brio.Perigos reais no espiritismo s os h para os mdiuns que desviam avida social e cometem erros conscientes. Esses, perdendo a assistnciados espritos protetores, ficam sendo espelhos em que se refletem todosos transeuntes. - 10 -
  • 11. III AS SUBDIVISES DO ESPIRITISMOO espiritismo no Rio de Janeiro, como em toda parte, varia emmodalidades, dividindo-se em ramificaes.Possumos, nesta capital, centros ligados pela orientao e pelos ritos tradio dos velhos tempos egpcios. Temos as diversidades das lojasteosficas, a que fao, com simpatia, estas referncias receosas, pelodever de constatar-lhes a existncia, pois muitos teosofistas no gostamde ser confundidos com os espritas. Contam-se, tambm, institutosmoldados com adaptaes locais sobre antigos modelos indianos.O espiritismo cientifico, com o rigor integral de suas pesquisas, omenos cultivado na antiga capital do Brasil, certamente pelos pendoresreligiosos de nosso povo.O kardecismo, que reputa os seus aderentes os nicos praticantes dadoutrina, como a pregava Allan Kardec, igualmente varia, onmodo1, emseus processos e prticas. H centros representativos da intransigentepureza do espiritualismo sem liga, e os h revestidos de altiva nobrezaintelectual, a par dos humlimos, constitudos dos chamados pobres deesprito.1 Que no tem restries; ilimitado. - 11 -
  • 12. IV A TRANSFUSO DO PENSAMENTOO ativo labor dos centros espritas, sendo vrio, consagrado,uniformemente, aos menos em inteno, ao bem estar e a felicidade doprximo.Fazem-se, em certas sociedades, e, sobretudo em algumas entroncadasno velho Oriente, concentraes telepticas coletivas, sempre comobjetivos elevados, tendo em vista efeitos determinados.Denominam-nas, s vezes, mentalizaes, outras, volies; no raro,volatilizaes, e na maioria dos grmios, concentraes.Consistem elas em transmitir a dada pessoa, com o fim de influirbeneficamente em sua conduta, uma onda forte de pensamento, muitasvezes carregada de magnetismo, que a envolva, sugerindo-lhe primeiro,e conduzindo-a depois, s realizaes dos atos julgados necessrios sua felicidade, ou a de outrem.Assim, num agrupamento reputado entre os adeptos do espiritismo,consagra-se uma sesso semanal diurna harmonia dos lares,procurando, durante duas horas, por meio dessas correntes telepticas,reajustar os elos de unio dos casais em desentendimento.Talvez haja quem no acredite na eficcia desse generoso esforo, masa minha impresso, baseando-se em pacientes observaes, que somuitssimos os casos em que os transmissores obtm xito completo, enumerosos aqueles em que conseguem atenuar dissdios e desavenasdomsticas. - 12 -
  • 13. Com as mesmas designaes, e mediante o mesmo processo, procura-se reabastecer de fluidos, distncia, um indivduo de foras psquicasdepauperadas.Neste caso, as mentalizaes so comparveis a transfuso do sanguecom que um indivduo sadio concorre fraternalmente para a restauraode um enfermo, e quem as faz tambm se despoja, em benefcio doprximo, de energias necessrias ao equilbrio de seu organismo. Ospraticantes das mentalizaes, porm, fazendo-as coletivamente, no seexaurem, e com facilidade, ajudados, s vezes, pelos seus guias,mediante o simples repouso das horas noturnas, readquirem os fluidoscom que acudiram o irmo abatido e prostrado.Alis, em todos os centros, ocorre diariamente esse fenmeno datransfuso de energias psquicas aos dbeis e doentes, pois na maioriados casos, os passes so, sem que o saiba com clareza quem os d,uma satisfao da pobreza enfermia de uns, com a abundnciasaudvel de outros.E no s nos centros, principalmente nos lares que se opera, nostransportes do carinho materno, esse milagre de transfuso. Junto aoleito dos filhos atingidos pelas molstias, as mes, no desesperadoreceio de perd-los, desprendem de seu organismo poderosas ondas defluidos magnticos, que os envolvem e completam a ao dos remdios. - 13 -
  • 14. V OS MDIUNS CURADORESH quase totalidade das crianas revela portentosos predicadosmedinicos, porm s uma pequena minoria de adultos constituda demdiuns. Assim, na quase totalidade dos indivduos, a mediunidade seembota precocemente. Devemos, porm, consider-las uma faculdadeconcedida generalidade nas criaturas humanas, em grau diferente,dependendo o seu aproveitamento das circunstncias adversas oufavorveis de cada existncia.Parecem, a primeira vista, que para defender e conservar amediunidade deveramos desenvolv-la na meninice. A experincia e osguias ensinam o contrrio, pois o desenvolvimento em tenra idadeperturba e compromete o organismo em constituio. As crianas, antesdos 12 anos, no devem ser admitidas nas sesses que no sejam depreces, ou doutrinao, pois nas outras, basta o reflexo dos trabalhospra lhes abrir a mediunidade, e, portanto, prejudic-las.Entre os mdiuns, os mais conhecidos e procurados so, naturalmente,os curadores, os receitistas (Mdiuns receitistas: tm a especialidade deservirem mais facilmente de intrpretes aos Espritos para asprescries mdicas). Importa no os confundir com os mdiunscuradores, visto que, absolutamente, no fazem mais do que transmitir opensamento do Esprito, sem exercerem por si mesmos influnciaalguma). A medicina os combatem e a justia os perseguem. Semexaminar, nestes escritos, os direitos daquelas, e as razes desta, direi,apenas que a mediunidade curativa se exerce em nome da caridade eno pode ter por objetivo neg-la aos mdicos, tirando-lhes, comoconcorrente gratuita, os recursos de subsistncia. - 14 -
  • 15. Logicamente, dentro da doutrina, deveriam recorrer aos mdiunscuradores, em primeiro lugar, os pobres destitudos de meios pararemunerar o clnico profissional; depois os enfermos julgados incurveis,e, por fim, os crentes cuja f exigisse o tratamento espiritual. Sob essecritrio, a caridade continuaria a ser feita, conforme as necessidadesreais dos doentes; no seria o mdico atingido nos seus privilgios, nema cincia perderia o estimulo pecunirio ao progresso.Os mdiuns curadores receitam por intuio, audio, incorporao, oumecanicamente. Os intuitivos, em face do doente ou do seu nome,recebem do esprito que o examina a indicao teleptica domedicamento a ser aplicado; os outros a ouvem. Nos mdiuns deincorporao o prprio esprito quem diretamente escreve ou dita areceita ao consulente. Nos mecnicos ainda o esprito que lhes toma edomina o brao para escrever.Aqueles que muitas vezes se enganaram em diagnsticos e tratamentosno admitem equvocos em receitas medinicas, e, geralmente, no osh nessas prescries, pois s alcanam permisso para o exerccio damedicina os espritos em condies de no prejudicar os enfermos comerros e deficincias. Os receitistas do espao muitas vezes so mdicosque na vida terrena restringiram a clnica, e, por consequncia, aosbenefcios provenientes dela.A perseguio oficial contra o receiturio medinico produziu um efeitoimprevisto: o desenvolvimento, sem possibilidade de represso, dateraputica fludica, ministrada, se assim se pode dizer, pela ao diretadas entidades espirituais sobre os organismos enfermos. grande, elevadssimo, o numero de mdicos que professam oespiritismo. Muitos so mdiuns e receitistas; os outros muitas vezesrecorrem queles medianeiros, considerando-os consultores. Entre osmdicos no espritas muitos admitem e at constatam as curasoperadas mediunicamente. Alguns frequentam os centros espritas nodesejo de estudar os processos com que se restauram pessoas por elesreputadas incurveis. - 15 -
  • 16. A um desses clnicos acompanhei, por algum tempo. Curioso,avidamente observando os trabalhos dizia, em face dos resultadosobtidos:- Eu acho isso tudo absurdo, mas devo estar em erro, porque no fim saicerto.No terceiro ms de suas investigaes, descobriu que tinha qualidadesde mdium, e quis aproveit-las, na esperana de facilitar as suaspesquisas. Comeou a receber espritos. Eu marcava, no relgio, a horade sua incorporao e a da desincorporao. O maior perodo daqueladi de uma hora e vinte minutos. Ao reintegrar-se em sua personalidade,perguntou-me: - Que fiz nessa hora? No me lembro. Parece-me que estive dormindo, mas estou cansado. O meu protetor trabalhou? - Trabalhou e brilhantemente.Srio, o mdico considerou: - Pode ser que ele faa maravilhas, mas desde com o meu corpo, e sem o meu conhecimento, no me serve a companhia:Acrescentou: - Os espritos so egostas, no revelam o que sabem. Aqui no se aprende nada. Deixo a Tenda e deixo o espiritismo.E confessou num sorriso: -Estou quase arrependido de ter emprestado o meu corpo. Receio que esse ilustre defunto possa encarapitar-se no meu lombo, sem o meu consentimento, e faa brilharetos2 que me comprometam.Foi dissipado esse receio.2 Atuao ou posio brilhante - 16 -
  • 17. VI MATERIALIZAOO estudo cientifico do espiritismo, com objetivo experimental, no deveser feito em locais onde se realizem trabalhos espritas de outranatureza. Sei, por experincia prpria, que nos centros de caridade osresultados dessas tentativas so mais ou menos precrios, pois osespritos chamados sofredores invadem o recinto e perturbam asobservaes, sem que a finalidade dos centros permita afast-los.Todos os pesquisadores que no Brasil chegaram constatao positivados fenmenos de materializao efetuaram suas experincias eminstalaes especiais.O ilustre mdico Dr. Oliveira Botelho, ministro da Fazenda, no ltimogoverno constitucional, viu operar-se diante de seus olhos aressurreio transitria de uma de suas filhas, por ele conduzida aocemitrio, sendo tambm consagradas pelo xito pleno, outras dasexperincias realizadas sob fiscalizao rigorosa pelo sbio, engenheiroDr. Amrico Werneck, e algumas das quais assisti.O Dr. Werneck mandara preparar instalaes adequadas fiscalizao,gradeando-as a ferro. Coube-me, de uma feita, a incumbncia deexerc-la. Abri e fechei a nica porta de acesso ao recinto, conservandocomigo a chave; introduzi na sala as outras pessoas convidadas para areunio; examinei o camarim destinado a reteno do mdium; a mesa eas seis cadeiras existentes na sala.Para no dar carter religioso reunio, o Dr. Werneck no fez a preceinicial das sesses espritas, limitando-se a pedir aos crentes quefizessem breve orao mental. Entramos no recinto, sob a minhafiscalizao, seis pessoas alm do mdium, e meia hora depois ramos - 17 -
  • 18. doze, sendo que as seis que eu no introduzi, moviam-se a maneira desombras hercleas, falando entre si. Duas delas em seguida assumirampropores normais de estatura. Pergunto-lhes o diretor dos trabalhosse lhes serias possvel fazer ressoas o teto da sala e, imediatamente,por cima de nossas cabeas, estrondearam golpes fortes, repetindo-sepor muitas vezes. Aproximando-se do lugar onde eu me achava,observou uma das sombras de contornos humanos:Est com medo que lhe roube a chave.Eu apertava, de fato, por dentro do bolso, a chave da porta da sala deexperincias.Dissipados esses fantasmas, ocorreu o fenmeno principal da noite.Uma pulverizao lactescente de luas cintilou na escurido da sala,traando, medida que se condensava em desenho ntido, uma figurahumana, ate que transformou, aos nossos olhos, numa linda mulhermoa, de longos cabelos soltos, vestindo um roupo branco rendado.Era, disseram-nos, a esposa do Dr. Werneck falecida aos 25 anos, eno deixava de ser emocionante a sua apario, na plenitude damocidade, ao lado do esposo septuagenrio. - A Judith, tinha um caminhar embalado, disse um dos assistentes, habituado as materializaes desse esprito. - Judith, ande um pouco, pediu o engenheiro.E, num circulo de luz espiritual, que a tornava plenamente visvel, aressurreta percorreu a ampla extenso do recinto, agitando emondulaes a brancura de suas vestes, e como eu era um dospresentes, que no assistira as suas materializaes anteriores,acercou-se de mim. - Veja. Ser a mo de uma morta? E tocou-me na mo.Era tpida. Louvei as rendas de seu vesturio, e ela, erguendo o brao,em curva graciosa, estendeu-as; a da manga, sobre as minhas mos: - 18 -
  • 19. - Pode ver. So antigas.Ousei insinuar: - Como seriam as sandlias, no seu tempo... - No meu tempo eram chinelas, respondeu, e caminhando at a mesa existente no fundo da sala, voltou uma pequena bilha e um copo.Ofereceu e serviu gua a todos os assistentes, trocando frases comeles, e depois de cumprimentar-nos, avisando que se retirava, reps abilha e o copo na mesa, e comeou a esbater-se, desfazendo-se atdesaparecer.Tambm no Estado do Par, em Belm, antes das desta capital,verificaram-se e foram at oficialmente constadas em atas assinadaspelo presidente e pelo chefe da policia do Estado, admirveismaterializaes alcanadas com a mdium Anna Prado. Testemunhou-se tambm, e descreveu-as, o Sr. M. Quinto, que fez uma viagem aonorte para observ-las e viu um esprito materializado modelar a moem cera de carnaba, quente.Os guias que trabalham com o Dr. Werneck, disse-me este, eramenviados de Joo, o esprito que trabalhava com D. Anna Prado. Deve,pois, haver analogia entre as materializaes desta capital e as deBelm, que o Sr. M. Quinto assim descreve:A ansiedade do auditrio era grande, profundo silncio, quando algumexclamou: - Eis o fantasma, a desenhar-se no canto da cmera escura, direita. No o v? No vamos... Olhe agora, ali, no outro canto, junto parede.De fato, no canto indicado a nossa frente, oscilava como que um lenol,uma massa branca, que se foi condensando; e resvalando-se, cosida aparede no havia trs metros da cmara ao lugar em que meencontrava chegando ao ponto em que estavam os dois baldes j de - 19 -
  • 20. ns conhecidos e uma garrafa com aguarrs, destinada a temperar acera para a confeco dos moldes e flores.O fantasma, sempre mais ntido, insinua-se bem perto, estaca de frontedo balde. Fixamo-lo a vontade: era um homem moreno, orando pelosseus 40 anos, trazendo a cabea um capacete branco, pelas mangaslargas de amplo roupo tambm branco, saiam-lhe as mos trigueiras egrandes. Os ps, no lhos divisamos.Chegou, cortejou, palpou os baldes, ergue com a mo direita o quecontinha a cera quente com a esquerda, elevando a garrafa de aguarrs altura do rosto, como que dosou o ingrediente. Depois se arriando obalde, como para confirmar o seu feito, arrastou-o no cho, produzindo orudo caracterstico natural. Os seus gestos e movimentos eramperfeitos, naturais, humanssimos, como se ali estivesse uma criaturahumana. Isto posto, afastou-se e conservou-se a um canto da cmaraescura, enquanto do outro canto surgia uma menina de seus treze anos,que d o nome de Anitta.Assim, tivemos uma dupla manifestao. Visveis ao mesmo tempo,Joo, um homem, e Anitta uma quase criana, enquanto ouvamositerativamente o mdium suspirar na cmara escura e o Sr. M. Quintolargamente descreve as atitudes e ao dos fantasmas, nessa e emoutras reunies.De algumas das materializaes verificadas em Belm, tiraram-sefotografias, mediante uma frmula especial, constante do livro Otrabalho dos mortos do Senhor Nogueira de Faria.Como se sabe, o esprito se materializa com os fluidos do mdium.Entrando este em transe, comea a constituio do fantasma, e aopasso que a sua forma se acentua, o mdium como que de perece, svezes respirando em haustos e, no raro, exalando suspiros quaseangustiosos. Os guias desses trabalhos exigem que no se aperte amo, nem rgo algum do esprito materializado, porque imediatamenteo mdium se recente e com freqncia adoece. - 20 -
  • 21. VII O COPO, A PRANCHETA, A MESAOs fenmenos de efeitos fsicos so vulgares, sendo facilmenteverificveis em qualquer ambiente, porm nos centros espritas cariocasso estudados apenas esporadicamente, por um ou outro pesquisadorocasional.Quase todas as famlias, ainda as que no so espritas, conhecem eno raro efetuam as experincias do copo, da prancheta, ou da mesa.As duas primeiras se assemelham. Escreve-se o alfabeto em crculo,destacando-se cada letra, e ao centro da roda se coloca o copo, dos devidro ou cristal, sempre pequeno, ou a prancheta, e sobre aquele, emcontato leve, um dedo, ou sobre esta, a mo. O esprito, porincorporao incompleta, ou pela posse e domnio parciais dos rgosnecessrios, impulsiona o brao do mdium, conduzindo o copo ou aprancheta s letras precisas para a formao das palavras tradutoras doseu pensamento. Mas o mais aconselhvel, por dar menos motivos sdvidas, o esprito operar somente com os fluidos do mdium, quepode ficar de olhos fechados acompanhando-o, porm, com o brao, osmovimentos do copo ou da prancheta que lhe levam a mo, orientando-a.Mas, em circunstncias favorveis, sendo homognea a corrente depensamento, a prancheta e o copo se movem e deslocam, atingindo asletras, sem contato das mos do mdium.Uma ocasio em nossa casa, a conselho de um esprito, para atenuar aperturbao de pessoa de nossa famlia, fizemos uma experinciavulgar com uma pequena mesa de trs ps, e como o exerccio setornasse montono, enervando-nos, tentamos trabalhos mais difceis, - 21 -
  • 22. sem grande confiana em seu resultado. Adaptamos um lpis a umacaixa de fsforos, perfurando-a; pusemos esse engenho sobre umafolha de papel e o mdium abriu as mos por cima do lpis, encaixado,sem toc-lo, a um palmo de altura. Em menos de cinco minutos,ouvimos a caixa estalar, como se comprimissem, e vimo-la, em seguida,mexer-se, e, fazendo presso sobre o lpis, escrever: Com Deus.Nas experincias com a mesa, geralmente a volatilizao dos fluidos domdium se faz pela regio do plexo solar e, sem perder a ligao com oaparelho humano, se condensa numa coluna que se apia no solo esobe, levantando a mesa. A energia desses fluidos, conforme aconstituio do mdium, alcana a sua potencialidade mxima, numperodo que varia entre cinco e quinze minutos.Quando fiz pesquisas dessa natureza para estudar os trabalhos fludicosdos espritos que se apresentam como sendo de caboclos e pretosobtive demonstraes interessantes.Sabeis, perguntou-me uma vez o guia, que no corpo humano h umelemento, propriedade, essncia, ou fluido, que desintegrado dele temmais fora do que o prprio organismo integrado? - Teoricamente, respondi.Chamou um dos mdiuns, uma moa franzina de 21 anos, e mandou-acolocar as mos sobre uma mesa para dezesseis pessoas, que emmenos de dez minutos se elevou a altura tal, que o mdium, para noperder-lhe o contato, teve de erguer os braos e ficar quase em pontasde ps. Concluda essa fase da prova, mandou o guia o mesmo mdiumlevantar a mesa com os braos, naturalmente, e a senhorita, noobstante os seus esforos, s lograva alar-lhe numa das cabeceiras, ouum dos lados, mas nunca o todo.Grawport, na Irlanda, conseguiu que os espritos extrassem o fluido deum mdium, para pes-lo. Postos, este, numa balana, e aquele emoutra, a que recebia os fluidos acuso o peso de 28 quilos e a do mdiumassinalou em seu peso uma diminuio correspondente, mas a - 22 -
  • 23. experincia foi suspensa porque o paciente comeou a sofrer angustiase aflies, com ameaas de vertigem.O transporte de objetos de um para outro lugar, atravs de distnciasvrias, e que no tive oportunidade de estudar convenientemente, feito, segundo os espritos, mediante um processo de desmaterializaoe rematerializao. - 23 -
  • 24. VIII FENMENOS DE MATERIALIZAO E EFEITOS FSICOS ESPONTNEOSOs fenmenos chamados de efeitos fsicos e os de materializao, quetantos cuidados e precaues exigem nos recintos especiais, ocorrem,muitas vezes, espontaneamente, em stios imprprios e ambientedesfavorvel, sem corrente que os auxilie.J os verifiquei, em circunstncias vrias. Uma noite, para citar um casode minha observao pessoal, embora feita por acaso, achando-me aescrever num quarto onde dormia um mdium, ouvi um rumor e,olhando em torno, vi que se abriam as portas de um guarda-roupa e quede dentro saa, sem que ningum o movesse ou tocasse, um daquelesformidveis volumes contendo fac-smiles dos documentos daIndependncia do Brasil e mandados pblicos pela prefeitura do Rio deJaneiro. O livro, que estava encostado ao fundo do mvel, por detrs deduas caixas de chapus, saiu sem as deslocar e foi recostar-se a umaparede, onde ficou at a manh seguinte. Como e por que aconteceuisso?Vai para alguns anos, o ilustre jornalista Horcio Cartier, que prefaciouas minhas reportagens sob o ttulo No mundo dos espritos, levou-me aum cavalheiro que testemunhava fenmenos impressionantes. Solteiro,o senhor em questo, morando com irms tambm solteiras, em RealGrandeza, perto do cemitrio de So Joo Baptista, foi obrigado amudar-se, porque em sua residncia, h horas mortas e sem que asportas se abrissem, apareciam pessoas estranhas. - 24 -
  • 25. Transferindo-se para uma rua situada nas vizinhanas do tnel doLeme, foi tambm forado a buscar outra morada, porque os mesmosfenmenos se repetiam na nova casa.Vi-o, com o meu amigo, num prdio de sua propriedade, Rua dosAndradas, onde funcionou por muitos anos disse-nos ele umapenso alegre de mulheres. Contou-nos, ento, que as coisas poucohaviam mudado com a ltima mudana. Freqentemente, hora dasrefeies, um brao de mulher, desnudo e alvo, com pulseira, os dedoscheios de anis, aparecia na mesa, e suspenso no ar, como se fosse deuma pessoa que ali estivesse sentada, retirava uma flor de um vaso, ese evaporava, deixando-a cair. Disse-nos que era vulgar o aparecimentode mos delicadas segurando a cortina que separava a sala de jantar dade visitas e que uma ocasio sentiu-o correr por inteiro, e viu umaformosa mulher, muito branca, num luxuoso vestido de baile,emoldurada nos umbrais (ombreiras) sem portas.O mdium solitrio constatava com serenidade os fenmenos, e, aoverific-los, assegurou, no sentia a mais leve sombra de medo, que,porm, naquele tempo andava aborrecido e contrariado, porque debaixode seu leito rangiam e se arrastavam correntes que ningum conseguiaver, mas que no deixavam dormir.O depoente era um homem discreto e reservado, de altaresponsabilidade no comrcio, e no me permitia relatar o seu caso,tendo entrado em contato comigo na esperana de que eu lhefornecesse elementos para encontrar e explicao dos fenmenos forado espiritismo. No acreditava em espritos.Os fatos por ele narrados, iguais a centenas, que enchem os livros,indicam que nem sempre necessrio produzir-se, no mdium, otranse, ou o sono hipntico, para que se realize a materializao. - 25 -
  • 26. IX A CURA DA OBSESSOCura-se a obsesso, nos centros kardecistas, branda e lentamente,mediante a doutrinao do obsessor, e, como este freqentemente temnumerosos companheiros, o doutrinador tem de multiplicar os seusesforos.O obsessor, quando se atirou a pratica do mal, usou do livre arbtrioconcedido por Deus a todas as criaturas, e o kardecista, no seurigorismo doutrinrio, procura demonstrar-lhe o erro, encaminhando-opara a felicidade. E, nesse elevado empenho, discute, ensina, pede, atconvenc-lo.O obsessor sempre resiste e cede demoradamente. Por isso e pararestaurar as foras fsicas do obsedado, o kardecista, paralelamente doutrinao, faz um tratamento de passes. Assim, cura o paciente e aomesmo tempo regenera o agente do malefcio.Na Linha Branca de Umbanda, o processo mais rpido. O kardecista um mestre; o filho de Umbanda um delegado judicirio. Entende quepode usar do seu livre arbtrio para impedir a prtica do mal.O esprito, o protetor, , na Linha Branca de Umbanda, quem seincumbe da cura. Inicialmente, verifica o estado fisiolgico do enfermo,para regular o tratamento, dando-lhe maior ou menor intensidade. Emseguida, aconselha os banhos de descarga, para limpeza dos fluidosmais pesados, e o defumador para afastar elementos de atividademenos aprecivel. Investiga, depois, a causa da obsesso e se aencontra na magia, realiza imediatamente o trabalho propiciatrio deanulao, e igual ao que determinou a molstia. Freqentemente, basta - 26 -
  • 27. esse trabalho para libertar o obsedado, que fica, por alguns dias, emestado de prostrao.Se a causa da doena (permitam-me o vocbulo) era antiga e o doenteno se refez logo, e nos casos que no so ligados a magia, o protetorafasta o obsessor, manda doutrin-lo, e se o rebelde no se submete levado para regies, ou estaes do espao, de onde no podecontinuar a sua atuao malfica.No raro, quando o obsedado no assiste sesso em seu benefcio, oprotetor, atraindo-o durante o sono, por um processo magntico, traz oseu esprito reunio, e incita-o a reagir contra os estranhos quedesejam domin-lo, mostra-lhe que no est louco e que deve provar,com a sua conduta, a sua integridade mental. medida que os obsessores so afastados, para que o organismos dopaciente no se ressinta da falta dos fluidos que lhe so retirados,fazem-se lhe passes, e, finda a sua incumbncia, com a restituiodaquele a si mesmo, pede-lhe o protetor que procure qualquer mdicoda Terra ou do espao, para seguir um tratamento reconstituinte, se aobsesso o depauperou. - 27 -
  • 28. X O FALSO ESPIRITISMOConsideram alguns, falso espiritismo, o que se pratica fora de certasregras ou moldes, e como os processos variam, nos diferentes centros,e cada grupo julga o seu mtodo timo e legtimo, esse critrio restritivorestringiria o espiritismo verdadeiro a quatro ou cinco ncleos, que cadaqual dos crentes diria ser o seu, e os de sua predileo.Em meu conceito, o falso espiritismo tem duas faces: - a deturpao dadoutrina e o fingimento sistemtico de manifestaes de espritos.Ajustam-se essas duas faces num s rosto, constituindo a fisionomiados exploradores que enganam e roubam os ingnuos ou ignorantes.H profissionais dessa explorao. Indivduos audazes, e quase semprede uma ignorncia rebarbativa, dizendo-se em comunicao comespritos, tecem histrias em torno do que lhe contam os consulentes e,desorientando-os, inventam cerimnias complicadas a que atribuemefeitos mgicos correspondentes aos objetivos de quem as paga. svezes, os fatos em desdobramento independente da influncia doembusteiro, coincidem com as suas promessas e logo a sua fama sealastra, consolidando a sua reputao.Esses impostores podem chegar ao espiritismo por duas vias: algunspossuem predicados medinicos e desenvolvendo-os, sem que osintam, no esforo enganador de suas prticas, acabam sob o domniode espritos que os conduzem ao resgate, ou os convertem eminstrumentos terrficos, conforme a categoria dessas entidades. Osoutros, que no so mdiuns, terminam encontrando-se com um dessesaparelhos humanos, e, por intermdio dele, entram em contato comespritos que, elevados ou no, sempre conseguem submet-los aos - 28 -
  • 29. seus fins. Os exploradores vivem, pois, entre duas ameaas, a da Terrae a do espao; a da polcia, que os encarcera, e a do esprito, que lhesquebra a vontade, escravizando-o. Tais criaturas raro chegam regenerao, numa existncia, e desencarnaram na situao de misriamoral proveniente de sua atividade.H mdiuns que se equiparam aqueles negociantes de mistrios,exercendo, por dinheiro, faculdades de que s se devem utilizargratuitamente em benefcio do prximo, porm se esses transviados sepersistem em seu comrcio so abandonados de seus protetores, ecaem sob o poder de espritos capazes de invalid-los na sociedade, eque, s vezes, os obrigam a retornar aos centros, para lhes seremarrancados e afastados os novos atuantes de sua mediunidade.Certos mdiuns mistificam por fanatismo: - quando o esprito, porqualquer causa, no se aproxima, ou no incorpora, receiam que osassistentes da cena percam a crena ou no se convertam aoespiritismo e para que isso no acontea, comprometem, ao mesmotempo, a sua doutrina, o esprito e o seu nome, com um ato lamentvelde fingimento. Outros, por vaidade, cometem essas tristes mistificaes,sendo sempre desmascarados, pois o mdium no capaz de produziro que o seu protetor produz. Alguns erram, sem a inteno deliberadado embuste, por simples curiosidade: - ouvem dizer que o seu guia, fezeste ou aquele trabalho de beleza ou resultado excepcional, e, naprimeira sesso, sob o desejo de ver o que os companheiros admiraram,no permitem ao trabalhador a incorporao completa, e prejudicam oseu labor. - 29 -
  • 30. XI O BAIXO ESPIRITISMOEnquanto os homens no atingirem a um grau uniforme de cultura, nopoder haver uniformidade de processos e de objetivos nas assembliasespritas constitudas por elementos da Terra e do espao, segundo osprincpios da lei das afinidades, visando s necessidades desiguais dascriaturas humanas.Uma sesso esprita de mdicos no pode ser igual a uma deestivadores, mas porque os mdicos pairem em esfera intelectual maiselevada, no seria justo privar os estivadores do consolo sentimental edas vantagens morais do espiritismo.Meter os trabalhadores na reunio dos sbios seria desloc-los de seumeio, e at incompatibiliz-los com a doutrina, pois, nesse ambiente, oseu ensino e explanao seriam feitos atravs de conhecimentos evocbulos inacessveis inteligncia dos operrios. certo que as sesses espritas no se organizam por classes sociais,porm, os indivduos de diversas categorias que as constituem ligam-se,mais ou menos, entre si, pelas afinidades. preciso ainda, considerar que a cultura moral e a intelectual nemsempre andam juntas. Em geral, nas reunies reputadas de baixoespiritismo, pela humildade de seus componentes, como pelaingenuidade de seus processos, o ambiente moral de purezatranslcida.A inteligncia e o saber dos espritos incumbidos da assistncia a umacomunidade so sempre infinitamente superiores a mentalidade do - 30 -
  • 31. grupo, mas o guia, para eficincia e frutificao de seu apostolado,transige com os educandos.Se os irmos reunidos em nome de Deus, pela fraqueza da inteligncia,por hbito mental, e at por motivos metafsicos, no podem conceber oesprito puro e exigem o ponto de referncia da imagem, o guia lhefaculta, mandando ergu-la e reverenciando, no local da reunio, o queela representa. E assim no tocante a linguagem, adulterando-a, paraque a compreendam e em tudo o mais.O Estado no tem interesse em combater esses humildes centros,porque a doutrina que neles se prega, no relativo aos poderes materiais, da obedincia absoluta lei e autoridade, mandando dar a Cesar oque de Cesar.Acredito que o interesse dos espritas que se reputam superiorestambm no esteja em agredir e desmoralizar essas modestasagremiaes, mas em entrar em convvio amistoso com o seusmembros, ensinando-lhes atravs da conversao, o que eles ignoram etambm aprendendo o que eles sabem.Tenho encontrado, nesses pobres centros, almas iluminadas... Um dia,na estao do Meyer, estava cado e ensangentado na rua um pobrehomem. Passaram, em multido apressada, olhando-o e deixando-o emseu abandono, as pessoas de todas as classes. E eu, que tambmpassava, olhei-o e deixei-o como os outros. Mas chamaram, alto, o meunome. Era um quarento moreno, de bigodinho, a camisa abertamostrando o peito suado, os instrumentos de trabalho enrolados nocasaco, debaixo do brao. Eu no o conhecia. - Vamos levar este irmo para a farmcia disse-me com confiana e naturalidade.Levamo-lo, a farmcia era perto, mas eu fiz um grande esforo: - oferido era pesado. Entregamo-lo ao farmacutico. O trabalhadorperguntou-lhe: - 31 -
  • 32. - Precisa de ns? - No. Vou socorr-lo at que venha a assistncia. J telefonei para o posto. - Ento, vamos ganhar a vida.Vendo realizar-se a parbola do Evangelho, perguntei ao desconhecidoquem lhe ensinara o meu nome. Disse-me que me vira num centropauprrimo fazendo uma conferncia.E outra ocasio, numa assemblia de humildes, quando terminei umaalocuo sobre a ignorncia de certos presidentes de ncleos espritas,o guia dos meus ouvintes, tomando o seu aparelho, apenas disse:Quando Jesus escolheu os seus discpulos, no os procurou entre osdoutores, mas entre os humildes.O baixo espiritismo no o dos humildes, o dos perversos, que opraticam por dinheiro, vendendo malefcios. - 32 -
  • 33. XII A FEITIARIAAlm dos muitos outros cientistas, Grawford, professor de mecnicaaplicada da Universidade de Belfast, pacientssimas experincias,provou que o corpo humano possui uma propriedade, ou fluido, que seexterioriza, e conseguiu fotograf-lo, exteriorizado.O coronel Rochas, conhecido sbio francs, no seu livro sobre aExteriorizao da Sensibilidade, e em diversas obras, enumeraexperincias comprobatrias daquelas. Conta ele que, exteriorizada asensibilidade de uma senhora e transportada para uma cadeira,passando-se a mo sobre o assento desse mvel, a senhora enrubescenum movimento de pudor. Acrescenta que, em prova semelhante,roando-se com a ponta de um alfinete a sensibilidade exteriorizada,agitou-se o paciente num gemido, ao mesmo tempo em que suaepiderme se assinalava o trao contundente do alfinete.E sobre essa propriedade, fluido ou sensibilidade suscetvel deexteriorizar-se, que o feiticeiro geralmente atua para atingir apersonalidade humana, podendo influir sobre o pensamento, causarmolstias, provocar a morte, e at beneficiar o organismo.O feiticeiro trabalha sem ou com o auxlio de espritos, de sua categoria,pelos princpios, mas dotados de formidvel poder de atuao fsica,favorecidos pela invisibilidade, que os torna clandestinos.Essas entidades so, freqentemente, colaboradoras espontneasdessas prticas, e por isso, muitas pessoas, sem que o preTendam,cometem atos anlogos aos da feitiaria, pois atraem com pensamentos - 33 -
  • 34. vigorosos esses auxiliares intangveis, que logo se transformam emagentes de vontades hostis ao prximo. por essa causa, e pela fora ativa do pensamento que a inveja,sobretudo comprimida, e o dio, principalmente o calado, causam, noraro, danos reais, sem que os seus cultores os manifestem em aesmateriais.Assim, qualquer indivduo pode descer a essas prticas, que noexigem, nos casos vulgares, conhecimentos especiais, bastandoateno, muita ateno para realiz-las. Quem as efetua, porm, seexpe a perigos, pois se o dardo que lanou encontra resistncia e repulsado, retorna, com redobrada violncia, contra quem arremessou.Quando o praticante se aventura a cometimentos que se aproximam damagia, que regulada por uma liturgia conhecida de determinadasentidades imateriais, multiplica-se aquele perigo, pois s vezes um errode insignificncia aparente, desencadeia, no espao, foras que opunem com o esmagamento.O feiticeiro um trabalhador emprico. Desconhece as causas, em seusfundamentos, e conhece os efeitos, em seus resultados. - 34 -
  • 35. XIII A MACUMBAA macumba se distingue e caracteriza pelo uso de batuques, a tamborese alguns instrumentos originrios da frica.Essa msica, bizarra em sua irregularidade soturna, no representa umacessrio de barulho intil, pois exerce positiva influncia nos trabalhos,acelerando, com as suas vibraes, os lances fludicos.As reunies no comportam limitaes de hora, prolongando-se, namaioria das situaes at o alvorecer. So dirigidas sempre por umesprito, invariavelmente obedecido sem tergiversaes, porque esthabituado a punir os recalcitrantes com implacvel rigor., de ordinrio, o esprito de um africano, porm tambm os h decaboclos. Os mtodos, seja qual for a entidade dirigente, so osmesmos, porque o caboclo aprendeu com o africano.Os mdiuns que ajudam o aparelho receptor do guia da reunio, svezes, temem receber as entidades auxiliares. Aquele ordena-lhes quefiquem de joelhos, d-lhes um copo de vinho, porm com maisfreqncia, puxa-lhes, com uma palmatria de cinco buracos, doisalentados bolos.Depois da incorporao, manda queimar-lhes plvora nas mos, que setornam incombustveis, quando o esprito toma posse integral doorganismo do mdium.Conhecendo essa prova e seus resultados quando a incorporao incompleta, apassivam-se os aparelhos humanos, entregando-se porinteiro aqueles que devem utiliz-los. - 35 -
  • 36. Os trabalhos, que, segundo os objetivos, participam da magia, oraimpressionam pela singularidade, ora assustam pela violncia,surpreendem pela beleza. Obrigam a meditao, foram ao estudo, e foiestudando-os que cheguei a outra margem do espiritismo. - 36 -
  • 37. XIV A MAGIA NEGRADespindo-se, atravs dos tempos, de sua imponente pompa litrgica, aMagia Negra conserva, por toda parte, a quase totalidade de seu poderterrfico de outrora.Como a Branca, que lhe adversa, a Magia Negra para consecuo deseus objetivos, opera com as foras da natureza, propriedades deprodutos da fauna e da flora do mar, de corpos minerais, de vegetais devsceras e rgos animais, com elementos do organismo humano, ecom atributos ou meios s existentes nos planos extraterrestres. A suainfluncia atinge as pessoas, os animais e as coisas.As entidades espirituais que realizam esses trabalhos possuem sinistrasabedoria, recursos verdadeiramente formidveis, e energia fludicaaTerradora.Um desses espritos tem se prestado experincias, no s diante deconhecedores do espiritismo, como perante pessoas de brilho social nocrculos da elegncia. Assim, tomando o seu aparelho, isto ,incorporando-se ao seu mdium, faz triturar com os dentes, sem ferir-se,cacos de vidro. Caminha, de ps descalos, sobre um esTendal defundos de garrafas quebradas, seno que, por duas vezes, convidados,levaram as garrafas e as quebraram, aguando lminas pontudas para opasseio do mdium.Ele demonstrou de uma feita, a um grupo de curiosos da alta sociedade,a importncia de coisas aparentemente insignificantes. Nos centros doespiritismo de linha, pede-se, durante as sesses, que ningum encruze - 37 -
  • 38. as pernas e os braos. Parece uma exigncia ridcula, e no o .Provou-o, o Exu.Quando, incorporado, passeava descalo sobre os cacos de vidro, parafazer compreender a transcendncia daquela recomendao, mandouque uma senhora tranasse a perna, e logo os pedaos de vidropenetraram, ensangentando-se, os ps que os pisavam.Para comprovar a fora dos pontos da magia (desenhos emblemticos,cabalsticos ou simblicos), produziu uma demonstrao sensacional.Escolheu sete pessoas, ordenou-lhes que se concentrassem semquebra da corrente de pensamento, riscou no cho um ponto edecapitou um gato, cujo corpo mandou retirar, deixando a cabea juntoao ponto.- Enquanto no se apagar esse ponto, esse gato no morre e essacabea no deixa de miar.Durante dezessete minutos, a cabea separado do corpo miavadolorosamente na sala, enquanto l fora, o corpo sem cabea se debatiacom vida. Os assistentes comeavam a ficar aTerrados. Ele apagou oponto, e cessaram o miado gemente da cabea sem corpo e asconvulses do corpo sem cabea.Tais entidades tem ufania de seu poder; so com freqncia, irritadiase vingativas, mas, quando querem agradar a um amigo da Terra, nomedem esforos para satisfaz-lo. As suas lutas no espao, porquestes da Terra, tem a grandeza terrvel das batalhas e das tragdias.Essa magia exerce diariamente a sua influncia perturbadora sobre aexistncia, no Rio de Janeiro. Centenas de pessoas de todas asclasses, pobres e ricos, grandes e pequenos, por motivos de amor, pormotivos de dio, por motivos de interesse, recorrem aos seus sortilgios.A poltica foi e continua a ser dos seus melhores e mais assduosclientes. - 38 -
  • 39. Durante a revoluo de So Paulo, essas hordas do espao travarampugnas furiosas, lanando-se umas contra as outras. As que semoveram pelos paulistas esbarraram com as que foram postas em aoem favor da ditadura e esses choques invisveis nos planos que osnossos sentidos no devassam, certo ultrapassaram, em mpeto, asarremetidas do plano material. Sobre o enraivecido desentendimentodas legies ditas negras, pairavam as falanges da Linha Branca deUmbanda e os espritos bons e superiores de todos os ncleos de nossociclo, levantando muralhas fludicas de defesa para que os governantesde So Paulo e do Rio no fossem atingidos pela perturbao, e naplenitude de suas faculdades, medindo a extenso da desgraa,compreendessem a necessidade de negociar e concluir a paz.Nesses dias da guerra civil, os terreiros da Linha Branca de Umbandatinham um aspecto singular: - estavam cheios de famlias aflitas, equase desertos de protetores, pois as falanges todas se achavam nocampo das operaes militares, esforando-se para atenuar abrutalidade da discrdia armada...A atividade da Magia Negra tem trs modos de ser contrastadas: aoposio de seus prprios elementos, a defesa a que se obriga a LinhaBranca de Umbanda e a atuao dos Guias Superiores.Creio que, perdendo a solene pompa do cerimonial antigo, a magiaperdeu em eficincia, porque a colaborao do elemento humanopensante e sensvel diminuiu. O homem que aspira ao domnio damagia necessita de aprofundar-se em estudos muito srios, sobretudoos da cincia, para conhecer as propriedades dos corpos, e suasafinidades, e precisa, ainda, desenvolver e governar, com intransignciade ferro, as faculdades da alma, as foras fsicas e as energias doinstinto. Isso no fcil, e o praticante da magia, em nosso tempo, temde subordinar-se, em absoluto, a vontade de um esprito, que, em geral,s lhe permite um lucro mesquinho. - 39 -
  • 40. Nessas condies o individuo que se poderia chamar o mago negrocada dia se tornara mais raro, desaparecendo, a pouco e pouco, ocontato da humanidade com essa ordem de espritos.Nos centros dessa magia, conforme a finalidade das reunies, osaparelhos humanos laboram vestidos, desnudos da cinta para cima outotalmente despidos. Trabalha-se com entusiasmo, at para o bem,quando lhes encomendam. - 40 -
  • 41. XVA LINHA BRANCA DE UMBANDA E DEMANDAA organizao das linhas no espao corresponde a determinadas zonasna Terra, por largos ciclos no tempo.Atendem-se, ao constitu-las, as variaes de cultura moral e intelectual,aproveitando-se as entidades mais afins com as populaes dessasparagens. Por isso, o espiritismo de linha se reveste, nos diversospases, de aspectos e caractersticos regionais.Nas falanges da Linha Branca de Umbanda e Demanda j seidentificaram ndios de quase todas as tribos brasileiras, sendo quenumerosos foram europeus em encarnaes anteriores,; pretos dafrica e da Bahia, portugueses, espanhis, muitos ilhus malaios,muitssimos hindus.Pode-se, no terreiro de Umbanda, estudando-se as manifestaes decaboclos e pretos, estabelecer as diferenas raciais, distinguir astendncias das mentalidades desses dois ramos da rvore humana,surpreender os costumes de seus povos e comparar as duaspsicologias.O caboclo autntico, vindo da mata, atravs de um aprendizado noespao, para a Tenda, tem o entusiasmo intolerante do cristo novo, intransigente como um frade, atirando a face os nossos defeitos e atcom as nossas atitudes se mete. Ouvindo queixas dos que sofrem asagruras da vida, responde zangado que o espiritismo no para ajudarningum na vida material, e atribui os nossos sofrimentos a erros efaltas que teremos de pagar. Mas, em dois ou trs anos de contato comas misrias amargas de nossa existncia, suaviza a sua intransigncia e - 41 -
  • 42. acaba ajudando materialmente os irmos encarnados, porque se condide sua penria e deseja v-los contentes e felizes.O preto, que gemeu no eito sob o bacalhau do feitor, esse no pode verlgrima que no chore, e quase sempre sai a desbravar os caminhosdos necessitados, antes que lhe peam. O negro da frica difere umpouco do da Bahia; aquele, na sua bondade, auxilia a quem pode,porm, s vezes, se irrita com os jactanciosos e com os ingratos, mas oda Bahia, em casos semelhantes, enche-se de piedade, pensando nasdificuldades que os maus sentimentos vo levantar na estrada de quemos cultiva.A Linha Branca de Umbanda e Demanda tem o seu fundamento noexemplo de Jesus, expulsando a vergalho os vendilhes do templo. svezes, necessrio recorrer energia para reprimir o sacrilgio,consistente na violao das leis de Deus em prejuzo das criaturashumanas.O homem prejudica o seu semelhante por inconscincia, ignorncia oumaldade. Nos dois primeiros casos, a Lei de umbanda, mandaesclarecer a quem esta em erro, at convenc-los de sua falta,impedindo-o, desde logo, de continuar a sua ao malfica. No segundocaso, reprime singelamente o perverso.Pra exemplificar: a polcia, com freqncia, sitia e fecha centrosespritas, ou que como tais se apresentam e prende os seuscomponentes. Quando o centro, como tantas vezes tem acontecido, da Linha Branca, o seu guia considera:- A autoridade cometeu uma injustia, sem a inteno de comet-la. Oseu desejo era cumprir o dever, defendendo a sociedade. Confundiu anossa linha com a outra, tratando-nos como malfeitores sociais.Devemos procurar esclarecer os poderes pblicos, para evitarconfuses semelhantes.Se a casa atingida pela perseguio policial pertencia magia negra, oque rarssimas vezes acontece, as entidades espirituais reagem e - 42 -
  • 43. castigam at com brutalidade os repressores de sua atividade. Hmuitos ex-delegados que conhecem a causa de desgraas que osferiram na situao social na paz dos lares.O objetivo da Linha Branca de Umbanda e Demanda a prtica dacaridade, libertando de obsesses, curando as molstias de origem ouligao espiritual, desmanchando os trabalhos de magia negra, epreparando um ambiente favorvel a operosidade de seus adeptos.Os sofrimentos que nos afligem so uma prova, ou provao, ou provmdos nossos prprios erros, ou da maldade dos outros. Em caso deprova, temos de suport-la at o limite extremo, e os filhos de Umbandaprocuram atenu-las, ensinando-nos a resignao, mostrando-nos abondade de Deus, que nos permite o resgate de nossas culpas sempuni-las com penalidades eternas, descrevendo-nos os quadros denossa felicidade futura. Se as nossas dores e dificuldades significamconsequncias de nossas faltas, os protetores de Umbanda nosaconselham a repar-las, conduzindo-nos com amor e pacincia, aoarrependimento. Na terceira hiptese, reprimem energicamente osmalvados que nos perseguem do espao para cevar dios da Terra. Nasangstias de nossa vida material, afastam de nosso ambiente,purificando-o os fluidos da inveja, da cobia, da antipatia e da inimizade.O tratamento da obsesso, as curas das doenas de natureza espiritual,constitui os trabalhos de caridade; os outros, os de demanda; porm, osdois so absolutamente gratuitos. Se algum mdium se esquece deseus deveres e recebe dinheiro, ou coisa correspondente, pela caridadefeita, pelo seu protetor, este se retira, abandonando-o entidades queem geral o reduzem a misria.A hierarquia, na Linha Branca, positiva, mantendo-se com severidade.Todos os seus dirigentes espirituais proclamam e reconhece aautoridade de Ismael, guia do espiritismo no Brasil.A incorporao sempre um fenmeno complexo, que se processamediante acidente psicolgico, fsico e espiritual, e tem na Linha Branca - 43 -
  • 44. de Umbanda a expresso mxima de sua transcendncia. Vulgarmente,basta que o esprito se assenhoreie dos rgos cerebrais, vocais, emanuais, ou de todos os chamados nobres, para fazer a comunicaoverbal ou escrita, e dar passes. Na Linha Branca, precisa apropriar-sede todo o organismo do mdium, porque nesse corpo vai vivermaterialmente algumas horas, movendo-se, utilizando-se de objetos, svezes suportando pesos. A incorporao na Linha Branca quase umareencarnao, no dizer de um esprito.Dir-se- que todos os socorros prestados pela Linha Branca poderiams-lo, sem os seus trabalhos, pelos altos guias, pelos espritossuperiores.Os espritos de luz que baixam Terra, e se conservam em nossaatmosfera orientam falanges ou desempenha outras misses, e nocontrariam, nem poderiam contrariar, desgnios em que se enquadramas funes de todos os servos da f, grandes ou pequeninos, se emalgumas situaes lhes permitido exercer a sua ao instantnea emfavor de quem soube merec-la, na maioria das circunstncias deixam oindivduo, pelas faltas do passado ou pelas culpas do presente,submeter-se ao que lhe parece uma degradao.Estamos numa poca amargurada de arrogante orgulho intelectual einsolente vaidade mundanaria, e, para abater a propasia dessesorgulhosos, os episdios de suas existncias se encadeiam de modo aarrast-los a implorar e a receber a misericrdia de Deus, por intermdiodos espritos mais atrasados, ou que como tais se apresentam. - 44 -
  • 45. XVI OS ATRIBUTOS E PECULIARIDADES DA LINHA BRANCAOs chamados atributos da Linha Branca de Umbanda e Demanda, emseu uso vulgar, causam viva impresso de extravagncia ridcula aspessoas de hbitos sociais aprimorados, convencendo-as do atraso dosespritos incumbidos de us-los. Mas essas prticas assentam emfundamentos razoveis. Procuremos esclarec-las, dizendo, do poucoque sabemos, o que nos for permitido divulgar.Antes, porm, conveniente estabelecer e afirmar que as imagensmuitas vezes existentes nos recintos das sesses da Linha Branca, norepresentam um contingente obrigatrio do culto, pois so, apenas,permitidas, ou, antes, significam uma concesso dos guias, tornando-se,com frequncia, necessrias para atender aos hbitos e predilees demuitssimas pessoas e de muitssimos espritos.Quando se coloca uma imagem num recinto de trabalho, celebra-se oseu cruzamento, cerimnia pela qual se estabelece a sua ligaofludica com as entidades espirituais responsveis pelas reunies.Renova-se essa ligao automaticamente sempre que h sesso,durante a qual a imagem se transforma em centro de grandes e belosquadros fludicos.Encaremos, agora, o assunto principal deste escrito.Linguagem A Linha Branca de Umbanda e Demanda tem um idiomaprprio, para regular o seu trabalhos, designar os seus atributos ecerimnias, e evitar a divulgao de conhecimentos suscetveis de usocontrrio aos seus objetivos caridosos. Em suas manifestaes, - 45 -
  • 46. conversando entre si, os espritos, para no serem entendidos pelosassistentes, empregam o linguajar de cabildas africanas, de tribosbrasileiras, das regies onde encarnaram pela ltima vez. No trato comas pessoas, excetuados os grandes guias, usam da nossa lnguacomum, deturpando-a a maneira dos pretos ou dos caboclos. Essestrabalhadores do espao desejam que os julguem atrasados, afim deque os indivduos que se reputam superiores e so obrigados a recorrer humildade de espritos inferiores percebam e compreendam a suaprpria inferioridade.Roupa Usam-se, em certos trabalhos, roupas brancas, para evitar oamortecimento e arritmia das vibraes, pelas diversidades decolorao. Pode-se acrescentar que os filhos de Umbanda aconselhamo uso habitual dos tecidos claros, pelas mesmssimas razes expressasno apelo dirigido, h anos pelo clube mdico desta capital, quando pediua populao carioca o abandono dos padres escuros.Calados Em certas ocasies, trabalha-se com os ps descalos,quando no possvel mudar o calado na Tenda, pois os sapatos comque andamos nas ruas pisam e afundam principalmente nas esquinasem fluidos pesados que se agitam como gazes a flor do solo, e quedificultam as incorporaes ou se espalham pelo recinto da reunio,causando perturbaes.Atitudes No se permite cruzar as pernas e os braos durante assesses, porque, como vimos na Magia Negra, essas atitudes quebramou ameaam violentamente a cadeia de concentrao, impedem aevoluo do fluido com que cada assistente deve contribuir para otrabalho coletivo; determinam, com essa reteno, perturbaes fsicase at fisiolgicas e impossibilitam a incorporao, quando se trata de ummdium. Ao descer de certas falanges, como em alguns atos dedescarga, sacode-se o corpo em cadncia de embalo, na primeirahiptese, para facilitar a incorporao, e na segunda para auxiliar odesprendimento de fluidos que no nos pertenam. - 46 -
  • 47. Guia um colar de contas da cor simblica de uma ou mais linhas.Fica, mediante o cruzamento, em ligao fludica com as entidadesespirituais das linhas que representa. Desvia, neutraliza ou enfraqueceos fluidos menos apreciveis. Periodicamente, lavado, nas sesses,para limpar-se da gordura do corpo humano, bem como dos fluidos quese aderiram, e de novo cruzada.Banho de Descarga Cozimento de ervas para limpar o fluido pesadoque adere ao corpo, como um suor invisvel. O banho de mar, em algunscasos, produz o mesmo resultado.Cachaa Pelas suas propriedades, uma espcie de desinfetantepara certos fluidos; estimula outros, os bons; atrai, pelas vibraesaromticas, determinadas entidades, e outros bebem-na quandoincorporados, em virtude de reminiscncia da vida material.Fumo Atua pelas vibraes do fogo, e do aroma. A fumaa neutralizaos fluidos magnticos adversos. freqentemente ver-se uma pessoacurada de uma dor de cabea ou aliviada do incomodo momentneo deuma chaga, por uma fumarada.Defumador Atua pelas vibraes do fogo, e do aroma, pela fumaa epelo movimento. Atrai as entidades benficas e afasta as indesejveis,exercendo uma influncia pacificadora sobre o organismo.Ponto Cantado um hino muitas vezes incoerente, porque osespritos que nos ensinam, o compem de modo a alcanar certosefeitos no plano material sem revelar aspectos do plano espiritual. Tem,pois, duplo sentido. Atua pelas vibraes, opera movimentos fludicos e,harmonizando os fluidos, auxilia a incorporao. Chama algumasentidades e afasta outras.Ponto Riscado um desenho emblemtico ou simblico. Atrai, com aconcentrao que determina para ser traado, as entidades ou falangesa que se refere. Tem sempre uma significao e exprime, s vezes,muitas coisas, em poucos traos. - 47 -
  • 48. Ponteiro um punhal pequeno, de preferncia com cruzeta namanda, ou empunhadura. Serve para calcular o grau de eficincia dostrabalhos, pois as foras fludicas contrrias, quando no foramquebradas, o impedem de cravar-se ou o derrubam, depois de firmado.Tem ainda a influncia do ao, no tocante ao magnetismo e aeletricidade.Plvora Produz, pelo deslocamento do ar, os grandes abalosfludicos.Pemba Bloco de giz. Usa-se para desenhar os pontos.Esses recursos e meios no so usados arbitrariamente em qualquerocasio, nem so necessrios nas sesses comuns. A plvora, porexemplo, s deve ser empregada em trabalhos externos, realizados forada cidade, ao ar livre. Nos ltimos anos, os guia no tm permitido queos centros ou Tendas guardem ou possuam em suas sedes pemba,punhais, ou plvora, concorrendo, com as suas instrues, para quesejam obedecidas as ordens das autoridades pblicas. - 48 -
  • 49. XVII O DESPACHOO despacho, nas Linhas Negras, um presente, ou uma paga, paraalcanar um favor, muitas vezes consistente no aniquilamento de umapessoa.Quando o feiticeiro trabalha sozinho, isto , sem o auxlio de espritos, odespacho representa uma concentrao que se prolonga, por diversasfases; se com esses auxiliares, visa atir-los contra o indivduoperseguido; se da magia, contm, ainda, os corpos cujas propriedadesdevem ser volatizadas.Assim, o despacho varia nos elementos componentes e na preparao,conforme o seu objetivo e a natureza das entidades que o realizam, ecomo as espirituais so materialssimas, e de gosto abaixo do vulgar, aoferta lhes revela essas qualidades. Pergunta-se, com espanto, seaqueles aos quais se destina a oferenda comem as comedorias que porvezes lhe so levadas. Certo, no as comem, mas extraem delaspropriedades ou substncias que lhes do a sensao de que ascomeram, satisfazendo apetites contrados na vida terrena, ouadquiridos no espao, pelo exemplo de outros, a que se abandonaram.O despacho exerce a sua influncia de quatro maneiras: pela aoindividual do feiticeiro, em contato fludico com a vtima; pela ao dasentidades propiciadas, causando-lhe exasperaes, inquietando-a,atacando-lhe determinados rgos, perturbando-lhe o raciocnio comsugestes telepticas, dominando-lhe o crebro, produzindo molstias eat a morte; pelo reflexo das propriedades volatizadas e corpos usadospela magia, e pela conjugao de todos esses meios. - 49 -
  • 50. A Linha Branca de Umbanda anula esses despachos por processoscorrelatos. Quando se trata da atuao individual do feiticeiro, desvia oseu pensamento, deixando-o perder-se no espao, para dar-lhe aimpresso de sua impotncia e evitar o choque de retorno, que lhedemonstraria que o seu esforo foi contrariado, estimulando-o arecome-lo. Propicia s entidades em atividade prejudicial, ofertando-lhes um despacho igual ao que as moveu ao malfico, afim de que elasse afastem do enfeitiado, e freqentemente faz outro despacho aosespritos das falanges brancas, mais afins com a pessoa a quem sedefende, com o objetivo, este segundo despacho de atra-las, por meiode uma concentrao prolongada, para que auxiliem a restauraomental e fsica de seu protegido. Volatiza as propriedades de corpossuscetveis a neutralizar os que foram empregados pela magia. Conjugatodos esses recursos, e quando as entidades propiciadas recusam ospresentes e insistem na perseguio, submete-as com energia.Os despachos aos elementos da Linha Negra, isto , a Exu, ao povo daEncruzilhada, so feitos nos lugares que lhe deu essa designao. Osdestinados a atrair os socorros dos trabalhadores da Linha Branca, deordinrio simples e no raro de algum encanto potico; fazem-se alguns,tais os de Euxoce (Oxssi), e Ogum, nas matas; outros, como os deXang, nas pedreiras; muitos, e entre esses os de Amanjr (Iemanj)nas praias ou no oceano; e aqueles, a exemplo dos de Cosme eDamio, que se dirigem aos espritos dos que desencarnaram aindacrianas, no macio gramado dos jardins e prados floridos.Estranha-se que a Linha Branca de Umbanda, trabalhandoexclusivamente em benefcio do prximo, tenha, alguma vez, realizadodespachos com Terra de cemitrio. Explica-se com facilidade a razoque a obriga, em certas circunstncias, a esse recurso extremo.Localiza-se nos cemitrios uma vasta massa de espritos inconscientes,semi- inconscientes; ou tendo uma noo confusa da morte e fazendoum conceito errneo de sua triste situao: - o chamado povo docemitrio. A magia negra e os feiticeiros os atraem e aproveitam paraobjetivos cruis, de uma perversidade revoltante. Com freqncia, - 50 -
  • 51. quando um desses espritos, perde de todo a noo de suaindividualidade, convencem-no de que ele uma determinada pessoaainda viva no mundo material, e mandam-no procur-la, para tomarconta do seu corpo. Na sua perturbao, com os fluidos contaminadosde propriedades cadavricas, ele, na convico de ser quem no ,encosta-se ao outro, num esforo desesperado de reintegrao,transmitindo-lhe molstias terrveis, abalando-o mentalmente e atarrastando-o ao campo santo, a procura da tumba. Para desfazer essesortilgio, com os cuidados devidos ao esprito infeliz e a pessoa a queele se apegou, necessrio recorrer ao meio de que lanou mo, paraproduzir o mal, a magia negra.Na noite das grandes meditaes piedosas, quando, atravs de oceanose continentes, a cristandade comemora, com sentimento unssono, omartrio de Jesus, o Cristo, que se fazem os mais funestos despachosmacabros da banda negra. Violam-se tmulos, roubam-se cadveres,profana-se a maternidade, em operaes de magia sobre o ventre demulheres grvidas, e uma onda sombria de maldade se alastra,espalhando o sofrimento e o luto.A Linha Branca de Umbanda no pode cometer, mesmo na defesa doprximo, sacrilgios e profanaes, e conjuga a ao combinada desuas sete linhas para dominar essa torrente de treva nefasta. A linha deXang, sobretudo, se consagra a reparao do que foi destrudo, a deAmanjr (Iemanj) lava e limpa o ambiente, as de Oxal e Nha-San(Ians) amparam os combalidos, enquanto os sagitrios de Euxoce(Oxssi) e falange guerreira de Ogum dominam e castigam oscriminosos do espao.E, no entanto, o pobre filho de Umbanda templrio da ordem branca,surpreendido pela polcia a hora de arriar o despacho, sofre o vexameda priso e o escndalo dos jornais porque sacrificou o seu repouso adefesa e ao bem estar do prximo. - 51 -
  • 52. XVIII AS SETE LINHAS BRANCAS A Linha Branca de Umbanda e Demanda, compreende sete linhas: aprimeira de Oxal; a segunda de Ogum; a terceira, de Euxoce (Oxssi);a quarta, de Xang; a quinta de Nha-San (Ians); a sexta de Amanjar(Iemanj); a stima a linha de Santo, tambm chamada de Linha dasAlmas.Essas designaes significam, na Lngua de Umbanda a primeira,Jesus, em sua invocao de N. S. do Bonfim; a segunda, So Jorge; aterceira, S. Sebastio; a quarta, So Jernimo; a quinta, Santa Brbara.E a sexta, a Virgem Maria, em sua invocao de N. S. da Conceio. Alinha de santo transversal, e mantm a sua unidade atravs dasoutras.Cada linha tem o seu ponto emblemtico e a sua cor simblica. A deOxal, a cor branca; a de Ogum a encarnada; a de Euxoce (Oxssi),verde; a de Xang, roxa; a de Nha-San (Ians), amarela; a de Amanjar(Iemanj), azul.Oxal a linha dos trabalhadores humlimos; tem a devoo dosespritos de pretos de todas as regies, qualquer que seja a linha de suaatividade, e nas suas falanges, com Cosme e Damio, que em geralaparecem as entidades que se apresentam como crianas.A linha de Ogum, que se caracteriza pela energia fludica de seuscomponentes, caboclos e pretos da frica, em sua maioria, contm emseus quadros as falanges guerreiras de Demanda. - 52 -
  • 53. A linha de Euxoce (Oxssi), tambm de notvel potncia fludica, comentidades, frequentemente dotadas de brilhante saber, , porexcelncia, a dos indgenas brasileiros.A linha de Xang pratica a caridade sob um critrio de implacveljustia: - quem no merece, no tem; quem faz, paga.A linha de Nhan-San (Ians) consta de desencarnados que naexistncia trrea eram devotados de Santa Brbara.A linha de Amanjr (Iemanj) constituda dos trabalhadores do mar,espritos das tribos litorneas, de marujos, de pessoas que perecemafogadas no oceano.A Linha de Santo forma de pais de mesa, isto , de mdium decabea cruzada, assim chamados porque se submeteram a umacerimnia pela qual assumiram o compromisso vitalcio de emprestar oseu corpo, sempre que seja preciso, para o trabalho de um espritodeterminado, e contraram obrigaes, equivalentes a deveresrigorosos e realmente inviolveis, pois acarretam, quando esquecidos,penalidades asprrimas e inevitveis.Os trabalhadores espirituais da Linha de Santo, caboclos ou negros, soegressos da Linha Negra, e tem duas misses essenciais na Branca preparam, em geral, os despachos propiciatrios ao Povo daEncruzilhada, e procuram alcanar amigavelmente de seus antigoscompanheiros, a suspenso de hostilidades, contra os filhos eprotegidos da Linha Branca. Por isso, nos trabalhos em que aparecemelementos da Linha de Santos, disseminados pelas outras seis, estesostentam, com as demais cores simblicas, a preta, de Exu.Na falange geral de cada linha figuram falanges especiais, como na deEuxoce (Oxssi), a de Urubatan, e na de Ogum, a de Tranca-Rua, queso comparveis as brigadas dentro das divises de um exrcito.Todas as falanges tem caractersticos prprios para que se reconheamos seus trabalhadores quando incorporados. No se confunde um - 53 -
  • 54. caboclo da falange de Urubatan, com outro de Araribia, ou de qualquerlegio.As falanges dos nossos indgenas, com os seus agregados, formam opovo das matas; a dos marujos e espritos da linha de Amanjar(Iemanj), o povo do mar; os pretos africanos, o povo da costa; osbaianos e mais negros do Brasil, o povo da Bahia.As diversas falanges e linhas agem em harmonia, combinando os seusrecursos para a eficcia da ao coletiva. Exemplo:... Muita vez, uma questincula mnima produz uma grande desgraa...Uma mulatinha que era mdium da magia negra, empregando-se emcasa de gente opulenta, foi repreendida com severidade por terreincidido na falta de abandonar o servio para ir a esquina conversarcom o namorado. Queixou-se ao dirigente do seu antro de magia,exagerando, sem dvida, os agravos, ou supostos agravos recebidos, earranjou, contra os seus patres um despacho de efeitos sinistros.Em poucos meses, marido e mulher estavam desentendidos, um, comos negcios em descalabro, a outra, atacada de molstia asquerosa dapele, que ningum definia, nem curava. Vencido pelo sofrimento e semesperana, o casal, aconselhado pela experincia de um amigo, foi a umcentro da Linha Branca de Umbanda, onde, como sempre acontece, oguia, em meia hora, esclareceu-o sobre a origem de seus males,dizendo quem e onde fez o despacho, o que e por que mandou faz-lo.E, por causa desse rpido namoro de esquina, uma famlia gemeu namisria, e a Linha Branca de Umbanda fez, no espao, um de seusmaiores esforos.Propiciou-se as entidades causadoras de tantos danos, com umdespacho igual ao que as lanou ao malefcio, e, como o presente nosurtisse resultado, por no ter sido aceito, os trabalhadores espirituaisda Linha de Santo agiram, junto aos seus antigos companheiros deEncruzilhada, para alcanar o abandono pacfico dos perseguidos, masforam informados que no se perdoava o agra a mdiuns da linha negra. - 54 -
  • 55. Elementos da falange de Euxoce (Oxssi) teceram as redes de captura,e os secundou, com o mpeto costumeiro, a falange guerreira de Ogum,mas a resistncia adversa, oposta por blocos fortssimos, de espritosadestrados nas lutas fludicas, obrigou a Linha Branca a recursosextremos, trabalhando fora da cidade margem de um rio. Com aplvora sacudiu-se o ar, produzindo-se formidveis deslocamentos defluidos; apelou-se, depois, para os meios magnticos, e, por fim, asdescargas eltricas fagulharam na limpidez purssima da tarde.Os trabalhadores de Amanjar (Iemanj), com a gua volatizada dooceano, auxiliados pelos de Nha-San (Ians), lavaram os resduos dosmalficos desfeito e, enquanto os servos de Xang encaminhavam osrebeldes submetidos, o casal se restaurava na sade e na fortuna. - 55 -
  • 56. XIX A LINHA DE SANTOA misso da Linha de Santo, to desprezada quanto ridicularizada atnos meios cultos do espiritismo, verdadeiramente apostolar.Os espritos que a constituem, mantendo-se em contato com a bandanegra, de onde provieram no s resolvem pacificamente as demandas,como convertem, com hbil esforo, os trabalhadores trevosos.Esse esforo se desenvolve com tenacidade numa gradaoascendente.Primeiro, os conversores lisonjeiam os espritos adestrados nosmalficos, gabam-lhes as qualidades, exaltam-lhe a potncia fludica,louvam a mestria de seus trabalhos contra o prximo, e assim lhesconquistam a confiana e a estima.Na segunda fase do apostolado, comeam a mostrar aos malfeitores oxito de alcanar a Linha Branca com a excelncia de seus predicados.Aproveitando para o bem um atributo nocivo, como a vaidade, osobreiros da Linha de Santo passam a pedir aos acolhidos para aconverso, pequenos favores consistentes em atos de auxlio ebenefcio a esta ou quela pessoa, e, realizado esse obsequio, levam-nos a gozar, como uma emoo nova, a alegria serena e agradecida dobeneficirio.Convidam-nos, mais tarde, para assistir os trabalhos da Linha Branca,mostrando-lhes o prazer com que o efetuam em cordialidadeharmoniosa, sem sobressaltos, os operrios ou guerreiros do espao, - 56 -
  • 57. em comunho com homens igualmente satisfeitos, laborando com aconscincia e paz.Fazem-nos, depois, participar desse labor, dando-lhes, na obra comum,uma tarefa altura de suas possibilidades, para que se estimulem eentusiasmem com o seu resultado.E quando mais o esprito transviado intensifica o seu convvio com os daLinha de Santo, tanto mais se relaciona com os trabalhadores do amor eda paz, e, para no se colocar em esfera inferior quela em que os v,comea a imitar-lhes os exemplos, elevando-se at abandonar de todo aatividade malfica.Depois que esse abandono se consumou, o converso no includoimediatamente na Linha, mas fica como seu auxiliar, uma espcie deadido, trabalhando sem classificao. Geralmente, nessa fase, exalta-oo desejo de se incorporar efetivamente s falanges braas e a seutrabalho de f se reveste daquele ardor com que se manifestam, pelaao ou pelo verbo, os crentes novos.Permitida, afinal, a sua incluso na Linha de Santo, ou em alguma outra,o antigo serventurio do mal vai resgatar as suas faltas, corrigindo asalheias. - 57 -
  • 58. XX OS PROTETORES DA LINHA BRANCA DE UMBANDAOs protetores da Linha Branca de Umbanda e Demanda,invariavelmente so, ou dizem que so, caboclos ou pretos.Entre os caboclos, numerosos foram europeus em encarnaesanteriores, e a sua reencarnao no seio dos silvcolas, no representaum retrocesso, mas o incio, pela identificao com o ambiente, damisso que, como espritos, depois de aprendizado no espao, teriamde desempenhar na Terra. Outros pertenceram, na ltima existnciaterrena, a povos brancos ou Ocidente, ou amarelos, da sia, e nuncapassaram pelas nossas tribos. Os restantes, porm, com o crculo desua evoluo, reduzidos, at o presente, zona psquica do Brasil, tmencarnado e reencarnado, com alternativas, em nossas cidades oumatas, estando, quase todos, no espao, h mais de meio sculo. Omesmo, quanto a negros.Esses protetores se graduam numa escala que ascende dos maisatrasados, porm cheios de bondade, aos radiantes espritos superiores.O protetor, na Linha Branca sempre humilde e, com a sua lnguaatravessada, ou incorreta, causa uma impresso penosa de ignorncia,mas freqentemente, pelos deveres de sua misso, surpreende os seusconsulentes, revelando conhecimentos muito elevados.Exemplo:Uma ocasio, numa pequena reunio de cinco pessoas, um protetorcaboclo descarregava os maus fluidos de uma senhora, enquanto - 58 -
  • 59. tambm incorporado, um preto velho, Pai Antnio, fumava um cachimbo,observando a descarga.- Cuidado, cab