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  • 2013.2

    Prof: Aline de Sousa

    SOCIOLOGIA RURAL

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    Sociologia Rural www.ifcursos.com.br Aline Sousa

    1. INTRODUO

    1.1 Conceito de Sociologia

    A Sociologia a cincia que estuda o comportamento humano, os meios de comunicao e os processos

    que interligam o indivduo em associaes, grupos e instituies. Estuda os fenmenos que ocorrem

    quando vrios indivduos se encontram em grupos de tamanhos diversos, e interagem no seu interior.

    o das reas do convvio humano, desde as relaes na famlia at a organizao das grandes empresas, o

    papel da poltica na sociedade at o comportamento religioso, pode vir a interessar, em diferentes graus de

    intensidade, a diversos profissionais e, tambm, ao homem comum. O maior interessado na produo e

    sistematizao do conhecimento sociolgico o Estado, normalmente o principal financiador da pesquisa

    desta disciplina cientfica.

    A Sociologia ocupa-se das observaes do que repetitivo nas relaes sociais, para da formular

    generalizaes tericas, como tambm de eventos nicos, como o surgimento do capitalismo ou a gnese

    do Estado Moderno, para explic-los no seu significado e importncia singulares.

    1.2 O termo Sociologia Rural

    A Sociologia Rural, como a Sociologia Geral, nasceu de um momento de crise, com a preocupao de ter

    como problema sociolgico fenmenos sociais do campo e, mais precisamente, problemas sociais, como

    xodo rural, mudanas nas relaes de trabalho, e a disseminao de uma cultura citadina, urbana. O

    carter dessas mudanas indiscutvel, e est no bojo dos acontecimentos que fundamentaram o

    recrudescimento do processo capitalista de produo.

    Entre uma produo propriamente terica com a preocupao de apenas produzir e acumular

    conhecimento, e uma outra, pautada por um engajamento, enquanto pesquisa aplicada para aes

    efetivas, possvel afirmar ter prevalecido esta ltima na gnese da Sociologia Rural. Saber as condies

    precrias da vida do homem do campo e, de uma certa forma, todas as outras influncias do ponto de vista

    cultural desse indivduo, foi o que parece ter motivado trabalhos como o de Antonio Candido, em Os

    parceiros do Rio Bonito, e de tantos outros. A Sociologia Rural, dessa forma, teria nascido por necessidade e

    assim incorporaria um carter utilitarista, no sentido da apologia reforma social para melhorar as

    condies de vida do homem do campo. No entanto, Aldo Solari (1979) afirma que tal pretenso seria

    errnea, cabendo Sociologia apenas a interpretao dos fatos, assumindo um possvel carter enquanto

    ponto de apoio para as polticas pblicas no mbito do rural. A despeito de sua louvvel preocupao em

    promover melhorias, a Sociologia Rural (como a Geral) deveria ter por *...+ objeto observar os fatos,

    descobrir leis, interpretar suas causas, explic-las; ela se ocupa daquilo que os fatos so, e no do que

    deveriam ser (SOLARI, 1979, p. 4).

    Se, enquanto cincia, a Sociologia Rural surgiu em um momento de mudana com as transformaes

    ocorridas no campo, isso significa que sua gnese est na imbricao desses dois universos, do rural e do

    urbano. No entanto, segundo Solari (1979), mais do que uma dicotomia entre rural e urbano, o que existiria

    seria um contnuo, uma escala gradativa, haja vista as diferenas apontadas entre tais categorias (rural e

    urbano) no serem vlidas permanentemente, podendo mudar de uma sociedade para outra. Em outras

    palavras, aquelas diferenas fundamentais entre o mundo rural e o urbano, apontadas por outros autores

    como Sorokin, Zimerman e Galpin (1981), no dariam conta de explicar possveis faixas transitrias, uma

    vez que estas no apresentariam na totalidade nem caractersticas exclusivamente rurais, nem

    exclusivamente urbanas. Seria preciso considerar o grau de desenvolvimento dos centros urbanos para

    pensar o rural, o qual poder ser mais ou menos urbanizado.

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    Assim, o momento de crise no mbito do campo refere-se ao incio dessa sobreposio entre o urbano e o

    rural e, dessa forma, considerando que essas transformaes no ocorreram (e nem ocorrem) de maneira

    homognea, surgem diferentes graus dessa mesma sobreposio, ora mais acentuada, ora mais superficial.

    A modernizao do campo um processo sem volta no Brasil e no mundo, e dessa forma, considerando-se

    os movimentos de xodo rural; a urbanizao do campo pela chegada de uma infraestrutura caracterstica

    das cidades; a expanso do agronegcio com implantao de alta tecnologia e ampliao da escala de

    produo; a aglutinao das pequenas propriedades pelas grandes companhias proprietrias de grandes

    latifndios e a incorporao de uma cultura (no sentido das necessidades materiais) citadina pela famlia do

    campo estariam as caracterstica peculiares do campo fadadas ao desaparecimento? E, mais

    fundamentalmente, o que restaria Sociologia Rural como objeto de estudo, uma vez que o homem do

    campo vai se tornando cada vez mais parecido com o da cidade? Dessa forma, tais questes sugerem a

    criao de um grande paradoxo. Se a Sociologia Rural teria nascido de um momento de crise do campo

    diante do processo de urbanizao das cidades e da modernizao dos meios de produo, o

    recrudescimento desse processo estaria condenando-a a uma situao de incapacidade extrema enquanto

    cincia social, haja vista o paulatino desaparecimento de seu objeto de estudo: o prprio meio rural, o

    prprio campo. Em outras palavras, o processo (de urbanizao, modernizao) que criou condies para

    sua existncia, agora estaria sufocando-a pela transformao considervel que o campo sofrera.

    No entanto, segundo importantes referncias no estudo da Sociologia Rural, talvez o aparente paradoxo

    apontado quanto aos efeitos da sobreposio do urbano pelo rural no se sustente. Por ser fato a

    passagem do rural para o urbano, por outro lado tem-se a invaso do campo pela cidade, chamada por

    Aldo Solari (1979) de urbanizao do meio rural. A intensidade de tais fenmenos levaria a uma crise

    estrutural da sociedade e ao recrudescimento da Sociologia Rural, por surgirem novos problemas que no

    estariam descolados da ruralidade por se tratarem de consequncias da modernizao no seu sentido

    urbano, uma vez que o lcus de sua operao seria o prprio campo. Dessa forma, essa situao de

    constante aproximao entre o urbano e o rural no significaria, necessariamente, a extino do campo e,

    consequentemente, da Sociologia que dele trata.

    Ao contrrio, apenas reforaria ainda mais o carter da importncia do dilogo entre rural e urbano que

    aqui j se afirmou. Mais do que isso, o que no se pode perder de vista o fato de que dentro desse

    contnuo existente numa escala em que numa extremidade ter-se-ia o rural e na outra o urbano, dois

    fatos so evidentes: em primeiro lugar, tanto um extremo como o outro seriam tipos ideais categorias

    puras que no se encontrariam na realidade; em segundo lugar, dada a diferena da intensidade com que

    os processos de modernizao acontecem nas mais diversas reas rurais do globo, essa escala permitiria

    uma infinidade de classificaes. Isto posto, fica claro que tal dilogo seria sempre presente, embora

    variando em grau, em intensidade, mas nunca permitindo a sobreposio total de um (seja do rural, seja,

    do urbano) sobre o outro.

    O contraste entre a vida metropolitana e a vida em vilas ou fazendas no desaparecero to cedo [...], visto

    que a vida rural algo mais amplo do que a sociologia da ocupao agrcola, improvvel que esse campo

    seja absorvido pela sociologia industrial. Alm disso, j que todos os aspectos da vida grupal so

    caracterizados por traos genricos da vida rural, outras especialidades (tais como a demografia ou a

    famlia) continuaro recebendo contribuies da sociologia rural. (ANDERSON, 1981, p. 184)

    No tocante ao papel da Sociologia Rural, talvez mais do que a preocupao com sua extino ou

    desaparecimento, seria interessante sugerir uma discusso sobre sua readequao para lidar com a gama

    de novos fenmenos sociais ou nova roupagem dos que j se faziam presentes outrora. Alm disso, dado o

    nvel de complexidade do sistema capitalista de produo que pressupe uma relao centro periferia

    entre os pases, na qual a produo agrcola, a agropecuria e a explorao da terra, de maneira geral,

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    geram insumos para os mais diversos ramos industriais, a proximidade rural urbano se torna ainda mais

    patente. Assim, conceitos, categorias e uma terminologia que deem conta dessas novas realidades se

    fazem necessrios. As mudanas econmicas, polticas e sociais vividas pelo campo conduziram a uma

    preocupao direta com a recolocao da finalidade da terra e da atividade do homem.

    Para exemplificar, surge dessa forma a preocupao com a questo da multifuncionalidade e pluriatividade.

    Tais conceitos so exemplos das transformaes do aparato metodolgico da Sociologia Rural para lidar

    com a realidade do campo. A multifuncionalidade estaria associada ao sentido da criao de meios (pelo

    poder pblico) para o desenvolvimento e promoo da terra, do territrio. No se trataria do

    desenvolvimento setorial, isto , do produtor rural ou do agricultor familiar, mas de um conceito que

    engloba as questes de planejamento para garantir o desenvolvimento local como polticas pblicas, no

    sentido da segurana alimentar, do tecido social, do patrimnio ambiental, entre outras imprescindveis ao

    desenvolvimento territorial.

    Quanto pl