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  • A cobrana de honorrios advocatcios contratuais e a competncia da Justia do Trabalho

    Luis Felipe Salomo Ministro do STJ Membro do Conselho Editorial

    Well ington da Si lva Medeiros Servidor efetivo do STJ Assessor de Ministro

    Introduo

    de cursivo conhec imento que a competncia da

    Justia do Trabalho, hoje prevista no art. 114

    da Constitui o Federal, com a redao que lhe ___ foi atribuda pela E.C. 11 . 45/2004, nem sempre

    osten tou o mesmo alcance, nem na:. CarLas Republica

    nas passadas nem na atual Carta, em sua redao origi

    nal. Uma breve reflexo acerca da Emenda Constitucional

    n. 45/ 2004, no particular relativa atuao da Justia do

    Trabalho, revela que, da ameaa referente a sua ex tino, a

    Justia Obreira emergiu com a Reforma como o nico bra

    o do Judicirio que obteve ampliao de sua compett'! ncia.

    Desta rte. cumpre, no presente ensaio, tratar de dois

    temas conexos e que, alm de propiciar um novo olhar

    para a jus tia EspeciaJizada O breira, tm aportado nos

    tribunais com rela tiva frequncia.

    Cuida-se de saber a competncia para o julgamento de

    li tgios referentes a:

    I - cobrana de hononi rios advocatci os contratuais

    manejados por advogados vi nc ulados a sind icatos em

    desfavor do trabalhado r;

    n - aes inden izatriali propostas por empregac o em face do empregador, obj etjvando o ressarcimento de valor

    gasto, a t tulo de honorrios contratuais, com a propositura

    de reclamatria trabalhista iulgada procedente.

    Um breve h.istrico sobre a evoluo da competncia da Justia do Trabalho

    O art. 123 da Carta Magna de 1946 previa compelir

    " Justia do Trabalho concilia r e julgar os dissdios ind ividuais e coletivos entre empregados e empregadores

    [... ]", regra mantida pela Constituio de 1967, ar t. 134, e

    pela Emenda Consti tucional de 1969, art. 142.

    texto original da atual Constituio tambm manteve

    a lgica anteriormen te adotada, no sentido de pautar

    a delimitao da competncia da justia do Trabalho a

    partir de um critrio subjetivo, centrado nas figuras do

    traba lhador e do empregador 1

    Doutr ina e jur isprudncia, desde sempre, sufragaram

    ente ndimento segundo o qual o mencion ado disposi tivo

    somente se apli cava quando estivesse subjacente uma

    rel ao de emprego, porquanto, quem trabalha para o

    empregado r somente pode ser o empregado, fi cand

    excludos da jurisdio trabalhista outros tipos de

    trabalhadores que no estavam sujeitos a uma relao

    tipicamente empregatci a".

    A Emenda Cons ti tucional n. 45 alterou o cri trio de

    del im itao da competncia da justia do Trabalho, que

    no m ais fi xada pela tica subjetiva dos envolvi dos 110 d issd io - empregado e empregador - , mas pela ti ca

    objetiva da relao jurd ica da qual emergiu o confl ito de interesses).

    JU>l ia & CiJ~dun la I Dc,,mhro ~(J!~ 14

    Justia e Cidadania, n. 148, p. 14-23, dez. 2012

  • Ministro do STJ, Luis Felipe Salomo

    Surgiram ento discusses doutrinrias acerca do alcance

    da alterao promovida pela E.c. n. 45/04, notadamente acerca dos contornos conceituais da expresso "relao de trabaUlo': confrontando-a com o antigo critrio da "relao

    de emprego'~

    Deveras, a Just ia do Trabalho sempre foi competente

    para solucioDlT os li tgios decorrentes de "relaes de

    emprego", aperfeioadas entre empregado e empregador,

    tais como so defin idos pelos arts. 2~ e 3C da CLT, de

    m odo que restringi r o alcance conceitual de "relao de

    trabalh ()'~ como sinnimo de "relao de emprego': esvazia

    o propsito da Reforma, que foi exatamen te proceder a

    essa ampliao.

    A primeira obra dOlllrin.ria publicada depois da Refom la do Judic irio de 2004 expli cita bem o espri to no

    qual estava i mersa a E.C. n. 45 , que tinlla sim o propsito

    de levar a eeeito profunda modi ficau na competncia da

    Jus tia do Trabalho, mod ificao que, J.ll-ude, no foi bem

    apreendida pelos aplicadores do D ireito.

    Referimo-nos obra conjunta coordenada por Grijalbo Fernandes Coutinho e Marcos Neves Fava, Nova Competncia da Justia do Trabalho, de cuja apresentao extrai-se a expectativa de LUTIa revol uo nornlativa, uma nova ordem

    constitucional, uma nova justia que caminhou da limitada

    esp~cie (relao de emprego) para o anlrlssimo gnero

    (relao de trabalho)4.

    20 12 De/ em bnl Il u'lI ~ & t d.HJa l1 a

    A dou trin a constilucionalista modern a mais abalizada

    tambm indica as profu nda~ t-ransformaes advindas da

    E.C. n. 45/2004:

    A competncia ..Ia Justia do Traba lho sofreu profunda alte

    rao com o advento da Emend a Constitucional n. 45f l004 .

    Ao lado dJS tradicionais atr ib uie~ concernentes as aes oriundas Ja.-, relaes de emprego, o dissid ill coletivo de n atureZ:l econm ica, as aes sobre representao si ndical

    e as aes que envolvam dire ito de greve, a compet~nda da

    Justia do Trabalho foi sign ifi cativamente ampli ada com o

    reconhecimento da sua competncia para processar e julgar

    todas as aes oriundas da relao de trabalho. Assim , um

    plexo significativo de relaes do trabalho foi induidn como

    de aprcciat) da justia especial izada (M ENDES, Gilmar

    fe rreira Jet. al.j . Curso de direito col1stilllcional. So Paulo:

    SJra iva, 2007. p. 925. sem grifo no original).

    Destarte, no e por poucos motivos que se h de se considera r ter a E.C !1. 45/2004 ampliado a comp etncia

    da Justia do Trabalho para o julgamento de todo lit gio

    decorrente da prestao de trabal ho humano, seja ele

    havido ou no de vncu lo de emprego.

    Em sntese, enunciam-se fu ndamen taes de ordem

    ju rdica, sociolgica e econmica para se entender o

    alcance da nova Justia do Trabalho, para alm da antiga

    rel ao de emprego.

    15

  • "Tal como j vinha sendo apregoado pelo STF, mesmo antes da E.C.

    45/04, a fixao da competncia da Justia do Trabalho no depende

    da norma jurdica a ser aplicada para a soluo do caso concreto, se

    de natureza civil ou trabalhista, mas somente da origem da situao

    litigiosa. Em sendo decorrente de relao trabalhista, ser a Justia do

    Trabalho a competente para dirimir o conflito de interesses."

    Os fUlldamentos jurdicos esto amparados sobretudo

    no processo k gislativo do qual originou a Refo rma do

    PodeI Jud icirio encampada em 204.

    F i lll pa tente que o propsito expresso do legislador foi

    afas tar o critrio da "relao de emprego" p

  • o Verbete contava com a seguinte redao: ompete Ju s! ia estadual processar e julgar ao

    indenizatria proposta por viva e filhos de empregado

    falecid o em acidente de trabalho.

    Editada depois da E.C. n. 45 /2004 e aps o STF

    decid ir que competia Justia do Trabalho julgar as aes indeni z.atrias acidentrias (CC n. 7.204/MG, reI. Ministro

    arlos Britto), a mencionada Smula n. 366 pretendia,

    nitidam ente, fazer distino acerca da competncia

    quando o postulante da indenizao no era o empregado,

    mas seus herdeiros, por fundam entos alicerados,

    seguramente, no paradigma superado pela Reforma.

    Em contrapartida, vem o ST}, intrprete maior da

    Constituio Federal, a afirmar que "irrelevante para a definio da competncia o fato de os sucessores, e no

    o empregado, ajuizarem ao de inden izao por danos

    morais e patrimoniai~ decorrentes de acidente de trabalho"

    (AI 667. 11 9 AgR, ReJator(a): M in. Crmen Lcia , Primeira

    Turma, julgado em 26/5 /2009).

    Relembre- se tambm a superada jurisprudncia

    do ST) no que concerne competncia para Julgar aes de interdito proibitrio ajuizadas por instituies

    fin anceiras em fa ce de sindicatos de trabalhadores contra

    os conhecidos "piquetes" em portas de agncias bancrias,

    por ocasio de movimentos paredistas.

    Entendia-se que, por se tratar de questo possessria,

    competia Ju stia Comum conhecer do litgio (entre muitos, confiram-se CC 11.815/SC, ReI. Ministro Barros

    Monteiro, Segunda Seo, julgado em 8/211995; CC

    92.507 /RJ, ReI. Ministro Fernando Gonalves, Segunda

    Seo, julgado em 26/312008).

    Em brevss imo tempo, veio o STF a decotar o

    mencionado entendimento, franqueando Justia do

    Trabalho, uma vez mais, a competncia para conhecer

    desse tipo de controvrsia (e.g. RE n. 579.648, relator

    Ministro Carlos Alberto Menezes Direito, relator para o

    acrdo Ministra Crmen Lcia , Tribunal Pleno, julgado

    em 10.9.2008).

    Na verdade, 110 mbito do Supremo Tribunal Federal,

    m esmo antes da promulgao da E.C. n. 45/2004, h muito

    se consolidara o entendimento segundo o qual a fixao

    da competncia da Justia do Trabalho no dependia

    da norma jurdica a ser aplicada ao caso concreto, se de

    natureza civil ou trabalhista, mas somente da origem

    da situao litigiosa. Em sendo decorrente de relao

    trabalhista, ser a Justia do Trabalho a competente para

    dirimir o conflito de interesses.

  • Rememore-se, por exemplo, o Confli to de Jurisdio

    11. 6.959ID F, relator M ini.'itro Sep lveda Pertence, julgado em ll1

  • mencionado d ispositivo legal no alcana, por bvio,

    apcn a~ os advogados ded icados a feitos trabalhistas

    -, o desate da controvrsia ~e mostra particularmente

    problemtico quando se trata de causas trabalhistas e,

    sobretudo, quando envol vem advogados vinculados a sindicatos.

    que, como se sabe, a condenao ao pagamento de

    honorrios sucumbenciais,