Algumas Semióticas

  • View
    11

  • Download
    0

Embed Size (px)

DESCRIPTION

Algumas Semióticas

Text of Algumas Semióticas

  • www.autenticaeditora.com.br0800 2831322

    9 788575 264256

    ISBN 978-85-7526-425-6

    Os carros transitando pelas ruas da cidade po-dem ser lidos de que forma? Essa pergunta lhe pare-ceu sem sentido? Julio Pinto e Vera Casa Nova, dois estudiosos de referncia no campo da semitica e apaixonados por suas possibilidades, debruam-se aqui sobre a histria da semitica, contemplando suas interfaces, suas apropriaes e seus usos na construo do cotidiano. Para o leitor, ser simples perceber que carros transitando pelas ruas da cidade podem ser lidos como signos de poder econmico, de poluio urbana, de design automobilstico... Isso porque a leitura vai semiotizar os carros, transfor-mando-os em signos, conforme o desejo e as possi-bilidades do sujeito-leitor em sua insero social.

    Instrumento para reflexo sobre a semitica, em linguagem acessvel e com insights surpreendentes, este livro desmistifica a temtica e aproxima o tema do leitor de forma a atra-lo para novas leituras e percepes acerca do mundo em que vive.

    Algumas semiticas

    Alg

    umas

    sem

    iti

    cas

    Ju

    lio

    Pin

    to |

    Ver

    a Ca

    sa N

    ova

    Julio Pinto Vera Casa Nova

    O sentido, o discurso ou a representao? Qual seria o objeto da semitica? A res-posta pode criar diferentes campos interdisciplinares, seja com a psicanlise, com a lgica, com a antropologia, seja com a comunicao. Antes de tudo, entretanto, procede a preocupao de no restringir a semiti-ca ao espao limitado de uma cincia. Por qu? No esse o conceito difundi-do entre a maioria de ns? Mas, pensando o signo, o sentido, o discurso ou a re-presentao, uma cincia tradicional poderia fazer muito pouco. Melhor ser considerarmos a semitica uma pesquisa epistemol-gica que pode e deve tomar a prpria cincia como ob-jeto; o que apostam os autores deste livro.

    Embora tenha adqui-rido nova feio somente no sculo XX, a histria da semitica no Ocidente data de tempos longnquos, o que pode ser conferido nas pginas deste livro, que

    explora seus usos e apro-priaes desde pocas remotas at a contempo-raneidade, revelando suas inmeras, e muitas vezes surpreendentes, faces.

    Julio Pinto e Vera Casa Nova, duas referncias no assunto, mostram que, ao se falar em semitica, no se podem desentranhar os textos (em seu sentido mais amplo, isto , qualquer or-ganizao de signos, ver-bais ou no, que, de alguma forma, produz significao) de suas condies de pro-duo e recepo, j que ela no uma semntica, mas uma pragmtica (no sentido lingustico do ter-mo), que pensa a lingua-gem em operao nos con-textos, e no instanciada em textos desencarnados de sua sociabilidade.

    Algumas semiticas uma ferramenta acessvel para aqueles que querem se aprofundar ou mesmo co-nhecer o fascinante univer-so da semitica, aproximan-do-a do nosso cotidiano.

  • Algumas semiticas

    Algumas Semioticas 280809_FINALGRAFICAcarol.indd 1 28/8/2009 18:26:24

  • Algumas Semioticas 280809_FINALGRAFICAcarol.indd 2 28/8/2009 18:26:24

  • Julio Pinto Vera Casa Nova

    Comunicao e Cultura

    Algumas semiticas

    Algumas Semioticas 280809_FINALGRAFICAcarol.indd 3 28/8/2009 18:26:25

  • Copyright 2009 Julio Pinto e Vera Casa Nova

    ProJeto de CaPa

    Christiane Costa

    editorao eletrNiCa

    Tales Leon de Marco

    reViso

    Vera Lcia De Simoni Castro Ana Carolina Lins Brando

    editora resPoNsVel

    Rejane Dias

    todos os direitos reservados pela autntica editora. Nenhuma parte desta

    publicao poder ser reproduzida, seja por meios mecnicos, eletrnicos,

    seja via cpia xerogrfica, sem a autorizao prvia da editora.

    AutnticA EditorA LtdA. rua aimors, 981, 8 andar . Funcionrios30140-071 . Belo Horizonte . MGtel: (55 31) 3222 68 19 televendas: 0800 283 13 22www.autenticaeditora.com.br

    dados internacionais de catalogao na Publicao (ciP)(cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

    Pinto, Julioalgumas semiticas / Julio Pinto, Vera Casa Nova. Belo Horizonte :

    autntica editora, 2009. (Comunicao e Cultura)

    isBN 978-85-7526-425-6

    1. Comunicao 2. Comunicao visual 3. Cultura 4. Cultura - Modelos semiticos 5. linguagem 6. semitica 7. signos e smbolos i. Casa Nova, Vera. ii. ttulo. iii. srie.

    09-08133 Cdd-306.4014

    ndices para catlogo sistemtico:1. Cultura : semitica : sociologia 306.40142. semitica da cultura : sociologia 306.4014

    revisado conforme o Novo acordo ortogrfico.

    Algumas Semioticas 280809_FINALGRAFICAcarol.indd 4 28/8/2009 18:26:25

  • Captulo 1Introduo semitica Vera Casa Nova e Graa Paulino ................................................... 7

    Captulo 2Roland Barthes: a semiologia in extremis Vera Casa Nova ............................................................................. 31

    Captulo 3Semitica: doctrina signorum Julio Pinto ..................................................................................... 35

    Captulo 4Umberto Eco: a popularizao dos estudos semiticosJulio Pinto e Vera Casa Nova ....................................................... 61

    Captulo 5Semitica greimasiana: estado de arteAna Cristina Fricke Matte Glaucia Muniz Proena Lara ....................................................... 67

    os autores ....................................................................................77

    Sumrio

    Algumas Semioticas 280809_FINALGRAFICAcarol.indd 5 28/8/2009 18:26:25

  • Algumas Semioticas 280809_FINALGRAFICAcarol.indd 6 28/8/2009 18:26:25

  • 7

    Captulo 1

    Vera Casa Nova Graa Paulino

    Uma escolha, uma questo, um caminho:

    semiologia e semitica

    Nos anos 1960, escolhia-se a denominao de tradio francesa Semiologia ou inglesa Semitica com o desejo de marcar posio no polmico quadro das pesquisas que se desenvolveram no sculo XX sobre as linguagens, enquanto sistemas de signos.

    O nome francs aparecera inicialmente em 1916, quando se publicou o Curso de Lingustica Geral, de Ferdinand de Saussure. Sem perder muito tempo com o assunto, o linguista fazia breve referncia necessidade de se constituir uma nova cincia que estudasse no apenas a linguagem verbal, mas os diversos sistemas de signos. A Lingustica seria apenas uma pequena parte dessa cincia geral das linguagens, a que se poderia denominar Semiologia.

    Saussure define o signo lingustico como a unio entre um componente sonoro, o significante, e um componente conceitual, o significado. Ambos, tanto o significante quanto o significado, so lingusticos, e sua relao arbitrria, isto , no h correspondncia necessria entre o material sonoro

    Introduo semitica

    Algumas Semioticas 280809_FINALGRAFICAcarol.indd 7 28/8/2009 18:26:25

  • 8

    Comunicao e Cultura

    e o conceito. Como linguista que era, Saussure se prende ao cdigo verbal, sem ampliar sua pesquisa para outras lingua-gens. Anuncia, entretanto, a constituio da nova cincia, que se daria algumas dcadas mais tarde.

    Os estruturalistas aproveitaram a sugesto de Saus-sure, no s se dedicando construo dessa nova rea de conhecimento, como tambm reintroduzindo a questo terminolgica, que passava pela necessidade de se nomear adequadamente esse campo de estudos das linguagens.

    Quando Roland Barthes publica, em 1964, Elementos de semiologia, embora assumindo as bases saussurianas, abre ou-tras perspectivas para as pesquisas semiolgicas, afastando-se dos modelos puramente cientficos, e relacionando-as ao con-junto do saber e da escritura(Barthes, 1977, p. 7). J na obra de Greimas, Semntica Estrutural, em 1966, fica clara a opo pelo outro termo semitica disseminado que estava o uso do termo na Frana, mesmo se mantendo afastada qualquer aproximao para com o paradigma peirciano, dominante na semitica norte-americana.

    Charles Sanders Peirce, pensador americano contempo-rneo de Saussure, ao contrrio deste, no se ocupou especi-ficamente da lngua. Sua Semitica trata dos signos em geral, sem necessidade de estarem organizados em sistemas, como o lingustico. Dedicando-se Lgica e Matemtica, Peirce constri um aparato filosfico voltado para questes relativas percepo e cognio, suas causas, seus processos, suas formas sgnicas. Emprega semitica com a preocupao de manter-se fiel s origens gregas do termo, ao mesmo tempo em que assim assume o dilogo com o filsofo ingls John Locke, o qual, no sculo XVII, introduz uma diviso das cincias que inclui, alm da Fsica e da tica, uma doutrina dos signos, ou semitica, que se dedicaria ao estudo dos modos de se obter e comunicar o conhecimento.

    A distncia entre a semitica americana e a europeia cada vez mais se acentuaria, visto que os primeiros se deteriam na

    Algumas Semioticas 280809_FINALGRAFICAcarol.indd 8 28/8/2009 18:26:25

  • Introduo semitica

    9

    anlise dos signos. Ao proporem sua classificao, trabalham o tipo de relao que o signo mantm com o referente. Na Europa, os pensadores se deslocam em direo ao estudo de articulaes de formas significantes, considerando a anlise dos signos como apenas uma etapa de seu percurso.

    Na verdade, a formao original grega de semitica (semeiotik: arte dos sinais) torna-se tambm adequada a uma perspectiva filosfica como a dos pensadores franceses que tentavam desprender-se de uma tradio racionalista e logo-cntrica, presente no radical logos, pensamento. A primeira associao internacional de estudos dessa natureza, fundada em 1969, em Paris, adota o termo semitica, definindo oficialmente uma escolha que iria tornar-se de uso corrente, inclusive em lngua francesa.

    Entretanto, enquanto se tentava ultrapassar a ques-to terminolgica, permanecia o distanciamento entre as pesquisas semiticas francesa e americana. Essa separao dicotmica se revelaria, co