Biodiesel Caderno NAE

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Ncleo de Assuntos Estratgicos da Presidncia da Repblica

Cadernos NAEProcessos estratgicos de longo prazo Nmero 2 / 2004 NAE-Secom/PR, 2004

Biocombustveis

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Cadernos NAE: n. 2, agosto 2004 Projeto grfico e diagramao: Anderson L. de Moraes Reviso: Nathlia Kneipp Ncleo de Assuntos Estratgicos da Presidncia da Repblica Presidente: Luiz Gushiken, Ministro-Chefe da Secretaria de Comunicao de Governo e Gesto Estratgica (Secom) Coordenador: Glauco Arbix, Presidente do Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada (Ipea) Secretrio Executivo: Oswaldo Oliva Neto - Coronel EB SCN Q. 2 Bl. A Corporate Financial Center, sala 1102 70712-900 Braslia, DF - Tel: (55.61) 424-9600 - Fax: (55.61) 424-9661 http://www.planalto.gov.br/secom/nae/ e-mail: cadernosnae@planalto.gov.br ou nae@planalto.gov.br

Cadernos NAE / Ncleo de Assuntos Estratgicos da Presidncia da Repblica. no. 2 (jul. 2004). - Braslia: Ncleo de Assuntos Estratgicos da Presidncia da Repblica, Secretaria de Comunicao de Governo e Gesto Estratgica, 2004Irregular ISSN 1806-8588 1. Estudos estratgicos Brasil. 2. Desenvolvimento. 3. Energia. 4. Polticas pblicas e setoriais. 5. Biocombustveis CDU: 35(81)

Impresso em Braslia, 2004

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SumrioApresentao Seo 1 - Avaliao do Biodiesel no Brasil Resumo executivo Introduo Programas de Biodiesel no Mundo Aspectos Tecnolgicos Aspectos Ambientais Histrico de uso energtico de leos vegetais no Brasil Mercado para Biodiesel no Brasil Matria-Prima para o Biodiesel no Brasil As Escalas de Produo e o Sistema de Produo Agrcola Aspectos Econmicos Concluses Recomendaes Observao final Nota 1 - Rotas tecnolgicas e matrias-primas Nota 2 - Especificaes e testes Nota 3 - Uso energtico de leos vegetais como combustveis no Brasil Nota 4 - Palmeiras e biodiesel no Brasil Nota 5 - Glicerol: mercados e perspectivas Nota 6 - Gerao de empregos e rendas: dend Nota 7 - Formao do preo do leo diesel no Brasil Seo 2 - Avaliao da Expanso da Produo de Etanol no Brasil Resumo executivo Introduo Parte A. Evoluo e estgio atual da produo no Brasil A cadeia produtiva hoje Aspectos tecnolgicos e ambientais Gerao de emprego e renda Aspectos econmicos Parte B. Perspectivas de evoluo e competitividade para exportao, prximos dez anos 161 3 5 9 11 17 19 23 29 31 33 35 43 49 65 73 80 81 87 93 99 103 107 109 111 113 119 123 123 128 153 158

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Produo de etanol no mundo Custos de produo e competitividade Mercados para o etanol: Brasil e exterior, prximos dez anos Mercados de acar e evoluo da produo de cana Impactos de um aumento substancial da produo nos prximos anos Vises retrospectiva e prospectiva e recomendaes Nota 1 - Correo dos custos de produo, abril 2001 janeiro 2003 Nota 2 - Custos de produo de etanol de lignocelulsicos Nota 3 - Custos de produo de etanol de milho (EUA), e de beterraba e trigo (UE) Nota 4 Polticas para a produo de etanol em algumas regies selecionadas Coordenadores tcnicos Especialistas consultados Ncleo de Assuntos Estratgicos da Presidncia da Repblica

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ApresentaoO contedo deste nmero dos Cadernos NAE reflete o desenvolvimento de uma anlise tcnica de temas estratgicos, tal como determinado pelo Senhor Presidente da Repblica ao Ncleo de Assuntos Estratgicos, no incio de 2003. Apresentamse as concluses preliminares de dois estudos abrangentes sobre a produo e o uso do biodiesel, bem como uma avaliao da expanso da produo de etanol no Brasil, conduzida sob a coordenao de consultores mobilizados pelo Centro de Gesto e Estudos Estratgicos (CGEE). Este diagnstico sobre biocombustveis no Brasil envolveu uma consulta a vrios especialistas nestes temas, dos setores empresarial, governamental e acadmico, alm da anlise de publicaes recentes sobre os temas, referenciados no texto. Trata-se, portanto, de material dotado de slida metodologia de pesquisa, embasado em estudos empricos e em consultas extensivas e preparado como subsdio para alimentar um debate mais amplo com vistas produo de elementos factuais e conceituais. Contribui, desta maneira, para uma informao sobre aspectos importantes da formao de uma viso governamental sobre o tema. Estas concluses preliminares indicam que o biodiesel pode ser produzido a partir de diversas matrias-primas e ser utilizado em estado puro ou em mistura com o diesel mineral, em diversas

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propores; quanto ao etanol, existem resultados efetivos desde sua incorporao matriz energtica brasileira, em 1975, com o aumento de sua produo e oportunidade de que sua utilizao colabore para a reduo de emisses de gases de efeito estufa no setor de transportes, em todo o mundo. A evoluo tecnolgica relativa ao biodiesel mostra a tendncia para a adoo da transesterificao como processo principal (com metanol ou etanol) e para o uso em mistura com o diesel, possibilitando a sua introduo na frota atual de veculos automotivos sem nenhuma modificao dos motores. A diversidade de matrias-primas, processos e usos so uma grande vantagem, mas traz consigo a responsabilidade de analisar, adequadamente, os parmetros que variam muito dependendo da escolha feita, tais como os custos totais envolvidos em sua produo; as emisses no ciclo de vida; as possibilidades de gerao de emprego; as disponibilidades de rea e mo-de-obra adequadas, entre muitos outros fatores que foram considerados neste estudo. Se h uma concluso geral a ser tirada de ambos os estudos sobre as diversas possibilidades de produo e uso do biodiesel e etanol no Brasil a de que cada caso precisa ser analisado de acordo com as suas especificidades. O Governo Federal instituiu, por meio de Decreto Presidencial, em 23 dezembro de 2003, a Comisso Executiva Interministerial, encarregada de implantar aes direcionadas produo e ao uso de leo vegetal - biodiesel, como fonte alternativa de energia.

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A Comisso se reporta Casa Civil da Presidncia da Repblica e tem uma unidade executiva coordenada pelo Ministrio de Minas e Energia. O presente trabalho se insere no conjunto de contribuies sobre os temas, na perspectiva da referida Comisso e outras iniciativas correlatas, ao analisar, avaliar e propor recomendaes e aes, diretrizes e polticas pblicas necessrias ao processo de implementao da produo e uso de biocombustveis.

Braslia, agosto de 2004 Jos Dirceu de Oliveira Ministro-Chefe da Casa Civil Dilma Roussef Ministra de Minas e Energia Eduardo Campos Ministro da Cincia e Tecnologia Luiz Gushiken Ministro-Chefe da Secretaria de Comunicao de Governo e de Gesto Estratgica

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Seo 1 Avaliao do Biodiesel no BrasilIsaas de Carvalho Macedo Luiz Augusto Horta Nogueira

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Resumo Executivo

1. Aspectos tecnolgicos, econmicos e ambientaisO diesel combustvel pode ser complementado, para fins de economia do meio ambiente, por leos vegetais modificados, sem alterao dos motores. No existem obstculos tcnicos ou normativos para o incio da utilizao de biocombustveis em adio ao diesel, mas sua utilizao implica disponibilidade dos insumos, segurana no abastecimento, capacidade de processamento pela indstria e integrao final aos circuitos de distribuio. A economia da utilizao do novo combustvel depende de uma relao positiva entre a energia consumida no processo de produo e a disponibilizada pelo combustvel produzido. Por exemplo, no caso do etanol produzido a partir da cana-de-acar, essa relao de 8,3 para um (comparativamente, o etanol nos EUA tem uma relao de apenas 1,3). No Brasil, alguns estudos efetuados para fins de biodiesel indicam uma relao de 1,4 no caso da soja, de aproximadamente 5,6 no caso do dend e de 4,2 para a macaba, o que confirma o potencial das palmceas como fonte de matria-prima (maior produtividade e disponibilidade de resduos de valor energtico). O uso do biodiesel reduz as emisses associadas ao diesel de base fssil. Trata-se de um produto no txico e biodegradvel.11

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Comparado ao diesel, o biodiesel puro reduz as emisses de gases de efeito estufa em 40-60% (informe estudos efetuados na Europa, biodiesel produzido com canola). As redues no Brasil, a partir da soja, no seriam maiores.

2. Aspectos de mercadoA demanda total de diesel no Brasil em 2002 foi de 39,2 milhes de metros cbicos (76% para transportes), com importao de 16,3% (US$ 1,2 bilho). Uma utilizao de biodiesel a 5%, no Brasil, demandaria, portanto, 2 milhes de metros cbicos de biodiesel (total).

3. Matrias-primas, tecnologia agrcola e disponibilidade de reas no BrasilMuitas oleaginosas podem ser usadas para a produo de biodiesel. A rea para suprir 5% do diesel (B5) com oleaginosas locais, e usando apenas soja, dend e mamona, seria cerca de 3 milhes de hectares. A rea de expanso possvel para gros de pelo menos 90 milhes de hectares. As reas aptas para dend atingem, na Amaznia, cerca de 70 milhes de hectares, dos quais cerca de 40% com alta aptido. A mamona pode ser uma opo agrcola rentvel para as regies rida e semi-rida do Nordeste, independentemente do uso para

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biodiesel, considerando o valor do produto. A mamona uma cultura pequena (130.000 hectares, em 2002), e principalmente de pequenas unidades (~15 hectares). Considerando apenas um programa de substituio a 1% do leo diesel a partir da mamona, seria preciso multiplicar por oito a produo atual, sendo neste caso essencial o fortalecimento da base agrcola (maior nmero de variedades). Isto seria teoricamente possvel, mas neste caso o programa visaria muito mais a atender aspectos sociais do que as necessidades de energia. O modelo proposto para a produo (familiar assistido, assentamentos) deve ser bem avaliado nos seus mltiplos aspectos, com nfase em custos totais e renda; e deve conside