Boletim Cient­fico 09 - .Decidi, em 1960, fazer um curso de Angiologia e Cirurgia Vascular no Rio
Boletim Cient­fico 09 - .Decidi, em 1960, fazer um curso de Angiologia e Cirurgia Vascular no Rio
Boletim Cient­fico 09 - .Decidi, em 1960, fazer um curso de Angiologia e Cirurgia Vascular no Rio
Boletim Cient­fico 09 - .Decidi, em 1960, fazer um curso de Angiologia e Cirurgia Vascular no Rio

Boletim Cient­fico 09 - .Decidi, em 1960, fazer um curso de Angiologia e Cirurgia Vascular no Rio

  • View
    220

  • Download
    0

Embed Size (px)

Text of Boletim Cient­fico 09 - .Decidi, em 1960, fazer um curso de Angiologia e Cirurgia Vascular no...

  • melhor correr o risco de perder tudo do que viver na penumbra da mediocridade com os que nunca arriscaram nada.

    (Benjamim Franklin)

    Corpo Clnico BOLETIM CIENTFICOBolem Informavo do Corpo Clnico do HSI | Set/2016 | Ano 01 | N 05

    Dr. Walmor Erwin Belz> Angiologista e Cirurgio Vascular

    MemriasHISTRIA DO SETOR CIRURGIA VASCULAR E

    ENDOVASCULAR DO HOSPITAL SANTA ISABEL

    O setor da Cirurgia Vascular do Hospital Santa Isabel nasceu de um paradoxo. Histria rica de denodos, persistncia, desprendi-mento e muita dedicao.Em 1953 foi convidado pelo HSI para preencher uma lacuna na especialidade de Ortopedia e assim, fiz a especialidade no Rio de Janeiro no Servio do Professor Aquiles de Arajo.Em 17/12/1957, quando do retorno, j havia um colega Ortopedista. Criou-se um impasse. Na poca, a rea da Cirurgia Vascular estava completamente desprotegida. A incidncia de tromboses, embolias, varizes e lceras era muito grande e no havia um profissional qualificado. E no se usava ancoagulan-tes. Decidi, em 1960, fazer um curso de Angiologia e Cirurgia Vascular no Rio de Janeiro, Servio do Professor Luiz Edgar Puech Leo, do qual me tornei amigo, assim como, dos Professores Mario Degni e Rubens Mayal. Ingressei na Sociedade Brasileira, hoje Membro Emrito; em 1964 fui recompensado com duas Medalhas de Honra ao Mrito, Ren Fontaine.A Cirurgia Vascular iniciou no Brasil em 1936 com o professor Alpio Correia Neto e a Sociedade Brasileira em 1952.No HSI, poca, no exisa material cirrgico adequado e a Radiologia era precria. Adquiri, com recursos prprios, pinas de Sansky, Buldog, alas Silasl, Metzembaum F, Pos, Fleboextrator, Baby-Cook.Curiosidades: realizamos as primeiras safenectomias com aros de bicicleta com trs incises e a seguir com cordas de violo. As arteriografias eram feitas por puno direta dos vasos e as aortografias por puno translombar com agulha importada dos Estados Unidos. O Dr. nio Cesar Pereira auxiliava-nos nas arteriogrficas nas quais usvamos 6 filmes. Os enxertos arcos conseguamos com o Dr. Osmar Creuz que realizava doutorado em Erlange na Alemanha (do que sobrava no servio); eram porosos, de dacrom e reesterilizvamos aqui. Fui o primeiro Angiologista em Santa Catarina; a demanda das patologias aumentava progressivamente; e plantes e sobreavisos eram sem remunerao!

    O Dr. Nilceu G. da R. Loures foi convidado em 1973 quando

    terminava a residncia no Rio de Janeiro, no servio do professor

    Medina, tornando-se ao longo do tempo, um fiel escudeiro.

    Na sequncia, as arteriografias foram passadas ao Dr. nio C.

    Pereira e quando de sua ida para So Paulo, ao Dr. Xisto Detoni e a

    seguir, ao Dr. Marco Antnio Rodacki. Atualmente nosso grupo

    realiza todos os procedimentos novamente.

    Com a evoluo da Cirurgia Vascular e novos mtodos,

    convidamos o Dr. Ewald para parcipar do Servio que,

    posteriormente, decidiu por outros caminhos. Com indicao do

    Dr. Xisto de Toni, em 1999, convidamos o Dr. Patrick Candemil que

    findava o curso de doutorado em Barcelona e que trouxe grande

    bagagem cienfica.

    Em 2004 chegou ao nosso servio o Dr. Joo Marcelo R. Loures que

    fizera residncia mdica no Servio do Dr. Arno Von Ristow do Rio

    de Janeiro, trazendo novas tcnicas. Em 2008 veio fortalecer o

    grupo o Dr. Fabrcio Zucco, tambm residente do Dr. Arno. Em

    2011 comeou a atuar no setor o Dr. Jean Muiller como

    ecografista e angiologista clnico. Por fim, nossa lma aquisio,

    em 2011, agregou-se ao Servio o Dr. Jorge Oliveira Rocha Filho.

    Em 1964, foi realizada a 1 Jornada Brasileira de Angiologia em

    Blumenau.

    O Dr. Walmor Belz teve parcipao ava na implantao do

    curso de Medicina da FURB, tendo sido Presidente da Comisso de

    Implantao; parcipou em todos os congressos brasileiros da

    especialidade desde 1964; realizou cursos no Japo, Florena e

    Essem; congressos em Cuba, Tegucigalpa, CONESUL, Itlia, Japo

    e Alemanha; parcipou da Sociedade Brasileira de diversos

    cargos at Vice-Presidncia; fundador da Regional de Santa

    Catarina da Sociedade Brasileira da especialidade.

    A subespecialidade de Cirurgia Endovascular foi implantada com

    a chegada do Dr. Patrick, Joo Marcelo, Fabrcio e Jorge.

    Toda segunda-feira realizada reunio clnica para debater casos

    clnicos e atualizaes. Em 2010 foi implantada a residncia

    mdica.

    Poderamos elencar mais dados, mas a inteno apenas uma

    viso rpida desta grande histria.

  • TRATAMENTO DO

    CARCINOMA HEPATOCELULAR

    POR MEIO DA

    QUIMIOEMBOLIZAO

    Dr. Jorge Oliveira da Rocha Filho>

    >

    >

    >

    >

    O carcinoma hepatocelular (CHC) a neoplasia primria mais

    frequente do gado, sendo originada a parr da transformao

    maligna do hepatcito. uma das principais causas de morte por

    cncer em todo o mundo, correspondendo a 5 neoplasia maligna

    mais frequente, e 3 causa de bito por cncer.

    A qu imioembol i zao hepca (QE) uma tcn ica

    intervencionista, minimamante invasiva, ulizada para o

    tratamento do CHC, consisndo na combinao de infuso intra-

    arterial de agentes quimioterpicos com materiais embolizantes

    (que bloqueiam a passagem do sangue). Estudos confirmaram a

    capacidade da QE em controlar a progresso da doena e por esse

    movo, tem sido ulizada como ponte para o transplante

    hepco, reduzindo a progresso tumoral.

    Atravs das tcnicas de cateterismo, pode-se angir os vasos

    nutridores do tumor e ento administrar drogas quimioterpicas.

    Com esta tcnica consegue-se uma concentrao da droga no

    tumor muito maior (aumenta a eficcia) e uma concentrao no

    corpo menor (reduz os efeitos colaterais da quimioterapia). Alm

    da ulizao da quimioterapia, o vaso nutridor pode ser fechado

    (embolizado) permindo que a droga fique concentrada no

    tumor por um tempo maior, alm de levar parte do tumor a morte

    por isquemia. Da o nome Quimioembolizao, pois trata-se de

    uma quimioterapia com embolizao. Esta tcnica mais

    comumente ulizada para tumores no gado e no sistema

    msculo-esquelco. A quimioembolizao regional pode ainda

    ser ulizada em tumores da mama, pulmo, pncreas, colo

    uterino, bexiga urinria e na regio da face.

    A QE tem importante papel no controle dos tumores para que o

    paciente possa esperar pelo transplante hepco.

    Infelizmente, cerca de 30 a 40% dos pacientes com CHC

    apresentam doena avanada no momento do diagnsco, no

    sendo possvel a realizao de tratamento curavo (resseco ou

    transplante hepco). Nestes casos, a QE pode ser realizada para

    controle local da doena e aumento da sobrevida do paciente.

    A QE realizada na sala de interveno guiada por imagem

    (semelhante sala onde se realiza o cateterismo cardaco), sob

    anestesia local ou sedao consciente.

    Consiste em uma puno na regio inguinal (virilha) seguida da

    cateterizao da artria femoral com e passagem de cateteres

    que navegaro at o gado. Em seguida, a arteriografia hepca

    (estudo dos vasos do gado) realizada para avaliao anatmica

    e idenficao dos ndulos hepcos e seus ramos nutridores.

    Procede-se cateterismo superselevo dos ramos nutridores dos

    ndulos tumorais e inicia-se a infuso do quimioterpico e das

    microesferas embolizantes. Hoje em dia, ulizamos uma nova

    gerao de microesferas que carregam o quimioterpico em seu

    interior, diminuindo os efeitos colaterais como dor, nuseas e

    vmitos. Ao trmino do procedimento, reram-se os cateteres e

    feita a compresso manual da artria femoral puncionada, sendo

    o paciente encaminhado a sala de recuperao. No se d ponto

    nesta regio e o paciente fica somente seis horas em repouso da

    perna.

    No ps-operatrio, alguns pacientes podem apresentar dor

    abdominal, nuseas/vmitos e febre (sndrome ps-

    embolizao) em decorrncia da necrose tumoral, por 7 a 10 dias,

    com boa resposta ao tratamento com medicaes sintomcas

    habituais. Estes sintomas so leves e bem controlados com

    medicaes endovenosas logo aps o procedimento e depois,

    caso necessrio, recebem comprimidos via oral.

    Existem contra-indicaes para a realizao da QE como os

    pacientes com insuficincia hepca grave, alteraes da

    coagulao sangunea, insuficincia renal e trombose de veia

    porta. Entretanto, os casos devem ser avaliados para que todas as

    possibilidades de tratamento sejam avaliadas em grupo.

    A eficcia da terapuca com a quimioembolizao varia

    conforme o po celular do tumor, seu grau de vascularizao

    (hipervascular responde melhor que o hipovascular),

    compromemento de estruturas adjacentes ao tumor, reserva

    funcional do gado, o esquema terapuco adotado e o estdio

    clnico do paciente. A QE uma terapuca segura e eficaz no

    tratamento dos pacientes com CHC, aumentando a possibilidade

    de tratamento curavo atravs do transplante hepco ou da

    resseco do tumor, assim como aumentando a sobrevida dos

    pacientes.

    A embolizao tumoral, sem quimioterapia regional, muito

    ulizada properatoriamente, reduzindo a perda sangunea e

    facilitando a cirurgia. Esta ocluso (embolizao) do vaso que

    alimenta o tumor leva a falta de nutrientes e morte de parte do

    tumor que reduz de tamanho. A embolizao tambm muito

    ulizada paliavamente, reduzindo os sintomas melhorando a

    qualidade de vida.

    Graduado em Medicina pela Escola de Medicina da Santa Casa de Misericordia de Vitria - ES;Residncia Mdica em Cirurgia Geral, Cirurgia Vascular e Endovascular no Hospital dos Servidores Pblicos Estaduais de So Pa