Carro alegórico

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5, 6 e 7 de Agosto de 2010 ISSN 1984-9354

SISTEMA DE CONTROLE GERENCIAL DAS ESCOLAS DE SAMBA DO GRUPO ESPECIAL DA CIDADE DO RIO DE JANEIRORobson Ramos Oliveira (UERJ, FABES, UNIVERCIDADE) oliveira.robs@terra.com.br

A partir das narrativas escritas por carnavalescos, o carnaval ganha forma pelas mos de ferreiros, marceneiros, costureiras, bordadeiras e artesos. Das favelas para o mundo, as escolas de samba do Rio de Janeiro se organizaram e, juntas, conquistaram respeito e prestgio que se materializaram por meio da construo de um Sambdromo, da Cidade do Samba, dentre outras. A temtica tem sido estudada pela Sociologia, Antropologia, Psicologia, Comunicao, mas pouco iluminada pela rea da gesto. Realizou-se estudo exploratrio em que se utilizou fonte de dados primrios e secundrios, visando verificar as caractersticas do sistema de controle gerencial escolas de samba. As variveis estudadas foram: estrutura organizacional; objetivos organizacionais; controle organizacional e avaliao de desempenho. Dentre os achados, verificou-se que a motivao das pessoas elemento necessrio para que as escolas de samba possam atingir os seus objetivos. Por fim, foram feitas sugestes para futuras pesquisas. Palavras-chaves: Sistema de Controle Gerencial; Controle Gerencial; Carnaval; Escola de Samba

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1. INTRODUOMas afinal, que dia esse? Que dia esse que nos faz tremer, suar frio e o corao bater mais forte? Que nos faz sofrer sem dor? Que nos faz tem-lo e, ao mesmo tempo, ansiar pela sua excitante chegada? Que dia esse que nos extrai o sangue, o suor e at mesmo nossas lgrimas? Que faz nossa individualidade ser completamente absorvida pelo xtase coletivo? (VASCONCELOS, 2007)

Esse dia o carnaval, festa popular que faz parte da cultura brasileira, para uns muito trabalho, suor; para outros, xtase total, somente alegria. Essa festa integra pessoas de diferentes pases, idade, sexo, das festas a mais inclusiva, certamente. O pobre pode vestir de rei e rainha; o rico de mendigo, todos convivem e dividem o mesmo espao. O carnaval, ainda possui pouco conhecimento sistematizado na rea da gesto. Recentemente, Motta e Caldas (2007), organizaram um livro, onde foi publicado um captulo escrito por Vergara, Moraes e Palmeira, desvelando os aspectos administrativos do barraco (da escola de samba Imperatriz Leopoldinense), local onde so confeccionadas as alegorias de uma escola de samba. Diversos autores de outras reas do conhecimento j contriburam com narrativas acerca do carnaval, como por exemplo: antropologia - Cavalcanti (1999 e 2006) e DaMatta (1973 e 1979), Geografia e Histria da Arte - Ferreira (1999 e 2005), a Literatura - Valena (1996), alm de Arajo (2003). Dos bastidores das escolas de samba at a apoteose de um dos maiores eventos a cu aberto do mundo, as narrativas escritas por um carnavalesco ganham forma nas mos de ferreiros, marceneiros, costureiras, bordadeiras e artesos, que transformam ferro, madeira, isopor, tecidos, plsticos, papis, pedrarias, dentre tantos outros materiais, em objetos ldicos, obras-primas, que so chamados de alegorias ou carros alegricos, alm das fantasias que so confeccionadas, e tudo em um perodo muito curto de tempo. Como se consegue tamanha faanha? aqui que decorre a questo desta pesquisa, que : Quais so as caractersticas do sistema de controle gerencial das escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro?

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Motiva o estudo a vontade de desvelar como organizaes, que surgiram de ambientes to complexos, conseguiram consagrar internacionalmente a cultura popular brasileira, divulgando o samba para o mundo nas suas mltiplas dimenses: artes plsticas, literatura, msica, dana e, sobretudo, a alegria que o componente brasileiro diferencial dessa festa milenar. O artigo foi organizado em cinco sees. Na introduo, descreveu-se o problema da pesquisa. Na seo dois, levantou-se o referencial terico acerca dos Sistemas de Controle Gerencial. No terceiro, foi tratada a metodologia, depois os achados e por ltimo, foram feitas as consideraes finais e sugestes para outras pesquisas.

2. REFERENCIAL GERENCIAL

TERICO:

SISTEMA

DE

CONTROLE

Os sistemas de controle gerencial so para Anthony e Govindarajan (2002, p. 27-46) procedimentos preestabelecidos para executar uma ou vrios tipos de atividades de planejamento e controle que ocorrem numa organizao. Para Horngren, Sudem e Stratton (2004, p. 300) o sistema de controle gerencial uma integrao lgica das tcnicas para reunir e usar as informaes a fim de tomar decises de planejamento e controle, motivar o comportamento de empregados e avaliar o desempenho. Alm disso, segundo esses autores, um sistema de controle gerencial deve possuir componentes capazes de possibilitar o processo de tomada de deciso, respondendo a questes do tipo: O que queremos alcanar? Como estabeleceremos a direo? (metas, medidas e alvos); Estamos encorajando o comportamento correto? (planejamento); Quanto estamos progredindo? (monitoramento); O que nos est atrapalhando? (avaliao). Chenhall (2003) explica que o significado de Sistemas de Controle Gerencial tem sido utilizado indistintamente, como os de: contabilidade gerencial, sistemas de contabilidade gerencial, controle gerencial, dentre outros. O Quadro 1 foi elaborado a partir das narrativas deste autor e resume os diversos significados de controle:

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Quadro 1 TerminologiasAutor (Ano) Contabilidade Gerencial (Management Accounting) (MA) Sistemas de Contabilidade Gerencial (Management Accounting Systems) (MAS) Sistemas de Controle Gerencial (Management Control Systems (MCS) Organizational Controls (OC) Controle Organizacional Significado Refere-se a um conjunto de prticas, como oramentos, custos dos produtos, sistemas, formas e mtodos de custeio, estoques. Refere-se ao uso sistemtico da contabilidade gerencial de modo a se atingir objetivos.

um amplo termo que engloba os sistemas de contabilidade gerencial, incluindo outros controles, como por exemplo o de pessoal. geralmente utilizado para se referir a controles construdos dentro de atividades e processos, como controle de qualidade, justin-time (filosofia inicialmente idealizada para minimizar o estoque. Atualmente a essncia eliminar desperdcio)

Fonte: Chenhall (2003, p. 129) O autor explica ainda que o foco de MCS, ao longo dos anos, foi o de prover os gestores com informaes mais formais e financeiras para assisti-los nas tomadas de deciso. Uma outra questo bastante tratada na literatura sobre o sistema de controle gerencial, diz respeito ao contexto humano, social e cultural em que a organizao opera (Flamholtz, 1985, 1996; Gomes, 1983; Gomes e Sallas, 2001; Hofstede, 1978, 1981; Nixon e Burns, 2005). Nesse contexto, Flamholtz (1996) coloca que o objetivo do sistema de controle promover uma identidade entre os objetivos dos membros da organizao e os objetivos da organizao como um todo (goal congruence). O grau de congruncia no contexto do carnaval precisa ser analisado sobre dois prismas: o primeiro semelhante ao de qualquer empresa que formada por um grupo de pessoas que precisam estar motivadas para que os objetivo da organizao sejam atingidos; o segundo refere-se aos folies, pois o produto do carnaval um desfile, cheio de regras, que avaliado. Assim, como fazer como que cada folio se comporte de modo a atingir os objetivos das agremiaes, que ser campe, tendo que fazer parte do espetculo atento a vrias regras, ao invs de estar no desfile apenas para se divertir, ser feliz. Gomes e Salas (2001), ainda no contexto social e organizacional, explicam que as tomadas de deciso devem partir de sistemas de informaes em que se permita: a formulao

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de objetivos; a medio do resultado; e os objetivos devem estar ligados a diferentes indicadores que reflitam a estratgia traada para a organizao. Quanto estrutura de controle deve estar desenhada de acordo com as responsabilidades de cada gestor, compreendendo trs elementos: 1) sistema de medidas; 2) sistemas de informao; 3) sistema de incentivos. J o processo de controle compreende outros trs elementos: 1) a formulao de objetivos; 2) o oramento; 3) a avaliao de desempenho Na tentativa de se levantar um quadro de referencial terico em sistema de controle gerencial que pudesse contemplar atividades de planejamento e controle especficas para as escolas de sambas, que pertencem ao setor cultural e artstico, encontrou-se dois artigos e uma tese. O primeiro, de Barbato e Mio (2007), estudou o desenvolvimento dos controles gerenciais, a partir das demonstraes contbeis e oramentos do Venice Biennale (Itlia), fundado em 1893, que uma instituio que organiza encontros anuais de arte, festivais de cinema, dana, msica e teatro. O foco do trabalho passa pelas mudanas ocorridos no processo transformao dessa organizao de pblica para privada. O segundo, de Donato (2003), estudou os intangveis e o sistema de controle gerencial do Ferrara Municipal Theatre (Itlia). Ele discutiu, assim como Barbato e Mio, a transformao do teatro de instituio pblica para fundao privada, chamou a ateno para o fato de os artistas terem grande resistncia para adoo de princpios econmicos no gerencimento das organizaes culturais em face do risco de reduo de qualidade artstica e concluiu que as organizaes