Cartilha sobre Ass©dio Moral

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Cartilha sobre Assédio Moral produzida pelo ANDES-SN

Text of Cartilha sobre Ass©dio Moral

  • 11111Sindicato Nacional dos Docentes das Instituies de Ensino Superior - ANDES-SN

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  • 22222 Sindicato Nacional dos Docentes das Instituies de Ensino Superior - ANDES-SN

    Expediente:

    Produzido pela Assessoria de Comunicao do ANDES-SN

    SCS, Qd. 2, Bl. C, 5 andar - CEP 70.302-914 - Braslia-DF

    Tel. 61 3322 7561

    www.andes.org.br

    Diretor de Divulgao e Imprensa: Evson Malaquias de Moraes Santos

    Pesquisa e texto: Damaris Medina (advogada da Assessoria Jurdica

    Nacional - Alino & Roberto Advogados)

    Diagramao: William Mello

    Tiragem: 50 mil exemplares

    MAIO / 2008

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  • 33333Sindicato Nacional dos Docentes das Instituies de Ensino Superior - ANDES-SN

    AssdiAssdiAssdiAssdiAssdio Moralo Moralo Moralo Moralo Moral

    IntroduoIntroduoIntroduoIntroduoIntroduo11111

    1 A presente cartilha foi elaborada a partir da compila o das informaes con-

    tidas nas Cartilhas da Fenajufe, SindJustia-RJ, APUFPR-SSIND e Portal Assdio

    Moral:.

    O que assdio moral?O que assdio moral?O que assdio moral?O que assdio moral?O que assdio moral?

    Assdio moral ou Violncia moral no trabalho no um fenmenonovo. Pode-se dizer que ele to antigo quanto o trabalho.

    A novidade reside na intensificao, gravidade, amplitude ebanalizao do fenmeno e na abordagem que tenta estabelecer o nexo-causal com a organizao do trabalho e trat-lo como no inerente aotrabalho. A reflexo e o debate sobre o tema so recentes no Brasil,tendo ganhado fora aps a divulgao da pesquisa brasileira realizada

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  • 44444 Sindicato Nacional dos Docentes das Instituies de Ensino Superior - ANDES-SN

    por Dra. Margarida Barreto. Tema da sua dissertao de Mestrado emPsicologia Social, foi defendida em 22 de maio de 2000 na PUC/ SP,sob o ttulo Uma jornada de humilhaes.

    A primeira matria sobre a pesquisa brasileira saiu na Folha deSo Paulo, no dia 25 de novembro de 2000, na coluna de MnicaBrgamo. Desde ento, o assunto vem sendo discutido amplamente pelasociedade, em particular no movimento sindical e no mbito do legislativo.

    Em agosto do mesmo ano, foi publicado no Brasil o livro de MarieFrance Hirigoyen Harclement Moral: la violence perverse au quotidien.O livro foi traduzido pela Editora Bertrand Brasil, com o ttulo Assdiomoral: a violncia perversa no cotidiano.

    Atualmente existem mais de 80 projetos de lei em diferentes mu-nicpios do pas. Vrios projetos j foram aprovados e, entre eles, desta-camos: So Paulo, Natal, Guarulhos, Iracempolis, Bauru, Jaboticabal,Cascavel, Sidrolndia, Reserva do Iguau, Guararema, Campinas, entreoutros. No mbito estadual, o Rio de Janeiro, que, desde maio de 2002,condena esta prtica. Existem projetos em tramitao nos estados deSo Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Paran, Bahia, entre ou-tros. No mbito federal, h propostas de alterao do Cdigo Penal eoutros projetos de lei.

    O que humilhao?O que humilhao?O que humilhao?O que humilhao?O que humilhao?

    ConceitoConceitoConceitoConceitoConceito: um sentimento de ser ofendi-do, menosprezado, rebaixado,inferiorizado, submetido, vexado,constrangido e ultrajado pelooutro. sentir-se um ningum,sem valor, intil. Magoado, revol-tado, perturbado, mortificado,trado, envergonhado, indignadoe com raiva. A humilhao cau-sa dor, tristeza e sofrimento.

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  • 55555Sindicato Nacional dos Docentes das Instituies de Ensino Superior - ANDES-SN

    De acordo com estudos publicados no stio www.assediomoral.org,assdio moral pode ser definido como a exposio dos trabalhadores etrabalhadoras a situaes humilhantes e constrangedoras, repetitivas eprolongadas durante a jornada de trabalho e no exerccio de suas fun-es, sendo mais comuns em relaes hierrquicas autoritrias eassimtricas, em que predominam condutas negativas, relaes desuma-nas e aticas de longa durao, de um ou mais chefes dirigida a um oumais subordinado(s), desestabilizando a relao da vtima com o ambi-ente de trabalho e a organizao, forando-o a desistir do emprego.

    Caracteriza-se pela degradao deliberada das condies de tra-balho em que prevalecem atitudes e condutas negativas dos chefes emrelao a seus subordinados, constituindo uma experincia subjetiva queacarreta prejuzos prticos e emocionais para o trabalhador e a organi-zao. A vtima escolhida isolada do grupo sem explicaes, passandoa ser hostilizada, ridicularizada, inferiorizada, culpabilizada e desacredi-

    1.1.1.1.1. Assdio moral no trabalhoAssdio moral no trabalhoAssdio moral no trabalhoAssdio moral no trabalhoAssdio moral no trabalho

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  • 66666 Sindicato Nacional dos Docentes das Instituies de Ensino Superior - ANDES-SN

    tada diante dos pares. Estes, por medo do desemprego e a vergonha deserem tambm humilhados associado ao estmulo constante competitividade, rompem os laos afetivos com a vtima e, freqentemente,reproduzem e reatualizam aes e atos do agressor no ambiente de tra-balho, instaurando o pacto da tolerncia e do silncio no coletivo, en-quanto a vtima vai gradativamente se desestabilizando e fragilizando,perdendo sua auto-estima.

    O desabrochar do individualismo reafirma o perfil do novo traba-lhador: autnomo, flexvel, capaz, competitivo, criativo, agressivo, qualifi-cado e empregvel. Estas habilidades o qualificam para a demanda domercado que procura a excelncia e sade perfeita. Estar apto significaresponsabilizar os trabalhadores pela formao/qualificao e culpabiliz-los pelo desemprego, aumento da pobreza urbana e misria, desfocando arealidade e impondo aos trabalhadores um sofrimento perverso.

    A humilhao repetitiva e de longa durao interfere na vida dotrabalhador de modo direto, comprometendo sua identidade, dignidadee relaes afetivas e sociais, ocasionando graves danos sade fsica emental, que podem evoluir para a incapacidade laborativa, desempregoou mesmo a morte, constituindo um risco invisvel, porm concreto, nasrelaes e condies de trabalho.

    A violncia moral no trabalho constitui um fenmeno internacio-nal segundo levantamento recente da Organizao Internacional do Tra-balho (OIT) com diversos pases desenvolvidos. A pesquisa aponta paradistrbios da sade mental relacionado com as condies de trabalhoem pases como Finlndia, Alemanha, Reino Unido, Polnia e EstadosUnidos. As perspectivas so sombrias para as duas prximas dcadas,pois segundo a OIT e Organizao Mundial da Sade, estas sero asdcadas do mal estar na globalizao, onde predominar depresses,angustias e outros danos psquicos, relacionados com as novas polticasde gesto na organizao de trabalho e que esto vinculadas s polticasneoliberais. (Fonte: www.assediomoral.org).

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  • 77777Sindicato Nacional dos Docentes das Instituies de Ensino Superior - ANDES-SN

    2.2.2.2.2. CondutCondutCondutCondutCondutas que caracterizam o assdioas que caracterizam o assdioas que caracterizam o assdioas que caracterizam o assdioas que caracterizam o assdiomoral:moral:moral:moral:moral:

    dar instrues confusas ou impreci-sas ao trabalhador;

    designao de novas tarefas semtreinamento;

    designao de tarefas que so peri-gosas ou inadequadas sade dotrabalhador;

    bloquear o andamento do trabalhoalheio;

    atribuir erros imaginrios ao traba-lhador;

    no repassar nenhum trabalho ao fun-cionrio, provocando sensao de inu-tilidade e prejudicando as avaliaes;

    sobrecarga de trabalho com prazosde entrega impossveis de seremcumpridos;

    mudar turnos e horrios de traba-lho sem avisar com antecedncia;

    ignorar a presena do trabalhador nafrente dos outros e/ou no cumpri-ment-lo ou no dirigir a palavra;

    fazer crticas ao trabalhador empblico ou, ainda, brincadeiras demau gosto;

    impor-lhe horrios injustificados;

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  • 88888 Sindicato Nacional dos Docentes das Instituies de Ensino Superior - ANDES-SN

    fazer circular boatosmaldosos e calniassobre o trabalhador;

    forar a demisso dotrabalhador e/outransferi-lo do setors para isol-lo;

    retirar seus instru-mentos de trabalho(computador, fax, te-lefone, etc);

    agredir o assediadosomente quando o as-sediador e a vtimaesto a ss;

    advertncia em razode atestados mdicos ou de reclamao de direitos;

    proibir o trabalhador de ir ao banheiro quando tiver necessidadeou vigiar o tempo em que permanece no mesmo;

    colocar um trabalhador vigiando o outro, fora do contexto da estru-tura hierrquica da empresa;

    proibir de tomar cafezinho ou reduo do horrio das refeies;

    assdio sexual;

    ameaas de violncia.

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  • 99999Sindicato Nacional dos Docentes das Instituies de Ensino Superior - ANDES-SN

    3.3.3.3.3. EfEfEfEfEfeitos do assdio moral sobre a sadeeitos do assdio moral sobre a sadeeitos do assdio moral sobre a sadeeitos do assdio moral sobre a sadeeitos do assdio moral sobre a sade

    Importante salientar que, alm desses efeitos, o assdio moral causaa perda do interesse pelo trabalho e do prazer de trabalhar,desestabilizando emocionalmente e provocando no apenas o agrava-mento de molstias existentes, como tambm o surgimento de novasdoenas.

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  • 1010101010 Sindicato Nacional dos Docentes das Instituies de Ensino Superior - ANDES-SN

    Segundo constatao dos estudiosos do tema, h um perfil dasvtimas muito marcante: so pessoas que resistem s investidas dos che-fes, trabalham mesmo doentes, so capazes e criativas, e em sua maio-ria mulheres.

    As pessoas que se sentem vtimas de assdio devem agir com cau-tela, evitando decises precipitadas e sob presso das emoes. As se-guintes iniciativa