Coedi Padroes Educ Infantil

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PADRES DE INFRA-ESTRUTURA PARA O ESPAO FSICO DESTINADO EDUCAO INFANTILGrupo Ambiente-Educao1

INTRODUO PADRES DE INFRA-ESTRUTURA PARA O ESPAO FSICO DESTINADO EDUCAO INFANTIL associa reas do conhecimento por vezes distanciadas na prtica: Arquitetura e Educao. Observa a Constituio Brasileira (1988) e o Estatuto da Criana e do Adolescente (1990) que estabelecem como dever do Estado, por meio dos municpios, garantia Educao Infantil, com acesso para todas as crianas de 0 a 6 anos a creches e pr-escolas. Reconhece, como definido na Lei de Diretrizes e Bases da Educao - LDB (Lei 93.94/96), a Educao Infantil como a primeira etapa da educao bsica, destacando, assim, as concepes de Educao, suas polticas, prticas e processos, como precedentes s questes de infra-estrutura, isto , ao projeto, construo e reforma de Edificaes Escolares2. A Arquitetura Escolar objeto de reflexo e pesquisa, tem suscitado um grande nmero de Publicaes onde a preocupao em sistematizar os conceitos e as estratgias de projeto aparece como ferramenta de apoio concepo da edificao escolar, dando nfase ao dimensionamento (tamanho) e aos padres de habitabilidade3 do espao fsico edificado e racionalizao dos processos de construo, respeitadas as condies e especificidades locais e/ou regionais. Assim, as discusses sobre infraestrutura devem se dar com a participao da comunidade e a escuta dos anseios e desejos das crianas, dos professores, demais profissionais e familiares, cuja bagagem cultural preenche de significados o espao fsico construdo, tornando-o espao/lugar4. Dentre as necessidades dos usurios inclu-se o conceito de escola inclusiva, isto , ambientes planejados para assegurar acessibilidade universal, onde autonomia e segurana so garantidas s pessoas com necessidades especiais, sejam elas crianas, professores, funcionrios ou membros da comunidade. Destaca a necessidade de atualizar a legislao e as normas sanitrias para a Arquitetura Escolar, respeitando a diversidade cultural do povo brasileiro, refletida nas caractersticas regionais desse pas continente. As discusses presentes na Arquitetura Escolar ressaltam as lacunas existentes entre reflexo terica e realidade concreta das edificaes, especialmente as destinadas Educao Infantil. As desigualdades histricas das Polticas para a Infncia no Brasil aparecem refletidas nas diversas unidades de educao infantil, que funcionam em condies precrias de instalaes e de suprimento de servios bsicos, tais como: gua, esgoto sanitrio e energia eltrica.

1. CONCEITOS PRELIMINARES A construo de uma unidade de educao infantil demanda planejamento e envolve os estudos de viabilidade, a definio das caractersticas ambientais (acessos, fluxos, pr-dimensionamento, reas livres, relaes entre os ambientes) e a elaborao do projeto arquitetnico, incluindo o projeto executivo, o detalhamento tcnico-construtivo e as especificaes tcnicas de materiais e acabamentos.1

Texto elaborado pelo Grupo Ambiente-Educao (GAE): Giselle A. de Azevedo, Leopoldo E. Bastos e Paulo A. Rheingantz (Proarq/FAU-UFRJ), Ligia Leo de Aquino (UCP-Petrpolis), Vera R. de Vasconcellos (EE-UERJ) e Fabiana dos S. Souza, com co-autoria da Profa. Cristiane Rose de Siqueira Duarte (Pr-Acesso/Proarq/FAU-UFRJ) nas questes relacionadas com a acessibilidade e desenho universal, adotado como texto-base para discusso dos Seminrios Regionais sobre Poltica Nacional de Educao Infantil pela Secretaria de Educao Infantil do Ministrio da Educao como em Debate, realizados em Manaus, Recife, Belm, Braslia, So Paulo, Porto Alegre, Goinia, publicado como documento preliminar Padres de infra-estrutura para o espao fsico destinado educao infantil e Parmetros de Qualidade para a Educao Infantil. Braslia: MEC, 2004, p. 3-24. 2 A edificao escolar refere-se ao espao fsico construdo destinado a abrigar as atividades educacionais. O termo escola adotado no presente texto se refere a todas as instituies educacionais, reconhecendo a especificidade de cada nvel de ensino (educao infantil, ensino fundamental e ensino mdio) 3 Qualidade do habitar envolvendo o ambiente externo, as edificaes, equipamentos e atividades desenvolvidas. 4 Para Yi-Fu Tuan (1983: 6) o significado de espao frequentemente se funde com o de lugar (...) o que comea com espao indiferenciado, transforma-se em lugar a medida que o conhecemos melhor e o dotamos de valor.

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Neste sentido, o GAE prope incorporar metodologias projetuais participativas que incluam, as necessidades e os desejos dos usurios, a proposta pedaggica e a interao com as caractersticas ambientais do espao fsico destinado Unidade de Educao Infantil. As grandes diversidades existentes no pas, tais como: - heterogeneidade da densidade demogrfica, recursos scioeconmicos, contexto cultural, alm das condies geogrficas e climticas, exigem uma abordagem de projeto que identifique os parmetros fundamentais para a qualidade do ambiente das unidades de educao infantil e oferea condies para que as municipalidades criem uma rede de qualidade, adaptando esses critrios de acordo com as suas especificidades. Tradicionalmente, as construes escolares seguem um Programa de Necessidades previamente estabelecido pelas Secretarias de Educao. Na abordagem participativa o processo de concepo projetual e a etapa de Programao Arquitetnica5 , devem ser antecedidos de processos participativos que envolvam a comunidade educacional , crianas, professores, funcionrios, familiares e, nas unidades pblicas de educao infantil, as administraes municipais com vistas a compartilhar os saberes e experincias daqueles que demandam e vivenciam os espaos, alm de incorporar a reflexo sobre o perfil pedaggico da instituio pretendida. Com essa abordagem participativa, buscamos a conscientizao de todos sobre a importncia do espao fsico/ambiente construdo no processo educativo. Essa conscientizao demanda a formao de uma equipe interdisciplinar que envolva professores, arquitetos, engenheiros, profissionais de educao e sade, administradores e representantes da comunidade, permitindo que os diferentes saberes e objetivos sejam por eles compartilhados. Adota-se assim, uma perspectiva scio-histricocultural que permite visualizar as relaes e trocas entre sujeitos-e-ambiente. O desafio no processo de concepo dos ambientes educacionais a busca de um repertrio que responda a todos os requisitos formulados pelo grupo interdisciplinar, integrando objetivos ambientais, pedaggicos, econmicos e sociais.

2. BREVE HISTRICO A histria de atendimento criana em idade anterior escolaridade obrigatria fez-se, em grande parte, atravs de aes que priorizaram a guarda das crianas. Em geral, destinavam-se ao atendimento de crianas pobres e organizavam-se com base na lgica da pobreza, isto , com os servios prestados - seja pelo poder pblico como por setores privados (entidades religiosas e filantrpicas) - no eram considerados como um direito das crianas e suas famlias, mas sim como uma doao, que se faziam e muitas vezes ainda se fazem sem grandes investimentos. Sendo destinado populao pobre, justificava-se um servio pobre (FRANCO, 1989, KUHLMANN JR, 1998). Alm dessas iniciativas, tambm as populaes das periferias e favelas procuraram criar espaos coletivos para acolher suas crianas, organizando creches e pr-escolas comunitrias. Para tal, construram e adaptaram prdios com seus prprios e parcos recursos o que seguem fazendo na ausncia do Estado (TAVARES; MARTINS & MAIA, 1993). Nesse longo percurso da histria do atendimento infncia, pesquisas e prticas vm buscando afirmar a importncia de se promover uma educao de qualidade para todas as crianas o que envolve diversos aspectos do atendimento, dentre eles, o ambiente construdo. Particularmente, nesse aspecto h srios problemas a se enfrentar, conforme o diagnstico apresentado no Plano Nacional de Educao (Brasil, 2001). No Brasil, grande nmero de ambientes destinados educao de crianas com menos de 6 anos funciona em condies precrias. Servios bsicos como gua, esgoto sanitrio e energia eltrica, no esto disponveis para muitas creches e pr-escolas. Alm da precariedade ou mesmo ausncia de servios bsicos, outro elemento referente infra-estrutura, atinge tanto a sade fsica, quanto o desenvolvimento integral das crianas, entre eles est inexistncia de reas externas ou espaos alternativos que propiciem s crianas a possibilidade de estar ao ar livre, em atividade de movimentao ampla, tendo seu espao de convivncia, de brincadeira e explorao do ambiente, enriquecido (BRASIL, 2001). Vale registrar, que segundo dados mais recentes do MEC (BRASIL, 2003), identificam-se melhoras5

Usualmente e erroneamente conhecida pela designao reducionista Programa de Necessidades.

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em relao s condies sanitrias encontradas nos estudos realizados at 1998. Isso pode significar que tem-se buscado responder s novas exigncias legais, entretanto, tais informaes dizem respeito a estabelecimentos credenciados (autorizados para funcionar), assim sendo, podemos afirmar que ainda h estabelecimentos, principalmente os que esto fora do sistema formal, mas no s eles, atendendo crianas em ambientes com condies precrias.

3. CONSIDERAES SOBRE A BASE LEGAL DA TEMTICA E DOCUMENTOS OFICIAIS A atual legislao educacional brasileira dispe de um conjunto de documentos, os quais abordam ou mesmo orientam no sentido de se definir critrios de qualidade para infra-estrutura das unidades de educao infantil. Tais documentos precisam ser analisados e acatados para que o quadro apresentado acima seja revertido. O primeiro, a Lei de Diretrizes e Bases da Educao Nacional - LDB/96 (Lei n 9394/96), que disciplina a educao oferecida em todos os nveis desde a educao infantil, at o ensino superior. Na LDB/96, os recursos pblicos destinados educao devem ser aplicados na manuteno e desenvolvimento do ensino pblico, o que compreende inclusive a aquisio, manuteno, construo e conservao de instalaes e equipamentos necessrios ao ensino (alnea IV do