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  • ENERGIA ELTRICA : TARIFAS

    Por Tania Rodrigues Mendes Agente Tcnico Legislativo

    1 de junho de 2000

    Analisa documentos sobre as tarifas e os programas sociais

    praticados pelas concessionrias de energia eltrica no Estado de So Paulo, antes e aps as privatizaes, avalia os impactos para os consumidores de

    baixa renda e indica alternativas de proposies e aes legislativas em funo do novo desenho institucional do setor eltrico.

    1. Resumo dos estudos e anlises

    Verificamos que os problemas com a eliminao de programas sociais e a equalizao tarifria ocorrem a partir de 1993, com a Lei Federal n

    8.361 de 4 de maro, consolidam-se com as leis de concesses de 1995 e agravam os seus efeitos com o processo de desestatizao, realizado sem a instituio de um quadro regulatrio definido, e que prioriza a energia

    eltrica como commodity, sobrepondo o principio da garantia de rentabilidade aos concessionrios ao de universalizao de acesso como

    direito do cidado.

    A obrigatoriedade de atendimento universal aos diversos segmentos da populao no instituda por lei. explicitada apenas no captulo IV

    dos contratos de concesso, porm sem a indicao de diretrizes e metas a serem cumpridas, e por conseqncia fiscalizadas e exigidas pelos

    consumidores e pelo rgo regulador.

    Os ganhos de produtividade e a realizao de lucros em funo de obteno de receitas acessrias pela cesso onerosa de ativos para a

    instalao de infovias, podem ser apropriados integralmente pelos controladores, no prazo mdio de 5 anos a contar da data de assinatura do

    contrato de concesso. Somente aps essa carncia que a ANEEL estabelecer a forma e a parcela desses ganhos que revertero em benefcios de abatimento de tarifas para os consumidores.

    A Lei Federal n 8.361, de 4 de maro de 1993, substituiu a remunerao garantida de at 12% ao ano para as concessionrias de

    eletricidade, e a unicidade tarifria para todo o pas, pelo estabelecimento das tarifas por propostas das concessionrias e homologadas pelo poder concedente, com base no custo do servio.

    Promoveu ainda o reenquadramento tarifrio dos usurios residenciais para a remoo dos subsdios cruzados, a mudana do limite de

    consumo mensal com descontos, a criao de tetos regionais de consumo, acima dos quais os usurios perdem os benefcios dos descontos

    progressivos, e a reduo dos percentuais de descontos existentes. Posteriormente a Portaria DNAEE n 437, de 3 de novembro de 1995, criou na classe de tarifa residencial a subclasse baixa renda.

  • 1.1. Instituio da tarifa subclasse baixa renda: impactos

    Os impactos das alteraes legais esto descritos no quadro 1, do anexo II. A tabela mostra a estrutura de descontos que vigorava para a classe residencial e a nova estrutura imposta a partir de 3 de novembro de

    1995.

    Naquela ocasio, o consumidor residencial teve suas contas de

    consumo aumentadas de forma real, no porque as tarifas fossem reajustadas mas porque os descontos foram reduzidos.

    importante ressaltar que a chamada tarifa social, com descontos

    progressivos at 220 KWh, e os demais programas sociais praticados at novembro de 1995, vigoravam apenas no Estado de So Paulo, e para os

    consumidores atendidos pelas empresas estatais estaduais CESP, CPFL e ELETROPAULO. Os consumidores das 11 concessionrias privadas ento existentes no Estado, no tinham acesso a estes benefcios.

    Como se confirma nos documentos de nmeros 16, 18, e 45 do anexo I, estes benefcios eram praticados por deciso das direes das

    empresas estatais, com aval da Secretaria Estadual de Energia, e nunca foram institucionalizados atravs de lei, medida em que as empresas

    eram companhias abertas regidas pelo direito privado. Portanto, os benefcios ento existentes, eram fruto de decises do Estado, enquanto acionista controlador das empresas, e suportados seja por no pagamento

    de dividendos ao Tesouro, seja pelas demais classes de consumidores, ou pela remunerao garantida de 12% ao ano.

    Nota-se que aps a instituio da subclasse baixa renda os descontos continuam ocorrendo para as classes mais baixas, mas a sua forte reduo provocou um aumento nas contas, que em 1995 significou 94%.

    De acordo com um levantamento do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), quem consome at 30KWh teve um reajuste de 324%,

    enquanto as pessoas com um consumo de 1,1 mil KWh tiveram reduo de 16% em suas contas, depois da privatizao. (anexo I/34)

    No caso da cidade de So Paulo, por exemplo, quem consome em

    junho de 2000 at 220 KWh, paga R$ 25,97 sem ICMS, enquanto que uma conta de 221KWh ter de pagar R$ 35,46 sem ICMS, quase 40% a mais,

    pois perde inteiramente os descontos concedidos nas faixas at 220KWh.

    O efeito do corte no subsdio nas contas de luz de consumidores residenciais e os impactos da reduo dos descontos nas tarifas mdias

    entre 10/95 a 01/96 esto expressos no quadro 2 do anexo II.

    No quadro 3, do anexo II temos as tarifas mdias calculadas pela

    ANEEL, entre 1995 e junho de 2000, comparadas com a variao do IPC-FIPE.

    Estes impactos se agravam a medida que eliminada tambm a

    iseno de ICMS at o consumo de 50KWh, as alquotas deste imposto saltam de 12% at 200 KWh, para 25% acima de 200KWh, e o montante

    do imposto integra a base de clculo, resultando que as alquotas legais de

  • 12% e 25% correspondem a desembolsos reais de, respectivamente,

    13,64% e 33,33%, o chamado ICMS por dentro (artigos 33 e 34 item 4, alneas a e b da Lei Estadual n 6.374/89).

    Assim na rea de concesso da ELETROPAULO METROPOLITANA, por exemplo, no ms de junho de 2000 temos a situao descrita no anexo III:

    1.2. Reestruturao institucional do setor eltrico: privatizaes

    Outro fator relevante a reestruturao institucional do setor eltrico e o processo de desestatizao, que tem forte impacto na garantia

    constitucional de universalizao de acesso aos servios pblicos de energia.

    Em So Paulo, a privatizao das estatais de energia eltrica significou tambm o trmino da possibilidade dos Poderes Pblicos estaduais terem iniciativas em relao aos servios e especialmente s

    tarifas, de modo a induzir as concessionrias a manter programas sociais, medida que a Unio, como Poder Concedente, tem competncia exclusiva

    para legislar sobre a matria.

    Quando as empresas eram estatais os deputados estaduais detinham

    a prerrogativa de influncia sobre matria tarifria, pois legislavam para obrigar ao acionista controlador, que era o Estado de So Paulo, e no diretamente sobre o setor eltrico.

    1.3. Programas sociais

    Naquele cenrio os programas sociais e a prtica de tarifas favorecidas eram decises das diretorias das empresas estatais, induzidas

    pelos representantes do Estado como acionista controlador, e suportados por remunerao empresarial garantida de at 12% ao ano, subsdios

    cruzados e, no limite, pela aplicao dos dividendos sobre lucros realizados, aos quais o controlador tinha direito pela Lei das S/A.

    Com as privatizaes esses programas, salvo excees que

    sobreviveram por fora de dispositivos especiais dos editais, deixaram de ser desenvolvidos pelas empresas e no foram assumidos pelo Estado.

    Entre os sobreviventes, embora no citados em sua totalidade pela resposta ao RI n525/99 esto:

    a- Programa CESP Criana;

    b- Programa Turma da Rua ELETROPAULO;

    c- Programa Desempregado ELEKTRO;

    d- Programa Luz da Terra (anexo I/25);

    e- LBP - Programa de fornecimento de padro bsico de energia para moradias urbanas ELEKTRO;

  • f- PROLUZ - Programa de extenso de ligao para moradias urbanas

    de baixa renda ELEKTRO.

    Embora a resposta ao RI n 525/99 no apresente dados sobre os

    programas sociais existentes antes das privatizaes, a CSPE alegue no existir tarifa social e no ter havido modificao em funo da troca de controle acionrio das empresas, os documentos adicionais analisados,

    especialmente os de nmeros 16, 18, 25, 33, 34, 40, 41, 42 e 45 fazem meno explcita a eles, destacando-se:

    a- Tarifa social critrios Secretaria de Estado de Energia, para CESP, CPFL e ELETROPAULO;

    b- Bnus para moradores favelados CPFL.

    Com base nos Relatrios de Administrao de 1999, alm dos programas referidos na resposta ao RI n 525/99, esto vigentes os

    seguintes programas sociais:

    1.2.1. CESP Companhia Energtica de So Paulo (anexo I/14)

    Programa CESP Criana: (...) Em 1999, o Programa CESP Criana manteve o reconhecimento e a recomendao do UNICEF, como modelo de

    atendimento criana para a Amrica Latina.

    Com a plena utilizao das instalaes e recursos disponibilizados

    pela CESP, este programa atendeu ao longo de 12 anos de sua histria aproximadamente 500 mil crianas e jovens, na faixa etria de 1 a 17 anos. Pelas realizaes nesta importante rea social, a CESP recebeu em 1999

    tambm o Selo ABRINQ de Empresa Amiga da Criana, pelo 5 ano consecutivo.

    Com o objetivo de manter este importante trabalho social, foi criado o Instituto CESP Criana, que continua sendo mantido pela CESP e demais empresas resultantes da ciso.

    Indicadores sociais / contribuies para a cidadania 98/99:

    a- 1998: R$ 9.635.000,00, representando 0,2% da Folha de

    Pagamento Bruta e 1,0% sobre os resultados do servio;

    b- 1999: R$7.494.000,00, representando 0,3% sobre a Folha de Pagamento Bruta e 1,7% sobre o resultado do servio.

    1.2.2. CPFL Companhia Paulista de Fora e Luz (anexo I/17)

    Apoio ao atendimento mdico-hospitalar:

    Com o propsito de auxiliar no atendimento mdico destinado populao de sua rea de concesso (...) a CPFL contemplou hospitais de

    36 cidades de sua rea de concesso, com v