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17ª Festa do Imigrante celebra cultura e diversidade paulista Nos dias 27 de maio e 03 de junho, São Paulo celebrou a cultura e as tradições das diferentes comunidades imigrantes que representam a mistura de influências e a diversidade do estado. A 17ª Festa do Imigrante organizada pelo Museu da Imigração do Estado de São Paulo, que é gerido pela Associação dos Amigos do Museu do Café, recebeu mais de 12 mil pessoas nos dois dias de evento, realizado no complexo que abrigava a antiga Hospedaria de Imigrantes, no bairro da Mooca, em São Paulo. Ao longo dos anos, a Festa do Imigrante vem conseguindo unir o tradicionalismo da iniciativa com a crescente participação do público e das comunidades. Em 2012, o evento contou com a participação de 34 nações – 18 da Europa, 3 da África, 4 da Ásia, 6 da América e 3 do Oriente Médio – distribuídas em 53 expositores – 32 de alimentação e 21 de artesanato – e 34 apresentações artísticas. A grande conquista desta edição foi a expansão dos países representados para além daqueles relacionados à grande imigração europeia e asiática, abrindo espaço para movimentos migratórios mais recentes, principalmente da América Latina e da África. Países como Congo, Angola e Moçambique participaram pela primeira vez do evento. 18 Evento destacou as manifestações culturais de diferentes comunidades imigrantes presentes no estado de São Paulo Mais do que as já tradicionais barracas de alimentos e artesanato, a edição deste ano apostou em uma programação diversificada e interativa. Um dos destaques foi o “culinária show”, em que renomados chefs da cidade de São Paulo apresentaram receitas da cozinha internacional influenciadas pela cultura brasileira. No dia 27 de maio, Adriano Kanashiro, especialista em culinária oriental, ensinou ao público os truques para preparar um Temarizushi Maguro Shigue, que leva atum, arroz japonês e molho su. No mesmo dia, Allan Vila Espejo – o chef Allan –, especialista em culinária espanhola, mostrou o passo-a-passo para preparar uma Paella Valenciana. Na semana seguinte, foi a vez de Bruno Stippe, que utiliza como base a cozinha italiana, ensinar os segredos de um Spaghetti ai Gamberi e Pancetta. Por último, Brenno Lerner, chef renomado e um dos nomes mais respeitados do mercado editorial, propor uma viagem pela culinária judaica. As receitas apresentadas foram Carbonada Criola, Saltibasciai (Borscht a moda lituana) e Guefilte Fish. Outra atração especial foi o espaço Cine Imigrante. A programação, com curadoria da Cinemateca Brasileira, Chris Ceneviva Abertura Thiago Santos

Hospedaria de Imigrantes 17ª Festa do Imigrante celebra ... · mais de 70 nacionalidades e etnias chegaram com o sonho de “fazer a América” e acabaram por contribuir expressivamente

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Page 1: Hospedaria de Imigrantes 17ª Festa do Imigrante celebra ... · mais de 70 nacionalidades e etnias chegaram com o sonho de “fazer a América” e acabaram por contribuir expressivamente

17ª Festa do Imigrante celebra cultura e diversidade paulista

Nos dias 27 de maio e 03 de junho, São Paulo celebrou a cultura e as tradições das diferentes comunidades imigrantes que representam a mistura de influências e a diversidade do estado. A 17ª Festa do Imigrante organizada pelo Museu da Imigração do Estado de São Paulo, que é gerido pela Associação dos Amigos do Museu do Café, recebeu mais de 12 mil pessoas nos dois dias de evento, realizado no complexo que abrigava a antiga Hospedaria de Imigrantes, no bairro da Mooca, em São Paulo.

Ao longo dos anos, a Festa do Imigrante vem conseguindo unir o tradicionalismo da iniciativa com a crescente participação do público e das comunidades. Em 2012, o evento contou com a participação de 34 nações – 18 da Europa, 3 da África, 4 da Ásia, 6 da América e 3 do Oriente Médio – distribuídas em 53 expositores – 32 de alimentação e 21 de artesanato – e 34 apresentações artísticas. A grande conquista desta edição foi a expansão dos países representados para além daqueles relacionados à grande imigração europeia e asiática, abrindo espaço para movimentos migratórios mais recentes, principalmente da América Latina e da África. Países como Congo, Angola e Moçambique participaram pela primeira vez do evento.

18Evento destacou as manifestações culturais de diferentes comunidadesimigrantes presentes no estado de São Paulo

Mais do que as já tradicionais barracas de alimentos e artesanato, a edição deste ano apostou em uma programação diversificada e interativa. Um dos destaques foi o “culinária show”, em que renomados chefs da cidade de São Paulo apresentaram receitas da cozinha internacional influenciadas pela cultura brasileira. No dia 27 de maio, Adriano Kanashiro, especialista em culinária oriental, ensinou ao público os truques para preparar um Temarizushi Maguro Shigue, que leva atum, arroz japonês e molho su. No mesmo dia, Allan Vila Espejo – o chef Allan –, especialista em culinária espanhola, mostrou o passo-a-passo para preparar uma Paella Valenciana.

Na semana seguinte, foi a vez de Bruno Stippe, que utiliza como base a cozinha italiana, ensinar os segredos de um Spaghetti ai Gamberi e Pancetta. Por último, Brenno Lerner, chef renomado e um dos nomes mais respeitados do mercado editorial, propor uma viagem pela culinária judaica. As receitas apresentadas foram Carbonada Criola, Saltibasciai (Borscht a moda lituana) e Guefilte Fish.

Outra atração especial foi o espaço Cine Imigrante. A programação, com curadoria da Cinemateca Brasileira,

incluiu filmes de curta e longa duração relacionados ao tema da imigração, com os títulos: “Azas italianas sob os céos do Brasil”, “Dov’e meneghetti?”, “Chá verde e arroz”, “Tori”, “Avós”, “Lampião rei do cangaço”, “Baile perfumado”, “O ano em que meus pais saíram de férias”, “Um passaporte húngaro” e “Cinema, aspirinas e urubus”.

Mais uma novidade da 17ª Festa do Imigrante foi a “Tenda Faz e Conta”. No espaço foram apresentadas sessões de contação de histórias e lendas dos cinco continentes: “Histórias da Mãe África”, “Histórias da América”, “Europa – um continente de histórias”, “Ásia e suas histórias” e “Histórias do outro lado do mundo – a Oceania”. As crianças também puderam participar de atividades lúdicas desenvolvidas pela equipe educativa do Museu da Língua Portuguesa, como a árvore das origens, criação de histórias e livro de registros. Ainda sob a tenda, foram realizadas oficinas de artesanato de diferentes nações, como bordado da madeira (Ilha da Madeira), pintura de marguciai – ovos decorados com cera de abelha – (Lituânia), bordado indiano (Índia), Oshibana (Japão) e pintura em caixinha de madeira (Rússia).

As apresentações artísticas, sucesso de público, foram uma atração à parte. Ao todo, o evento recebeu 34 performances, com danças e músicas típicas de nações como Alemanha, Argentina, Armênia, Bolívia, Bulgária, Chile, Congo, Coréia, Croácia, Espanha, Grécia, Ilha da Madeira, Itália, Lituânia, Paraguai, Peru, Polônia, Portugal, República Tcheca, Rússia, Síria e Ucrânia.

Durante o evento foram realizadas ainda intervenções cênicas e distribuição de impressos com curiosidades sobre diferentes idiomas.

Museu da Imigração

O Museu da Imigração do Estado de São Paulo está em processo de restauro das edificações e implantação de nova exposição de longa duração.

Em seu novo projeto museológico, o Museu da Imigração pretende valorizar ainda mais o encontro das múltiplas histórias e origens e propor ao público o contato com as lembranças daquelas pessoas que vieram de terras distantes, suas condições de viagem, adaptação aos novos trabalhos e contribuição para a formação do que hoje chamamos de identidade paulista.

A história da migração humana não deve ser encarada como uma questão relacionada exclusivamente ao passado; há a necessidade de tratar sobre deslocamentos mais recentes. O novo Museu da Imigração pretende fomentar o diálogo sobre as migrações como um fenômeno contemporâneo, que não se encerra com o fechamento das atividades da Hospedaria, reconhecendo a recepção dos milhões de migrantes atuais e a repercussão deste deslocamento para o estado de São Paulo.

Hospedaria de Imigrantes

Ao desembarcar no Brasil, os imigrantes trouxeram muito mais do que o anseio de refazer suas vidas trabalhando nas lavouras de café e no início da indústria paulista. Nos séculos XIX e XX, os representantes de mais de 70 nacionalidades e etnias chegaram com o sonho de “fazer a América” e acabaram por contribuir expressivamente na história do país e na cultura brasileira. Deles, o Brasil herdou sobrenomes, sotaques, costumes, comidas e vestimentas.

Inaugurada em 1887, a Hospedaria de Imigrantes se tornou a principal hospedagem destinada a abrigar os imigrantes recém-chegados. Foi no antigo prédio da Hospedaria – hoje sede do Museu da Imigração – que os

anseios, angústias e expectativas de mais de 2,5 milhões de pessoas se cruzaram entre 1887 e 1978. Ao longo de seus 91 anos, a Hospedaria acolheu e encaminhou os imigrantes aos novos empregos. Para isso, o prédio contava com a Agência Oficial de Colonização e Trabalho. Além de alojamento, disponibilizava farmácia, laboratório, hospital, correios, lavanderia, cozinha e setores de assistência médica e odontológica.

Especialmente na década de 1930, a Hospedaria de Imigrantes passou a acolher também trabalhadores migrantes de outros estados brasileiros. Na década de 1970, perdeu sua função original e em 1978 recebeu pela última vez um grupo de imigrantes coreanos, pouco antes de encerrar suas atividades.

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Nos dias 27 de maio e 03 de junho, São Paulo celebrou a cultura e as tradições das diferentes comunidades imigrantes que representam a mistura de influências e a diversidade do estado. A 17ª Festa do Imigrante organizada pelo Museu da Imigração do Estado de São Paulo, que é gerido pela Associação dos Amigos do Museu do Café, recebeu mais de 12 mil pessoas nos dois dias de evento, realizado no complexo que abrigava a antiga Hospedaria de Imigrantes, no bairro da Mooca, em São Paulo.

Ao longo dos anos, a Festa do Imigrante vem conseguindo unir o tradicionalismo da iniciativa com a crescente participação do público e das comunidades. Em 2012, o evento contou com a participação de 34 nações – 18 da Europa, 3 da África, 4 da Ásia, 6 da América e 3 do Oriente Médio – distribuídas em 53 expositores – 32 de alimentação e 21 de artesanato – e 34 apresentações artísticas. A grande conquista desta edição foi a expansão dos países representados para além daqueles relacionados à grande imigração europeia e asiática, abrindo espaço para movimentos migratórios mais recentes, principalmente da América Latina e da África. Países como Congo, Angola e Moçambique participaram pela primeira vez do evento.

Mais do que as já tradicionais barracas de alimentos e artesanato, a edição deste ano apostou em uma programação diversificada e interativa. Um dos destaques foi o “culinária show”, em que renomados chefs da cidade de São Paulo apresentaram receitas da cozinha internacional influenciadas pela cultura brasileira. No dia 27 de maio, Adriano Kanashiro, especialista em culinária oriental, ensinou ao público os truques para preparar um Temarizushi Maguro Shigue, que leva atum, arroz japonês e molho su. No mesmo dia, Allan Vila Espejo – o chef Allan –, especialista em culinária espanhola, mostrou o passo-a-passo para preparar uma Paella Valenciana.

Na semana seguinte, foi a vez de Bruno Stippe, que utiliza como base a cozinha italiana, ensinar os segredos de um Spaghetti ai Gamberi e Pancetta. Por último, Brenno Lerner, chef renomado e um dos nomes mais respeitados do mercado editorial, propor uma viagem pela culinária judaica. As receitas apresentadas foram Carbonada Criola, Saltibasciai (Borscht a moda lituana) e Guefilte Fish.

Outra atração especial foi o espaço Cine Imigrante. A programação, com curadoria da Cinemateca Brasileira,

incluiu filmes de curta e longa duração relacionados ao tema da imigração, com os títulos: “Azas italianas sob os céos do Brasil”, “Dov’e meneghetti?”, “Chá verde e arroz”, “Tori”, “Avós”, “Lampião rei do cangaço”, “Baile perfumado”, “O ano em que meus pais saíram de férias”, “Um passaporte húngaro” e “Cinema, aspirinas e urubus”.

Mais uma novidade da 17ª Festa do Imigrante foi a “Tenda Faz e Conta”. No espaço foram apresentadas sessões de contação de histórias e lendas dos cinco continentes: “Histórias da Mãe África”, “Histórias da América”, “Europa – um continente de histórias”, “Ásia e suas histórias” e “Histórias do outro lado do mundo – a Oceania”. As crianças também puderam participar de atividades lúdicas desenvolvidas pela equipe educativa do Museu da Língua Portuguesa, como a árvore das origens, criação de histórias e livro de registros. Ainda sob a tenda, foram realizadas oficinas de artesanato de diferentes nações, como bordado da madeira (Ilha da Madeira), pintura de marguciai – ovos decorados com cera de abelha – (Lituânia), bordado indiano (Índia), Oshibana (Japão) e pintura em caixinha de madeira (Rússia).

As apresentações artísticas, sucesso de público, foram uma atração à parte. Ao todo, o evento recebeu 34 performances, com danças e músicas típicas de nações como Alemanha, Argentina, Armênia, Bolívia, Bulgária, Chile, Congo, Coréia, Croácia, Espanha, Grécia, Ilha da Madeira, Itália, Lituânia, Paraguai, Peru, Polônia, Portugal, República Tcheca, Rússia, Síria e Ucrânia.

Durante o evento foram realizadas ainda intervenções cênicas e distribuição de impressos com curiosidades sobre diferentes idiomas.

Museu da Imigração

O Museu da Imigração do Estado de São Paulo está em processo de restauro das edificações e implantação de nova exposição de longa duração.

Em seu novo projeto museológico, o Museu da Imigração pretende valorizar ainda mais o encontro das múltiplas histórias e origens e propor ao público o contato com as lembranças daquelas pessoas que vieram de terras distantes, suas condições de viagem, adaptação aos novos trabalhos e contribuição para a formação do que hoje chamamos de identidade paulista.

A história da migração humana não deve ser encarada como uma questão relacionada exclusivamente ao passado; há a necessidade de tratar sobre deslocamentos mais recentes. O novo Museu da Imigração pretende fomentar o diálogo sobre as migrações como um fenômeno contemporâneo, que não se encerra com o fechamento das atividades da Hospedaria, reconhecendo a recepção dos milhões de migrantes atuais e a repercussão deste deslocamento para o estado de São Paulo.

Hospedaria de Imigrantes

Ao desembarcar no Brasil, os imigrantes trouxeram muito mais do que o anseio de refazer suas vidas trabalhando nas lavouras de café e no início da indústria paulista. Nos séculos XIX e XX, os representantes de mais de 70 nacionalidades e etnias chegaram com o sonho de “fazer a América” e acabaram por contribuir expressivamente na história do país e na cultura brasileira. Deles, o Brasil herdou sobrenomes, sotaques, costumes, comidas e vestimentas.

Inaugurada em 1887, a Hospedaria de Imigrantes se tornou a principal hospedagem destinada a abrigar os imigrantes recém-chegados. Foi no antigo prédio da Hospedaria – hoje sede do Museu da Imigração – que os

anseios, angústias e expectativas de mais de 2,5 milhões de pessoas se cruzaram entre 1887 e 1978. Ao longo de seus 91 anos, a Hospedaria acolheu e encaminhou os imigrantes aos novos empregos. Para isso, o prédio contava com a Agência Oficial de Colonização e Trabalho. Além de alojamento, disponibilizava farmácia, laboratório, hospital, correios, lavanderia, cozinha e setores de assistência médica e odontológica.

Especialmente na década de 1930, a Hospedaria de Imigrantes passou a acolher também trabalhadores migrantes de outros estados brasileiros. Na década de 1970, perdeu sua função original e em 1978 recebeu pela última vez um grupo de imigrantes coreanos, pouco antes de encerrar suas atividades.

Culinária Show - apresentação do Chef Breno Lerner

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Nos dias 27 de maio e 03 de junho, São Paulo celebrou a cultura e as tradições das diferentes comunidades imigrantes que representam a mistura de influências e a diversidade do estado. A 17ª Festa do Imigrante organizada pelo Museu da Imigração do Estado de São Paulo, que é gerido pela Associação dos Amigos do Museu do Café, recebeu mais de 12 mil pessoas nos dois dias de evento, realizado no complexo que abrigava a antiga Hospedaria de Imigrantes, no bairro da Mooca, em São Paulo.

Ao longo dos anos, a Festa do Imigrante vem conseguindo unir o tradicionalismo da iniciativa com a crescente participação do público e das comunidades. Em 2012, o evento contou com a participação de 34 nações – 18 da Europa, 3 da África, 4 da Ásia, 6 da América e 3 do Oriente Médio – distribuídas em 53 expositores – 32 de alimentação e 21 de artesanato – e 34 apresentações artísticas. A grande conquista desta edição foi a expansão dos países representados para além daqueles relacionados à grande imigração europeia e asiática, abrindo espaço para movimentos migratórios mais recentes, principalmente da América Latina e da África. Países como Congo, Angola e Moçambique participaram pela primeira vez do evento.

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Mais do que as já tradicionais barracas de alimentos e artesanato, a edição deste ano apostou em uma programação diversificada e interativa. Um dos destaques foi o “culinária show”, em que renomados chefs da cidade de São Paulo apresentaram receitas da cozinha internacional influenciadas pela cultura brasileira. No dia 27 de maio, Adriano Kanashiro, especialista em culinária oriental, ensinou ao público os truques para preparar um Temarizushi Maguro Shigue, que leva atum, arroz japonês e molho su. No mesmo dia, Allan Vila Espejo – o chef Allan –, especialista em culinária espanhola, mostrou o passo-a-passo para preparar uma Paella Valenciana.

Na semana seguinte, foi a vez de Bruno Stippe, que utiliza como base a cozinha italiana, ensinar os segredos de um Spaghetti ai Gamberi e Pancetta. Por último, Brenno Lerner, chef renomado e um dos nomes mais respeitados do mercado editorial, propor uma viagem pela culinária judaica. As receitas apresentadas foram Carbonada Criola, Saltibasciai (Borscht a moda lituana) e Guefilte Fish.

Outra atração especial foi o espaço Cine Imigrante. A programação, com curadoria da Cinemateca Brasileira,

incluiu filmes de curta e longa duração relacionados ao tema da imigração, com os títulos: “Azas italianas sob os céos do Brasil”, “Dov’e meneghetti?”, “Chá verde e arroz”, “Tori”, “Avós”, “Lampião rei do cangaço”, “Baile perfumado”, “O ano em que meus pais saíram de férias”, “Um passaporte húngaro” e “Cinema, aspirinas e urubus”.

Mais uma novidade da 17ª Festa do Imigrante foi a “Tenda Faz e Conta”. No espaço foram apresentadas sessões de contação de histórias e lendas dos cinco continentes: “Histórias da Mãe África”, “Histórias da América”, “Europa – um continente de histórias”, “Ásia e suas histórias” e “Histórias do outro lado do mundo – a Oceania”. As crianças também puderam participar de atividades lúdicas desenvolvidas pela equipe educativa do Museu da Língua Portuguesa, como a árvore das origens, criação de histórias e livro de registros. Ainda sob a tenda, foram realizadas oficinas de artesanato de diferentes nações, como bordado da madeira (Ilha da Madeira), pintura de marguciai – ovos decorados com cera de abelha – (Lituânia), bordado indiano (Índia), Oshibana (Japão) e pintura em caixinha de madeira (Rússia).

As apresentações artísticas, sucesso de público, foram uma atração à parte. Ao todo, o evento recebeu 34 performances, com danças e músicas típicas de nações como Alemanha, Argentina, Armênia, Bolívia, Bulgária, Chile, Congo, Coréia, Croácia, Espanha, Grécia, Ilha da Madeira, Itália, Lituânia, Paraguai, Peru, Polônia, Portugal, República Tcheca, Rússia, Síria e Ucrânia.

Durante o evento foram realizadas ainda intervenções cênicas e distribuição de impressos com curiosidades sobre diferentes idiomas.

Museu da Imigração

O Museu da Imigração do Estado de São Paulo está em processo de restauro das edificações e implantação de nova exposição de longa duração.

Em seu novo projeto museológico, o Museu da Imigração pretende valorizar ainda mais o encontro das múltiplas histórias e origens e propor ao público o contato com as lembranças daquelas pessoas que vieram de terras distantes, suas condições de viagem, adaptação aos novos trabalhos e contribuição para a formação do que hoje chamamos de identidade paulista.

A história da migração humana não deve ser encarada como uma questão relacionada exclusivamente ao passado; há a necessidade de tratar sobre deslocamentos mais recentes. O novo Museu da Imigração pretende fomentar o diálogo sobre as migrações como um fenômeno contemporâneo, que não se encerra com o fechamento das atividades da Hospedaria, reconhecendo a recepção dos milhões de migrantes atuais e a repercussão deste deslocamento para o estado de São Paulo.

Hospedaria de Imigrantes

Ao desembarcar no Brasil, os imigrantes trouxeram muito mais do que o anseio de refazer suas vidas trabalhando nas lavouras de café e no início da indústria paulista. Nos séculos XIX e XX, os representantes de mais de 70 nacionalidades e etnias chegaram com o sonho de “fazer a América” e acabaram por contribuir expressivamente na história do país e na cultura brasileira. Deles, o Brasil herdou sobrenomes, sotaques, costumes, comidas e vestimentas.

Inaugurada em 1887, a Hospedaria de Imigrantes se tornou a principal hospedagem destinada a abrigar os imigrantes recém-chegados. Foi no antigo prédio da Hospedaria – hoje sede do Museu da Imigração – que os

anseios, angústias e expectativas de mais de 2,5 milhões de pessoas se cruzaram entre 1887 e 1978. Ao longo de seus 91 anos, a Hospedaria acolheu e encaminhou os imigrantes aos novos empregos. Para isso, o prédio contava com a Agência Oficial de Colonização e Trabalho. Além de alojamento, disponibilizava farmácia, laboratório, hospital, correios, lavanderia, cozinha e setores de assistência médica e odontológica.

Especialmente na década de 1930, a Hospedaria de Imigrantes passou a acolher também trabalhadores migrantes de outros estados brasileiros. Na década de 1970, perdeu sua função original e em 1978 recebeu pela última vez um grupo de imigrantes coreanos, pouco antes de encerrar suas atividades.

Apresentações Artísticas da 17ª Festa do Imigrante

Tenda faz e conta

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Nos dias 27 de maio e 03 de junho, São Paulo celebrou a cultura e as tradições das diferentes comunidades imigrantes que representam a mistura de influências e a diversidade do estado. A 17ª Festa do Imigrante organizada pelo Museu da Imigração do Estado de São Paulo, que é gerido pela Associação dos Amigos do Museu do Café, recebeu mais de 12 mil pessoas nos dois dias de evento, realizado no complexo que abrigava a antiga Hospedaria de Imigrantes, no bairro da Mooca, em São Paulo.

Ao longo dos anos, a Festa do Imigrante vem conseguindo unir o tradicionalismo da iniciativa com a crescente participação do público e das comunidades. Em 2012, o evento contou com a participação de 34 nações – 18 da Europa, 3 da África, 4 da Ásia, 6 da América e 3 do Oriente Médio – distribuídas em 53 expositores – 32 de alimentação e 21 de artesanato – e 34 apresentações artísticas. A grande conquista desta edição foi a expansão dos países representados para além daqueles relacionados à grande imigração europeia e asiática, abrindo espaço para movimentos migratórios mais recentes, principalmente da América Latina e da África. Países como Congo, Angola e Moçambique participaram pela primeira vez do evento.

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Mais do que as já tradicionais barracas de alimentos e artesanato, a edição deste ano apostou em uma programação diversificada e interativa. Um dos destaques foi o “culinária show”, em que renomados chefs da cidade de São Paulo apresentaram receitas da cozinha internacional influenciadas pela cultura brasileira. No dia 27 de maio, Adriano Kanashiro, especialista em culinária oriental, ensinou ao público os truques para preparar um Temarizushi Maguro Shigue, que leva atum, arroz japonês e molho su. No mesmo dia, Allan Vila Espejo – o chef Allan –, especialista em culinária espanhola, mostrou o passo-a-passo para preparar uma Paella Valenciana.

Na semana seguinte, foi a vez de Bruno Stippe, que utiliza como base a cozinha italiana, ensinar os segredos de um Spaghetti ai Gamberi e Pancetta. Por último, Brenno Lerner, chef renomado e um dos nomes mais respeitados do mercado editorial, propor uma viagem pela culinária judaica. As receitas apresentadas foram Carbonada Criola, Saltibasciai (Borscht a moda lituana) e Guefilte Fish.

Outra atração especial foi o espaço Cine Imigrante. A programação, com curadoria da Cinemateca Brasileira,

incluiu filmes de curta e longa duração relacionados ao tema da imigração, com os títulos: “Azas italianas sob os céos do Brasil”, “Dov’e meneghetti?”, “Chá verde e arroz”, “Tori”, “Avós”, “Lampião rei do cangaço”, “Baile perfumado”, “O ano em que meus pais saíram de férias”, “Um passaporte húngaro” e “Cinema, aspirinas e urubus”.

Mais uma novidade da 17ª Festa do Imigrante foi a “Tenda Faz e Conta”. No espaço foram apresentadas sessões de contação de histórias e lendas dos cinco continentes: “Histórias da Mãe África”, “Histórias da América”, “Europa – um continente de histórias”, “Ásia e suas histórias” e “Histórias do outro lado do mundo – a Oceania”. As crianças também puderam participar de atividades lúdicas desenvolvidas pela equipe educativa do Museu da Língua Portuguesa, como a árvore das origens, criação de histórias e livro de registros. Ainda sob a tenda, foram realizadas oficinas de artesanato de diferentes nações, como bordado da madeira (Ilha da Madeira), pintura de marguciai – ovos decorados com cera de abelha – (Lituânia), bordado indiano (Índia), Oshibana (Japão) e pintura em caixinha de madeira (Rússia).

As apresentações artísticas, sucesso de público, foram uma atração à parte. Ao todo, o evento recebeu 34 performances, com danças e músicas típicas de nações como Alemanha, Argentina, Armênia, Bolívia, Bulgária, Chile, Congo, Coréia, Croácia, Espanha, Grécia, Ilha da Madeira, Itália, Lituânia, Paraguai, Peru, Polônia, Portugal, República Tcheca, Rússia, Síria e Ucrânia.

Durante o evento foram realizadas ainda intervenções cênicas e distribuição de impressos com curiosidades sobre diferentes idiomas.

Museu da Imigração

O Museu da Imigração do Estado de São Paulo está em processo de restauro das edificações e implantação de nova exposição de longa duração.

Em seu novo projeto museológico, o Museu da Imigração pretende valorizar ainda mais o encontro das múltiplas histórias e origens e propor ao público o contato com as lembranças daquelas pessoas que vieram de terras distantes, suas condições de viagem, adaptação aos novos trabalhos e contribuição para a formação do que hoje chamamos de identidade paulista.

A história da migração humana não deve ser encarada como uma questão relacionada exclusivamente ao passado; há a necessidade de tratar sobre deslocamentos mais recentes. O novo Museu da Imigração pretende fomentar o diálogo sobre as migrações como um fenômeno contemporâneo, que não se encerra com o fechamento das atividades da Hospedaria, reconhecendo a recepção dos milhões de migrantes atuais e a repercussão deste deslocamento para o estado de São Paulo.

Hospedaria de Imigrantes

Ao desembarcar no Brasil, os imigrantes trouxeram muito mais do que o anseio de refazer suas vidas trabalhando nas lavouras de café e no início da indústria paulista. Nos séculos XIX e XX, os representantes de mais de 70 nacionalidades e etnias chegaram com o sonho de “fazer a América” e acabaram por contribuir expressivamente na história do país e na cultura brasileira. Deles, o Brasil herdou sobrenomes, sotaques, costumes, comidas e vestimentas.

Inaugurada em 1887, a Hospedaria de Imigrantes se tornou a principal hospedagem destinada a abrigar os imigrantes recém-chegados. Foi no antigo prédio da Hospedaria – hoje sede do Museu da Imigração – que os

anseios, angústias e expectativas de mais de 2,5 milhões de pessoas se cruzaram entre 1887 e 1978. Ao longo de seus 91 anos, a Hospedaria acolheu e encaminhou os imigrantes aos novos empregos. Para isso, o prédio contava com a Agência Oficial de Colonização e Trabalho. Além de alojamento, disponibilizava farmácia, laboratório, hospital, correios, lavanderia, cozinha e setores de assistência médica e odontológica.

Especialmente na década de 1930, a Hospedaria de Imigrantes passou a acolher também trabalhadores migrantes de outros estados brasileiros. Na década de 1970, perdeu sua função original e em 1978 recebeu pela última vez um grupo de imigrantes coreanos, pouco antes de encerrar suas atividades.

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