Julio Verne - Cinco Semanas Em Um Balão Balão

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JLIO VERNE CINCO SEMANAS EM BALO Traduo brasileira de OTVIO DE VASCONCELOS Capa e desenhos de EDYLSON SIMAS EDITORA MATOS PEIXOTO, S. A. Ttulo original francs CINQ SEMAINES EN BALON Primeira edio Os direitos desta traduo pertencem a

EDITORA MATOS PEIXOTO, S. A.

Av. Graa Aranha, 145. 2 andar - Rio de Janeiro. GB - NDICE - JULIO VERNE - Excelsior Reviso tipogrfica de - Repercusso do projeto - O segredo do doutor Fergusson - Exploraes africanas - Carta geogrfica africana - Um criado impossvel - O balo - Jantar de despedida - Jos leciona cosmografia - Fergusson explica - O Vitria - O infeliz Maizan - A dois mil metros - Assalto inesperado - Bebedeira real - Temporal - O elefante rebocador - As fontes do Nilo - A senhora Blanchard - Interveno divina - Assalto noturno - O missionrio - A morte de um justo - Preocupaes de Fergusson - O poo do deserto - Pesquisas desesperadas - O osis - Os sonhos de Jos - Uma paisagem magnfica - Os pombos incendirios - O lago Tchad - Sacrifcio sublime

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- Explorao do lago Tchad - O furaco - A histria de Jos - Os rabes perseguem Jos - Uma noite perto de Agads - O Nger - Os montes Hombori - Uma nuvem de gafanhotos - Parada acima de um bosque - O Incndio - O rio Senegal - Concluso JLIO VERNE Jlio Verne nasceu em Nantes, no esturio do Lger, a nove de fevereiro de 1828. Seu pai, Pedro Verne, foi notvel advogado, profisso tradicional dos homens de sua famlia. Sua me, de famlia rica de armadores, chamava-se Sofia Alote. A casa em que nasceu o grande ficcionista situava-se na lbrega rua de Kervegar. Era a manso dos Alote, pois Pedro, ao casar-se com moa rica, no tinha ainda meios de oferecer-lhe lar altura de sua tradio. O nome escolhido - Jlio - era homenagem ao av paterno, tambm advogado. Desde logo, pretendeu-se que, com o nome, o recm-nascido herdasse a vocao do av, a sua inteligncia e o seu vigor profissional. No ano seguinte, nascia Paulo, nico irmo de Jlio, pois todos os outros filhos do casal, da por diante, foram meninas. Nas previses da famlia, Jlio seguiria, como os Verne, a carreira das leis enquanto Paulo se inclinaria para a tradio dos Alote e seria homem do mar. No tardou que Pedro Verne comeasse a ter desenganos, quanto ao sonho de fazer de Jlio um continuador da profisso preferida da famlia. O rapaz revelava esprito inquieto e fantasioso, muito mais prximo do romancista do que da personalidade formal e circunspeta do advogado. A leitura o atraa de modo especial e sempre foi terrvel devorador de livros. Preferia, porm, aventuras, novelas e fices e deixava em plano remoto o estudo sistemtico a que era obrigado, como estudante. Talvez por isto tenha guardado, indelvelmente, na memria e no corao, os seus tempos de aluno da senhora Darrigade. Aos oito anos, Jlio e seu irmo de sete matricularam-se no estabelecimento. A senhora Darrigede tinha tambm paixo pelas aventuras e costumava narrar a seus alunos, com calor e colorido, histrias e fantasias que os extasiavam. Jlio era, talvez, quem mais se deixava empolgar pelas narraes da mestra. Ia a ponto de; encerradas as aulas, organizar com os companheiros lutas de piratas e marinheiros, vivendo, naquele arremedo realista, a fantasia que morava em sua alma infantil. Os autores que conquistaram a preferncia do jovem leitor incomparvel, foram Swift, Defoe e Chateaubriand. A histria de Robinson Cruso e de tala polarizaram o entusiasmo de Jlio Verne e lanaram em sua formao a argamassa que iria revelar o mais vigoroso ficcionista do mundo. Da escola da senhora Darrigade, Jlio e Paulo passaram ao internato do colgio de So Donato. Findo o curso, os dois irmos Verne regressaram a casa e tiveram grande alegria. Seus pais j no moravam no severo lar dos avs, mas em vivenda alegre e prpria, em Chanteney, a poucos quilmetros da cidade, na outra margem do Lger. Aquelas frias e

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aquele vero transcorreram como o melhor sonho da juventude do escritor. A vida ao ar livre, a companhia alegre de rapazes de sua idade e, principalmente, o seu primeiro idlio, namoro infantil com a bela Carolina Doussault, marcaram aquele pequeno perodo de gratas e, depois, amargas recordaes para Verne. Aos folguedos e ao idlio Jlio no sacrificava sua paixo :pela leitura. Descobrira, com entusiasmo, novo autor - Vlter Scott -, e s suas aventuras histricas, que o jovem devorava, arrebataram-no de tal modo, que ele seguia, pacientemente, nas cartas geogrficas, o desenrolar da narrativa. Com o passar do tempo, o velho Pedro Verne via aumentar sua preocupao. Jlio manifestava total indiferena pela carreira das leis e quase repugnncia pela obrigao dos estudos sistemticos dos cursos em que se matriculava. E quando, pouco antes de terminar os estudos secundrios, disse ao pai que sua verdadeira vocao era a literatura, o bom velho sentiu grande pesar e quis convencer o filho que a advocacia era o caminho natural e o melhor para ele. Pelo grande amor, pela venerao que devotava ao pai, Jlio resolveu-se pelo sacrifcio. Comprometeu-se a estudar Direito, sem que - expulsasse de sua convico a idia de, no futuro, entregar-se literatura. 10 Em outro vero, em outras frias, Carolina Doussault de novo apareceu em Chanteney. Era, agora, uma jovem vaidosa, certa de seus encantos, triunfante de puberdade e j no estava disposta a deixar-se cortejar por colegiais. Jlio no encontrou na mulher a ternura da menina e sentiu que aquela pusera ponto final nos amores que esta encorajava. Ferido em seu amor prprio, pensou em dar uma lio orgulhosa e bela Carolina, e, no inverno seguinte, estudou com afinco, a fim de fazer-se, desde logo, homem prtico, com vida econmica definida. Mas o plano de Jlio frustrou-se, pois no tardou a ser anunciado o noivado de Carolina com cavalheiro de posio social e econmica estabilizada. Este foi o primeiro desengano amoroso de Jlio Verne. E entrou-lhe tanto na alma que, da por diante, at aos vinte e oito anos, fechou o corao aos casos sentimentais. Para iniciar o curso de Direito, obedecendo a seu pai, Jlio Verne foi mandado a Paris, em 1848. Levou, ali, vida difcil, cheia de asperezas. Com receio de que excesso de dinheiro pudesse desviar o filho do melhor caminho, Pedro Verne s lhe mandava o estritamente necessrio. Mesmo assim, Jlio gastava a maior parte na aquisio de livros, porqu a leitura era a sua maior paixo. Cedendo atrao da vida literria, exacerbada pela excitante convivncia com o mundo parisiense, Verne, ajudado por algumas pessoas influentes, mas principalmente pela fora da prpria vontade e da insistncia de sua vocao, conseguiu ser recebido no salo da senhora Barrera, onde conheceu vrios escritores em evidncia. Fez, logo, largo crculo de simpatias. Sua agilidade verbal, seu permanente humor e a variedade de seus conhecimentos faziam dele interlocutor agradvel, excelente conversador, que atraiu para si a ateno dos freqentadores. Alexandre Dumas levou sua simpatia por ele a ponto de dar-lhe desinteressado conselho sobre o rumo que devia seguir, em matria literria. Tendo em vista o frtil engenho que revelava, aconselhou-o a dedicar-se comdia musicada e opereta. A esta altura, aproximavam-se os exames do primeiro ciclo do curso e Jlio Verne, consciente dos seus deveres e do compromisso feito com o pai, adiou todos os projetos literrios. Embora no houvesse estudado muito, nem tivesse entusiasmo pelo curso, obteve notas razoveis, conquistadas mais com a sua natural inteligncia e com a sua prodigiosa capacidade de assimilao.

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Ao regressar, em frias, foi carinhosamente recebido em casa pelo velho pai que sentia renascer as esperanas de faz-lo advogado. Pensava que, com o correr dos tempos e o seguimento do curso, as tendncias literrias desaparecessem. Ao voltar a Paris, para a segunda etapa do curso, Jlio Verne entregou-se de corpo e alma sua primeira obra do gnero aconselhado por Dumas - As Palhas Rompidas - destinada a passar para o rol das coisas sem glria. Entretanto, j no vero seguinte, certo empresrio de Nantes pediu permisso a Verne para encenar a obra num teatro local. E, por ocasio da estria, desejou que a famlia do novo teatrlogo presenciasse a representao. Sofia Alote, levada pelo amor de me, aprovou a obra, mas Pedro Verne no pde deixar de reprovar o filho, por haver perdido tempo com gnero to mofino. O Prprio Jlio deu-lhe razo. No lhe satisfazia inteiramente o teatro vaudevillesco. Ansiava por coisa melhor, mais sria, mais original. "Ao completar o curso de Direito, tinha que se decidir. Ou iria redigir peties e recursos ou definitivamente penderia para a literatura; o mundo sofria, ento, radical mudana. A tcnica e as invenes revolucionavam a vida da humanidade. Cada dia o mundo assistia a uma conquista cientfica nova. Hoje, a trao pelo vapor. Amanh, os aerstatos. No dia seguinte, a eletricidade. Dentro da realidade da vida, estas coisas fantsticas que pareciam milagres. Jlio Verne acompanhava com paixo o evolver do mundo. Sabia que a paixo no era sua, somente. Muitos se empolgavam pelo progresso e pelo avano da tcnica. As notcias a respeito eram devoradas demorada e minuciosamente pelo povo. Estas circunstncias apontavam o caminho literrio que Verne iria seguir. E elas se encadearam de tal maneira que se poderia dizer que o destino interferia no futuro e na glria do escritor. A circunstncia seguinte foi o conhecimento com Jaques Arago, irrequieto viajante e naturalista. Jaques, com suas narraes, vivas e movimentadas, inendescia a alma ardente de Verne. Suas narrativas de viagens, aventuras, de terras desconhecidas, de atos de herosmo apresentavam um mundo de sonho concretizado pela realidade