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Jurandyr Ross 1992

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o REGISTRO

CARTOGRFICO DOS FATOS GEOMRFICOS E A QUESTO DA TAXONOMIA DO RELEVO

Jurandyr Luciano Sancbes Ro~(*)

1- INTRODUO Este trabalho visa passar aos interessados em orfologia e em anlise ambiental espacializada, !::ZtmIll84es e orientaes experimentadas e amadurecidas ngo de vrios anos no Laboratrio de Geomorfologia - Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, _tras e Cincias Humanas da Universidade de So Paulo. :!::n objetivo direto de fornecer aos futuros estudiosos da 'plina um dos vrios caminhos que podem ser dos nas pesquisas das cincias da terra, onde a _ morfologia se inclue. Neste caso especificamente a upao dar direo a uma geomorfologia que tem ~ bases conceituais nas cincias da terra, mas fortes os com as cincias humanas, medida que pode ~ ir como suporte para entendimento dos ambientes 's, onde as sociedades humanas se estrutUl'am, m os recursos para a sobrevivncia e organizam o fsico-territorial. Assim sendo, o entendimento do relevo e sua ~ca, passa obrigatoriamente pela compreenso do - 'onamento e da interrelao entre os demais ponentes naturais (guas, solos, sub-solo, clima e rtura vegetal), e isto de significativo interesse ao jamento fsico-territoria1. Planejamento que deve em conta as potencialidades dos recursos e as ::agilidades dos ambientes naturais, bem como a ~idade tecnolgica, o nvel scio-cultural e os ::t!CUI'SOS econmicos da populao atingida. Deste modo, os estudos geomorfolgicos e nlbientais, quer sejam eles detalhados ou de mbito

regional,atendem a~ necessidades poltico-administrativas e funcionam como instrumento de apoio tcnico aos mais diversos interesses polticos e sociais. Assim sendo, o primeiro fato que deve estar permanentemente em alerta nos estudiosos da geomorfologia que as formas do relevo de diferentes tamanhos tm explicao gentica e so i,nterrelacionada~ e interdependente.~s demais COmponentesda niltureza, A superfcie terrestre, que se compe por formas de relevo de diferentes tamanhos ou taxon~, de diferentes idades e processos genticos distintos, portanto dinmica, ainda que os olhos humanos no consigam captar isso. A dinamicidade das formas do relevo apresenta velocidades diferenciadas, mostrando-se ora mais estvel, ora mais instvel. Tal comportamento depende ~vezes, de fatores naturais e outras de interferncias dos homens. A~ mudanas climticas espontneas ou induzidas pelo homem alteram a intensidade da dinmica geomrfica. Os movimentos da crosta terrestre, como os abalos ssmicos, falhamentos e erupes vulcnicas tambm interferem na dinmica do relevo. entretanto o homem, o maior predador da natureza, e consequentemente, o ser animal que mais se julga capaz de alterar e controlar os ambientes naturais. A histria da humanidade demonstra claramente que esse domnio do natural pelo homem, tm se revelado na verdade em uma intensa, inescrupulosa e desordenada

(.) Professor Doutor do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Cincias HumanaslUSP

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apropnaao dos recursos naturais. evidente a contradio entre a natureza e as sociedades humanas, no se podendo neg~r que o crescimento demogrfico e o avano tecnolgico tem contribuido cada vez mais para acentuar essa contradio. fato tambm notrio que os homens exigem cada vez mais recursos naturais para suprir as necessidades bsicas e as necessidades criadas pelo incentivo ao consumo. Certamente possvel e desejvel que tal voracidade seja administrada e controlada atravs de medidas legais, educacionais e at mesmo penalizaes aos transgressores. Cabe ao homem, como ser social, consciente e dotado de maior capacidade de raciocnio, saber planejar o uso dos recursos da natureza sem transformar a terra em um planeta onde os seres humanos no possam subsistir com boa qualidade de vida. Neste trabalho, a preocupao bsica nortear a execuo de estudos tcnicos de carter geomorfolgico engajado ao planejamento scio-econmico e ambiental com a utilizao de imagens de radar e satlites e o controle sistemtico de campo. Tem como fim a gerao de uma cartografia geomorfolgica integrada de leitura direta e que subsidie o planejamento ambiental em espaos fsico-territoriais de diferentes dimenses. Por isso sero discutidos sinteticamente alguns fundamentos terico-metodolgicos que emba,>am os estudos e os procedimentos tcnico-operacionais de gabinete e de campo. A preocupao portanto orientar a prOduo de uma carta geomorfolgica integrada e cujas informaes tenham sido controlada,> pelas observaes e medidas sistemticas de campo e gabinete.

pesquisa, enquanto a,>tcnicas so os meios para gerar os trabalhos e atingir com isso os objetivos. Assim sendo, a metodologia determina a linha a seguir, a espinha dorsal, enquanto as tcnicas so as ferramentas para execuo das tarefas da pesquisa. A fundamentao terica-metodolgica, que se prope para trabalhar a pesquisa geomorfolgica tm suas razes na concepo de Walter PencK (1953) que definiu com clareza as foras geradoras das formas do relevo terrestre. Penck percebeu que o entendimento das atuais formas de relevo da superfcie 'da terra so produtos do antagonismo das foras motoras dos processos endgenos e exgenos, ou seja, da ao das foras emanadas do interior da crosta terrestre. de um lado e das foras impulsionadas atravs da atmosfera pela ao climtica, atual e do passado, de outro. As foras endgenas, seguindo os princpios de W. Penck, se revelam de dois modos distintos atravs da estrutura da crosta terrestre. Uma das revelaes atravs do processo ativo, comandado pela dinmica da crosta terrestre - os abalos ssmicos, o vulcanismo, os dobramentos, os afundamentos e soerguimentos das plataformas, falhamentos e fraturas que tm explicao hoje na teoria da tectnica de placas. A segunda revelao se processa de modo imperceptvel atravs da resistncia ao desgaste que a litologia e seu arranjo estrutural oferece a ao dos processos exgenos ou de eroso. Neste ca,>o uma ao pa,>sivaconstante, porm desigual, face ao maior ou menor grau de resitncia da litologia. A ao exgena tambm de atuao constante e tambm diferencial, tanto no espao quanto no tempo, face s caractersticas climtica,>locais, regionais e zonais e s mudanas climtica,>.O processo de meteorizao, eroso e transporte da ba,>erochosa, se exerce tanto pela ao mecnica da gua, do vento, da variao trmica como pela ao qumica da gua, que transforma minerais primrios em secundrios e simultneamente esculpe as formas do relevo. Tendo como princpio terico os processos endgenos e exgenos como geradores das formas

2 - OS FUNDAMENTOS TERICO. METODOLGICOS: UMA PROPOSTA TAXONMICA preciso desde o incie esclarecer que h uma diferena ntida entre metodologia e as tcnicas para execuo do trabalho. A metodologia est diretamente atrelada fndamentao terica e se define por nortear a

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, mdias e pequenas do relevo terrestre, relevo. O segundo, definido por um taxon menor s~ as ~-:i:~jmIOV (1946) e Mecerjakov (1968) desenvolveram unidades morfoesculturais, geradac;pela ao climtica ao itos de morfoestrutura e morfoescultura. Ac;sim longo do tempo geolgico, no seio da .morfoestrutura. relevo terrestre pertence a uma determinada Assim em uma unidade morfoestrutural como a da bacia que o sustenta e mostra um aspecto escultural mrrente da ao do tipo climtico atual e pretrito u e atua nessa estrtura. Deste modo a ::::r::::~~trutura e a morfoescultura definem situaes : .cas, produtos da ao dinmica dos processos e os e exgenos. A noo de morfoescultura no ser confundida com a de morfoclimtica, pois .o a primeira um produto da ao climtica sobre determinada estrutura, a segunda se define por ~s morfogenticos comandados por um minado tipo climtico. Assim sendo pode-se definir a morfoescultura fruto de aes climticas quentes e a morfoclimtica o tipo de agente 'tico atuante em uma determinada poca. do Paran pode-se ter vrias unidadesmorfoesculturais c.om.o p.or exempl.o depresses perifricas, depresses m.onoclinais, planalt.os em patamares intermedirios, planalt.os e eb.apqac;,de.superfcies de cimeira, planalto residuais entre outr.os. Todac; essac; unidades morfoesculturais podem pertencer a uma mesma zona ou domnio morfoclimtico atual. Da fica claro que as unidades m.orfoesculturais identificadac; nesta

morf.oestrutura (Bacia do Paran), no tem relao gentica em sua totalidade com as caractersticas climticas atuais. Entretanto, ao pac;sar-se para a identificao e anlise de um terceiro taxon (de dimenc;o inferior), ~.eJL.Unidad~A~.p.,res de Formas S~el~~9t~, do}~~I~~Q,..2~_0~~ J~.a9reSge. TjpQsJIQ.ftelevo 'q~e ~nde qspro,ce~sj:?l Uorfo,climtic~s tuais.cOmeam } a Dentro desta concepo, os domnios ou zonas a ser mais facilmente notados. Estes Padres de Formas .,." _.. rfoclimticas atuais no so obrigatoriamente Semelhantes, s.oconjuntos de formac;menores d.orelev.o, .. cidentes. com as unidades morfoesculturais que apresentam distines de aparncia entre si em fun.o _. ntificveis na superfcie terrestre. Isto se deve a dois da rugosidade topogrfica' ou ndice de dissecao do _ tivos: primeiro porque as unidades morfoesculturais relev.o,bem como do formato dos t.op.os, ertentes e vales v - so produtos somente da ao climtica atual, mas de cada padro existente. Pode:se ter vrias Unidades de bm dos climas do passado; segundo porque as Padres de F.ormas Semelhantes em cada Unidade .dades morfoesculturais refletem a influncia da M.orfoescultural. Avanand.o n.o raciocnio d.os nveis .ou'"""

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. rsidade de resistncia da litologia, e seu respectivo arranjo estrutural, sobre a qual foi esculpida. Deste modo, em uma determinada unidade morfoestrutural pode-se ter uma ou mais unidades morfoesculturais que refletem as diversidades litolgicac;da estrutura, os tipos climticos que atuaram no passado e os que atuam no presente. Tomando como exemplo concreto a morfoestrutura da bacia sedimentar do Paran, pode-se encontrar nela vrias unidades morfoesculturais.

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