Manual de eletricista

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    05-Jul-2015

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  • 1. MANUAL DO ELETRICISTA 1O Eletricista 2September 23, 20041Material didatico, sem fins lucrativos, de conhecimentos gerais e fundamentais de Eletrotecnica, visando aformacao de profissionais qualificados em diferentes areas do conhecimento e da tecnologia.2Professor Adjunto do Departamento de Eletromecanica e Sistemas de Potencia (DESP), Universidade Federalde Santa Maria (UFSM), RS, Brasil. Fone: (55)2208147.

2. 2 Manual do EletricistaPrefacioDedico este manual `a minha esposa, ao meu filho, aos meus pais, familiares, professores e amigos, quesempre acreditaram e continuam acreditando no Amor.Pretendo apresentar, em um volume, minha experiencia profissional na area de eletrotecnica ao longodos anos. Compreende os fundamentos de eletricidade, eletronica, calculo, os principais componenteseletricos e eletronicos, as recomendacoes de normas, e uma analise da conjuntura tecnologica atual e dasperspectivas no mundo tecnico de amanha. Pretendo, neste manual, a exemplo dos Handbooks, organizaruma sequencia de conteudo e experiencias profissionais pessoais, que julgo conveniente repetir para outraspessoas interessadas. Corresponde aos principais trabalhos realizados em ensino, pesquisa e extensao.Como podemos ver, este conteudo pode servir para um curso, como revisao de conhecimentos e praticas,como material de consulta (manual), ou ainda como uma referencia bibliografica para uma pesquisa inicialem cada assunto. Mais do que o conteudo, este manual e uma proposta de forma de trabalho, de estudo,de ensino e aprendizagem. Para isto, e preciso pensar em aulas.Inicialmente, vou contar para voces como foram minhas melhores aulas, como aluno ou professor. Asaulas iniciaram com uma preparacao. Geralmente, a aula iniciou com a leitura de um pensamento por partedo professor ou de um aluno da turma. Este pensamento era de algum cientista ou inventor relacionadosao assunto a ser tratado naquele dia. Outras vezes alguem trazia uma historia sobre o assunto, que foracombinado na aula anterior. Uma vez tivemos ate artistas para tocar e cantar junto conosco. Foi muitolegal!Depois destes instantes de descontracao e concentracao, o professor relembrou o objetivo geral docurso, da disciplina ou competencia, situando aonde chegamos na aula anterior. A turma apresentava suasexperiencias ou tarefas combinadas na aula anterior.No momento seguinte, o professor anunciou o tema do encontro, em forma de uma pergunta, lembrandodo lema ou nocao-nucleo (Meirieu, Aprender sim ... mas como?, Editora Artmed) que surgiu na aulaanterior, ou falando: hoje iremos falar sobre tal coisa. A turma ficava contente, pois era justamente istoque desejava estudar, e sentia que estava no curso certo, fazendo o que gostava. A turma estava como quecolocando o acucar e saboreando um gostoso aperitivo, sabendo que logo viria uma refeicao muito saudavele gostosa.No momento seguinte, o professor-ator tinha o maior papel: apresentar a refeicao que preparou durantea semana. Com esta apresentacao, a turma ativou a memoria, a imaginacao, os sentimentos, e o raciocnio.As suas formas foram tao variadas que nem lembro de todas. Mas, gostaria de destacar:a) palestras - historias, exemplos, casos reais, etc.b) praticas - demonstracoes de experiencias, apresentacao de equipamentos e materiais, procedimentosou normas, etc.c) leitura - livros, revistas, artigos, fotografias, entre outros.d) recursos visuais - projetor de slides, transparencias no retro-projetor, data-show e filmes.Lembro um dia em que o professor levou um data-show e uma apresentacao do power-point quepareceu um filme. A turma gostou tanto que pediu para repetir mais duas vezes a apresentacao. Nas duasrepeticoes, o professor ia parando o filme para a turma anotar questoes ou observacoes pessoais sobre oassunto. Lembro-me que estas apresentacoes nao eram uma simples exposicao de conteudo, mas era algodiferente, que sempre estava associado ao momento e ao contexto em que a sociedade estava vivendo.Apos a apresentacao, passamos para o aprofundamento ou desenvolvimento do assunto. A turmaformulava situacoes-problema junto com o professor, que certamente ja tinha uma ideia preliminar maiselaborada sobre o que iria ser proposto.O professor e/ou a turma lancaram perguntas, sugestoes e duvidas, que fizeram a turma raciocinar.Lembro que muitas vezes as duvidas foram tao profundas, que nem o professor tinha respostas. A turmanunca soube se o professor nao sabia mesmo ou nao queria responder, para deixar a turma construir umaresposta pessoal - tomar uma decisao. 3. Manual do Eletricista 3Durante estes dialogos, o professor procurou conduzir a conversa para interligar o assunto do encontrocom o objetivo geral do curso, onde todos compreenderam cada vez mais a posicao do assunto no contextogeral.Nestas aulas nunca faltou a reformulacao de questoes deixadas nas aulas passadas. Elas nao foramresolvidas neste momento, mas reconstrudas com o auxlio da apresentacao anterior.Uma forma que gostei e acho que tem muito potencial de aplicacao e a traducao das questoes ou dasituacao-problema na forma de testes objetivos, na forma de multipla escolha ou de um numero, um valor,uma quantidade. Isto nos ajudou ter clareza intelectual do problema, e soubemos onde estavamos, ondequeramos e poderamos chegar. A gente desenvolvia a capacidade de analise e sntese, ou seja, desenvolviaa inteligencia.Quando este teste objetivo teve objetivo unico de avaliacao, como sao geralmente aplicados na escola,concursos, etc, as consequencias foram desastrosas. Um professor foi quase suspenso da escola porque aturma pensava que ele queria ferrar os alunos. Infelizmente, estes testes tambem vem servindo comoforma de selecao para ingresso na universidade, incentivando a concorrencia e a competicao em sala deaula, e sendo um dos maiores incentivos para o fracasso geral do ensino.Depois que a turma respondeu os testes objetivos, cada um entregou a grade de respostas para oprofessor, identificando-se por apelido, cognome ou nome. Foi muito divertido, pois vimos como cada umse identifica melhor.Enquanto o professor ia digitando as respostas no computador, uma parte da turma ia terminandode preencher sua grade de respostas e outra ja estava fazendo sua justificativa pessoal para cada questao.Quando todos terminaram de fazer a grade de respostas o professor ja informou, com o auxlio de umprograma do computador, os pares com maior afinidade de respostas, e que reunissem as classes paraelaborar uma justificativa em comum de cada questao.Vale lembrar que existem dois tipos de isolamento:a) o isolamento imposto por aqueles que dirigem o mundo e querem manter as pessoas isoladas, pois seelas estiverem juntas, elas comecarao a ter ideias, a troca-las e a aprender com elas, o mesmo que aconteceem um laboratorio cientfico (Chomsky, Propaganda e Consciencia Popular, 2003, p.56).b) o isolamento para reforco e consolidacao de ideias, do deserto voluntario, da opcao e da liberdade.Quando tnhamos o isolamento consciente nao eramos dirigidos por este falso agrupamento geradopela falsa informacao (Serres, Entrevista no Programa Roda Viva da TV Cultura, 1999), e nao estavamosilhados e nao eramos naufragos inconscientes como somos hoje.Durante estes breves momentos das minhas melhores aulas pude construir a minha opiniao junto coma turma sobre este grande paradoxo que e ensinar e aprender. A gente precisava (e precisa) fazer umaescolha por X ou Y para ensinar ou aprender Z. Mesmo que X e Y nao parecessem ter muita correlacaocom Z, eles fazem parte da complexidade da vida humana. Posso lembrar de varios momentos em que oisolamento por X ou Y significou nossa condicao para ensinar e aprender determinado conteudo.As aulas que partiram deste princpio de individualidade para o geral foram otimas. Depois de discutirdois a dois, os pares foram reunidos com mais outros pares afins, e depois estes grupos de quatro foramagrupando-se com mais outro grupo de maior afinidade. A maior afinidade foi escolhida pelo programa decomputador, que nunca falhou.Depois que todos os grupos de 08 (oito) pessoas elaboraram sua resposta unica para cada questao,passou-se para o debate geral ou seminario. O professor anunciou que chegara o instante de cada grupodefender ou reavaliar suas respostas diante do mundo, representado pela maioria da turma. Isto passou aideia de responsabilidade da maioria e o desafio para a minoria. Para aumentar mais ainda o interesse, oprofessor tinha 08 coletes coloridos para cada grupo, utilizados normalmente em torneios desportivos.No incio do perodo letivo, a turma estabelecia regras para o debate, a fim de que falasse um de cadavez, dando a oportunidade a todos de expor seu trabalho, sua opiniao, seu conhecimento, seus gostos, etc.Alem da parte cognitiva, ou do reconhecimento intelectual, desenvolvido anteriormente, o debate permitia 4. 4 Manual do Eletricista`a turma tomar uma decisao de estudar determinado assunto, refazer determinada experiencia, aplicar dealguma forma particular o que se conclua.Durante ou logo apos o debate ocorria o que chamamos de contextualizacao (Meirieu). A turmaelaborava junto com o professor um resumo do assunto estudado em aula. Era o convencional cadernoou apostila. O professor relembrou uma serie de questoes e assuntos para as proximas aulas. Todos alunose alunas tiveram oportunidade de visualizar e se decidir por exerccios e aplicacoes praticas, conforme asituacao particular de cada um, elaborando um instrumento de aplicacao.O instrumento de aplicacao foi muitas vezes um cronograma de trabalho, um planejamento de estudo.Algumas vezes foi uma visita ou uma viagem. O importante e que cada um definiu seu proposito. Oprofessor, representando a escola, fez um acordo com a turma, onde cada um ficou com um determinadocompromisso, inclusive o seu.Este manual que apresento a seguir sao os meus instrumentos de aplicacao, que ficam na area deeletricidade. Quando se trabalha com eletricidade, a eletrotecnica e a eletronica tem o seu