MAUREN PAVÃO PRZYBYLSKI DAS MATERIALIDADES DA

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  • MAUREN PAVO PRZYBYLSKI

    DAS MATERIALIDADES DA LITERATURA: A REINVENO DA VIDA E O

    ACERVO DE NARRATIVAS ORAIS URBANO-DIGITAIS

    PORTO ALEGRE, MARO DE 2014

  • UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

    INSTITUTO DE LETRAS

    PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM LETRAS

    REA: ESTUDOS DE LITERATURA

    ESPECIALIDADE: LITERATURAS PORTUGUESA E LUSO-AFRICANAS

    LINHA DE PESQUISA: LITERATURA, IMAGINRIO E HISTRIA

    DAS MATERIALIDADES DA LITERATURA: A REINVENO DA VIDA E O

    ACERVO DE NARRATIVAS ORAIS URBANO-DIGITAIS

    MAUREN PAVO PRZYBYLSKI

    ORIENTADORA: PROF DR ANA LCIA LIBERATO TETTAMANZY

    Tese de Doutorado em Literaturas Portuguesa

    e Luso-Africanas apresentada como requisito

    parcial para obteno do ttulo de Doutora pelo

    Programa de Ps-Graduao em Letras da

    Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

    PORTO ALEGRE, MARO DE 2014

  • CIP - Catalogao na Publicao

    Elaborada pelo Sistema de Gerao Automtica de Ficha Catalogrfica da UFRGS com osdados fornecidos pelo(a) autor(a).

    Pavo Przybylski, Mauren Das materialidades da literatura: a reinveno davida e o acervo de narrativas orais urbano-digitais/ Mauren Pavo Przybylski. -- 2014. 209 f.

    Orientadora: Ana Lcia Liberato Tettamanzy.

    Tese (Doutorado) -- Universidade Federal do RioGrande do Sul, Instituto de Letras, Programa de Ps-Graduao em Letras, Porto Alegre, BR-RS, 2014.

    1. Materialidades da Literatura. 2. Narrativaurbano-digital. 3. Remediao. 4. Estudos de media.5. Restinga. I. Liberato Tettamanzy, Ana Lcia ,orient. II. Ttulo.

  • Os saraus tiveram que invadir os botecos

    Pois biblioteca no era lugar de poesia

    Biblioteca tinha que ter silncio,

    E uma gente que se acha assim muito sabida

    H preconceito com o nordestino

    H preconceito com o homem negro

    H preconceito com o analfabeto

    Mais no h preconceito se um dos trs for rico, pai.

    (trecho da msica Clice, de Criolo)

    Nessa poca eu lia Karl Marx, Aristteles, Descartes, Kant,

    Rousseau, Maquiavel, Plato e Vygotsky. Eu no tinha com

    quem conversar [...] e quando encontrava algum do meu nvel

    intelectual, esse dizia que eu falava demais. (Sacolinha, 2006

    p.31) Eu estava dando uma risada do comentrio de um crtico

    de literatura sobre a literatura de Edgar Allan Poe [...]

    (SACOLINHA, 2006, p.31)

  • Para Maragato, pelo entendimento do narrador oral urbano-digital;

    para Beleza, pelo compartilhamento,

    e para a Restinga, essa cachaa sem a qual nada existiria.

    Para Theodora, Lenine e Rodrigo, famlia, razo de tudo.

  • AGRADECIMENTOS

    Chega ao fim mais uma trajetria. E quem ler esta tese, seja a banca ou um simples

    pesquisador, curioso, pode estranhar uma lista de agradecimentos to extensa. Se para alguns

    essa a parte mais sinttica, para mim, a mais importante, justamente pela caminhada ser

    atravessada por tantos sujeitos perifricos, acadmicos, familiares, amigos que me

    possibilitaram concluir mais essa etapa de uma caminhada, iniciada em 2001, na graduao. E

    quando se fala em trajetria, trajeto, se pressupe, a priori, uma linearidade. No, eu no

    quero ser linear porque os caminhos da vida no so; a todo o momento, podemos mudar, ir,

    voltar.

    Permito carregar minha religiosidade e agradecer, em primeiro lugar, a Deus. Pela vida,

    pela segunda chance; por voltar a caminhar e poder, sem impactos, correr atrs desse sonho.

    Depois disso, quero aqui bagunar o esperado, comeando do fim e misturando fases

    sempre que necessrio.

    Assim, se Deus Restingueiro (segundo vrios moradores), nada mais natural do que

    agradecer a esse espao de energia inigualvel, a essa cachaa que a Restinga, bairro que

    seduz, toca o corao e faz brilhar os olhos... Porm, chegar Restinga no seria possvel

    sem aquela que foi, em um primeiro momento, uma ponte, no no sentido de uma escada pela

    qual se sobe, mas enquanto aquela que ensina e aprende, em uma relao de troca. Porque

    ideias existem para serem discutidas e, em cada mbito social, h um mais autorizado que o

    outro para falar sobre determinado assunto. No somos os donos do saber. E orientador no

    precisa ser uma figura burocrtica, mas algum com quem se partilha aniversrios,

    despedidas, encontros, praias, congressos, caronas interminveis pelo simples prazer de estar

    o tempo todo, mesmo que no trabalhando, aprendendo (com as experincias de vida, com

    as risadas e as angstias divididas em momentos fora da academia). Ningum passa impune

    por Ana Tettamanzy. Impossvel no sair transformada... impossvel no vermos nossa

    pequenez face a tantas vozes cheias de saber. Obrigada, Ana, no formaste apenas uma

    pesquisadora, mas lapidaste um ser humano e instigaste cada vez mais a vontade de aprender,

    com a vida e pela vida, que pode ser sempre reinventada. No, no foi sofrido escrever uma

    tese porque houve duas coisas fundamentais: paixo pelo corpus e respeito intelectual. Eu

    quero, eu posso, eu acredito. Esses so os verbos que eu aprendi a conjugar no doutorado, os

    quais ficaro comigo para sempre.

    Vale destacar, no entanto, que esta caminhada e o contato com a Ana no me

    permitiram voar apenas rumo a uma mudana de tese e de ideias, mas voar literalmente,

  • atravessando o oceano e amadurecendo terica e pessoalmente. E a se faz necessrio um

    grande obrigada ao meu co-orientador, Prof. Dr. Manuel Portela, da Universidade de

    Coimbra. A ele agradeo, em primeiro lugar, o pronto aceite em me receber em Portugal nos

    quatro meses em que l estive. Por ter lido o projeto, pelas ideias, pelas discusses semanais,

    pela possibilidade de ter acesso aos materiais do Programa de Materialidades da Literatura,

    fossem os livros da biblioteca ou a wiki do curso (e me permitir permanecer nela, mesmo

    depois de retornar ao Brasil); pelas aulas a que pude assistir e por me fazer encontrar meu

    rumo dentro dos estudos dos media. O aprendizado foi imenso e as palavras sempre sero

    insuficientes para agradecer.

    Mas para chegar at l foi preciso transitar por teorias e novos olhares; foi preciso

    olhar para si, abdicando muitas vezes do projeto maior de tese e abrindo-se ao vasto mundo

    que a literatura, as teorias da enunciao e a antropologia oferecem. Aos professores do

    Programa de Ps-Graduao em Letras da UFRGS que expandiram meus horizontes: Prof.

    Dr Regina Zilberman, Prof Dr Carmen Luci Costa e Silva (pela base recebida no curso de

    teorias da enunciao) e Prof. Dr. Valdir Flores, o qual, alm da disciplina, quando

    coordenador do Programa de Ps-Graduao, foi de suma importncia para que o doutorado

    sanduche fosse possvel. s Profs Drs Cornlia Eckert e Ana Luza Carvalho da Rocha, do

    Programa de Ps-Graduao em Antropologia Social, por terem entendido minhas faltas

    quando ainda precisava trabalhar e no tinha bolsa, mas ainda assim terem exigido produo

    e, com isso, me feito crescer enquanto ser reflexivo, ampliando meus horizontes.

    Sylvie, Prof Dr Sylvie Dion, agradeo a primeira oportunidade, sem a qual eu

    no teria chegado at aqui; obrigada por me ter guiado nos primeiros passos rumo formao

    como pesquisadora. Obrigada, tambm, pelos anos de companheirismo, amizade, por ter

    estado sempre presente, nos momentos mais importantes, apoiando, discutindo e me fazendo

    crescer. Por me ter dado a chance de viver o Qubec, experincia inesquecvel na minha vida

    pessoal e acadmica.

    Ok, mas voltemos UFRGS e banca. Rita, Prof Dr Rita Lenira Bittencourt

    que, apesar do pouco convvio, mas com a identificao a partir da Ilha da Magia, tornou-se

    uma amiga querida. Pelas leituras sempre to pertinentes e enriquecedoras desde a defesa do

    projeto; pela apresentao de autores que se fizeram fundamentais no contexto da pesquisa e

    por abrir-se ao meu louco projeto, guiando-me quando eu ainda estava perdida, ajudando a

    encontrar um rumo... Obrigada pela parceria que atravessou o oceano.

  • Mas tudo isso que aconteceu desde o ingresso na universidade, em 2001, no teria sido

    possvel sem a presena constante, mesmo que de alguns de maneira virtual, dos amigos.

    preciso nominar alguns; impossvel nominar todos. Deixo aqui meu sincero obrigada.

    Ao meu primeiro grande amigo que, junto com minha me, me esperou por nove meses;

    pelo carinho com a maninha desde que ela ainda pensava em nascer. Pelo amor dedicado ao

    longo da vida, pela admirao (mtua), pela parceria em viagens, passeios, pela

    disponibilidade em me ouvir. Ao meu irmo, Rodrigo, palavras no so suficientes para

    agradecer esse amor incondicional e nico. Aos meus pais, Lenine e Theodora, que me

    ensinaram a batalhar, me apoiaram no s financeira, mas tambm emocionalmente e me

    ensinaram que sempre melhor o ser do que o ter... e Iracema, segunda me, que

    acompanhou essa caminhada, quando ela era ainda um sonho em meio ao sofrimento.

    minha av, que me deixou na formatura, mas com certeza continua rezando por mim, de onde

    estiver, a cada novo desafio.

    E nessa colcha de retalhos em que a vida vai se desenhando, uma pessoa esteve presente

    antes de qualquer graduao e foi sempre apoio, esteio, companhia para risadas, lgrimas,

    praia. amiga de sempre, Fernanda Borba: faltam palavras que possam definir o teu apoio

    incondicional. Por entender minhas ausncias, por rir e chorar comigo, me dizer as verdades

    necessrias e me apoiar. No s pela reviso do ingls, mas por es