Novo Texto Tratamento Lesao

  • View
    210

  • Download
    0

Embed Size (px)

Text of Novo Texto Tratamento Lesao

TEXTO X TRATAMENTO DE FERIDAS, CURATIVOS E COBERTURASRita de Cassia Giro Alencar1 Lauriana Medeiros e Costa2 I. INTRODUO A pele considerada o maior rgo humano, medindo cerca de 1,5 a 2,0 m no adulto mdio. Representa 15% do peso corpreo e realiza as seguintes funes: proteo do corpo contra o ambiente externo; funciona como barreira qumica e mecnica para os tecidos subjacentes; participa da termorregulao; excreta gua e eletrlitos; colabora na sntese de vitamina D; atua como rgo sensorial vital para a percepo de presso, dor e temperatura (PIANUCCI, 2004). O corpo sempre teve grande importncia para o Homem, atravs dos tempos. Os Gregos, Romanos e Egpcios sempre cultivaram a beleza e cuidados especiais eram dispensados a pele para que ela se mantivesse saudvel e bela. Eram utilizados banhos com leite de cabra, essncias e leos extrados de plantas e flores, segundo os padres da poca. Doenas de pele como Hansenase, eram causas de segregao familiar e social, descritos nos escritos bblicos de diversas religies. Ainda hoje provocam rejeio e preconceito para os portadores de leses cutneas. H referncias de vrios estudiosos sobre sentimentos concebidos por profissionais de sade, como raiva, repulsa, medo de contgio, depresso, em relao s pessoas portadores de leses de pele, que influenciam diretamente na qualidade da assistncia durante o tratamento dessas leses, DOMANSKY apud BORGES et al (2001). Esses sentimentos negativos acarretam no portador de feridas, alteraes pessoais que vo desde a frustrao pela dependncia em relao aos outros, pela incapacidade de cuidar de seu prprio corpo; pelo incio de um processo de perda de auto-estima; pela degradao da auto imagem; at a desagregao da personalidade ocasionando quadros psiquitricos graves. Embora os avanos nas reas de cirurgia plstica, esttica e reparadora, bem como na rea da cosmtica, tem oferecido condies de melhoria na auto-imagem, as condies scioeconmicas da maioria das pessoas, no permite o acesso a esses benefcios. Na atualidade, portanto o tratamento de feridas tem uma abordagem ampla e multiprofissional, na preservao e manuteno da integridade da pele, bem como no tratamento de suas leses. II. ANATOMIA DA PELE Estudar o tecido Epitelial no simples. Requer dos profissionais que atuam na rea de sade, conhecimento das peculiaridades e alteraes relacionadas as alteraes do corpo, a idade do indivduo, dos estados orgnicos, alm dos agentes e fatores externos e internos que influenciam a pele. 1 2

A pele tambm chamada de tegumento, tem trs camadas, a saber: Epiderme, ou camada externa; Derme ou crion; Hipoderme, ou tecido celular subcutneo.

Enfermeira, Mestre, Docente da Escola de Enfermagem de Natal - UFRN. Enfermeira, Doutoranda em Enfermagem, Docente da Escola de Enfermagem de Natal UFRN.

Na figura a seguir so apresentadas as camadas da pele:

Figura 1: Camadas da pele Fonte: BRASIL. Ministrio da Sade. Manual de Condutas para lceras neurotrficas e traumticas. Braslia: Ministrio da Sade, 2002. p. 10

Epiderme - camada superficial, bem fina com a variao de 0.004 mm nas plpebras, a 1.6 mm, nas regies palmares e plantares. formada por um epitlio queratinizado e escamoso, sem vascularizao. Possui duas sub-camadas: camada crnea, mais externa; camada basal, mais interna. A Constituio da Epiderme formada pelas clulas queratincitos, que formam a camada crnea (mais externa). A Camada morta, mais superficial formada por queratina, ou serve de barreira para os germes, alm de ser quase impermevel gua. O seu PH, pode ser cido ou neutroalcalino. Outras clulas da Epiderme so os melancitos, que so responsveis pela sntese da melanina, que determina a cor da pele e sua proteo contra a ao dos raios ultravioletas. Outro componente da epiderme so as clulas de Langerhans, que tem a funo imunolgica. Existe ainda as clulas de Merkel, com envolvimento na sensibilidade ttil (VALENTE, 1997). Derme Camada mais profunda e espessa de 1 a 4 mm. composta por fibras colgenas e fibroblastos, possuem vascularizao sangnea, nervos sensitivos: Ttil, Trmico e Doloroso. Nesta camada tem folculos pilosos, os msculos eretores dos plos e as glndulas sebceas. Possui ainda as fibras: colgenas (95% da derme) elsticas (constitudas de fibrina) e fibras reticulares. Estas formam um gel que do resistncia a pele nos traumas mecnicos, como compresso e estiramento (PORTO, 2000). Hipoderme ou Panculo adiposo ou tecido areolar ou tecido celular subcutneo: Terceira camada da pele. constitudo por tecido adiposo e glndulas sudorparas. Possui terminaes nervosas e vasos sangneos. um tecido frouxo com maleabilidade e elasticidade, excetuando-se nas regies palmares, plantares e dedos. Sua espessura varia entre 0.5 mm a 3 ou 4 mm, fazendo uma barreira entre o meio interno e externo. Alguns elementos da pele devem ser observados para detectar normalidade ou anormalidade, so eles: colorao, integridade, ou continuidade, umidade, textura, espessura, temperatura, elasticidade, mobilidade, turgor, sensibilidade e presena de leso.

Colorao - mostra a quantidade de melanina e variam, segundo Porto (2000) em: Normal levemente rosada em indivduos brancos. Na pele escura essa caracterstica dificultada. As alteraes da colorao, so: palidez, vermelhido, ou eritrose, cianose, ictercia, albinismo, bronzeamento solar, urticria e outros. Integridade - varia de acordo com os agentes, desde os patolgicos at os traumticos, abrasivos e causticantes. Umidade, Textura e Espessura da Pele - So indicadores de disfuno orgnica A pele mantm-se mida e pode eliminar at 4 litros de suor em uma hora. Esta umidade est diminuda nos idosos, pessoas com distrbios renais, intoxicaes, avitaminoses A e desidratao. Quanto a pele pode ser spera, fina ou enrugada, de acordo com a idade, estilo de vida, distrbios hormonais, perda de peso, etc. Temperatura - varia de 30 ou 35C, dependendo do local, meio ambiente, estado emocional, sono e ingesto alimentar. So relevantes na regulao da temperatura, os corpsculos de Krausse, localizados na derme. Elasticidade e Mobilidade da Pele So avaliadas simultaneamente, que compreende a capacidade de distender-se e deslocar-se, sobre planos profundos das reas. Esses dois elementos no so essenciais no processo de cicatrizao das feridas, mas ajudam muito, nos externos de pele. Turgor - um indicador de hidratao ao se efetuar uma prega na pele, com os dedos, o que se desfaz rapidamente, quando solta. Sensibilidade - constituda de quatro modalidades: dor, calor, frio e tato, mantido por terminaes nervosas. Outras estruturas da pele so os vasos sangneos superficiais e profundos, localizados a partir da derme, pois a epiderme no vascularizada, sendo nutrida por substancias vindo da derme. Os vasos linfticos tambm fazem parte da estrutura da pele, formando um plexo linftico profundo na camada dermo-hipodrmica. A pele formada por musculatura lisa, que constitui os msculos eretores dos pelos os dartos escrotais e a musculatura dos mamilos. O outro tipo de msculo da pele o estriado, encontrado no pescoo e na face, este responsvel pelas expresses faciais de mmicas. Os ltimos componentes da pele so os anexos cutneos: glndulas sudorparas. Sebceas. Os plos e as unhas. As glndulas sudorparas eliminam o suor pelos poros, sendo inodoro e incolor este lquido, mais rico em sais minerais. Algumas destas glndulas eliminam secrees leitosas e odor ftido. Atribudo 'a ao das bactrias. As glndulas sebceas esto em toda a pele e sua secreo denominada sebum e ocorre independente da estimulao nervosa. Os pelos so estruturas filiformes constitudas por queratina, sendo do tipo lanugo, fino e pouco desenvolvido; ou plo terminal - espesso e pigmentado, como cabelo, barba, etc. duram de dois dias a cinco anos no couro cabeludo, eretores dos plos e as glndulas sebceas. Possui ainda fibras: colgenos (95% da derme), elsticas (constitudas de fibrinas e elastina) e fibras reticulares. Estas formas um gel que do resistncia 'a pele nos traumas mecnicos, como compresso e estiramento. III - FERIDAS Conceito: Ferida definida como qualquer leso no tecido epitelial, mucosas ou rgo com prejuzo de suas funes bsicas (UNICAMP, 1999). Causas: Extrnsecas: cirurgias, perfuraes por arma de fogo, arma branca, etc.

Intrnsecas: insuficincia venosa ou arterial, diabetes, doenas degenerativas, entre Classificao das feridas:

outras.

Quanto ao mecanismo de leso: Incisa: quando no h perda de tecido e as bordas so aproximadas, como em inciso cirrgica; Contusa: causada por objeto rombo; Cortocontusa: causada por mordedura; Lacerada: quando a pele rompida por fora externa de grande intensidade, causando sua ruptura irregular, como em casos de amputao traumtica; Perfurante: causada por prego e agulha; Perfurocontusa; causada por projtil de arma de fogo; Trmica: causada por frio ou calor; Iatrognica: reao adversa a uma terapia; Escoriao: quando a pele arrastada sobre superfcie spera, como nos casos de acidente com motocicleta. Quanto ao rompimento das estruturas superficiais: Ferida aberta: sem aproximao de bordos; Ferida fechada: com aproximao de bordos e/ou sutura.

Quanto profundidade da leso: A profundidade de uma leso representa a distncia a partir da superfcie visvel da leso at o ponto mais profundo da base da ferida. Essa classificao faz referncia s camadas da pele que foram atingidas, logo, no se aplica leses fechadas, como as cirrgicas e aquelas com aproximao das bordas. Assim, de uma forma geral pode-se classificar a profundidade de uma leso como: Superficial: quando a leso atinge apenas a epiderme. Perda Parcial de tecido ou Ferida de espessura parcial: quando a leso atinge a epiderme e chega derme. Perda Total de tecido ou ferida de espessura total: quando a leso atinge a epiderme, a derme e o tecido subcutneo ou hipoderme, ou seja, atingiu todas as camadas da pele. Tambm pode ser chegar a msculos, tendes e ossos. Para queimaduras, alm desta classificao tambm pode ser utilizado o termo GRAU, have