P08 RT17 Marco Legal Sobre Mineraxo Marinha

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P08 RT17 Marco Legal Sobre Mineraxo Marinha

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  • CONTRATO N 48000.003155/2007-17: DESENVOLVIMENTO DE ESTUDOS PARA ELABORAO DO PLANO DUODECENAL (2010 - 2030) DE GEOLOGIA,

    MINERAO E TRANSFORMAO MINERAL

    MINISTRIO DE MINAS E ENERGIA - MME

    SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAO E TRANSFORMAO MINERAL-SGM

    BANCO MUNDIAL

    BANCO INTERNACIONAL PARA A RECONSTRUO E DESENVOLVIMENTO - BIRD

    PRODUTO 08

    ANLISE DA INFORMAO SOBRE RECURSOS MARINHOS NO BRASIL

    Relatrio Tcnico 17

    MARCO LEGAL SOBRE MINERAO MARINHA

    CONSULTOR

    Antonio Juarez Milmann Martins

    PROJETO ESTAL PROJETO DE ASSISTNCIA TCNICA AO SETOR DE ENERGIA

    JULHO de 2009

  • SUMRIO

    RESUMO EXECUTIVO ................................................................................................................3

    APRESENTAO .........................................................................................................................6

    1. INTRODUO ..........................................................................................................................7

    2. A CONVENO DAS NAES UNIDAS SOBRE O DIREITO DO MAR MARCO LEGAL INTERNACIONAL PARA O APROVEITAMENTO DOS RECURSOS MINERAIS DOS OCEANOS...........................................................................................................................10

    3. A SITUAO BRASILEIRA ..................................................................................................12

    4. A EXPLORAO E EXPLOTAO DE RECURSOS MINERAIS DO MAR EM PASES SELECIONADOS: ASPECTOS LEGAIS ...................................................................................18

    4.1. FRICA DO SUL....................................................................................................................18 4.2. ALEMANHA..........................................................................................................................19 4.3. BLGICA ..............................................................................................................................20 4.4. CHINA ..................................................................................................................................21 4.5. CORIA DO SUL ...................................................................................................................22 4.6. EUA ....................................................................................................................................23 4.7. FRANA ...............................................................................................................................24 4.8 NDIA ....................................................................................................................................25 4.9. JAPO ..................................................................................................................................26 4.10.NAMBIA.............................................................................................................................26

    5. BRASIL: MARCOS LEGAIS PARA O APROVEITAMENTO DOS RECURSOS MINERAIS DOS OCEANOS.......................................................................................................27

    5.1. O CDIGO DE MINERAO BRASILEIRO E AS CONJUNTURAS AMBIENTAIS...........................27 5.2. O VII PSRM E O DECRETO N 6.678 ....................................................................................31 5.3. A QUESTO DO PETRLEO E GS NATURAL ..........................................................................32

    6. CONCLUSES.........................................................................................................................34

    7. RECOMENDAES ...............................................................................................................36

    8. REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS......................................................................................38

    LISTA DE FIGURAS

    Figura 1 . Potencial Mineral da PLataforma Continental Jurdica Brasileira................................13

    Figura 2: Plataforma Continental Jurdica Brasileira....................................................................16

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    Resumo Executivo

    A legislao mineral brasileira, consubstanciada no Cdigo de Minerao, seu Regulamento e normas e portarias conseqentes no distingue, em essncia, a pesquisa e a lavra de recursos minerais no continente e no oceano, assim como tambm a legislao ambiental, em que pese os cuidados e restries estabelecidos, nesta ltima, para o aproveitamento de recursos marinhos.

    O Brasil, no entanto, possui quase 8.000 km de rea litornea, podendo ter o controle jurisdicional sobre uma rea martima de 4,5 milhes de km, mais da metade, portanto, de seu territrio emerso, fato esse pouco conhecido dos brasileiros, que olham o mar como rea de lazer ou, no mximo, como meio de transporte para mercadorias e pessoas.

    As pesquisas e explotao de sucesso pela Petrobras em guas cada vez mais profundas tm sido um forte motivo para o conhecimento geolgico de regies cada vez mais profundas dos oceanos brasileiros, no parecendo haver dvidas de que o avano tecnolgico permitir em futuro no muito distante a extrao de leo e gs para alm dos limites da Zona Econmica Exclusiva e mesmo da Plataforma Continental, ou seja, alm das possveis 350 milhas estabelecidas pela Conveno.

    Fora esse parmetro de grande sucesso da Petrobras, pouco se conhece, e consequentemente pouco se aproveita de outros bens minerais oferecidos pelo litoral e oceano brasileiros.

    As ocorrncias de ndulos polimetlicos e fosfticos em alguns Plats da Plataforma Continental, assim como de domos salinos ao largo do Rio de Janeiro e Esprito Santo, particularmente, e as possibilidades de existncia de depsitos econmicos de ouro no paleocanal do rio Gurupi (MA) e diamante, na foz do rio Jequitinhonha (ES), a exemplo das praias e terraos marinhos da Nambia e frica do Sul, ainda so insuficientes para a atrao macia do empresariado mineiro do pas, prevalecendo, de certa forma, apenas a extrao de areia e cascalhos para reconstruo de perfis de praias e, em parte, para uso na construo civil. Tentativas de aproveitamento de minerais pesados no Esprito Santo e Rio de Janeiro,e de granulados slico-clsticos e carbonticos nas mesmas regies ainda no redundaram em grande sucesso, em parte pelas restries ambientais.

    Faz-se, pois, necessrio que o Brasil volte-se para o seu Mar Territorial e zonas adjacentes (PC e ZEE) com uma viso de futuro no que concerne aos recursos que eles disponibilizam e que se prepare para aproveit-los de forma racional e sustentada.

    Para tanto, alm dos aspectos tcnico-cientficos, tecnolgicos, infraestruturais, econmicos, polticos e de recursos humanos, h que se refletir sobre as necessrias mudanas nos marcos legais brasileiros, tanto minerais (Cdigo de Minerao e instrumentos conseqentes) como ambientais.

    Mudanas essas que no chegam a ser de grande monta. No caso do Cdigo, considerado o meio ambiente ao mesmo tempo frgil e agressivo, as expanses das dimenses de reas para pesquisa e lavra e prazos para investigao so as principais, ao lado de exigncias de monitoramento constante por Comisso Especial Interministerial Consultiva. No caso da legislao ambiental, a exigncia de documentos e comprovaes sobre a sustentabilidade da minerao tm maiores implicaes, haja vista outros usos dos oceanos para o benefcio da sociedade brasileira, a exemplo da pesca, da navegao, dos cabos de transmisso etc.

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    Um fato inevitvel: a populao mundial dever praticamente dobrar ao final deste sculo e 75% dela estar concentrada em uma faixa de 100 km ao longo dos litorais, exigindo cada vez mais energia, alimentao, materiais de construo, gua, produtos e servios, muitos dos quais dependentes do mar, e, lastimavelmente, provocando riscos e degradao ao ambiente marinho.

    Em outra faceta, finalmente comea, aps a adoo da Conveno das Naes Unidas sobre o Direito do Mar em 1994, a recrudescer o interesse das naes pelos recursos minerais dos fundos ocenicos, alm do petrleo e gs explotados em reas com maior espessura de lminas dgua e em maiores profundidades sedimentares. Regies com concentraes de ndulos e sulfetos polimetlicos, crostas cobaltferas e hidratos de gs, na zona da rea Internacional, no conceito da Conveno, tm chamado a ateno tanto de pases desenvolvidos (com poucos recursos minerais em terra firme), como o Japo, a Frana e a Alemanha, como os em desenvolvimento (com muito ou quase nada de minrios em seus territrios emersos), como a China, a Coria do Sul, a ndia, a Austrlia. Negociaes recentes entre alguns desses pases tm sido feitas com Naes Ilhas do Pacfico para explotao de bens minerais nas suas Zonas Econmicas Exclusivas e nada impede que isso venha a acontecer tambm em reas ocenicas brasileiras, especialmente ao largo de seus arquiplagos, como Fernando de Noronha, So Pedro e So Paulo, Abrolhos, Atol das Rocas.

    Em suma, preciso estar preparado para o presente e para o futuro, que pode no ser to certo como se imagina em termos de economia e paz globais. Nesse sentido, marcos legais so to importantes quanto o conhecimento que se venha a obter em nossas propriedades marinhas e nos territrios internacionais submersos dos oceanos.

    As Recomendaes mais especficas e detalhadas ao final deste Relatrio seguem, em linhas gerais, aquelas sugeridas pela geloga do DNPM Vanessa Maria Mamede Cavalcanti em seu artigo publicado no nmero 24, de agosto de 2007, da Revista Parcerias Estratgicas do CGEE Centro de Gesto e Estudos Estratgicos e de certa forma reeditadas na publicao de 2008, do mesmo CGEE, por encomenda do antigo NAE Ncleo de Assuntos Estratgicos, Mar e Ambientes Costeiros.

    Tais recomendaes se prendem s trs grandes fases da atividade mineira e abrangem:

    Fase de Requerimento de Pesquisa:

    Expanso das dimenses mximas para as reas requeridas no Mar Territorial, Plataforma Continental e Zona Econmica Exclusiva;

    Aumento do prazo nico dos alvars; Criao de uma Comisso Especial para anlise prvia de todos os requerimentos

    de pesquisa protocolados nas reas do MT, da PC e da ZEE.

    Fase de Autorizao de Pesquisa

    Vinculao da aprovao do Relatrio Final de Pesquisa e do Plano de Aproveitamento Econmico apresentao de informaes especficas e imprescindveis para assegurar a sustentabilidade do empreendimento.

    Fase de Concesso de lavra

    Monitoramento de conformidade, com a verificao se as condies da autorizao so respeitadas;

    Monitoramento de impacto, para verificao do impacto espacial e temporal da dragagem e das interferncias com as outras utilizaes do mar.

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    Com relao expanso e uniformidade das reas de pesquisa no MT, PC, ZEE, sugerida pela autora para ser de 5.000 ha, qualquer seja a substncia ou local de explorao, recomendamos que ela seja diferenciada para agregados marinhos e granulados carbonticos (1.000 ha por rea), mantendo-se a proposta da geloga para as demais substncias pesquisadas naquelas regies.

    No que tange ao prazo dos alvars acreditamos que ele possa ser de trs anos para quaisquer substncias daquelas zonas, com prorrogaes de dois anos.

    J a Comisso sugerida deve ser integrada no s por gelogos, engenheiros de minas e especialista ambientais, como tambm por especialistas em assuntos do mar, especialmente em oceanografia e oceanologia, incluindo bilogos e representantes da CIRM Comisso Interministerial para os Recursos do Mar, para que se tenha o mximo de iseno no julgamento dos requerimentos de pesquisa. O eventual indeferimento deles no deve ser considerado como bloqueio definitivo para outras atividades de minerao futura, uma vez que as situaes podem mudar com o tempo.

    Finalmente, recomenda-se que o Brasil trabalhe efetivamente para conhecer a sua rea de jurisdio no Mar em termos de sua geologia e dos recursos vivos e no-vivos que ela oferece e se prepare rapidamente para conhecer a rea Internacional (rea) do Atlntico Sul e Equatorial, em parcerias de instituies nacionais e cooperao internacional se preciso, antes que outras naes se adiantem ao nosso Pas.

    preciso se ter em mente que a aquisio do conhecimento cientfico e o desenvolvimento tecnolgico constituem-se em investimentos e no despesas em seu sentido lato.

    preciso ainda considerar o gigantesco avano da tecnologia, mormente na explotao de petrleo e gs, em guas cada vez mais profundas. Energia um dos cinco desafios maiores que a humanidade ter que enfrentar neste sculo, e , apesar da exigncia da sociedade para energias mais limpas, o petrleo ainda dever perdurar por longas dcadas como o propulsor do desenvolvimento mundial. No importa onde se encontre, desde que sua explotao e aproveitamento sejam econmicos. Por correlao, esta uma tendncia experimentada no comeo do sculo passado quando os teores de corte econmico para os minrios de cobre encontravam-se acima de 2,5 %, e hoje podem ser, em condies especiais, ao redor de 0,3 a 0,7 % Cu , como em Palaborawa, na frica do Sul. Tudo depende da legtima lei da oferta e procura, da necessidade e disponibilidade.

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    Apresentao

    Este volume constitui-se no Relatrio 17 Marco Legal sobre Minerao Marinha do denominado Produto 08 Recursos Marinhos, relativo ao Termo de Referncia Estudos para Elaborao do Plano Duodecenal (2010-2030) de Geologia, Minerao e Transformao Mineral Projeto ESTAL, idealizado pelo Ministrio de Minas e Energia, atravs de sua Secretaria de Geologia, Minerao e Transformao Mineral, qual compete coordenar os estudos de planejamento setoriais, propondo as aes para o desenvolvimento sustentvel da minerao e da transformao mineral, de acordo com o Decreto 5.267 de 05/11/2004.

    O Plano em questo tem horizonte de 20 anos previso de revises quadrienais e detalhamento coincidentes com os perodos dos Planos Plurianuais PPAs do governo, obedecendo a premissas de dinamicidade, realismo, atualizao tecnolgica, agilidade na obteno da informao e na divulgao dos produtos, continuidade de recursos humanos e de recursos financeiros, segundo estabelece seu Termo de Referncia para contratao de consultorias especializadas, como a J. Mendo Consultoria, responsvel pela apresentao dos diversos Relatrios Tcnicos, como parte de seus 58 Produtos includos em 6 Macro-Atividades.

    Neste Relatrio 17 so feitas consideraes sobre a legislao mineral relativa a recursos do mar de diversos pases do mundo, alm da legislao mineral brasileira relativa ao assunto visando possibilitar a minerao ocenica em todas as suas zonas a curto, mdio e longo prazo, de forma sustentada, com benefcios scio-econmicos para o povo brasileiro e luz da inevitvel explorao e explotao dos fundos marinhos em todo o mundo.

    No entanto, nem todos os pases tm em suas pginas eletrnicas as regras e normas claras para obteno de sua legislao. Este o caso, por exemplo, da China, Coria, Japo, ndia, entre os estudados. Para os demais, so fornecidos os dados disponveis.

    Ateno especial dada questo da pesquisa e aproveitamento dos recursos de leo e gs da Plataforma Continental Brasileira e sua legislao.

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    1. Introduo

    Celebramos hoje a entrada em vigor da Conveno das Naes Unidas sobre o Direito do Mar... O sonho de um direito abrangente para os oceanos antigo. Tornar este sonho realidade foi uma das maiores conquistas deste sculo. Trata-se de uma das contribuies decisivas da nossa era. Ser um dos nossos legados mais duradouros... A conquista que estamos celebrando pode dar comunidade internacional um novo mpeto e uma nova oportunidade. Pode ajudar a humanidade a aperceber-se do imenso potencial do nosso patrimnio comum. Essas foram palavras de Boutros Boutros-Ghali, ento Secretrio-Geral das Naes Unidas, em 16 de novembro de 1994, quando entrou em vigor a Conveno da ONU sobre o Direito do Mar.

    Esse planeta no pertence aos adultos de hoje e no deveria ser gerido com base em consideraes de lucro econmico e de poder poltico de curto prazo. Se fossem necessrias as assinaturas dos nossos filhos para ratificar decises que afetam os seus futuros, muitas das aes destrutivas perpetradas hoje certamente acabariam. Independentemente do que faamos, o oceano sobreviver, de uma forma ou de outra. O que mais problemtico saber se o conseguiremos preservar de forma a garantir a sobrevivncia e o bem-estar da humanidade. E essas foram palavras de Federico Mayor, ento Diretor-Geral da UNESCO, em 1998, na proclamao do Ano Internacional dos Oceanos.

    Para completar esses dizeres, o Relatrio da Comisso Mundial Independente sobre os Oceanos foi lanado em 1999 com o ttulo The Ocean...our future.

    Os dizeres e o ttulo acima refletem uma nova viso de importantes autoridades que se tenta implantar entre governantes, tomadores de deciso, fazedores de opinio e na conscincia da populao geral do mundo.

    De fato, em que pese os oceanos tenham sido aproveitados sob todas as formas desde tempos histricos (meio de transporte, fonte de alimentos e lazer, e recursos minerais, entre outras), somente nas duas ltimas dcadas que se comeou a criar uma conscincia martima, que envolve um novo olhar sobre os mares: uma fonte quase inesgotvel de recursos para um mundo cuja populao cresce rapidamente e tende a se fixar prximo ao litoral, mas tambm, altamente susceptvel s agresses ambientais. E uma parte do planeta to estratgica para as naes, sob o ponto de vista poltico-territorial, quanto a sua territoriedade emersa.

    A previso das Naes Unidas para o final deste sculo de uma populao mundial de cerca de 11 bilhes de habitantes (quase o dobro da atual), dos quais, 75% estaro concentrados em uma faixa de 100 km da costa martima. Disso decorrer, naturalmente, a necessidade tambm crescente de materiais de construo (areia, argila, brita, cascalhos), para citar os mais comuns, simples e encontrados a poucas profundidades relativamente. Mas igualmente, materiais carbonticos, evaporitos, fertilizantes, alm de petrleo e gs, e outros bens valiosos como ouro, diamantes, minerais pesados. Depois viro os ndulos e sulfetos polimetlicos, as crostas ricas em cobalto, os hidratos de gs etc j detectados em grandes profundidades do mar.

    Na verdade, granulados marinhos carbonticos e silicticos so explotados na Plataforma Continental de vrios pases da Europa h mais de 50 anos, tanto para uso como agregados na construo civil, como para recuperao de perfis de praias e emprego na agropecuria e tratamento de gua (Cavalcanti, 2007). Igualmente, plceres marinhos, ricos em minerais de titnio (rutilo e ilmenita) tm sido, de h muito, minerados nas praias da frica, sia, Austrlia, Amricas do Norte e do Sul, incluindo o Brasil, por algum tempo. E ouro extrado das costas do Alaska e Nova Zelndia, enquanto diamantes so obtidos das praias e plataformas da Nambia e frica do Sul, com possibilidades de ocorrncia no litoral sul de Angola.

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    A maioria desses pases pertence, ainda segundo Cavalcanti, op.cit., International Council for Exploration of the Sea (ICES), e possui legislaes prprias para a minerao no mar. E quase todos levam em considerao, para essa minerao, os efeitos que as atividades podem causar na pesca, na navegao, na eroso costeira e nos ecossistemas bentnicos.

    No caso do Brasil, no existe nada especfico sobre a minerao marinha, embora a primeira concesso de lavra na plataforma continental brasileira date de 1986, no Esprito Santo, para pesquisa de calcrio conchfero. Esse empreendimento ainda no foi frente, estando em fase de licenciamento ambiental junto ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renovveis Ibama, segundo Cavalcanti, op.cit.

    A partir de 1999, um grande nmero de requerimentos de pesquisa na plataforma continental do Esprito Santo foi depositado no DNPM e, em 2001, houve a solicitao de guia de utilizao em processos de autorizao de pesquisa para calcrio biognico no municpio de Aracruz, o que causou srios atritos de carter ambiental e social, uma vez que os depsitos esto localizados prximo s aldeias indgenas de Caieiras Velhas. As licenas ambientais concedidas pelo Ibama para extrao mineral por guia de utilizao foram ento canceladas.

    At fevereiro de 2007 constavam do cadastro do DNPM 150 ttulos em vigor para pesquisa mineral e lavra na plataforma continental dos estados da Bahia, Esprito Santo, Rio de Janeiro, Maranho, Pernambuco, dos quais 32 eram requerimentos de pesquisa, 109 alvars de pesquisa, 15 requerimentos de lavra e uma concesso de lavra. Desses ttulos, 142 foram requeridos para granulados carbonticos, sete para ilmenita e um para ouro. Apenas duas audincias pbicas, segundo Cavalcanti, op.cit., haviam ocorrido para empreendimentos relacionados explotao de granulados carbonticos.

    Isso demonstra duas coisas principais: o pouco interesse na explotao mineral marinha, que pode estar relacionado tanto abundncia dos recursos em reas mais internas, quanto na dificuldade tcnica de extrao dos mesmos no mar, como no desconhecimento da existncia dos recursos econmicos nessas zonas: e s implicaes ambientais consideradas especiais pelo Ibama, provavelmente.

    Os recursos minerais esto diretamente relacionados evoluo geolgica da regio onde se encontram, sendo, portanto, imprescindvel o conhecimento da geologia local para a determinao de seu real potencial de aproveitamento, assim como essencial o levantamento dos riscos ambientais que a explotao litornea em gua pouco ou mais profundas pode causar aos oceanos.

    No que tange aos recursos minerais em grandes profundidades dos oceanos, eles chamaram a ateno a partir da denominada Expedio Challenger (1872-1876), que promoveu a dragagem de material e coleta de novas espcies de sedimentos, como argilas vermelhas, ndulos metlicos e vasas constitudas de diminutas carapaas de foraminferos e radiolrios.

    A Segunda Guerra Mundial exigiu o desenvolvimento de novas tecnologias e equipamentos, contribuindo para suas aplicaes nos mares, a exemplo da geofsica, tornando estratgicos os estudos do fundo dos mares sob o ponto de vista poltico e econmico e diversos levantamentos geolgicos e geofsicos comearam a ser realizados por vrios pases, EUA frente, com os centros de pesquisa universitrios como o Lamont Doherty Geological Observatory, a Woods Hole Ocanographic Institution e o Scripps Institute of Oceanography, alm do prprio U.S. Geological Survey, que passaram a contar com recursos financeiros especiais para suas pesquisas. Alemanha, Frana, Inglaterra, Japo e Rssia seguiram o exemplo americano e organizaram expedies ocenicas.

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    O interesse econmico pelos recursos minerais dos fundos ocenicos teve incio nos anos 50, quando em 1959 o pesquisador da Universidade de Berkeley, J. L. Merlo (apud Kaiser et al, 2007) analisou a rentabilidade dos depsitos de ndulos marinhos, chegando concluso de que:

    O teor de nquel dos ndulos era igual ou superior aos das jazidas terrestres laterticas pobres, que vinham sendo aproveitadas;

    O teor de cobre dos ndulos era superior aos dos granitos prfiros cuprferos explorados na poca;

    O teor de cobalto dos ndulos era similar aos de certos depsitos em fase de produo; O teor de mangans dos ndulos equiparava-se ao das jazidas australianas, que estavam

    em vias de ser aproveitadas.

    Com o aumento do interesse pelos ndulos polimetlicos ocenicos e a intensificao das pesquisas voltadas para seu aproveitamento, levou o Presidente dos EUA, Lyndon Johnson a alertar, em 1966, para a possibilidade de criao de uma nova forma de competio colonial entre as potncias martimas e contra a corrida desmesurada para a utilizao dos leitos marinhos alm das jurisdies nacionais, acrescentando que os leitos marinhos so e deveriam permanecer como herana de todos os seres humanos.

    Em 1967, o embaixador de Malta, Arvid Pardo, chamou a ateno da ONU sobre a possibilidade de potncias mais tecnologicamente desenvolvidas, como os EUA, se apropriarem dos leitos marinhos e lanou o conceito de patrimnio comum da humanidade para todos os recursos minerais marinhos, incluindo os hidrocarbonetos, situados alm das jurisdies nacionais, levando a Assemblia Geral das Organizaes Unidas, em 1970, a adotar a Declarao de Princpios pela qual o leito dos oceanos e seu subsolo situados alm das jurisdies nacionais, bem como seus recursos minerais, so patrimnio comum da humanidade. As estimativas (mais tarde provadas como altamente exageradas) de que o retorno anual dos investimentos seria de 35% na explotao dos ndulos polimetlicos alarmaram os pases produtores de nquel, cobre, cobalto, mangans em terra, levando a se incluir uma srie de dispositivos especficos e criteriosos acerca dos recursos minerais do mar na Conveno sobre o Direito do Mar de 1982 que, aps inmeras discusses, s entrou em vigor 12 anos depois.

    medida que os anos passaram, os interesses sobre os oceanos diversificaram e, em muitos pases, concentraram-se nas pesquisas para petrleo e gs, incluindo o Brasil, e na delimitao das reas determinadas pela Conveno das Naes Unidas sobre o Direito do Mar.

    No incio dos anos 80, vrias empresas j se preparavam para extrair minrios dos fundos ocenicos, apesar da situao econmica no confortvel para a maioria dos minrios, em funo das duas crises de petrleo que o mundo experimentara recentemente (1978 e 1982). Os industriais americanos, temerosos pelos seus negcios, pressionaram o seu governo para que fossem tomadas medidas conservadoras sobre o assunto e em junho daquele ano era adotado o Deep Seabed Hard Mineral Resources Act, que estabelecia que as empresas norte-americanas poderiam prospectar e mais tarde explotar os depsitos de ndulos polimetlicos situados alm das jurisdies nacionais, iniciativa essa seguida de imediato pela Rssia, Alemanha e Inglaterra (Souza et al, 2007).

    Naquela ocasio, as negociaes sobre o Direito do Mar ainda eram complexas e embora a Conveno tenha sido estabelecida em 1982, somente em 1994 foi concludo o Acordo Parte XI sobre recursos minerais marinhos. Os EUA no ratificaram a Conveno e suas empresas de minerao no foram reconhecidas pela Autoridade da mesma.

    A partir daquela poca, sete empresas de minerao submeteram Autoridade, de acordo com os termos da Conveno, os seus planos de trabalhos para explorao de ndulos polimetlicos, recebendo o status especial de investidores pioneiros na explorao dos ndulos e, com isso, receberam alguns privilgios:

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    Department of Ocean Development DOD , do governo indiano; O Institut Franais de Recherche pour lExploitation de La Mer e a Association

    Franaise pour ltude et La Recherche des Nodules, da Frana; A Yuzhmorgeologiya, da Rssia; Deep Ocean Resources Develoment Co. Ltd , do Japo; A China Ocean Mineral Resources Research and Develoment Association COMPRA,

    da China; A Korean Deep-sea Resources Research Center KORDI, da Coria do Sul; O Interoceanmetal Joint Organization, reunindo instituies da Polnia, Bulgria,

    Checoslovquia, Eslovquia, Cuba e Rssia.

    Como investidores pioneiros, eles obtiveram o direito de reivindicar at 150.000 km de rea para a pesquisa (o dobro das demais), devendo, no entanto, no perodo de 8 anos, restituir o restante Autoridade.

    Em 2005, a Alemanha solicitou Autoridade, atravs do seu Instituto Federal de Geocincias e Recursos Naturais BGR, outra rea de explorao no Oceano Pacfico, rea essa que somada quela requisitada pelos sete investidores pioneiros, atinge quase 2 milhes de km, ou mais de 23% da superfcie territorial do Brasil (Souza et al., op. cit).

    No Pacfico Sul, ao lado de vrios Estados-Ilhas empresas de minerao, com o apoio dos governos locais, tm depositado pedidos de explorao de bens minerais presentes das Zonas Econmicas Exclusivas e Plataformas Continentais, respectivas, demonstrando o crescente interesse na explotao marinha.

    nesses cenrios que os pases esto se preparando e onde o Brasil dever se enquadrar, se no quiser perder as oportunidades que j se esboam.

    E para tanto importante se conhecer os parmetros bsicos da Conveno das Naes Unidas sobre o Direito do Mar. 2. A Conveno das Naes Unidas sobre o Direito do Mar marco legal internacional para o

    aproveitamento dos recursos minerais dos oceanos

    Segundo a Conveno das Naes Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), que entrou em vigor em 1994, os Estados Costeiros tm direito a um Mar Territorial, a uma Zona Contgua, a uma Zona Econmica Exclusiva e a uma Plataforma Continental (se esta existir), alm de deveres no que diz respeito explorao dos recursos minerais do leito marinho situado alm dos limites de suas reas de jurisdio, e que incluem os denominados Alto Mar e Zona Internacional do Leito Marinho, ou simplesmente rea (Souza et al, op.cit).

    O Mar Territorial no deve ultrapassar 12 milhas martimas da marca mais baixa deixada pela gua ao longo da linha de costa (linha de base). A partir dessa mesma linha de base, o Estado pode estabelecer uma Zona Contgua que no se estenda a mais de 24 milhas martimas, como fator de sua segurana.

    A Zona Econmica Exclusiva (ZEE) se estende at 200 milhas martimas a partir da mesma linha de base usada para se medir o Mar Territorial. Embora o Estado no tenha jurisdio absoluta nessa Zona, ele possui direitos e soberanias exclusivos para a explorao, o aproveitamento, a gesto e a conservao dos recursos vivos e no-vivos do leito do mar, seu subsolo e das guas adjacentes. As pesquisas cientficas marinhas, a colocao de ilhas artificiais, as instalaes e estruturas e a proteo e preservao do ambiente marinho esto tambm sob sua jurisdio.

  • 11

    Alm disso, a Conveno reconhece a Plataforma Continental como a rea que se estende alm do Mar Territorial do Estado costeiro em toda a extenso do prolongamento natural do seu territrio terrestre at a borda exterior, compreendida como sua margem continental. Se essa Plataforma se estender alm das 200 milhas martimas, a Conveno estabelece como limites externos 350 milhas das linhas de base ou 100 milhas martimas da isbata de 2.500 m de profundidade, passando, nesses casos, a denominar-se Plataforma Continental Jurdica.

    reconhecido o direito de soberania do Estado costeiro sobre a Plataforma Continental, como extenso de seu prprio territrio terrestre, para explorao e aproveitamento dos recursos marinhos no vivos a existentes e organismos vivos pertencentes a espcies sedentrias, incapazes de se locomover, exceto pelo contato constante com o leito ou o subsolo (Souza et al, op. cit). Se o Estado costeiro no explorar e aproveitar os recursos minerais da Plataforma Continental, ele poder permitir a explorao e aproveitamento, e ningum poder faz-los sem o seu expresso consentimento.

    Todavia, a Parte XIII da Conveno estabelece tambm que o Estado costeiro no poder exercer o poder discriminatrio de recusar consentimento para projetos de pesquisa que influenciem a explorao e o aproveitamento dos recursos marinhos, alm dos limites da Zona Econmica Exclusiva e da Plataforma Continental Jurdica, a no ser quando o Estado esteja desenvolvendo ou venha a desenvolver aes destinadas a esse aproveitamento.

    , pois, de extrema importncia estratgica a definio pelo Estado costeiro das principais reas e recursos de seu interesse nacional, para possibilitar o exerccio dos seus direitos sobre eles.

    O Alto Mar abrange os espaos marinhos no includos na Zona Econmica Exclusiva, no Mar Territorial ou nas guas interiores de um Estado, e est aberto a qualquer outro pas para a navegao, sobrevo, colocao de dutos e cabos submarinos, construo de ilhas artificiais e outras instalaes, alm de atividades cientficas e pesqueiras, desde que considerados os interesses de outros Estados no exerccio da liberdade de Alto Mar.

    A rea, por sua vez, corresponde aos fundos marinhos e ocenicos situados alm dos limites da jurisdio nacional e definida como patrimnio comum da humanidade, permitindo que todos tenham condies iguais de acesso e uso de seus recursos minerais. A organizao e o controle das atividades visando ao aproveitamento dos recursos minerais localizados na rea so controlados pela denominada Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos que tem a responsabilidade de garantir que a utilizao dos fundos marinhos traga benefcios efetivos a toda a humanidade.

    A Autoridade compe-se de uma Assemblia, um Conselho, uma Comisso Jurdica e Tcnica, um Comit de Finanas, uma Empresa e um Secretariado. Na administrao da rea, a Autoridade atua em bases comerciais subordinadas s limitaes espaciais da rea, limitando-se aos recursos minerais in situ e agindo dentro dos ditames legais estabelecidos na Conveno. O seu brao operacional a Empresa, cujas atividades incluem a extrao, o transporte, o processamento e a comercializao dos recursos minerais da rea.

    A Autoridade estabelece tambm regras e procedimentos especficos para a explorao e explotao minerais, sendo um dos primeiros, de sucesso, relacionados aos ndulos polimetlicos, contendo cobre, nquel, cobalto, mangans e outros elementos. Essas regras, que abrangem dispositivos de proteo ambiental, esto registradas no Anexo III da Conveno e constituem-se na base legal para anlise e aprovao de planos de trabalho para a explorao e minerao dos citados ndulos. At 2007, oito agncias governamentais haviam submetido Autoridade planos de trabalho para operaes em zonas de ndulos polimetlicos nos oceanos Pacfico e Indico, segundo Souza et al, op. cit.

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    Os sulfetos polimetlicos e as crostas cobaltferas esto sendo motivo da regulamentao ainda em elaborao pela Autoridade.

    Essas consideraes demonstram a complexidade da minerao ocenica, envolvendo aspectos tcnicos, tecnolgicos, ambientais, estratgicos, polticos e ticos, todos de grande sensibilidade para todos os pases do mundo e, em particular, para as naes costeiras.

    3. A Situao Brasileira

    Dos trs maiores Oceanos do mundo, o Atlntico parece ser o mais desconhecido com relao ao seu potencial mineral e at mesmo com relao sua geologia.

    Em que pese as extraes de areia e cascalho nas zonas litorneas para a construo civil e recomposio do perfil de praias em vrias regies do pas e da extrao de salgema no Rio Grande do Norte e no Rio de Janeiro a partir da gua do mar, foi somente durante a execuo do Projeto REMAC, na dcada de 70 que se veio tomar conhecimento da presena de zonas com ndulos de fosfato no Plat do Cear (Guazelli e Costa, 1978), ndulos polimetlicos no Plat de Pernambuco (Melo et al, 1978), alm de paleocanais e bancos arenosos submarinos, contendo concentraes de minerais pesados e extensos depsitos carbonticos da superfcie da plataforma continental entre o Cear e o Rio de Janeiro. Estruturas favorveis concentrao de petrleo e gs natural, assim como domos salinos foram outras informaes importantes trazidas pelo Projeto tambm.

    Encerrados os trabalhos do REMAC em 1978, as equipes originais do projeto se dispersaram e a Petrobras continuou os levantamentos e estudos da Plataforma, mas voltados basicamente para a prospeco de leo e gs, com os excelentes resultados que hoje so conhecidos. A partir de 1980, o projeto LEPLAC Levantamento da Plataforma Continental trouxe importantes subsdios para o conhecimento da geologia marinha, mas os estudos de recursos minerais do mar pouco avanaram. Em parte pela grande extenso territorial emersa do Brasil, onde, alm dos depsitos minerais conhecidos, vastas regies existiam (e continuam a existir, a exemplo da Amaznia) por conhecer; em parte pela ausncia de navios de pesquisa; em parte pelos custos operacionais; e, por fim, at mesmo pelas exigncias ambientais a serem cumpridas pelas empresas privadas e rgos governamentais.

    Como se disse anteriormente, alm dos depsitos de cascalho e areias explorados em inmeras partes da costa brasileira, sedimentos carbonticos so conhecidos desde a foz do rio Par at s vizinhanas de Cabo Frio, o que torna a Plataforma Continental do Brasil uma das mais extensas regies plataformais com esse tipo de depsito mineral.

    Plceres de minerais pesados, com reservas preliminarmente avaliadas ocorrem no litoral do Esprito Santo e Rio de Janeiro principalmente, ricos em ilmenita, rutilo, monazita, zirco.

    Fosforitas aparecem no Nordeste e no Sudeste a profundidades que variam entre 200 e 600 m, mas seus depsitos ainda no foram estimados.

    Evaporitos so encontrados desde Alagoas at So Paulo e as reservas de salgema aproveitveis atingem mais de 1,2 bilho de toneladas (DNPM, 2006).

    Grandes possibilidades de depsitos de ouro e diamantes na margem continental e a relativas poucas profundidades aparecem nos paleocanais do rio Gurupi, no Maranho, e na foz do rio Jequitinhonha, no Esprito Santo, respectivamente.

    E, logicamente, as bacias petrolferas com seus depsitos de leo e gs extrados a profundidades e em extenses cada vez maiores, encerram o que se conhece de recursos marinhos na Plataforma Continental Brasileira.

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    Sobre os ndulos e sulfetos polimetlicos, crostas cobaltferas e hidratos de gs, presentes na rea internacional dos oceanos (a denominada rea, no contexto da Conveno sobre o Direito do Mar), pouco se conhece sobre a sua existncia no Atlntico Sul e Equatorial, aparentemente pela ausncia de pesquisas significativas ou falta de interesse maior, por enquanto.

    A Figura 1, extrada de Souza et al, op. cit, mostra a localizao aproximada dos Principais Recursos Minerais da Margem Continental Brasileira.

    Fonte: CPRM Servio Geolgico do Brasil, Programa Geologia do Brasil, 2008

    Figura 1 Potencialidade da Plataforma Continental Jurdica Brasileira.

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    preciso observar que os Estados costeiros tm diferentes graus de jurisdio e soberania sobre as reas delimitadas pela Conveno da ONU sobre o Direito do Mar, como o Mar Territorial, a Zona Econmica Exclusiva e a Plataforma Continental, cada uma delas exigindo polticas pblicas especiais de planejamento e gesto do uso sustentvel de seus recursos marinhos, sendo fundamental a realizao de zoneamento econmico-ecolgico de toda a regio.

    De acordo com a Conveno, a ZEE brasileira estende-se por toda a costa do Pas e engloba, ainda, as reas do entorno dos Arquiplagos de Fernando de Noronha, Trindade, Martim Vaz, So Pedro e So Paulo e Atol das Rocas.

    A Lei n 8.167, de 04/01/1993, que dispe sobre o Mar Territorial, a Zona Econmica Exclusiva e a Plataforma Continental, determina que o Limite Exterior da Plataforma Continental ser fixado de conformidade com os critrios estabelecidos no Art. 76 da Conveno das Naes Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), celebrada em Montego Bay, em 10 de dezembro de 1982 e que entrou em vigor para o Brasil em 16 de novembro de 1994, de acordo com o Decreto n 1.530, de 22 de junho de 1995.

    A CNUDM ainda estabelece, no artigo 4 de seu anexo II, que quando um Estado costeiro tiver inteno de estabelecer, de conformidade com o artigo 76, o limite exterior da sua plataforma continental alm de 200 milhas martimas, apresentar Comisso de Limites da Plataforma Continental da ONU, logo que possvel, mas em qualquer caso dentro dos 10 anos seguintes entrada em vigor da presente Conveno para o referido Estado, as caractersticas de tal limite, juntamente com informaes cientficas e tcnicas de apoio. O Estado costeiro comunicar ao mesmo tempo os nomes de quaisquer membros da Comisso que lhe tenham prestado assessoria cientfica e tcnica.

    Em 15 de setembro de 1989 foi institudo pelo Governo brasileiro, atravs do Decreto n 98.145, o Plano de Levantamento da Plataforma Continental Brasileira LEPLAC, com o objetivo de estabelecer o limite exterior da PCB, determinando a rea martima alm das 200 milhas nuticas, na qual o Brasil exercer os seus direitos de soberania para a explorao e aproveitamento dos recursos naturais do leito e subsolo marinho, no conceito estabelecido pela CNUDM.

    Em junho de 1987, no entanto, j se realizava a primeira Comisso de Levantamento pelo Navio Oceanogrfico Almirante Cmara, da Diretoria de Hidrografia e Navegao DHN, da Marinha do Brasil, conjuntamente com a Petrobras e a comunidade cientfica brasileira (Sntese sobre o LEPLAC, 2009).

    Durante quase uma dcada, o projeto LEPLAC trouxe importantes subsdios para o conhecimento da geologia marinha, mas os estudos de recursos minerais do mar pouco avanaram ( exceo de petrleo e gs natural, por motivos bvios). Em parte pela grande extenso territorial emersa do Brasil, onde, alm dos depsitos minerais conhecidos, vastas regies existiam (e continuam a existir, a exemplo da Amaznia) por conhecer; em parte pela ausncia de navios de pesquisa; em parte pelos custos operacionais; e, por fim, at mesmo pelas exigncias ambientais a serem cumpridas pelas empresas privadas e rgos governamentais.

    A fase de coleta de dados do LEPLAC terminou em novembro de 1996 e dela participaram quatro navios da Marinha do Brasil, tendo sido coletados cerca de 230.000 km de perfis ssmicos, batimtricos e gravimtricos ao longo de toda a extenso da margem continental brasileira.

    Segundo a SECIRM, em sua pgina eletrnica, a Proposta de Limite da nossa Plataforma Continental foi encaminhada CLPC da ONU em 17 de maio de 2004, atravs do Ministrio das Relaes Exteriores, tendo sido defendida em agosto/setembro daquele mesmo ano, perante a Comisso e uma subcomisso de sete peritos designada para analisar detalhadamente a proposta. Interaes com essa subcomisso continuaram em 2005, 2006 e 2007, sempre com mais detalhes.

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    A Proposta brasileira reivindica uma rea de 960.000 km alm das 200 milhas nuticas ao longo da costa de nosso Pas, estendendo-se desde a Regio Norte (Cone do rio Amazonas e Cadeia Norte Brasileira), at s Regies Sudeste (Cadeia Vitria Trindade e Plat de So Paulo) e Sul (Plat de Santa Catarina e Cone do Rio Grande), equivalendo soma das reas dos Estados de So Paulo, Paran, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Com ela a rea ocenica sob jurisdio do Brasil totalizar 4, 4 milhes de km, praticamente a metade de nosso territrio emerso.

    Em abril de 2007 a CLPC encaminhou suas recomendaes ao governo brasileiro e no atendeu totalmente a Proposta apresentada, ao no concordar com cerca de 190 mil km distribudos no Cone do Amazonas, Cadeias Norte Brasileira e Vitria Trindade e Margem Continental Sul. Com isso, a Comisso Interministerial para os Recursos do Mar decidiu apresentar uma nova Proposta de Limite Exterior da Plataforma Continental Brasileira, a qual j foi autorizada pelo Exmo. Presidente da Repblica em junho de 2008 (Sntese sobre o LEPLAC, op. cit)

    To logo a ONU se pronuncie sobre a questo, a exclusividade soberana do pas para a explotao dos recursos naturais em sua ZEE, somada quela da Plataforma Continental, atingir aproximadamente 4,5 milhes de km, ou mais da metade do territrio emerso brasileiro.

    A Constituio Federal, em seu artigo 20, define que Os recursos naturais do Mar Territorial e da Plataforma Continental, bem como os da Zona Econmica Exclusiva, incluem-se entre os bens da Unio, e no artigo 225 estabelece que Todos tm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial sadia qualidade de vida, impondo-se o poder pblico e coletividade o dever de defend-la e preserv-la para as presentes e futuras geraes.

    Esse ltimo artigo incumbe o poder pblico de exigir, na forma da lei, para instalao de obra ou atividade potencialmente degradadora do meio ambiente, estudo prvio de impacto ambiental, a que se dar publicidade e determina que aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com soluo tcnica exigida pelo rgo pblico competente, na forma da lei (Brasil 2003a).

    Os limites das reas marinhas brasileiras esto definidos na Lei n 8.617, de 04 de janeiro de 1993, em consonncia com os ditames da Conveno das Naes Unidas sobre o Direito do Mar (Brasil, 1993), da seguinte forma:

    O Mar Territorial brasileiro compreende uma faixa de doze milhas martimas de largura, medidas a partir da linha de baixa-mar do litoral continental e insular brasileiro, tal como indicada nas cartas nuticas de grande escala , reconhecidas oficialmente pelo Brasil (Art. 1);

    A Plataforma Continental do Brasil compreende o leito e o subsolo das reas submarinas que se estendem alm do seu mar territorial em toda a extenso do prolongamento natural de seu territrio terrestre, at o bordo exterior da margem continental, ou at uma distncia de duzentas milhas martimas das linhas de base a partir das quais se mede a largura do mar territorial, nos casos em que o bordo exterior da margem continental no atinja essa distncia (Art. 11);

    A Zona Econmica Exclusiva brasileira compreende uma faixa que se estende das doze s duzentas milhas martimas, contadas a partir das linhas de base que servem para medir a largura do Mar Territorial (Art. 6)

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    A Figura 2, extrada do volume da Comisso Nacional Independente sobre os Oceanos, op. cit, mostra a Plataforma Continental Jurdica Brasileira.

    Fonte: CPRM Servio Geolgico do Brasil Geologia da Plataforma Continental Jurdica Brasileira e reas Ocenicas Adjacentes

    Figura 2: Plataforma Continental Jurdica Brasileira

    Por seu turno, a Lei n 6.938 de 1981, estabeleceu a Poltica Nacional do Meio Ambiente, com os fundamentos que definem a proteo ambiental em nosso pas, posteriormente regulamentados em decretos, normas, resolues, portarias (Brasil, 1981). A Lei n 10.165 de 2000, passou a considerar a extrao mineral como atividade potencialmente poluidora e utilizadora de recursos ambientais em grau alto, prevendo, em seu artigo 10 (com redao dada pela Lei n 7.804 de 1989), que essa atividade depender de prvio licenciamento de rgo competente, integrante do Sistema Nacional de Meio Ambiente Sisnama.

    Dessa forma, enquanto as atividades de minerao no Brasil esto originalmente condicionadas ao Cdigo de Minerao estabelecido pelo Decreto - Lei n 227 de 1967, com as modificaes introduzidas pela Lei n 9.314 de 1996, e Portarias subseqentes, sob o ponto de vista ambiental elas esto condicionadas a trs instrumentos de controle do poder pblico: a) o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) (consubstanciado no Relatrio de Impacto Ambiental Rima cuja aprovao requisito fundamental para que o minerador possa continuar com os prximos passos); b) o Licenciamento Ambiental LA (cuja obteno obrigatria para a localizao, instalao ou ampliao e operao de qualquer atividade de minerao objeto do regime de concesso de lavra ou registro de licenciamento, regulado pelo Decreto n 99.274 de 1990; e o Plano de Recuperao de rea Degradada PRAD.

    Tantas exigncias, embora necessrias, tornam difcil ao minerador a sua atividade, pelo tempo decorrido na tramitao de todo o processo junto aos rgos ambientais e DNPM.

    Tanto a legislao mineral como a ambiental no fazem diferenciaes no que tange pesquisa e lavra mineral em terra emersa, no Mar Territorial, Plataforma Continental e Zona Econmica Exclusiva, apesar da IN Ibama n 46 de 2004 definir critrios que permitem a

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    explorao, a comercializao e o transporte de algas marinhas no territrio brasileiro, exclusivamente no que tange s algas vivas ou arribadas. As camadas subsuperficiais so consideradas como jazidas minerais, e sua explotao deve atender s normas do Departamento Nacional da Produo Mineral (Art. 1, 3). Essa diferenciao j trouxe problemas de interpretao dos licenciamentos ambientais para a extrao mineral no mar (Cavalcanti, op.cit).

    Ainda sob o ponto de vista legal, cabe meno aqui Autoridade Martima Nacional que estabelece na Lei Complementar n 97 de 1999, em seu Art. 17, inciso IV, que cabe Marinha, como atribuies subsidirias particulares [...] implementar e fiscalizar o cumprimento de leis e regulamentos, no mar e nas guas interiores, em coordenao com outros rgos do Poder Executivo, federal ou estadual, quando se fizer necessria, em razo de competncias especficas [....]!. da competncia do Comandante da Marinha o trato dos assuntos dispostos neste artigo, ficando designado como Autoridade Martima para esse fim.

    A Norma da Autoridade Martima 11 da Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil, aprovada pela Portaria n 109/DPC, de 16 de dezembro de 2003, trata, em seu captulo 3, da pesquisa e da lavra de minerais no mar, prevendo que aps devidamente autorizados pelo rgo competente, os interessados devero prestar formalmente algumas informaes s Capitanias, Delegacias ou Agncias (Brasil, 2004).

    Dessa forma, continuam valendo, para o MT, a PC e a ZEE, os mesmos regimes de aproveitamento das substncias minerais do Cdigo de Minerao, a saber:

    Regime de concesso, quando depender de portaria de concesso do Ministro de Estado de Minas e Energia;

    Regime de autorizao, quando depender de expedio de alvar de autorizao do Diretor-Geral do Departamento Nacional da Produo Mineral DNPM;

    Regime de licenciamento, quando depender de licena expedida em obedincia a regulamentos administrativos locais e registro da licena pelo Departamento Nacional da Produo Mineral DNPM;

    Regime de permisso de lavra garimpeira, quando depender de portaria de permisso do Diretor Geral do Departamento Nacional da Produo Mineral DNPM;

    Regime de monopolizao, quando, em virtude de lei especial depender de execuo direta ou indireta do governo federal

    A Portaria DNPM n 40 de 2000 definiu as reas e os prazos de vigncia mximos para as autorizaes de pesquisa, em seu artigo 1:

    I- Dois mil hectares para: substncias minerais metlicas, substncias minerais fertilizantes, carvo, diamante, rochas betuminosas e pirobetuminosas, turfa e salgema, com prazos de pesquisa de 3 anos;

    II- Cinquenta hectares para: areias, cascalhos e saibros para utilizao imediata na construo civil, no preparo de agregados e argamassas, desde que no sejam submetidos a processo industrial de beneficiamento, nem se destinem como matria prima indstria de transformao; rochas e outras substncias minerais, quando aparelhadas para paraleleppedos, guias, sarjetas, moires e afins; argilas usadas no fabrico de cermica vermelha; rochas, quando britadas para uso imediato na construo civil (incluindo areias e cascalhos utilizados como agregados, marinhos ou terrestres) e os calcrios empregados como corretivo de solo na agricultura; guas minerais e guas potveis de mesa; areia, quando adequada ao uso da indstria de transformao; feldspato; gemas (exceto diamante) e pedras decorativas, de coleo e para confeco de artesanato mineral; e mica; podendo estas substncias ser aproveitadas pelo regime de licenciamento, ou de autorizao ou de concesso, pelo prazo de dois anos;

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    III- Mil hectares para: rochas para revestimento e demais substncias minerais (aqui includos os granulados carbonticos), tambm com prazos de pesquisa de 3 anos.

    Observa-se que muitas das substncias mencionadas na Portaria DNPM n 40 op.cit podem ser encontradas, pesquisadas e mineradas no Mar Territorial, na Plataforma Continental e na Zona Econmica Exclusiva, mas em condies ambientais totalmente diversas daquelas normalmente encontradas em terra firme. A Portaria 040 foi revogada e substituda pela 392,de21/12/2004,que por sua vez foi modificada no que tange ao licenciamento pela 266,de10/07/2008,sendo mantidos entretanto os limites de reas ,prazos de pesquisa e grupos de substncias constantes na 040.

    Uma publicao internacional de 1968 sobre os minerais dos fundos ocenicos dizia que a indstria mineral marinha encontrava-se em uma dicotomia: carncia e necessidade. A carncia levaria expanso e intensificao da explorao da plataforma continental, de sorte a serem descobertas novas fontes de minerais em situao crtica de suplemento. A necessidade estaria relacionada ao desenvolvimento imediato de tcnicas para tornar econmicas as operaes mineiras no mar (Comisso Nacional Independente sobre os Oceanos, op.cit.).

    Essa dicotomia persiste at hoje e o melhor exemplo o do petrleo e gs. O aumento de consumo desses bens e a sua concentrao em poucas e estratgicas regies do globo terrestre fizeram com que a tecnologia de prospeco e extrao em guas cada vez mais profundas fosse e continuar a ser desenvolvida, enquanto persistir a demanda por combustveis fsseis.

    Inovaes em equipamentos tambm ocorreram, tornando-se eficientes na prospeco de outros bens minerais at mesmo nas plancies abissais. So sonares modernos, tcnicas fotogrficas, minisubmarinos sofisticados, aparelhos de geofsica cada vez mais precisos que vm tornando mais acessveis as pesquisas e, eventualmente, a extrao de minrios nos fundos marinhos, embora com altos custos e riscos ambientais.

    O Brasil venceu com sucesso o dilema acima no caso dos hidrocarbonetos, mas ainda o vivencia com relao a outros minerais abundantes em seu territrio emerso, acrescido do fato de que os bens minerais deixaram de ser estratgicos podendo ser conseguidos a preos relativamente baixos de vrios pases. Como os custos de produo e transporte so crticos na comercializao de minrios, o interesse pela extrao marinha ainda est distante.

    Consideraes detalhadas sobre os recursos minerais conhecidos na Plataforma Continental Brasileira esto consolidadas no Relatrio 16 apresentado anteriormente no mbito do Projeto ESTAL.

    4. A Explorao e Explotao de Recursos Minerais do Mar em Pases Selecionados: Aspectos Legais

    4.1. frica do Sul

    A frica do Sul conhecida como um dos pases em que a minerao representa um papel fundamental em sua economia, e onde se encontram alguns dos maiores depsitos minerais do planeta, a exemplo de urnio, cromita, magnetita titanfera, fosfato, ouro, diamantes. E so esses ltimos os que mais chamam a ateno quando se fala em minerao marinha.

    At o ano 2000, os direitos minerais do Pas pertenciam aos proprietrios de terra, os quais davam as opes para a explotao em geral s grandes companhias mineradoras.

    Naquele ano entrou em vigor uma nova lei que reconhece serem os recursos minerais uma herana comum de todos os sulafricanos e a eles pertencem coletivamente.

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    Com isso, muitos mineradores de diamantes, principalmente, esto abrindo mo de parte de suas concesses e partindo para a avaliao e lavra marinhas desses depsitos, nos quais, embora as pedras sejam menores, so de qualidade muito superior s dos depsitos terrestres, graas ao trabalho das ondas e correntes martimas, tal como na Nambia.

    Inicialmente, o governo dividiu a costa ocidental do Pas em 20 concesses de minerao, distribudas em faixas de 30 km de largura, perpendiculares ao litoral, e cada uma delas foi subdividida em quatro zonas, a saber (Cavalcanti, op. cit):

    Zona de concesso A: de 31,49 m da linha de baixa mar a 1.000 m da linha de preamar;

    Zona de concesso B: variando entre 4 e 6 km nos parmetros acima; Zona de concesso C: estendendo-se at isbata de 200 m; Zona de concesso D; estendendo-se at isbata de 500 m.

    Por serem mais profundas e requererem tecnologia mais sofisticada e cara, as Zonas C e D so exploradas por Companhias maiores e mais robustas fsica e tecnicamente.

    O Council for Geoscience CGS um dos Conselhos Nacionais de Cincia da frica do Sul e sucedneo legal do Geological Survey of South Africa, criado em 1912, e trabalha hoje sob trs mandatos, segundo seu regimento:

    O Ato da Geocincia, cujo objetivo desenvolver e disseminar o conhecimento e produtos geocientficos de classe mundial e oferecer servios relacionados s geocincias para o pblico e a indstria sulafricana;

    O Sistema Nacional de Inovao, atravs do qual o Departamento de Cincia e Tecnologia exerce um papel de integrao na regulamentao da cincia e da tecnologia atravs de todas as organizaes de pesquisa do Pas;

    A preparao de informaes para o Presidente da Repblica e outras autoridades, incluindo as propostas dos oramentos para os Ministros de Minerais e Energia e Cincia e Tecnologia.

    Uma de suas mais importantes unidades hoje a Marine Geoscience Unit MGU, que tem carter cientfico e empresarial, atuando em reas de offshore estuarinas e de praias. Essa dualidade de ao permite que o MGU desenvolva e disponha de tecnologia inovadora principalmente no campo da geofsica e conte com equipamentos geofsicos para pesquisas ocenicas entre os mais modernos do mundo, disponibilizando seus servios a outras instituies e empresas de minerao.

    4.2. Alemanha

    Na Alemanha, o BGR corresponde, de certa forma, ao Servio Geolgico do Pas, tendo como parceiros o LBEG e o GGA, todos reunidos no chamado Geozentrum Hannover, ou o Geocentro de Hannover.

    O BGR tem por misso assessorar e informar o Governo Federal e a indstria alem sobre todos os assuntos relacionados s geocincias e aos recursos naturais, e por atividades principais (Reichert et al, 2008):

    Assessorar o Governo Federal em assuntos de recursos naturais e geocientficos; Assessorar a indstria alem na explorao de recursos naturais, incluindo a pesquisa

    marinha; Promover a cooperao tcnica com pases em desenvolvimento; Promover a cooperao geocientfica internacional, incluindo a pesquisa polar e a

    elaborao de mapas geocientficos; Realizar pesquisa e desenvolvimento geocientficos.

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    Desde 1967, o BGR vem realizando trabalhos de geofsica marinha em praticamente todos os grandes oceanos, tendo conduzido expedies ao longo das plataformas continentais e outras reas ao longo da costa das Amricas do Norte, Central e Sul, da Europa (desde o rtico) e frica, no Oceano ndico, ao longo das costas ocidental e oriental da Indonsia e Filipinas, Austrlia e Nova Zelndia, no Pacfico ao longo da Amrica do Sul e Chile, e na Antrtica. Entre 1986 e 2004 executou, ainda, sondagens, nos Oceanos Atlntico, Pacfico e ndico.

    Nas dcadas de 70 e 80, companhias alems (AMR/Preussag) pesquisaram tecnologias para a minerao de ndulos polimetlicos e vrios institutos germnicos, incluindo o BGR, realizaram pesquisas cientficas sobre a matria.

    Em 1985, o consrcio AMR/OMI solicitou licena para a minerao de ndulos, dentro das leis do pas, mas os preos dos metais estavam baixos para investimento imediato na minerao ocenica.

    Em 1994 foi lanada a Conveno das Naes Unidas para o Direito do Mar, fundada a Autoridade Internacional para a rea e estabelecidas as normas para a minerao marinha.

    Em 2003-2004, o BGR adquiriu os dados e material do antigo consrcio AMR/OMI da faixa de ndulos do Pacfico e em 2005 o BGR requereu licena junto Autoridade para a explorao dos ndulos de mangans da regio.

    Finalmente, a Alemanha assinou, em 2006, contrato com a Autoridade e estabeleceu um plano de explorao na Zona de Fratura Clarion-Clipperton, no Oceano Pacfico Central, onde esto identificadas grandes e importantes zonas de concentrao de ndulos de mangans (Reichert et al, op. cit) 4.3. Blgica

    Pelo seu pequeno territrio e ausncia de muitos recursos naturais, a Blgica tem necessidade de materiais de construo, principalmente areia e cascalho, os quais so extrados do Mar Territorial ou da Zona Econmica Exclusiva do Pas, aps avaliao de impacto ambiental, necessrio para obteno de licena para explotao, cujas atividades so rigorosamente monitoradas. O governo define quais reas podem ser mineradas ou no. Essas reas podem ser modificadas de acordo com o monitoramento realizado, podendo passar de uma categoria para outra aps a avaliao.

    Em 2004, houve mudanas na legislao belga para a extrao de areia e cascalho em ambiente marinho. Nessa nova lei, o Ministrio de Negcios Econmicos s pode autorizar a explotao desses bens se o Ministrio responsvel pelo ambiente marinho der parecer positivo, o que no acontecia antes.

    Alm disso, foi criada uma Comisso Consultiva para coordenar e administrar a explotao mineral no continente e no mar, e criado um relatrio de avaliao a cada trs anos, contendo os resultados obtidos com o monitoramento contnuo, o qual analisado pela Comisso, que pode sugerir modificaes nos regulamentos das zonas de controle e explotao, bem como formular polticas complementares para a extrao de areias e cascalhos.

    Tal como nos demais Pases Baixos, o mar tem uma importncia muito grande e estratgica para o pas, quer para a obteno dos materiais citados, quer sob o ponto de vista das constantes dragagens para acesso de navios aos seus portos, das disposies de cabos e dutos para o transporte de gs e eletricidade, e at mesmo para a instalao dos moinhos-de-vento em alto mar para a contribuio com o suprimento de energia.

    Da o rgido controle ambiental sobre as atividades martimas e especialmente as de minerao.

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    4.4. China

    O Servio Geolgico da China (China Geological Survey CG ) tornou-se a agncia geocientfica principal do Pas, desde a sua reestruturao em 1999, passando a ter a responsabilidade pela investigao geolgica bsica, estratgica e pblica e pela explorao mineral em todo o territrio chins, alm da pesquisa geocientfica e pela cooperao internacional (Zhang Minghua, 2006).

    O trabalho de geoinformao desenvolvido objetiva:

    Implementar a informatizao como principal procedimento no Servio Geolgico, incluindo a aquisio de dados de campo, processamento e gerenciamento do banco de dados, taxao mineral e disseminao da informao;

    Fortalecer a construo das bases de dados geolgicas fundamentais em ambiente de GIS;

    Avanar com a padronizao dos trabalhos no modelo de dados e metadados geolgicos para troca de informaes dentro do CGS e para a disseminao da informao ao pblico.

    Desde 1999, o CGS tem promovido o projeto de digitalizao dos mapas da terra e recursos do Pas (DLRP) para a informatizao da instituio que inclui duas partes principais: o de bases de dados geocientficas nacionais e a informatizao digital dos mais importantes procedimentos de trabalho na instituio. Cada parte dessas abrange 6 projetos, cada um subdividido em vrios subprojetos.

    O GCS mantm trs grandes bases de dados em sua pgina em ingls: a GEODATA, a METADATA e a GEOMAP.

    A GEODATA mantm mapas digitalizados de terras e recursos naturais, incluindo mapas geolgicos em 1:50.000 e 200.000, mapas hidrogeolgicos em 1:200.00, alm de dados bsicos digitais geolgicos em 1:500.000, 1:2.500.000 e 1:5.000.000, bases hidrogeolgicas e de recursos minerais em 1:5.000.000.

    A METADATOS apresenta 18 zonas minerais importantes na China, com a intensidade das pesquisas nelas, alm de recursos hdricos subterrneos.

    J a GEOMAP contm informaes sobre mapas geolgicos de pequena escala da China, incluindo os Mapas Metamrfico da China, o de Desastres Naturais, o de Recursos Minerais No-Metlicos, o de Rochas Vulcnicas, o de Precambriano, Neotectnica e Geologia, alm de Anomalia de Gravidade Bougher, Geologia do Quaternrio, Meio Ambiente e Geomorfologia, Recursos Minerais Metlicos, Hidrogeologia e Carstes do Pas.

    A China considera que as investigaes marinhas contribuem para o maior conhecimento dos oceanos, para a descoberta de novas fontes de recursos, leva ao desenvolvimento de tecnologias e equipamentos avanados para as pesquisas do mar, contribui para o entendimento e para a solues de questes relacionadas ao clima e ao meio ambiente (Jin, 2008).

    Dessa forma, as pesquisas do fundo do mar constituem interesse nacional, em termos econmicos, cientfico-tecnolgicos (desenvolvimento de novas tecnologias e equipamentos, e polticos (participao no desenvolvimento do regime sob o paradigma Patrimnio Comum da Humanidade).

    Nos anos 80, a China preparou-se para solicitar autorizao para a pesquisa de ndulos polimetlicos e em 1990 foi criada a China Ocean Mineral Resources Research and Develoment Association (COMPRA) e candidatou-se a uma rea pioneira de 150.000 km, a qual foi aprovada pelo UN PrepCom, em maro de 1991, e seu plano de trabalho definitivo foi aprovado em 1997.

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    Sua misso abrir uma nova fonte de recursos minerais estratgicos para o pas; promover o desenvolvimento de uma nova indstria de alta tecnologia no futuro e contribuir com a humanidade com suas atividades no leito marinho internacional.

    A COMPRA tem por principal funo a coordenao dos diferentes departamentos, institutos e entidades da nao em suas atividades na rea sob o regime de LOS.

    Desde 1991, a COMPRA realizou cerca de 20 cruzeiros, objetivando o estudo de ndulos polimetlicos, crostas ricas em cobalto e concentraes de sulfetos polimetlicos. Os dados e amostras coletados objetivam os recursos minerais mas tambm informaes ambientais (Jin, 2008 op.cit.).

    Em 1996, a China foi eleita membro do Conselho da Autoridade Internacional da rea no Grupo B.

    Em 2001, a COMPRA assinou o contrato para explorao de ndulos polimetlicos em associao com a Autoridade e, finalmente, em 2004 o pas foi reeleito membro do Conselho, agora no Grupo A.

    Apenas como exemplo, o Plano de Explorao chins para a rea abrange:

    Coleta de dados e amostras para avaliao dos recursos e meio ambiente; Avaliao da qualidade, quantidade, distribuio e valor econmico dos recursos; Estudos e avaliaes de impactos ambientais; Planejamento do teste do sistema de minerao e do experimento metalrgico; Estabelecimento de banco de dados de algumas informaes atravs de cooperao

    internacional. 4.5. Coria do Sul

    A Coria tem uma enorme dependncia da importao de metais, especialmente do mangans, cobalto, nquel, cobre, a qual demandar mais de US$ 15 bilhes em 2010, segundo estimativas apresentadas pelo Korea Ocean Research and Development Institute KORDI, no Seminrio sobre Recursos Minerais do Oceano Atlntico Sul e Equatorial, promovido pela CPRM, em 2008, no Rio de Janeiro. Essa dependncia coloca o pas em situao de vulnerabilidade para sua economia em eventuais choques externos.

    por isso que o governo coreano considera seriamente a explotao de minerais dos fundos ocenicos como uma opo para o seu abastecimento em determinados metais como os acima citados e decidiu desenvolver tecnologia prpria para a minerao marinha em grandes profundidades, tendo iniciado este programa no incio dos anos 80.

    Entre 1982 e 1991, o governo coreano avaliou o desenvolvimento da minerao em fundos ocenicos pela primeira vez e estabeleceu um marco de referncia das tcnicas para a extrao mineral desses fundos atravs de um programa internacional de cooperao.

    Entre 1992 e 1994, o governo decidiu conduzir o programa de desenvolvimento mineral dos fundos dos oceanos, construiu o navio oceanogrfico R/V Onmuri, de 1.422 t; fez um levantamento regional para ndulos de mangans em uma rea de 1,3 milho de km na Zona de Clarion; e assegurou 150.000 km como o 7 Investidor Pioneiro na regio.

    Entre 1995 e 2002, assinou Contrato com a rea em 75.000 km na regio de Clarion e iniciou levantamento de reconhecimento para crostas ricas em cobalto e sulfetos macios, e desde ento realiza estudos para o desenvolvimento de tecnologias econmicas aplicveis minerao e processamento de minrios de mangans; executa trabalhos de detalhes para seleo de stios economicamente explotveis e levantamentos regionais para crostas ricas em cobalto em rea de oceano aberto e para sulfetos macios em Zonas Econmicas Exclusivas de vrias naes-ilhas do

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    sul do Pacfico, tendo recebido, em 2008, Licena para Prospectar sulfetos do Governo de Tonga. Outras ilhas em perspectiva so a Micronsia, Papua-Nova Guin, Salomo, Fiji.

    Prepara-se ainda para desenvolver e implementar tecnologia para a minerao de ndulos de mangans atravs de vrios passos em plantas piloto no mar e a construo de um novo navio de 4.000 t, demonstrando ser o Pas um dos mais interessados, ativos e evoludos na questo da explotao de recursos minerais dos fundos ocenicos.

    4.6. EUA

    Nos EUA, os direitos minerrios pertencem ao proprietrio do solo, ressalvada qualquer observao contrria contida na escritura de propriedade, e tanto a gesto mineral quanto a gesto ambiental so da responsabilidade dos Estados (Cavalcanti, op.cit).

    O General Mining Act of 1872 a lei americana que autoriza e governa a prospeco e a minerao de minerais econmicos, como (mas no exclusivamente) o ouro, a platina, a prata, o cobre, o chumbo, o urnio e o tungstnio em terras pblicas federais. De acordo com essa lei, qualquer cidado dos EUA com idade igual ou superior a 18 anos tem o direito de solicitar e registrar uma rea para explorao mineral em terras federais abertas minerao.

    Posteriormente, essa lei sofreu vrias emendas, entre as quais:

    O Timber and Stone Act, de 1878, que permitiu a aquisio de terras do governo com minrios, por empresas privadas;

    O Mineral Leasing Act de1920, que tornou certos minerais no metlicos, como o petrleo e o xisto betuminoso, no abertos a concesses;

    O Mineral Materials Act de 1947, que permite a venda pblica de certos minerais como a areia e o cascalho;

    O Multiple Mineral Use Act de 1954, que permite o aproveitamento de vrios minerais nas mesmas reas de terrs pblicas;

    O Multiple Surface Use Mining Act de 1955, que retirou as variedades comuns da entrada mineral;

    O Federal Land Policy and Management Act de 1976, parte do qual redefine os procedimentos de registro da concesso e providencia o abandono do direito caso os procedimentos no sejam atendidos

    Desde outubro de 1994, o Congresso americano imps restries oramentrias que tm impedido que o Bureau of Land Management de aceitar novas aplicaes para privilgios em reas requeridas a exemplo dos Hardrock Mining and Reclamation Acts de 2007 e 2009, que tambm estabelecem taxas e royalties crescentes para novas reas de minerao.

    Fora as consideraes acima, no foi encontrado nada especfico na legislao americana com relao extrao de minerais no mar.

    Praticamente todo o agregado marinho produzido nos EUA usado para a recuperao de perfis de praias, sendo a permisso para sua utilizao atribuio do Minerals Management Service MMS, uma agncia do Department of Interior.

    Apesar de toda a sua tecnologia e bases de dados, que fornecem informaes importantes sobre os oceanos, os EUA at hoje no ratificaram a Conveno sobre o Direito do Mar e, portanto, no membro da Autoridade. Um de seus argumentos para dela no fazer parte que a International Seabed Authority falha ou desnecessria, e isso talvez se deva ao fato de que, em sua forma original a Conveno incluiu certos dispositivos que alguns pases acharam questionveis, como:

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    Imposio dos requerimentos de permisso, remuneraes e taxas sobre a minerao dos fundos ocenicos; interdio de operaes que no tenham a permisso da ISA;

    Uso do dinheiro recebido para a redistribuio em adio administrao da ISA; Transferncia mandatria da tecnologia desenvolvida.

    Por causa dessas preocupaes, os EUA tentaram modificar a Conveno, obtendo, em 1994, um Acordo de Implementao que, de certa forma, mitiga-as e assim modificar a autoridade da ISA. Apesar dessa mudana, os EUA no ratificaram a Conveno e no so membros da ISA, embora enviem delegaes a todas as reunies da Autoridade como observadores.

    Em outubro de 2007, o Comit de Relaes Exteriores do Senado americano, atravs de uma votao de 17 a 4, recomendou a ratificao, e o ento Presidente George W. Bush apoiou publicamente o acesso do Pas Conveno, mas nada houve ainda de efetivo na questo.

    4.7. Frana

    O Code Minier regula, na Frana, as atividades de explorao e explotao das substncias marinhas (granulados, hidrocarbonetos, metais etc) e, sob o ponto de vista jurdico, tanto o solo quanto o subsolo marinhos fazem parte do denominado DPM Domnio Pblico Martimo, que abrange as 12 milhas nuticas do Mar Territorial e a Zona Econmica Exclusiva do Pas.

    Em 1984 foi criado, por Decreto, o Institut Franais de Recherche pour LExplotation de La Mer (Ifremer) como um instituto pblico de natureza industrial e comercial, sob a superviso dos Ministrios da Ecologia, Energia, Desenvolvimento Sustentvel e Planejamento Urbano e do Pas; da Alta Educao e Pesquisa; e da Agricultura e Pesca.

    Seu papel o de contribuir com o conhecimento sobre os oceanos e seus recursos, monitorar as zonas marinhas e costeiras e com o desenvolvimento sustentado das atividades martimas. Para tanto, o Ifremer projeta e opera ferramentas e facilidades observacionais, experimentais e gerenciais, disseminando as pesquisas do oceano francs para toda a comunidade cientfica.

    Para a minerao submarina h que se atender a trs requisitos bsicos:

    Obteno de um ttulo mineiro; Autorizao de ocupao temporria do DPM, denominada de Autorizao do Domnio; Autorizao para o incio dos trabalhos.

    A empresa s poder comear seus trabalhos aps obter os dois primeiros documentos.

    O processo de obteno do ttulo mineiro se inicia na prefeitura local, e alm da consulta a diversos rgos e servios pblicos, o pedido apresentado ao Ifremer, que tem um ms para se pronunciar.

    A obteno do ttulo mineiro e da autorizao precedida de consulta pblica, com durao de um ms tambm. Para obteno do ttulo, aps as fases citadas, elaborado um relatrio que encaminhado ao Ministrio das Minas para realizao da instruo a nvel central e a deciso sobre a concesso do citado ttulo.

    J o processo de obteno da autorizao para o incio dos trabalhos deve ser instrudo com base no Code Du Domaine de ltat, sendo a autorizao concedida pela prefeitura do departamento local, subordinada obteno do ttulo mineiro.

    Segundo Cavalcanti, op.cit, os granulados carbonticos marinhos (areias conchferas e merl) durante muito tempo foram considerados recursos pesqueiros e como tal no necessitavam de nenhuma autorizao especial para sua explorao, mas to somente de uma declarao.

    A Frana, assim como a ndia, a Rssia, o Japo, a China, a Coria do Sul e o Consrcio de pases do leste europeu mais Cuba, constitui-se em um dos Investidores Pioneiros que apresentaram

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    planos de explorao para ndulos polimetlicos junto Autoridade logo aps a entrada em vigor da Conveno da ONU sobre o Direito do Mar, e, portanto, tem o privilgio de pesquisa em uma rea com o dobro da normalmente permitida para os No-Pioneiros, e desde ento vem desenvolvendo tecnologias para a pesquisa, extrao e processamento de recursos minerais dos oceanos, particularmente dos ndulos polimetlicos. 4.8 ndia

    O Geological Survey of India foi criado oficialmente em 1856, mas somente depois da independncia do Pas da Inglaterra que o GSI passou a ter uma enorme influncia na localizao de recursos minerais. Em 1951 foi lanado o primeiro Plano Quinquenal de Geologia do Servio Geolgico, com a utilizao intensiva de fotografias areas nos levantamentos geolgicos e explorao mineral, a introduo da prospeco geoqumica voltada para recursos minerais, a geofsica, e as disponibilidades de sondagens e anlises qumicas. Durante os anos 60, o GSI teve um papel quase monopolstico no campo da explotao mineral no Pas.

    Segundo a pgina eletrnica do Geological Survey of India, at 2007 haviam sido:

    Cobertos 98,3 % da rea do Pas com mapas em escala de 1:50.000; Reconhecidos cerca de 97% da Zona Econmica Exclusiva (2,02 milhes de km)

    da rea ocenica adjacente; Voados 2,07 milhes de km do Pas com geofsica; Cobertos mais de 92.500 km de reas crticas com estudos geolgicos e mapas

    temticos na escala de 1:25.000; Mapeamento geolgico de mais de 19.000 km no continente antrtico; Atingido o papel de vanguarda na pesquisa em Petrologia, Geocronologia, Geofsica e

    Geoqumica; Publicados 240 mapas geolgicos correspondentes a quadrculas e importantes mapas

    temticos, incluindo o Mapa Geolgico/ Mineral/ Tectnico/Geotectnico da ndia em vrias escalas, Mapas dos Sedimentos de Fundo Ocenico etc;

    Trabalhos geotectnicos em reas de barragens; Mapa Aeromagntico da ndia Peninsular (2001); Projetos de engenharia civil em associao com instituies da rea.

    Atualmente, entre outras atividades, o GSI prepara e atualiza os mapas geolgicos, geofsicos e geoqumicos do Pas e de sua rea ocenica adjacente.

    O Servio Geolgico da ndia completou o mapeamento geolgico de todo o Pas, segundo informaes do NGCM Core Group, 2006 e hoje est envolvido com as principais necessidades da nao nos domnios do meio ambiente, agricultura e sade humana.

    Inserido no documento Viso 2020, datado de 2001, o SGI ficou encarregado de executar o Levantamento Geofsico Sistemtico da ndia, em escala de 1:50.000, com uma densidade mdia de uma estao por 2,5 km sobre todo a rea do Escudo Indiano, as Plancies Indo-Ganges, as reas ocidentais e orientais do Chat, incluindo as reas costeiras e reas cobertas com sedimentos. As regies com dificuldades de acesso sero cobertas com levantamentos utilizando helicptero. Em termos de aerolevantamentos os helicpteros tero sensores para Gravidade, Domnio Eletromagntico de Tempo, Magntico e Rediomtrico junto com cmera hiperspectral.

    A ndia um dos sete Investidores Pioneiros, nos termos da Conveno da ONU sobre o Direito do Mar, atravs de seu Department of Ocean Develoment DOD, do governo, e sua rea de explorao est concentrada na Bacia Central Indiana do Oceano ndico (International Seabed Authority, ISA, 2009).

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    4.9. Japo

    Tal como a Coria, o Japo altamente dependente de fontes externas minerais para seu consumo e indstria, importando 100% do cobalto que necessita, 99% do molibdnio e 95% do mangans, para apenas citar alguns. No caso do nquel, a demanda mundial se elevou em cerca de 3,2% a cada ano nas trs ltimas dcadas, e 70% dela esto concentradas no Japo, EUA e Europa, evidenciando que as necessidades dos pases industrializados muito alta (Kurushima et al, 1995).

    Dessa forma, extremamente importante para o pas localizar fontes prprias desses bens, e os fundos ocenicos constituem-se em oportunidades para o alvio de sua dependncia mineral, nos metais que so mais bsicos para sua indstria.

    Entre os recursos minerais presentes nos citados fundos, os ndulos de mangans, ou ndulos polimetlicos, so os mais atraentes no momento, quer pela sua abundncia em profundidades entre 4.000 e 6.000 m, quer pela sua variedade metlica.

    Desde o incio dos anos 70, a minerao ocenica foi adotada pelo governo japons como sua estratgia mineral principal. O Ocean Development Office of Agency of Natural Resources, do Ministry of International Trade and Industry MITI, o encarregado de formular a poltica bsica para o desenvolvimento e aproveitamento dos recursos minerais dos oceanos, tendo o Geological Survey of Japan CJS e o National Institute for Resources and Environment NIRE, como atores importantes nos estudos geolgicos na pesquisa tecnolgica para o aproveitamento dos bens minerais.

    Com essa perspectiva a Metal Mining Agency of Japan MMAJ comeou, em 1975, a pesquisar os ndulos de mangans na Zona de Clarion-Clipperton, no Pacfico Sul, a sul-sudoeste do Hava, onde se encontra a grande maioria de reas em pesquisa para esses ndulos no mundo e para tanto lanou o navio R/V Hakurei-maru, seguido, em 1980, pelo R/V Hakurei-maru N 2.

    Em 1982, o Japo criou uma empresa de minerao, a Deep Ocean Research and Development DORD, agrupando 49 organismos, incluindo alguns que j faziam parte dos consrcios formados pelos EUA na dcada de 70.

    Segundo a International Seabed Authority, 2009, a nova poltica japonesa vem enfatizando a necessidade de se desenvolverem os depsitos de hidrato - metano e hidrotermais de sua ZEE e planeja comercializar esses recursos dentro dos prximos dez anos.

    4.10.Nambia

    Na Nambia, todos os direitos sobre os bens minerais pertencem ao Estado e o Ato de Minerais, de 1992, regula a prospeco e a minerao no Pas, embora toda a poltica mineral tenha sido elaborada para incentivar o setor privado a avaliar os recursos minerais e desenvolver a minerao.

    Os diversos tipos de licenas minerais incluem (Cavalcanti, op.cit):

    Licena para Pesquisa No Exclusiva NEPL, vlida por 12 meses, permitindo a pesquisa sem restringir a rea para outros direitos minerais;

    Licena de Reconhecimento RL, vlida por seis meses, permitindo a execuo de levantamentos de sensoriamento remoto;

    Licena para Pesquisa Exclusiva EPL, vlida para 3 anos, em reas no superiores a 1.000 km, com possibilidade de duas renovaes de dois anos cada;

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    Licena de Reteno do Depsito Mineral MDRL, vlida por cinco anos, permitindo que os projetos que tenham obtido sucesso na descoberta de recursos possam reter os direitos minerrios que no so economicamente viveis para explotao imediata;

    Licena de Minerao ML, vlida para a vida til da mina ou, inicialmente, por 25 anos, renovvel por mais 15 anos.

    A obteno da EPL condicionada apresentao de mapa geolgico da rea e um plano de trabalho com cronograma fsico financeiro. exceo dos NEPL e RL, todas as demais licenas exigem um contrato ambiental com o Departamento de Ambiente e Turismo, que exige o EIA.

    Interessante notar que no momento o principal interesse em minerao no Pas reside nos depsitos de diamante de suas praias e plataforma continental, descobertos em 1908, prximo cidadezinha de Luderitz junto costa do pas, e, em 1928, nos terraos marinhos ao norte da foz do rio Orange passando a Nambia hoje a ter uma das maiores, se no a maior, reserva de diamantes do mundo, avaliada em 1,5 bilho de quilates da melhor qualidade.

    A empresa DeBeers Marine Mining Ltd. desenvolveu nos anos 80 tcnicas especiais para a minerao em suas reas de concesso local. A minerao feita atravs de barcos com equipamentos que sugam o material do mar, escarificam o fundo do mar com dragas com bombas ligadas a rastejadores horizontais ou com recuperadores verticais usando sondagens para penetrar os leitos sedimentares. A bordo separadores automticos trabalham e retiram os diamantes da lama, a qual bombeada de volta ao oceano. Vrias outras empresas, alm da DeBeers fazem a minerao de diamantes na costa da Nambia (e tambm da frica do Sul). Em geral, os diamantes so extrados a cerca de 100 metros de profundidade, o que torna o processo relativamente simples, mas com conseqncias ambientais discutveis, dada a movimentao de material e de equipamentos e barcos.

    5. Brasil: Marcos Legais para o Aproveitamento dos Recursos Minerais dos Oceanos 5.1. O Cdigo de Minerao Brasileiro e as conjunturas ambientais

    Conforme j se mencionou anteriormente neste Relatrio, o Cdigo de Minerao Brasileiro e seu Regulamento e Normas posteriores no distinguem a minerao em terra daquela feita no Mar Territorial, Plataforma Continental e Zona Econmica Exclusiva, exceo da explorao e explotao para leo e gs natural.

    Isso pode ser imputado, em parte, ao desconhecimento dos recursos minerais marinhos na rea de jurisdio do pas, o que poderia explicar o pouco interesse em sua pesquisa, e, em parte, pela abundncia de minrios em nosso territrio emerso. Por outro lado, a necessidade brasileira de fertilizantes (fosfatos principalmente), j detectados em ndulos em Plats Submarinos do Nordeste, coberta com importaes de custo relativamente baixo (em relao eventual minerao marinha) de outras naes como o Marrocos. A ausncia de tecnologia e de meios adequados para a prospeco e para uma futura minerao so certamente outros obstculos nos dias de hoje para o aumento de interesse nessas reas.

    Todavia, urge lembrar que se o conhecimento como um todo a mola-mestra do avano da humanidade desde os tempos pr-histricos, o conhecimento cientfico e tecnolgico a base da evoluo de qualquer pas. No caso do mar, o conhecimento de seus recursos, sejam eles vivos ou no-vivos, tem uma conotao estratgica, luz do interesse demonstrado pelas naes desenvolvidas (e outras em desenvolvimento) em assegurar o seu abastecimento futuro com a segurana da independncia de uns em relao aos outros, ou como fonte econmica para seus prprios povos.

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    Dessa forma, necessrio que se faam certas adaptaes atual legislao mineira, de sorte a facilitar no s o conhecimento e a valorizao dos recursos marinhos no-vivos das zonas marinhas jurisdicionadas pelo Brasil, como para o seu aproveitamento presente ou futuro com sustentabilidade e respeito ambiental. Mantendo-se os princpios bsicos do atual Cdigo de Minerao Brasileiro, as adaptaes mais significativas esto, no momento, relacionadas aos seguintes itens: prazos para pesquisa, dimenses das reas requeridas para pesquisa, exigncias especiais com relao aos riscos e conseqncias ambientais da lavra mineral (e eventualmente da prpria pesquisa, levando-se em considerao os recursos vivos).

    Cavalcanti, op. cit, em excelente trabalho realizado para o Centro de Gesto e Estudos Estratgicos CGEE, publicada na Revista Parcerias Estratgicas em 2007, e no estudo encomendado pelo Ncleo de Assuntos Estratgicos da Presidncia da Repblica NAE/PR , tambm de 2007, prope as seguintes adaptaes ao CM, no que tange ao Mar Territorial, Plataforma Continental e Zona Econmica Exclusiva:

    a) Fase de Requerimento de Pesquisa:

    Ampliao da rea mxima e nica para pesquisa em 5.000 ha; Ampliao do prazo de validade do alvar de pesquisa para 3 anos, independente da

    substncia mineral pesquisada; Vinculao da aprovao do Relatrio Final de Pesquisa e do Plano de Aproveitamento

    Econmico apresentao de dados especficos e imprescindveis para a sustentabilidade da explorao mineral no mar.

    Conquanto sejam absolutamente vlidas as duas ltimas sugestes, quer-nos parecer que o limite nico de rea para a pesquisa em 5.000 ha, deveria ser reavaliado de acordo com a substncia de interesse, como por exemplo, 1.000 ha para agregados marinhos (hoje limitados a 50 ha), tal como para os granulados.

    Adicionalmente, Cavalcanti prope a criao de uma comisso para anlise prvia de todos os requerimentos de pesquisa protocolados nas reas do MT, PC e ZEE, a qual poderia realizar vistoria prvia na rea a ser autorizada para pesquisa, caso ache necessrio, com o objetivo de verificar ou comprovar a existncia de situao que possa vir a inviabilizar a concesso de lavra. Essa Comisso disporia de um prazo de 30 dias para se pronunciar, prorrogvel por mais 30 dias, ao cabo do qual, se no houver pronunciamento, entender-se-ia no existirem restries emisso da autorizao. O parecer desfavorvel da comisso ocasionar o indeferimento do requerimento de pesquisa e o imediato bloqueio da rea para futuros requerimentos de pesquisa.

    Justifica a autora que a criao dessa comisso seria importante para evitar que fossem outorgados alvars de autorizao de pesquisa em locais inviveis para a extrao mineral, tanto do ponto de vista ambiental quanto pela interferncia com outras utilizaes do mar, evitando, assim, que fossem realizados investimentos em reas cuja explorao mineral no pudesse ser viabilizada.

    Sobre essa ltima sugesto, mister se faz tecer algumas consideraes:

    Primeiro, a autora no especifica os integrantes dessa Comisso, os quais, a nosso ver, deveriam ser especialistas no s em geologia e minerao, como tambm em assuntos do mar e, particularmente, em oceanografia e oceanologia, incluindo biologia marinha, alm de representantes da CIRM Comisso Interministerial para os Recursos do Mar ou por ela indicado (s), de sorte a se ter uma viso mais global e imparcial da questo;

    O indeferimento do requerimento de pesquisa no deve estar relacionado ao bloqueio da rea para futuros requerimentos de pesquisa, porque no s os objetivos da pesquisa podem mudar, assim como as situaes existentes em um dado momento, podem vir tambm mudar em futuro que pode no ser de longo prazo.

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    No que tange legislao ambiental, a mesma autora prope a edio de uma resoluo especfica do CONAMA voltada para a minerao em fundo marinho, contemplando as informaes mnimas necessrias para a elaborao de EIA/Rimas.

    b) Fase de autorizao de pesquisa

    A aprovao do Relatrio Final de Pesquisa fica vinculada apresentao das seguintes informaes:

    batimetria da rea e entorno (cartografia morfo-batimtrica); distncia da costa; histria geolgica do depsito; fonte do material; cartografia morfo-sedimentar; qualificao do material; distribuio do tamanho das partculas do sedimento; extenso e volume do depsito; estabilidade e/ou mobilidade natural do depsito; espessura do depsito; natureza do depsito subjacente; morfologia do fundo ocenico, inclusive ocorrncia de formas de leito; expectativa de vida til do depsito; atividades de extrao prximas (existentes ou em projeto); potencial de recuperao da rea afetada.

    A aprovao do Plano de Aproveitamento Econmico fica vinculada apresentao das seguintes informaes:

    Dragagem

    o volume total a ser extrado; o volume mximo anual e intensidade de dragagem; o especificaes do equipamento a ser utilizado; o espessura mxima a ser removida; o profundidade mxima de extrao, a forma e a rea de depresso

    resultante; o onde ocorrer o peneiramento (