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Solange Tavares Rubim de Pinho 2006 PERFIL DE MORBIDADE PSIQUI PERFIL DE MORBIDADE PSIQUI Á Á TRICA DO TRICA DO ADOLESCENTE EM CONFLITO COM A LEI ADOLESCENTE EM CONFLITO COM A LEI

PERFIL DE MORBIDADE PSIQUIÁTRICA DO ADOLESCENTE EM ... · Estados ansiosos 16 5,5 Estados depressivos 16 5,5 T. mentais orgânicos (TMO) 10 3,4 N = 290 jovens. Tabela 5 – Razões

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  • Solange Tavares Rubim de Pinho

    2006

    PERFIL DE MORBIDADE PSIQUIPERFIL DE MORBIDADE PSIQUIÁÁTRICA DO TRICA DO ADOLESCENTE EM CONFLITO COM A LEIADOLESCENTE EM CONFLITO COM A LEI

  • CONSIDERACONSIDERAÇÇÕESÕES INICIAISINICIAIS

    Figura 1 – Nas GradesFotografia: Eloi CorreaFonte: A Tarde, SSA

    A violência juvenil é um relevante problema de saúde pública, quando se consideram seus impactos nos índices de morbidade e mortalidade, além do elevado custo produzido pela assistência às vítimas e aos jovens infratores.

  • ■ 25% das pessoas no mundo transtornos mentais nas duas últimasdécadas12% das doenças em geral transtornos psiquiátricos10% a 20% prevalência de transtornos mentais de comportamento

    em crianças e adolescentes Fonte: OMS, 2002

    DADOS EPIDEMIOLDADOS EPIDEMIOLÓÓGICOS DOS GICOS DOS TRANSTORNOS PSIQUITRANSTORNOS PSIQUIÁÁTRICOSTRICOS

    Os orçamentos destinados à saúde mental, na maior parte dos países, representam menos de 1% dos gastos totais em saúde

    Mais de 90% dos países não têm políticas de saúde mental voltadas para crianças e adolescentes

    Fonte: OMS, 2002

  • DADOS EPIDEMIOLDADOS EPIDEMIOLÓÓGICOS DOS GICOS DOS TRANSTORNOS PSIQUITRANSTORNOS PSIQUIÁÁTRICOSTRICOS

    12,5% ▬ PORTADORES DE UMA OU MAIS PATOLOGIAS PSIQUIÁTRICAS

    7% transtornos de conduta5,2% transtornos de ansiedade1,5% transtornos de hiperatividade

    Universo estudado: 1.251 indivíduos entre 7 e 14 anos (Fleitlich, Taubaté-SP, 2003)

    Figura 2 – Ilustração de Caco GalhardoFonte: Fleitlich e colaboradores, 2003

  • Figura 3 – Nas GradesFoto: Xando P.Fonte: A Tarde, Salvador, 18.12.2003

    PERFIL DE MORBIDADE PSIQUIÁTRICA DO ADOLESCENTE EM CONFLITO COM A LEI

    Existe associação entre comportamento infrator e transtorno psiquiátrico na adolescência?

  • ESPECÍFICOS

    Descrever as características da população estudadaIdentificar associações entre os transtornos psiquiátricos e os tipos dedelito cometidos pelos adolescentes institucionalizados Estabelecer associações entre fatores psicossociais específicos e ostranstornos psiquiátricos identificados na pesquisa

    OBJETIVOSOBJETIVOS

    GERAL

    Descrever o perfil de morbidade psiquiátrica dos adolescentes em conflito com a lei, que cumprem medidas de privação de liberdade na Casa de Acolhimento ao Menor (CAM), em Salvador/ Bahia

  • É um estudo pioneiro no Brasil

    Sistematiza as doenças psiquiátricas que atingem o universo populacional estudado

    Estimula a prevenção primária, secundária e terciária em saúdemental infanto-juvenil

    Oferece ao Estado dados para subsidiar a reformulação de políticassociais para o menor

    Abre discussão e fornece dados iniciais para a criação de um núcleode estudos e pesquisas em psiquiatria forense

    IMPORTÂNCIA DA PESQUISAIMPORTÂNCIA DA PESQUISA

  • ESTUDO DELINEAMENTO POPULAÇÃO INSTRUMENTO TRANSTORNOS MAIS PREVALENTES

    Doreleijers, Holanda (2000)

    Corte transversal,DSM–III-R

    N = 108 • Privação de liberdade• Amostra de diferentesinstituições correcionais

    RavenCAS JJAI

    Garland, EUA (2001)

    Corte transversalDSM - IV

    N = 1.618• Estudo comparativo de 5 setores, incluindo aJustiça Juvenil

    DISC

    Shelton, EUA (2001)

    Corte transversal DSM-IV

    N = 312 • Privação de liberdade• Amostra aleatória de 15instituições correcionais

    DISCCJ - SAS

    Vreugdenhil, Holanda (2004)

    Corte transversalDSM-IV

    N = 204 indivíduos • Privação de liberdade• Amostra de 6 centros de

    detenção

    DISC

    Andrade, Brasil (2004)

    Corte transversalDSM-IV

    N = 116Amostra de jovens em liberdade assistida na Ilha do Governador/RJ

    K-SADS - PL T. de condutaT. relacionados ao

    abuso de substânciasT. depressivos

    Abram, EUA(2003)

    Corte transversalDSM-III-R

    N = 1.172 Amostra randômica de jovens em conflito com a lei

    DISC T. por uso de substância + TDAH

    T. por uso de subst. + T. de conduta

    Transtornos de comportamento diruptivo (T. de conduta)

    Transtornos relacionados ao abuso de substâncias

    Transtornos de déficit de atenção (T. hipercinéticos)

    ALGUNS ESTUDOS REVISADOSALGUNS ESTUDOS REVISADOS

  • CRITÉRIOS PARA O DIAGNÓSTICO

    TRANSTORNOS DE CONDUTA

    Padrão repetitivo e persistente, em decorrência do qual os direitos básicos dos outros e as regras sociais são violados; os sintomas permanecem por pelo menos seis meses

    ● Fuga da casa dos pais; maltrato; mentira; culpa os outros por seus erros● Furto de objetos de valor significativo sem confrontar a vítima, dentro ou fora de casa (ex., furto em loja,

    roubo com arrombamento, falsificação).

    PARA A CID-10 BASTA QUE OCORRA UMA VEZ● Uso de arma que pode causar dano físico sério aos outros (p.ex., bastão, tijolo, garrafa quebrada, faca,

    revólver)● Manifestação de crueldade física para com pessoas (p. ex., amarra, corta ou queima uma vítima)● Destruição deliberada da propriedade alheia● Crime envolvendo confronto com a vítima (roubo de bolsa, extorsão etc)

    TRANSTORNOSPOR

    USO NOCIVO DESUBST.

    PSICOATIVA

    Deve haver evidência clara de que o uso da substância foi responsável ou contribuiu para o dano físico ou psicológico, podendo levar a uma incapacidade ou ter conseqüências adversas para os relacionamentos interpessoais.

    O padrão de uso tem persistido por pelo menos um mês ou tem ocorrido repetidamente dentro de um período de 12 meses.

    TRANSTORNOSHIPERCINÉTICOS

    Hiperatividade. Pelo menos três dos seguintes sintomas ter persistido por pelo menos seis meses:● com freqüência mexe inquietamente as mãos e pés; corre excessivamente; é barulhento; levanta do lugar

    na sala de aula ou em outras situações nas quais o esperado é permanecer sentado; exibe padrão de atividade motora excessiva que não é substancialmente modificado por contexto social.

    Impulsividade. Pelo menos um dos seguintes sintomas deve ter persistido por pelo menos seis meses:● com freqüência responde sem pensar; interrompe ou se impõe aos outros; falha em aguardar sua vez; fala

    excessivamente sem o devido respeito às restrições sociais.Desatenção. Pelo menos seis dos seguintes sintomas durante seis meses;

    ● falha em manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas;● falha em prestar atenção em detalhes ou comete erros por descuido;parece não ouvir o que lhe está sendo

    dito;● comprometimento na organização de tarefas ;● perde coisas necessárias facilmente distraído por estímulos externos.

  • FATORES DE RISCO PARA COMPORTAMENTO INFRATOR

    a) desorganização ou inexistência de um grupo FAMILIAR;

    b) condições impróprias ou inadequadas da personalidade dos pais, decorrendo daí a ausência de AFETO e de autoridade;

    c) renda familiar insuficiente, modesta ou mesmo vil;

    d) desemprego, SUBEMPREGO com rentabilidade deficiente;

    e) falta de INSTRUÇÃO e de qualificação profissional dos membros da família;

    f) moradia ou habitação inadequada e condições à proliferação do VÍCIO em todas as escalas.Figura 5 e 6 - Cartaz do filme Cidade de Deus.

    http://adorocinema.cidadeinternet.com.br

  • Advertiram que os maiores índices de delito foram identificados entre jovens, provenientes de famílias socioeconomicamente desfavorecidas.

    SITUAÇÃO SOCIOECONÔMICA E CRIMINALIDADE

    Numa coorte foi acompanhada do nascimento aos 21 anos na Nova Zelândia uma população de 1.265 crianças.

    Os autores concluíram que a associação crime e desvantagem socioeconômica não foi estatisticamente significante.

    A susceptibilidade ao crime decorre da combinação de múltiplos fatores: constitucional, relação familiar, vivências emocionais, sociais e outros.

    Fergusson D, e col. How does childhood economic disadvantage lead to crime? J Chid Psychol Psychiatry 2004.

  • Figura 4 - Fotografia de José

    Fonte: A Tarde, Salvador, 20.01.2003

    Bordin( 1996 ) realizou um estudo de corte transversal em 1.651 indivíduos entre 16 a 24 anos e concluiu:

    -A partir dos 15 anos em adolescente do sexo masculino o melhor fator preditivo para o transtorno de conduta anti-social éa saúde mental dos pais.

    - Para a população feminina a partir dos 15 anos abuso sexual e condutas anti-social dos pais, são fatores preditivos para este diagnóstico.

    FATORES DE RISCO POR DISTÚRBIO DE CONDUTA

  • Brasil = 39.578 jovens infratores -13.489 estão cumprindo medidas

    socioeducativas em regime fechado. Fonte:SDCA (2004)

    MORBIDADE PSIQUIMORBIDADE PSIQUIÁÁTRICA ENTRE TRICA ENTRE ADOLESCENTES EM ADOLESCENTES EM

    CONFLITO COM A LEI NA CASA DE ACOLHIMENTO CONFLITO COM A LEI NA CASA DE ACOLHIMENTO AO MENORAO MENOR

    Figura 8 - Fotografia de Xando P.

    Fonte: A Tarde, Salvador, 24 abril 2004. p. 3 Local

  • PERFIL DE MORBIDADE PSIQUIÁTRICA E FATORES DE RISCO PARA O COMPORTAMENTO

    INFRATOR - CAM/ BA

    Este é um estudo desenvolvido na Casa de Acolhimento ao Menor, Salvador/BA, uma instituição vinculada à Secretaria do Trabalho e Ação Social. Na ocasião da avaliação, encontravam-se em regime de privação de liberdade 290 jovens infratores.

    Foi realizado um processo de avaliação psiquiátrica, baseado em entrevista semi-estruturada e realização de exames dos menores, tendo como referência para o diagnóstico a Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento (CID-10).

  • DELINEAMENTO DA PESQUISADELINEAMENTO DA PESQUISA

    Estudo descritivo, censitário, de corte transversal

    Período da coleta de dados: outubro de 2002 a abril de 2003

    APROVADO PELA COMISSÃO DE ÉTICA EM PESQUISAS DO HOSPITAL JULIANO MOREIRA

    Autorizado pelo Juizado da Infância e da Adolescência de Salvador/BA

    POPULAÇÃO ESTUDADA290 jovens infratores em privação de liberdade na CAM/BAIdade: 12 a 21 anos

  • T. de conduta

    • T. hipercinéticos• Esquizofrenia• T. uso nocivo de subst. psicoativa• Outros t. psicóticos• Retardo mental• Estados ansiosos• Estados depressivos• T. mentais orgânicos

    DEFINIDEFINIÇÇÃO DE VARIÃO DE VARIÁÁVEISVEISVARIÁVEIS DEPENDENTES

    Figura 9 – Ilustração de Caco GalhardoFonte: Fleitlich e colaboradores, 2003

    CID-10

  • VARIVARIÁÁVEIS INDEPENDENTESVEIS INDEPENDENTESSEXOIDADEPROCEDÊNCIAESCOLARIDADE

    fundamental incompleto ou analfabetofundamental completomédio incompletomédio completo

    RENDA FAMILIARmenor que 1 salário mínimoentre 1 e 3 salários mínimosmais de 3 salários mínimos

    TIPOS DE DELITOHomicídio = AssassinatoFurto = Ato de subtrair coisas alheias sem ameaçaRoubo = Ato de subtrair coisas alheias com violênciaEstupro = Ato de forçar o outro à relação sexual

  • Maus-tratos na infância: chute, mordida, soco, queimadura ousufocamento provocado pelos responsáveis

    Abuso sexual: exposição à nudez, ameaça de ter relações sexuais, toque em partes íntimas do corpo do menor, estupro

    Problemas de saúde física e/ou psiquiátrica em um ou ambos os genitores:fazem uso nocivo de substância psicoativa ou apresentam transtorno psicóticopor, pelo menos, seis meses

    Pais e/ou parentes de 1º grau assassinados

    Prostituição na família

    Número de entradas na CAM, idade por ocasião do primeiro delito

    Atendimentos em serviços de psiquiatria ou psicologia, antecedendo a internação na CAM

    VARIVARIÁÁVEIS PSICOSSOCIAISVEIS PSICOSSOCIAIS

  • UTILIZADO O PROGRAMA ESTATÍSTICO STATISTICAL PACKAGE FOR THE SOCIAL SCIENCES (SPSS, 1998)

    ANANÁÁLISE DOS DADOSLISE DOS DADOS

    Fig.10 – Martha Pawlowna Schidrowitz.

    Técnica: Xilogravura.

    Fonte:Cultura, 59, v.6, 2002

    - Foi estimada a prevalência de cada um dos transtornos psiquiátricos identificados.

    - Como medida de associação, para comparação das variáveis, foram calculadas as RP com respectivos IC a 95%.

  • Figura 11– Percentual de adolescentes com e sem transtorno psiquiátrico – CAM/BA, 2003

    N - 290

    75,2%

    24,8%

    Com Distúrbio Sem Distúrbio

    RESULTADOSRESULTADOS

  • Tabela 1 – Distribuição dos transtornos psiquiátricos −isolados e em comorbidade − e ausência de doença.

    CAM – Salvador/BA, 2003

    Transtorno psiquiátrico N %

    Isolado 114 39,31

    Em comorbidade 104 35,86Ausência 72 24,83

    N = 290 jovens

  • Tabela 2 - Características dos 290 adolescentes estudados.CAM/BA, 2003

    VARIÁVEL %Sexo

    MasculinoFeminino

    Idade12 a 15 anos incompletos15 a 18 anos incompletos18 anos ou mais

    89,3 10,7

    13,464,122,4

    EscolaridadeFundamental incompleto ou analfabetoFundamental completoMédio incompletoMédio completo

    95,10,73,50,7

    Renda familiarMenor 1 salário1 a 3 saláriosMaior 3 saláriosNão sabia

    67,624,8

    1,46,2

    ProcedênciaSalvadorInterior da BahiaOutros Estados

    5442,93,1

  • Tabela 3 – Distribuição dos transtornos psiquiátricos isolados na população estudada. CAM/BA, 2003

    Categoria diagnóstica N %

    T. de conduta 43 14,814,8

    T. hipercinéticos 02 0,7

    T. uso nocivo de substância psicoativa 15 5,25,2

    Outros t. psicóticos 14 4,8

    Esquizofrenia 05 1,7

    Retardo mental 20 6,96,9

    Estados ansiosos 07 2,4

    Estados depressivos 03 1,0

    T. mentais orgânicos 05 1,7

  • Tabela 4 - Distribuição dos transtornos psiquiátricos isolados e em comorbidade na população da CAM/BA, 2003

    Categoria diagnóstica N %T. de conduta 114 39,339,3

    T. hipercinéticos 33 11,411,4

    Esquizofrenia 7 2,4

    T. uso nocivo subst. psicoativa 81 27,927,9

    Outros t. psicóticos 21 7,2

    Retardo mental 34 11,711,7

    Estados ansiosos 16 5,5

    Estados depressivos 16 5,5

    T. mentais orgânicos (TMO) 10 3,4

    N = 290 jovens

  • Tabela 5 – Razões de prevalência por tipo de delito e de transtorno psiquiátrico. CAM/BA, 2003

    Nota: Foram desconsiderados os valores menores ou iguais a 1. RP= razão de prevalência; IC = intervalo de confiança; T. = transtornos; subst. = substância; TMO = transtornos mentais orgânicos.# RP estatisticamente significativo.

    DelitoTranstorno

    HomicídioRP - IC

    RouboRP- IC

    FurtoRP- IC

    T. conduta 1,72 (1,096 1,72 (1,096 −− 2,713)#2,713)# 1,31 (1,076 1,31 (1,076 −−1,596)#1,596)# −

    T. hipercinéticos − 1,30 (1,0211,30 (1,021−−1,663)#1,663)# −

    T. uso nocivo subst. psicoativa 1,53 (0,963 − 2,421) 1,11 (0,893 − 1,369) −

    Outros t. psicóticos − − −Esquizofrenia 1,41 (0,428 − 4,665) − −Retardo mental − − 1,28 (0,623 − 2,613)Estados ansiosos − − −Estados depressivos − 1,46 (1,128 1,46 (1,128 −−1,893)#1,893)# 1,21 (0,42 −3,456)

    TMO − − −

  • Tabela 6 – Razões de prevalência dos transtornos psiquiátricos de acordo com a exposição a fatores psicossociais, numa

    amostra de 100 internos. CAM/BA, 2003

    Maus-tratos Criminalidade Prostituição Abuso sexual Assassinato

    RP- IC RP- IC RP- IC RP- IC RP- IC

    T. conduta 1,97 (1,3631,97 (1,363−−2,844)#2,844)# 2,03 (1,3452,03 (1,345−−3,071) # 3,071) # 2,78(0,801−9,659) 1,58(1,1191,58(1,119−−2,230) #2,230) # 2,23(1,2502,23(1,250−−3,962) #3,962) #

    T. hipercinéticos 1,03(0,655−1,612) 1,63(1,0671,63(1,067−−2,479) #2,479) # 2,28(0,661−7,841) 1,59(1,1321,59(1,132−−2,234)#2,234)# 2,18(1,2342,18(1,234−−3,838) #3,838) #

    T. por uso nocivo de subst. psicoativa 1,03(0,655−1,612) 1,63(1,0671,63(1,067−−2,479) #2,479) # 2,28(0,661−7,841) 1,59(1,1321,59(1,132−−2,234) #2,234) # 2,18(1,2342,18(1,234−−3,838) #3,838) #

    Outros t. psicóticos 3,79(0,964−14,952) - - - -

    Esquizofrenia 1,38(0,602−3,143) - - - -

    Retardo mental - - - 1,28(0,703−2,226) 1,12(0,346−3,618)

    Estados ansiosos 1,56(0,856−2,861) 1,14(0,18−3,125) - - -

    Estados depressivos - 1,14(0,418−3,125) 3,01(0,485−18,561) - -

    TMO - - - - -

    F. psicossoc.

    Transtorno

    Nota: RP = razão de prevalência; IC = intervalo de confiança; F. psicossoc. = Fatores psicossociais;T. = transtornos; subst. = substância; TMO = transtornos mentais orgânicos.

    # RP estatisticamente significativa.

  • Idade: 8 a 17 anos

    Média: 14,3 (± 2,2)

    Moda: 15 anos

    Mediana: 15 anos

    IDADE POR OCASIÃO DO PRIMEIRO DELITO CAM / BA, 2003

    Figura 12 - Disponível em: http://images.google.com.br/

    http://images.google.com.br/

  • Figura 13 – Percentual de entradas na CAM/BA

    70%

    30%

    Percentual de 1 entrada na CAM

    Percentual de mais de uma entrada na CAM

    DEMONSTRATIVO DA REINCIDÊNCIA DA INTERNAÇÃO NA CAM/BA, 2003

    N = 100

  • Levando em consideração a prevalência dos transtornos, observa-se uma assistência pouco expressiva dos serviços públicos de saúde mental aos jovens

    Figura 14 – Freqüência dos internos que tiveram atendimento prévio em serviço de saúde mental

    N = 100

    FREQÜÊNCIA DE ATENDIMENTO PRÉVIO CAM/BA, 2003

    15%

    85%

    sim não

  • GÊNERO ♂♂ 89,3%

    • Os estudos revisados demonstraram maior envolvimento de jovens do sexo masculino com a Justiça • Foi identificado apenas um trabalho com população jovem, exclusivamente feminina, em conflito com a lei – estudo de caso-controle de Dixon e col. (2004), na Austrália• Fatores que propiciam o comportamento agressivo no gênero masculino:

    Biológicos – Psicológicos – Sócio-culturais

    DISCUSSÃODISCUSSÃO

    . CONSIDERAÇÕES SOBRE OS ESTUDOS REVISADOS. Diversidade de instrumentos e referências diagnósticas. Variabilidade da população e do contexto no qual se processaram os estudos

    OPERACIONALIZAÇÃO DA PESQUISA

  • IDADE

    64,1% entre 15 e 18 anos incompletos, faixa registrada nas pesquisas sobre o adolescente em conflito com a lei

    • Transgressão como resposta à negação dos direitos e à falta de oportunidade

    GRAU DE ESCOLARIDADE

    95,1 % - curso fundamental incompleto ou analfabetos• Bahia – baixo índice de escolaridade (MP do RGS, 2002)• Os estudos internacionais que fundamentaram esta tese adotaram diferentes classificações para determinar o grau de escolaridade e detectaram também baixo nível de escolaridade nessa população específica.

    Figura 15 – Fotografia de Xando

    Fonte: A Tarde, Salvador, 16 de julho de 2004

  • RENDA FAMILIAR

    67,6% tinham renda média menor que 1 salário mínimo• Fergunson (2004), Nova Zelândia – Estudo longitudinal com 1265 indivíduos, apenas encontrou associação significativa quando combinado: renda familiar, fatores biológicos e psicológicos• Adolescentes em conflito com a lei, até mesmo em países desenvolvidos, pertenciam a famílias de baixa renda

    PROCEDÊNCIA54% dos internos eram procedentes de Salvador

    • Elgar e col. (2003), no País de Gales – os jovens de procedência urbana apresentavam maior índice de alterações comportamentais • Inexistência, no Brasil, de pesquisas que tratem dessa questão

    PERFIL DE MORBIDADE PSIQUIÁTRICA

    CAM – 75,2% de indivíduos com transtorno psiquiátrico• Shelton – 74% com pelo menos 1 diagnóstico • Doreleijers – 75% com pelo menos 1 diagnóstico• Vreugdenhil – 90% com pelo menos 1 diagnóstico• Dixon – 93% de portadores de transtorno psiquiátrico

  • TRANSTORNOS ISOLADOS MAIS PREVALENTES

    T. de conduta = 14,8%

    Retardo mental = 6,9%

    T. por uso de subst. psicoativa = 5,2%

    Outros t. psicóticos = 4,8%

    • O retardo mental, apesar de ter sido pouco referido nas investigações revisadas, apresentou a segunda maior prevalência entre os transtornos isolados.• Em alguns estudos internacionais, o retardo mental e os outros t. psicóticos, são acolhidos de imediato pelo setor saúde.

    TRANSTORNOS EM COMORBIDADE

    CAM = 35,86%

    . Abram e col. (2003)

    . Doreleijers e col. (2000)

    . Vreugdenhil e col. (2004)

    . Apesar das diferenças culturais e metodológicas, os estudos confirmaram uma prevalência de dois ou mais transtornos entre jovens envolvidos com a Justiça

  • TRANSTORNOS ISOLADOS E EM COMORBIDADE

    11ºº -- T. de conduta = 39,3% T. de conduta = 39,3% ● Nos estudos revisados, os índices variaram entre 40% e 75%,

    demonstrando que, além das diferenças geográficas e metodológicas, esta éuma patologia de difícil categorização

    22ºº -- T. por uso nocivo de substânciaT. por uso nocivo de substância = 27,9%= 27,9%● Nos estudos internacionais, os índices variaram de 30% a 50% ● Causas: poder aquisitivo, medidas de segurança a que estavam submetidas

    as populações e aspectos metodológicos diferenciados

    33ºº -- Retardo mental = 11,7% Retardo mental = 11,7% A maior parte dos estudos não apontou esse tipo de patologia ● Fatores correlacionados:

    . Número elevado de intercorrências obstétricas

    . Casos de prematuridade

    . Abandono afetivo no período neonatal, comprometendo odesenvolvimento cognitivo, emocional e físico da criança

  • 44ºº Transtornos hipercinTranstornos hipercinééticos ticos CAM = 11, 4%CAM = 11, 4%

    . As taxas encontradas nos estudos internacionais variaram de 8% a 55%

    . Fatores correlacionados:. Diferenças culturais e metodológicas. Critérios pouco apurados para diagnóstico

    RELAÇÃO TIPO DE DELITO E TIPO DE TRANSTORNO PSIQUIÁTRICO

    Apesar de alguns trabalhos apontarem para a relação entre homicídio e esquizofrenia na adolescência, o presente estudo só detectou dois esquizofrênicos homicidas, não sendo possível estabelecer associação entre esse transtorno e homicídio

    Figura 16 – J.A., (18 anos )Fonte: Arquivo SRP

    “Um bicho foi colocado no meu café e hoje anda no meu corpo. Por isso matei aquele homem.”

  • Cabe registrar que os estados depressivos se mostraram associados ao delito roubo, mas grande parte dos jovens nesse estado fazia uso de drogas

    RELAÇÃO TIPO DE DELITO E TIPO DE TRANSTORNO PSIQUIÁTRICO.

    . Bassarath (2001) e Palomba (2003) defenderam a idéia de que os portadores de transtorno de conduta podem cometer atos delituosos diversos. As pesquisas de Josef e Silva (2003) também ratificaram os achados desta investigação

    Figura 18 - J.R. (18 anos) , I.D. -T. abuso de drogas

  • RELAÇÃO TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS E FATORES PSICOSSOCIAIS

    Figura 19 - Xando. A Tarde, Salvador, 18.12.2003.

    Os resultados encontrados no presente estudo

    reafirmaram as pesquisas de Bassarath (2001) e

    Andrade (2004), ao revelarem que maus-tratos,

    abuso sexual e criminalidade na família trazem conseqüências

    negativas para o comportamento do

    adolescente

  • 1. Foram observadas correlações entre comportamento infrator e transtorno psiquiátrico na adolescência (Transtornos de conduta –peso relevante do fator social)

    2. Foi demonstrada a necessidade de maior especificação das categorias nosológicas, especialmente transtorno de conduta e transtorno hipercinético

    3. A Saúde deve atuar junto à Justiça, possibilitando o diagnóstico precoce e a assistência em unidades psiquiátricas especializadas para adolescentes quando psicóticos. e priorizando as medidas socioeducativas a céu aberto

    4. Os Centros de Atendimento Psicossocial (Caps), direcionados para crianças e adolescentes, devem contemplar unidades especiais para:

    - Tratamento de menores usuários de álcool e drogas- Prevenção e tratamento de transtornos de conduta- Tratamento de alterações comportamentais em pacientes com retardo mental e transtornos mentais orgânicos

    5. A escola deve ser estimulada como espaço para crescimento e ressignificação dos conteúdos de vida destes indivíduos.

    CONSIDERAÇÕES FINAIS I

  • CONSIDERAÇÕES FINAIS II

    Figura 20 – Ilustração de Caco Galhardo

    Fonte: Fleitlich e colaboradores, 2003

    6. Definir critérios para criação de um projeto sociopolítico-pedagógico, extinguindo-se o modelo correcional repressivo.

    7. Garantir, nos orçamentos públicos, os recursos necessários para a execução e a efetivação das medidas socio-educativas.

    8. Identificar jovens em situação de risco social, mapear e elaborar estratégias para intervenções em prevenção primária.

    9. Preparar os profissionais de saúde para identificar precocemente os transtornos mentais e encaminhar para a rede assistencial.

    10. Implantar, fortalecer e divulgar os serviços de saúde mental comunitários para crianças e adolescentes.

  • Figura 21 – Mãe com bebêTécnica: MistaFonte: Graça Ramos, 1996.

    O MEU GURIQuando, seu moço, nasceu meu rebento

    Não era o momento dele rebentarJá foi nascendo com cara de fome

    E eu não tinha nem nome pra lhe dar[...] Olha aí, ai o meu guri, olha aí

    [...] Chega suado e veloz do batenteE traz sempre um presente pra me

    encabularTanta corrente de ouro, seu moço

    Que haja pescoço pra enfiar[...]Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro

    Chave, caderneta, terço e patuá...[...] Olha aí, ai o meu guri, olha aí

    [...] Chega estampado, manchete, retratoCom venda nos olhos, legenda e as

    iniciais...[...]O guri no mato, acho que tá rindo

    Acho que tá lindo de papo pro arDesde o começo, eu não disse, seu moço

    Ele disse que chegava láOlha aí, olha aí

    Olha aí, ai o meu guri, olha aí

    Chico Buarque de Holanda (1981)

    CRITÉRIOS PARA O DIAGNÓSTICO PERFIL DE MORBIDADE PSIQUIÁTRICA E FATORES DE RISCO PARA O COMPORTAMENTO INFRATOR - CAM/ BA �� CONSIDERAÇÕES FINAIS II