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09 /11/2015 Saindo da Matrix: EVOLUÇÃO DA CONSCI ÊNCI A ht tp://www.saindodama t r i x .co m.br/archives/2004 / 11/ e v olu ca o da _con.html 1 / 5 Saindo da Matrix . EVOLUÇÃO DA CONSCIÊNCIA (http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2004/11/evolucao_da_con.html) ter, 30 de novembro, 2004 Neste fim d e se mana bati um pap o co m meus primos sobre a ev ol ução atrav és das experiências, e falava sobre Jung e a busca da individuação, através do equilíbrio entre pensamento e sentimento, in tuição e sensação . Muito antes Sócrates já fal av a do equilíbrio na educação dos guerreiros (que deveriam também aprender música) e  v árias das idéias foram se encai xando no mod elo de evol ução em espiral que tinh a  v isto n as aulas do CEPEC (http://users.hotlink.com.br/cepec/) . Resolvi brincar um pouco em cima disso, fazendo um nov o modelo: Modelo de evolução da consciência, mais conhecido nos meios esotéricos como "cuscuz evolutivo" Esse modelo (que serve apenas como apoio visual para falar de algo tão abstrato) mostra a evolução da consciência como uma espécie LP, com suas faixas que vão da  borda para o centro (que seriam as "órbitas", ond e nós gi ramos co mo o s plan etas giram em torno do sol) compondo uma subida cônica contínua, como numa montanha. O centro seria a união, o TODO, o Self. A maioria das pessoas ficam pelas  bordas, po r pura inércia (fo rça centrífuga e grav ida de), gui adas pelo in stinto, p ela l ei do menor esforço, pelo desejo e pelas circunstâncias, sem muita consciência de si mesmo. À medida que vamos adquirindo entendimen to, galgamos um ponto de altura, ainda na mesma "órbita", mas já acima da compreensão geral do seu grupo consciencial. Os círculos vermelhos são as alturas dentro do mesmo raio de cada "órbita". Na "órbita" central já não há necessidade de gradação de altura Talvez a pessoa nessa faixa fique orgulhosa de seu "conhecimento", mas mal sabe ela que ainda está na periferia. Mas é o destino de todos nós sermos atraído para o centro, alguns mais rápido, outros mais devagar. Alguns procuram um atalho: em

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Saindo da Matrix.

EVOLUÇÃO DA CONSCIÊNCIA (http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2004/11/evolucao_da_con.html)

ter, 30 de novembro, 2004

Neste fim de semana bati um papo com meus primos sobre a evolução através dasexperiências, e falava sobre Jung e a busca da individuação, através do equilíbrioentre pensamento e sentimento, intuição e sensação. Muito antes Sócrates já falavado equilíbrio na educação dos guerreiros (que deveriam também aprender música) e várias das idéias foram se encaixando no modelo de evolução em espiral que tinha visto nas aulas do CEPEC  (http://users.hotlink.com.br/cepec/) . Resolvi brincar um pouco em cimadisso, fazendo um novo modelo:

Modelo de evolução da consciência, mais conhecido nos meios

esotéricos como "cuscuz evolutivo"Esse modelo (que serve apenas como apoio visual para falar de algo tão abstrato)mostra a evolução da consciência como uma espécie LP, com suas faixas que vão da borda para o centro (que seriam as "órbitas", onde nós giramos como os planetasgiram em torno do sol) compondo uma subida cônica contínua, como numamontanha. O centro seria a união, o TODO, o Self. A maioria das pessoas ficam pelas bordas, por pura inércia (força centrífuga e gravidade), guiadas pelo instinto, pela leido menor esforço, pelo desejo e pelas circunstâncias, sem muita consciência de simesmo. À medida que vamos adquirindo entendimento, galgamos um ponto dealtura, ainda na mesma "órbita", mas já acima da compreensão geral do seu grupoconsciencial.

Os círculos vermelhos são as alturas dentro do mesmo raio de cada"órbita". Na "órbita" central já não há necessidade de gradação de

altura

Talvez a pessoa nessa faixa fique orgulhosa de seu "conhecimento", mas mal sabeela que ainda está na periferia. Mas é o destino de todos nós sermos atraído para ocentro, alguns mais rápido, outros mais devagar. Alguns procuram um atalho: em

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 vez de subir essa montanha em espiral (uma caminhada mais suave e onde se curtemais a paisagem, o que proporciona um grande aprendizado) seguem uma linhaíngreme direto para o topo. Essa é a porta estreita, que Jesus e Buda nos falam.Nada contra quem quer apreciar a paisagem: cada um tem seu ritmo de caminhada,e só evoluímos quando aprendemos a respeitar e compreender cada pessoa em cadanível dessa espiral. Afinal, quem vê a paisagem do alto da montanha pode até prevero próximo movimento de quem está embaixo, ver suas dificuldades na escalada eajudar com alguma orientação sobre qual o melhor caminho a tomar.

 Aí entramos no Dharma: todos nós temos aptidões naturais para alguma coisa. Issosignifica que já cumprimos aquela espiral em alguma encarnação, e quando podemosexercer plenamente essa aptidão, significa que estamos rodando na mesma órbitanovamente, mas um pouco mais acima (como uma mesma nota musical, só que umaoitava acima). Um Senna, ou um Schumacher, possuem imensa vantagem sobre umRubinho. Mas quem garante que o aperfeiçoamento de um talento é o ideal para a"subida do cuscuz"? Às vezes ficamos tão concentrados em fazer o nosso melhor queesquecemos de melhorar nossas imperfeições. Não se pode buscar o caminho dosextremos e negligenciar o desenvolvimento do espírito. Rubinho pode ser até um

perdedor nas pistas, mas um vencedor em casa, como um bom pai, bom marido, boapessoa... ao menos não se tem notícia de Rubinho quebrando hotel ou esmurrando jornalistas...

Mas a própria natureza humana nos impulsiona a viver novas experiências. Alguémque já atingiu o máximo de sua habilidade em certa coisa, mesmo que sinta prazernaquilo, vai chegar um tempo em que não irá satisfazer-se mais, o que acarreta umextremo vazio. É o caminho pendular dos extremos: muitos dos soldados quelutaram na 2ª guerra mundial desejavam que, quando tudo aquilo terminasse,fossem passar o resto da vida numa cidade bucólica, ou uma fazenda, algo longe dequalquer barulho. Já Senna compensava a agitação das corridas com uma forteintrospecção natural. Mesmo os extremos servem para o aprendizado, ninguémdeixa de crescer e aprender. Mas este é o caminho longo e prazeroso, com muitasarmadilhas que podem fazê-lo rodar na mesma órbita (que seria o Samsara(http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2006/03/samsara.html)) por muito, muito tempo...

Saiba que quem não se altera na tristeza ou na alegria, e em ambas semantém firme, é digno da eternidade

(Krishna; Bhagavad Gita 2:15)

Então meu primo me apareceu um exemplo extremo e condenável: o assassino.

Será que um serial killer está evoluindo ao cometer seus crimes? Infelizmente (efelizmente) a resposta é sim, embora ele esteja tornando sua vida bem mais difícil.Felizmente porque cada assassinato é um pequeno passo em direção à lição de não-matar, e uma pedra a mais que ele terá de carregar nas costas em sua penosacaminhada. Vejamos então a parábola budista do assassino Angulimala, que é bastante ilustrativa:

 ANGULIMALA SUTTA 

Gautama, o Buda, andava de um vilarejo a outro, acompanhado de seus discípulos,pregando a Verdade. Certa vez, seguiam por uma estrada fechada, quandodepararam com alguns guardas do rei. E eles disseram:- Voltem e sigam por outro caminho, porque por estas paragens está escondido umperigoso assassino, conhecido por Angulimala. Dizem que já matou 999 pessoas, dasquais cortou um dedo de cada uma e fez um colar e está à procura da milésima paracompletar seu colar de 1000 dedos. Por isso o Rei mandou bloquear a estrada, para

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evitar que algum incauto seja a próxima vítima. Você pode pegar uma estrada maislonga à frente.

Mas Buda disse: Se eu não for, quem irá? Somente duas coisas são possíveis: ou eu omudo (e eu não posso perder esse desafio) ou eu fornecerei o dedo que lhe restapara realizar seu desejo. De qualquer forma, eu vou morrer algum dia e mequeimarão numa pira funerária. Acho que é melhor realizar o desejo de alguém edar paz de espírito a esta pessoa. Ou ele me matará ou eu o matarei.

Então Buda continuou a caminhada, com seus discípulos desta vez bem de longe,acompanhando a cena. Finalmente encontrou Angulimala, que estava sentado emuma rocha. Angulimala mal pôde acreditar no que via: "Pessoas em grupos de dez, vinte, trinta e até quarenta seguiram por esta estrada e assim mesmo foram minhas vítimas. E agora esse monge vem sozinho, sem companhia, como se empurrado pelafé. Porque eu não deveria matar esse sujeito? Ele nunca ouvira falar de SiddharthaGautama (http ://w ww.saindodamatrix.com.br/archives/2003/12/historia_de_buda.ht ml) , mas podia sentir que estehomem era especial, com um imenso carisma que tocava de alguma forma seucoração. Já não sabia se queria realmente matar aquele homem, embora quisesse

muito o milésimo dedo.Então, de espada em punho, Angulimala gritou:"PARE! Não dê nem mais um passo, ou aresponsabilidade pela sua morte não será minha.Talvez não saiba quem eu sou!"E Buda respondeu:- E você sabe quem você é?- Esse não é o ponto! Aqui não é a hora ou lugarpara discutir essas coisas. Sua vida está em perigo!- Disse Angulimala.

- Pois eu já penso diferente: sua vida está emperigo. Angulimala riu:- E eu que pensava que eu era louco... você é que é louco, aproximando-se desse jeito! Depois não diga que eu matei um homem inocente. Não quero matá-lo, possoachar outra pessoa para completar o colar, mas não me force a fazê-lo, andando emminha direção!- Você está totalmente cego. Não pode ver uma coisa tão simples: eu não estou memovendo em sua direção, você é que está vindo até mim.- Que maluquice!! Todos podem ver que é você que está se movendo e eu estou

parado nesta rocha!- A verdade é que, desde o dia em que alcancei a iluminação, não me movi nem umcentímetro. Estou centrado, totalmente centrado, sem movimento. É sua menteque está continuamente se movendo em círculos, sem parar. E você aindame diz que eu devo parar. Você deve parar! Eu já parei há muito tempo. Eu meabstenho da violência para com os seres vivos, mas você não tem nenhumrefreamento em relação àquilo que tem vida: Essa é a razão porque eu parei e vocênão.- Parece que sua loucura é incurável. Você está destinado a ser morto. Sinto muito,mas o que mais eu posso fazer?

Então Angulimala levantou sua espada, mas suas mãos estavam tremendo. Ele jáhavia matado tantas pessoas, mas nunca havia sentido essa fraqueza. Então Budafalou:- Por que hesita? Você é um grande guerreiro, e eu sou apenas um pobre mendigo.

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 Você pode me matar, ficarei feliz por satisfazer seu desejo de completar o colar.Minha vida já foi muito útil e assim minha morte também o será. Mas antes decortar minha cabeça, ao menos satisfaça meu último desejo, como também vousatisfazer o seu de completar o colar, disse Gautama. Angulimala, que àquela altura faria qualquer coisa para evitar aquela morte,respondeu: "o que quer?"- Quero que corte um galho daquela árvore tão florida. Um galho que tenha bastante flores para que eu possa sentir sua fragrância pela última vez, pediu o

Buda. Angulimala golpeou um galho com o facão e foi entregá-lo, quando Buda disse:- Essa é apenas a metade do meu desejo. Agora quero que você cole outra vez essegalho na árvore.- Que tipo de louco você é? Como vou colar o galho na árvore outra vez?- Se você não pode criar, não tem o direito de destruir. Se você não pode dar a vida,não tem o direito de dar a morte a nenhuma criatura.

Seguiu-se um momento de silêncio, de transformação. A espada caiu das mãos de Angulimala, que caiu aos pés de Buda, dizendo:

- Eu não sei quem você é, mas seja lá quem for, leve-me para o lugar onde você vive. Inicie-me.

Os discípulos de Buda, que ao longe escutavam, aproximaram-se e disseram: "Nãoinicie este homem! Ele é um assassino de pessoas inocentes!"Mas Buda disse:- Se eu não iniciá-lo, quem o fará por ele? E eu admiro a coragem deste homem, quelutou sozinho contra o mundo, apenas com uma espada. Agora ele lutará contra omundo usando a consciência, que é muito mais afiada que qualquer espada. Eu lhesfalei que um de nós iria morrer hoje. Angulimala está morto. Quem sou eu para julgá-lo?

E assim Angulimal foi iniciado.

 Assim se dá a evolução. Mesmo um assassino cruel aprenderá o valor da vida, talvezde forma mais marcante e duradoura do que aquele que nunca passou por estaexperiência. Então não nos apressemos em julgar os que estão mergulhados naignorância, pois eles podem estar sedimentando a sua espiral de evolução, parapoderem realizar um importante salto no nível de percepção.

 Vemos a mesma lição em um sutta mais moderno, O Senhor dos Anéis (As duastorres), de J. R. R. Tolkien:- Não sinto nenhuma pena de Gollum. Ele merece morrer.- Merece! Suponho que sim. Muitos que vivem merecem morrer E alguns quemerecem viver morrem. Você Pode dar-lhes vida? Então não seja tão ávido paracondenar à morte em nome da Justiça, temendo por sua própria segurança. Nemmesmo os sábios conseguem ver os dois lados.

Mas, e o resultado das ações de Angulimala? E seu karma? Bastou se converter pra"virar santo"? Bem, a história continua:

 Após Angulimala ter se convertido em um dos arahants, certo dia ele tomou suatigela e foi para a cidade de Savathi, para a coleta habitual de alimentos. Naquelaocasião alguém jogou uma pedra e atingiu o corpo de Angulimala, outra pessoa jogouum pau que também o atingiu, e outra jogou um pedaço de cerâmica. Então, com o

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sangue jorrando da sua cabeça cortada, com a sua tigela quebrada e com o seumanto externo rasgado, o venerável Angulimala foi até Buda, que falou: "Agüente, brâmane! Agüente, brâmane! Você está experimentando aqui e agora o resultado deações pelas quais você poderia ser torturado no inferno (h ttps:/ /en.wikipedia.org/wiki/Naraka_(Budd hism))

durante muitos anos, por muitas centenas de anos, por muitos milhares de anos."

 Ref erência: Parábola bu dista ada ptada do Angulimala Sutta(http://www.accesstoinsight.org/tipitaka/mn/mn.086.than.html) e do cap. 24 do li vro "A grande p eregrin ação", de Osho

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