Teoria do Conhecimento - .Livro – Os Problemas da Filosofia (Bertrand Russell) Capítulo 2 –

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Teoria do ConhecimentoLivro Os Problemas da Filosofia (Bertrand Russell)

Captulo 1 Aparncia e Realidade

Atividade 1 Existe no mundo algum conhecimento to certo que nenhum homem razovel possa dele

duvidar?

Fazer uma enquete.

Pedir exemplos para quem responde sim.

Pedir explicaes para quem responde no.

A percepo dos obstculos e dificuldades para uma resposta satisfatria a esta questo exemplifica e ilustra as dificuldades e obstculos que o estudo da Filosofia nos trs.

Nem tudo o que parece Na busca de certezas natural comearmos por nossas experincias presentes.

Num certo sentido no h dvida de que o conhecimento deriva delas.

Mas possvel que qualquer afirmao acerca do que nossas experincias imediatas nos permitam conhecer esteja errada.

A Cor da MesaPara tornar evidentes estas dificuldades, concentremos a ateno na mesa. Para a vistaa mesa retangular, escura e brilhante, enquanto que para o tato ela lisa, fria e dura;quando a percuto, produz um som de madeira. Qualquer pessoa que a veja, sinta eoua o seu som, estar de acordo com esta descrio, de tal modo que parece que noexiste aqui dificuldade alguma; porm, a partir do momento em que tentarmos sermais precisos, comearo os nossos problemas. Embora eu acredite que a mesa realmente da mesma cor em toda sua extenso, as partes que refletem a luz parecemmuito mais brilhantes que as outras partes, e algumas partes, devido ao reflexo,parecem brancas. Sei que, se me deslocar, as partes que refletiro a luz no sero asmesmas, de modo que a distribuio aparente das cores na superfcie da mesamudar. Por conseguinte, se vrias pessoas contemplarem a mesa no mesmomomento, nenhuma delas ver exatamente a mesma distribuio de cores, porquenenhuma delas pode v-la exatamente do mesmo ponto de vista, e qualquer mudanade ponto de vista produz uma mudana na forma como a luz refletida.

Se para voc estas diferenas no tm importncia, para um pintor, tm!

A mesa, nem nenhuma de suas partes tem uma cor. De pontos de vista diferentes, a mesa tem cores diferentes.

No h razo para considerarmos nenhuma delas a cor real da mesa!

A cor no algo inerente mesa, mas algo que depende

da mesa

do observador

da forma como a luz incide sobre a mesa

A Textura e a Forma da Mesa O mesmo se d com a textura da mesa. Uma anlise apenas do tato no percebe

microtexturas que observaramos ao microscpio.

PERGUNTA : Qual mesa mais real a que vemos a olho nu ou a que vemos no

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microscpio?

Tambm no vemos a forma da mesa!

Se a nossa mesa realmente retangular, parecer ter, de quase todos os pontos devista, dois ngulos agudos e dois obtusos. Se os lados opostos so paralelos, iroparecer convergir num ponto afastado do observador; se so iguais, o lado maisprximo ir parecer maior. Geralmente no observamos estas coisas quando olhamospara uma mesa, porque a experincia nos ensinou a construir a forma real a partir daforma aparente, e, como homens prticos, a forma real o que nos interessa. Mas aforma real, no o que vemos; algo que inferimos do que vemos. E o que vemosmuda constantemente de forma na medida em que nos movemos na sala; de modo queaqui, mais uma vez, parece que os sentidos no nos apresentam a verdade sobre aprpria mesa, mas apenas sobre a aparncia da mesa.

Diferena entre Realidade e Aparncia A mesa real, se existir, no idntica quela de que temos experincia pelos sentidos.

A mesa real, se existir, no pode ser conhecida de maneira imediata, mas deve ser inferida a partir do que imediatamente conhecido.

Questes1. Existe de fato uma mesa real?

2. Em caso afirmativo, que espcie de objeto ela pode ser?

Algumas Definies DADOS DOS SENTIDOS: coisas imediatamente conhecidas na sensao cores, sons,

cheiros, dureza, aspereza,...

SENSAO: experincia de ter conscincia imediata destas coisas.

OBJETO FSICO: as coisas reais que estimulam nossa sensao.

MATRIA: coleo dos objetos fsicos.

Relao entre Dados dos Sentidos e Realidade Tudo que conhecemos sobre a mesa atravs dos dados dos sentidos

Mas os dados dos sentidos no so propriedades diretas (exclusivas) da mesa, nem a mesa o conjunto dos dados dos sentidos.

Mas ento, qual a relao entre os dados dos sentidos e os objetos fsicos?

Esta a uma das questo filosficas fundamentais da teoria do conhecimento.

Generalizando as Questes 1 e 21. Existe tal coisa como a matria?

2. Em caso afirmativo qual a sua natureza?

A Concepo de BerkeleyO primeiro filsofo que exps claramente as razes para considerar os objetos imediatosdos nossos sentidos como no existindo independentemente de ns foi o bispo Berkeley(1685-1753). Seus Trs dilogos entre Hilas e Filonous, contra os cticos e ateus,procura provar que no existe tal coisa como a matria, e que o mundo consiste apenasde mentes e suas idias .

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Berkeley nega a matria no sentido de negar que haja qualquer coisa que seja no mental.

Ele concorda que os dados dos sentidos, que normalmente tomamos como sinais indicativos da existncia algo, so realmente sinais da existncia de algo independente de ns.

Mas ele nega que este algo seja no mental, isto , que no seja a mente ou as idias concebidas por uma mente.

A viso de uma mesa nos d razo para acreditarmos que algo persiste, mesmo quando no a vemos.

A mesa real, para Berkeley no matria, mas uma idia na mente de Deus.

Esta idia tem a necessria permanncia e independncia em relao a ns mesmos,sem ser como de outro modo a matria seria algo completamenteincognoscvel, no sentido de que poderia ser apenas inferida, nunca conhecida de ummodo direto e imediato.

Outras Concepes Idealistas Outros filsofos foram alm de Berkeley e sustentaram que embora a existncia da mesa no

dependa do fato de ser vista por mim, ela depende de ser vista ou apreendida por alguma mente. No necessariamente a mente de Deus. Mas talvez uma mente coletiva do universo.

Como Berkeley estes filsofos acreditam que no podemos ter certeza de nada, a no ser de mentes e suas idias. Portanto, como sabemos muitas coisas, no deve haver nada alm de mentes e idias nas mentes. (IDEALISMO)

A matria no outra coisa que uma coleo de idias, ou de mentes (Leibniz 1646-1716)

A Matria para os Idealistas Os idealistas no negam a matria, negam apenas que ela seja oposta mente.

Tanto Berkeley quanto Leibniz responde afirmativamente nossa questo 1 (Existe de fato uma mesa real?) Eles s divergem um do outro e do senso comum em suas respostas questo 2 (Que classe de objeto a mesa?)

Para Berkeley, uma idia na mente de Deus.

Para Leibniz, uma colnia de almas.

Ponto de Concrdia entre Os Filsofos Quase todos os filsofos concordam que:

Existe uma mesa real.

Embora os dados dos sentidos dependam de ns, sua ocorrncia em ns um sinal de que existe algo independentemente de ns. Algo que no corresponde, aos nossos dados dos sentidos, mas que seja sua causa.

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ConclusesAntes de prosseguirmos ser bom que examinemos o que que descobrimos at agora.Vimos que, se tomarmos um objeto comum qualquer, desses que supomos conhecer pormeio dos sentidos, aquilo que os sentidos imediatamente nos mostram no a verdadeacerca do objeto, tal como ele independentemente de ns, mas somente a verdadesobre certos dados dos sentidos que, tanto quanto podemos ver, dependem da relaoentre ns e o objeto. Consequentemente, o que vemos e tocamos de maneira direta nopassa de mera aparncia, sinal, supomos ns, de uma realidade que est por trsdela. Mas se a realidade no o que aparece, temos algum meio de saber se de fatoexiste uma realidade? E, em caso afirmativo, temos algum meio de descobrir em queconsiste?

Estas questes so desconcertantes, e torna-se difcil saber se mesmo as maisestranhas hipteses no so verdadeiras. Assim, a nossa mesa cotidiana, que geralmentes havia despertado em ns idias insignificantes, tornou-se agora um problema commuitas e surpreendentes possibilidades. A nica coisa que sabemos a seu respeito queno o que parece. At aqui, alm deste modesto resultado, temos a mais completaliberdade para conjecturar. Leibniz afirma que ela uma colnia de almas; Berkeleyafirma que ela uma idia na mente de Deus; a cincia desapaixonada, no menosmaravilhosa, afirma que uma coleo de cargas eltricas em intenso movimento.

Em meio a estas surpreendentes possibilidades, a dvida sugere que talvez noexista em absoluto mesa alguma. A filosofia, se no pode responder a todas as perguntascomo desejaramos que respondesse, tem pelo menos o poder de propor questes quetornam o mundo muito mais interessante e revelam o que h de estranho e maravilhosopor trs at mesmo das coisas mais vulgares da vida cotidiana.

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Laboratrio de Teoria do ConhecimentoLivro Os Problemas da Filosofia (Bertrand Russell)

Captulo 2 A Existncia da Matria

ATIVIDADE: Ler a experincia de pensamento 98 do livro O Porco Filosfico (A Mquina de

Experincia). Duas questes:

1. possvel saber que no estamos vivendo em uma mquina de experincia?

2. Voc assina ou no a autorizao para passar a viver na mquina de experincia? Por que?

QUESTO: Existe, em algum sentido, a matria? Existe uma mesa que tem certa natureza intrnseca e que continua a existir quando no a estou

olhando, ou a mesa simplesmente um produto de minha imaginao, uma viso-de-mesa num sonho muito prolongado?

IMPORTNCIA DA QUESTO Se no estamos seguros da existncia de objetos independente (de ns),

no podemos estar seguros da existncia independ