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Segundo Caporal (1998), a Extensão Rural Agroecológica é um processo de intervenção de caráter educativo e transformador, baseado em metodologias participativas que permitem o desenvolvimento de uma prática social mediante a qual os sujeitos do processo buscam a construção e a sistematização de conhecimentos que os levem a atuar conscientemente sobre a realidade.

 

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Agroecologia

A Agroecologia é o campo de conhecimentos que proporciona as bases científicas do processo de transição do modelo de agricultura convencional para estilos de agricultura ecológica ou sustentável.

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A Agroecologia tem sido assumida como uma ciência ou uma disciplina científica, um campo de conhecimentos de caráter multidisciplinar, com princípios, conceitos e metodologias que permitem estudar, analisar, construir, orientar e avaliar agroecossistemas.

 Há inúmeros pesquisadores trabalhando nessa

área (por exemplo, Altieri, Gliessman, Noorgard, Sevilla Guzmán).

 

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Em essência, o enfoque agroecológico corresponde à aplicação de conceitos e princípios da Ecologia no manejo e no desenho de agroecossistemas sustentáveis, uma orientação cujas pretensões e contribuições vão além de aspectos meramente tecnológicos ou agronômicos da produção, incorporando dimensões mais amplas e complexas que incluem tanto as variáveis econômicas, sociais e ambientais, como as variáveis culturais, políticas e éticas da sustentabilidade (CAPORAL; COSTABEBER, 2000).

 

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O objetivo na agroecologia é alcançar um modelo de desenvolvimento socialmente eqüitativo e ambientalmente sustentável, adotando os princípios teóricos da Agroecologia como critério para o desenvolvimento e a seleção das soluções mais adequadas e compatíveis com as condições específicas de cada agroecossistema e do sistema cultural das pessoas implicadas em seu manejo.

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Nos agroecossistemas, são considerados como a unidade fundamental desse tipo de estudo e vistas e analisadas em conjunto os seguintes pontos:

os ciclos minerais,

as transformações energéticas,

os processos biológicos e

as relações socioeconômicas e culturais.

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Os objetivos da pesquisa agroecológica não são a maximização da produção de uma atividade particular, mas a otimização do agroecossistema como um todo, o que implica a necessidade de uma maior ênfase no conhecimento, na análise e na interpretação das complexas relações existentes entre as pessoas, os cultivos, o solo, a água e os animais.

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Segundo Gliessman (2000), podemos distinguir três níveis fundamentais no processo de transição ou conversão para agroecossistemas sustentáveis:1º Nível: Diz respeito ao incremento da eficiência das práticas convencionais para reduzir o uso e consumo de inputs externos caros, escassos e daninhos ao meio ambiente. Esta tem sido a principal ênfase da investigação agrícola convencional, resultando disso muitas práticas e tecnologias que ajudam a reduzir os impactos negativos da agricultura convencional.

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2º Nível: Se refere à substituição de inputs e práticas convencionais por práticas alternativas. A meta seria a substituição de insumos e práticas intensivas em capital, contaminantes e degradadoras do meio ambiente por outras mais benignas sob o ponto de vista ecológico. Neste nível, a estrutura básica do agroecossistema seria pouco alterada, podendo ocorrer, então, problemas similares aos que se verificam nos sistemas convencionais.

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3º (e mais complexo) Nível: É representado pelo redesenho dos agroecossistemas, para que estes funcionem com base a um novo conjunto de processos ecológicos.

Nesse caso, se buscaria eliminar as causas daqueles problemas que não foram resolvidos nos dois níveis anteriores.

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Em termos de investigação já foram feitos bons trabalhos em relação à transição do

primeiro para o segundo nível, porém estão recém começando os trabalhos para

a transição ao terceiro nível, quando se estaria mais próximo de estilos de

agriculturas sustentáveis. (Gliessman, 2000).

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Como resultado da aplicação dos princípios da Agroecologia, pode-se alcançar estilos

de agriculturas de base ecológica e, assim, obter produtos de qualidade biológica

superior.

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Mas, para respeitar aqueles princípios, esta agricultura deve atender requisitos

sociais, considerar aspectos culturais, preservar recursos ambientais, apoiar a participação política e o empoderamento

dos seus atores, além de permitir a obtenção de resultados econômicos

favoráveis ao conjunto da sociedade, com uma perspectiva temporal de longo prazo,

ou seja, uma agricultura sustentável

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A agricultura sustentável, sob o ponto de vista agroecológico, é aquela que, tendo como base uma compreensão holística dos agroecossistemas, seja capaz de atender, de maneira integrada, aos seguintes critérios:

a) baixa dependência de inputs comerciais; b) uso de recursos renováveis localmente

acessíveis; c) utilização dos impactos benéficos ou

benignos do meio ambiente local;

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d) aceitação e/ou tolerância das condições locais, antes que a dependência da intensa alteração ou tentativa de controle sobre o meio ambiente;

e) manutenção a longo prazo da capacidade produtiva;

f) preservação da diversidade biológica e cultural; g) utilização do conhecimento e da cultura da

população local; e h) produção de mercadorias para o consumo interno

e para a exportação.(Giessman, 1990)

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AS PRINCIPAIS CORRENTES DO MOVIMENTO ORGÂNICO E SUAS PARTICULARIDADES

Desde o final do século XIX, existia na Europa um movimento por uma alimentação natural que preconizava uma vida mais saudável.

Esse movimento fazia parte de uma corrente de pensamento que contestava o desenvolvimento industrial e urbano da época.

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No início do século XX, mais especificamente na década de 1920, surgiram as primeiras correntes alternativas ao modelo industrial ou convencional de agricultura.

O avanço lento destes movimentos e suas repercussões práticas ocorreu em função do forte lobby da agricultura química, ligada a interesses econômicos de uma agricultura moderna em construção.

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A agricultura orgânica da atualidade representa a fusão de diferentes correntes de pensamento.

Basicamente, podemos agrupar o movimento orgânico em quatro grandes vertentes:

agricultura biodinâmica, agricultura biológica, agricultura orgânica e agricultura natural.

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Em 1924, o filósofo austríaco Dr. Rudolf Steiner apresentou uma visão alternativa de agricultura baseada na ciência espiritual da antroposofia, lançando os fundamentos do que seria a agricultura biodinâmica. As idéias de Steiner foram difundidas para vários países do mundo, com a colaboração de outros pesquisadores

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Agricultura Biodinâmica (ABD)PRINCÍPIOS BÁSICOSÉ definida como uma "ciência espiritual", ligado à

antroposofia, em que a propriedade deve ser entendida como um organismo. Preconizam-se práticas que permitam a interação entre animais e vegetais; respeito ao calendário astrológico biodinâmico; utilização de preparados biodinâmicos, que visam reativar as forças vitais da natureza; além de outras medidas de proteção e conservação do meio ambiente.

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PARTICULARIDADESNa prática, o que mais diferencia a ABD das outras correntes orgânicas é a utilização de alguns preparados biodinâmicos (compostos líquidos de alta diluição, elaborados a partir de substâncias minerais, vegetais e animais) aplicados no solo, planta e composto, baseados numa perspectiva energética e em conformidade com a disposição dos astros.

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Agricultura Biológica (AB)PRINCÍPIOS BÁSICOSNão apresenta vinculação religiosa. No início o modelo

era baseado em aspectos socioeconômicos e políticos: autonomia do produtor e comercialização direta. A preocupação era a proteção ambiental, qualidade biológica do alimento e desenvolvimento de fontes renováveis de energia. Os princípios da AB são baseados na saúde da planta, que está ligada à saúde dos solos. Ou seja, uma planta bem nutrida, além de ficar mais resistente a doenças e pragas, fornece ao homem um alimento de maior valor biológico.

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PARTICULARIDADESNão considerava essencial a associação da agricultura

com a pecuária. Recomendam o uso de matéria orgânica, porém essa pode vir de outras fontes externas à propriedade, diferentemente do que preconizam os biodinâmicos. Segundo seus precursores, o mais importante era a integração entre as propriedades e com o conjunto das atividades socioeconômicas regionais. Este termo é mais utilizado em países europeus de origem latina (França, Itália, Portugal e Espanha). Segundo as normas uma propriedade "biodinâmica" ou "orgânica", é também considerada como "biológica".

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Agricultura Natural e permacultura (AN)

PRINCÍPIOS BÁSICOSO modelo apresenta uma vinculação religiosa (Igreja

Messiânica). O princípio fundamental é o de que as atividades

agrícolas devem respeitar as leis da natureza, reduzindo ao mínimo possível a interferência sobre o ecossistema.

Por isso, na prática não é recomendado o revolvimento do solo, nem a utilização de composto orgânico com dejetos de animais. Aliás, o uso de esterco animal é rejeitado radicalmente.

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Em meados da década de 1930, o filósofo japonês Mokiti Okada fundava uma religião baseada no princípio da purificação, hoje Igreja Messiânica, que tinha como um de seus alicerces a chamada agricultura natural.

Essa religião defende que a purificação do espírito deve ser acompanhada pela purificação do corpo, daí a necessidade de evitar o consumo de produtos tratados com substâncias tóxicas.

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PARTICULARIDADESNa prática se utilizam produtos especiais para

preparação de compostos orgânicos, chamados de microrganismos eficientes (EM).

Esses produtos são comercializados e possuem fórmula e patente detidas pelo fabricante.

Esse modelo está dentro das normas da agricultura orgânica.

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O princípio dessa proposta é o de que as atividades agrícolas devem potencializar os processos naturais, evitando perdas de energia no sistema.

Suas idéias foram reforçadas e difundidas internacionalmente pelas pesquisas de Masanobu Fukuoka, que defendia a idéia de artificializar o menos possível a produção, mantendo o sistema agrícola o mais próximo possível dos sistemas naturais.

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Na Austrália, essas idéias evoluíram nas mãos do Dr. Bill Mollison e deram origem a um novo método conhecido como permacultura que significa um sistema evolutivo integrado de espécies vegetais e animais perenes (de onde vem o nome) ou autoperpetuantes úteis ao homem.

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Agricultura Orgânica (AO)

PRINCÍPIOS BÁSICOSNão tem ligação a nenhum movimento religioso. Baseado na melhoria da fertilidade do solo por um

processo biológico natural, pelo uso da matéria orgânica, o que é essencial à saúde das plantas.

Como as outras correntes essa proposta é totalmente contrária à utilização de adubos químicos solúveis.

Os princípios são, basicamente, os mesmos da agricultura biológica.

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PARTICULARIDADESApresenta um conjunto de normas bem definidas

para produção e comercialização da produção determinadas e aceitas internacionalmente e nacionalmente.

Atualmente, o nome "agricultura orgânica" é utilizado em países de origem anglo-saxã, germânica e latina.

Pode ser considerado como sinônimo de agricultura biológica e engloba as práticas agrícolas da agricultura biodinâmica e natural.

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Em termos empíricos, podemos dizer que as propostas técnicas da agricultura biológica e orgânica são idênticas. Atualmente, a diferenciação está mais no sentido da origem da palavra do que em termos de normas de produção e comercialização.

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Agricultura alternativa, agroecologia e agricultura sustentável

Nos anos 70, o conjunto das correntes vistas anteriormente passou a ser chamado de agricultura alternativa. O termo surgiu em 1977, na Holanda, quando o Ministério da Agricultura e Pesca publicou um importante relatório, conhecido como "Relatório Holandês", contendo a análise de todas as correntes não convencionais de agricultura, que foram reunidas sob a denominação genérica de agricultura alternativa. Dessa forma, este termo não constitui uma corrente ou uma filosofia bem definida de agricultura, apenas é útil para reunir as correntes que se diferenciam da agricultura convencional.

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A partir dos anos 80, uma disciplina de base científica conhecida como agroecologia passou a ser empregada para designar, sobretudo, um conjunto de práticas agrícolas alternativas, mesmo que seus precursores (Dr. Miguel Altieri e Dr. Stephen Gliessman da Universidade da Califórnia, EUA) insistissem sobre um conceito mais amplo, que incorporava um discurso social.

Seus autores destacam que no enfoque da agroecologia troca-se a ênfase de uma pesquisa agropecuária direcionada à disciplinas e atividades específicas para tratar de interações complexas entre pessoas, culturas, solos e animais.

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Por fim, já no final dos anos 80 e durante a década de 1990, o conceito amplamente difundido, foi o de agricultura sustentável.

Este conceito muito amplo e repleto de contradições deve ser considerado mais como um objetivo a ser atingido do que, simplesmente, um conjunto de práticas agrícolas.

Entretanto, segundo a Instrução Normativa que dispõe sobre as normas para produção de produtos orgânicos, o conceito de sistema orgânico de produção agropecuária abrange também o termo agricultura sustentável.

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Desta forma, as várias correntes citadas (biodinâmica, biológica, natural, permacultura, ecológica, agroecológica, regenerativa e em alguns casos, a agricultura sustentável) são consideradas como uma forma de agricultura orgânica, desde que estejam de acordo com as normas técnicas para produção e comercialização, apesar das pequenas particularidades existentes.

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Em síntese, podemos destacar que o ponto comum entre as diferentes correntes que formam a base da agricultura orgânica é a busca de um sistema de produção sustentável no tempo e no espaço, mediante o manejo e a proteção dos recursos naturais, sem a utilização de produtos químicos agressivos à saúde humana e ao meio ambiente, mantendo o incremento da fertilidade e a vida dos solos, a diversidade biológica e respeitando a integridade cultural dos agricultores.

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Biodiversidadebiodiversidade é a riqueza da vida no planeta,

ou seja, é o total de genes, espécies e ecossistemas de uma região. A biodiversidade pode ser classificada em três categorias:

Diversidade genética: refere-se à variação dos genes dentro das espécies, envolvendo diferentes populações da mesma espécie (como no caso de milhares de variedades tradicionais do arroz indiano) ou a variação genética dentro de uma população.

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Diversidade de espécies: refere-se à variedade de espécies existentes dentro de uma região, onde o número de espécies numa região corresponde à riqueza de suas espécies e a relação das espécies entre si trata-se da diversidade taxonômica.

Diversidade dos ecossistemas: trata-se de uma categoria de difícil mensuração, pois os limites das comunidades (= associações de espécies) e os ecossistemas não estão bem definidos. Todavia, desde que se use um conjunto coerente de critérios para definir comunidades e ecossistemas, seu número e distribuição podem ser medidos.

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Além da diversidade de ecossistemas, muitas outras expressões da biodiversidade podem ser consideradas, como: abundância de espécies, distribuição de idade de populações, estrutura das comunidades de uma região, variação na composição das comunidades ao longo do tempo e até mesmo processos ecológicos como predação, parasitismo, mutualismo, etc.